Terça-feira, 20 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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ENTRE ASPAS >

Folha de S. Paulo

26/05/2009 na edição 539

MENINA MAISA
Cyrus Afshar

Na casa do patrão

‘Ela acaba de completar sete anos, mas já tem mais de três anos de experiência profissional, e seu trabalho já é conhecido em todo o país.

Maisa comanda um programa no SBT e, aos domingos, é protagonista de um quadro em que conversa longamente com ninguém menos que seu patrão, Silvio Santos, e ajuda a alavancar a audiência do restante da programação. Mas, nas duas últimas semanas, o quadro dominical foi palco de cenas ao vivo de gritos e choros da criança.

‘A questão é saber quando acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia’, provoca Ivana Bentes, professora do programa de pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Na entrevista concedida à Folha, por e-mail, Bentes explica alguns dos mecanismos de funcionamento da apropriação da imagem de novas celebridades, o comportamento do público e a importância da internet para o processo de espetacularização.

PERGUNTA – O que está acontecendo com a menina Maisa é um caso de exploração midiática?

IVANA BENTES – ‘Exploração midiática’ é quase uma redundância. A expropriação/apropriação é base de funcionamento do próprio regime midiático em que nós, telespectadores, somos a matéria-prima em diferentes sentidos.

Na busca de criar fatos midiáticos incessantemente, capturar nossa atenção e comprar nosso tempo, a televisão convoca, explora e mobiliza nossos afetos, nossa atenção.

O espectador é o primeiro ‘explorado’ pela publicidade, pela ficção, pelas ‘atrações’. Somos nós que emprestamos nosso tempo, nossa subjetividade e nosso imaginário para criar valor na TV.

Ou seja, o que a mídia vende/explora não é a publicidade -somos nós mesmos.

E, para isso, precisa minimamente que essa audiência se conecte, se deixe afetar por um personagem, uma situação, que crie hábitos e possa voltar -criando um sentimento de pertencimento a uma ‘comunidade imaginada’. Aí se chega a Maisa, a menina-prodígio do SBT, a ‘menina-monstro’ como definiu ironicamente, mas com precisão, o ‘Pânico na TV’.

A garota é realmente adorável e ‘monstruosa’ ao mesmo tempo. Tem a dupla face da mídia atual, que incorpora e utiliza o mais ‘espontâneo’, o íntimo, a gafe, o erro, o choro e todo tipo de assujeitamento e humilhação como matéria altamente valorizada. Isso sem abandonar a celebração do visível, da formalidade e da encenação.

Não é à toa que os vídeos de Maisa estão no YouTube anunciem ‘pérolas de Maisa’, gafes de Maisa, micos de Maisa, choro de Maisa, tropeços etc. A questão é saber onde acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia.

Não se trata de julgar nem de moralizar ‘este’ caso, num momento em que o valor de ‘exposição’ da vida, da intimidade, da subjetividade na TV, na internet ou em qualquer outra mídia é um valor em si.

A visibilidade é um bem altamente valorizado e disputado -’naturalizado’. É preciso justamente desnaturalizar esse novo regime midiático que não para de testar os limites do tolerável e do aceitável.

PERGUNTA – Nesse contexto (de exploração midiática), qual é o papel da mãe? E o do apresentador?

BENTES – Não é difícil entender o seu nível de satisfação/excitação do pai e da mãe da menina (satisfação simbólica e real, com sua galinha dos ovos de ouro mirim). E o apresentador/dono da emissora cumpre o mesmo papel de outros homens de negócio de TVs abertas que vendem ‘produtos’ tão ou mais discutíveis e monstruosos: homofobia, intolerância religiosa, espetáculos de descarrego e expulsão de demônios dos corpos, preconceito racial, condenações morais, denuncismo, criminalização da pobreza e dos pobres e toda uma pauta conservadora e moralista.

A questão que importa é saber qual o papel da ‘comunidade’ de telespectadores e da sociedade diante desse quadro.

PERGUNTA – Como tem sido e como deveria ser o tratamento dado pela mídia neste caso?

BENTES – A televisão não tem programa de debate e de discussão do seu próprio conteúdo. A TV não dá direito de resposta, o que é escandaloso. Confunde audiência com legitimidade social e qualidade. Daí que não vi na mídia (com raras exceções, como a coluna de Bia Abramo do dia 17/5, na Folha) nenhuma discussão sobre os limites e constrangimentos de colocar uma criança de seis anos no horário nobre de domingo falando de ‘pum’, gases, bunda, meleca.

E, ao mesmo tempo, tendo que responder sobre assuntos extremamente complexos, como outras celebridades televisivas, profissões, afetos, casamento, Deus e infidelidade. E sempre constrangida por Silvio Santos até o limite do embaraço, do choro ou da mudez com reprimendas, ameaças, provocações.

PERGUNTA – Pessoas antes quase desconhecidas são alçadas rapidamente à condição de celebridades por conta dos milhões de acessos, casos da escocesa Susan Boyle, de Cris Nicolotti e de Maisa. Qual a importância hoje da internet no processo de criação das celebridades?

