Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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ENTRE ASPAS >

Folha de S. Paulo

23/06/2009 na edição 543

SARNEY
Clóvis Rossi

Piscou

‘SÃO PAULO – Viu como às vezes funciona a pressão da opinião pública? O presidente do Senado, José Sarney, aquele que dizia que a crise não é dele, mas do Senado, piscou três vezes.

Primeiro, na entrevista que concedeu à Folha. Não funcionou. Depois, em discurso no plenário da Casa. Não funcionou. Ontem, deu a piscadela definitiva ao anunciar algumas tímidas medidas para escapar do imbróglio em que ele e o Senado se meteram.

É pouco? É. Pode nem ir adiante se a mídia se distrair? Pode.. Pode acontecer de serem punidos apenas funcionários, graduados ou nem tanto, em vez de senadores, especialmente os graúdos? Pode

Mas é mais do que o ‘não sei’, ‘não vi’, ‘não há atos secretos’ (embora os atos tampouco sejam públicos).

Limpar a política brasileira, mesmo que seja um tiquinho, só se fará assim, na pressão, na marcação individual. Para o meu gosto, aliás, a incrível sucessão de escândalos deste ano, tanto no Senado como na Câmara, demandaria no mínimo uma marcha como a que se fez anteontem em São Paulo contra a reitora da USP e contra a presença da polícia no campus.

Não estou dizendo que a reitora seja farinha do mesmo saco dos políticos ou que a manifestação tenha sido de anjos impecáveis. Não. O que estou dizendo é que, ou a maioria assume de uma boa vez que a rua é onde se marcam posições e se buscam soluções, ou ficaremos eternamente resmungando na internet contra os maus políticos, os baderneiros e por aí vai.

Entendo perfeitamente a dificuldade de organizar manifestações contra os senadores. Não há um só grupo partidário que esteja disposto a encabeçá-las ou ao menos aderir a elas.

E a sociedade civil parece atordoada, incapaz de reagir a não ser teclando, em casa mesmo, o e-mail de alguém para desovar o seu protesto, que cairá no silêncio.’

 

IRÃ
Reuters

Google lança tradutor de persa para que Irã ‘fale com o mundo’

‘O Google lançou ontem um serviço de tradução do persa (ou farsi), idioma oficial do Irã, para ‘melhorar o acesso à informação’ em meio à turbulência política e à restrição ao trabalho da imprensa no país.

‘[A tradução ao persa] é especialmente importante neste momento, dados os eventos em curso no Irã’, comentou Franz Och, diretor-cientista do Google. ‘É mais uma ferramenta para que os falantes do persa se comuniquem com o mundo.’

O Translate (http:// translate.google.com) traduz automaticamente textos do inglês ao persa e vice-versa. A tradução é falha, mas, segundo o Google, o serviço ainda está sendo aperfeiçoado, e os usuários podem enviar correções.

O Google já estava desenvolvendo o tradutor de persa, mas acelerou o projeto.

Serviços de internet têm ocupado importante papel nas manifestações do Irã. Cidadãos e o próprio candidato derrotado às eleições, Mir Hossein Mousavi, usaram a ferramenta de microblogs Twitter, o Facebook e o YouTube para se comunicar e driblar a repressão.

No início da semana, o Departamento de Estado dos EUA pedira aos programadores do Twitter que adiassem seus planos de manutenção do site, o que imporia restrições de acesso dos iranianos a ele.

Uma campanha em curso no Twitter sugere aos usuários que mudem seu local de acesso para Teerã e seu horário, para o fuso iraniano. O objetivo é dificultar o trabalho dos censores, que estariam tentando identificar usuários iranianos online. Alguns internautas brasileiros aderiram à iniciativa.’

 

ENNIO PESCE (1932-2009)
Estêvão Bertoni

Um comentarista de estampa ‘mastroiânica’

‘No ano em que a Segunda Guerra acabou, Ennio Pesce chegou ao Brasil. Tinha 13 anos e só pisaria novamente na Itália 54 anos depois. Filho de pai militar e mãe brasileira, morou primeiro em Jaú (SP). Nos anos 50, veio a SP e, em 1957, começou a cursar direito na USP. No ano seguinte, arrumou emprego nesta Folha.

Na Redação, ganhou o apelido de Cineasta. ‘Ele era vaidoso, estava sempre bem-vestido’, lembra o filho Marcello, dono de um restaurante italiano na capital. Em crônica de 1978, o amigo e jornalista Lourenço Diaféria descreve Ennio como dono de uma ‘estampa mastroiânica’, em referência ao ator Marcello Mastroianni. Comentarista político, trabalhou, além da Folha, no ‘Jornal da Tarde’, onde tinha uma coluna, e na Globo. Segundo o filho, seu pai foi o primeiro a entrevistar Jânio Quadros após a renúncia.

Passou ainda pela Record e foi secretário de Imprensa do governador Abreu Sodré. Certa vez, ao final de um programa ao vivo, pousou sobre seu terno uma barata. No ar, teve de disfarçar a presença do inseto sobre si.

Em 1999, pela primeira vez, visitou a Itália, e lá encontrou -intacta- a última casa em que viveu durante a guerra. Em 2002, sua mulher, pouco antes de morrer, disse que voltaria para buscá-lo no Dia dos Namorados. Ennio morreu sexta (12), aos 76, de infarto. Teve dois filhos e uma neta. A missa de sétimo dia foi ontem, em SP.’

