Terça-feira, 25 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 2 E 3/8

Folha de S. Paulo

05/08/2008 na edição 497

RESENHA / O VENCEDOR ESTÁ SÓ
Eduardo Simões

A magia do marketing

‘Os livros de Paulo Coelho podem até não ser tão mundialmente famosos quanto os da série ‘Harry Potter’. Mas a figura do escritor é de longe mais notória que a de sua colega de encantamentos, a escocesa J.K. Rowling. Por quê? Simplesmente porque é quase impossível dissociar a figura do mago de sua própria obra. Coelho é personagem principal das ações de marketing que empreende mundo afora.

O corpo-a-corpo com leitores em livrarias, feito em aparições-relâmpago, tem dado lugar a encontros virtuais. Em seu blog, o escritor pediu aos fãs que postassem fotos com seus livros favoritos. Também foi na internet que promoveu um concurso para um filme colaborativo, a partir de seu romance ‘A Bruxa de Portobello’.

Há um mês, Coelho virou nome de rua em Santiago de Compostela, fruto de sua peregrinação pelo famoso caminho da cidade. Hoje, chega às livrarias, com 200 mil cópias (e propaganda em jornais, revistas, cinemas, rádios, ônibus e internet), seu 12º romance, ‘O Vencedor Está Só’, que se passa no Festival de Cannes -onde ele esteve em maio para leiloar um manuscrito, com direito a dancinha com a atriz Natalie Portman.’

 

Eduardo Simões

‘Bruxa de Barcelona’ orienta Coelho

‘As bem-sucedidas ações de promoção que cercam Paulo Coelho valeram uma menção na recém-lançada biografia ‘O Mago’, do jornalista Fernando Morais. O livro trouxe à tona um personagem pouco conhecido da trajetória de Coelho, a carioca Mônica Antunes, 39, sua agente desde 1990, e que representa o escritor -e somente ele- em 160 países. Segundo Morais, em entrevista acerca de marketing, Mônica teria dito que ‘nove entre dez idéias geniais do Paulo dão errado’. O jornalista pediu um exemplo.

‘Ela contou o que me parece um ‘case’ eloqüente, que é a história de mandar ‘envelopar’ os ônibus de Paris com a capa de ‘Veronika Decide Morrer’. De todos os livros dele, ‘Veronika’ foi o que teve o pior desempenho na França. Um desastre atribuído à ‘sabonetização’ do livro, para a qual os franceses torceram o nariz’, diz Morais. ‘Sem nenhuma dúvida, a grande maga da carreira do Paulo é a Mônica. Não por acaso, ela, com aquele ar angelical, é conhecida no mundo editorial como ‘a bruxa de Barcelona’.’

Dança com famosos

Em maio deste ano, Coelho esteve pelo que calcula ser a quinta vez no Festival de Cannes, que serve de pano de fundo para seu novo romance, ‘O Vencedor Está Só’. Uma foto sua no tapete vermelho ilustra o material de promoção do livro, cujo manuscrito ele leiloou por US$ 243 mil na Croisette, dinheiro doado a uma associação beneficente. ‘Tem uma foto minha dançando com a Natalie Portman. Você pode achar isso aí facilmente em arquivo’, conta o escritor (veja ao lado).

O jornalista Paulo Roberto Pires, editor de Coelho em sua estréia na Agir, diz que o escritor é ‘muito consciente de todo o processo’ que envolve seus livros, da publicação à promoção. ‘Mas acho que é um time que trabalha junto. O Paulo e a Mônica são muito complementares, ele dá muitas idéias.’

O escritor, cujos demais livros pertencem ao catálogo da editora Planeta do Brasil, aceitou lançar o novo romance pela Agir seguindo orientação da agente. Mas não pisca quando o assunto é sua carreira e o peso mercadológico do lançamento.

‘Nunca assinei, na minha vida, um contrato de um livro que eu já não tivesse escrito’, afirma Coelho. ‘Claro que o sonho dos editores é assinar os próximos três ou quatro livros. Mas o que faz o nosso poder de negociação na saída, no lançamento de um livro, ser muito grande é que nunca há a garantia do próximo’, afirma Coelho.

Quanto a idéias de marketing, o escritor tende a concordar com a avaliação de Mônica, que aparece na biografia de Fernando Morais. ‘Ela acha que eu sou uma nulidade. E eu estou convencido de que sim.’

Coelho diz que Mônica o orientou a focar em duas coisas ligadas à sua promoção em 2008: a marca dos 100 milhões de exemplares vendidos, que será comemorada com uma festa para 500 convidados, 39 deles editores do escritor, em outubro, durante a Feira de Frankfurt, na Alemanha. E também os 20 anos de publicação do ‘Alquimista’.