BENTES – ‘Celebridade’ talvez seja um nome antigo (coisa do século passado, de mídias ‘modernas’, como cinema e TV) para descrever os processos da visibilidade contemporânea. A internet e o YouTube criaram um novo público, pós-televisivo, um consumidor-produtor superativo, que clica tudo e que vê tudo -sem dúvida é uma nova força.

O YouTube é genial porque é o esgoto público das imagens, onde é possível experimentar o que há de mais potente e monstruoso (no sentido positivo e negativo dos excessos e das exceções) na multidão de usuários, sem mediação. Sem o ‘patrão’, como Silvio Santos se apresenta para a menina Maisa no SBT, num dos quadros.

PERGUNTA – Quando procuramos vídeos da artista mirim no YouTube, o site remete a entradas como ‘Maisa chorando’, ‘Maisa chora’ e ‘Maisa peidando’, a partir das buscas mais realizadas. Os fãs sentem prazer em ver celebridades em situações constrangedoras?

BENTES – Trata-se de um fenômeno bem mais amplo e disseminado de midiatizacão, comercialização da intimidade e da ‘visibilidade’. A partir do momento em que ruiu a barreira entre intimidade e publicidade, em que se esgarçou o limite entre público e privado, o que poderia ser constrangedor? Maisa chorando, Daniela Ciccarelli transando na praia, a cabeça de Saddam Hussein rolando, os exames de saúde da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em jornais assistidos por milhares de pessoas? Exibir a intimidade vem deixando de ser um constrangimento para se tornar um ‘valor’. A intimidade na era da sua visibilidade máxima e as tecnologias de exibição de si são uma característica geral e uma exigência do capitalismo contemporâneo.

PERGUNTA – O caso da construção da ex-atriz Shirley Temple é paradigmático para entender a situação atual deste caso? BENTES – Bem, o visual da apresentadora mirim do SBT parece inspirado nos vestidinhos de babados e cabelos cacheados da mais famosa menina-prodígio de Hollywood.

Mas é preciso lembrar que Shirley Temple é um produto da máquina fordista hollywoodiana, dos anos 1930 e 1940, de um capitalismo disciplinar e disciplinador em que a ideia de ‘infância’ e ‘criança’ ainda estava bem delimitada e definida.

Hoje, quando foram desenvolvidos produtos midiáticos para crianças de zero a um ano -como os Teletubbies, que aceleram os processos cognitivos enquanto ensinam a criança a desejar e a consumir-, a comparação com Shirley Temple talvez não seja apropriada.

Pois o capitalismo contemporâneo tem necessidade de incluir e modular todos, desde o ano zero e mesmo antes do nascimento.

O aprendizado se faz pela mídia -com o fim dos tempos ‘mortos’ da infância, de ócio e lazer, em nome de uma hiperprodutividade infantil- e por adestramento precoce, cujo modelo visível Maisa encarna.

O assustador é que a subjetividade-Maisa é o modelo de criança e de infância em via de se universalizar.

São muitos os indícios: o assédio e crescimento da publicidade infantil, sem controle no Brasil; a invasão de bichinhos e desenhos animados em anúncios de cerveja, carros, criando uma sensibilidade precoce e formando consumidores futuros, a erotização do universo infantil dissociada, mais tarde, do abuso sexual por adultos e da violência contra crianças.

Enfim, a garota-prodígio do SBT aponta para antigas questões e novos limites, em torno da intimidade, da visibilidade, da infância.

Nesse sentido é uma menina-modelo, exemplar de uma série de transformações.’

 

Diálogo entre Maisa e Silvio Santos

‘[Maisa para Sílvio Santos] ‘Silvio, (…) uma pergunta que meus amigos fazem: é verdade que você vai ao cabeleireiro e [coloca] um tipo de uma peruca?’

[Silvio Santos] ‘Você tem alguma coisa a ver com o meu cabelo?’ […] ‘Maisa, fiquei vendo seu programa quando você começou a sua carreira… Você era muito ruim, feia, desajeitada. A roupa era feia, o cabelo era feio. Você agora é toda bonita, toda simpática, sorridente, inteligente. É só insubordinada, o resto melhorou muito. O que você espera fazer daqui a dois ou três anos, quando o público não der mais bola para você? Porque agora você agrada o público, você é uma menininha de seis anos que responde como gente grande. Mas daqui a uns quatro anos, quando você tiver dez anos e já for uma mocinha, você acha que o público vai gostar de você?

Transcrição de diálogo entre Maisa e Silvio Santos ocorrido durante o Programa Silvio Santos, no SBT, em 16 novembro de 2008.’

 

Ministério Público investiga caso

‘O Ministério Público está investigando se houve exploração indevida da imagem da apresentadora mirim Maisa Silva, 7, pela rede de televisão SBT. Por dois domingos seguidos, ela chorou durante o programa do apresentador Silvio Santos, em que participa do quadro ‘Pergunte pra Maisa’.

No programa exibido pela emissora no dia 10/5, Maisa se assustou com um garoto maquiado e começou a chorar e gritar.

