Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
Menu

ENTRE ASPAS >

Folha de S. Paulo

22/09/2009 na edição 556

POLÍTICA
Clóvis Rossi

Esculhambação no ar

‘SÃO PAULO – Estão no ar cenas explícitas da esculhambação total que é a política brasileira. De quebra, acompanham-nas cenas igualmente explícitas de como a liberdade da internet -inevitável e necessária- também pode contribuir para o esculacho. Refiro-me aos filmetes de propaganda partidária, quase anônimos, que foram ao ar em horário nobre pelo menos ontem e anteontem.

São na verdade panfletos contra o governo federal. Um acusa-o de cobrar dos estudantes o pagamento do crédito educativo, ao mesmo tempo em que dá bilhões aos banqueiros e até a países vizinhos.

O outro ataca também o agronegócio, a pretexto de defender o que seriam os ‘verdadeiros ruralistas’, leia-se ‘a agricultura familiar’.

Os panfletos não levam assinatura, mas remetem para diferentes endereços de internet. Aí é que digo que a internet contribui para a esculhambação. Qualquer um cria sua página e, a partir dela, sente-se livre para alvejar quem quer que seja. No momento, a vítima é o governo Lula. Amanhã serão outros, sem a menor dúvida.

Nada contra criticar o governo, qualquer governo. É o mais saudável dos exercícios. Mas, primeiro, é preciso botar o nominho nas críticas, até para que possa haver uma interlocução entre crítico e criticado ou para que este possa cobrar indenização quando a crítica ultrapassa os limites e vira ofensa.

O segundo ponto da esculhambação vem segundos após os filmetes: aparece a bandeira do PTB e a voz de um locutor chamando para um prêmio Ivete Vargas. Só quem presta muita atenção deduz que os panfletos devem ser também do PTB porque a voz é a mesma.

Ajuda-memória: o PTB é da base de apoio ao governo e um de seus expoentes, o ministro José Múcio, é também expoente do agronegócio, tratado como criminoso. Macunaíma ainda vai virar politicamente correto.’

 

Fernando Rodrigues

A web ainda restrita

‘BRASÍLIA – Para dirimir dúvidas e mal-entendidos, é importante registrar que não foi aprovada pelo Congresso a liberdade absoluta para a internet na eleição de 2010.

Dois pontos chamam a atenção. O primeiro está no artigo no qual supostamente tudo fica liberado: ‘É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores -internet-, assegurado o direito de resposta’. O problema é o aposto.

Vedar o anonimato é bonito. Todos querem conhecer os covardes responsáveis pelos comentários vitriólicos nos sites e blogs. Só há um obstáculo: ninguém na galáxia descobriu como viabilizar tal exigência. É impossível checar se quem deixa um comentário usa identidade verdadeira.

O anarquista com seu laptop numa rede wifi gratuita nunca será apanhado. Outra inutilidade seria os próprios sites e blogs exigirem cadastramento prévio de quem pretender deixar comentários. O vândalo fraudará o cadastro usando um e-mail falso.

A única solução viável para vedar o anonimato será portais, sites e blogs políticos bloquearem espontaneamente todos os comentários.

Será o fim da interação, algo incompatível com internet livre.

Outro aspecto macabro da lei eleitoral é obrigar a web a seguir as regras do rádio e da TV para debates. Os encontros aí se transformam num trem fantasma de candidatos inexpressivos e sem voto. Há algo pior. Como a lei é omissa sobre entrevistas em áudio e vídeo na web, a regra dos debates poderá ser invocada por analogia. Quando um político assistir a seu adversário falando na internet, entrará na Justiça requerendo o mesmo direito.

De novo, uma exigência legal sem conexão com liberdade de escolha na internet.

Lula tem até o dia 2 de outubro para sancionar a lei. É uma chance de ouro para vetar essas anomalias e colocar o Brasil no século 21.’

