Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 16 E 17/2

Folha de S. Paulo

19/02/2008 na edição 473


IMPRENSA NA JUSTIÇA
Folha de S. Paulo


Juízes dão mais duas decisões a favor da Folha


‘Ao julgar um dos 50 processos movidos em nome de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra a Folha e a repórter Elvira Lobato, a juíza Zenair Ferreira Bueno Vasques Arantes, do Juizado Especial de Xapuri, no Acre, condenou Maurício Muxió dos Santos por litigância de má-fé, aplicando-lhe multa e obrigando-o a pagar custas processuais e honorários advocatícios. Cabe recurso.


´O Poder Judiciário não pode admitir que seja usado, por quem quer que seja, para atingir objetivo ilegal, devendo repelir com veemência tais práticas´, afirmou na decisão. Sobre as petições idênticas, disse que, `mesmo com muito esforço, é impossível acreditar que 30 fiéis, nos mais distantes rincões deste país, tenham sido abordados com os mesmos dizeres´. `É evidente que a propositura das ações indenizatórias constitui retaliação orquestrada´, afirmou na sentença.


O juiz Luís Henrique Lins Galvão de Lima, da comarca de Porangatu, em Goiás, julgou improcedente a ação de indenização proposta por Aleksander Ferreira dos Santos.


Em sua decisão, o juiz Galvão de Lima afirmou que sentenciava antes da audiência de conciliação `a fim de evitar que esta aventura jurídica vá avante e consuma o tempo e os recursos necessários aos processos de alta relevância para a sociedade´.


Com essas duas sentenças, chegam a cinco as decisões favoráveis à Folha e à jornalista Elvira Lobato.’



***


Requião manda abrir processo contra dono de rádio e jornalista


‘O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), disse ontem que vai processar o dono e um jornalista de uma rádio de Curitiba. Em nota, eles foram chamados de `irresponsável´ e `pau mandado´, respectivamente.


A emissora veiculou entrevista com um senador do Paraguai que fez acusações contra Requião e protestou contra suposta ingerência dele na eleição daquele país.


Líder do governo de Nicanor Duarte no Congresso paraguaio, Juan Carlos Galaverna disse `haver indícios´ de que Requião faz lavagem de dinheiro, trafica drogas e contrabandeia soja.


Em nota, Requião negou as acusações e disse que determinou que a Secretaria de Segurança Pública e a Procuradoria Geral do Estado instaurem processo contra o dono da rádio Bandnews FM, Joel Malucelli, e Fábio Campana, um dos entrevistadores. Campana disse que as declarações só comprovam o estilo agressivo de Requião. `O que fizemos foi jornalismo.´ A assessoria de Joel Malucelli informou que o empresário estava em viagem e não obteve contato.’



BOSSA NOVA
Ruy Castro


Inspiração tardia


‘RIO DE JANEIRO – Henri Salvador, o cantor e compositor francês, morreu na quarta-feira em Paris, e todos os obituários, inclusive o do `New York Times´, registraram como ele `inspirou´ Tom Jobim a criar a bossa nova com sua canção `Dans mon Île´, de 1957. E como se deu essa inspiração? O querido Henri adorava explicar. Como numa entrevista à RFI (Radio France Internationale), em 3/11/2000, quando o repórter lhe perguntou: `É verdade que o senhor teve um papel na invenção da bossa nova?´.


Ele respondeu: `Apresentei uma canção, `Dans mon Île´, no filme italiano `Europa de Noite´, e meu amigo Sergio Mendes me contou que, quando Jobim viu o filme no Brasil, disse: `É isso aí. É o que nós temos de fazer -atrasar o andamento do samba, botar acordes modernos e transformá-lo num ritmo completamente novo´. E foi assim que ele inventou a bossa nova! Devo admitir que fiquei muito orgulhoso ao ouvir essa história´.


Bem, `Europa de Noite´, um documentário sobre os night-clubs europeus rodado em 1958, estreou na Europa em 1959 e, no Brasil, em abril de 1960. Nessa época, Jobim, só ou com parceiros, já havia feito `Estrada do Sol´, `Chega de Saudade´, `Desafinado´, `Samba de uma Nota Só´, `Meditação´, `Corcovado´, `A Felicidade´, `Brigas Nunca Mais´ etc. etc.


