Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Folha de S. Paulo

16/06/2009 na edição 542

POLÍTICA CULTURAL
Marcio Aith

‘Ministério não tem vocação para irmã Dulce’

‘‘Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá.’ Com essas palavras o ministro da Cultura, Juca Ferreira, indicou à Folha que irá rever a decisão que proibiu produtores do músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para divulgar o novo CD do artista, ‘Zii e Zie’.

Em reunião em maio, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) decidiu que o projeto, no valor de R$ 2 milhões, não precisa da Rouanet por ser comercialmente viável. A CNIC é um órgão colegiado que pertence ao Ministério da Cultura. O ministro pode, a seu critério, rever as decisões da comissão. Ferreira negou ter sofrido pressões da empresária Paula Lavigne, ex-mulher e empresária de Caetano, para que a decisão fosse revertida:

‘Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado para outras pessoas’. Leia a seguir a entrevista.

FOLHA- O sr. vai rever o veto a Caetano Veloso? JUCA FERREIRA – A produção de Caetano entrou com o recurso, que vai ser analisado pelo ministério. Estou acompanhando. Evito ao máximo rever decisões da CNIC. Só quando ocorre um erro muito contundente procuro chamá-los à razão.

FOLHA- Que erro foi esse?

FERREIRA – O que houve é o seguinte. Não é possível aplicar um critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter. No ano passado, quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem critérios legais.

FOLHA – A empresária Paula Lavigne pressionou-lhe para rever a decisão sobre Caetano?

FERREIRA – Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado para outras pessoas. Eu, da mesma maneira que ela, também estranhei. Eu e Caetano nem tratamos do assunto.

FOLHA- Sobre o que o senhor conversou com Caetano?

FERREIRA – Falamos de uma série de coisas, menos do projeto. Eles [Caetano e Paula Lavigne] têm agido com uma delicadeza enorme. Eu é que estou mobilizado porque esse assunto surge neste momento final de discussão para a reforma da Lei Rouanet. Estamos ganhando a opinião pública, trazendo os artistas para uma escala de confiança maior. E não é justo que [a CNIC] tome essa decisão. Podem estar querendo me atritar com Caetano. Estão tentando arregimentar artistas consagrados contra a reforma.

FOLHA – O senhor diz que não há critério legal para negar o projeto de Caetano Veloso. Se não existe critério, por que musicais como ‘Peter Pan’ e ‘Miss Saigon’, e exposições como ‘Leonardo da Vinci’ e ‘Corpo Humano’ foram negados?

FERREIRA – Não vou aqui discutir casos.Frequentemente há erros, eu tenho dito isso. É justamente a falta de critérios que cria ambiente para julgamentos subjetivos. Um dos objetivos da reforma da lei é adotar critérios previamente legitimados pela discussão pública.

FOLHA – Não há uma contradição entre o espírito da reforma da Lei Rouanet, baseada no uso de dinheiro público para quem precisa, e a decisão de estender a lei a Caetano, um artista consagrado?

FERREIRA – De modo algum. O show já está em turnê, cobrando um preço. Seus produtores se dispuseram a reduzi-lo para pouco menos da metade se for incorporado dinheiro público. Ao que parece, o ingresso cairia para R$ 40 inteira, e R$ 20 meia. Isso possibilita a ampliação de pessoas na plateia. Atende a uma demanda nossa, a de que um artista bem-sucedido amplie seu público. Não é contraditório. Queremos uma política cultural sólida, mas não faremos isso sem os grandes artistas brasileiros. A única coisa que apontamos é que, da maneira como a lei é hoje, os artistas novos, de diversos Estados, não têm acesso à lei. Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os preços de um espetáculo popular. Deve-se avaliar economicamente cada projeto, o que hoje a lei sequer prevê. A discussão não está aí.

FOLHA- Qual é a discussão?

FERREIRA – Mais de 20% dos recursos da lei vazam por meio de serviços de ‘garantias’, assim, com aspas, de aprovação de projetos no Ministério e de captação em departamentos de marketing de empresas. A sociedade não aguenta mais negociações por baixo da mesa.’