 

Maria Clara Cabral e Fábio Zanini

Com internet livre, partidos já preparam campanha na web

‘Com a liberação das campanhas na internet aprovada pelo Congresso, os partidos se preparam para investir na rede visando 2010, e alguns reclamam da timidez da nova legislação. Os objetivos são aumentar a arrecadação entre pessoas físicas, agora que a doação por meio da internet está autorizada, além de ganhar filiados e adeptos.

O PMDB lança em outubro sua nova página na internet. A aposta é a interatividade, possibilitando que os filiados participem de uma comunidade própria, nos moldes do Orkut. Outro investimento é fazer com que vídeos e rádios na web alcancem todas as regiões.

O partido já contratou sete profissionais com experiência na área e quer aumentar ainda mais a sua equipe. Na coordenação das mudanças está o deputado Eliseu Padilha (RS).

‘A internet vai ser várias vezes mais importante nesta eleição do que nas anteriores. Eu diria que não cem vezes mais, mas 500’, diz o deputado.

O PT, um dos primeiros no Brasil a usar a internet em larga escala, termina a construção de um estúdio, compra equipamentos e deve contratar uma empresa para formar até o fim do ano uma rede de TV e rádio transmitindo pela internet. A ideia é oferecer o material gratuitamente a rádios e emissoras do interior do país.

‘Não posso revelar quanto custa, mas adianto que não é pouco’, diz o tesoureiro petista, Paulo Ferreira. O partido também avalia como massificar as doações. ‘A lei criou uma burocracia desnecessária ao exigir que os partidos deem recibos para as doações online. O CPF ou CNPJ informado pelo doador já seria suficiente.’

Sobre as doações, o secretário de Comunicação do PV, Fabiano Carnevale, avalia que a lei no Brasil, mesmo com as mudanças aprovadas, é ainda muito restrita em comparação com a dos EUA. ‘As doações só podem começar quando a campanha começar, por exemplo.’

O partido está profissionalizando a sua equipe de internet e começou a mandar duas pessoas (um câmera e um técnico) para fazer cobertura on-line de eventos do partido pelo país.

Além do investimento nas novas ferramentas, a direção do PSDB também se dedica a aprender mais sobre as novas regras aprovadas pela Câmara.

Um dos maiores desafios, segundo Eduardo Graeff, tesoureiro da legenda, vai ser aprender a lidar com as doações on-line. ‘Estávamos em compasso de espera, agora vamos começar a aprender sobre isso. Acho que a reforma aprovada no Congresso vai dar uma margem razoável para usarmos novas ferramentas’, disse Graeff.

Rede conjunta

O DEM conversa com o marqueteiro Luiz Gonzalez (ex-José Serra e Gilberto Kassab) sobre a criação de uma rede de TV pela web conjunta com os parceiros da oposição -PSDB e PPS. ‘É uma forma de nos contrapormos à máquina de propaganda do governo’, diz o presidente da sigla, Rodrigo Maia.

A rede, em seus planos, estaria no ar em novembro, em endereço eletrônico próprio. ‘O candidato não vai deixar de ir às ruas, mas terá que se preocupar muito mais com sua equipe de informática’, afirma Maia.

A aposta do PSB, do pré-candidato Ciro Gomes (CE), é um canal no YouTube, que deve estar no ar em breve. O site do partido também será reformulado. À frente da comunicação do PSB está o publicitário Edson Barbosa. ‘A sociedade está muito mais vinculada à rede. Gosto de ressaltar sempre que o conteúdo continua sendo o que mais importa’, pondera.’

 

EDUCAÇÃO
Larissa Guimarães

Curso de jornalismo terá mais prática e estágio obrigatório

‘O curso de jornalismo deverá ter foco maior na parte prática, com exigência de estágio obrigatório nos últimos anos da graduação. Isso deverá ampliar a carga horária em 500 horas/aula a mais, mas o curso continuará tendo duração de quatro anos.