Mas digamos que `Dans mon Île´ tenha estourado em disco antes do filme, e o 45 rpm, com o buraco no meio, chegado às mãos de Tom em 1958 ou no próprio 1957. Ele já havia feito `Correnteza´, `Outra Vez´, `Tereza da Praia´, `Foi a Noite´, `Caminhos Cruzados´, `Lamento no Morro´ e `Se Todos Fossem Iguais a Você´.


E assim ficamos combinados que Henri Salvador, condecorado há pouco pelo governo brasileiro por sua `contribuição à criação da bossa nova´, inspirou Jobim a fazer o que de há muito já fazia.’



MÍDIA & POLÍTICA
Vera Guimarães Martins


Gugu, dadá


‘HOUVE UM tempo em que governo e oposição eram cerveja e vinho, dois sabores inconfundíveis, cada qual com seus adeptos. Era um mundo mais simples, como são simples os cenários sem muitos matizes. O maniqueísmo era impositivo; em tempos negros é preciso ter lado, dizia-se. Mesmo entre os bebedores de cerveja, ser ou não ser era a questão; você era Brahma ou Antarctica. Um dia o preto e branco acabou, houve festa cívica no reino, aleluias, felicidade. Daqui para a frente, tudo ia ser diferente.


Até que foi. No começo a velha dicotomia ainda podia encontrar alguma ressonância, havia espaço para crenças de que `este governo´, os primeiros, `não era bem o que a gente queria, mas no próximo com certeza…´. Aí veio a `fusion cuisine´, misturando hemisférios e quadrantes, juntando jabuticaba e petit gâteau. Veio a Ambev, embatucando quem sempre acreditou que Brahma e Antarctica eram mundos incompatíveis. E vieram o PSDB e o PT, farinhas moídas no mesmo moinho, mas acomodadas em sacos distintos, já que um só era insuficiente para todo mundo. Oba!, enfim, a maturidade, o muro caiu (até Carolina viu), e o último baluarte da esquerda chegou ao governo. Os sonhadores incorrigíveis apostaram que agora o debate iria ser mais rico, sem cores primárias e mistificações simplificadoras. Dançaram, estamos dançando.


Muita coisa mudou, mas o debate honesto e despido de vícios ideológicos, vital para o país e até então relegado sob o argumento (questionável) de não reforçar o inimigo comum, virou suco. Ao contrário, ressuscitou-se o maniqueísmo simplório, e interditou-se o debate. Não há espaço para crítica e discordância, ou você está comigo ou é um vendido. A política, cada vez mais irrelevante, instaurou de vez a lei do `não me entregue ou eu te deduro´. A intelligentsia se engalfinha em discussões ruidosas, de muito calor e nenhuma luz, voam insultos e acusações.


A imprensa, culpada eterna, não podia ficar de fora. Lembra da isenção, aquela utopia cultivada com carinho? Virou refém da lei do `uma no cravo, outra na ferradura´, ao custo de muitas vezes ter de ignorar os critérios de hierarquizar a notícia pela sua importância. Exige-se a democracia caolha, que trata como igual o que é diferente, como revelam painéis de leitor, blogs políticos e caixas de mensagens.


O povo, a moçada mais ainda, esse caiu na real e foi cuidar da vida.


PS: Este texto já estava engatilhado antes da publicação das colunas de ontem de Clóvis Rossi e Nelson Motta, que tratam de assuntos diferentes, mas navegam na mesma maré de mal-estar. Talvez seja coletivo. Talvez seja bom sinal. Talvez seja só outra ilusão de que podemos virar adultos.


VERA GUIMARÃES MARTINS é editora de Publicações Especiais da Folha.’



CARTÕES CORPORATIVOS
Jorge Armando Felix


Dilema: segurança x transparência


‘´ VIVEMOS NUM permanente embate entre a chamada transparência absoluta e a necessidade de preservar ao máximo a segurança das autoridades e das demais pessoas protegidas.