 

***

Reportagem expôs veto a Caetano Veloso

‘Reportagem na Ilustrada de anteontem mostrou que a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), responsável por analisar os projetos aspirantes ao benefício da Lei Rouanet, negou autorização para que os produtores de Caetano Veloso captassem patrocínio para a turnê de lançamento do álbum ‘Zii e Zie’.

Caetano faz nesta noite, no Credicard Hall, o segundo de seus shows em São Paulo. Depois, o músico baiano seguirá apresentando o novo disco por mais de 20 cidades.

Em e-mail à Folha, o cantor negou problemas com o ministro Juca Ferreira. ‘Não há nenhum estremecimento entre mim e o ministro. Ele foi ao meu show em Brasília e conversamos bastante’, declarou o artista.’

 

Gilberto Dimenstein

O dinheiro de Caetano Veloso

‘PARA ASSISTIR NESTE final de semana ao show ‘Zii e Zie’, de Caetano Veloso, paguei R$ 290 por dois ingressos -as duas horas de espetáculo terão custado mais da metade um salário mínimo ganho por muitos trabalhadores depois de um mês de trabalho. Apesar de as cadeiras, espremidas em torno de uma mesa, ficarem longe do palco e não apreciar gente bebendo ou comendo enquanto ouço música, não reclamo: o show vale o preço. Até me dispus a pagar um pouco mais se encontrasse um lugar melhor. Não tinha.

O que me incomodou foi saber que Caetano Veloso tem a chance de receber dinheiro da Lei Rouanet (R$ 2 milhões) para a turnê nacional desse espetáculo, com a interferência direta do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Aparentemente, não há nenhuma ilegalidade no patrocínio -aliás, concedido, mais uma vez com a intervenção do ministro, a Maria Bethânia.

Nem Caetano nem Maria Bethânia estão fazendo nada de errado; estão seguindo o que a lei permite. Mas esse tipo de fato acaba estimulando o debate, cada vez mais efervescente, sobre a lei de incentivos fiscais para a cultura.

É óbvio que Caetano e Maria Bethânia não precisam de dinheiro público para fazer seus shows -assim como também não fez sentido, por exemplo, a verba incentivada para o Cirque de Soleil, cujo ingresso pode chegar até a R$ 490 e a pipoca (e aqui não vai nenhum exagero) custa mais do que o ‘PF’ de um operário.

Supostamente, a reforma da lei de incentivo à cultura veio para corrigir essas e outras distorções e desperdícios. Isso não significa que se deva confiar na capacidade gerencial das burocracias públicas.

Se todo o dinheiro arrecadado até agora com o incentivo fiscal se transformasse em imposto e ficasse nas mãos só do governo, acabaria, em boa parte, sustentando salários de funcionários -isso se não ficasse preso por alguma restrição orçamentária ou fosse desviado para protegidos políticos. Desapareceram os bilhões de um fundo (Fust) para informatizar as escolas.

Se, na cidade de São Paulo, ir a museus virou programa de pobre, como mostra pesquisa do Datafolha, é por causa da lei de incentivos fiscais. Não haveria, por exemplo, um Museu da Língua Portuguesa -nem concertos de música erudita a preço popular.

A melhor contrapartida a esse do benefício fiscal é quando ele se converte em educação pública. É sabido que estímulos culturais como a dança, a música, o teatro, as artes plásticas e o cinema são uma extraordinária isca para o aprendizado -e uma alavanca para desenvolver na criança e no jovem a capacidade de interpretar a realidade. Não deveria, aliás, existir nenhuma separação entre educação e cultura. Não existe pessoa educada sem repertório cultural -e não existe repertório cultural sem educação.

Por isso, foi um avanço o acerto entre o governo federal e representantes de empresários para maior aproximação entre as escolas públicas e o chamado ‘Sistema S’, como Sesi ou Sesc. Se está sendo implementado, é algo a ser observado -a minha impressão é de que, por enquanto, a ideia está mais no papel.