No programa do dia 17, ela novamente chorou e se machucou ao bater a cabeça numa das câmeras.

A rede de televisão recebeu advertência do Ministério da Justiça.’

 

Sérgio Alpendre

O clone bizarro

‘Um dia, o comunicador Silvio Santos colocou fotos da princesinha Shirley Temple no camarim de Maisa e reforçou uma semelhança que poucos notariam, sem os cachinhos e os vestidos alegres impostos à menina.

Maisa não é tão parecida fisicamente com Shirley Temple. O programa Silvio Santos não tem nada a ver com as sofisticadas produções hollywoodianas da década de 1930. Assim como 2009 está muito distante de 1934, ano em que Temple despontou para o estrelato.

Tudo isso é bem óbvio. Neste caso, por que o experiente e astuto apresentador tentaria evocar, com sucesso, a representação da prodigiosa garota californiana se não fosse por uma tacanha exploração do espírito infantil? O que interessa é a tentativa de retomar o que já havia dado certo em outros tempos.

Silvio Santos se apropria de um ícone infantil para saciar o desejo do público por algo diferente, sem se preocupar com os efeitos dessa apropriação na personalidade e no desenvolvimento de Maisa. O que importa é o faturamento, o barulho que as travessuras da menina causam na mídia, suas aparições no [programa de TV] CQC e outros medidores do baixo nível da televisão brasileira. Contudo, a assimilação proposta por Silvio Santos não vai tão longe quanto o esperado: como Maisa, Shirley Temple tinha o rostinho de anjo, que tornava cada atitude de adulta ainda mais surpreendente.

Sua esperteza e charme incomuns eram destacados em cena, e sua fragilidade era escancarada em momentos estratégicos, para lembrar que era uma criança que estava à nossa frente.

Porém, Maisa tem a direção espalhafatosa de seu companheiro de palco, Silvio Santos, enquanto Shirley Temple, apesar de ter feito vários filmes com cineastas de araque, foi dirigida, ainda criança, por artesãos talentosos.

O rígido John Ford

Foi gente como Henry Hathaway (‘Agora e Sempre’, de 1934), David Butler (‘Olhos Encantados’, de 1934; ‘A Mascote do Regimento’ e ‘A Pequena Rebelde’, ambos de 1935; ‘O Anjo do Farol’, de 1936), William Seiter (‘Princesinha das Ruas’, de 1936) e Irving Cummings (A ‘Pequena Órfã’, de 1935; ‘Miss Broadway’, de 1938), além de mestres como Allan Dwan (em ‘Heidi’, de 1937; ‘Sonho de Moça’, de 1938; ‘Mocidade’, de 1940) e, principalmente, John Ford, um daqueles artistas que transcendem os limites da arte com um domínio sem igual da linguagem (‘A Queridinha do Vovô’, de 1937).

Suas lembranças do trabalho com Ford são curiosas e instrutivas. Em sua autobiografia [‘Child Star’, Criança Estrela], ela se queixou de que o diretor, num primeiro momento, não pusesse fé no poder de atuação da pequena atriz e lhe desse instruções detalhadas.

Enquanto para todos os outros [integrantes] do elenco apenas indicava um caminho, deixando que seguissem e acrescentassem sutilezas à atuação.

Mais adiante, percebendo a inteligência e o profissionalismo da garotinha, baixou a guarda e se enterneceu como um espectador comum diante de uma estrela.

O mesmo aconteceu com o ator Victor McLaglen, que inicialmente hostilizava a menina, para depois ser conquistado por sua doçura e carisma. Anos depois, Temple destacou que ‘A Queridinha do Vovô’ foi o melhor filme de sua carreira.

A atriz que teve boa parte de sua infância perdida para o cinema elege justamente o filme que não a trata como uma estrela, mas que foi construído em torno das possibilidades da história.

Era a narrativa a principal atração [baseada numa história do escritor Rudyard Kipling, narra as aventuras de uma menina na Índia, onde o avô é oficial do Exército britânico]. Reveladora escolha de uma atriz acostumada a ser o centro das atenções nos filmes, em detrimento de qualquer outro aspecto cinematográfico. Se existia exploração na década de 1930 (e fica claro que havia), o que ocorre em 2009 se aproxima da crueldade pura e simples. E as diferenças de intenções e contextos são gritantes. Shirley Temple era capaz de interpretar uma criança mimada, mas havia espaço para que ela demonstrasse charme e inteligência.

Sem inocência

Conquistava todos ao seu redor e arrebatava os espectadores pelo coração. Maisa encanta pelas travessuras e pelos diversos momentos em que aparece em cena como ‘criança fazendo coisas de adulto’. No programa não parece existir brechas para que ela seja mostrada como algo mais do que um clone bizarro.

Sua personalidade irrequieta é cutucada o tempo todo, mas existe sobretudo um esvaziamento de conteúdo e inocência, como se da criança só pudessem ser vistas a fragilidade e a inconstância, suscetíveis às manipulações e moldagens do adulto.