Do ponto de vista da segurança, do nosso trabalho, quanto menor a transparência, maior o grau de segurança. O que buscamos é achar um ponto de equilíbrio.´ Essas palavras, que usei numa entrevista coletiva e das quais a imprensa destacou apenas uma frase, usada recorrentemente por alguns veículos, mostram o dilema que nos traz a estas páginas: segurança x transparência.


Por lei, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) deve zelar pela segurança pessoal do chefe de Estado, do vice-presidente e respectivos familiares, bem como pela segurança dos palácios presidenciais e das residências. Vale a pena ressaltar algumas peculiaridades dessa atribuição:


– Não há limites físicos, o que significa que onde quer que residam ou estejam as pessoas a serem protegidas, ali também têm que estar as pessoas que lhes dão proteção, seja em suas casas, em seus locais de trabalho, vivendo seu dia-a dia, seja em viagens de qualquer natureza, ou mesmo em locais de lazer como teatros, shows ou restaurantes. A pessoa vai a um teatro, os seguranças vão ao teatro. Vai à praia? Os seguranças também vão e com a obrigação de saber nadar.


– A segurança faz uma avaliação de riscos para cada situação e alerta as pessoas sob sua proteção. Mas a decisão de fazer ou não fazer alguma coisa é exclusiva dos protegidos, cabendo à segurança executar seu trabalho da melhor forma possível.


Com que níveis de risco trabalhamos? Cada caso é um caso. As possíveis ameaças são múltiplas e muitas vezes pouco previsíveis. Quem matou John Lennon foi um fã ardoroso; quem atirou contra Reagan foi um apaixonado por uma atriz de cinema; Sérgio Vieira de Mello foi morto em uma missão humanitária; na vizinha Argentina, houve dois atentados que causaram o maior número de mortes da história israelense; Tim Lopes foi brutalmente assassinado quando fazia seu trabalho jornalístico; mais recentemente, um presidente da Ucrânia foi envenenado. Nossa própria história registra atentados como aqueles ocorridos contra d. Pedro 2º, em 1889, e contra Prudente de Moraes, em 1897. Seqüestros são constantes ameaças no mundo, como forma de intimidação, pressão política ou busca de resgate. Esses são apenas alguns exemplos. Quando o presidente do Brasil encontra-se ao lado do presidente dos EUA ou do rei da Espanha, seu grau de risco é o mesmo dessas outras personalidades.


Em que medida a informação ostensiva contida em pequenas despesas corriqueiras pode ameaçar a segurança? Vejamos:


– A proteção de coletes balísticos enviados a uma lavanderia mostra o tipo de colete e, em conseqüência, qual a munição necessária para perfurá-lo, assim como o tipo de carro blindado alugado ou adquirido numa licitação permite a mesma dedução;


– Quantidade de seguranças, rotinas de trabalho, posição do carro do presidente em um comboio são facilmente dedutíveis quando sabemos quantas refeições são encomendadas, onde são realizados os treinamentos e a manutenção dos veículos, ou quais equipamentos de comunicação foram adquiridos.


Pelas razões citadas, julgamos que a maior parte dos gastos, mesmo aqueles aparentemente irrelevantes, deve sofrer uma criteriosa avaliação para decidir os que não serão considerados sigilosos. Ressalto que os gastos realizados pelos agentes da segurança são verificados pela chefia imediata, pelo Departamento de Segurança do GSI, pelo controle interno da Presidência e pelo TCU, ficando as prestações de contas de modo permanente à disposição dessas autoridades, o que por si só já caracteriza transparência.


Por último, destaco que o cargo de presidente da República não é de natureza comum. Trata-se de uma instituição, cujo ocupante provém de uma escolha realizada pela maioria absoluta dos eleitores brasileiros. Cabe à sociedade compreender a importância dessa instituição, valorizá-la e zelar por sua dignidade. E ao GSI, preservar sua liberdade de ação e garantir sua segurança.


JORGE ARMANDO FELIX, 69, é ministro de Estado chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.’



Arthur Virgílio


Nada de gastos escondidos


‘OS CONSTITUINTES de 1988 foram sábios quando instituíram entre os princípios que a administração pública está obrigada a observar a legalidade, a impessoalidade, a moralidade e a publicidade. Pelo que a mídia vem divulgando fartamente, o mau uso dos cartões corporativos, no âmbito do Poder Executivo, tem afrontado a legalidade, a moralidade e a publicidade.