As mudanças foram anunciadas ontem por uma comissão de especialistas em ensino de jornalismo, formada em fevereiro passado para discutir as novas diretrizes curriculares. A proposta foi entregue ontem ao Ministério da Educação.

As novas diretrizes chegam três meses após o Supremo Tribunal Federal derrubar a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Após o MEC revisar a proposta, o texto será enviado ao CNE (Conselho Nacional de Educação). As atuais diretrizes do curso, que existe desde 1947 no Brasil, são de 2001.

Foram propostos seis eixos de conhecimento, que priorizam a prática, segundo o presidente da comissão, José Marques de Melo.

O curso não poderá mais ser uma habilitação dentro de Comunicação Social.

O ministro Fernando Haddad disse que independentemente da obrigatoriedade do diploma, a graduação precisava ser atualizada. ‘A questão da obrigatoriedade [do diploma] não é de nossa alçada. Nosso assunto é a formação’. ‘A intenção é revalorizar o diploma’, disse Melo.

Para o presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, a nova proposta deverá modernizar o curso.’

 

AMÉRICA LATINA
Fabiano Maisonnave

Perseguição à mídia pauta fórum em Caracas

‘A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) escolheu a capital da Venezuela, país que considera uma fonte de irradiação de perseguição à mídia na região, para realizar ontem seu Fórum de Emergência sobre Liberdade de Expressão, convocado ‘com um forte chamado para recuperar espaços democráticos e de liberdade de imprensa em países com governos autoritários populistas’, em clara alusão a Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina.

‘Decidimos fazer o fórum de emergência porque é um problema sério em muitos países da América Latina. Escolhemos Caracas porque é daqui que está saindo a tônica que outros países têm repetido’, disse à Folha o vice-presidente da SIP, o guatemalteco Gonzalo Marroquín.

Apesar de as críticas terem predominado no encontro, um dos participantes, o ex-presidente boliviano Carlos Mesa (2003-2005), remou um pouco contra a corrente ao advertir os integrantes da SIP dos riscos de os meios de comunicação da região assumirem o papel de partidos de oposição.

‘Quando um meio, diante da falta de partidos políticos, tem de fazer o que os partidos não podem fazer, perde o equilíbrio e a objetividade’, disse Mesa durante o encontro, que reuniu representantes de jornais, rádios e TVs filiados à SIP e entidades do setor.

Ao lado do ex-presidente peruano Alejandro Toledo (2001-2006), Mesa foi o convidado ilustre do fórum. Também estava prevista a participação do ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda, um duro crítico do governo Chávez. Ele, no entanto, cancelou a sua participação alegando ‘razões de segurança’, segundo a organização.

Mesa, ex-proprietário da rede de TV PAT, fez o pronunciamento mais comentado do encontro ao realizar uma autocrítica em vez de ataques diretos a Chávez e aliados.

Segundo o boliviano, se os meios de comunicação se confundirem com partidos, ‘não poderão enfrentar mecanismos de totalitarismo disfarçados de democracia porque os meios não têm o poder de enfrentá-los mediante leis que não são desenhadas por eles’.

Já Toledo seguiu o tom predominante do encontro, com duras críticas aos governos acusados de cercear a liberdade de expressão. O peruano felicitou a SIP por fazer o encontro ‘na própria boca do lobo’ e afirmou que ‘nunca se pode governar democraticamente sendo contra a imprensa’.

Sobre as críticas de Mesa, Marroquín afirmou que muitos meios de comunicação acabam funcionando como partidos políticos em decorrência da debilidade destes. ‘Mas esse papel pode ser feito de uma maneira positiva ou negativa para a própria imprensa e para a liberdade de expressão.’

Ao longo do encontro, representantes de entidades nacionais de meios de comunicação criticaram ações consideradas contrárias à liberdade de expressão, como o projeto de lei em tramitação na Argentina, que reduz o tamanho de conglomerados de mídia e é visto como retaliação do governo Cristina Kirchner ao jornalismo crítico do Grupo Clarín.

