Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 4 E 5/08

Folha de S. Paulo

07/08/2007 na edição 445

CASO RENAN
Silvio Navarro e Leonardo Souza

Compra de rádio complica situação de Renan

‘A denúncia de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) seria o dono oculto de duas rádios em Alagoas que teriam sido pagas em dinheiro vivo deverá gerar mais um foco de investigação no Congresso Nacional e tende a complicar ainda mais a situação do presidente do Senado.

A informação de que Renan usou dinheiro vivo, parte em dólar, para comprar as rádios foi publicada na edição deste final de semana da revista ‘Veja’. Conforme a Folha já havia divulgado em junho, o primo de Renan Tito Uchôa e um assessor direto do senador, Carlos Ricardo Nascimento Santa Ritta, aparecem como dirigentes e sócios de duas rádios que pertenceriam de fato a Renan, avaliadas em R$ 2,5 milhões. O senador não declarou as rádios em seu Imposto de Renda.

Ontem, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou que investigará o caso a partir da próxima terça-feira e classificou as denúncias como ‘gravíssimas’.

Um dos relatores do processo contra Renan no Conselho de Ética, o senador Renato Casagrande (PSB-ES), afirmou que as denúncias devem ser agregadas às investigações já em curso.

O argumento é de que o caso envolve o patrimônio e movimentação financeira de Renan, objetos de análise da Polícia Federal.

‘É mais um tijolo na concepção da ética do senador Renan Calheiros’, disse outra relatora processo no conselho, Marisa Serrano (PSDB-MS).

Autor da representação contra Renan, o PSOL anunciou que também pedirá a inclusão das denúncias no processo.

‘O Conselho de Ética tem autonomia para aditar os fatos novos às investigações’, disse o líder do partido na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ).

De acordo com a revista, um dos emissários que teriam sido usados pelo senador para transportar o dinheiro é Everaldo França Ferro, assessor parlamentar de Renan.

Ferro já foi flagrado pela PF em conversas com o empresário Zuleido Veras, o dono da construtora Gautama acusado de chefiar quadrilha que fraudava licitações.

Renan comprou dele um Mitsubishi -Ferro teve 19 carros registrados em seu nome nos últimos sete anos.

Negócio

A empreitada de Renan nas comunicações, segundo a ‘Veja’, teria começado em 1998 numa parceria com o empreiteiro João Lyra, na compra do grupo O Jornal, que detinha uma concessão de rádio.

Com o negócio fechado em R$ 2,6 milhões (R$ 1,3 milhão para cada um), Lyra teria emprestado R$ 700 mil a Renan, que não tinha todo a soma na ocasião. Os pagamentos a Lyra teriam sido feitos em dinheiro, às vezes em dólar, e entregues por Ferro.

Os R$ 650 mil restantes teriam sido pagos em 1999 por Tito Uchôa. Em 2005, Renan e Lyra teriam decidido desfazer a sociedade, ficando o usineiro com o jornal e Renan com as concessionárias de rádio.

Na semana retrasada, Renan viajou para Maceió para defender-se das acusações de que teria contas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior. Deu cinco entrevistas num único dia, todas a veículos controlados no papel por seus parentes ou aliados.

As denúncias trazidas pela revista somam-se a outras duas reveladas pela Folha nesta semana. Uma delas, de que teria grilado terras em Murici (AL), gerou representação apresentada pelo PSOL ao Conselho de Ética do Senado.

A outra é de que o frigorífico Mafrial, apontado como intermediário de venda de gado de suas fazendas para empresas fantasmas, não tem autorização para negociar carne.

O advogado de Renan, Eduardo Ferrão, disse apenas que não havia falado com o senador até o fechamento desta edição. Por meio de sua assessoria, João Lyra disse que não iria se manifestar sobre o caso. A reportagem não conseguiu localizar Ferro, Santa Ritta nem Uchôa.’

GRAMPOS / EUA
Folha de S. Paulo

Senado aprova lei de Bush sobre escutas

‘Cedendo às pressões da Casa Branca, o Senado americano aprovou na noite de anteontem medida que fortalece a legislação de espionagem antiterror do país, dando mais poderes às agências federais para fazer escutas e interceptar mensagens eletrônicas de estrangeiros sem autorização judicial.