A primeira é agredida quando se desvirtua o uso desse instrumento para burlar a Lei de Licitações, no fundo, para fazer compras ao arrepio do menor preço; a segunda, quando autoridades vão aos free shops, tapiocas, mesas de sinuca, hotéis e restaurantes de luxo, aos abusivos aluguéis com automóveis e -mais grave- aos suspeitos saques em dinheiro. E fogem da publicidade quando invocam a `segurança nacional´ simplesmente para não prestar contas à sociedade.


Violar um princípio constitucional, já ensinou o professor Celso Antonio Bandeira de Mello, é muito mais grave do que transgredir uma norma, pois `implica ofensa não a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos´. `É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade´ -assinala ele-, `porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão dos seus valores fundamentais´.


Por isso, a oposição não abre mão de investigar, em profundidade, todo esse escândalo dos cartões, distribuídos à farta, do primeiro ao quinto escalão do governo. Não haverá acordo, acordinho nem acordão. Muito menos blindagem de quem quer que seja.


Não aceitaremos CPI faz-de-conta, como o governo parece preferir. Insistimos em que um dos seus dois mais importantes postos -presidente e relator- seja destinado a quem fiscaliza, e não tudo a quem pode querer arranjos convenientes ao poder. Nem aceitamos essa balela de `segurança nacional´ para cobrir de sigilo despesas do gabinete pessoal do presidente da República. Não há, na Constituição, nada que autorize esconder gastos com dinheiro público.


Como já mencionei, o princípio constitucional a que a administração pública está sujeita é o da publicidade. É claro que nem tudo pode ser tornado público. Mas isso se refere a políticas estratégicas, e não a compra de ternos, vestidos, espetos de churrasco, vinhos e outros gastos corriqueiros, necessários ou mais do que supérfluos e até abusivos.


A lei define o que pode ser objeto de sigilo. A Constituição, no art. 5º, ao estabelecer que `todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo ou geral´, ressalva aquelas `cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado´. A Lei nº 11.111/05 e os Decretos nºs 5.301/04 e 4.553/02 regulamentaram esse dispositivo, definindo os níveis de sigilo. Nenhum deles, porém, permite que se subtraia aos olhos do contribuinte o que se faz com o dinheiro público.


Por isso, ingressei no Supremo Tribunal Federal com mandado de segurança para obter acesso aos gastos que o gabinete pessoal do presidente teve com cartões corporativos. Tenho muita esperança de ver acolhido o pedido, por sinal trilhando a mesma linha do pensamento exposto por dois dos mais eminentes integrantes daquela Corte: os ministros Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.


Nada existe que justifique esconder os destinos dados ao dinheiro público. Nem mesmo num órgão como a Agência Brasileira de Inteligência, que, por sua natureza, até se compreende, pudesse valer-se do sigilo.


Mas como explicar o uso do cartão para sacar R$ 26,5 milhões na boca do caixa, em apenas cinco anos, se o país está em ordem, não há ameaça de greves gerais, lockouts, sublevações, nem sinais de conflitos graves, internos ou externos, à exceção das sucessivas invasões de terras pelo MST? Na verdade, aliás, para estar informado sobre as ações desse movimento, que é da copa e cozinha palacianas, o governo nem precisa da Abin…


A nação exige que todo gasto com dinheiro público seja feito às claras, observando-se a legalidade, a moralidade e a publicidade determinadas pela Constituição. Nada de despesas às escondidas! Chega de tanto abuso!


ARTHUR VIRGÍLIO, 62, é senador pelo PSDB-AM e líder do partido no Senado.’



TELES
Elvira Lobato e Janaina Lage


BNDES diz que compra da BrT pela Oi não terá demissão


‘A direção do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) assegurou ontem a representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Força Sindical que a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar) não provocará demissões de empregados. O aval foi dado durante reunião, ontem, do Conselho de Administração do BNDES, no qual as duas centrais têm assento.


A garantia verbal da presidência do banco não convenceu o presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Informado da declaração do banco pelo advogado Ricardo Tosto, que representa a Força no conselho do BNDES, o deputado disse que quer uma garantia formal de que não haverá demissões por pelo menos três anos.


