Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
Menu

ENTRE ASPAS >

Folha de S. Paulo

25/11/2008 na edição 513

TELES
Folha de S. Paulo – Editorial

‘Just in time’

‘COM A precisão de um relógio, o governo federal vai cumprindo, uma a uma, todas as etapas para viabilizar uma aquisição bilionária na telefonia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na quinta-feira o decreto feito sob medida para possibilitar a compra da Brasil Telecom pela Oi.

A firma presidencial coroa um processo em que o interesse e os fundos públicos foram submetidos a cronogramas e exigências privadas. Quando foi selada a aquisição, no final de abril, as normas impediam sua concretização. Para evitar agressões ao consumidor, uma empresa poderia explorar o serviço de telefonia fixa em apenas uma das quatro áreas definidas nos leilões de privatização.

Em seis meses, o Planalto capitaneou uma reviravolta no marco normativo -tornou regular o que era irregular. Além disso, mobilizou fundos de pensão estatais (acionistas das telefônicas) e bancos federais, que financiaram e facilitaram as transações. O BNDES injetou R$ 2,6 bilhões na reestruturação societária da Oi; o Banco do Brasil emprestou R$ 4,3 bilhões para a fusão. Tamanho privilégio soa particularmente aviltante quando o país passa por uma crise de crédito.

Mas o surto de rapidez e eficiência que tomou de assalto a burocracia federal nesse caso não pode parar. Se a compra não for consumada até o dia 21 de dezembro, o contrato privado da aquisição prevê multa de meio bilhão de reais. Redobram-se as pressões sobre a Anatel para que entregue a anuência prévia -o último carimbo antes da oficialização do negócio- ‘just in time’.

Atropelada, em nome da viabilização galopante da ‘supertele verde-amarela’, a agência tem nova oportunidade de diminuir o estrago na sua autonomia que o processo provocou. Além de recusar-se a obedecer prazos ditados de fora, deveria impor restrições severas aos aspectos da aquisição que sufocam a concorrência e ameaçam o consumidor.’

 

Julio Wiziack

Oi pede anuência à Anatel para comprar BrT

‘A Oi entrou ontem com pedido de anuência prévia na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), oficializando sua intenção de compra da Brasil Telecom (BrT). A medida foi tomada após a publicação do novo PGO (Plano Geral de Outorgas) no ‘Diário Oficial’.

O PGO define as novas regras e metas do setor de telecomunicações e divide o país em áreas de atuação para as concessionárias de telefonia fixa. Na versão anterior, estava proibida a compra de uma concessionária por outra que atuasse em área diferente. Na versão atual, não há essa restrição.

A Anatel não tem prazo para analisar a operação e poderá impor condicionantes para concordar com o negócio durante a sessão pública de anuência prévia. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) também irá analisar a compra e poderá interferir. Em sua análise, o conselho poderá aprovar sem ressalvas ou impor restrições.

A Oi tinha pressa na aprovação do PGO. Caso não fosse aprovada até 21 de dezembro, a operadora seria obrigada a pagar R$ 490 milhões de multa para os acionistas da BrT.

Críticas

A TelComp, associação que representa as empresas competitivas do setor, foi a público exigindo das autoridades competentes que revelem os estudos demonstrando as vantagens que a aquisição trará para os consumidores. Ela pede que a divulgação seja feita, no máximo, até dez dias antes da sessão de anuência prévia. ‘Queremos saber sobre preço da banda larga, compartilhamento de rede, entre outras coisas,’ diz Luis Curza, presidente da entidade.

Para ele, houve interesse do próprio governo em favor dessa aquisição. A participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no grupo de controle da nova tele foi um sinal. Outro, foram os R$ 4,3 bilhões concedidos pelo Banco do Brasil à estruturação societária da tele.

‘A rapidez da aprovação levanta suspeitas’, diz Curza. Segundo ele, um pedido simples de mudança de razão social de uma operadora à Anatel chega a levar centenas de dias. ‘Estamos falando de uma mudança que exigiu um novo marco regulatório,’ diz. Por isso, a TelComp entra na próxima segunda-feira como parte interessada no processo aberto na Anatel pela própria Oi, há cerca de 45 dias, oficializando a intenção de compra da BrT.

Procurada pela reportagem, a TelComp não respondeu às críticas até o fechamento desta edição. A associação das empresas também é parte nos dois processos abertos no Cade. A partir de agora, os conselheiros devem começar a avaliar se o surgimento da BrOi (apelido da nova tele) provocará concentração de mercado.