Sobre a Venezuela, foram lembrados o fechamento de 34 emissoras de rádio, sob a alegação de que funcionavam ilegalmente, e a ameaça de fechamento da TV Globovisión, o mais importante meio crítico a Chávez desde o fim da concessão da RCTV, em 2007.

A situação brasileira foi exposta pelo diretor-executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira. Ele afirmou que, no momento, o país está em melhor situação que os seus vizinhos, mas expressou preocupação com decisões judiciais que exercem, segundo ele, ‘censura prévia’.

Como é de praxe, a SIP foi duramente criticada pelo governo Chávez. A ministra das Comunicações disse que o encontro faz parte de uma campanha do ‘império’ contra ‘governos progressistas’.’

 

***

‘Lógica não é a mesma de luta antiditaduras’

‘O ex-presidente boliviano e ex-dono da emissora de TV PAT Carlos Mesa, 56, fez dura crítica aos meios de comunicação e à oposição em países como Venezuela e Equador.

FOLHA – O sr. afirma que as ameaças à liberdade de expressão vêm hoje de governos democraticamente eleitos. Por que existe esse paradoxo?

CARLOS MESA – O problema dos políticos e dos meios de comunicação que estão em confronto com esses governos autoritários é que seguem pensando com a mentalidade preexistente, partindo do pressuposto de que estão contra ditaduras quando se trata de ditaduras eleitas e, portanto, não são ditaduras. Têm tendências autoritárias? Sim. Mas não serão derrotados como ditaduras militares porque o fenômeno é diferente. É preciso reconquistar o eleitor. Senão, não haverá vitória.

FOLHA – O sr. criticou meios de comunicação que teriam passado a cumprir o papel de partidos políticos. Quais os riscos dessa tendência?

MESA – É urgente a construção de um sistema de médio prazo que não passa por ganhar eleições nem derrotar o governo de turno. É essa armadilha na qual caíram alguns partidos na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Não há projeto, não há estrutura, não há nada. Isso é uma luta de reconstrução de longo prazo, que deve ser combinada com os meios de comunicação para que estes transfiram o espaço de atividade política aos políticos.

O desafio parece impossível de resolver. Pela via não democrática, é impossível. Em 2008, houve uma lógica da oposição boliviana que pretendia derrubar Evo Morales. Não o derrubou e ainda perdeu toda a sua força, além de dar argumentos para que Morales dissesse ao mundo que queriam derrocá-lo, quando ele é um homem autoritário. É um processo lento, de mudança de mentalidade. Se seguirmos com o discurso de vítimas de ditadores, estaremos perdidos.

FOLHA – No Brasil, rádios e TVs muitas vezes estão em mãos de políticos e seus aliados. Na Bolívia, a sua carreira política se deve muito à projeção que teve na emissora da qual era dono. Como deveria ser a regulamentação para a fronteira entre meios de comunicação e política?

MESA – É uma linha muito difícil de discernir. Alguém que, como eu, esteve 23 anos durante uma hora todas as noites nas casas de 1 milhão de pessoas num país de 10 milhões obviamente tem um nível de conhecimento maior do que um carpinteiro.

A realidade é que os meios defendem interesses que vão além do interesse coletivo. Se não se reconhecer isso, estaremos enganando a nós mesmos.’

 

Silvana Arantes

Argentina importa método venezuelano, diz antichavista

‘O trâmite do projeto de lei de mídia do governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, aprovado pela Câmara na quinta, ‘é um método exportado pelo governo da Venezuela’, na opinião do vereador venezuelano Freddy Guevara.