Na semana passada, relatório do Unicef mostrou, mais uma vez, a debandada de jovens do ensino médio. Se as escolas tivessem mais conexões culturais, seria menos difícil conter essa evasão.

Os incentivos seriam muito bem usados se a contrapartida se traduzisse não apenas em ingressos gratuitos mas também em programas para o envolvimento das escolas, com direito à formação de professor. Se o Caetano Veloso e todas as celebridades artísticas quiserem cobrar até R$ 500 por uma cadeira num de seus shows, sem problema.

Mas se quiser ter apoio da Lei Rouanet, ele que apresente um plano de shows públicos ou aulas-espetáculo para estudantes de música. As escolas poderiam transformar esses espetáculos em momentos inesquecíveis na vida dos jovens -e fontes de aprendizado.

Um pouco desse espírito transgressor aprendi a apreciar ouvindo Caetano Veloso. Pelo menos quando ele e tantos baianos se mostravam novos e caminhavam contra o vento sem lenço e sem documento.

PS – Por falar em educação e cultura, estou lendo um livro delicioso, intitulado ‘O Clube do Filme’. David Gilmour, crítico de cinema canadense, tem um filho (Jesse) que não queria ir para a escola, onde não aprendia nada e não lia nenhum livro. Relutante, concordou que o garoto não precisaria mais estudar e poderia acordar quando quisesse, mas com uma condição: deveria ver e debater com ele todos os dias pelo menos um filme. As obras permitiram que Jesse não apenas sofisticasse sua visão do mundo mas também se interessasse em aprender. Perguntei a Gilmour, na semana passada, como estava seu filho: ‘Está feliz.

Voltou a estudar e, além de chef de cozinha, escreve roteiros para cinema’. Pela repercussão do livro em várias países, Gilmour percebeu que a dificuldade de alunos brilhantes com suas escolas é um problema mundial. Coloquei em meu site (www.dimenstein.com.br) trechos do livro. É o melhor livro para introdução ao cinema que já li -e um notável plano de aula sobre como se usa a arte para enriquecer o aprendizado.’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

Após ‘Som & Fúria’, Santoro volta à TV em projeto secreto

‘Rodrigo Santoro está com saudades das novelas, mas não pensa em voltar a gravá-las tão cedo. Atualmente, enquanto estuda três projetos internacionais, se prepara para estrear como produtor associado do filme ‘Heleno’. ‘Estou vendo a dificuldade que é fazer um projeto acontecer’, diz. Em julho, Santoro dará as caras na Globo em quatro capítulos de ‘Som & Fúria’, minissérie de Fernando Meirelles. Depois, só deve reaparecer na TV em 2010 ou 2011, em uma microssérie de Luiz Fernando Carvalho, um ‘projeto novíssimo sobre o universo feminino’, segundo o diretor. Na semana passada, Santoro falou com a Folha.

FOLHA – Como é seu personagem em ‘Som & Fúria’?

RODRIGO SANTORO – Sanjay é um publicitário de caráter duvidoso, uma figura engraçada.

FOLHA – Segundo a Globo, Sanjay é esotérico-iogue. Como assim?

SANTORO – Nossa, muito louco! Na verdade, como publicidade trabalha com imagem, eu quis trabalhar com a imagem do personagem. Ele é um pouco místico.

FOLHA – O que está fazendo agora?

SANTORO -Absolutamente nada. Estou planejando fazer o ‘Heleno’, que é a história do jogador de futebol Heleno de Freitas, que atuou no Botafogo na década de 1940.

FOLHA – Por que Heleno de Freitas vale um filme?

SANTORO -É um mito. Era um craque. Veio de família tradicional mineira. Era advogado, jogava futebol porque queria, era apaixonado. Mas tinha um temperamento muito forte, arrumava muita confusão. E ao mesmo tempo era um príncipe, um gentleman, muito querido.

FOLHA – Estão especulando que você vai voltar para ‘Lost’…

SANTORO – Estou ‘lost’ [risos]. Que existe a possibilidade, existe. Me enterraram vivo na história, mas quem conhece a série sabe que qualquer coisa é possível. Quando saí, me falaram que se em algum momento achassem que o personagem é importante para contar a história, voltariam a me procurar. Não fui contatado, não.

