Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 3 E 4/1

Folha de S. Paulo

06/01/2009 na edição 519

GUERRA EM GAZA
Folha de S. Paulo

Israel veta jornalistas e propaga sua versão sobre ação em Gaza

‘Enquanto Israel ignora a decisão de sua Suprema Corte, determinando o acesso de jornalistas à faixa de Gaza, os serviços de informação do país continuam sua estratégia de exploração de todos os tipos de mídia para apresentar argumentos favoráveis à ofensiva.

Apesar de ter aberto ontem a passagem de Erez para a saída de donos de passaportes estrangeiros, os israelenses não autorizaram a entrada da imprensa. Na quarta, ordem judicial determinou o ingresso de jornalistas à área atacada quando a fronteira com Israel, no norte da faixa de Gaza, abrisse por razões humanitárias.

‘A passagem hoje [ontem] estava sobrecarregada com a retirada emergencial das pessoas’, justificou o portavoz do Exército Peter Lerner. Ele acrescentou que o acesso pode ser permitido amanhã.

Em contraste com a situação dos jornalistas barrados, as forças israelenses divulgaram imagens de caminhões carregados de mantimentos ingressando o território pelo sul da faixa de Gaza (por Kerem Shalom).

É um dos mais de 20 vídeos publicados no canal que as Forças de Defesa abriram no Youtube na última segunda-feira.

‘A blogosfera e as novas mídias são basicamente uma zona de guerra’, disse a major Avital Leibovich, portavoz do Exército, sobre o canal no Youtube (que chegou a tirar do ar imagens de bombardeios, posteriormente liberadas).

‘Muitas vitórias nos conflitos modernos são mediadas pela mídia. Temos a internet e todas as formas de comunicação modernas, e os militares decidiram divulgar suas mensagens com tais ferramentas’, disse Gideon Doron, ex-presidente da agência regulatória que monitorou a privatização dos serviços de rádio e TV em Israel.

A estratégia tem inclusive um órgão gerencial, o Diretório Nacional de Informações, criado há oito meses por recomendação de um escrutínio da guerra contra o Hizbollah, travada no Líbano em 2006.

‘O aparato de hasbara [termo em hebraico que significa ‘explicação’ e é usado também como sinônimo de propaganda] precisava de um órgão para coordenar suas agências e virou uma plataforma de cooperação de todas entidades que lidam com relações públicas’, disse o chefe do diretório, Iarden Vatikai, ao jornal ‘Guardian’.

Via diplomática

A investida passa também por canais diplomáticos. Nesta semana, a Embaixada de Israel em Brasília encaminhou fotos de alvos israelense visados pelos foguetes do Hamas e um vídeo no Youtube justificando os ataques a Gaza, entre outros e-mails diários.

O consulado israelense em Nova York conduziu uma ‘entrevista coletiva’ por meio do Twitter, sistema de microblogs que permite a publicação de textos de até 140 caracteres.

O esforço não é voltado só ao Ocidente. O jornal ‘Haaretz’ registrou que a ação israelense visa também ‘conquistar’ canais de TV árabes via satélite’, ao noticiar o esforço do Exército e da chancelaria em destacar quadros fluentes em árabe para falar à Al Jazeera e a outras emissoras do mundo árabe.

Mas a investida midiática pode gerar efeito contrário, conforme o ‘Haaretz’ mostrou ontem a partir de um vídeo de um bombardeio. Autoridades alegaram que o caminhão atingido levava foguetes do Hamas, mas ONGs humanitárias disseram que eram tanques de oxigênio usados numa fundição.’

 

Painel do Leitor

‘‘Quero parabenizar a Folha pelas excelentes colunas de Clóvis Rossi e Eliane Cantanhêde sobre situação na faixa de Gaza. Além disso, a cobertura está excelente, pois contém várias informações a respeito da situação humanitária dos palestinos, da proibição da entrada da imprensa, das dificuldades que estão vivendo e da publicação de diferentes pontos de vista. É necessário mostrar e falar das condições de vida dos palestinos de Gaza que vivem em uma prisão, sem condições dignas de vida. Além disso, os dados já mostram que mais de 40% dos mortos são civis. Isso mostra que o jornal está empenhado em mostrar os fatos sem tendências ou distorções.’

