Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Folha de S. Paulo

18/11/2008 na edição 512

CRISE
Clóvis Rossi

Quanto dura o pior?

‘SÃO PAULO – Fátima Bernardes e William Bonner vão despejando uma catarata de más notícias sobre os telespectadores do ‘Jornal Nacional’ da quinta-feira. Na essência, são as mesmas que comporão a capa desta Folha no dia seguinte: é juro do cheque especial que atinge o maior nível em cinco anos, é a inadimplência que dá um salto, é a indústria que corta 10 mil vagas.

Minha mulher ouve, olha para mim com olhar melancólico e diz: ‘Fazia tempo que a gente não ouvia essas coisas, né?’.

Para quem lê a Folha regularmente, não chega a ser uma surpresa. Vinicius Torres Freire já escreveu faz algum tempo, lá no seu espaço do caderno Dinheiro, que ‘o melhor já passou’. Só faltou acrescentar: ‘É bom, não foi?’.

O ‘melhor’ nem conseguiu ser o tal espetáculo do crescimento que o presidente da República, em seu ufano-voluntarismo, prometeu ainda no primeiro ano de seu mandato, em 2003.

A rigor, nem os 5,4% do ano passado -um bom resultado, é verdade- bastam para caracterizar um espetáculo, quando se sabe o quanto os outros emergentes cresceram nesses anos de bonança internacional, agora página virada.

O pior é que ninguém sabe verdadeiramente quanto tempo e quão profundo será o pior desenhado nas competentes vozes de Bonner e Fátima e nas páginas dos jornais.

Tem gente que inverte ‘o melhor já passou’ do Vinicius para dizer que o pior é que já passou.

Mas é chute, como o próprio Lula indiretamente admitiu outro dia, em Roma, ao dizer que esperava pouco da cúpula deste fim de semana em Washington porque ninguém tem um diagnóstico completo da crise.

Se ninguém sabe como, exatamente, é a doença, menos ainda saberá da sua evolução.

Acho melhor mudar para a ESPN ou para a ESPN Brasil e ver o Barça jogar. Só tem ‘melhor’.’

 

 

CULTURA
Marcos Augusto Gonçalves

Bienal do Livro?

‘EM ENTREVISTA À Folha, publicada na Ilustrada de quinta-feira, o escultor norte-americano Richard Serra declara que a fruição de suas obras não está condicionada a uma compreensão prévia da história da arte ou, especificamente, da escultura. Para ele, o tema de seus trabalhos é o que sentem as pessoas ao defrontarem com eles. ‘O que me interessa são as sensações que ocorrem ali dentro’, diz.

A declaração talvez soe, para alguns, como uma espécie de apologia da espontaneidade, da experiência sensorial leiga, desprovida do necessário exercício da razão que a preencheria de sentido, inscrevendo-a num discurso lógico sobre história e estética.

É claro que Serra não está simplesmente diminuindo o papel que o conhecimento pode desempenhar na apreensão de uma obra, mas suas palavras nos lembram que a relação com a arte não nos cobra obrigatoriamente uma tradução verbal cartesiana, tampouco a mediação de um discurso especializado que nos ensine como entender aquilo.

O que temos visto no circuito da arte contemporânea é, na realidade, um excessivo blablablá, uma apropriação discursiva quase insaciável de obras e artistas, não raro em textos obscuros, maneiristas, pretensiosos, mais a dificultar do que a facilitar o acesso do público interessado.

É como se, numa exposição, estivéssemos sempre diante de algo que nos quer dizer alguma coisa, mas é incapaz de fazê-lo, precisando, para se explicar, da interferência de um crítico-curador. E quando ele entra em cena, sai de baixo: lá vem aquela espessura ‘teórica’ a reforçar a opacidade e o caráter difícil do que presenciamos.