FOLHA – E novela, nunca mais? SANTORO – Nunca mais? Imagina. Agora não está nos planos pelo processo de feitura, que é muito longo. Estou investindo em outras coisas. Fiz novela de 1993 a 2003. Continuo dizendo que não tenho o menor preconceito. Até tenho saudades de algumas coisas, das relações que você tem, porque você faz uma família ali. Na novela você pode experimentar mais, você vai solidificando o personagem aos poucos, enquanto em um filme você tem um mês para se preparar e estar com ele pronto.

A RESSURREIÇÃO DE FELIPE CAMARGO

Segundo Fernando Meirelles, ‘Som & Fúria’ é a ressurreição de Felipe Camargo, 49. O ator concorda. ‘Há 13 anos vinha buscando uma oportunidade dessas, e são Fernando me providenciou’, afirma. Na minissérie, sobre os bastidores de uma companhia teatral shakespeareana, Camargo será Dante, um ‘Hamlet às avessas’. ‘O Dante é até hoje o melhor personagem de minha vida.’

HERDEIRAS ANTENADAS

Filhas de Silvio Santos, Daniela, Renata e Patrícia têm microblogs em que divulgam o SBT e alfinetam a concorrência. Daniela escreveu (mas apagou depois) que ‘com dinheiro dos outros, é fácil fazer propostas indecentes’. Referia-se ao assédio da Record sobre Gugu Liberato. Patrícia lembrou que ‘quando surge algo tão fora dos padrões [a Record ofereceu R$ 3 milhões a Gugu], a intenção é causar impacto’ e que ‘a contratação fica em segundo plano’. E revelou que seu pai tem ‘uma carta na manga para fazer um royal flush [o mais alto jogo do pôquer]’.

AREBABA

Wolf Maia negocia com a cantora indiana Suhhwinder Singh, que interpreta a música de abertura de ‘Caminho das Índias’, ‘Beedi’, para que ela se apresente no show do Criança Esperança deste ano, em 22 de agosto. Wolf Maia é o novo diretor do espetáculo.

ENTREVISTA

Apresentadora do ‘Sem Censura’ (TV Brasil), Leda Nagle comemora 30 anos de TV lançando um livro com 30 entrevistas. Entre tantas opções, Leda decidiu por entrevistados que repetiu muitas vezes (como Manoel Carlos e Glória Perez) e ‘difíceis’ (Carlos Drummond de Andrade e Tim Maia). ‘Com Certeza: Leda Nagle, Melhores Momentos’, será lançado no Rio nesta quarta.’

 

Lúcia Valentim Rodrigues

Boa audiência dá fôlego a séries policiais na TV

‘O público parece sedento de tiros. E a TV aberta tenta alimentar essa demanda com dois seriados nacionais.

‘Força-Tarefa’ termina no dia 2 de julho. Exibido às quintas-feiras, na Globo, após ‘A Grande Família’, tem mantido uma audiência média de 20 pontos no Ibope, um bom marco para o horário das 22h50.

Isso já garantiu uma sobrevida para a série, com direção-geral de José Alvarenga Jr., que fechou mais 16 episódios para serem filmados em fevereiro.

Também foi encomendada uma pesquisa com o público, logo após o final do programa, para avaliar o projeto como um todo e ver o que precisa ser mudado. ‘Ainda temos histórias para contar e queremos utilizar diferentes modos para fazer isso, com flashbacks, tramas de trás para a frente’, diz Fernando Bonassi, autor do roteiro com Marçal Aquino.

Há propostas ainda para transformar ‘Força-Tarefa’ em jogo e em HQ. ‘A trama policial sempre interessa, pela mesma razão do sucesso da literatura nesse gênero. Ela tem um apelo de público muito bom’, avalia Aquino.

O mesmo fenômeno acontece com ‘A Lei e o Crime’, encerrada na última segunda-feira, dia 8, com nove pontos de média, na faixa após as 23h.