SORAYA SMAILI (São Paulo, SP)’

 

ACORDO ORTOGRÁFICO
Angela Pinho

Ensino médio só terá livro com nova grafia em 2012

‘Embora o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa já tenha entrado em vigor no dia 1º, as escolas públicas do país só começarão a receber dicionários e livros adaptados às novas regras entre 2010 e 2012.

A demora decorre do cronograma de compra de material didático pelo Ministério da Educação e da data prevista para a finalização do novo Volp (‘Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa’), pela ABL (Academia Brasileira de Letras) -entre fevereiro e março.

No Programa Nacional do Livro Didático, o edital para a aquisição das obras é lançado de dois a três anos antes da distribuição. Foi o caso dos 103 milhões de exemplares que chegarão às mãos dos alunos do ensino médio da rede pública em 2009. Como o processo de compra deles acabou em 2007, quando o Acordo ainda não havia sido regulamentado, o MEC disse às editoras que a adaptação seria apenas voluntária. Com isso, esses estudantes só receberão livros adaptados em 2012 (veja quadro nesta pág.).

A maioria dos fornecedores que entregam o material didático neste ano preferiu não fazer modificações, segundo Rafael Torino, diretor de ações educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Uma exceção são as obras de biologia da Nova Geração. ‘Vai ser uma minoria, porque a maioria das editoras está usando seus recursos editorais para os livros do futuro.’

Para os dicionários, a previsão de Torino é que o edital seja lançado em março, quando o Volp já estiver pronto. Serão distribuídos um milhão de kits com oito a dez exemplares. O custo é estimado em R$ 100 milhões, mas, de acordo com Torino, não se trata de um gasto adicional -o governo já teria de comprar novos dicionários.

Os folhetos destinados aos professores também são esperados só para o ano letivo de 2010, já que também só serão elaborados após a publicação do novo Volp.

O governo federal diz não ver problemas no fato de o material didático chegar após o início da vigência do Acordo, pois o decreto presidencial que instituiu a reforma prevê um período de transição até 2012, em que as duas ortografias irão conviver. Outro argumento citado é o custo da aquisição das obras.

‘Os programas do livro são caros, não dá para sair jogando os exemplares fora antes do prazo’, diz Torino.

Ele menciona também que algumas redes, como a estadual de São Paulo, já organizaram treinamentos para os professores no ano passado, o que deve facilitar a disseminação de informações sobre as alterações.

Em cidades com menos recursos, porém, a adaptação promete ser mais lenta. É o caso de Paripueira (AL), cidade na região metropolitana de Maceió que figura na lista dos dez municípios com menor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). A secretária de Educação que deixou o cargo no último dia 31, Edemara de Oliveira, disse que o tema não foi discutido durante o ano. Ela afirma, porém, que não vê problemas na adaptação em até dois anos, desde que os atuais dirigentes promovam um programa de capacitação.’

 

Pasquale Cipro Neto

A eliminação do trema não implica mudança na pronúncia

‘E o pobrezinho do trema se foi! Pobres de algumas palavras, como ‘quiproquó’, que, mesmo quando se escrevia (ou se deveria escrever) com trema no primeiro ‘u’ (‘qüiproquó’), nem sempre era lida de acordo com a norma culta. Muita gente pronunciava e pronuncia ‘kiprokó’ (a eliminação do simpático sinalzinho exige contorcionismos para que se explique a pronúncia de uma palavra).

Amado ou odiado, o trema (palavra masculina -’o trema’ e não ‘a trema’) marcava a pronúncia do ‘u’ átono nos grupos ‘que’, ‘qui’, ‘gue’ e ‘gui’. Com o fim do trema, formas como ‘argúi’ (terceira do singular do presente do indicativo de ‘arguir’, que era ‘argüir’) e ‘argüi’ (primeira do singular do pretérito perfeito) se igualam na escrita -passam a ‘argui’.

