Sábado, 20 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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ENTRE ASPAS >

Folha de S. Paulo

03/03/2009 na edição 527

IMAGEM
Ruy Castro

A vitória do visual

‘RIO DE JANEIRO – É só olhar em torno. Quando se diz que vivemos numa civilização audiovisual, estamos nos deixando trair pelos sentidos. Na verdade, de 30 ou mais anos para cá, vivemos numa civilização visual. O áudio, coitado, não paga nem placê. Exemplos abundam.

Vide as escolas de samba. A cada ano, elas se esmeram no visual -no gigantismo das alegorias, no abuso de coreografias, no excesso de imaginação dos figurinos (neste Carnaval, tivemos alas de amebas, ácaros, neurônios e até de combustíveis fósseis)- e deixam em terceiro plano o que deveria ser sagrado: o samba. Há quantos anos um samba não sobrevive ao Sambódromo?

E a Broadway? Durante boa parte do século 20, dela saíram as grandes canções modernas, por Jerome Kern, Irving Berlin, George Gershwin, Richard Rodgers, Cole Porter, Harold Arlen. Mas, dos anos 70 para cá, exceto por Stephen Sondheim e um ou dois, seus musicais não produzem uma canção memorável. Em troca, sobram efeitos especiais: helicópteros que descem no palco, lustres que despencam do teto e toda sorte de pirotecnia para embasbacar turistas.

Idem quanto ao cinema, que, no passado, tinha na música um complemento mágico para suas imagens. Mas há décadas não se consegue associar uma melodia a um filme. E os shows de rock? Os jovens vão a ele pela ‘música’ ou pela barafunda de luzes e fumaça -a do palco e a da plateia- com que queimam a libido?

A própria Carmen Miranda é uma prova de que o visual esmagou o áudio. Nesses 53 anos desde sua morte, todos se dedicaram a explorar e exaltar a comediante internacional, famosa pelos vestidos exóticos e turbantes de bananas. Mas, mesmo entre nós, quantos ouvem seus discos e conhecem a cantora que, de 1930 a 1939, revolucionou a música popular brasileira?’

 

 

LIVRO DE MEMÓRIAS
New York Times

Colegas de cativeiro dizem que ‘egoísta’ Ingrid roubava comida

‘Depois de viver dias de heroína ao ser resgatada do poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Ingrid Betancourt agora é descrita como egoísta e arrogante por três norte-americanos ex-colegas de cativeiro, num livro de memórias sobre a vida na selva.

Em ‘Out of Captivity’ (Fora do cativeiro), Keith Stansell, Thomas Howes e Marc Gonsalves, todos resgatados junto com Betancourt, acusam a franco-colombiana de ter escrito uma carta às Farc dizendo que os três eram agentes da CIA (Inteligência dos EUA), colocando suas vidas em risco. A afirmação não pôde ser verificada, e Betancourt não respondeu aos pedidos de entrevista.

Eles dizem também que ela roubava comida e tentava alcançar o topo da hierarquia dos reféns, determinando horário para banhos e escondendo livros e informações obtidas por meio de um rádio transmissor.

‘Até alguns guardas nos tratavam melhor do que ela’, disse o ex-fuzileiro naval Stansell, que em seu livro apresenta ao público uma visão distinta da que se costuma ter da ex-política -a de uma vítima que resistiu nobremente aos seus captores desde o sequestro, em 2002.

Rumores de rusgas entre os ex-reféns vêm surgindo desde o resgate, e Betancourt já havia sido criticada por sua ex-correligionária e colega de cativeiro Clara Rojas.

Com agências internacionais’

 

 

TV PAGA
Folha de S. Paulo

Anatel adia pela 6ª vez decisão sobre ponto extra

‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) adiou, pela sexta vez, a decisão sobre a cobrança de ponto extra na TV por assinatura. Em junho, a Anatel publicou um regulamento que previa a utilização do ponto sem ônus para o assinante. O texto, porém, era ambíguo e permitia a cobrança pela instalação, ativação e manutenção da rede interna, sem especificar o que seriam esses serviços. As operadoras de TV por assinatura recorreram à Justiça, que suspendeu a proibição. No fim de julho, a Anatel apresentou nova proposta -que ainda não foi ratificada pelo conselho diretor da agência- proibindo o pagamento.’

 

 