 

TELEVISÃO
Mônica Bergamo

Quase combinado

‘Os apresentadores do ‘Esquadrão da Moda’, do SBT, não vão ‘escolher’ uma espectadora da São Paulo Fashion Week para participar do programa, como havia sido anunciado. Essa pessoa já foi escolhida e estará na plateia do desfile da Neon, amanhã. Ela só não sabe que Arlindo Grund e Isabella Fiorentino, que atravessarão a passarela pela grife, vão interromper o evento para dizer que a garota é a nova ‘vítima’ do programa.

 

***

Telhado

‘Hebe Camargo conversando com a TV Globo?

De acordo com a emissora, as tratativas diziam respeito apenas à autorização para que a apresentadora aparecesse no especial em que Roberto Carlos dividiu o palco com cantoras brasileiras.’

 

Folha de S. Paulo

Ator deixa sexto ‘Grey’s Anatomy’

‘Na sexta temporada de ‘Grey’s Anatomy’, o médico George O’Malley (T.R. Knight) deixa realmente a série. Já a doutora Izzie Stevens (Katherine Heigl) deve permanecer, com contrato já negociado, segundo fonte não divulgada da agência de notícias Associated Press..

Ambos os personagens foram deixados à beira da morte no final da quinta temporada, exibida em maio nos EUA (no Brasil vai ao ar em julho apenas no canal Sony).

A criadora do seriado, Shonda Rhimes, desejou boa sorte para o ‘incrivelmente talentoso’ Knight em seus futuros trabalhos. Já ele disse em comunicado que a decisão de sair ‘não foi fácil’ e que ‘vai sentir saudades’.’

 

***

Paris Hilton leva seu programa para Dubai

‘A socialite Paris Hilton disse que estudou a cultura do Oriente Médio e prometeu que fará uma versão mais amena do seu reality show, sem consumo de álcool.

Hilton, 28, pilotará o programa ‘Paris Hilton’s My Best Friend Forever’ em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, depois do sucesso das edições norte-americana e britânica. Vinte e dois participantes passarão 20 dias no local.

‘Eu espero aprender muito aqui. É um mundo completamente diferente’, disse ela, apresentando o reality show para a imprensa ontem, em Dubai, que será realizado pela MTV local.

A final do reality se passará em Los Angeles, disse o produtor da atração, Michael Hirschorn.’

 

LIVROS
Marcos Strecker

Projeto de editora global lusófona está em xeque

‘Desde o ano passado o mercado editorial brasileiro está agitado com o desembarque de um ambicioso grupo editorial lusitano. Ninguém comenta oficialmente, mas editoras-chave como Record, Companhia das Letras e Sextante já entraram na mira do grupo português Leya. Todas as tentativas de aquisição, no entanto, naufragaram.

Agora, as negociações estão concentradas na compra de uma participação na editora Nova Fronteira, que pertence à Ediouro. Mas a operação ainda não foi concluída, segundo Luiz Fernando Pedroso, diretor-superintendente do grupo Ediouro. A rigor, o negócio pode nem se concretizar.

Entrar no mercado brasileiro é estratégico para a holding Leya, criada em janeiro de 2008. Antes disso o empresário português Miguel Paes do Amaral, maior acionista do grupo, já vinha adquirindo de forma acelerada editoras em Portugal -inclusive as tradicionais Dom Quixote (que publica a obra de António Lobo Antunes) e Caminho (casa de José Saramago). Na época, Lobo Antunes protestou e ameaçou boicotar a editora sob nova direção. Havia especulações de que as compras visariam apenas uma valorização para revenda futura.

As aquisições continuaram desde então. A holding atualmente já domina o mercado lusitano e reúne 17 casas. As compras incluíram editoras em Angola e Moçambique.

No Brasil, a história é diferente. Ainda que a Leya tenha feito ofertas generosas, nada se concretizou. Na mais rumorosa troca de editora de um escritor nacional dos últimos anos -a de Rubem Fonseca-, a Leya teria oferecido R$ 1,5 milhão pelo passe do autor de ‘Feliz Ano Novo’, entre luvas e adiantamento -sem sucesso.

Fontes do mercado agora apontam que o próprio grupo Leya estaria à venda na Europa. ‘A informação é falsa’, disse à Folha Isaías Gomes Teixeira, administrador-executivo do grupo. Além de negar a venda do grupo categoricamente, ele diz que não comenta as operações da Leya no Brasil.

Estar à venda ou mudar de controle acionário não significa que o empreendimento que atingiria um mercado de ‘200 milhões a falar português’ (declarações feitas no lançamento do grupo) não tenha futuro. Mas as dificuldades no Brasil, assim como a crise financeira que eclodiu em setembro passado, indicam que a estratégia de crescimento acelerado visando a atração de capitais em bolsa pode estar passando por uma reavaliação.

Parte das dúvidas sobre o grupo tem a ver com a recusa dos responsáveis pela holding em apresentar seus planos no Brasil. Paes do Amaral é um empresário agressivo em Portugal. Sua notoriedade cresceu com a administração bem-sucedida da emissora lusitana TVI, depois revendida.

O empresário teria feito carreira no mercado financeiro e trabalhado no banco Goldman Sachs, em Nova York. Seus hobbies incluem automobilismo, caça e esqui.’

 

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