O presidente George W. Bush havia ameaçado fazer uma convocação extraordinária, impedindo o início do recesso parlamentar, caso as mudanças não fossem aprovadas.

A votação, com placar de 60 votos a favor e 28 contra, ocorreu depois que os democratas não conseguiram apoio suficiente para incluir emenda prevendo uma maior supervisão dos órgãos judiciais da política de espionagem.

‘Estamos em guerra. O inimigo quer nos atacar. Não é hora de brigar pela perfeição legislativa’, disse o senador independente Joseph Lieberman, que se somou aos 16 democratas que apoiaram a proposta republicana.

A lei iria a votação ainda ontem na Câmara de Representantes, onde também deve ser aprovada.

Com agências internacionais’

TELEVISÃO
Folha de S. Paulo

‘A fórmula do fracasso existe’, diz Daniel Filho

‘ELE JÁ deu as cartas na teledramaturgia brasileira, ao comandar a área artística da Globo; hoje, Daniel Filho reina por trás dos (raros) filmes nacionais de sucesso, dirigindo-os (‘Se Eu Fosse Você’) ou co-produzindo-os (‘Cidade de Deus’). Com ‘Primo Basílio’, que estréia na sexta, quer ‘explorar o nicho’ dos ‘filmes de amor’, que sumiram das telas e que julga ainda atrair as mulheres, que ‘mandam’ nas escolhas de lazer.

FOLHA – Por que adaptou a história de 1878 de Eça de Queirós para o Brasil desenvolvimentista dos 50?

DANIEL FILHO – Nelson Rodrigues bebeu muito [na obra] do Eça, e eu quis manter esse clima rodriguiano, juntar Nelson e Eça. Não poderia fazer isso no Rio de Janeiro, que é mais permissivo do que São Paulo, ainda mais naquela época, em que São Paulo vivia a euforia quatrocentona do crescimento. É curioso que São Paulo sempre quis esse crescimento e hoje vive o caos decorrente dele. A megalópole ficou isolada!

FOLHA – O filme acentua mais o conflito do desejo do que a crítica social, traço do livro. Para isso, você tentou dar mais densidade à personagem de Luísa, que Machado de Assis classificou como ‘um caráter negativo’, por deixar-se levar ao adultério, sem o impulso da paixão?

FILHO – Não concordo com Machado de Assis. No próprio Eça havia uma sedução e um desejo não-resolvido naquele romance trivial e doméstico da menina com o primo. A Luísa é, sim, uma personagem muito fútil. Procurei dar motivos maiores à futilidade dela, como deslumbrar-se com o casamento de Grace Kelly, algo que deslumbraria muitas mulheres.

FOLHA – Quando Basílio diz, em seu filme: ‘O século 19 acabou faz tempo. Não se foge mais assim!’, você está apontando o anacronismo do sonho romântico de Luísa?

FILHO – Sim. É um sonho romântico anacrônico que qualquer mulher pode viver hoje. Sentimentos são atemporais.

FOLHA – Você filma o aprendizado sexual de Luísa com Basílio num tom mais sensual do que erótico. É um cuidado para não afastar a parcela mais conservadora do público?

FILHO – Tentei usar o conselho que o pai de Eça deu a ele: ‘Meu filho, acho bonito você estar embarcando no realismo, mas não escreva nada que possa fazer corar as senhoras e senhoritas [risos]. Isso nunca me saiu da cabeça durante o filme.

FOLHA – Na minissérie ‘O Primo Basílio’ (1988), que dirigiu na Globo, Marilia Pêra fez uma elogiada interpretação da doméstica Juliana. No filme, você deu o papel a Gloria Pires, sua atriz-fetiche. Como avalia o desempenho de ambas?

FILHO – A Juliana da Marilia não corresponde ao que eu queria que ela fizesse. Marilia não quis ser tão feia [quanto a personagem]. Ela se defendeu. Mesmo sem chegar aonde eu queria, ela chega a um outro caminho. É uma grande atriz.

