Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 14 E 15/6

Folha de S. Paulo

17/06/2008 na edição 490

AGÊNCIAS
Folha de S. Paulo

Regular as agências

‘Envolvimento da Anac e da Anatel em negócios ‘estratégicos’ põe em xeque autonomia que é essencial para o modelo

O MODELO de agências reguladoras para arbitrar entre interesses dos consumidores e das empresas na operação de serviços públicos, um legado das privatizações dos anos 1990, representa um avanço institucional. Poucos contestam o mérito de um sistema em que instituições públicas autônomas zelem pela concorrência e pelas regras de atuação em setores com alta concentração de capital.

Já a atuação real das dez agências nacionais é outra história. A existência da Aneel (energia elétrica), a primeira a ser criada (1996), não impediu o apagão de 2001. A transformação do Departamento de Aviação Civil em Anac, a última (2005), tampouco evitou o apagão aéreo de 2006-2007. Ao contrário, há evidências de que esta debacle decorreu da inapetência da Anac para arrostar desmandos e impor ordem num sistema desarranjado por duas tragédias seguidas.

O depoimento da ex-diretora Denise Abreu na Comissão de Infra-Estrutura do Senado sobre o caso Varig demonstra com clareza que ocorreu a temida ‘captura’ da autoridade reguladora por interesses privados -exatamente o que uma agência deveria prevenir. Pior, essa ingerência se mistura a pressões do Poder Executivo, com o agravante de um dos interessados no negócio obscuro ser compadre do presidente da República.

É inegável que as agências foram importantes na modernização de setores inteiros, como a ANP (petróleo) no desmonte parcial do monopólio da Petrobras. Também se reconhecia o profissionalismo da Anatel (telecomunicações) na gestão do período pós-privatização. Mas até ela parece estar em risco com a obsessão do governo Lula em promover negócios dados como estratégicos, a exemplo da compra da Brasil Telecom pela Oi.

O impasse entre seus quatro conselheiros sobre a transação só foi superado após o Planalto ameaçar com a indicação de um conselheiro substituto. A mudança dos votos de conselheiros que antes faziam restrições demonstra que a autonomia da agência foi atropelada. Ganha vulto, com tais episódios, o receio de que as agências caminhem para se tornar verdadeiros balcões de negócios.

É preciso rever o modelo das agências. Não para retirar-lhes atribuições, como pretendia o projeto de lei 3.337 alinhavado pelo então ministro José Dirceu em 2004, mas sim para salvar o que lhes resta de independência.

Urge aperfeiçoar o processo de escolha dos dirigentes, hoje prerrogativa do presidente da República que resulta de modo invariável em indicações políticas. Se o Senado descumpre sua obrigação de sabatinar indicados para avaliar sua competência técnica, devem-se introduzir exigências formais, como a comprovação de experiência prévia no setor, ou mesmo cogitar o recurso a comitês de busca para circunscrever a arbitrariedade presidencial.

A pretexto de elevar o controle público, o Planalto atua para mudar de fato e de direito o balanço de poder entre agências e Executivo. O interesse da sociedade, porém, vai na direção oposta.’

 

Janio de Freitas

A norma da transgressão

‘O MAIS acintoso dos negócios inescrupulosos entre governo e interesses particulares só depende agora dos altos tribunais, onde as maiores probabilidades indicam que desembocarão as artimanhas, regidas pela Presidência da República, para violação das normas legais e oficialização da compra da Brasil Telecom pela Oi/ Telemar.

O acordo formalizado na quinta-feira entre os quatro conselheiros da Agência Nacional de Telecomunicações -Ronaldo Sardenberg, Pedro Jaime Ziller, Pedro Aguiar Jr. e Antonio Bedran- chancelaram-na, para todos os efeitos, como face oficial de maquinação jurídica com origem privada. A (i)legalidade do seu papel na trama sujeita-se à decisão judicial sobre seu poder, e direito, de subverter as normas nacionais da telefonia para dar legalidade a um negócio privado feito antes. E, além de antes, em transgressão e desafio ostensivos (públicos mesmo) à legislação vigente.

No mínimo, para ficar no mínimo, todo leigo pode indagar o que foi ou será feito do preceito básico de que novas normas jurídicas não têm efeito retroativo, como é dado agora em benefício de um negócio fechado e comunicado de público, com pagamento consolidável posteriormente, comum nas compras da ordem dos bilhões. No caso, de R$ 5,5 bilhões.

Outro aspecto para a esperada apreciação do Judiciário são as negociações consolidadas entre o BNDES e a Oi/Telemar, em plena vigência da proibição legal do negócio, para que o banco cumpra aí duas funções: proporcione recursos aos compradores (Oi/Telemar= grupos Andrade Gutierrez, sócio financiador de um filho de Lula, e Carlos Jereissati); e, como reforço complementar, a eles associe o subsidiário Banespar.

Os quatro conselheiros mostraram-se tão bem entendidos para a alteração unânime imposta ao Plano Geral de Outorgas, que sua entrevista televisada exibiu tropeções cômicos na justificação da manobra. Para o relator Pedro Jaime Ziller, por exemplo, ao possibilitar o negócio das telefônicas, a Anatel quis seguir ‘a tendência mundial das fusões’. Para Ronaldo Sardenberg, a Anatel, da qual é o presidente, agiu ‘para promover a concorrência’. Com a compra da Brasil Telecom, nenhum disfarce poderá contrariar a evidência de que a Oi/Telemar deterá o monopólio da telefonia fixa em todo o Brasil, excetuada uma parte de São Paulo. Segundo Sardenberg, portanto, fundem-se duas empresas para estimular a concorrência da nova com ela mesma.

Em tempo: o renovável mandato de Ronaldo Sardenberg como presidente da Anatel termina no fim deste mês. O de Pedro Jaime Ziller termina em novembro. Ambos já fizeram por merecer a renovação, mas, com as capacidades que demonstraram, por certo não lhes faltam perspectivas até melhores.

Dívidas

Vinte e cinco anos é o tempo de um dos critérios para medir uma geração. Esta coluna está fazendo 25 anos, ou o tempo de uma geração, ou, diriam os mais antigos, Bodas de Prata com o jornal. O aniversário, a rigor, foi no dia 7, mas a idade justifica a dose de senilidade que esqueceu a data.

Quando Carlos Castello Branco me disse, em fins dos anos 80, que sua incomparável coluna política no ‘Jornal do Brasil’ completava 25 anos, fiquei abismado com os tantos significados e implicações disso, pessoais, profissionais, emocionais, tantos. Castellinho já estava obrigado pelo cardiologista a escrever pela manhã, não mais ao fim da tarde, para poupar-se das tensões que antecediam o confronto com o papel branco, hoje substituído pela tela não menos ameaçadora.

O ‘Jornal do Brasil’ ficou devendo muito à Coluna do Castello. Esta coluna deve tudo à Folha, muito em especial a Octavio Frias de Oliveira e a Otavio Frias Filho, e aos demais Frias, aos que foram e aos que são meus colegas, aos que proporcionaram informação. E, fico abismado outra vez, à tolerância dos leitores que se revezaram aqui nestes 25 anos.’