Essa trama discursiva que se articula em torno da arte contemporânea encontra na atual edição da Bienal de São Paulo um território fértil para proliferar. Ao subtrair a arte e expor o vazio, a mostra preenche sua vacuidade com palavrório. A instituição e a curadoria saem da sombra e ocupam a cena principal. Impõem-se sobre a produção artística. Seminários e mais seminários discutem a história da Bienal, colhem depoimentos, convidam à ‘reflexão’.

A própria mostra mais lembra uma Bienal do Livro do que uma exposição de arte. A presença de textos, publicações e ‘conceitos’ é abundante. É claro que há questões a discutir, desde a função das bienais neste mundo saturado de ‘arte’, feiras e exposições até a crise específica da instituição paulista. Mas, como disse certa vez Alfredo Volpi quando solicitaram sua opinião durante um desses acirrados debates sobre os destinos da arte, talvez o melhor fosse todo mundo voltar para casa e pintar um pouco.’

 

 

OPINIÃO
Folha de S. Paulo

Empresário Emílio Odebrecht estréia como colunista da Folha

‘O empresário Emílio Odebrecht, 63, presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., estréia amanhã como colunista da Folha, na página A2.

Ele vai se revezar na coluna dominical com Antônio Ermírio de Moraes, que pediu que sua colaboração semanal se tornasse mensal. Odebrecht escreverá três artigos por mês e Ermírio, um.

‘Sempre defendi que os empresários que se afastam das atividades executivas devem assumir a responsabilidade de transferir o conhecimento que acumularam às novas gerações e contribuir para o desenvolvimento do país em que vivem. É o que tenho procurado fazer -ação que o compromisso de escrever esta coluna potencializa’, diz Odebrecht.

Nascido em Salvador, Emílio graduou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1968. Ele iniciou sua trajetória profissional em 1966, como estagiário da CNO Construtora Norberto Odebrecht S.A., fundada em 1944.

Em 1991, substituiu o fundador da organização, Norberto Odebrecht, como diretor presidente da Odebrecht S.A., cargo que deixou em 2001, mantendo-se como presidente do Conselho de Administração.

Com cerca de 59 mil funcionários, a Odebrecht presta serviços de engenharia e construção na América do Sul, na América Central, nos EUA, na África, em Portugal e no Oriente Médio. Controla a Braskem, empresa petroquímica, e investe em etanol e açúcar. Atua nos segmentos de óleo e gás, engenharia ambiental e imobiliário. Participa de empreendimentos em transportes, em Portugal, e em mineração, na África. O faturamento do grupo em 2007 foi de R$ 31,4 bilhões.

Emílio Odebrecht é membro do Conselho Curador da Fundação Criança, que assiste crianças com câncer, da Endeavour, ONG que estimula o empreendedorismo, e é conselheiro do Masp.’

 

 

INTERNET
Rodolfo Lucena

Sintético e didático, texto expõe mundo da web ao leitor

‘Explicar a internet, gigantesca rede de comunicação que perpassa o mundo e influencia a cultura, a economia e a vida de bilhões de pessoas, é tarefa hercúlea, seja qual for o caminho escolhido, mais técnico ou mais sociológico. Fazer isso, então, em um pequeno texto de cerca de cem páginas exige não só o indispensável conhecimento como enorme capacidade de síntese e de seleção, para tentar ir direto ao ponto.

Esse é o esforço concretizado em ‘A Internet’, da coleção Folha Explica, da Publifolha, que está chegando às livrarias. Escrito a quatro mãos por Maria Ercilia e Antonio Graeff, que se incluem entre os pioneiros na internet comercial brasileira e hoje atuam em suas próprias empresas dedicadas ao mundo internético, o trabalho apresenta a história da grande rede e sua expansão no Brasil, fala sobre seu funcionamento e sua evolução e traz um didático capítulo sobre o que se pode fazer na rede.