WALTER SILVA (1933-2009)
Folha de S. Paulo

O agitador da MPB pelas ondas do rádio

‘Em decorrência de complicações cardíacas e renais, morreu ontem pela manhã o radialista, jornalista e produtor musical Walter Silva, conhecido como Pica-Pau. Aos 75 anos, Silva sofria de diabetes e estava internado havia dez dias no InCor (Instituto do Coração), em São Paulo, com uma pneumonia. O enterro será hoje, a partir das 12h, no cemitério Santo Amaro. Seu corpo foi velado desde ontem à noite na Câmara Municipal, na região central de SP. Silva ficou conhecido pela divulgação da bossa nova, quando, no final dos anos 50, à frente do programa ‘Pick-Up do Pica-Pau’, da rádio Bandeirantes, foi um dos primeiros a executar ‘Chega de Saudade’, com João Gilberto. ‘O programa de alcance nacional fez realmente com que a bossa nova ficasse conhecida’, disse o maestro Julio Medaglia. ‘Ele tinha uma personalidade inquieta, era um provocador.’ Em 1957, Silva começou a trabalhar como divulgador e produtor da gravadora RGE. Lá, conheceu Maysa (1936-1977) e teve um papel fundamental no desenvolvimento da carreira da cantora. Outra parceria de sucesso foi com a cantora Elis Regina (1945-1982). Também em seu programa, em 1962, foi o primeiro radialista a tocar um álbum dela, segundo relatava. Entre 1964 e 1967, Silva dirigiu o teatro Paramount. Em 1965, produziu o show ‘Dois na Bossa’, que virou um clássico da MPB, com Elis e Jair Rodrigues.’

 

 

CINEMA
Mônica Bergamo

O ministro e o cineasta

‘O ministro Juca Ferreira, da Cultura, e o diretor Daniel Filho, da Globo Filmes, combinaram de realizar debates sobre a distribuição do cinema nacional, discussão amortecida nos últimos meses. A ideia surgiu depois que Ferreira afirmou ao cineasta que ainda não vira ‘Se Eu Fosse Você 2’ porque o filme não estava passando em Brasília. A distribuição precária de filmes brasileiros é tida como um dos calcanhares-de-aquiles da produção nacional.

ASSINO EMBAIXO

Juca Ferreira telefonou há alguns dias para Daniel Filho para parabenizá-lo pelo sucesso de ‘Se Eu Fosse Você 2’ e para parabenizá-lo pela entrevista que deu à Folha no começo do mês. Nela, Daniel espinafrou o cinema nacional. Disse, com exemplos, que os cineastas têm feito filmes que não agradam ao público; ‘Linha de Passe’, de Walter Salles, por exemplo, seria ‘gelado’; e ‘Ônibus 174’, de Bruno Barreto, não ‘atinge emocionalmente’ o público.’

 

 

TELEVISÃO
Laura Mattos

Cartoon leva a crianças desenho com clichês e estereótipos dos reality shows

‘Lindsay, a ‘princesa burrinha’, é ‘bonita, tem pernas compridas, sempre ligada na moda; leva os meninos à loucura com suas roupas de banho curtíssimas’. Heather, ‘rainha da cocada preta’, é ‘manipuladora e mandona, fabulosa beldade de longos cabelos negros que não tem medo de jogar sujo para conseguir o que quer’. As duas garotas bem que poderiam ser participantes do ‘Big Brother’. Tanto que estão em um reality show, mas não um reality real. São personagens de um desenho animado que simula as famosas gincanas de confinamento da televisão.

A animação ‘Ilha dos Desafios’ estreia no Cartoon, no Brasil, na quinta, dia 5. O nome da produção original dá ideia melhor do que espera os telespectadores do canal infantil: ‘Total Drama Island’, ou ilha do drama total. É uma espécie de ‘Survivor’, que aqui teve o nome de ‘No Limite’, em que os participantes são confinados em uma ilha e competem por um prêmio. No desenho, como no reality, os candidatos enfrentam jogos ‘radicais’, como o de comer lagartas vivas. São eliminados um a um -no ‘cais da vergonha’ e no ‘barco do perdedor’-, até que o vencedor ganha US$ 100 mil.

Classificado pelo próprio Cartoon como livre, ou seja, recomendado a todas as idades, o programa é um desfile de estereótipos como os cultivados pelo ‘Big Brother’, não indicado a menores de 14 anos no Brasil. O primeiro episódio, visto pela Folha, apresenta os concorrentes e as regras do jogo. O refrão da música de abertura é ‘eu sempre quis ser famoso’. Há o que grita ‘u-hu’ e o que diz ‘mó filé’, quando a ‘câmera filma’ a ‘princesa burrinha’, em biquíni provocante, dos pés à cabeça. A ‘gostosa’ esnoba a ‘gordinha’ de aparelho nos dentes e óculos.

Tem a negra, chamada de ‘grandona e escandalosa’. Uma menina leva ‘chapinha’ para alisar os cabelos. O garoto diz que quer dormir na mesma beliche da gatinha. O gordão solta gases no quarto e ri. Tem as brigas, com ‘cala a boca’ e ‘foi mal, eu tô doidão’. Os adultos certamente aproveitam o programa como uma paródia criativa. Mas, às crianças, o que sobra é justamente o que o canal infantil vende: um reality show animado.

ILHA DOS DESAFIOS

Quando: estreia dia 5, às 19h30

Onde: Cartoon Network

Classificação indicativa: livre’

 

 

Folha de S. Paulo

‘Simpsons’ é série mais longa da história

‘O desenho protagonizado por Homer Simpson terá mais duas temporadas, informou a Fox na última quinta. Com o anúncio, diz o estúdio, ‘Os Simpsons’ se torna a série mais longa da história, ultrapassando ‘Gunsmoke’, um faroeste com 20 temporadas exibidas de 1955 a 1975 pelo canal CBS. Já ‘Os Simpsons’, lançado em 1989, tem o final da 22ª temporada previsto para 2011.’

 

 

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