E o futuro de Maisa, como será? Que caminhos terá sua carreira sob as asas de um tutor que pode ser o maioral da comunicação, mas que pelo visto não tem condições de pensar no melhor para a garotinha?

E ela, que parece tão esperta, tão viva, teria condições de impor limites às doses cavalares de vulgaridade e manipulação a que é submetida? Assim como Shirley Temple conquistou o coração do rígido John Ford, teria Maisa condições de despertar sentimentos na pedra que o patrão parece ser?

SÉRGIO ALPENDRE é crítico da revista de cinema ‘Contracampo’.’

 

PAUTAS E NÃO-PAUTAS
Luiz Fernando Vianna

Árvores abatidas

‘RIO DE JANEIRO – Dossiê Cayman, lista de Furnas, dólares cubanos em caixas de uísque, grampo no STF… Quantas árvores foram derrubadas para que jornais e revistas se debruçassem sobre esses casos? E eles, por falta de comprovação, acabaram sepultados em notas de pé de página par -embora alguns, de vez em quando, saltem das tumbas para nos assustar em títulos de seis colunas.

Com o passar do tempo, não é difícil constatar que certas histórias são absurdas ou, pelo menos, de autenticidade improvável. Mas e quando elas surgem? Como um jornal vai assumir ignorá-las em nome de outros assuntos?

Nas últimas semanas, por exemplo, mais algumas árvores caíram para que se escrevesse sobre as chamadas listas fechadas. Um projeto de reforma política -a união destas duas palavras já deve ter nos custado meia Amazônia- tiraria do eleitor o direito de escolher diretamente seu candidato a deputado, obrigando-o a votar em listas preparadas por partidos.

Pois, segundo o noticiário mais recente, o monstro foi enterrado sem choro nem vela. Fica a pergunta: morreu por que a imprensa abriu espaço para que ele fosse torpedeado ou morreria de qualquer forma? A primeira hipótese é mais simpática.

No entanto, enquanto engravatados discutiam ou fingiam discutir em Brasília a virada de mesa, pessoas perdiam tudo, inclusive vidas, nas enchentes do Nordeste. E, ao que parece, o mundo real das histórias de Trizidela do Vale (MA) não teve o mesmo impacto do que o blablablá dos parlamentares. Alguém pode dizer: não é possível misturar as duas coisas! Será?

Agora (ou melhor, mais uma vez), o tema é o tal do terceiro mandato de Lula. Quantas árvores cairão até que -espera-se- o monstro seja enterrado?’

 

DILMA
Janio de Freitas

Doenças no jornalismo

‘A BOA FORMULAÇÃO dirigida a jornalistas pela ministra Dilma Rousseff -’Misturar doença e política é de mau gosto’- reflete as alterações radicais nos hábitos da imprensa e dos políticos, em relação às doenças que repõem o poder na dimensão humana.

Recentes no já longo histórico da imprensa brasileira, os excessos talvez se devam ao desordenamento em que o jornalismo vai aqui lidando com seus avanços e novidades. Mas não é menos provável que resultem do rebaixamento dos níveis de educação e civilidade nos costumes do brasileiro em geral. É possível até que as duas coisas sejam uma só, vista por ângulos diferentes.

A relação entre imprensa e doentes com imagem pública não tem, mundo afora, o que se pudesse chamar de regra básica. Em muitos países, a imprensa considera o problema jornalístico resolvido apenas porque deixa de discuti-lo.

Na França, por exemplo, a discrição da imprensa é total quando se trata de figuras do poder, assim como em suas relações sentimentais e sexuais, a menos que o próprio tome a iniciativa da divulgação ou a autorize. Ficou famoso na imprensa francesa o caso do (ex-)presidente François Mitterrand, com sua vida conjugal fora do casamento, da qual tinha uma filha já moça, e um duradouro câncer que afinal o venceu, sem que os eleitores ao longo de sua extensa carreira política tivessem notícia desses fatos.

Nos Estados Unidos, as doenças de figuras do poder são caladas quase como tabu. Do poder nos Estados Unidos, bem entendido, porque os demais estão sujeitos à conveniência ideológica. As normas estaduais variam, e às vezes são tão rígidas que proíbem, como na Califórnia, fotografar a vítima de um mal súbito na rua ou dar notícia do fato. Na Inglaterra, a solução da hipocrisia diplomática prevaleceu também aí: a imprensa ‘séria’ faz a discrição e os tabloides do sensacionalismo, que são a verdadeira grande imprensa inglesa, têm como prato do dia mais frequente algum aspecto pessoal e explorável de alguém célebre, não importa quem. Salvo, e salve, a rainha.

As restrições têm contrapartida: implicam a sonegação de informações. E os casos em que isso se justifica não autorizam a generalização diante de determinado tema, seja qual for. Muito menos se há interesse público.