O segundo lugar no ranking foi considerado de bom tamanho pela Record, e a trama dirigida por Alexandre Avancini já agendou a produção de uma segunda temporada no segundo semestre de 2010.

Além disso, a emissora manifestou interesse em fazer um filme inspirado no programa -que já havia sido baseado na novela ‘Vidas Opostas’, ambos escritos por Marcílio Moraes. ‘Estou começando a pensar no roteiro’, adianta o dramaturgo. ‘Vou usar alguns personagens e ambiências da série, mas quero criar uma história surpreendente, para não parecer apenas mais um episódio. Mais do que isso ainda é cedo para contar.’

Menos maniqueísmo

Ambas as tramas abordam a violência policial, mas usam caminhos diferentes do tradicional ‘polícia persegue ladrão’.

‘Força-Tarefa’, por exemplo, retrata o mundo da Corregedoria do Rio, que investiga os corruptos dentro da corporação policial, mas sem mostrar uma divisão clara entre mocinhos e bandidos. ‘Trabalhamos com uma violência ambígua dos personagens, que se refletem em qualquer profissional que porte uma arma hoje em dia’, explica Bonassi.

‘A Lei e o Crime’ também investe em policiais corruptos e violentos, além de uma alta sociedade preconceituosa, cheia de negociatas, e traficantes que ajudam a comunidade.

Para Marcílio Moraes, ‘a concorrência é positiva’. ‘Há espaço para seriados dramáticos, românticos, de aventura, de mistério, o que quiserem. O fundamental é a dramaturgia que lhe dará suporte. Se for boa, terá sucesso. Torço para que as emissoras invistam mais neste filão, se desgrudando um pouco das telenovelas.’

Enquanto isso, na TV paga, outro projeto dessa linha está bem cotado. ‘9MM’, dirigida por Michel Ruman, sobre uma divisão de homicídios em SP, teve quatro episódios no início.

Bem avaliado pela Fox, o programa teve mais nove capítulos, atualmente em cartaz. A rede mudou de tática e trocou o horário da série para não concorrer com ‘Força-Tarefa’. Agora a exibição é às terças, às 23h. Pelo jeito, vem mais por aí.’

 

***

‘Me identifico com Janete Clair’, diz Iris Abravanel

‘Após a fraca ‘Revelação’, Iris Abravanel, 59, fez uma escolha ousada para a próxima novela do SBT. Resolveu adaptar ‘Vende-se um Véu de Noiva’, radionovela de 1966 escrita por Janete Clair (1925-1983).

O texto já havia sido aproveitado em 1969 em trama feita por Janete na Globo. Em 2008, o SBT adquiriu a obra radiofônica da dramaturga. Esta peça curta foi a primeira que Iris leu: ‘Me apaixonei de cara’.

‘Eu me identifiquei com Janete, porque ela se dedicou primeiro à família e depois ao trabalho -como eu. Mas, com humildade, digo que é difícil chegar perto do estilo dela. A gente sempre acaba se desviando.’

No enredo, Eunice sente inveja da riqueza e do marido da mocinha, sua prima Maria Célia, e resolve tomar seu lugar. Com um recém-nascido, Maria morre num acidente. O bebê some e é dado como morto, mas reaparecerá anos depois.

A história principal e a vilã permanecem. ‘Só que a novela se passava numa indústria têxtil. Mudei para uma indústria pesqueira para vender melhor o nosso peixe’, brinca Iris.

Muitos núcleos foram criados. O diretor Del Rangel explica: ‘Enxertamos novos núcleos para chegar a 188 capítulos e a novela ser rentável. Tem hora que é na base da conta mesmo’.

As cenas serão, em sua maioria, filmadas em locações externas no Guarujá e em Itatiba (interior de SP). Del Rangel calcula em ‘65% de filmagens externas, 20% na cidade cenográfica e 15% em estúdio’, ao custo de R$ 175 mil por episódio.

Elenco reciclado

Amanhã, termina ‘Revelação’ e, na terça, às 22h, estreia ‘Véu de Noiva’ (não indicada a menores de 14 anos), com o mesmo elenco da antecessora -até o mocinho (Daniel Alvim) vai ser mantido, apenas com um novo corte de cabelo.

Iris se diz ‘mais tranquila’ nesta empreitada, após a experiência anterior, que ela avalia ter resultado em um ‘saldo positivo’: ‘O primogênito sempre sofre mais. Na primeira novela, foi mais trabalhoso, porque eu tinha mais dúvidas. Agora, a responsabilidade é maior, por ser um texto da Janete, mas já estou trabalhando há dois anos com meus colaboradores de texto e estamos mais afinados’.

Ela faz apenas uma autocrítica: ter escrito tudo antes de ir ao ar. ‘Se a trama estivesse aberta, poderíamos ter aparado algumas arestas que surgiram.’

Desta vez, com 70 capítulos já escritos, essa possibilidade existe. ‘Fazemos novela para agradar ao público. E aos nossos anunciantes, claro’, diz a marqueteira Iris, ostentando broches dos patrocinadores. ‘A gente refaz o que for preciso.’

Para estar mais próxima da equipe, há 15 dias, montou uma sala no SBT. ‘É difícil sair do conforto do lar e apostar numa coisa que pode não dar certo. Mas estou confiante. Novela é hábito. Tivemos seis, sete pontos no Ibope. Nossa ideia, agora, não é crescer, e sim solidificar o horário.’’

 

Bia Abramo

As armadilhas da concorrência

‘A RECORD investiu pesado em ‘A Fazenda’, reality show semelhante ao ‘Big Brother Brasil’ que troca a malemolência da piscina no verão carioca pelos rigores dos trabalhos rurais no inverno paulista. Ah, sim, e em vez dos anônimos se tornarem celebridades, como no programa concorrente, seria a vez de celebridades se mostrarem ‘comuns’ no trato com a terra, o tempo e os animais.

Fez uma insistente campanha de teasers antes da estreia, em que as celebridades seriam ‘flagradas’ à distância, em situações comuns, na coreografia clássica daqueles que se escondem do assédio da imprensa e dos coreógrafos -óculos escuros, cabeça baixa, jornal tentando ocultar o rosto da mira dos fotógrafos. A locução concluía algo como ‘não dá para identificar, só se sabe que é alguém famoso’.

A tática foi melhor do que, digamos, o resultado: ‘alguma fama’ é o máximo que dá para atribuir ao time que se reuniu em ‘A Fazenda’. Como a ‘Casa dos Artistas’ do SBT já tinha revelado anos atrás, e programas como ‘Superpop’ e revistas muito ilustradas o fazem todos os dias, o mundo dos famosos tem uma hierarquia bastante complexa, quase que um sistema de castas, no qual há lugar para muita, muita gente.

Uma das grandes armadilhas de estabelecer uma concorrência pela semelhança, como tem feito a Record com a Globo de uns anos para cá, consiste em oferecer mais ou menos a mesma coisa em tom tão mais precário que soa a caricatura.

Os anônimos do ‘BBB’ se tornam famosos em dois minutos; já as celebridades de ‘A Fazenda’, com seus créditos do tipo ‘irmão/irmã de…’, ‘namorada de…’ e verbos no passado para definir o que fazem (trabalhou em, posou, fotografou etc.), tornam-se objeto de perplexidade.

Ainda que esse lado da caricatura tenha conferido um ar ‘camp’ ao programa -a estreia foi acompanhada com enorme interesse no Twitter, por exemplo-, não deve ser esse exatamente o maior objetivo da Record.

A segunda e mais arriscada armadilha da concorrência é criar um programa só para ocupar espaço -e não saber direito o que fazer com isso. O apresentador Britto Jr., ao se defender de críticas feitas por Boninho (via Twitter), andou declarando que não é um ‘animador de auditório’. A comparação é com o estilo de Pedro Bial, estrela do programa dirigido por Boninho. Mas, se não se trata de insuflar a audiência a dar importância a uma série de acontecimentos desimportantes, irrelevantes, insignificantes, do que se trata este ou qualquer outro reality show, afinal?’

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