‘Embora as realidades dos dois países sejam distintas, vejo muitas semelhanças, como o fato de as leis terem nome e sobrenome [a da Argentina seria um ataque ao Grupo Clarín], visarem a temporalidade [um suposto benefício ao casal Kirchner nas eleições de 2011] e serem aprovadas na madrugada [a Câmara sancionou o projeto à 1h15 da última quinta]’, disse.

Guevara preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Caracas e esteve em Buenos Aires nesta semana, em tentativa de convencer os países do Mercosul a pressionarem o governo Hugo Chávez a receber a Comissão Interamericana de Direitos Humanos para um monitoramento na Venezuela.

Ele se reuniu com a deputada Silvana Giudici (UCR), que preside a Comissão de Liberdade de Expressão da Câmara dos Deputados argentina e é contra o projeto de lei de mídia do governo Cristina.

‘Eu avisei a ela: Não se enganem pensando que aqui os meios de comunicação [independentes] são fortes e não acontecerá o mesmo que na Venezuela. Esses governos aprendem a usar métodos institucionais para legalizar o horror’, disse Guevara à Folha.

Com o objetivo de ‘desmonopolizar o setor’, o projeto de Lei de Serviços Audiovisuais fixa limites de concessões audiovisuais para uma mesma empresa; impede a exploração simultânea de canais a cabo e abertos; impõe limites de assinantes aos operadores de cabo; concede a ONGs o mesmo percentual das concessões audiovisuais do setor comercial. O projeto será votado no Senado.

Críticos do documento já haviam apontado suposta semelhança entre a iniciativa de Cristina, que é acusada de haver recebido contribuição ilegal da Venezuela para sua campanha presidencial, e a relação de Chávez com a imprensa.

Chávez comprou títulos da dívida pública argentina e estatizou a siderúrgica Sidor, que tinha capital de origem argentina, pela Techint, cujos proprietários reclamaram de omissão da Casa Rosada.’

 

TELEVISÃO
Janaina Lage

Em horário nobre, Leno estreia novo velho show

‘Jay Leno chegou ao horário nobre da televisão americana com audiência de 18,4 milhões de espectadores na estreia, na última segunda. Apesar do horário novo, a crítica avalia que o apresentador está de volta com uma fórmula velha.

O formato do ‘The Jay Leno Show’, de fato, repete boa parte do que o espectador já via no ‘Tonight Show’, programa exibido às 23h30, em que Leno foi campeão de audiência durante 15 dos seus 17 anos de participação. O novo programa tem o mesmo jeito consagrado de piadas e entrevistas.

Marcado para as 22h, o programa de Leno é uma aposta da NBC de que as grandes redes de TV americanas precisam rever sua atuação. A rede está em quarto lugar na audiência e nos últimos anos não produziu nenhuma série cômica ou dramática de grande repercussão.

Segundo a ‘Time’, o novo velho show de Leno pode representar o futuro da televisão, onde as séries de TV ficariam a cargo dos canais a cabo. As grandes redes se concentrariam em produtos de menor custo e programas ao vivo e de esportes. A audiência do show é acompanhada de perto pela indústria, que teme que outras redes sigam o exemplo e optem por produções mais em conta.

Leno concorre diretamente com diversos seriados de sucesso, como ‘CSI Miami’ e ‘CSI New York’, além de ‘Private Practice’ (série que surgiu a partir de ‘Grey’s Anatomy’) e dos reality shows ‘Top Chef’ e ‘Project Runway’.

Após uma série de críticas negativas, já no segundo dia a audiência do programa caiu mais de 40% e ficou em 10,7 milhões de espectadores. Mesmo assim, Leno foi o primeiro colocado no horário e desbancou o final da temporada do ‘Big Brother’, exibido pela CBS. Na última quarta, começou a se recuperar reunindo uma audiência de 13,1 milhões de pessoas.

Na estreia, o apresentador ainda contou com sorte. O cantor Kanye West havia sido escalado com antecedência para o primeiro programa. Na noite anterior, arrumara confusão durante a entrega do Video Music Awards, da MTV. Quando a cantora Taylor Swift agradecia pelo prêmio recebido, ele tomou o microfone de suas mãos e disse que Beyoncé deveria ter sido a vencedora.