O fim do trema não implica a mudança da pronúncia de palavras como ‘sequestro’ ou ‘linguiça’. Morre o trema, mas os ‘us’ que eram lidos continuarão sendo lidos, e os que não eram ou não deviam ser (como os de ‘distinguir’ e ‘extinguir’) continuarão não sendo (ou não devendo ser) lidos. O trema continua em termos estrangeiros, como ‘mülleriano’. É isso.’

 

ABL tem tira-dúvidas on-line de nova ortografia

‘Para tirar dúvidas sobre as mudanças da nova ortografia os brasileiros podem recorrer -oficialmente- à Academia Brasileira de Letras. No site da ABL (www.academia.org.br) está disponível o serviço ABL Responde. Os interessados podem digitar questões, que serão enviadas à comissão de lexicografia e lexicologia.

Formada por dez técnicos com nível de doutorado em língua portuguesa, a equipe atenderá aos pedidos enviados. Segundo a ABL, não há prazo para o envio das respostas, visto que cada questão requer análise.’

 

YOUTUBE
Mônica Bergamo

Breu

‘Uma notificação de direitos autorais da gravadora Sony BMG fez o YouTube tirar do ar o MofoTV, um canal online com 1.080 vídeos e 17 milhões de acessos sobre a memória da televisão brasileira. O vídeo ‘problemático’ é uma apresentação da banda Skank no ‘Domingão do Faustão’, na década de 1990.

O dono da conta, José Marques Neto, 44, diz que foi considerado ‘reincidente’ pois a gravadora já havia mandado, pelo mesmo motivo, seu canal apagar dois vídeos da dupla Zezé Di Camargo e Luciano cantando em dois outros programas de auditório.

LAMPARINA

José Marques Neto diz que não pretende recorrer. ‘Estou transferindo os vídeos para o MySpace. Até o dia em que me apagarem de novo’, diz o representante comercial. A assessoria da Sony BMG não foi encontrada para comentar.’

 

FILMES
Fernanda Ezabella

Marginal de luxo

‘‘Sempre tive a impressão de que o diabo ia com a nossa cara’. A frase, dita no longa ‘Sem Essa, Aranha’, pode resumir o espírito de guerrilha de uma geração de cineastas que produziu nos anos 60 e 70, avacalhando convenções, censuras e até mesmo o bom gosto.

Trinta e oito filmes, entre curtas e longas, de 12 diretores desse período experimental estão na coleção de DVDs Cinema Marginal Brasileiro, um projeto de quase 10 anos que chegará às lojas em março.

O lançamento vem da parceria da Lume Filmes com a Heco Produções, que realizou em 2001 a Mostra Cinema Marginal, com alguns dos filmes raríssimos que agora fazem parte da coleção, graças ao apoio da Cinemateca Brasileira.

A primeira leva trará quatro DVDs recheados de extras e livretos de 16 páginas, um para cada diretor: Andrea Tonacci, Rogério Sganzerla (1946-2004), André Luiz Oliveira e Elyseu Visconti.

Depois, a cada dois meses, será a vez de mais dois cineastas (veja quadro ao lado).

‘Sem Essa, Aranha’ (1970), espécie de musical escrachado filmado no Rio, é o filme principal no DVD de Sganzerla e que nunca fora lançado comercialmente. O diretor deu corpo ao movimento que ficou conhecido como cinema marginal ao estrear ‘O Bandido da Luz Vermelha’ (1968), seu filme mais famoso, lançado em DVD ano passado pela Versátil.

O protagonista de ‘Sem Essa, Aranha’ é Jorge Loredo, no papel de Zé Bonitinho, que chega a fazer striptease vestido, com mímicas, rodeado de mulheres nuas num bar decadente.

O DVD traz um depoimento inédito de duas horas dado no MIS-SP, em 1990. ‘O processo criativo é algo que só um ideograma chinês poderia definir perfeitamente […] daria todos os filmes que fiz […] para saber também porque me interessei por cinema desde a primeira infância’, diz o diretor.