Apesar de seu espaço limitado, o texto consegue fazer um resumo básico da história da internet e do surgimento da web (a parte multimídia da rede, a mais usada hoje em dia). Um de seus pontos altos é a grande atualidade: cita eventos e inclui tendências recentes, além de trazer dados de pesquisas concluídas no primeiro semestre deste ano.

Didatismo

O usuário iniciante encontra um guia didático sobre as questões mais elementares da rede, assim como uma visão geral desse enorme playground digital. Além disso, em vários capítulos, os autores sugerem leituras adicionais para quem deseja se aprofundar em algum aspecto mais específico.

Mas talvez o grande trunfo do livro seja quando ele abandona o caráter de manual e procura ampliar os horizontes para além do informatiquês: nos dois últimos capítulos, são abordados os profetas e a sociologia da internet, mostrando que a rede tem muito mais a oferecer como discussão cultural e acontecimento social do que ser simplesmente uma plataforma de bate-papo on-line.

Além disso, dois adendos são muito bem-vindos: uma cronologia e um glossário reforçam o caráter didático da publicação.

Esse grupo de adendos poderia ter sido completado com um índice remissivo, que é sempre útil nesse tipo de publicação, em que grande número de fatos, datas e nomes são citados.

Mas a maior lacuna do texto é em relação ao lado mais obscuro da rede, sua face de plataforma para crimes os mais diversos, do estelionato à busca de vítimas de violência sexual e homicida.

Vírus eletrônicos, ação de hackers e uso da rede como arma política são temas que não poderiam ter sido deixados de fora de um livro como esse -merecem muito mais que uma mera citação em glossário.

Ainda para reforçar o caráter didático, seria bom, em futuras edições, uma boa revisão para assegurar que nomes e eventos não sejam citados sem que tenham sido explicados anteriormente. Aliás, o texto precisa também de revisão mais rigorosa do ponto de vista formal, evitando que persistam pequenos e desagradáveis cacos.

A INTERNET

Autores: Maria Ercilia e Antonio Graeff

Editora: Publifolha

Quanto: R$ 17,90 (128 págs.)

Avaliação: bom’

 

 

DEU NO NEW YORK TIMES
Plínio Fraga

Rohter mostra seu lado ‘crioulo doido’

‘Em uma das cenas do filme ‘Correspondente Estrangeiro’ (1940), de Alfred Hitchcock, o editor poderoso em Nova York explica por que prefere um repórter no exterior a um correspondente estrangeiro. ‘Eu não quero correspondência, eu quero notícia’, define.

Muitos dos jornalistas que atuam no exterior são mais correspondentes do que repórteres, no sentido que retalham e colam informações e as enviam para suas sedes sem se preocupar com uma apuração própria.

Não é o caso de Larry Rohter, 58, que está lançando ‘Deu no New York Times’, com reportagens e reflexões sobre sua atuação como repórter do jornal americano no Brasil entre 1999 e 2007.

Rohter, casado com uma brasileira, relata no livro suas experiências no país desde o momento em que aqui chegou pela primeira vez a trabalho, em 1972. Muitas das reportagens se enfraqueceram com o tempo, mas, agora, reunidas, ainda permitem reconhecer que havia por trás delas um bom repórter.

O problema do livro -escrito em inglês e traduzido para o português- é que Rohter, que voltou a viver nos EUA, é mais talentoso como jornalista do que como pensador. Suas reflexões sobre a vida no Brasil são menos interessantes e mais generalistas e contestáveis do que os fatos que reportou.

‘Zunzum’ na Presidência

O capítulo mais interessante é aquele em que se manifesta pela primeira vez a respeito de sua reportagem mais polêmica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: ‘Gosto do dirigente brasileiro pela bebida torna-se preocupação nacional’ (‘NYT’, 9 de maio de 2004), na qual afirmava que ‘sempre que possível, a imprensa brasileira publica fotos do presidente com olhos turvos ou rosto avermelhado, e constantemente faz referências aos churrascos de fim de semana na residência presidencial, em que a bebida corre livremente, e aos eventos oficiais em que Lula nunca parece estar sem um drinque na mão’.