Em um país que ainda se recupera do grito do deputado Joe Wilson de ‘você mente’ em meio a um discurso do presidente Barack Obama ao Congresso, a grosseria ganhou ampla repercussão. Obama disse que o cantor se comportou de maneira inadequada e que era ‘um idiota’. West, entre lágrimas, pediu desculpas no programa de Leno.

O primeiro show teve ainda uma entrevista com o comediante Jerry Seinfeld, que contou sobre a reunião do elenco de ‘Seinfeld’ na nova temporada de ‘Curb Your Enthusiasm’.’

 

Folha de S. Paulo

DeGeneres é nova jurada de ‘American Idol’

‘A atriz, apresentadora e comediante norte-americana Ellen DeGeneres foi confirmada como a nova jurada do reality show ‘American Idol’.

Com a saída da cantora e dançarina Paula Abdul, pouco antes do início da nona temporada da série, o programa adotou um esquema de juízes convidados, entre os quais as cantoras Mary J. Blige e Shania Twain.

DeGeneres, que apresenta o ‘The Ellen DeGeneres Show’, anunciou que vai conciliar suas duas funções. Ela passa a ser a quarta jurada do programa, fazendo companhia a Randy Jackson, Kara DioGuardi e Simon Cowell -também responsável por ‘Britain’s Got Talent’, que descobriu a cantora Susan Boyle.’

 

***

Cultura vai exibir atrações do Discovery

‘A TV Cultura estreia amanhã, às 19h, a faixa ‘Mundo Cultura Discovery’, fruto de parceria assinada entre as duas emissoras. Pelo acordo, a Cultura exibirá diariamente programas produzidos pelo grupo Discovery.

Inicialmente válido até o fim de 2009, o acerto prevê a exibição da primeira temporada de ‘Maravilhas da Natureza’, ‘Mega Construções’, ‘Discovery Atlas’ e ‘Trabalho Sujo’. O seriado ‘Pesca Mortal’ começará a ser transmitido por sua segunda temporada.

A parceria não estabelece a elevação dos índices de audiência da Cultura. André Rossi, gerente do Discovery, diz que coproduções podem ser discutidas para 2010.’

 

MERCADO CULTURAL
Ana Paula Sousa e Thiago Ney

Cultura refém

‘Se, numa canetada, acabassem os incentivos fiscais destinados à cultura, os palcos brasileiros esvaziariam. Mesmo aqueles ocupados por artistas que, na discussões sobre a nova Lei Rouanet, têm sido definidos como ‘consagrados’. As bilheterias sozinhas, salvo exceções, não pagam peças, shows e filmes feitos no país. O mercado da cultura brasileiro não é autossustentável.

‘O artista famoso precisa de lei’, crava Sergio Ajzemberg, que trabalha com marketing cultural. ‘Existe um circuito fechado de artistas que vivem de Lei Rouanet’, diz Juca Muller, produtor de shows nacionais (Detonautas) e internacionais (Earth Wind & Fire). ‘As empresas querem associar suas marcas aos grandes nomes, não a desconhecidos.’ As leis, além de tornarem mais visível quem já tem nome, inflaram os custos e agigantaram o mercado cultural. Mas teria o público acompanhado esse ritmo? Os números indicam que não.

O dinheiro de imposto que as empresas destinam à cultura beneficiou certos artistas, mas não chegou à população. É esse descompasso entre produção e acesso que tem feito com que sejam contestados projetos bancados com lei e, ainda assim, caros. ‘Os automóveis têm redutor de IPI e as pessoas entendem o porquê. No caso da cultura, isso não é totalmente aceito’, diz o advogado Fábio de Sá Cesnik. ‘Todo mundo diz que o teatro é caro. É? Alguém sabe quanto eu gasto para produzir uma peça?’, pergunta Antonio Fagundes.