Já Gloria é uma atriz-fetiche sim, mas é brilhante. Tem uma economia! E fez uma Juliana feia mesmo. Ela dá certo humor às cenas com a Débora [Falabella]. É engraçado, até que deixa de ser engraçado e passa a ser trágico. A troca de posições [entre patroa e empregada] é uma coisa que adoro no livro do Eça.

O público fica com pena quando aquela menina está sendo empregada e não tem pena da empregada! No Brasil, existe um trato quase de escravo com as empregadas.

FOLHA – Reynaldo Gianecchini não é bonito demais para o papel de Jorge, o marido traído?

FILHO – Achei que, assim, eu escaparia de ser maniqueísta. Escalando duas potências de afeto feminino, queria que ficasse claro que o problema de Luísa não é ser atraída pelo mais lindo ou o mais gostoso. Não é desse tipo de amor que se trata. Acho que é isso o que acontece na alma da mulher. Já o homem, sim, é preconceituoso. Se mulher ficasse careca, será que homem casava com ela? Mulher não tem esse conceito de beleza. O amor da mulher é mais solto, mais aberto.

FOLHA – Guilherme Fontes, que atua em ‘Primo Basílio’, ofereceu a você, nos anos 90, a direção de ‘Chatô’, antes de decidir ser ele mesmo o diretor do filme, ainda inacabado. Por que recusou o convite?

FILHO – Porque achei que aquele filme já tinha sido feito. Chama-se ‘Cidadão Kane’, e não saberia como fazer diferente.

FOLHA – É chavão no cinema dizer que ‘não existe a fórmula do sucesso’. Existe a fórmula do fracasso?

FILHO – Sim. Dá para escrever um livro de coisas que não funcionam. Mas cinema é muito ingrato. Você tem idéia do que não vai funcionar, mas não tem certeza do que vai funcionar.

Com ‘Primo Basílio’, estou tentando entrar num nicho inexplorado. Não há filmes de amor, de paixão. Não se fazem mais [filmes como] ‘O Morro dos Ventos Uivantes’, profundamente femininos. E sabemos que as mulheres é que escolhem o que assistir -no teatro, no cinema, no balé. Os homens querem ver é futebol.

FOLHA – A que atribui a atual queda de público dos filmes nacionais?

FILHO – Estamos com filmes ruins. Alguns são até bons, mas para cinéfilos. São aqueles filmes de vanguarda. Curiosamente, iguais aos filmes de vanguarda de antigamente. Tudo muda, só não muda a vanguarda. Mas vou dividir essa responsabilidade [pela queda de público] com a imprensa.

A crítica tem muita importância. Mas o que é bom e o que é ruim ficou meio perdido. Imagina a mulher que chama o marido para ir ver um filme que o jornal está dizendo que é bom. O cara vai e enfrenta o ‘Baixio das Bestas’ [de Cláudio Assis, sobre garota explorada sexualmente pelo avô no sertão nordestino]. O marido vai olhar para a cara da mulher e dizer: ‘No sábado você me traz para ver isso? É o nosso sábado!’.

Enfim, não houve nenhum filme brasileiro nesse período [2006/2007] que eu tenha achado extraordinário. De quais se esperava sucesso?

FOLHA – ‘Antônia’ (Tata Amaral), que fez 79 mil espectadores.

FILHO – Não achei ‘Antônia’ lá essas coisas. Quando vi e quiseram fazer o seriado [na Globo], achei um filme ‘cinema novo’, quer dizer, uma narrativa cinematográfica mais ou menos. Aí fizeram uma inversão de valores [o filme foi lançado somente depois da exibição da série na TV] e deu uma merda.

FOLHA – Esperava-se mais público também para ‘Ó Paí, Ó’ (Monique Gardenberg), que ficou em 390 mil.

FILHO – Fez mais do que eu esperava. É um clipãozão. E pesaram a mão no final, com aquelas crianças morrendo. É um filme que joga o espectador de um lado para outro. Eu ficava perdido, [me perguntando] que porra de filme estou vendo? Também quebrei a cara, com ‘Caixa Doi$’ [de Bruno Barreto, 247 mil espectadores]. Não gostava do título, mas não quero criticar colegas e estou envolvido [é produtor associado]. Enfim, ficaram coisas [no filme] que não dava para mexer.