ELEIÇÕES NOS EUA
Daniel Bergamasco

McCain aposta em comícios intimistas, mas televisados

‘À frente das cortinas, os encontros comunitários que o republicano John McCain adotou como principal modelo de campanha parecem fiéis à definição do candidato. ‘Uma conversa direta com eleitores, sem a necessidade de uma grande produção de mídia com questões de repórteres e uma sala de imprensa. Apenas eu e vocês.’

Mas é só puxar o pano, como fez a Folha em um desses encontros em Nova York, na quinta-feira, para constatar que o tom intimista é apenas figurativo: há dezenas de jornalistas com suas câmeras e notebooks, organizados por outros tantos seguranças e relações públicas de McCain, que disputará a Presidência dos EUA com o democrata Barack Obama em 4 de novembro.

Em uma cena de bastidores que provocou risos da platéia de Nova York, assessores e fotógrafos engatinhavam em silêncio por um corredor para fazer fotografias sem que fossem perceptíveis à transmissão do evento pela TV, o que quebraria a imagem de intimidade.

Ao final do encontro, fica-se sabendo, pela própria platéia, que grande parte dos presentes foi convidada por amigos do Partido Republicano, o que ajuda a explicar o fato de McCain não receber perguntas duras nesses encontros.

‘É claro que um ‘town hall meeting’ é um evento feito para quem está assistindo à transmissão em casa. Nenhum candidato espera se tornar presidente dos EUA conseguindo só 200 votos por dia’, aponta Thomas Schaller, da Universidade de Maryland.

O ‘town hall meeting’ é inspirado na centenária tradição de assembléias locais no leste dos EUA. No de Nova York, McCain discursou brevemente atrás de um púlpito e passou então a responder às perguntas da platéia, tornando o encontro semelhante a um programa de TV -o que era, de fato, com transmissão ao vivo exclusiva pela Fox News.

Obama não quer

O republicano tem insistido em que Obama se junte a ele em encontros do tipo, nos quais possam debater cara a cara. Propõe também que os dois viagem no mesmo jatinho, por economia. ‘McCain sabe que não terá tanto dinheiro quanto Obama na campanha, e o encontro menor é uma forma de chamar os holofotes sem gastar muito’, diz Schaller.

Outra corrente diz que McCain julga aparentar mais profundidade de discurso na comparação com Obama, o que seria ressaltado em um embate.

Rick Davis, gerente de campanha de McCain, disse que a equipe de Obama concordou em participar apenas de um encontro, em agosto. David Plouffe, estrategista de Obama, rebateu dizendo que os dois se encontrarão cinco vezes na campanha, em três debates de TV, um ‘town hall’ sobre economia em julho e outro evento sobre política exterior em agosto.

Até lá, Obama segue fazendo campanha em comícios, nos quais também há grande controle de imagem. Conforme a Folha presenciou algumas vezes, o público desses eventos empunha cartazes escritos à mão, com aparência caseira, preparados pela equipe dos candidatos. Além disso, assessores embaralham a platéia que aparece atrás do candidato de forma a mostrar diversidade de idade, gênero e raça.

‘Obama tem medo do debate porque ele não tem substância. É um terno vazio’, diz Ana Baron, que não conseguiu ingresso para o encontro de Nova York, mas foi à porta apoiar McCain. ‘Eu fui voluntária na campanha de Hillary Clinton. Para mim, McCain é mais próximo de Hillary do que Obama, que é muito inexperiente.’

Do lado de dentro do salão, a turma de Wall Street também apoiava o republicano. ‘Eu não quero um presidente que aumente impostos. Prejudicar quem tem mais dinheiro agora pode penalizar que tem menos dinheiro no futuro’, diz Boris Epshteyn, advogado do mercado financeiro, que obteve convite para o evento com amigo ligado à campanha do senador.’

 

PUBLICIDADE
Cristiane Barbieri

Agências testam novo modelo de propaganda

‘O grande vencedor do Festival Internacional de Propaganda de Cannes, em 2005, foi um filme da cerveja Guiness que mostra a involução da vida sobre a Terra. Muitíssimo bem feito, mostra três homens que tomam um gole da cerveja e retrocedem rapidamente até se tornarem anfíbios. Uma frase conclui que as boas coisas acontecem para quem sabe esperar. No caso, pela criação da Guiness.

No ano passado, a vencedora de Cannes foi a Campanha pela Real Beleza, na qual, pela internet, Dove convidava consumidores a se manifestarem contra o uso de imagens manipuladas e da beleza perfeita explorada por empresas de cosméticos. O resultado foram milhares de respostas de consumidores e também de internautas, inclusive o site da Campanha contra a Vida Real. Nele, um rapaz bonito é enfeado, e a manifestação dos consumidores é clara: ‘Ninguém quer ver gente feia nas propagandas’.

‘Em apenas dois anos, houve uma evolução tremenda na comunicação das empresas’, afirma Ezequiel Triviño, sócio da agência americana Wikreate.

Na 55ª edição do festival de Cannes, que começa hoje no balneário francês, não apenas essa mudança da comunicação empresarial deverá se acentuar como também a premiação deverá refletir a tendência. ‘Cada vez mais, a propaganda deixa de contar apenas uma história num filme de 30 segundos e envolve a comunicação em várias vertentes’, diz Triviño.

Outra era

Foi o que aconteceu no El Sol, festival de comunicação publicitária que aconteceu no início do mês, na Espanha. O prêmio mais esperado do festival, talvez pela tradição, foi o dado a um filme da varejista de móveis Ikea. Entretanto, os mais comentados -e também premiados- envolviam internet, revistas, jornais e filmes ao mesmo tempo.

‘Vivemos o fim de uma era’, diz Triviño, que apresentou uma palestra sobre o fim dos festivais de propaganda durante o El Sol. ‘Em dez anos, não será mais a publicidade que nos alimentará.’

O discurso ameaçador não é, é claro, unanimidade no setor. No entanto, o que era repetido até poucos anos como provável tendência de mercado parece estar começando a se tornar realidade.

Agência Google

Segundo Triviño, no último ano, a maior agência de propaganda do mundo não foi nenhum grupo de comunicação no qual brilham publicitários, mas sim o Google. O site de buscas faturou US$ 16,6 bilhões em 2007 com publicidade, enquanto o grupo Omnicom, o maior entre todos, teve receita de US$ 12,7 bilhões. WPP e Interpublic, outros dois grandes da área, faturaram US$ 12,4 bilhões e US$ 6,6 bilhões respectivamente.

‘Quem olha os links patrocinados do Google lembra a comunicação da idade da pedra’, diz Triviño. ‘Mas eles superaram as agências em menos de dez anos porque desintermediaram a comunicação, dando ferramentas de controle ao consumidor.’

Renato Loes, presidente da Leo Burnett Brasil, discorda. Para ele, o Google não é agência, mas sim concorrente dos meios de comunicação. ‘O Google não fará venda direta para sempre’, diz Loes. ‘Para a agência, o que interessa é colocar o anúncio no lugar mais adequado e o Google pode ser um deles.’

As discussões sobre o Google, no entanto, são apenas o topo da montanha que aparece escondida por nuvens. As mudanças nas inscrições de Cannes refletem a transformação do mercado. O número de peças de internet inscritas, por exemplo, aumentou 77% e o de mídias integradas, 342%, nos últimos cinco anos. Já as inscrições de filmes caíram quase 10% no período.

Maurício Mazzariol, sócio da agência brasileira Bigman, apresentou no El Sol algumas campanhas de destaque em comunicação digital, na América Latina. Uma delas é a do site silviovelo.com. Nele, Silvio Velo, capitão da seleção argentina de futebol para cegos, guia o internauta por páginas completamente escuras: cursor do mouse, letras, fundo e até e-mail são negros. Para auxiliar a navegação, só a voz de Velo e o guiso da bola de futebol para cegos. O objetivo é, por meio da interação, conseguir patrocínio para o esporte, popular, mas sem apoio financeiro no país.

‘Vivemos um momento de experimentação, nas mais variadas formas’, diz Mazzariol.’

 

***

Patrocínio à Olimpíada gera controvérsia

‘Uma das principais discussões do meio publicitário neste ano é o patrocínio aos Jogos Olímpicos de Pequim. Coca-Cola, Kodak, McDonald’s, Johnson&Johnson, entre 60 empresas, estão investindo cerca de US$ 80 milhões para que suas marcas possam ser vinculadas às competições.

Para muitos especialistas, porém, a investida é arriscada. O regime político, a censura à imprensa, os protestos tibetanos, o desrespeito ao meio ambiente, entre outros fatores, fizeram que os próximos jogos olímpicos se tornassem uma corrida de obstáculos para os anunciantes.

Uma das campanhas vencedoras do festival de comunicação publicitária El Sol, que aconteceu no início do mês, na Espanha, foi criada para a Anistia Internacional pela agência J.W.Thompson. Nela, os mesmos símbolos usados para os esportes nas olimpíadas mostram as autoridades chinesas correndo atrás de jornalistas, batendo e atirando em manifestantes contra o regime. O slogan é claro: ‘Que todos vejam o que se joga na China’.

Ao ser anunciada como vencedora, ouviram-se vaias tímidas no salão principal do Palácio Kursaal, em San Sebastián. O discurso que defende as olimpíadas ouvido de vários anunciantes é um só: os jogos são maiores do que regimes políticos.

‘As olimpíadas sempre fazem do mundo um lugar melhor’, afirmou Warren Buffett, um dos maiores acionistas da Coca-Cola, ao ser questionado sobre o patrocínio durante o encontro anual de investidores, que aconteceu no mês passado.

Porém, para os manifestantes contra os patrocínios, a Coca-Cola estaria de olho naquele que hoje é seu quarto maior mercado no mundo, com tendência a superar todos os outros.

Muitos dos seminários e workshops que serão feitos em Cannes abordarão a China, mas a maioria falará sobre como construir marcas e conquistar os consumidores chineses, Nenhum abordará a situação política do país.’

CINEMA
Danuza Leão

‘Sex and the City’: mas de novo?

‘CONFESSO QUE VIA todos os episódios e me divertia bastante com as quatro malucas que só pensavam em sapatos, vestidos e homens. Mas as coisas passam; tudo passa, e não penso em ir ver o filme. Porque deve ser a mesma coisa: sapatos, vestidos e homens.

Não houve um só momento, durante a série, que alguma coisa tenha sido dita que me fizesse pensar, refletir, raciocinar; era divertido, sim, mas pelo que soube, esse filme vai ser um grande comercial de Manolo Blahnik, e todas as outras marcas que as meninas usam o tempo todo.

E comercial por comercial, já basta os que tenho que ver na televisão nos intervalos dos filmes.

Carrie vai ficar com Big? Não me interessa mais. Samantha -aquela que só pensava em ter orgasmos- vai continuar trocando de homem a cada dia ou será que vai arranjar um, um só, e ficar com ele durante as duas horas do filme? Também não me interessa. E por mais que Nova York seja retratada como a cidade mais charmosa do mundo, a gente sabe que não é bem assim, que a cidade tem seu charme mas também é dura. E será que o filme vai mostrar como é que as quatro moças tinham tempo para trabalhar e viver uma vida noturna e sexual tão intensa, como ganhavam dinheiro para comprar seus sapatos de US$ 700, mais as roupas que não repetiam nunca, a que horas dormiam, descansavam, se algum dia leram alguma revista que falasse de outra coisa que não fosse de moda -um livro, nem pensar-, enfim, o que se passava na cabeça delas além do que a gente já sabe? Tá aí, isso eu gostaria de saber, mas o filme não vai mostrar.

A série foi um grande sucesso, e é perigoso julgar que sucessos são eternos.

É preciso saber a hora de parar, e ‘Sex and the City’ poderia ter deixado na nossa memória uma grande saudade dos tempos em que nada nos fazia sair da frente da televisão, na hora do seriado. Elas eram divertidas, sim. Mas fazer o filme foi ultrapassar uma barreira talvez perigosa, que é a da repetição sem fim das mesmas coisas. Porque não acredito que a vida das meninas tenha mudado, do seriado para cá. E é aí que vem o problema: se é igual, terá pouca graça; se mudar completamente, não será o que as pessoas estão esperando.

Estou curiosa para saber qual será a trajetória do filme, até porque muita coisa aconteceu do final da série para cá. Será que o charme de Carrie segura o filme? A vontade de ter um filho de Charlotte? O furor sexual de Samantha? O medo de amar de Miranda?

Eu, que não perdia o seriado, mudei, e assim como eu, muita gente. Coisas boas e ruins aconteceram nas nossas vidas e no mundo, e a nova bolsa Fendi me interessa hoje tanto (ou menos) quanto o jornal da semana passada. E me incomoda esse oportunismo de sair voando para fazer um filme de uma série que arrasou na TV. Calma, gente. Os produtores estão aí para criar coisas novas, correr riscos, não só para querer ir atrás do que acham que é sucesso -isto é, $$$- garantido. Qual a graça de repetir o que já aconteceu e que deu tudo o que tinha que dar?

E para falar a verdade, nem sei se já não estou um pouco cansada do sorriso e do charme de Carrie. Acho que sim.’

 

EMPREGO
Gilberto Dimenstein

Internet emburrece?

‘IMAGINE 687 MIL UNIVERSITÁRIOS ou recém-formados disputando 2.500 vagas de estágio e de programas de trainee. Isso equivale a aproximadamente 2.800 candidatos por vaga. Só para dar uma medida de comparação: é uma proporção 25 vezes maior do que a dos vestibulares das mais disputadas faculdades brasileiras.

O que você acha que ocorreu com tanta gente disputando tão poucos empregos? Pergunte a algumas das 57 empresas, entre as quais a Microsoft, a Natura, a Unilever, a Braskem e o ABN-Amro, que participaram da seleção. Não ocorreu o óbvio.

Responsável pela aplicação dos testes em 2007, a psicóloga Sofia Esteves constatou que algumas das empresas não preencheram vagas ou tiveram de se contentar com a repescagem, obrigadas a diminuir o nível de exigência. ‘Há uma distância crescente entre o perfil desejado pelas empresas e a qualidade dos universitários’, afirma.

Além das óbvias questões educacionais, relembradas na semana passada, com a divulgação de um índice de qualidade do ensino (Ideb), a psicóloga levanta mais uma hipótese: excesso de internet. Seria essa mais uma das retrógradas reações típicas de quem tem fobia tecnológica?

Sofia conta que alguns exames foram abrandados ou até eliminados. Numa prova de língua portuguesa, apenas um entre 1.800 candidatos foi aprovado. Decidiu-se então abolir esse requisito -o candidato passou a ser eliminado apenas quando comete, na redação, um erro do tipo escrever experiência com ‘ç’.

Na seleção, porém, a dificuldade tem sido menos a de escrever segundo as normas gramaticais (o que já é grave) do que a de expor criativamente uma idéia -um critério relevante porque as empresas querem funcionários capazes de enfrentar desafios com autonomia. E aí, na visão da psicóloga, entraria a ação nociva da internet.

É verdade que as redes digitais facilitaram, como nunca, o acesso a qualquer tipo de informação, mas também é fato que facilitaram a apropriação de reflexões dos outros. É sabido que muitos alunos, na hora de fazer as lições, montam uma colagem de textos encontrados na internet. ‘Estão perdendo o hábito de ler um livro inteiro e fazer um resumo.’

Pula-se velozmente de galho em galho digital, numa interatividade hiperativa. A hipótese é que, por isso, sairia prejudicada a busca de profundidade.

A combinação de excesso de informação com hiperatividade foi um dos fatores que motivaram Mark Bauerlein, professor da Universidade Emory, em Atlanta (EUA), a escrever um livro intitulado ‘A Mais Burra das Gerações: Como a Era Digital Está Emburrecendo os Jovens Americanos e Ameaçando Nosso Futuro’. Burrice seria, na sua visão, 52% dos adolescentes americanos terem respondido em uma prova que a Alemanha foi aliada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Sua tese central é a de que as tecnologias digitais permitiram que os jovens passassem ainda mais horas do dia trocando informações com seus pares, mas, ao mesmo tempo, diminuiu o tempo de intermediação dos adultos nos processos de aprendizado.

Diante daquela avalanche de dados em tempo real, ficaria então mais difícil para os jovens aprender a selecionar e expor o que é relevante no conhecimento tudo isso acaba prejudicando a liderança e a capacidade de trabalhar em grupo.

A avalanche digital não teria maiores problemas se o jovem não fosse obrigado a buscar um emprego que exigisse criatividade e autonomia para solucionar desafios o que requer necessariamente a capacidade de síntese e a habilidade de selecionar uma informação relevante. Justamente uma das razões, entre várias, para que aqueles 687 mil universitários brasileiros não conseguissem preencher 2.500 vagas.

PS- Como trabalho simultaneamente com comunicação e educação, tenho observado que, embora adore a abundância de informação, reverencie a possibilidade de escolhas e aprecie ainda mais a possibilidade de interagir, coisas que vieram mesmo para ficar (e é bom que fiquem), o jovem se sente confuso e demanda cada vez mais a intermediação de gente em quem possa confiar para ajudar na seleção das informações.

Ele vê com desconfiança os meios de comunicação tradicionais como a escola, por suspeitar que eles não conseguem traduzir o que é relevante para sua vida. Por esse ângulo, nós é que somos emburrecidos. Tanto a escola como o jornal do futuro vão estar assentados na solução desse desafio ou vão ficar estacionados no passado. gdimen@uol.com.br’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

Globo prepara seriado com garotos surfistas e roqueiros

‘Um dos novos projetos em gestação na TV Globo é o de um programa protagonizado por cinco primos, todos com idades entre 12 e 16 anos, que surfam e tocam numa banda de rock. Ainda não há um formato definido. Pode vir a ser um reality show ou um seriado de aventura, como ‘Armação Ilimitada’ (anos 80). Uma das idéias, se o programa vingar, é exibi-lo antes de ‘Malhação’.

O projeto está sendo elaborado pelo diretor de núcleo Roberto Talma e pelos roteristas Rafael Dragaud e Euclydes Marinho. O produtor musical Max Pierre (ex-executivo da gravadora Universal) e o surfista e fotógrafo Rick Werneck também estão envolvidos no projeto.

Há dois anos, os irmãos Xande e Luke (filhos de Rick Werneck) e João, Pedro e Mateus (sobrinhos do fotógrafo) montaram a banda WWW -os Ws são de web e de Werneck, sobrenome de todos eles.

Os roqueiros já fazem relativo sucesso entre adolescentes cariocas. Atualmente, sob produção de Max Pierre, estão terminando a gravação do primeiro CD. Foi de Pierre a idéia de produzir um programa.

Segundo Laila Werneck, mãe de Xande e Luke, a família possui farto material dos rapazes surfando, que poderá ser usado no programa. ‘Meus filhos já pegaram onda na Costa Rica, no Hawaí, no Equador e em Fiji’, conta.

Laila diz que o ponto de partida é ‘contar a história de cinco primos que têm uma banda, pegam onda e moram em apartamentos vizinhos. Eles tocam punk rock. Mas não é pesado, não. É como Ultraje a Rigor, Titãs, mais suingado’, afirma.

ELA ESCONDE BEM

Os fãs de Fernanda Paes Leme (foto), fora do ar desde o final de ‘Desejo Proibido’, poderão matar saudades da bela no ‘Casos e Acasos’ que a Globo exibe dia 26. No programa, Fernanda será Cristiane, ‘uma mulher não muito séria, mas que esconde bem’, segundo a sinopse. Casada com Nelson (Mário Frias), Cristiane vai curtir uma balada e cai na lábia de Adauto (Marcos Caruso). Mas eis que Nelson, seu marido, chega à boate e arruma a maior confusão. Acaba sobrando para Marcelo (Guilherme Beringuer), filho de Adauto.

O PERSEGUIDO

Marcos Pitombo (na foto, com Robinho, seu cão), 26 anos depois de amanhã, é uma das estrelas de ‘Os Mutantes’. O ex-’Malhação’ interpreta Valente, um mutante desmemoriado, perseguido por ter descoberto segredo por trás de experiências genéticas. Pitombo cursava odontologia quando decidiu investir na carreira de ator. Está surpreso com o sucesso da novela da Record. ‘As pessoas me chamam de mutante e falam para ficar esperto, porque estão atrás de mim’, conta.

PERGUNTA INDISCRETA

FOLHA – Você, que já foi chefe de Íris Abravanel numa revista, acha que ela será tão boa novelista quanto jornalista?

WALCYR CARRASCO (autor de novelas da Globo, escritor e jornalista) – Acho que a Íris tem tudo para ser uma boa novelista. Quando eu era chefe dela, insisti para que escrevesse um livro, pois ela tem uma grande intuição para se comunicar com o universo feminino. Prova disso eram suas colunas na revista ‘Contigo’. E, do ponto de vista técnico, ela tem a co-autoria de Yves Dumont, que é um autor experiente.

EU ME AMO 1

Segundo o blog do publicitário Tony Goes, Roberto Justus convocou funcionários da agência Y&R, recentemente, para ‘uma reunião de emergência’. Muita gente pensou que seria demitido, conta o blogueiro, mas o chamado era para ‘algo ainda pior’: uma audição do CD romântico que Justus e Record acabam de lançar.

EU ME AMO 2

Goes relata que o apresentador teria dito coisas do tipo ‘eu não sabia que cantava tão bem’ e ‘reparem como meu inglês está bom!’. A assessoria de Justus nega a versão. Diz que foi um funcionário da área de recursos humanos da Y&R que fez a convocação, em tom de brincadeira, e que os elogios partiram de funcionários.’

 

Cristina Fibe

Além da imaginação

‘São 70 atores, metade deles mutantes cujos poderes vão de se transformar em aranha-caranguejeira a voar ou desaparecer, passando por habilidades como a superaudição, a telepatia ou a superagilidade.

A novela ‘Os Mutantes’, seqüência de ‘Caminhos do Coração’ -na qual o núcleo de ‘genes modificados’ começou-, estreou na Record no último dia 3, em novo horário: mudou das 22h para as 20h40, batendo de frente com a principal novela global, ‘A Favorita’.

E teve, no primeiro capítulo, média de 24 pontos na Grande SP, segundo o Ibope, índice excepcional para o horário -a Globo fica em torno de 35. Desde então, vem se mantendo com média de 19, e a esperança do autor, Tiago Santiago, é voltar a passar dos 20 e até liderar, ‘nem que seja por minutos’.

Para isso, diz se inspirar em Spielberg (‘ele adora uma perseguição’), em Hitchcock e sua ‘construção dramática do suspense’, e no italiano Vittorio De Sica, ‘pelas emoções’.

Na trama, mutantes da ‘liga do mal’ querem acabar com os humanos e dominar o mundo; os da ‘liga do bem’ tentam curar e salvar os homens. O terceiro núcleo é o Departamento de Pesquisa e Controle de Mutantes, espécie de polícia formada por humanos e em guerra constante contra os vilões.

A Folha visitou as gravações da novela na última quarta-feira, no Recnov (complexo de estúdios da Record, no Rio), onde dois mutantes malvados, Metamorfo (Sacha Bali) e Meduso (Allan Lima), simulavam seus poderes contra o ‘núcleo de comédia’, composto por humanos da ‘mansão do Morumbi’ (todos atores ex-globais).

‘Fala difícil’

No ensaio, os atores dirigem uns aos outros, improvisam, editam o texto. ‘Essa fala é f…’, reclama a atriz Rafaela Mandelli, a humana Regina, enquanto lê, em voz alta, uma dissertação sobre ‘as leis da física’ para provar aos mutantes que ‘o mal se voltará’ contra eles.

‘Chega de conversa fiada! A guerra já começou’, diz Meduso, cujo olhar mata, enquanto encara a arma de Patrycia Travassos (ou Irma, humana perua), esta aos gritos de ‘vou detonar seus olhos mortais’. Mas, no estúdio, não se vêem raios: ele mantém os olhos parados, e os outros fingem pavor.

Travassos, cuja arma seria atingida pelos raios na pós-produção, indaga se deve jogar o objeto no chão. ‘Não!’, responde a voz do diretor, de outra sala. ‘É de madrepérola!’. E almofadas são providenciadas.

Uma das mais experientes, Travassos repete várias vezes a seqüência. No intervalo, reclama que ‘a cena é muito chata’. ‘E olha que esses efeitos eles já sabem fazer! Eu nunca gravei com gente que pula, voa, diz que demora hoooooras. O lobisomem demora hoooooras!’

Mais vagarosa é a cena em que Metamorfo desaparece, depois de se transformar em Danilo, personagem de Cláudio Heinrich. Tudo precisa ser repetido com e sem as telas verdes que permitem a inserção posterior dos efeitos.

O diretor, com dois monitores, orienta o ator sobre a sincronia dos movimentos. ‘Pára tudo que o Metamorfo tá verde!’, reclama um técnico, enquanto os outros atores dão palpites. ‘Ficou natural, cara, não ficou falso, não’, diz Hein-rich, em quem Metamorfo está prestes a ‘se transformar’. ‘Bem cafa[jeste], hein?!’, pede o diretor. ‘Gravando!’

Mais tarde, sem Metamorfo, seus colegas precisam contracenar com um mutante que não está lá. ‘Odeio quando ele fica invisível’, grita Fernanda Nobre, a Lúcia. ‘Ai, passou a mão na minha bunda!’, pula. A personagem, não a atriz.

‘Sai, seu mutante asqueroso, sai!’, retruca um saltitante Heinrich, cujo Danilo, diz o autor, ‘tem tendências homossexuais’, mas é casado com Lúcia. Os exageros dos diálogos (‘vôos poéticos’, nas palavras do autor) e os efeitos abundantes (nem todos de qualidade hollywoodiana) fizeram com que a novela ganhasse o rótulo de trash -termo rechaçado por Tiago Santiago e pelo diretor-geral, Alexandre Avancini (22 anos de Globo).

Trash?

‘O público C, D e E vê a novela e não tem crítica nenhuma aos efeitos, ao estilo. O A vê a novela porque acha trash. É uma questão de referência também. A gente às vezes é cobrado para ter qualidade de cinema’, diz Avancini.

‘Eu poderia reduzir o número de efeitos e caprichar muito mais, mas o capítulo perde agilidade. Já pesamos isso tudo.’

‘Esse negócio de falar que a novela é trash é uma campanha da concorrência, um desrespeito a dezenas de artistas e técnicos. A novela não é malfeita’, rebate Santiago.

Mas, na Record, técnicos e atores, também na campanha para ultrapassar a ‘concorrência’, não hesitam em usar o termo. Taumaturgo Ferreira descreve suas cenas seguintes rindo, diz que a novela é ‘trash’, mas um ‘trash cult’.’

 

***

Autor se inspira em Jung e Lévi-Strauss

‘Tiago Santiago, 45, criador de ‘Os Mutantes’, passou mais de 20 anos na Globo, entre participações como ator, analista de roteiros e colaborador. Há quatro, mudou-se para a Record com vontade de ter uma novela para chamar de sua.

Estreou em 2005 com ‘Prova de Amor’. Mas em ‘Caminhos do Coração’, com mutantes e efeitos especiais, encontrou seu caminho.

Cansado do ‘folhetim padrão, neo-realista, convencional’ -apesar de não descartar escrever um dia ‘como Manoel Carlos’-, ‘enveredou pelo realismo fantástico’, com linguagem ‘que remete às histórias em quadrinhos’, ‘renovação constante do elenco’ e ‘25 pessoas trabalhando em computação gráfica’.

A audiência de ‘Caminhos…’ foi alta para uma novela das 22h da Record (média de 15 pontos no Ibope), o que fez com que o canal ousasse pôr a seqüência às 20h40.

Santiago está mantendo bom índice no novo horário, criou um blog (txsantiago.blog.uol.com.br) como o de Aguinaldo Silva (‘Duas Caras’) e acha que ‘a qualidade de ‘Mutantes’ supera a concorrência em vários aspectos, por exemplo nos efeitos especiais’.