´A lógica empresarial é de que haja demissão após a fusão de empresas. Não sou telefônico, mas sei que não é preciso duas pessoas para instalar o mesmo fio´, afirmou. Disse que `o mínimo´ que o BNDES pode fazer é exigir dos acionistas a garantia de manutenção de empregos, uma vez que a operação será financiada com recursos públicos, pelo BNDES.


O representante da CUT na reunião do conselho, João Felício, da direção nacional da central, disse que a garantia dada foi suficiente e que a entidade não vê entraves para o negócio.


´As [respostas às] perguntas que fizemos ao BNDES nos deram uma tremenda garantia de que a compra vai expandir as possibilidades de emprego, especialmente na base. Para nós [a explicação da direção do banco] é suficiente´, afirmou o dirigente sindical após o encontro, no Rio.


Capital nacional


Força Sindical e CUT divergem em relação ao principal argumento político do governo para aprovar a compra da BrT pela Oi, a qual resultará na concentração do mercado de telefonia fixa: a criação de uma megaempresa de capital nacional para se contrapor ao avanço dos grupos estrangeiros Telefónica (espanhol) e Telmex (mexicana). A primeira controla a antiga Telesp e é acionista da Vivo e da TVA. A segunda controla a Embratel, a Claro e é acionista da Net, maior empresa de TV a cabo do país.


Para o deputado Paulo Pereira da Silva, o controle nacional é irrelevante se não houver garantia de emprego. `Sem a garantia, pode ser nacional ou estrangeira, as duas mandam embora´, afirmou.


Já o dirigente da CUT afirmou que o controle nacional é questão estratégica. `Nenhum país consegue competir internacionalmente se não possuir uma empresa de capital genuinamente nacional.´


Ataque à mídia


Felício insinuou que os questionamentos sobre o negócio veiculados na imprensa refletem o medo da concorrência de empresas do setor. `O que está por trás é a TV por assinatura. São mais empresas entrando no mercado, e alguns canais de televisão não gostam muito de concorrência´, disse.


O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, recusou-se a comentar sobre o que foi discutido na reunião e afirmou que só poderá se pronunciar se houver a divulgação de um fato relevante dos acionistas das duas teles.


Na reunião de ontem, o Conselho de Administração do BNDES aprovou uma referência para o orçamento deste ano da ordem de R$ 80 bilhões, que será enviada ao Ministério do Planejamento.


Coutinho não esclareceu se o montante já contabiliza o financiamento previsto pelo banco para a operação de compra da BrT, de cerca de R$ 2,5 bilhões.’



TV POR ASSINATURA
Simone Cunha


Cobrança por ponto extra continuará, dizem TVs


‘A proibição de cobrança pelo ponto extra de TV paga pode não entrar em vigor. Prevista para valer a partir de junho, a mudança será cancelada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), afirma a ABTA (associação de TVs por assinatura).


Cerca de 50% dos usuários de TV paga têm o segundo ponto, segundo a entidade. O presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, diz que o recuo será explicado como uma falha no texto da resolução sobre os direitos dos assinantes.


A Anatel, por meio de assessoria de imprensa, informou que está analisando as sugestões da ABTA. `Não há movimentação da Anatel para mexer no regulamento neste momento, mas qualquer mudança será amplamente divulgada.´


O artigo questionado é o 39, que diz que `a utilização de ponto extra e de ponto de extensão, sem ônus, é direito do assinante, independentemente do plano contratado´.


Annenberg afirma que, em reunião em janeiro, as empresas apresentaram os gastos com ponto extra, mostrando que não poderiam fornecer o serviço gratuitamente. `Se não posso cobrar o ponto extra, vou ter de dividir os custos por todos, mesmo os que não têm.´


A saída, diz, deve ser uma espécie de retificação dizendo que a proibição se refere ao ponto escravo -que reproduz o mesmo canal do ponto principal- e não ao ponto extra.


´Todo mundo que sabe ler entendeu isso [que era proibido cobrar o ponto extra] porque estava muito mal escrito.´


Net e Sky, maiores do setor, segundo a consultoria Teleco, foram procuradas, mas não informaram a participação do ponto adicional em sua receita. O ponto extra da Net custa R$ 25, segundo a empresa.