FOLHA – Qual sua aposta de sucesso na safra nacional prevista?

FILHO – Acredito muito em ‘Meu Nome Não É Johnny’ [de Mauro Lima; estréia prevista para janeiro de 2008].

FOLHA – E em ‘Cidade dos Homens’, de Paulo Morelli, não?

FILHO – Acredito que irá bem. Mas, no filme, de uma forma ou outra nota-se o seriado [homônimo, da Globo]. Não sei se isso é bom ou ruim, para um filme sério, que não é uma comédia.

FOLHA – Como se sente aos 70?

FILHO – 69. Faço 70 em setembro. Não me imagino com 70, mas, dia sim, dia não, tenho um ‘ui’ que não sei de onde vem. Outro dia me apareceu uma dor na minha canela. Acho que tem a ver [com a idade]. Mas meu pai tem 100; minha mãe, 96. Se a genética funciona, tenho aí ao menos um tempo muito ativo.’

***

Diretor filmará biografias de Chico Xavier e Getúlio Vargas

‘As filmagens de ‘Se Eu Fosse Você 2’, em janeiro de 2008, são o próximo compromisso na agenda do diretor Daniel Filho, mas não o único.

Além da seqüência da comédia sobre troca de sexo num casal, que foi campeã isolada de bilheteria na safra brasileira de 2006 -’Se Eu Fosse Você’ teve 3,6 milhões de espectadores-, o cineasta tem o projeto de filmar um longa sobre o médium brasileiro Chico Xavier (1910-2002) e outro sobre os 19 últimos dias de vida do presidente Getúlio Vargas (1882-1954).

O roteiro de ‘Doutor Getúlio’ está sendo escrito pelo dramaturgo e novelista Lauro César Muniz. ‘Ou seja, não tem erro’, afirma Filho.

História

O diretor afirma que ‘temos que contar um pouco da nossa história e saber exatamente tudo’ sobre o episódio que levou ao suicídio de Vargas.

‘Acho que já temos maturidade necessária para filmar um presidente da República e filmar [os políticos] Tancredo Neves, Oswaldo Aranha, [a filha de Getúlio] Alzira Vargas, [os oficiais do Exército] Caiado de Castro, Zenóbio da Costa, Eduardo Gomes. ‘Temos que botar esse pessoal na rua’, diz.

Para Daniel Filho, ‘curiosamente’, a história de Chico Xavier ‘é mais complicada’. Ele já descartou dois roteiros, porque ‘nenhum deles ficou legal’.

Está partindo para a terceira versão, desta vez com o roteirista Marcos Bernstein (‘Central do Brasil’), que é também diretor (‘O Outro Lado da Rua’). Por ser ‘agnóstico’, Filho se sente numa ‘situação inusitada’ ao tentar narrar no cinema a trajetória ‘do homem bom, extremamente bom, inacreditavelmente bom’ que ficou célebre ao psicografar cartas e é venerado por milhões de seguidores do espiritismo.

Além de dirigir seus filmes, Daniel Filho aprova e supervisiona a realização de todos os títulos com o selo da produtora Globo Filmes, da qual ele é diretor-artístisco desde a fundação, em 1998.

Entre ‘Chico Xavier’ e ‘Doutor Getúlio’, Daniel Filho filmará ‘o roteiro que ficar pronto primeiro’. Para depois desses, já garantiu os direitos de adaptação do poema ‘O Dia da Criação’, de Vinicius de Moraes, aquele que começa com ‘Hoje é sábado, amanhã é domingo. A vida vem em ondas como o mar’.’

***

ANO DE ‘LOST’ CHEGA AO FIM AMANHÃ NO AXN

‘A terceira temporada de ‘Lost’ tem seu último episódio exibido amanhã, às 21h, no AXN. Nos momentos finais, há uma reviravolta envolvendo Jack (Matthew Fox) e Kate (Evangeline Lilly). Essa ‘virada’ do enredo foi apelidada pelos roteiristas de ‘Snake in the Mailbox’ (cobra na caixa de correio), e só os atores que participaram da cena receberam o script. Os criadores disseram que Michael reaparecerá no quarto ano da série.’