Alain Riviere, diretor de regulamentação e estratégia da Oi, contesta. ‘A TelComp manifesta os interesses da Embratel’, diz Riviere. Para ele, a aquisição trará benefícios porque criará um segundo backbone (rede de comunicação de dados) de abrangência nacional para competir com o da Embratel em serviços nacionais.’

 

SATIAGRAHA
Flávio Ferreira e Lilian Christofoletti

Novo relatório da PF tira foco de grampos

‘O novo relatório parcial da Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Dantas -investigado por supostos crimes financeiros- tira o foco da escuta telefônica e se concentra em documentos e testemunhos.

O material, de 242 páginas, acusa o Banco Opportunity, de Dantas, de ter cometido os seguintes crimes: gestão fraudulenta de um consórcio com fundo de pensões, desvio de verba da Brasil Telecom, pagamentos ilegais a Marcos Valério (apontado como o operador do mensalão), além da prática de evasão e lavagem de divisas.

A validade das escutas foi questionada pela defesa de Dantas, que aponta uso ilegal de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no caso e defende a anulação do inquérito. O Ministério Público Federal discorda e diz que a investigação teve ciência judicial.

O relatório entregue pela PF há uma semana foi assinado pelo delegado Ricardo Saadi, que substituiu Protógenes Queiroz, afastado pela cúpula da polícia por suposta insubordinação.

No início do documento, Saadi diz: ‘Com o somatório do já realizado, pudemos constatar que Daniel Dantas lidera uma organização criminosa’.

O policial sustenta que, nos anos 90, durante a privatização de empresas de telefonia, Dantas se aliou aos fundos de pensão Previ, Petros e Funcef e comprou várias teles, incluindo a Brasil Telecom (BrT), que passaram a ser usadas em benefício do Opportunity, lesando os cotistas dos fundos.

Segundo o relatório, os prejuízos foram causados por fraudes contábeis, que fizeram ‘com que os fundos de pensão pagassem ao Opportunity uma taxa de administração maior do que a devida’ e pelo desvio de recurso das teles.

As supostas fraudes apontadas incluem o uso de recursos da BrT para pagar altos salários e bônus para funcionários do Opportunity, para locar e reformar escritório utilizado pelo banco (foram gastos cerca de R$ 2 milhões) e para adquirir aeronaves a serviço de Dantas.

Em relação aos funcionários, o policial destaca o caso da diretora jurídica do Opportunity, Danielle Silbergleid Ninio, que recebeu da BrT, ‘por um serviço não prestado’, cerca de R$ 2 milhões em dois anos e meio.

No relatório, foram citados documentos do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), auditoria da atual direção da BrT e relatório da CPI dos Correios.

Do documento da CPI, a PF destacou a relação do banqueiro com Marcos Valério, suposto operador do mensalão e que está preso por conta de outro inquérito -a tele repassou ao publicitário cerca de R$ 4,7 milhões em contratos considerados inflados.

Segundo Saadi, ‘a fim de conseguir seus objetivos, a organização criminosa liderada por Dantas usa pessoas influentes, os chamados lobistas, bem como procura manipular notícias e opiniões da imprensa’.

Entre os ‘possíveis lobistas utilizados pelos criminosos’, o policial cita o ex-deputado federal e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, que negou ter praticado qualquer ato ilegal.

Sobre a imprensa, Saadi afirma que se aprofundará nessa questão no relatório final.

A PF informou que o ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) trabalhou como consultor da BrT a partir de 2003, mas que uma auditoria da atual direção não conseguiu localizar nenhum trabalho produzido por ele.

O ministro classificou como ‘ridículo’ o fato de ele ter sido incluído no relatório. ‘No nosso país todo mundo diz o que quer e não acontece nada’, diz.

A PF ouviu doleiros, funcionários do Banco Opportunity e presidentes dos fundos.

O documento descreve, com complexas operações, esquemas de envio ilegal de verba para o exterior e lavagem de dinheiro por meio de fazendas e de gados e da exploração de minérios e de terrenos.

O Ministério Público Federal irá devolver o relatório parcial à Polícia Federal, para que aprofunde a investigação.’

 

Lucas Ferraz

PF ‘esquece’ declaração e não investiga vazamento de informações a Dantas

‘No inquérito que apura o vazamento de dados sigilosos da Operação Satiagraha, a Polícia Federal desconsiderou informação dada pelo banqueiro Daniel Dantas, principal alvo da investigação, e não apurou a declaração do dono do Opportunity, em agosto deste ano, na CPI dos Grampos da Câmara. Na ocasião, ele disse que recebeu, em novembro de 2007, informações de que era alvo de operação da PF.