A Pro Teste (associação de defesa do consumidor) e o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) consideram que a mudança seria um retrocesso para o consumidor. `Esse é o ponto mais importante dessa regulamentação´, diz o advogado do Idec, Luiz Fernando Moncau.


Ele e Maria Inês Dolci, da Pro Teste, acreditam que o ponto extra não onera as empresas. `É um ponto de resistência das empresas porque elas ganham com o extra sem necessidade´, afirma Dolci.’



CINEMA
Silvana Arantes


Leigh e Anderson são favoritos da crítica em Berlim


‘O Festival de Berlim revela hoje os vencedores de sua 58ª edição, que começou no último dia 7, com 21 filmes em disputa, entre eles o brasileiro `Tropa de Elite´, de José Padilha.


Se o veredicto do júri presidido pelo cineasta grego radicado na França Constantin Costa-Gavras é ainda uma incógnita, a avaliação dos concorrentes pela crítica, que já se conhece, foi raras vezes homogênea.


Entre os poucos consensos estão a aprovação ao drama `Sangue Negro´, de Paul Thomas Anderson, que estreou ontem no Brasil, e à comédia `Happy-Go-Lucky´ (desencanado), de Mike Leigh, e o rechaço ao filme-denúncia sobre pedofilia e seqüestro infantil `Gardens of the Night´ (jardins da noite), de Damian Harris.


A recepção a `Tropa de Elite´ pela crítica foi desigual e majoritariamente negativa. Enquanto a revista britânica `Screen´ o avaliou como `excelente´, diversas outras publicações enxergaram no filme aspectos moralmente reprováveis, como uma suposta apologia da tortura, ou cinematograficamente inconsistentes.


A narração em `off´ que o Capitão Nascimento (Wagner Moura) faz da história incomodou mais de um crítico.


Réplicas


Espectadores fãs do filme saíram em defesa de `Tropa de Elite´ e em violento ataque ao autor da crítica desfavorável na revista norte-americana `Variety´. O crítico do diário francês `Le Monde´ também foi replicado por leitores e fez sua tréplica, ratificando sua desaprovação ao filme.


Entre os demais concorrentes, cujos fãs e detratores na crítica se dividem em partes parecidas, estão três filmes sobre o luto: o mexicano `Lake Tahoe´ (lago Tahoe), de Fernando Eimbcke, o italiano `Caos Calmo´, de Antonello Grimaldi, e o alemão `Kirschblüten – Hanami´ (o desabrochar das cerejas), de Doris Dörrie.


A categoria de melhor ator tem concorrentes especialmente fortes, como o britânico Daniel Day-Lewis (´Sangue Negro´) e o israelense Moshe Igvy (´Restless´).


Se valer no júri a mesma preferência da crítica, a disputa de melhor atriz terá ligeira vantagem da britânica Sally Hawkins (´Happy-Go-Lucky´) sobre Kristin Scott Thomas (´Il Y A Longtemps que Je t´Aime´) e Tilda Swinton (´Julia´).


Estrelas


Ontem, com a disputa já encerrada, a grande atração do festival foi a estréia hors-concours do drama de época `A Outra´, do britânico Justin Chadwick, em que Eric Bana interpreta o rei da Inglaterra Henrique 8º, enquanto Natalie Portman e Scarlett Johansson vivem as irmãs Ana e Maria Bolena, que se tornam ambas amantes do rei e o disputam entre si e com a rainha.


Johansson e Portman elogiaram-se mutualmente. `Só assinei esse contrato porque Natalie estava no filme. Como eu a admiro muito, queria trabalhar com ela´, disse Johansson, de quem Portman, minutos antes, se declarara fã. Bana, por sua vez, afirmou, sorrindo, que `gostaria de repetir essa experiência´, quando lhe perguntaram que tal foi atuar ao lado de duas atrizes tão lindas.


Outros prêmios


O Prêmio Teddy, dedicado a produções com enfoque gay, deu ao islandês `A Surpreendente Verdade sobre a Rainha Raquela´, de Olaf Johannesson, o prêmio de melhor longa de ficção. O curta brasileiro `Tá´, do brasileiro Felipe Sholl, também foi premiado em sua respectiva categoria.’