Lucas Neves

TV paga lança safra de séries sexuais

‘Chega de mocinhas e marmanjos indiferentes aos convites de uma ilha do Pacífico à libidinagem. Também já passou o tempo dos investigadores da polícia forense ocupados demais para cultivar passatempos carnais. Na leva de séries que estréia a partir de novembro na TV paga brasileira, a voltagem sexual está em alta.

A Folha teve acesso a nove dos títulos que a Warner Channel, o Universal e os canais do grupo FOX apresentam ao público no fim deste ano. Em pelo menos três deles, o sexo é deliberadamente usado como isca para o público.

É o caso de ‘Swingtown’ (cidade do suingue), crônica das estripulias sexuais de um grupo de casais ambientada em um subúrbio de Chicago, no auge da lascívia década de 70. Trocas de parceiros, relacionamentos abertos e festinhas apimentadas estão no enredo. A série foi adquirida pelo Warner Channel e ainda não tem data de estréia definida.

‘Californication’ (californicação) é outra que entrega seu quê libertino logo no título. O programa marca a volta à TV de David ‘Arquivo X’ Duchovny, que troca o agente Fox Scully pelo escritor Hank Moody, cujos bloqueios criativos só são superados à base de drogas e (muito) sexo. Só no primeiro episódio, o protagonista vai para a cama com uma garota de 16 anos -que ele acredita estar na faculdade- e com uma mulher casada. Na fila, fica uma atraente freira.

Já ‘Cane’ (cana) se vende como uma saga familiar tradicional, com intrigas, traições e conchavos a balançar um clã de cubanos-americanos que administra uma fábrica de rum no sul da Flórida. Mas o trailer disponível na internet não deixa dúvidas: as armações vão acontecer nos intervalos entre beijos, amassos e transas.

O diretor do Universal Channel no Brasil, Paulo Barata, não acredita que as séries que chegam à TV paga brasileira a partir de novembro permitam falar em uma (nova) aposta em enredos sexuais. ‘Histórias assim sempre estiveram presentes. Se a abordagem é excessiva e deliberada, [a série] não emplaca’, diz.

Sem riscos

De excessos (e riscos), ‘Brothers and Sisters’, que o Universal estréia em outubro, passa longe. Drama familiar na linha ‘mamãe sabe-tudo’, mostra a veterana Sally Field dividida na atenção às pequenas tragédias dos filhos -e com pouco tempo para assimilar a própria, a perda repentina do marido. A série teve início vacilante nos EUA no fim de 2006, mas encontrou seu público e tem segunda temporada confirmada.

Além da carga sexual elevada, outra tendência da temporada 2007/2008 é a escassez de novas comédias. O gênero anda em baixa há alguns anos na TV dos EUA. Dos nove títulos informados à Folha, só ‘Eight Days a Week’, do Warner, se propõe a fazer rir. E, a julgar pela sinopse do quadro ao lado, fica só na vontade, mesmo.’

Rafael Cariello

Giannetti faz quadro no ‘Fantástico’ sobre tempo e desejo

‘Problemas de que também se ocuparam o punk rock e os carnês das Casas Bahia voltarão a ser tema de reflexão no programa ‘Fantástico’, da TV Globo, a partir do domingo que vem.

‘O Valor do Amanhã’, série de dez episódios de dez minutos cada, baseada no livro homônimo do economista Eduardo Giannetti da Fonseca, vai buscar ‘lançar uma semente de dúvida’, diz o seu criador, na mente dos telespectadores sobre questões ligadas ao difícil comércio entre os desejos e o tempo.

Satisfazer-se imediatamente ou ser prudente? Gastar ou poupar? Esse padrão de dilema estará em jogo, como, hipoteticamente, em questões do tipo ‘comprar agora o liqüidificador pior ou, depois, aquele outro, com mais botões?’.

Ou ainda: ‘Viver dez anos a mil ou mil anos a dez?’. Bom, se você está domingo à noite em casa assistindo a esse programa, talvez a vida já tenha escolhido para você -e não vai aqui juízo de valor, apenas uma ‘semente de dúvida’.

O quadro é bastante bem cuidado e o próprio economista se disse ‘positivamente surpreso’ com o resultado dos episódios a que já assistiu.