Como reação, o governo tentou expulsar Rohter, numa trapalhada jurídica autoritária que se tornou mais errônea do que a reportagem em si, construída a partir de relatos anônimos e impressionismos incomprováveis, ‘zunzum’, como definiu o próprio repórter.

Rohter classifica o que se seguiu como uma ‘explosão de nacionalismo, parte dela bastante hipócrita’ e admite que o título do texto não era correto.

‘Na matéria em si, eu era explícito em declarar que o zunzum a respeito do hábito de beber de Lula estava basicamente confinado a políticos e jornalistas e mal era percebido pela população em geral’, escreve.

Um exemplo de que as reflexões de Rohter são piores do que suas reportagens é o fato de atribuir o ‘verdadeiro motivo’ para sua tentativa de expulsão a uma reportagem que fez sobre o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André (‘Morte do prefeito no Brasil suscita acusações de corrupção’, 1º de fevereiro de 2004).

Nesse texto, não havia nenhuma informação que a imprensa brasileira não houvesse publicado três meses antes.

Mas Rohter diz ter sentido ‘o cheiro do rato’: ‘Eu estava chegando perigosamente perto de expor acidentalmente um dos principais pilares de financiamento do esquema do mensalão’, afirma ele, de modo narcísico e ingênuo. Mais saborosas são as reportagens sobre o descaso com o futebol feminino, a respeito do gravurista e cordelista nordestino José Francisco Borges ou o texto que despertou o interesse de Tom Waits para a caixa de CDs ‘Música Tradicional do Norte e Nordeste’, resultado de missão folclórica enviada em 1938, pelo então secretário de Cultura de São Paulo, Mário de Andrade -lançamento do Sesc de 2006 ignorado, por exemplo, por esta Folha.

As reportagens de Rohter têm erros -como dizer que Gilberto Gil foi o primeiro ministro negro brasileiro, esquecendo-se de Pelé na gestão FHC-, mas possuem mais qualidades do que suas reflexões, que beiram o ‘samba do crioulo doido’ -para usar expressão racial e culturalmente incompreensível para um estrangeiro.

Atribui, por exemplo, o boom de forró entre os jovens no Brasil ao fato de artistas estrangeiros -como Peter Gabriel e David Byrne- terem recorrido ao ritmo em discos de sucesso (no exterior, mas não aqui). Simplificação absurda que se repete quando diz que só quando o samba ‘ganhou aprovação na Europa os brasileiros se dispuseram a abraçá-lo como deles’.

‘Foi preciso o imprimátur da França para tornar o samba palatável a uma elite relutante a aceitar sua própria identidade’, escreveu, mostrando que um branco de Chicago pode assumir o papel do crioulo doido na interpretação da história.

DEU NO NEW YORK TIMES

Autor: Larry Rohter

Tradução: Otacílio Nunes, Daniel Estill, Saulo Adriano e Antonio Machado

Editora: Objetiva

Quanto: R$ 39,90 (416 págs.)

Avaliação: regular’

 

 

EDUCAÇÃO
Folha de S. Paulo

Escola que homenageia Octavio Frias de Oliveira é inaugurada no Rio

‘Com a vinculação do patrono da instituição ao aprimoramento do conhecimento e ao empreendedorismo, foi inaugurada ontem, na zona oeste do Rio, a escola municipal Octavio Frias de Oliveira, que homenageia o empresário e publisher da Folha, morto em 29 de abril de 2007, aos 94 anos.

A cerimônia foi também uma oportunidade para que os alunos conhecessem um pouco mais da história de Frias de Oliveira, que era carioca, nascido em Copacabana (zona sul).

O prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), disse que o empresário servirá de inspiração para os alunos que ali estudarão. ‘Essas crianças terão um patrono fundamental para a vida delas, porque a história do sr. Frias pode ser marcada por dois vetores: o da mobilidade social e o do empreendedorismo. A gente reafirma, com isso, que eles podem ter mobilidade social, mas, também, que precisamos desenvolver em nossas escolas o espírito de empreendedorismo, a busca de espaços e de oportunidades.’

Falando em nome da família, Maria Cristina Frias contou às crianças presentes na cerimônia um pouco da história de seu pai, que, antes de adquirir a Folha em 1962, superou diversas adversidades, como a perda da mãe aos sete anos de idade e a necessidade de trabalhar para ajudar a família desde os 14.

‘Dar nome a uma escola é muito apropriado porque o sr. Frias estimulava muito o estudo e o aprimoramento. Ele sempre dizia que o que a gente tem na cabeça ninguém tira da gente. O dinheiro tiraram dele várias vezes, mas o que ele sabia ninguém tirou’, disse ela.

Presentes ao evento, os filhos Otavio Frias Filho, Luís Frias e Maria Helena Toledo Piza, além dos netos do publisher, conheceram a escola e assistiram a uma homenagem feita pelas crianças a seu pai e avô.

Também participaram da cerimônia o ministro do TCU e acadêmico da ABL Marcos Vilaça, o deputado federal e colunista Fernando Gabeira (PV) e os jornalistas e integrantes do Conselho Editorial da Folha Carlos Heitor Cony e Janio de Freitas.

‘Acho importante a homenagem não só porque num futuro seremos [Rio e São Paulo] uma mesma cidade, mas porque somos um mesmo país, e o Rio cultua todas as pessoas que tiveram importância para o país, como ele, que nasceu aqui’, disse Gabeira.

Cony lembrou que Octavio Frias de Oliveira sempre teve uma preocupação muito grande com a cidade do Rio. ‘Essa preocupação, evidentemente, refletiu-se no jornal. A homenagem é uma forma de retribuir esse reconhecimento a um homem que foi admirador e defensor da cidade’.

Para Vilaça, a vinculação a um nome de escola é apropriada: ‘Associar o sr. Frias à educação tem tudo a ver, porque ele foi um homem que se preocupou com o crescimento econômico e com o desenvolvimento social. E desenvolvimento social é educar’.

A escola municipal Octavio Frias de Oliveira atende hoje a 339 alunos da educação infantil e do ensino fundamental. A partir do ano que vem, 630 crianças estudarão no local.

O estabelecimento foi o 23º a ser construído seguindo o modelo de escolas padrão da Prefeitura do Rio. Elas são projetadas com a preocupação de garantir acessibilidade a portadores de necessidades especiais e de preparar as salas de aula para receber os mais modernos recursos pedagógicos.

Além disso, as construções são feitas de forma a diminuir os custos de manutenção, aproveitando ao máximo a luz e ventilação naturais.

O investimento para construção da escola -de R$ 3,3 milhões- foi bancado pela construtura privada Calper como contrapartida legal, com base em um decreto municipal de 1976, pela autorização para construção de empreendimento imobiliário na cidade.

A escola atende hoje tanto alunos de condomínios de classe média do largo do Anil, em Jacarepaguá, quanto filhos de moradores da favela Rio das Pedras, na zona oeste da cidade.’

 

 

TELEVISÃO
Mônica Bergamo

De mão em mão

‘A TV Globo resolveu inovar na divulgação da microssérie ‘Capitu’, que estréia em dezembro. Irá espalhar mil DVDs com o trailer da trama em estações do metrô, pontos de ônibus e praças de São Paulo, Rio e Brasília para que as pessoas levem para casa, de graça, vejam o clipe e voltem a deixar o DVD em algum ponto da cidade.’