E quanto custa a turnê de um músico? A bilheteria é capaz de bancar todos os custos?

Depende. Leninha Brandão (que trabalha com Vanessa da Mata e Lenine) diz que precisou captar R$ 660 mil de uma empresa de cosméticos para que Lenine fizesse um disco e shows em diversas capitais do país com ingresso a R$ 40.

Já Marcelo Lobato (de Marcelo D2 e Pitty) afirma que a bilheteria paga as despesas. ‘Faço a agenda de meus artistas e vendo os shows para contratantes locais. Ou esses contratantes pagam os cachês usando bilheteria ou se viram para arrumar patrocínio.’

A discussão torna-se ainda mais complexa quando a cultura confunde-se com o entretenimento -em tese, comercialmente viável. ‘Quem trabalha com entretenimento tende a entregar às pessoas o que elas querem, ou seja, pensa no freguês. Às vezes isso tem ligação com a cultura, às vezes não’, delimita Pena Schmidt, superintendente do Auditório Ibirapuera. ‘Mas essa linha é tênue’, diz, lembrando que, do rei que encomendava obras a um artista, passando pelo Estado e pelas gravadoras, a música sempre foi subsidiada.

Schmidt se pergunta se poderia ser diferente. E responde: ‘Com a estrutura de teatros que temos, não. Fala-se muito nos cinemas, mas os teatros também foram vendidos para igrejas. Por não haver incentivo para a construção de teatros, proliferou a indústria do montar e desmontar palcos. Nas casas pequenas, o que banca um show é a venda de bebidas.’

No Auditório Ibirapuera, a bilheteria responde por 10% do orçamento da casa. Parte é bancado pela TIM, sem leis, e parte vem do aluguel para eventos fechados. No Teatro Alfa, a conta é semelhante. A bilheteria responde por 20% do orçamento. Metade da arrecadação vem dos patrocínios e 30% do aluguel para eventos.

Segundo Elizabeth Machado, superintendente do Alfa, um espetáculo orçado em R$ 600 mil rende, na bilheteria, cerca de R$ 100 mil. Por que a conta não fecha? ‘Porque eu teria de cobrar R$ 400 reais. E aí a conta não fecharia porque o teatro não lotaria.’ O produtor Emílio Kalil, que trará o grupo de Pina Baush para o Brasil, ainda não conseguiu patrocínio e, apesar dos ingressos esgotados, antevê o prejuízo. ‘A temporada custa R$ 1 milhão. São 58 pessoas, dois contêineres, dez dias de hotel, locomoção, estrutura técnica. É uma estrutura caríssima, que o público não vê, diz.

E antes das leis, como isso era pago? Em primeiro lugar, é preciso dizer que, pós-leis, cerca de 100 mil empresas prestadoras de serviço -de alimentação a luz- se oficializaram para entrar na engrenagem de notas fiscais e prestação de contas. ‘Se você quer filmar numa esquina, o dono da padaria te cobra. Há 30 anos não era assim’, exemplifica o cineasta Hector Babenco. Mas há outras respostas.

‘Muitos produtores iam chorar no colo dos governos’, diz Kalil. ‘O governo brasileiro, historicamente, trabalhou com incentivos. Nos anos 1970, as gravadoras tinham desconto nos impostos se investissem em artistas nacionais’, diz Cesnik. Há quem vá mais longe. ‘Tínhamos uma população acostumada a ir ao teatro, ao cinema’, diz Ajzemberg. É essa uma das diferenças entre o Brasil e os países europeus. ‘A média da população brasileira não consome cultura.’’

 

Thiago Ney

Na música, patrocínio divide os artistas

‘É possível para um artista sair em turnê pelo Brasil, cobrar preços razoáveis pelo ingresso e bancar os custos apenas com dinheiro de bilheteria, sem o apoio de patrocínios ou incentivos fiscais? No universo da música, essa questão motiva respostas diversas.