‘Em novembro do ano passado, fui informado de que existia uma operação encomendada na Polícia Federal contra mim. Não dei muita credibilidade, não dei muita importância’, disse o banqueiro.

Dantas, investigado pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, entre outros, afirmou na CPI não se lembrar de sua fonte. ‘São muitas informações que chegam todos os dias e, na medida em que é uma informação talvez vinda por um jornalista, não lembro quem foi que me deu. (…) Mas lembro que obtive a informação de que existia uma operação que tinha sido encomendada contra mim.’

O delegado Amaro Vieira, relator do inquérito aberto a pedido da direção da PF para apurar o vazamento, nem sequer menciona tal fato na representação encaminhada à 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Foi de lá que saiu a autorização -dada pelo juiz Ali Mazloum- para o cumprimento dos mandados de busca, há duas semanas, na casa dos investigadores da Satiagraha e em unidades da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

O inquérito de Amaro, sob a responsabilidade da Corregedoria da PF, apura dois vazamentos, ambos ocorridos neste ano: a reportagem da Folha de abril, que revelou a operação contra Dantas, e as filmagens realizadas pela TV Globo no momento das prisões de alguns dos investigados, entre eles o ex-prefeito Celso Pitta, filmado de pijama, na manhã do dia 8 de julho, quando a operação foi desencadeada.

A Folha procurou o delegado Amaro, mas ele não quis se manifestar. Por meio da assessoria de imprensa, ele alegou que a investigação está protegida por segredo de Justiça e que por isso não comentaria eventuais nuances do caso.’

 

Graciliano Rocha

Para Tarso, novo relatório não é ‘midiático’

‘O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que o novo relatório parcial da Operação Satiagraha, que investiga o banqueiro Daniel Dantas, é ‘mais profundo’ e ‘não midiático’. Foi uma crítica indireta ao delegado Protógenes Queiroz, autor do primeiro relatório, afastado do caso em julho.

Elaborado pelo delegado Ricardo Saadi, que substituiu Protógenes, o novo relatório afirma que o dono do Opportunity lidera uma ‘organização criminosa’.

‘Eu disse que o relatório seria técnico, mais profundo, desapaixonado e não midiático, e assim foi’, disseTarso, ao deixar ontem uma reunião entre ministros responsáveis pela gestão da segurança pública dos países do Mercosul, em Porto Alegre.’

 

TELEVISÃO
Sylvia Colombo

Hoje é dia de Capitu

‘Quando pensou, pela primeira vez, em como faria para transpor para a TV o clássico de Machado de Assis ‘Dom Casmurro’ (1899), o diretor Luiz Fernando Carvalho, 48, desejou filmar a ação nas ruas do Rio de Janeiro de nossos dias.

Mas as cifras correspondentes à realização de uma novela que retratasse o século 19 multiplicaram-se e ele, com a promessa de um orçamento apertado, ficou com o seguinte dilema diante de si: ‘Ou não fazer, ou pensar num novo conceito’.

Foi então que lhe vieram à mente duas idéias do próprio Bruxo do Cosme Velho. ‘Machado dizia: ‘a realidade é boa, mas o realismo não serve para nada’ e ‘a vida é uma ópera’. Foram dicas para repensar o livro dentro de um formato operístico, moderno e não-realista’, disse em entrevista à Folha.

Assim, seria possível fazer algo de barato -pois gravado num lugar fechado e quase sem locações externas- e também respeitar algo que está na estrutura do texto machadiano.

‘O modo conciso como os personagens são apresentados, a divisão da ação em cenas curtas, porém densas, são características próprias da ópera.’

E é desse modo que a minissérie ‘Capitu’ irá ao ar entre 9 e 13 de dezembro, em cinco capítulos, pela Globo. Trata-se do segundo programa do projeto ‘Quadrante’, criado por Carvalho. ‘A Pedra do Reino’, de Ariano Suassuna, foi o primeiro. Pela frente virão ‘Dançar Tango em Porto Alegre’, de Sergio Faraco, e ‘Dois Irmãos’, de Milton Hatoum.

A releitura, ou ‘aproximação’ -como prefere o diretor- do texto de Machado respeita cada vírgula da obra original.

As imagens, porém, surpreendem pela beleza e pela transformação do espaço. Um mesmo local corresponde a cantos diferentes da memória de um velho Dom Casmurro (Michel Melamed), que narra a própria desgraça e se mostra incapaz de resgatar o passado a partir das sombras de lembranças que vê desfazerem-se nas paredes de um antigo salão.

O espaço também se presta ora para evocar a sala-de-estar da família Santiago, ora os fundos da casa onde Bentinho e Capitu namoravam.

As filmagens foram na sede do Automóvel Clube do Rio, um prédio antigo, com paredes descascadas, no centro.

‘Tudo ali é ruína. Um lugar perfeito para contar a história de um homem em ruínas, que não consegue resgatar o que perdeu. Bentinho vira um prisioneiro patológico de sua própria imaginação e memória, um ‘doente imaginário’, parodiando Moliére.’

Os minicapítulos são divididos por pequenos títulos, como no livro, e anunciados ao modo das antigas radionovelas, reforçando a ironia com que a narrativa trágica toma corpo.

Adolescência

O diretor optou por não dar tanta atenção ao grande mistério do livro. Ou seja, se Capitu traiu ou não Bentinho. Preferiu concentrar-se na fase da adolescência de ambos, quando se apaixonam e enfrentam os primeiros dilemas morais e afetivos. ‘Machado também faz isso e eu respeito o texto. As pessoas se acostumaram a enxergar só a traição como centro da obra.’

Para ele, ‘Dom Casmurro’ fala de várias coisas. ‘É uma história que acontece ainda hoje, pois trata de relações míticas, afetos familiares, amor, desejo, religião, tragédia e comédia. Embates atemporais que não foram e nem vão ser resolvidos. Machado está vivo.’

Política

O diretor também ressalta a pegada política do romance. ‘Conta-se uma história que é também uma crítica dos costumes da elite branca do final do século 19.’ Para ele, os personagens funcionam como instrumento para formular a sátira.

‘Bentinho é filho de uma elite decadente, dona Glória guarda o vestuário e a pompa de algo que já desapareceu, enquanto o agregado José Dias, com sua moral dúbia, revela o desgaste daqueles hábitos. E o padre Cabral é o símbolo da Igreja a quem Machado ataca.’

Aí, de novo, para Carvalho, entra a pertinência de transformar o romance em ópera. ‘A idéia de trancafiar sujeitos de personalidades tão fortes, condenados a viver debaixo de um mesmo teto, é levá-los à destruição, a um fim trágico.’

Elenco

O projeto trabalha com atores ‘excluídos da grande mídia’. Melamed, ator de teatro, faz Bentinho. A Capitu moça, Letícia Persiles, é cantora de rock. Há apenas duas atrizes veteranas: Eliane Giardini, que faz Dona Glória, a mãe de Bentinho, e Maria Fernanda Cândido, a Capitu adulta.’

 

Carlos Heitor Cony

‘Capitu’ é ‘mix’ de artes bem elaborado

‘Em princípio, sou cético em relação às obras literárias transpostas para outras linguagens, como a audiovisual do cinema, da televisão e do próprio teatro. Poderia citar trilhões de exemplos negativos. Contudo, Luiz Fernando Carvalho, em seu mais recente trabalho na TV (‘Capitu’), evitou a transposição e assumiu o que eu chamaria de ‘posição’ diante do desafio de dar imagem, som, luz e processo narrativo a ‘Dom Casmurro’, a mais famosa obra-prima da literatura nacional.

Por acaso, sua carreira na televisão começou com um romance de Machado de Assis (‘Helena’) e seguiu em ritmo ascendente com outros textos importantes da nossa produção literária: ‘Lavoura Arcaica’ e ‘Pedra do Reino’. No caso de ‘Dom Casmurro’, essa ‘posição’, ao mesmo tempo em que traz o novo na abordagem de um grande clássico, traz o charme tecnicamente bem elaborado de um ‘mix’ de várias artes autônomas, como a ópera, o teatro e o próprio romance.

Inteiro e integral

Antes de mais nada, a constatação: Machado está inteiro e integral na posição que Luiz Fernando adotou para contar a história de Bentinho e Capitu. Os diálogos são os mesmos do livro, a cronologia básica a mesma, abrindo espaço para ‘insights’ que o próprio Machado adotava, inclusive aconselhando o leitor a pular um capítulo e passar para outro.