‘Ela fez as editoras publicarem a versão comemorativa do 20º aniversário. Acompanhada de uma exposição itinerante das capas em todas as línguas’, conta o escritor, cuja exposição já passou pela Espanha e pela Itália, e viaja neste segundo semestre para Alemanha, Noruega e México.

Banda larga

A internet é uma das principais ferramentas de promoção da imagem e obra de Paulo Coelho. Em seu blog, ele pediu que seus fãs postassem fotos segurando seus livros favoritos. Em junho, ele começou a promover no site de relacionamentos MySpace um concurso em que fãs farão um filme colaborativo, a partir de seu romance ‘A Bruxa de Portobello.’

‘Mas isso não foi idéia de marketing’, defende o escritor. ‘A Mônica disse ‘a gente vai vender mais 2.000 mil livros’. Acho que ela tem razão, mas é uma coisa que eu estou a fim de fazer, como a pirataria de meus livros que eu estimulei. Eu tenho essas boas idéias, mas muito mais derivadas do prazer do que do marketing.’

Mônica Antunes diz que acha genial a presença de seu agenciado na internet, mas não vê as ações no mundo virtual como uma ‘possibilidade direta de promoção das vendas dos livros’. ‘É um caminho interessante, e o Paulo tem um interesse genuíno’, diz a agente, que relativiza também o poder de fogo da chamada ‘bruxa de Barcelona’.

‘Acho que a dupla funciona muito bem. Eu estudei engenharia e o Paulo é um artista. Juntos chegamos em algum ponto no meio’, diz Mônica.’

 

 

 

Marcelo Coelho

Autor deixa sabedoria árabe e auto-ajuda para escrever thriller sobre celebridades

‘Quem gosta dos livros de Paulo Coelho provavelmente não se interessa por resenhas rabugentas. Quanto aos que não gostam, devem estar cansados de críticas repetindo o que se sabe. A sorte é que ‘O Vencedor Está Só’ ajuda um pouco o resenhista a fugir dessa situação. Sem insistir demais em sabedoria árabe e auto-ajuda, Paulo Coelho escreveu um thriller sobre o mundo das celebridades, coisa que afinal conhece. A ação se passa durante um único dia, em pleno Festival de Cannes; aspirantes a modelo, distribuidores, atores, seguranças e magnatas se cruzam num ambiente de luxo desbragado e profissionalismo atroz, cuja futilidade o romancista se propõe a desmascarar. O foco narrativo se alterna a cada capítulo, mas o personagem principal da trama é um milionário russo, um ‘católico ortodoxo’, na qualificação algo bizarra do autor. Tal fé não impede suas disposições assassinas. Igor -este o nome do protagonista- aparece em Cannes com um arsenal de dar inveja a 007 e o minucioso plano de tornar-se um serial killer, como Jack o Estripador. Ou, em mais uma qualificação bizarra de Paulo Coelho, como Adolf Eichmann. Felizmente, Igor não precisará de tantos assassinatos quanto os seis milhões organizados pelo genocida nazista para buscar seu objetivo: o de mandar uma ‘mensagem’ à mulher que o abandonou. Diga-se que a lógica do estratagema de Igor é em todo caso mais clara do que a exposição de seus conflitos interiores. Seja como for, este romance tem muita ação, e não é tarefa impossível sobreviver aos clichês que comparecem a cada capítulo e ao desajeitamento sintático de inúmeros parágrafos. Menos edificante do que seria de esperar, ‘O Vencedor Está Só’ também tem a seu favor o fato de mostrar, com algum detalhe didático, como funcionam os esquemas da lavagem de dinheiro, da organização de eventos glamurosos, do tráfico de diamantes e da produção cinematográfica. O didatismo às vezes é exagerado: Coelho (nenhum parentesco com o autor desta resenha) explica o que é anorexia, o que é curare, o que é um desfibrilador cardíaco. Mas também informa que os jamaicanos têm fama de serem imbatíveis no sexo, e que em vez de cigarros de maconha os antenados agora consomem o seu princípio ativo, o THC, misturado com óleo de gergelim. O olhar aparentemente desencantado que Paulo Coelho dirige ao mundo das celebridades contrasta com a convicção, quase transparente nas suas frases, de que o sucesso é conseqüência, sobretudo, de esforço honesto e dedicação profissional. Pode-se reagir com alguma incredulidade a assertivas desse tipo; mas Paulo Coelho já se mostrou capaz de despertar incredulidades bem mais intensas do que nesta sua, digamos, nova encadernação.

O VENCEDOR ESTÁ SÓ

Autor: Paulo Coelho

Editora: Agir

Quanto: R$ 39,90 (400 págs.)

Avaliação: regular’

 

 

MERCADO EDITORIAL
Marcos Strecker

Editora Globo pede indenização em caso de plágio

‘Mais uma editora está pedindo indenização da Nova Cultural pelo plágio em traduções. Agora é a editora Globo que está exigindo indenização por danos materiais e morais, ainda em caráter extrajudicial, sobre cinco edições plagiadas, incluindo duas traduções do poeta gaúcho Mario Quintana (1906-1994).

Pela mesma razão a editora gaúcha L&PM entrou com processo contra a Nova Cultural em maio passado. A L&PM havia comprado os direitos e relançado edições de ‘Divina Comédia’ e ‘Madame Bovary’, cedidas pela Nova Cultural com falsa atribuição de tradutores. No mesmo mês, o crítico literário Luiz Costa Lima também notificou extrajudicialmente a Nova Cultural, e está exigindo indenização pelo plágio de sua tradução de ‘O Vermelho e o Negro’, originalmente publicada em 1969 pela antiga editora Brughera.

Todos os casos foram noticiados pela Folha. Até o momento, são contestados 22 títulos da Nova Cultural, publicados na sua coleção ‘Obras-Primas’ entre 1995 e 2002.

No caso da Globo, as edições são ‘Tom Jones’ (de Henry Fielding, trad. Octavio Mendes Cajado); ‘Lord Jim’ (de Joseph Conrad, trad. Mario Quintana); ‘O Vermelho e o Negro’ (de Stendhal, trad. Casemiro Fernandes & Souza Jr.); ‘Contos’ (de Voltaire, trad. Mario Quintana) e ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ (de Emily Brontë, trad. de Oscar Mendes). Todos foram publicados pela Nova Cultural atribuindo a tradução a outros nomes.

Segundo Joaci Pereira Furtado, coordenador da Globo Livros, ‘Globo e Nova Cultural estão acertando acordo extrajudicial em que a primeira deverá ser indenizada por danos materiais e morais, além de a segunda retirar de circulação, imediatamente, todas as obras referidas acima. As duas editoras estão negociando valores’.

Marco Túlio de Barros e Castro, do Weikersheimer & Castro, escritório que representa o crítico Luiz Costa Lima, diz que, no caso de ‘O Vermelho e o Negro’, três providências estão sendo solicitadas à Nova Cultural. Além do pagamento de indenização e da suspensão da comercialização, será exigida a publicação de uma retratação pública na imprensa.

ABL

O plágio da tradução dos contos de Voltaire tinha sido apontado pela Folha em 15/12/07. Após a divulgação do caso, um grupo de tradutores, reunidos no site http://assinado-tradutores.blogspot.com, organizou um abaixo-assinado que já conta com 421 nomes. O grupo conseguiu o apoio da Academia Brasileira de Letras. Cícero Sandroni, presidente da entidade, enviou carta à coordenação do grupo dizendo que a ABL vê com ‘grande preocupação’ os casos noticiados.

Outro lado

A Nova Cultural afirma que já suspendeu a venda das 22 obras suspeitas e disse que está procurando as editoras e os tradutores afetados. Solicitada a informar quais editoras ou profissionais foram procurados, informou apenas que ‘este processo continua, caminha bem e será finalizado até o final do mês de agosto, pois é composto de várias etapas, ocasião em que a Nova Cultural voltará a se pronunciar sobre o assunto’.’

 

TELEVISÃO
Folha de S. Paulo

‘Pantanal’ volta a bater a Globo em audiência

‘A série ‘Casos e Acasos’, da Globo, perdeu em audiência para a reprise da novela ‘Pantanal’, no SBT, durante quatro minutos e ficou empatada por um minuto. Essa foi a informação divulgada pela assessoria do SBT. Já a Globo, ao ser questionada, admitiu ter ficado em segundo lugar durante sete minutos e não quatro.

Na média geral, ‘Pantanal’ registrou 16 de média contra 25 da Globo. Exibida em 1990, na Manchete, ‘Pantanal’ tem obtido os melhores ibopes do SBT e ajudado a rede a se recuperar da crise que enfrenta com o crescimento da Record. A novela foi dirigida por Jayme Monjardim, também diretor de núcleo de ‘Casos e Acasos’.

Essa foi a segunda vez que a série da Globo perdeu durante alguns minutos para ‘Pantanal’.’

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