Na maior parte da sua história, a imprensa brasileira praticou, por consenso tácito, um comedimento eficiente: dava a notícia e acompanhava o desenrolar do caso, porém restrita ao essencial. Na atual fase da imprensa, a liberalização do jornalismo um tanto desregrada e os avanços tecnológicos na produção de jornais aliam-se em estímulo a certos usos discutíveis. Um deles incidiu sobre doenças de figuras do poder, tanto pela obsessão persecutória do personagem e seu tema, quase como redução do jornalismo ao status dos paparazzi, quanto na abundância de pormenores, fotos e gráficos que trazem, com frequência, uma exploração sensacionalista inegável. É o que Dilma Rousseff chama de mau gosto, cujo momento culminante, a meu ver, foi com a doença de Mario Covas. Tancredo Neves foi caso à parte, com sensacionalismo por si mesmo e menos pela doença do que pelas circunstâncias.

Tive duas experiências muito especiais nesse capítulo jornalismo versus doença. O primeiro foi a revelação de que o estado cardíaco do general Figueiredo exigia seu afastamento temporário da Presidência, para submeter-se a uma cirurgia que ele, mais do que recusar, queria bem escondida. Caiu uma avalanche sobre mim, dado nos jornais, rádios e TVs como autor de uma falsidade e, pelo general Rubem Ludwig no ‘Jornal Nacional’ da TV Globo, sob esta acusação: ‘O jornalista Janio de Freitas é um terrorista’.

Não me arrependi de ter escrito a notícia, por convicção e pelo motivo que me levara a escrevê-la. Como sete dias depois, o próprio general Figueiredo confirmou, pedindo licença para ausentar-se do país e, chegado ao hospital de Cleveland, vendo negado até um dia de descanso antes da cirurgia, tal foi a premente gravidade que as primeiras auscultações demonstraram. Foi logo ‘aberto como um frango’, nas suas palavras de recém-salvado.

Mais tarde, dei a notícia de que o câncer linfático do ministro Dilson Funaro, da Fazenda no governo Sarney, voltara a manifestar-se. Funaro confirmou a informação no mesmo dia. Fui muito acusado de querer me vingar da reação do ministro e seus assessores Luiz Belluzo e João Manuel Cardoso de Mello quando noticiei que preparavam uma superdesvalorização do cruzeiro, medida de desesperados atônitos com seu fracasso na luta contra a inflação altíssima. Não me arrependi de haver escrito a notícia da recidiva (nem a da sustada desvalorização), porque Funaro escondia a doença e não se tratava por temor de ser afastado do ministério. Dada a notícia, resolveu tratar-se, ainda que de modo incompleto.

Nos dois casos, creio que o jornalismo, não eu, cumpriu um de seus propósitos de sentido mais humano. Minha preocupação, nas duas ocasiões, foi escrever com toda a sobriedade possível, temeroso do mau gosto ameaçador. O restante era convicção.

PS: Dos dois personagens das notícias tive, mais adiante, referências respeitosas ao trabalho a seu respeito.’

 

ASSINATURA
Denise Menchen

TV paga dribla veto de cobrar por ponto extra

‘A determinação da Anatel de limitar à instalação e ao reparo a cobrança por ponto extra de TV por assinatura levou algumas empresas a usar estratégias que elevam a taxa de instalação em até 500%. Amparadas por uma liminar concedida pela Justiça Federal em junho do ano passado, empresas continuam cobrando também a mensalidade e, em pelo menos um caso, restringido o ponto extra a assinantes de pacotes de programação mais caros.

Na semana passada, a reportagem da Folha telefonou para o serviço de atendimento ao assinante da Net, da Sky e da TVA para solicitar a instalação de um ponto extra de TV por assinatura. A funcionária da Net informou que o serviço não estava sendo comercializado. Segundo ela, havia a opção apenas de instalar um ‘ponto aberto’, com canais abertos e locais, ou um ‘ponto escravo’, que sintoniza o mesmo canal que estiver sendo visto no ponto principal.

A medida, tomada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) em 16 de abril, desagradou à bibliotecária Maria Estela Azevedo, 57, que diz ser assinante da Net há mais de dez anos e viu frustrada a intenção de instalar a televisão a cabo no quarto de casa. ‘Comprei uma televisão nova achando que ia ser tranquilo, mas me disseram que não iam instalar. Até registrei queixa no Procon’, diz a moradora do Rio.

Ela afirma que chegou a pensar em migrar para a Sky, mas, ao ligar para lá, foi informada de que, para adquirir o ponto extra, teria que pagar R$ 599 pela compra do decodificador, além de R$ 9,90 mensais pelo licenciamento do software do cartão de acesso -mesma informação passada pelo atendente que conversou com a reportagem. Segundo o atendente, a cobrança antes era de R$ 99 pela instalação do ponto e mais R$ 24 mensais pelo aluguel do decodificador.

Na TVA, também houve acréscimo na taxa paga pelo cliente quando da contratação do serviço, que, segundo o atendimento ao assinante, passou de R$ 100 para R$ 399. O valor da mensalidade, porém, não sofreu alteração: permanecia em R$ 25,90 na semana passada. ‘Como a Anatel determinou que não vai mais ser cobrada mensalidade pelo ponto extra, a TVA já está cobrando o valor da instalação’, informou a atendente.

De acordo com o diretor de atendimento do Procon-SP, Evandro Zuliani, as medidas adotadas pelas empresas desrespeitam os direitos dos consumidores.

‘A elevação de preços sem justa causa fere o Código de Defesa do Consumidor, assim como o mascaramento de algo proibido com outro nome. Negar a prestação de um serviço também é abusivo’, diz ele.

Ele orientou que os clientes interessados na instalação de um ponto adicional aguardem até a decisão da Justiça sobre a liminar que faz com que a proibição à cobrança ainda não tenha entrado em vigor. A Anatel já enviou à 14ª Vara Federal em Brasília a nova regulamentação sobre o assunto e aguarda uma decisão sobre o tema.’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

A romântica sábia

‘‘Caras & Bocas’ é a primeira novela brasileira que Julia Lund, 25, grava do começo ao fim -ou melhor, um pouco depois do começo, já que ela só entrou na trama há duas semanas, como Hannah, uma judia ortodoxa que vem de Israel para se casar com Benjamin (Sidney Sampaio). Porém Julia já fez uma novela inteira na TV de Angola. ‘Eu brinco dizendo que comecei com uma carreira internacional’, diz. Para a atriz, sua personagem é ‘doce e romântica’. ‘Mas ela vai ter momentos de sabedoria, não é uma menina boba’, afirma.

Globo faz maratona pelos 50 anos de carreira de Roberto

Os 50 anos de carreira do cantor Roberto Carlos serão inesquecíveis para os telespectadores da Globo. A emissora planeja comemorar a data em pelo menos seis programas, além da transmissão de um show ao vivo, diretamente do Maracanã, em 11 de julho.

Devem lembrar os 50 anos o ‘Domingão do Faustão’, o ‘Caldeirão do Huck’, o ‘Globo Repórter’, o ‘Fantástico’, o ‘Vídeo Show’ e até o humorístico ‘A Grande Família’. O ‘Globo Repórter’ trará uma edição só para falar da carreira do ‘Rei’. O ‘Fantástico’ fará cobertura dos eventos, assim como o ‘Vídeo Show’.

No ‘Caldeirão’, a passagem será lembrada com uma espécie de karaokê. Inspirado em uma promoção do navio em que Roberto Carlos tem se apresentado, Luciano Huck criou o concurso ‘Rei por Um Dia’. Fãs do cantor interpretarão músicas acompanhados pela banda de Roberto Carlos. Um júri escolherá o melhor intérprete, que receberá prêmio das mãos do cantor, na edição que vai ao ar em 27 de junho.

Roberto Carlos só cantará no ‘Domingão’ de 5 de julho, que será gravado na véspera. O programa fará uma homenagem em que artistas, políticos e empresários lembrarão de passagens de suas vidas marcadas por músicas do artista. Acompanhado de sua banda, Roberto executará trechos das canções. O ‘Domingão’ pretende colher depoimentos do presidente Lula e do empresário Antônio Ermírio de Moraes.

GALÃ DO BEM

Marcos Palmeira estreia hoje na TV Cultura a segunda temporada de ‘A’Uwe’, programa que se preza a exibir documentários sobre índios produzidos por índios. Neste ano, a atração abrirá para produções estrangeiras. ‘A gente vai falar dos aborígenes da Austrália. Eu, pessoalmente, gostaria muito de saber como vivem os índios americanos’, diz Palmeira, que já passou vários meses vivendo com indígenas brasileiros. Enquanto se prepara para protagonizar a próxima novela das seis da Globo, o galã planeja para 2010 uma expedição ao Xingu, que deve virar um documentário.

CINEMA 1

O Festival de Cinema de Cannes será assunto no ‘Pânico na TV’ e no ‘CQC’. O humorístico da Rede TV! mostrará Sabrina Sato e Evandro Santo cobrindo um jantar promovido por Madonna, na última quinta.

CINEMA 2

Já o ‘CQC’ enviou à França o intrépido Rafael Cortez, que fez perguntas constrangedoras em entrevistas e conseguiu arrancar um selinho de Pedro Almodóvar. ‘Eu pedi outro, de língua, mas ele não topou’, conta.

TEATRO 1

O apresentador Luciano Huck virou produtor de teatro infantil. Em sociedade com Angélica, ele comprou os direitos da peça derivada do desenho ‘Charlie e Lola’, do Discovery Kids. A produção estreia em 4 de julho.

TEATRO 2

‘A gente assistiu à peça com as crianças em Londres. A peça é linda, compramos os direitos da BBC e estamos montando’, conta Huck. ‘É legal porque não é musical. É uma experiência de teatro para crianças’.’

 

***

TV além da tela

‘Na TV do futuro, animais, mocinhos e vilões de novelas, jogadores de futebol e carros em alta velocidade saltam da tela e invadem a sala de estar da sua casa. Essa (falsa) realidade não tardará. A TV em 3D (três dimensões) deve estar entre nós antes da Copa de 2014.

No Brasil, a Globo (e, por enquanto, só ela) já faz incursões no mundo do 3D. A rede captou imagens tridimensionais do Carnaval carioca, para exibições fechadas. Em breve, repetirá a experiência com novelas.