Em vários deles há participações especiais de gente como Turíbio Santos, Tom Zé e Caetano Veloso. Faz sentido essa plêiade, já que, afinal, nada resolve melhor a tal relação complicada entre desejo e tempo do que a música e a poesia.

Caetano cantará sua ‘Oração ao Tempo’, gravada para o programa, em que ele pede ao próprio ‘prazer legítimo’ e ‘movimento preciso’, ‘quando o tempo for propício’.

‘Não diremos às pessoas como viver’, diz Giannetti sobre o programa. ‘Mas provocaremos a indagação se as escolhas refletem os valores da pessoa.’

Ele afirma ainda que as questões não serão imediatamente econômicas, mas sim sobre problemas da ‘vida prática’.

Partindo da idéia apresentada por Aristóteles, cita Giannetti, de que ‘o desejo incita à ação’, mas que ‘a percepção do tempo provoca o conflito entre os desejos’, serão analisados dilemas em situações que se relacionam com cuidados de saúde, uso de drogas e questões religiosas, entre outras.

O economista explica que já trabalhava no projeto de um programa televisivo para seu livro ao lado de Isa Grinspum Ferraz, que assina a direção e o roteiro da série, quando foi convidado pela Globo. Ele e Isa Ferraz já haviam trabalhado juntos no documentário ‘O Povo Brasileiro’, a partir da obra de Darcy Ribeiro.

Se para muita gente não faz sentido -ou não existe- essa escolha entre hoje e amanhã, é também verdade que diminui o número de miseráveis no país, minimamente. A série, então, calha em tempos de crédito e social-democracia à brasileira.’

Marcelo Bartolomei

Record testa aceitação de ‘mutantes’

‘A próxima novela das dez da Record vai testar o que é aceitável ou não pelo telespectador com um grupo de personagens mutantes, ou ‘geneticamente alterados’, como prefere o autor, Tiago Santiago, 44.

Apesar do título meloso e da veia folhetinesca -casal afastado pelo vilão e mocinha injustiçada-, ‘Caminhos do Coração’ terá um menino-lobo, um jovem indestrutível, uma menina com asas, um garoto superveloz, um bebê paranormal, um rapaz que lê pensamentos, uma jovem que explode prédios quando nervosa e outra que movimenta objetos, entre outros, frutos de experiências quiméricas (mistura de humanos com animais).

‘Bizarro, né?’, pergunta o novelista, rindo. ‘Tudo é baseado na mitologia e na realidade. Na Inglaterra, está a maior polêmica porque estão colocando DNA humano em óvulos de ovelhas e vacas’, defende-se.

O autor nega que esteja copiando sucessos como ‘X-Men’ e o atual ‘Heroes’. ‘O tema é antigo. Vi ‘Saramandaia’ [1976], do Dias Gomes, com fascinação. Monteiro Lobato já fazia realismo fantástico’, diz.

Santiago tem um plano B para a empreitada. Se o público rejeitar os mutantes, eles perdem peso na novela. ‘Se for bem aceito, vou colocar mais mutantes, com poderes de invisibilidade e transformação.’

Com estréia marcada para o dia 28 na faixa de horário que a emissora elegeu como nobre, é a novela mais cara já produzida na Record -US$ 150 mil por capítulo (cerca de R$ 313 mil), fora investimentos em equipamentos e pessoal especializado.

A história começa na fictícia Progênese, uma clínica de fertilização que introduz genes animais em fetos com a promessa de criar crianças superdotadas.

Os mutantes serão jovens e crianças. ‘A tecnologia do DNA recombinante é de 1975, então não dá para ter pessoas de mais idade.’ A idéia surgiu depois de Santiago escrever a peça ‘DNA’ (2004), sobre transgênicos. ‘Quero discutir que direito o homem tem de alterar a sua própria natureza’, afirma.

O diretor geral Alexandre Avancini, 42, é quem vai transformar o desafio em realidade na TV. ‘Os superpoderes dependem de computação gráfica. Saltos, dentes que crescem, vôos. É preciso um equipamento pesado. Gostamos de desafios. Saímos de algo realista como ‘Vidas Opostas’ e vamos para o realismo fantástico.’’

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

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