Arnaldo Antunes, por exemplo, acaba de lançar disco e sair em turnê. A série de shows terá 17 apresentações, com o ingresso mais caro valendo R$ 30. Esse valor só foi possível porque as despesas totais da turnê (R$ 1 milhão) foram custeadas por uma empresa de cosméticos.

‘Sem o patrocínio, o ingresso iria para R$ 60. E teríamos que torcer para empatarmos os custos’, afirma Ayrton Valadão Jr., da Agência Produtora, responsável pelos shows.

Segundo Valadão Jr., o patrocinador solicitou ao artista que fossem cobrados ingressos a preços populares e que a turnê passasse por cidades como Campinas e Ribeirão Preto.

No caso de artistas como Roberto Carlos, por exemplo, as turnês podem ser bancadas inteiramente por patrocínio direto (sem o uso de leis de incentivo). As apresentações do Rei neste ano vão passar por 18 cidades, e estão sendo custeadas por um banco. O cachê de RC pode chegar a R$ 450 mil, segundo produtores ouvidos.

O que o patrocinador recebe em troca? ‘Montamos camarotes, temos acesso ao camarim e usamos a imagem do artista em campanhas institucionais’, diz Fernando Chacon, do Itaú, que patrocinou Roberto Carlos.

O cantor Lenine segue esse mesmo exemplo. Para gravar um disco e sair em turnê pelas principais capitais do Brasil, captou R$ 660 mil com uma empresa patrocinadora. Dessa forma, argumenta a empresária Leninha Brandão, Lenine pôde cobrar R$ 40 por ingresso.

Se no panorama nacional as opiniões são divididas, no internacional são quase unânimes: para trazer grandes artistas de fora, é necessário o amparo de patrocinadores.

Isso porque, nesta década, o Brasil tornou-se uma espécie de ‘paraíso dos cachês’. Devido aos festivais corporativos, que inflacionaram o mercado ao competirem para trazer os mesmos artistas, aqui paga-se cachês semelhantes aos do Japão, os mais altos do mundo.

Uma exceção é o festival Maquinaria, que acontece em São Paulo em 7 e 8 de novembro, na Chácara do Jockey. Seu custo total, de cerca de R$ 4 milhões, está sendo bancado pelos organizadores -que esperam reaver o investimento com a venda de 50 mil ingressos, ao custo médio de R$ 200 cada um.

A Folha apurou que a principal atração do evento, a banda americana Faith No More, foi oferecida a outros produtores por cachês de US$ 300 mil.

Até alguns anos atrás, os artistas recebiam das gravadoras uma verba chamada ‘tour support’, para auxiliá-los nas turnês. O Planet Hemp chegou a receber, nos anos 90, US$ 50 mil de tour support.

‘Isso acabou há quatro anos’, diz Alexandre Schiavo, presidente da Sony. A razão é a crise do mercado fonográfico.

Fenômeno comercial forjado no boca-a-boca e na net, o grupo musical/performático Teatro Mágico já passou por 160 cidades desde 2008. Os shows são organizados inteiramente pelo grupo (o custo total de cada apresentação é, em média, de R$ 40 mil, apurou a Folha).

Alexandre Schiavo, da Sony, diz que outro problema são as despesas com gravação de CDs, que podem chegar a R$ 400 mil -fora a verba de marketing, em alguns casos, de mais R$ 500 mil. Dinheiro pago pelas gravadoras. A Sony é casa de artistas como Zezé Di Camargo & Luciano e Roberto Carlos.

Já a o Mundo Livre S/A tem dificuldades para captar R$ 40 mil para custear o lançamento de seu próximo disco.’

 

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo

Folha de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

Comunique-se

Carta Capital

Terra Magazine

Agência Carta Maior

Veja

Tiago Dória Weblog

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem