Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Folha de S. Paulo

11/08/2009 na edição 550

TELEVISÃO

Cesar Maia

Ilusão de intimidade!

‘NUMA CONSULTA em 1992, Glorinha Beuttenmüller disse que a TV produzia uma intimidade entre expectador e ‘ator’. E que isso valia para os políticos. Portanto, estes, no contato pessoal, deveriam retribuir esta intimidade.

Nestes cinco anos, o impacto da TV na política diminuiu: menos TVs ligadas, zapeamento, troca com a internet, pela sensação de uma novela já vista várias vezes. No Brasil, isso foi sentido em 2004; nos EUA, demonstrado na eleição de 2008. O uso crescente da internet na política é causa e efeito disso. Vale a pena retornar ao auge da TV na política e a seus pesquisadores, comparando aos dias atuais.

Destaco aqui um clássico dessa época: ‘The Reasoning Voter’ (1991), de Samuel Popkin (traduzido para circulação restrita). Popkin dizia que o eleitor usava atalhos para obter informações e, com esses, decidia. Hoje há uma excitação do fator emocional em campanhas. A questão dos ‘atalhos’ de Popkin pode ajudar a entender melhor o processo de formação de voto, sem abusar da emoção.

Popkin dizia que o crescimento na audiência dos noticiários da TV produziu uma guinada histórica em direção a uma política centrada no candidato. Esse jornalismo político mostrou-se mais nacional e mais centrado nos políticos individualmente do que nas instituições. As questões regionais foram perdendo força. A intensidade maior é na pessoa do presidente, mesmo quando se trata de assunto econômico, o que faz os eleitores relacionarem a maior parte dos fatos ao próprio presidente. A TV ressalta o presidente como um politico sempre em eleição.

O uso da TV pelos candidatos ao Congresso reforça essa regra: na hora do voto, quanto mais dinheiro se gasta em mídia, mais os fatores pessoais predominam sobre os fatores partidários. As considerações políticas são mero pano de fundo sob o qual se desenrolam as questões pessoais.

O noticiário na TV retrata a política como conflitos entre pessoas, e não entre instituições ou princípios. Os debates tornaram-se uma espécie de seriado universal. E conclui com Scott Keeler (texto do mesmo nome, 1987) afirmando: a TV cria uma ‘Ilusão de Intimidade’.

Desse ponto, voltemos à percepção recente de que a TV perdeu impacto sobre a política. É verdade, muito menos pela comunicação em si e muito mais pelas novas interveniências. O texto de Popkin continua atual. Só que hoje o mesmo impacto da TV na política sofre interferências de outros meios, seja por alternativa, seja por espalhamento, seja por interação.

A mesma TV, com os mesmos elementos, só produzirá o mesmo impacto se usar bem essas relações. Alexandre Hannud Abdo, no Mais! de 26/7, nos ajuda a entender melhor este novo quadro.’

 

Folha de S. Paulo

Warner bancará versões de séries em outros países

‘A Warner criou um braço de seu estúdio para fazer versões de seriados em outros países. As negociações incluem parcerias com produtores locais e financiamento da franquia.

O produtor Jerry Bruckheimer já fechou um acordo para adaptar ‘Cold Case’ (exibido no SBT como ‘Arquivo Morto’) e ‘Without a Trace’ (‘Desaparecidos’) para a França.

‘The Mentalist’ também pode ganhar protagonistas franceses em breve.

As adaptações não vão interferir nos originais. O presidente Jeffrey Schlesinger afirmou que a proposta é só fazer versões em países onde o seriado americano não vai bem.

A NBC Universal, por exemplo, já faz isso, com versões de ‘Law & Order’ na Rússia, na França e no Reino Unido.’

 

CASO SARNEY

Folha de S. Paulo

Presidente do STF e ministro não veem censura contra jornal

‘O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmaram que não é possível dizer que há censura na decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça no Distrito Federal, que proibiu o jornal ‘O Estado de S. Paulo’ de publicar informações referentes ao empresário Fernando Sarney investigado na Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que corre sob segredo de Justiça.

Fernando, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi indiciado no último dia 15 por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ele nega as acusações.

‘Claro que não há censura. Trata-se de uma decisão judicial, que ainda é um ato monocrático do juiz e precisa ser analisado mediante recurso’, afirmou Mendes. Para ele, a melhor crítica contra a decisão é entrar com um recurso, o que foi feito pelo jornal. Até o fechamento desta edição, o tribunal não havia analisado o pedido.

Mendes citou decisão do STF, de 2002, que proibiu a Rede Globo de divulgar vídeo de conversas em que o ex-governador Anthony Garotinho supostamente autoriza assessores a pagar suborno a um fiscal da Receita. A proibição ocorreu em período era eleitoral.

Para Genro, também não se pode falar em censura. ‘Não acho que seja censura. É uma decisão que juridicamente não se sustenta. O que está sendo obstado ali seria, segundo o despacho, a divulgação de fatos que podem ser inverídicos’, afirmou o ministro.

‘Essas decisões normalmente funcionam ao contrário. Em vez de proteger a pessoa investigada, funcionam como um instrumento que chama a atenção para os fatos que são imputados justa ou injustamente’.

Por causa da decisão do juiz, o jornal está impedido de publicar (se o fizer, pagará multa) qualquer informação referente à investigação que indiciou Fernando por quatro crimes.

Provocado pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) vai averiguar a conduta do desembargador, que já trabalhou no Senado por indicação de Sarney, de quem é próximo. O conselho pediu explicações a ele, mas até ontem não havia obtido resposta.’

 

VENEZUELA

Marcos de Vasconcellos

Chávez age na mídia como Hitler, diz opositor

‘Líder da oposição venezuelana, o deputado Ismael García, do Partido Pela Democracia Social (Podemos), afirma que Hugo Chávez ‘viola todas as leis e usa sua máquina midiática nos moldes do nazismo’.

Em visita ao Rio para convenção do PPS, García afirmou que Chávez abandonou a polêmica proposta de ‘Lei Contra Delitos Midiáticos’, que foi considerada inconstitucional pelo Conselho Nacional de Jornalistas (CNP) da Venezuela, porque não precisa dela para alcançar seus objetivos.

O deputado parafraseou o senador Renan Calheiros e disse que a Venezuela ‘é governada por uma minoria com complexo de maioria’. Segundo García, não há apoio popular ao governo de Chávez, mas este se considera maior que o próprio povo, criminalizando a oposição, agredindo e fechando o caminho de quem não o apoia.

Para o líder do Podemos, a revolução socialista anunciada pelo presidente venezuelano não existe. Chegou a comparar o controle que Chávez exerce sobre a mídia com o que acontecia na Alemanha nazista. ‘O governo tem uma grande máquina midiática, como a que Hitler tinha com [o Ministro do Povo e da Propaganda do partido nazista] Goebbels, que ia ao rádio e falava muitas vezes’, acusa o venezuelano.

Atualmente o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e o próprio governo venezuelano têm o controle sobre mais de 500 emissoras de rádio do país. Na semana passada, 34 das 400 emissoras independentes foram fechadas e, por conta de um decreto aprovado, outras 206 serão fechadas ou estatizadas até o final de 2009.

Para o oposicionista, as medidas de comprar armamentos e retirar seu embaixador de Bogotá, anunciadas por Hugo Chávez após o anúncio da ampliação do pacto militar entre Estados Unidos e Colômbia, podem gerar um grande problema econômico para a Venezuela. García afirma que Colômbia, Brasil e EUA são os três países que mais movimentam a economia venezuelana e que esta não terá como se sustentar se romper o intercâmbio econômico com um deles.

García identifica um grave problema na economia da Venezuela: a produção de petróleo do país está caindo, e o déficit em sua balança comercial, aumentando. O deputado, que apoiou a primeira eleição de Chávez, diz que ‘há dez anos era vendido aos EUA 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, e hoje o país só compra 800 mil barris/dia da Venezuela’. A produção está baixa a ponto de, atualmente, o país ser obrigado a importar gasolina.

A polêmica em torno da ampliação da presença militar americana na Colômbia e os elos entre o governo venezuelano e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) está recebendo, segundo o deputado García, um tratamento desproporcional à sua relevância. Para ele, esta é uma manobra do presidente para que as atenções se voltem para outro assunto que não a grave crise política, econômica e social que a Venezuela tem enfrentado.

García declara que essa sempre foi a estratégia adotada por Chávez. ‘Antes era a luta contra o Bush, mas, depois da eleição de Obama, ele teve que procurar outros focos.’

De acordo com o opositor, o presidente venezuelano parece se preocupar mais com Manuel Zelaya (presidente deposto de Honduras) do que com os problemas do seu país. García acusa Chávez de intervencionismo na América Latina ‘Ele quer que a Venezuela dite as normas e as pautas para os países da América Latina que dependem do petróleo venezuelano.’’

 

POLÍTICA CULTURAL

Larissa Guimarães

Nova Lei Rouanet vai exigir retorno

‘A nova Lei Rouanet exigirá que projetos com potencial comercial revertam parte da receita a um fundo cultural ou reduzam o preço do ingresso ou do produto produzido.

Em entrevista à Folha, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, adiantou que essa será uma das principais alterações no projeto de lei da nova Rouanet, que deve ser enviado ao Congresso em agosto. Hoje, não há diferenciação entre projetos comerciais e os demais.

Pela primeira opção, os grandes projetos que pedirem recursos da Lei Rouanet terão de destinar parte de sua receita para o FNC (Fundo Nacional da Cultura). O fundo, gerido pelo MinC, apoiará projetos ‘experimentais e inovadores’, segundo Manevy.

O valor que o artista terá de retornar ao ministério vai depender de quanto pediu inicialmente. A regra será: o percentual de verba pública que entrar em um espetáculo será o mesmo percentual a ser retirado da receita da bilheteria.

Um exemplo hipotético: o artista propõe um espetáculo que custe R$ 1 milhão e pede R$ 500 mil pela Lei Rouanet- ou seja, 50%. Se a receita de bilheteria desse artista alcançar R$ 2 milhões, ele destinará R$ 1 milhão ao fundo (50%).

Caso o projeto tenha receita menor, a proporção também será seguida. Porém, se houver prejuízo, o artista não precisará ‘restituir’ o valor ao FNC.

‘Hoje o dinheiro é a fundo perdido. A diferença é que agora teremos, em determinados projetos, uma possibilidade de retorno’, disse Manevy.

A ideia é que o produtor proponha uma parceria com o ministério. ‘Ele terá liberdade para escolher quanto dinheiro, mas o projeto será avaliado economicamente’, alegou.

Ingressos mais baratos

Caso o artista opte pela segunda possibilidade, terá de baixar o valor do ingresso do espetáculo ou do produto que produziu. O percentual será determinado após avaliação econômica do projeto, feita caso a caso, segundo o MinC.

Pelo novo texto, tanto nos projetos com potencial comercial quanto nos demais, o preço do ingresso deverá ficar abaixo do cobrado sem verba pública.

A proposta do ministério não estabelece regras que definam ‘projetos com potencial de retorno comercial’. Segundo Manevy, será feita apenas uma análise econômica. ‘Não é uma fórmula’, disse, após citar como exemplo de projeto comercial ‘o filme do Daniel Filho, que é comédia romântica’ (‘Se Eu Fosse Você 2’, com uma das melhores bilheterias da história do cinema brasileiro).

Manevy ressaltou que projetos com retorno comercial não necessariamente envolvem artistas renomados. ‘Bom lembrar que um artista famoso pode fazer uma peça difícil e experimental, como no teatro.’

A Rouanet é hoje o principal mecanismo de financiamento da cultura no país. A maior parte do montante de quase R$ 1 bilhão movimentado pela lei vem de renúncia fiscal -as empresas patrocinam projetos e abatem do Imposto de Renda parte ou a totalidade do valor.

Para o governo, as alterações propostas tornarão o Fundo Nacional de Cultura mais forte, e a renúncia fiscal poderá deixar de ser a fonte principal.’

 

Audrey Furlaneto

Ancine anuncia vencedores de edital de R$ 10 milhões

‘A Ancine (Agência Nacional do Cinema) anunciou na quarta, no Rio, a lista dos oito vencedores do edital de R$ 10 milhões. A verba, da linha C do Fundo Setorial do Audiovisual, é destinada a distribuidoras brasileiras para que invistam na produção nacional e contemplou as independentes Downtown, Europa, Riofilme e Imagem.

Os valores variam de acordo com a etapa de produção. ‘Sonhos Roubados’, de Sandra Werneck, por exemplo, está em finalização e terá R$ 300 mil. Já ‘Sexdelícia’, de Roberto Santucci, em produção, ficou com R$ 3 milhões.

Também venceram ‘A Primeira Vez de Priscila’, de Rosane Svartman (R$ 2 milhões), ‘Filme de Estrada’, de Selton Mello (R$ 800 mil), ‘Lutas – O Filme’, de Luiz Bolognesi (R$ 400 mil), ‘Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos’, de Cacá Diegues (R$ 1 milhão), ‘Entre a Dor e o Nada’, de Alberto Graça (R$ 500 mil) e ‘O Vendedor de Passados’, de Lula Buarque de Holanda (R$ 2 milhões).’

 

LIVROS

Marcos Strecker

Obra reúne dicas e exemplos para jovens jornalistas

‘Quando virou editora de Treinamento da Folha, em 1997, a jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, 44, passou a pesquisar a melhor bibliografia para os cursos de formação de trainees. A intenção era encontrar manuais práticos, detalhados, ‘pé no chão’. Encontrou esse material objetivo e didático principalmente nos EUA.

Doze anos depois, aproveitando a experiência acumulada no treinamento de trainees e o contato frequente com especialistas que dividiam as mesmas preocupações, inclusive os americanos, a jornalista criou um manual para quem deseja se iniciar na carreira.

‘Jornalismo Diário’, à maneira dos livros-texto, reúne o básico: como é a estrutura de um jornal, quais são os perfis indicados para as diferentes funções na Redação, o que é pauta, como escrever um texto limpo, informativo, claro.

Seus modelos são o ‘News Reporting and Writing’ (escrevendo reportagens e textos jornalísticos, The Missouri Group, ed. Bedford e St. Martin’s), e o ‘Writing and Reporting News’ (que curiosamente tem a mesma tradução, ed. Wadsworth), de Carole Rich.

O livro discute o ‘caminho das pedras’ para o sucesso na profissão. Apresenta fundamentos, traz orientações e discute em linguagem franca as mais diversas dificuldades. Ensina aos estudantes como aproveitar bem a faculdade e, aos iniciantes, como driblar a inexperiência.

Há desde formas de extrair as melhores informações a maneiras de organizar as notas, passando pelo exemplo concreto de como elaborar o currículo e se comportar em entrevistas de seleção.

Permeando os capítulos, jornalistas experientes lembram o início de suas carreiras e discutem sua experiência: Elio Gaspari, Janio de Freitas, Clóvis Rossi, Carlos Eduardo Lins da Silva, Celso Pinto, Sérgio Dávila e Fernando Rodrigues. Profissionais também explicam como driblaram dificuldades concretas e expõem os seus pequenos truques.

Os depoimentos pessoais e os pequenos ‘cacos’ acrescentam humor e enriquecem a narrativa. A ‘técnica Columbo’, por exemplo, ensina a extrair comentários quando o entrevistado relaxa na hora em que o gravador é desligado -uma alusão ao detetive do seriado de TV que se fazia de sonso para obter informações.

O livro traz remissões ao blog Novo em Folha (novoemfolha.folha.blog.uol.com.br), que é uma extensão do Programa de Treinamento em jornalismo da Folha. A própria autora foi aluna da primeira turma do programa. Formada em jornalismo pela ECA-USP, é responsável pela metade, aproximadamente, dos 400 profissionais que já saíram das 47 turmas organizadas desde 1988.

JORNALISMO DIÁRIO

Autora: Ana Estela de Sousa Pinto

Editora: Publifolha

Quanto: R$ 49,90 (344 págs.)’

 

Oscar Pilagallo

Ex-dirigente da Radiobrás debate ética na relação entre mídia e poder

‘Uma das boas definições para jornalismo é aquela que o descreve como uma atividade que procura jogar luz sobre fatos, buscar a verdade factual.

Essa verdade, porém, não é tão simples quanto possa parecer. Ela não existe em algum lugar, à espera de um iluminado que venha desvendá-la, mas adquire existência no próprio relato jornalístico. É, portanto, uma construção social.

E é bom que assim seja. Em ‘A Imprensa e o Dever da Liberdade’, Eugênio Bucci nota que é esse processo que desautoriza mentiras e falsificações.

A independência, do veículo e do jornalista, é o pré-requisito; a liberdade é o resultado.

Bucci defende a liberdade como o primeiro entre todos os deveres do jornalismo, mais importante até do que o apartidarismo. ‘Para o jornalista, exercer a liberdade é um dever porque, para o cidadão, ela é um direito’, resume.

O autor tem toda a autoridade para tratar do assunto. Não apenas porque tem dado contribuição acadêmica relevante ao debate sobre a ética na imprensa, mas sobretudo por ter oxigenado a Radiobrás no período em que presidiu a instituição, entre 2003 e 2007.

O livro promete polêmica. Bucci considera um ‘disparate demagógico’ que intelectuais acreditem que possa haver imprensa livre comandada por funcionários do governo. ‘O governo, quando se associa à imprensa, tende a sequestrar-lhe a alma.’

Também adverte para o relacionamento entre jornalistas e ONGs (Organizações Não Governamentais), ‘que hoje se articulam em redes capazes de cooptar e instrumentalizar parte da cobertura’. Alguns, diz Bucci, chamam de responsabilidade social o engajamento do jornalista nas reivindicações dos movimentos populares.

Mas o resultado de tal atitude não é uma imprensa livre, ‘mas submissa ao discurso desses setores organizados’.

Corporativismo

O autor também enfrenta o corporativismo ao criticar o Código de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas, que ‘repousa sobre um conflito de interesses’, ao tratar ofícios diferentes, o do jornalista e o do assessor de imprensa, como se fossem um só, sem vetar ao profissional a possibilidade de estar, ao mesmo tempo, dos dois lados do balcão.

O problema é que eles têm clientes diferentes: o do assessor é a empresa que o contrata, o do jornalista é o cidadão. Seria necessário, portanto, defende Bucci, que se submetessem a códigos de ética específicos.

A separação dos ofícios, em geral criticada apenas da perspectiva corporativa, decorre da percepção, não abordada no livro, de que o jornalismo, como a diplomacia, é mais uma carreira do que uma profissão.

A ameaça do governo, a sedução das ONGs, a confusão da Fenaj, tudo são pedras no caminho da liberdade de imprensa. Como evitá-las? Basta ao jornalista não responder a outros senhores por baixo do pano, diz Bucci, ‘estejam esses senhores escondidos numa conta bancária ou em sua consciência’.

Interessados em imprensa, jornalistas e leitores, têm o dever (prazeroso) de ler Bucci.

OSCAR PILAGALLO é jornalista e autor de ‘A História do Brasil no Século 20’ e ‘A Aventura do Dinheiro’, entre outros livros.

A IMPRENSA E O DEVER DA LIBERDADE

Autor: Eugênio Bucci

Editora: Contexto

Quanto: R$ 27 (144 págs.)

Avaliação: ótimo’

 

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