 

 

Laura Mattos

Série mostra que a TV pode fugir da ‘linha de montagem’

‘‘Não fiz nenhuma concessão ao nível de linguagem nem a folhetim. A história rolou, teve os ganchos que teve, mas não fiquei inventando situações mirabolantes para prender o telespectador até o capítulo seguinte. Eu esperei e confiei que a história fosse bastante o suficiente para mobilizar o telespectador. E deu certo.’

O depoimento, de Maria Adelaide Amaral, está nos extras da caixa de DVDs da minissérie ‘Queridos Amigos’, de sua autoria, que a Globo acaba de lançar. A obra, exibida pela emissora em janeiro, é baseada no livro ‘Aos Meus Amigos’, no qual a autora fala de seu círculo de amizades, a partir do suicídio do jornalista Décio Bar. Na TV, o personagem, interpretado por Dan Stulbach, decide reunir sua turma ao descobrir que tem pouco tempo de vida.

Como deixa claro a declaração da autora, ‘Queridos Amigos’ é daqueles produtos que a TV consegue criar fora de sua linha de montagem industrial.

É uma obra quase artesanal, nos moldes de uma produção teatral. Uma cena pode levar um dia inteiro para ser gravada, e, quando rodada, já foi intensamente ensaiada. O elenco passou quase um mês confinado em um estúdio, em um processo que a diretora, Denise Saraceni, chamou de ‘imersão’.

Nos extras do DVD, o telespectador vê registros da preparação dos atores, entre eles Débora Bloch, Guilherme Weber, Bruno Garcia, Matheus Nachtergaele e Tarcísio Filho.

Em uma cozinha cenográfica, eles fazem um jantar de verdade, bebem vinho, cantam, dançam e buscam vivenciar o clima de amizade que move toda a história. O preparo incluiu ouvir músicas e ver filmes relevantes, não da época em que se passa a série, 1989, mas dos anos 60 e 70, quando os personagens eram ligados à esquerda e vivenciaram os dramas e esperanças da história do país.

‘Queridos Amigos’ só surgiu porque a Globo quis economizar e cancelou o projeto de uma minissérie histórica sobre Maurício de Nassau, no qual Amaral e Saraceni trabalharam por um ano. E, assim, a nova obra se tornou mais uma prova de que a boa televisão pode aparecer até em tempos de crise.

QUERIDOS AMIGOS

Autora: Maria Adelaide Amaral

Distribuidora: Som Livre

Quanto: R$ 79,90, em média

Classificação: não indicada a menores de 14 anos

Avaliação: ótimo’

 

 

Mario Gioia

‘Diva Italiana’ retrata Claudia Cardinale

‘O sorriso desconcertante e o olhar expressivo da mais bela das estrelas do cinema italiano (perdão, Sophia Loren e Gina Lollobrigida) não são os únicos atrativos de ‘Claudia Cardinale, a Diva Italiana’, produção televisiva da RAI que será exibida hoje, às 20h, no GNT. O bem cuidado documentário de Stefano Mordini evoca, por meio da trajetória da atriz tunisiana, hoje com 70 anos, momentos especiais do cine italiano. Apesar de bastante simpático à figura de Cardinale, não deixa de citar passagens contraditórias do comportamento da atriz, como o filho que ela apresentava como irmão mais novo nos seus primeiros anos de carreira. Mas o destaque da produção recai sobre registros raros da atuação de Cardinale, como sua primeira audição no Centro Experimental de Cinematografia, em que sua voz rouca ajuda a tornar sua atuação mais memorável, ou em trechos de filmes pouco vistos por aqui e em obras-primas incontestáveis, como ‘Oito e Meio’, de Fellini, e ‘O Leopardo’, de Visconti. Faltaram cenas do grande Zurlini, cujo ‘A Moça com a Valise’, estrelado por Cardinale, é dos momentos mais comoventes da história do cinema.

CLAUDIA CARDINALE, A DIVA ITALIANA

Quando: hoje, às 20h

Onde: no GNT

Classificação: não informada’

 

 

 

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