Tonacci

O DVD de Tonacci traz o longa ‘Bang Bang’ (1971), conhecido pelo personagem que usa máscara de macaco e toma leite de magnésia. Ao contrário da anarquia dos números musicais de ‘Sem Essa, Aranha’, Tonacci filma em ‘Bang Bang’ uma longa série de dança, sem tirar a atriz do centro da tela.

‘É o filme mais rigoroso [da época] sob o ponto de vista formal […] do enquadramento, da câmera, da imagem com o som’, diz Ismail Xavier, numa palestra durante a mostra de 2001, que vem como extra.

Há também um breve depoimento de Tonacci, explicando que fazer cinema é ‘100 por cento racionalidade, 100 por cento improvisação’. ‘Cheguei a chorar de desespero [ao ver uma página em branco] pela impotência de conseguir enxergar, visualizar [a cena]’, diz.

Documentário para 2010

O DVD de André Luiz Oliveira trará o longa ‘Meteorango Kid, o Herói Intergaláctico’ (1969). Rodado em Salvador, o filme segue um jovem que não faz nada da vida, tira melecas do nariz e apronta pela cidade.

O DVD de Elyseu Visconti terá ‘Os Monstros de Babaloo’ (1970), com detasque para a dupla Zezé Macedo e Wilza Carla.

Eugênio Puppo, dono da Heco, que vem resgatando a história do cinema brasileiro através de inúmeras mostras e livros, lidera as pesquisas sobre cinema marginal desde 1999. Ele promete lançar um 13º DVD, em 2010, com um documentário do movimento.

‘Tenho mais de 100 horas gravadas das 22 mesas-redondas da mostra’, diz Puppo, que fez o evento em SP, Rio e Brasília. ‘Sempre tinha uma câmera na mão, entrevistamos todo mundo que aparecia, como Ivan Cardoso, Maurice Capovilla, Jean-Claude Bernardet.’

Finalmente, o cinema marginal deixa de ficar à margem. ‘Ninguém quer ser marginal, nem o próprio marginal na vida real’, diz Sganzerla, no DVD.’

 

Sérgio Rizzo

Cinema foi resposta à ditadura

‘Nenhum período histórico do cinema brasileiro está bem coberto em DVD. Lacunas grandiosas envolvem, por exemplo, a produção da Cinédia, do cinema novo e dos anos 70. A partir de março, o cinema marginal abandona essa lista graças à ampla coletânea a ser dedicada a ele pela parceria Lume-Heco.

De fôlego incomum no mercado brasileiro, a iniciativa lembra os padrões da distribuidora norte-americana Criterion. Por aqui, encontra paralelo no trabalho cuidadoso (mas ainda incompleto) de lançamento em DVD das obras de Glauber Rocha (1939-1981), Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) e Leon Hirszman (1937-1987).

‘Os filmes desta coleção não caracterizam um estilo, nem uma corrente’, diz Inácio Araujo, crítico da Folha, em texto incluído no livreto que acompanha o volume dedicado a Andrea Tonacci. ‘Eles são, no entanto, um documento amplo sobre uma época e um estado de espírito. Estávamos no coração da ditadura -o AI-5, Médici e a tortura. Isso é o que ficou.

Para quem estava lá no momento, era um pouco mais. Até 1968, ninguém (salvo quem mexia de fato com política) levara muito a sério o regime militar -no sentido de que se imaginava tudo aquilo transitório.’

‘O AI-5 e o que veio depois’, observa Araujo, ‘mostraram que estávamos entrando em uma noite tenebrosa, da qual não se vislumbrava saída.’ O recorte feito pela coleção permite justamente entrever, entre outros aspectos, como o cinema do período ofereceu uma espécie de resposta a esse estado de coisas.

Quatro décadas depois, pode-se compreender melhor um momento crucial na história do país e de uma geração com o retorno em DVD dos ‘marginais’. Não é coisa pouca e merece aplauso.’

 

Andrea Murta

Oscar seleciona doc sobre a irmã Dorothy Stang

‘Uma freira septuagenária brutalmente assassinada, um suspeito conhecido como Taradão e a multifacetada disputa entre conservação e exploração da Amazônia poderiam ser elementos caricaturais demais para uma história de ficção. Para a sorte do documentarista norte-americano Daniel Junge, porém, é tudo verdade -e o resultado tem potencial para Oscar.

A Academia de Hollywood incluiu ‘Mataram a Irmã Dorothy’, de Junge, entre os 15 pré-selecionados ao Oscar de melhor documentário de 2009 -os cinco indicados serão anunciados no próximo dia 22.

A partir de 400 horas de gravação, o documentário aborda as forças envolvidas na morte da missionária conservacionista Dorothy Mae Stang, de Ohio (EUA), assassinada a tiros aos 73 anos, em fevereiro de 2005, em Anapu (oeste do Pará).

‘Se eu tivesse escrito a trama, ninguém acreditaria’, disse Junge à Folha, por telefone, de Denver. ‘Foi uma tremenda sorte encontrar personagens tão fantásticos em todos os lados da história. Mas, se você for ao Pará e passar um tempo em Belém, vai encontrar pessoas como aquelas, quase teatrais.’

Além de Dorothy, que surge em imagens de arquivo, e de seu irmão, David, que foi ao Pará seguir as investigações, Junge destaca os pistoleiros, os acusados de serem mandantes do crime -Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, e Vitalmiro Bastos de Moura (Bida)- e os advogados de defesa do último.

O filme acompanha as condenações iniciais dos pistoleiros, de um intermediário e de Bida. Mas a história continua a sofrer reviravoltas, após as gravações. Bida foi inocentado em um segundo julgamento e está de volta ao Pará. Taradão, que havia ficado preso por mais de um ano e depois fora solto, voltou a ser preso no último dia 26, acusado de grilagem. Ele estaria negociando o pedaço de terra que levou à morte de Dorothy -o lote 55, disputado por pecuaristas e assentados do Programa de Desenvolvimento Sustentável (PDS), que a missionária liderava.

‘Demônio da região’

Junge simplifica a história, mas mostra as complexidades da disputa. O filme deixa claro que o PDS era odiado por boa parte da população de Anapu. ‘Esse negócio de ‘anjo da Amazônia’ é papo furado’, diz um morador. ‘[Ela] enfiou o maldito PDS goela abaixo do pessoal e virou o demônio da região.’

Com críticas à ignorância dos próprios clientes, tramoias e gritos de ‘Vamos à guerra!’, os advogados de defesa são os protagonistas das cenas mais impressionantes do filme.

Numa cena, a mãe de um dos pistoleiros discute com a equipe por telefone. ‘Ela diz que o filho fica na prisão, mas leva todos os responsáveis junto’, diz um dos advogados. ‘Olha a mentalidade desse povo!’

Junge diz que não sabe explicar o porquê da abertura surpreendente dos advogados à sua equipe, composta em boa parte por brasileiros. ‘Acho que eles operam em um ambiente de tanta impunidade que pensam que não é possível atingi-los. Têm essa bravata e gostam de ser vistos assim. E são muito bons no que fazem.’

Mesmo preocupado com a imparcialidade, o diretor não tentou evitar na edição que os personagens se mostrassem em tons tão carregados. ‘É um melodrama, mas aconteceu na nossa frente’, conta. ‘E a gente também curte essas reviravoltas dramáticas do caso.’

Ele admite, contudo, um desconforto. ‘Tenho medo que as pessoas se fixem na ideia de uma ‘freira doce’ e dos ‘homens maus’ que a mataram e percam a dimensão das ideias mais importantes. A história não é sobre a ‘mulher boa contra os homens maus’, e sim sobre falhas sistêmicas, fracassos e a culpa de toda uma sociedade -incluindo as pessoas na Amazônia, o governo brasileiro, e também os norte-americanos que fazem negócios por lá.’

‘Mataram a Irmã Dorothy’ também foi pré-selecionado para indicação ao Oscar por melhor canção original por ‘Forever’, de Bebel Gilberto. A narração é de Martin Sheen (em inglês) e Wagner Moura (em português).

Após vencer o South by Southwest Film Festival (Austin, Texas), o filme foi comprado pela HBO, responsável pela distribuição nos EUA. No Brasil, a MovieMobz planeja lançá-lo em 13 de fevereiro.’

 

TELEVISÃO
Fernanda Ezabella

Simpsons encontram Ets em especial

‘Quatro episódios ‘do outro mundo’ do desenho ‘Os Simpsons’ serão exibidos amanhã, pela Fox, a partir das 20h. Até os agentes Mulder e Scully, da série ‘Arquivo X’, são escalados para dar uma ajudinha a Holmer, após ele encontrar uma criatura sinistra no capítulo ‘The Springfield Files’. Aqui radiação nuclear da pacata cidade de Springfield terá efeito num dos moradores, ainda que em alguém bem pouco popular.

Em outro episódio, ‘Treehouse Horror – E.T. Go Home’, Bart leva na cestinha da bicicleta, no mesmo estilo de ‘E.T. – O Extraterrestre’ (1982), um outro alien, embora nada simpático como o protagonista do filme de Steven Spielberg. Ao contrário, num único telefonema seu, comandará uma tenebrosa invasão alienígena à Terra. Bart, Lisa e cia. encaram o desafio de mandá-los de volta sabe-se lá para qual planeta.

Em ‘Homer Astronauta’, o pai e seu amigo Barney são recrutados pela Nasa para irem ao espaço, na tentativa de popularizar a organização. E, em ‘Bart’s Comet’, a cidade corre o risco de desaparecer do mapa com a chegada de um cometa gigante. A única salvação parece ser apenas o abrigo antibomba de Ned Flanders.

OS SIMPSONS NO ESPAÇO

Quando: amanhã, das 20h às 21h30

Onde: Fox

Classificação: não informada’

 

Rodolfo Lucena

Comédia mais nerdófila da televisão é lançada em DVD

‘Prezado leitor, permita-me uma indiscrição de caráter pessoal: adorei a cortina do banheiro de Leonard e Sheldon. Estampada com a tabela periódica dos elementos químicos, colorida tal e qual nos livros escolares, é um dos tantos ícones geek que permeiam a comédia mais nerdófila exibida por aqui: ‘The Big Bang Theory’, cuja primeira temporada está disponível em DVD no Brasil -nos EUA, está em andamento a segunda temporada da série televisiva.

Exibida na Warner, seduz fanáticos por informática, química, física e outros campos do nerdismo, sem falar em românticos incuráveis. Afinal, apesar de estrelada por dois físicos, secundados pelo engenheiro Howard Wolowitz e pelo astrofísico Rajesh Koothrappali, trata mesmo é do velho tema de solitários em busca de relacionamentos amorosos. Ainda que os quatro vivam em um universo em que videogames são a diversão, querem é se dar bem com as moças. A vida vira de cabeça para baixo quando a gostosona Penny se muda para o apartamento em frente ao dos físicos Leonard e Sheldon.

Leonard se apaixona pela loira burra e pragmática (para os padrões da dupla); Sheldon aponta ao parceiro a dura realidade: ‘Você tem tantas chances de ter uma relação sexual com Penny quanto o telescópio Hubble de descobrir que, no centro de cada buraco negro do Universo, há um homenzinho com uma lanterna tentando achar um interruptor de luz’.

Quando Penny se apresenta à dupla, umas da primeiras coisas que informa é seu signo, concluindo que ‘isso já diz muito’. Ao que o físico retruca: ‘Sim, que você participa da massa que crê piamente que a posição aparente do Sol, na hora do nascimento, em relação a constelações arbitrariamente definidas, de alguma forma afeta a sua personalidade’.

Não é à toa que os diálogos são espertíssimos. ‘Big Bang’ é uma criação de Chuck Lorre e Bill Prady, que têm a seu crédito, respectivamente, ‘Two and a Half Men’ e ‘Gilmore Girls’.

BIG BANG

Distribuidora: Warner

Quanto: R$ 99,90

Classificação: não indicado a menores de 12 anos

Avaliação: ótimo’

 

 

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