Mestre em sociologia, cita o russo Vladimir Propp, o francês Claude Lévi-Strauss e o suíço Carl Gustav Jung como inspiradores de ‘Os Mutantes’.

Santiago -que escreve a trama em sua casa no Rio, onde mora com a mulher e o filho de cinco meses- vê sua formação refletida na ‘campanha pela paz’ e na ‘luta contra a barbárie’ que a novela propagandeia. E completa as referências com o ‘Manifesto Antropófago’, de Oswald de Andrade, que o fez se ‘apropriar da tecnologia estrangeira para transformá-la em um produto brasileiro’.’

Bia Abramo

Mutantes contra o realismo

‘A NOVELA parece enredo de escola de samba, só que construída a partir de elementos da cultura pop: quadrinhos, filmes a partir de quadrinhos, séries de TV com inspiração no mundo dos quadrinhos e narrativas adolescentes de namoro, deslocamento social etc.

É como se ‘Malhação’ fosse escrita por um Stan Lee mais fantasioso, ou como se um Spielberg mais pobre se dedicasse a fazer séries de TV para Bollywood ou, ainda, como se uma emissora de TV contratasse um ex-roteirista da poderosíssima concorrente para dar rédeas à imaginação e fazer justamente tudo aquilo que, na outra, não seria aceitável. Ops, o que é exatamente o caso.

A segunda fase de ‘Caminhos do Coração’, chamada de ‘Os Mutantes’, radicaliza aquilo que já estava na fronteira. Em sua primeira fase, a novela testou o roteiro assumidamente juvenil, recheada de protagonistas crianças e adolescentes -coisa que sempre funciona para o público mais jovem- e com total descompromisso com a verossimilhança e com o ‘realismo’.

É justamente esse ‘realismo’ que parece estar, de alguma forma, atrapalhando a Globo -e do qual as novelas mais bem-sucedidas da Record têm se livrado. Se o sucesso da telenovela nos anos 70 passava por uma representação do Brasil que até poderia se arrogar certas unanimidades socioculturais -contra o ‘atraso’ do campo e a favor da modernidade urbana, contra o autoritarismo, difuso pelos costumes patriarcalistas e machistas e pelos desmandos das autoridades, e a favor de relações também difusamente mais democráticas-, hoje não há mais tantos acordos assim que sustentem a representação simplificada que é possível fazer na telenovela.

O mote realista parece ter deixado de fazer sentido para vários tipos de público -e talvez seja por isso que tanto o tratamento hiper-realista da violência urbana em ‘Vidas Opostas’ como o não-realismo pop de ‘Caminhos do Coração’/’Os Mutantes’ tenham sido, até agora, as apostas teledramatúrgicas mais consistentes da Record.

Não deixa de ser curioso que essa teledramaturgia ‘nova’ da Record tenha, de certa forma, voltado a olhar o cinema. ‘Vidas Opostas’, certamente, ‘viu’ ‘Cidade de Deus’ e ‘Carandiru’, bem como há em ‘Caminhos do Coração’/’Os Mutantes’ várias referências ao cinema americano de entretenimento.

Foi assim, apostando em entretenimento juvenil e descontroladamente ‘divertido’, que o cinema norte-americano reverteu a fuga de público nos anos 70. Quem sabe é este também o caminho da Record com as novelas.’

 

Lucas Neves

Fabiana Scaranzi é a nova arma na disputa pelo topo da audiência

‘Nem só da tropa de mutantes da capa desta Ilustrada se faz a cruzada da Record para tentar ameaçar o primeiro lugar da Globo. Algumas ‘armas’ vêm da própria concorrência, como a jornalista Fabiana Scaranzi, 43, que estréia hoje na apresentação e na reportagem do ‘Domingo Espetacular’.

Em dez anos de Globo, ela foi de moça do tempo (‘estava cursando jornalismo, precisava de uma função com horário fixo’, afirma, quase em tom de justificativa) a repórter do ‘Fantástico’, passando pelas bancadas de ‘Jornal Hoje’, ‘Globo Rural’ e jornais locais da casa.

‘Fiz tudo o que queria fazer. Saí porque recebi uma proposta de trabalho que me interessou muito’, diz a jornalista, antes de falar das ‘reportagens maiores’ do ‘Domingo’, ‘o que é bom quando se precisa de mais tempo’.

Faltava esse espaço no canal carioca? ‘Não é questão de tempo; o importante é o que se tem para dizer.’ Fora do estúdio, Scaranzi se concentrará em pautas de comportamento ‘mais ligadas à psicologia do que ao consumo’, segundo diz.

‘Gosto de mostrar como as pessoas reagem aos fatos. Quero tratar de assuntos que tragam uma boa conversa para dentro de casa, sabe? Mas sem dizer o que é bom ou ruim, certo ou errado. As regras são diferentes em cada lar.’

Ex-modelo e publicitária (chegou a trabalhar na W/Brasil, de Washington Olivetto), ela tampouco toma partido quando se toca na possibilidade de a Record eventualmente igualar ou ultrapassar o ibope da Globo.

‘Acho que é isso que a emissora quer e é para isso que está se esforçando.’ Sutil como se espera de uma bailarina -formada no Municipal de São Paulo.

DOMINGO ESPETACULAR

Quando: hoje, às 19h

Onde: na Record’

 

 

PICHAÇÃO
Thiago Ney

Documentário mostra ação de pichadores em SP

‘A pichação é uma expressão artística ou um crime contra o patrimônio? A polêmica questão voltou a ser notícia na última quarta, 11 de junho, quando Rafael Augustaitiz, 24, aluno de artes visuais da Belas Artes, foi detido ao pichar, com amigos, muros e paredes da faculdade paulistana. Para Augustaitiz, o ato foi seu trabalho de conclusão de curso. Para a faculdade, foi vandalismo.

Discutir se a pichação é uma expressão artística ou um crime contra o patrimônio é o que faz um documentário que acaba de ser filmado em São Paulo.

Os diretores do filme (ainda sem título), os irmãos Roberto T. Oliveira e João Wainer -este último, fotógrafo da Folha-, negociam com distribuidoras o lançamento nos cinemas.

O documentário não apenas registra diversas ações de pichadores (ou ‘pixadores’, como eles grafam), mas desvenda alguns dos códigos de conduta.

Inscrições e desenhos, que para muitos não passam de rabiscos sem sentido, possuem significado próprio entre as turmas de pichadores.

Por exemplo, há várias categorias (ou modalidades) de pichação. ‘Agenda’ é aquela feita em muros baixos; na ‘janela’, pintam-se os espaços entre as janelas de um edifício; a ‘escalada’ é a mais ‘nobre’ (e a mais perigosa): transportando latas de spray em mochilas, os pichadores escalam edifícios para carimbar o topo dos prédios.

Caderno de caligrafia

‘São Paulo é como um caderno de caligrafia, e os muros e paredes da cidade são os espaços em branco que vão ser preenchidos pelos pichadores’, explica um dos entrevistados no filme. ‘Meu ‘picho’ está na pele de São Paulo’, diz outro.

Ex-pichador, Djan, 24, é o fio condutor do documentário. Ele começou a pichar aos 12 anos. Hoje está parado; ganha a vida filmando ações de pichadores e vendendo DVDs em lojas do centro de São Paulo.

‘Não basta rabiscar um muro para ser aceito entre os pichadores; é preciso conhecer quem é do meio, as turmas, fazer amizades’, conta. Pichadores ignoram propositalmente as convenções de linguagem. ‘Criam regras próprias’, diz Djan.

O que motiva um jovem a escalar um edifício para pintar seu nome e o de sua turma?

‘A adrenalina, a superação’, responde à Folha Diego, 22, que picha desde 2003. ‘Não temos o apoio de ninguém, nem da nossa família. É apenas pela adrenalina.’

No filme, Gilberto Dimenstein, colunista da Folha, observa: ‘São pessoas invisíveis à sociedade. Não querem que a existência deles seja nula’.

Estilo paulistano

Diferentemente do grafite, que tem uma preocupação estética, a pichação é feita com traços rudes, brutos, crus. É uma comunicação ‘fechada’, que não tem a intenção de dialogar com a cidade.

A pichação praticada em São Paulo, com linhas elásticas, retas, formou um estilo próprio, que chama a atenção de especialistas de vários países.

‘Em São Paulo, o estilo das letras é formalizado, quase como um alfabeto. Há uma conexão entre a pichação e os desenhos feitos em Nova York no final dos anos 1960’, afirma a fotógrafa e escritora norte-americana Martha Cooper, que tem o grafite e as artes urbanas como focos de trabalho.’

 

LÍNGUA
Ferreira Gullar

Resmungos gramaticais

‘NÃO TENHO, obviamente, a intenção de aborrecer o leitor com minhas manias. Aliás, se dependesse de mim, só escreveria crônicas divertidas em vez de resmungos, graçolas. Mas é que sofro de manias e uma delas é de chatear-me com certas expressões, que vão se tornando comuns e que me parecem erradas. Está bem, está bem, já sei que não existem erros no uso do idioma, pelos menos, essa é a opinião dos lingüistas, e a última coisa que quero é ser considerado por eles um sujeito ultrapassado e ranheta. Mas que posso fazer? Se o cara, referindo-se à semana em que estamos, diz ‘essa’ em vez de ‘esta’, tenho vontade de lhe mostrar a língua.

Lembram-se da época em que, a três por dois, usava-se a expressão ‘a nível de’? Essa é uma expressão espanhola e a pronúncia correta é ‘nivél’, com acento na última sílaba. Não se sabe como nem por que, políticos, jornalistas, deputados, advogados passaram, todos, a usá-la. Começaram dizendo, por exemplo, ‘a nível de teoria política’, depois ‘a nível de perseguição policial’ e chegaram a jóias como ‘a nível de ração para cachorros’. Eu sei que está tudo correto e que eu é que sou um chato de galocha, mas sinto-me aliviado ao ver que a mania passou e já ninguém fala ‘a nível de’. Chego a consolar-me com a suposição de que a língua mesma se encarrega de expurgar esses contrabandos verbais.

Ainda assim, tenho minhas dúvidas, pois a cada momento ouço pessoas instruídas e inteligentes falarem ‘isso não significa dizer’, o que é uma tradução ruim do inglês. Por que não usam a expressão nossa, legítima e simples ‘isso não quer dizer’? E a mania agora (já de algum tempo) é usar o verbo postergar em vez de adiar. Você diria a alguém: ‘aquele nosso almoço vai ter que ser postergado?’ Se não falaria assim, não escreva assim, essa é uma boa regra. Mas por que me incomodar com isso, já que ser pernóstico não é o pior dos defeitos?

Há defeitos piores, claro, e mesmo no terreno do idioma, em que todo tipo de atentado à língua se vê com muita freqüência no nosso dia-a-dia. Como disse, não estou querendo encher a paciência dos leitores, mas já repararam como alguns comentaristas de futebol usam certos verbos? Sabemos que o futebol tem um universo verbal próprio, bastante pitoresco, aliás, contra o qual nada tenho a opor, muito pelo contrário. Acho até divertido quando o pessoal se refere a ‘essa’ bola. Nunca dizem, por exemplo, ‘ele podia ter chutado a bola’ e, sim, ter chutado ‘essa’ bola. O jogador nunca ‘perdeu a bola’ e, sim, ‘perdeu o domínio’. São modos de falar muito pitorescos. O que me incomoda, porém, é quando dizem ‘Ronaldo machucou’. Machucou o que? O pé, o tornozelo? Não, querem dizer que ele ‘se machucou’, mas decretaram o fim do modo reflexivo do verbo machucar. E também do verbo ‘classificar’. Se pretendem dizer que o Corinthians não se classificou para disputar a Taça Libertadores, dizem ‘o Corinthians não classificou’, como se o verbo fosse intransitivo. A origem disso, não sei qual é, se nasce da corriola futebolística paulistana, mas a verdade é que, como falam para milhões de pessoas, terminarão por impor esse uso errado dos verbos ao resto do país. Perde-se alguma coisa? Vai alguém morrer em conseqüência disso? Não… então, só me resta ficar resmungando no meu canto, mesmo porque podem alegar que, no terreno da gramática, a zorra é total. Não se ouve na TV ‘as milhões de pessoas’? E como explicar por que o advérbio ‘sobre’ passou a ser usado a torto e a direito em frases como ‘convencer as pessoas sobre a importância da lei’ em vez de ‘da importância da lei’ ou ‘ele discute sobre problemas sociais’ em vez de ‘ele discute problemas sociais’?

Mas ao folhear um volume de Machado de Assis, deparo-me com a seguinte expressão: ‘A família Batista foi aposentada em casa de Santos’. Como aposentada na casa? Mas logo percebo que ele se refere aos aposentos que constituem uma casa, ou seja, a família Batista passou a ocupar um aposento da casa de Santos e, por isso, ficou ‘aposentada’ ali. Descubro que a acepção atual é que é metafórica e decorrente daquela. E aí minhas convicções de patrulheiro vernacular começam a esvair-se. Continuo a folhear o livro: ‘o amor da glória’, em vez de ‘o amor à glória’, e pior: ‘a dona não adia da intenção de tomar o que era seu’. Não paro de me surpreender: ‘cabava de nascer’, por ‘acabava’, e este uso de ‘esquecer’: ‘também não me esqueceu o que ele me fez uma tarde’.

Diante disso, meto a língua no saco, se se pode dizer assim.’

 

MÚSICA
Luiz Fernando Vianna

Caixa passeia por quatro décadas de Chico Buarque

‘Que diferença há entre ‘Chico Buarque – Essencial’ e tantas outras coletâneas do artista já lançadas? É a primeira vez que se consegue compilar fonogramas de toda a carreira de Chico, espalhada por quatro gravadoras em quatro décadas -afora as participações em discos de outras.

A conquista é resultado dos esforços de Vinicius França, produtor de Chico, e permitiu ao pesquisador Rodrigo Faour montar um painel amplo, dividido em quatro CDs temáticos: ‘Samba e Amor’, ‘Todo o Sentimento’, ‘Cotidiano’ e ‘Entre Amigos, Paratodos’.

O título ‘Essencial’ é pernóstico, pois nem com 56 faixas cobre-se o essencial da obra do compositor. E muitas escolhas estão bem mais para curiosas do que inevitáveis.

É o caso de parte do CD 4, em que Chico canta com outros. ‘Valsinha’ com Nelson Gonçalves, ‘Quem te Viu, Quem te Vê’ com Cauby Peixoto e ‘Paroara’ com Fagner e Fausto Nilo não são imperdíveis; atraem, sobretudo, pelo inusitado.

Atraem mais os duos com Nara Leão (‘João e Maria’), Francis Hime (‘Pássara’), Toquinho (medley de ‘Lua Cheia’, ‘Samba de Orly’ e ‘Samba pra Vinicius’) e Marianna Leporace, ao lado de quem Chico interpretou pela primeira vez, em 2000, ‘Tororó’, parceria com Edu Lobo de 12 anos antes.

Lado B

Esse olhar sobre itens menos conhecidos da obra também se reflete nas escolhas, por exemplo, de ‘Injuriado’ e ‘Cantando no Toró’ para o CD 1 e de ‘Ludo Real’ e ‘Sentimental’ para o 2, fugindo do ‘mais do mesmo’ que acomete coletâneas.

‘Tive o cuidado de reunir sucessos essenciais da obra de Chico e alguns lados B também essenciais. Essas músicas, sendo ouvidas no meio das consagradas, acabam com aura de clássicas’, acredita Faour, que cuidou da reedição da discografia completa de Maria Bethânia, entre outros trabalhos.

Das inegavelmente clássicas, Faour deu preferências às versões do acervo da SonyBMG, produtora da caixa. Assim, ‘O Meu Amor’, ‘Partido Alto’ e ‘Samba do Grande Amor’ entram em versões ao vivo -sendo a última inédita em disco, pois ficou de fora de ‘Chico ao Vivo’ (1999)- sem perderem muito. Já no caso de ‘Cotidiano’, o registro de 1999, embora muito bom, não tem como superar o original de 1971, do disco ‘Construção’.

‘A SonyBMG até possui fonogramas ao vivo de ‘As Vitrines’, ‘Vida’ e ‘Vai Passar’, por exemplo, mas preferi pedir os originais à Universal por serem gravações antológicas e insubstituíveis’, diz Faour.

Ele aproveitou bastante os ‘arranjos arrojados’ de ‘Uma Palavra’, disco de 1995 que é pouco lembrado, pois foi gravado sem músicas inéditas e antes de Chico se retirar para escrever o romance ‘Benjamim’.

Seis faixas estão na caixa, além de uma versão de ‘Tanto Amar’ que não entrou no CD.

Há escolhas que justificam o ‘Essencial’, como ‘Choro Bandido’, ‘Futuros Amantes’, ‘Valsa Brasileira’ e ‘Tatuagem’ no CD 2, e ‘Pedro Pedreiro’, ‘O Meu Guri’, ‘Trocando em Miúdos’ e ‘Bye Bye Brasil’ no 3. Mas há, pelo menos, uma ausência lastimável: ‘Eu te Amo’ -aliás, não há nenhuma parceria com Tom Jobim no conjunto.

A caixa se completa com o DVD ‘Chico ou o País da Delicadeza Perdida’, em que ele e sua obra são a base para os diretores Walter Salles e Nelson Motta falarem do Brasil.

CHICO BUARQUE – ESSENCIAL

Gravadora: SonyBMG

Quanto: R$ 113, em média (4 CDs e 1 DVD)’

SAMBA
Folha de S. Paulo

Jamelão, o intérprete da Mangueira, morre aos 95

‘Se o samba está certo, ‘a Mangueira não morreu nem morrerá’, mas emudeceu. Com nome de árvore como o da sua escola, Jamelão morreu ontem, aos 95, de infecção generalizada. Ele estava internado desde quinta-feira na clínica Pinheiro Machado, na zona sul do Rio.

José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, deixa mulher, filha e dois netos. O enterro está marcado para hoje, às 11h, no cemitério São Francisco Xavier, na zona portuária. A Mangueira divulgou nota de luto e informou que fará no próximo sábado um tributo a ele.

Em 2006, Jamelão sofreu dois derrames e teve de abandonar a carreira. Passou a ser atendido por uma equipe médica em casa, em Vila Isabel (zona norte), precisando de internações em curtos períodos.

Além de ser unanimidade como o melhor intérprete de sambas-enredo da história, comandando a Mangueira na avenida por mais de 50 anos, Jamelão foi um dos grandes cantores românticos do país. A obra de Lupicínio Rodrigues era uma especialidade sua, e o compositor gaúcho nunca escondeu sua preferência pela voz do artista carioca.

À Estação Primeira de Mangueira Jamelão chegou levado por Lauro Santos, o Gradim, um dos principais compositores da escola. Com seu vozeirão, assumiu o posto de intérprete no início da década de 50, para só deixá-lo quando o corpo não permitiu mais.

Jamelão deu outro status à função de puxador de samba, classificação que odiava. ‘Puxador é quem fuma maconha ou rouba carro’, dizia. Unia um grande profissionalismo, que o fazia exigir ser chamado de ‘intérprete’, ao amor pela escola, a qual não abandonou nem quando considerava horrível o samba que tinha de cantar.

A cada entrada sua na avenida, era ovacionado pelo público. Nada que abalasse seu mau humor crônico. ‘Rir de quê?’, disse certa vez em entrevista à Folha, quando questionado por que não ria. ‘Prêmio não paga conta’, gostava de falar, despachando os repórteres que lhe telefonavam para repercutir alguma homenagem.

Embora se queixasse da falta de reconhecimento para artistas populares como ele, não gostava de muita bajulação. São célebres duas recusas suas a fãs que queriam beijá-lo: ‘Não beija minha mão porque não sou pai-de-santo’; ‘Não [pode beijar]! Não sei onde você andou com essa boca’.

Tão rabugento quanto carismático, de voz tão forte quanto macia, Jamelão morre sem deixar substitutos na Mangueira, no samba, na música.

Repercussão

Ontem, sambistas lamentavam o falecimento do colega. Na opinião de Nelson Sargento, a perda é irreparável. ‘Um artista como o Jamelão todo mundo sente falta. Neste ano, ele não pôde estar presente no desfile e o povo inteiro gritava: ‘Cadê o Jamelão?’ Quando a população procura por um artista é porque ele é realmente importante.’

Para Monarco, da Velha Guarda da Portela, ele era a voz do Brasil. ‘Diziam que Jamelão era mal-humorado, mas no samba era só felicidade. Era a maior voz do Brasil e o orgulho do mundo do samba, que acordou hoje [ontem] mais triste.’

A cantora Beth Carvalho lamentou. ‘É um grande intérprete. Trabalhou como copista, o cara que copia a partitura para distribuir para cada instrumento. Sabia música.’

Zeca Pagodinho lembrou da influência de Jamelão sobre os sambistas. ‘Todo mundo que é do samba cresceu ouvindo Jamelão. Na minha casa, um dia ele cantou oito horas. Gostava muito do jeitão invocado dele.’’

 

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