Uma dessas projeções do Carnaval em 3D ocorreu, no final de abril, em uma feira de TV em Las Vegas, nos EUA. ‘A demonstração mais impressionante veio do Brasil, com gravações trazidas pela TV Globo. Foi espetacular’, escreveu em seu blog a colunista Anne Thompson, da revista americana ‘Variety’. Na feira, a NAB-2009, monitores de 3D foram a grande sensação.

Diretor de multimídia e de projetos especiais da Globo, o engenheiro José Dias calcula que em três anos já será possível fazer transmissões em 3D via cabo (TV paga) e pelo ar (TV aberta), usando o sistema de TV digital lançado em dezembro de 2007. O telespectador precisará ter um televisor que projete em 3D e de óculos especiais. Ambos já existem no mercado, inclusive brasileiro.

O grande ‘barato’ da TV 3D é a sensação que ela provoca. Ela proporciona uma imagem que se aproxima da captada pelo olhar humano, mas não é real. ‘A tela do televisor 3D não é uma tela, é uma janela que projeta imagens para a frente e para trás. Isso muda a forma de contar a história’, afirma Dias.

Nas imagens captadas pela Globo, uma moreia de um carro alegórico produziu o efeito de que saía da tela e, ondulando, se aproximava do espectador, enquanto o sambódromo permanecia fixo, ao fundo. A emissora também inseriu um merchandising em que uma lata de cerveja saía do fundo da tela e chegava ao alcance das mãos do telespectador. ‘Isso é tudo o que o anunciante quer. O 3D vai revolucionar o merchandising’, aposta o diretor da Globo.

Pela sua capacidade de atrair o telespectador, a TV em 3D está sendo vista como a ‘salvação’ da televisão, cada vez mais perdendo público, principalmente o jovem, para novas mídias. No Brasil, o 3D pode ser uma forma de alavancar a própria TV digital, que ainda não decolou, uma vez que a alta definição oferece imagem melhor, mas sem tanto impacto.

Impulso do cinema

Segundo Dias, da Globo, será possível transmitir um sinal de alta definição e um sinal de 3D usando um mesmo canal de TV digital. Do ponto de vista técnico, será uma mudança menos radical do que a da migração da TV analógica para a digital.

Foi a tecnologia digital que impulsionou a produção em 3D. A projeção tridimensional foi descoberta no século 18. Nos anos 50, foi usada pelo cinema justamente para competir com a emergente televisão.

Nesta década, graças ao digital, o cinema redescobriu o 3D. O número de lançamentos na nova tecnologia saltou de um filme (‘O Galinho Chicken Little’) em 2005 para 16 neste ano (projeção). Depois de ‘Monstros vs. Alienígenas’, o novo ‘Era do Gelo’ e ‘Avatar’ (este, com atores de verdade, dirigidos por James Cameron, de ‘Titanic’) são as grandes promessas de bilheteria em 3D.

No Brasil, o número de salas de exibição com a tecnologia cresce a cada final de semana. Eram 34 no começo de março. Chegaram a 51 no final de abril. Devem passar de cem no final do ano, estima o portal Filme B, que monitora o mercado cinematográfico brasileiro. ‘Para o cinema, o 3D é a tecnologia do presente’, diz Paulo Sérgio Almeida, do Filme B.

Um novo grande salto deve ocorrer até o final deste ano, quando entidades americanas definirão um padrão de distribuição de 3D digital. Isso permitirá o lançamento de DVDs de filmes em 3D para tocadores de Blu-ray, o que estimulará o consumidor a comprar televisores e óculos 3D, abrindo caminho para a produção e transmissão de programas de TV na nova tecnologia.

Outra tendência é a transformação de filmes e programas originais em 2D para 3D. A Globo já estuda fazer isso.

Por fim, um esclarecimento: o 3D, como toda TV, deve ser visto com moderação, mas não faz mal à saúde. ‘O 3D é uma ilusão, uma sensação, simulação. Não existe nenhum estudo comprovando que causa estresse, dano ou irritação ocular’, diz Paulo Augusto de Arruda Mello, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.’

 

***

Televisores já existem, mas falta conteúdo

‘Televisores que projetam 3D já são vendidos no mundo todo, inclusive no Brasil. Nos Estados Unidos, deverão ser vendidas 2 milhões de unidades desses aparelhos até o final do ano.

No Brasil, nenhum fabricante admite que vende televisor 3D. Alguns dizem que oferecem apenas monitores, e somente para o mercado corporativo.

Mas a Samsung tem dois aparelhos (o PL50A450 e o PL42A450) que estão prontos para a nova tecnologia. São os ‘3D ready’. Na semana passada, o PL50A450, de 50 polegadas e tela de plasma, mas sem alta definição, era vendido por R$ 2.799 na internet.

Todos os ‘3D ready’ também servem para assistir à TV convencional (2D).

Para tirar proveito do recurso 3D desses aparelhos, o telespectador tem de comprar óculos especiais e conectá-los a microcomputadores com placa de vídeo da Nvidia -a empresa deve lançar em breve um kit com óculos para 3D. O grande problema é conseguir conteúdo em 3D, ainda muito restrito. ‘O pessoal do game está usando essas TVs’, diz José Dias, engenheiro da Globo.

Os fabricantes não anunciam que vendem televisores para 3D para evitar problemas com consumidores, por causa da falta de conteúdo.

No exterior, televisores mais sofisticados custam US$ 6 mil (R$ 12 mil). Um modelo da Hyundai tem um conversor que transforma TV 2D em 3D.’

 

TV Cultura homenageia Tom Jobim

‘Tom Jobim é o tema do ‘documentário musical’ do programa ‘Mosaicos’ de hoje, que a TV Cultura exibe às 20h30 (livre). Johnny Alf, Gilberto Gil, Toquinho e Paulinho da Viola falam sobre o músico e sua obra, enquanto Danilo Caymmi, Paulo Jobim, Maquinado e Arthur Nestrovski relembram clássicos como ‘Água de Beber’ e ‘Wave’. O programa ainda mostra imagens de acervo do próprio canal.’

 

Bia Abramo

O fim de ‘ER’

‘NÃO, A COLUNA não contém spoilers -que é como se chamam revelações antecipadas sobre séries no jargão dos comentaristas e fãs. Esta coluna não sabe nada além do que todo mundo a respeito dos 23 episódios da ultimíssima temporada de ‘ER’, o seriado decisivo da passagem dos anos 90 aos 00.

Na segunda semana de junho, assim que terminarem as temporadas principais do canal de TV paga Warner, começa o canto de cisne de ‘ER’. Depois dele, o seriado entra para a história da televisão mundial.

‘ER’ não apenas mudou tudo na teledramaturgia seriada da televisão americana, como foi responsável por dar um prestígio e um status às séries, ambos responsáveis por uma acorrida à televisão de um público que estava distante dela -e isso em vários cantos do mundo.

O que havia de especial em ‘ER’? Em primeiro lugar, assinaturas famosas, claro -o roteiro original, do escritor best-seller Michael Crichton, seria filmado para o cinema por Steven Spielberg. O Peter Pan do cinema, entretanto, preferiu filmar outra história na qual Crichton estava trabalhando à época -sobre uma ilha onde os milagres da então ainda misteriosa engenharia genética seriam capazes de trazer dinossauros à vida. Acertadamente, como os próximos 15 anos demonstrariam, o roteiro de Crichton acabou indo para TV.

Mas ‘ER’ não se sustentaria apenas com isso, evidentemente. Havia aventura no roteiro -representada pela luta cotidiana de um grupo de médicos e enfermeiras para salvar vidas-, havia ação o suficiente -o ritmo dos episódios nas primeiras temporadas beirava o alucinante- e havia dramas adultos se desenrolando em paralelo -amores, casamentos, carreira e ambição.

Não que isso não houvesse sido tentado antes, mas nunca com, arrisco a palavra, a seriedade vista ali. ‘ER’ era, finalmente, televisão com qualidade de cinema.

A série virou matriz de várias outras assemelhadas e, de certa forma, criou um público adulto para um certo tipo novo de teledramaturgia.

Essa última temporada, na verdade, não deve ser lá grande coisa -a série dá mostras de exaustão já há um certo tempo.

Outros dramas médicos, como o do brilhante misantropo doutor House ou o alegre troca-troca sentimental e sexual de ‘Grey’s Anatomy’, tomaram seu lugar. Mas, mesmo quase esgotado, ‘ER’ ainda vai merecer uma olhada -nem que seja pelas participações especiais de personagens que já deixaram a série, incluindo todo o elenco original no último episódio de duas horas, que deve ir ao ar em novembro.’

 

Fernanda Ezabella

Will Ferrell se despede de Bush em especial rodado na Broadway

‘O humorista norte-americano Will Ferrell preparou uma espécie de sessão de descarrego para se despedir de George W. Bush, personagem que por anos ele interpretou em programas de TV, a começar pelo ‘Saturday Night Live’.

Para seu adeus, o ator dispara uma hora e meia de piadinhas infames, num teatro lotado da Broadway, em Nova York, em gravação que vai ao ar na quarta-feira, dia 27, na HBO Plus.

O especial que foi parar na TV foi a estreia de Ferrell nos teatros, na época em que Barack Obama arrumava as malas para ocupar a Casa Branca.

Ferrell/Bush brinca com a plateia e a faz rir com as coisas mais óbvias e absurdas da administração Bush, incluindo sapatadas e torturas por afogamento. Seus colegas de gabinete também não são poupados, e Condoleezza Rice surge ‘em pessoa’ para uma dança demoníaca com pretensão sensual.

O riso se mantém pelos 90 minutos, embora com um certo incômodo. Afinal, somando Ferrell ao longa irreverente de Oliver Stone sobre Bush, ambos recuperando os últimos oito anos da história política dos EUA, é difícil não escapar da pergunta: até quando a graça vai durar?

WILL FERRELL DÁ ADEUS A GEORGE W. BUSH

Quando: quarta, às 22h30

Onde: HBO Plus

Classificação: 18 anos’

 

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