***


Wajda filma `segredo´ da União Soviética


‘´Katyn´ é o filme que o cineasta polonês Andrzej Wajda, 81, sempre quis fazer e achou que nunca poderia, porque trata do `segredo mais bem guardado na censura soviética´, segundo o diretor.


Indicado ao Oscar de filme estrangeiro, `Katyn´ foi exibido ontem fora de competição no Festival de Berlim. O filme remonta a 1939, quando a Polônia foi atacada por Alemanha e União Soviética.


´O país praticamente foi varrido do mapa. A Alemanha nazista e a União Soviética comunista queriam se livrar da elite polonesa. Stálin pensava que a supressão dos intelectuais era a maneira de subjugar a Polônia´, disse Wajda.


O resultado é que cerca de 15 mil homens foram fuzilados na floresta de Katyn, em 1940, num massacre promovido pelos soviéticos, que o atribuíram aos alemães, sendo a verdadeira autoria o segredo que Wajda queria revelar.


O pai do diretor foi uma das vítimas do extermínio. `Eu não quis fazer um filme político nem pessoal. Meu desafio era fazer um filme em que o roteiro fosse o herói´, afirmou.


Mesmo evitando o tom biográfico, Wajda lançou mão de suas memórias para construir personagens e situações, como as que se referem às mulheres dos oficiais capturados.


´Minha mãe, até morrer, em 1949, nunca acreditou que meu pai tivesse sido morto. Ela escrevia para a Cruz Vermelha e esperava o seu retorno.´’



José Geraldo Couto


Documentário retrata horrores de nossa época


‘´Invisíveis´, documentário que o Cinemax exibe hoje, traça um painel multifacetado de horrores de nossa época.


Produzido pelo ator espanhol Javier Bardem e dirigido por cineastas de vários países, o filme celebra os 20 anos da organização Médicos Sem Fronteiras e em seus cinco segmentos aborda os diferentes males que atingem crianças e jovens da África e da América Latina.


Cada parte pode ser vista como um curta-metragem independente, com tema e linguagem específicos. Em `Crimes Invisíveis´, por exemplo, o alemão Wim Wenders trata das adolescentes estupradas em massa durante a guerra civil no Congo. É talvez o segmento menos programático e mais inventivo do documentário.


Diante da câmera, de modo seco, monocórdico, essas mulheres marcadas contam suas escabrosas histórias, uma a uma, e vão desaparecendo da tela, deixando à vista apenas o vazio de seus casebres e vidas.


Já o espanhol Fernando León de Aranoa (de `Segundas-feiras ao Sol´) retrata em `Boa Noite, Ouma´ as crianças convertidas em soldados na guerra em Uganda. Com suas armas enormes penduradas em ombros franzinos, elas não diferem muito dos soldados mirins do tráfico de `Cidade de Deus´.


A também espanhola Isabel Coixet (de `A Vida Secreta das Palavras´), em `Carta a Nora´, volta seu foco para as vítimas anônimas da doença de Chagas na América Latina. São 18 milhões, segundo o filme.


A forma escolhida é a do docudrama: numa comunidade pobre da Bolívia, uma mulher tenta salvar o filho acometido pela doença. Como narração em `off´, ouvimos a carta em que ela conta a situação a uma parente que lhe manda dinheiro da Espanha.


Os episódios terminam com uma mensagem política explícita, denunciando governos, indústrias, laboratórios farmacêuticos etc. pelas desgraças vividas pelos mais fracos. O tom é panfletário, mas o resultado, contundente.


INVISÍVEIS


Quando: hoje, às 22h


Onde: Cinemax’



Folha de S. Paulo


´O ano…´ é elogiado pelo New York Times


‘O filme `O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias´, de Cao Hamburger, recebeu crítica positiva do jornal. O longa, que estréia hoje nos EUA, conta a história de um menino cujos pais têm que viajar para fugir da ditadura enquanto ele fica hospedado na casa do avô. O filme foi considerado `muito encantador ao enfocar detalhes do cotidiano de classe média baixa do Bom Retiro´.’




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