Evidente que o diretor admite influências, citando a de Visconti e Bergman, que são as mais explícitas nesta nova minissérie. Apesar da limitação orçamentária, abandonadas as locações de época que o romance exigia, ele partiu para uma solução própria da ópera: o palco único e bastante para situar a história desde o seu começo, a cena inicial do trem, em tom quase realista, os personagens lembrando alguma coisa de Fellini e do próprio Bergman. Mas as lembranças ficam aí.

Luiz Fernando vai em frente e coloca no ‘estreito espaço’ de que fala Goethe toda a ventura e toda a desventura de seus personagens com seus respectivos ‘links’. Isso só se tornou possível porque, além de dirigir, ele foi o autor do texto final do roteiro -processo que os dois cineastas acima citados também adotavam. Não usou o tratamento realista, seguindo um princípio enunciado pelo próprio Machado: ‘A realidade é boa, mas o realismo não serve para nada’.

Debussy e rock

Ópera, teatro, romance, a minissérie tem momentos do cinema mudo na caracterização dos personagens típicos do século 19 e nas cartelas que anunciam os episódios.

A trilha musical mistura Debussy, Carlos Gomes e gente do rock -cada um em seu lugar e sua circunstância.

O elenco evitou grandes nomes e, acima de tudo, evitou a esparrela que atrai críticos e leitores: o adultério ou não de Capitu. Já foi dito que a valorização do pormenor prejudica a grandeza do romance.

Daí, certamente, a opção de Luiz Fernando em dar destaque especial à adolescência de Bentinho e Capitolina, o fantasma do seminário que afastaria os dois namorados. Não foi à toa que Machado, geralmente sem explicar nada, explica que a Capitu-mulher estava dentro da Capitu-menina, como a fruta dentro da casca.’

 

Laura Mattos

Torloni será obcecada por aparência em novela

‘Christiane Torloni não vê a série ‘Desperate Housewives’, mas a personagem que interpretará na próxima novela das oito da Globo tem um quê da neurótica Bree (Marcia Cross).

‘Melissa quer se blindar dos aborrecimentos e não fala dos problemas com as pessoas. Cultiva a aparência, a vaidade’, descreve a atriz à Folha.

‘Tem pessoas que vivem assim: ‘Escândalo do mensalão?

Quê? Onde?’ Mas Melissa não é frívola’, defende Torloni.

Também como Bree, um problema com o filho acaba chamando Melissa para a realidade. Em ‘Caminhos da Índia’, de Glória Perez, programada para estrear em janeiro, Torloni será mãe de um garoto esquizofrênico (Bruno Gagliasso). A loucura será o mote do merchandising social da trama.

‘Esse é um tema muito importante, que precisa ser ‘despreconceitualizado’. Pessoas que poderiam trabalhar acabam sendo internadas pelas famílias’, afirma Torloni.

Melissa terá também uma filha, interpretada por Maria Maya. ‘Ela será grunge, desafeto da mãe. Vai andar toda montada, com piercing, tatuagem.’

Quando terminar a novela, no final de 2009, Torloni deverá entrar em cartaz com a peça ‘Loba de Ray-Ban’, que também contará com Maria Maya.

O texto, de Renato Borghi, era originalmente ‘Lobo de Ray-Ban’ e foi encenado por Raul Cortez. Torloni soube que havia uma versão feminina para a peça, escrita pelo autor para Dina Sfat, que morreu antes de encenar esse papel.

Em homenagem a Cortez, Torloni decidiu montar a peça, que será encenada paralelamente a uma exposição de fotos do ator, morto em 2006.

Na quarta-feira, ela fará uma leitura do texto, no CCBB, com direção de José Possi Neto e participação de Maria Maya e Leonardo Franco, que estará na peça. Após a leitura, Torloni participa de um bate-papo.

LOBA DE RAY-BAN – LEITURA

Quando: quarta, dia 26, às 19h30

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, tel. 0/xx/11/3113-3651)

Quanto: grátis; senhas devem ser retiradas a partir das 10h na bilheteria

Classificação: não indicado a menores de 12 anos’

 

INTERNET
Folha de S. Paulo

Biblioteca virtual Europeana é fechada

‘Lançada anteontem, a biblioteca virtual Europeana, que oferece acesso gratuito a 2 milhões de livros, quadros, vídeos e documentos de centros culturais da Europa, foi desativada. O servidor da página não suportou o acesso massivo: foram 20 milhões de visitas em uma hora. O site será relançado em meados de dezembro.’

 

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo

Folha de S. Paulo

Comunique-se

Carta Capital

Terra Magazine

Agência Carta Maior

Veja

Tiago Dória Weblog

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem