Domingo, 26 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Folha de S. Paulo

24/03/2009 na edição 530

COMUNICAÇÃO
Clóvis Rossi

Falou o pai da Sasha

‘LONDRES – O que impressiona no vídeo que o presidente Barack Obama enviou aos iranianos não é o meio utilizado, embora inédito em relações internacionais. A televisão, desde que a CNN se implantou, tem sido usada frequentemente como forma de comunicação de iniciativas diplomáticas, uma espécie de diplomacia instantânea.

A mudança dramática de tom em relação ao Irã impressiona mais, mas tampouco é o que mais chama a atenção, pelo menos a minha atenção. O tom é que é absolutamente novo.

Obama foi de uma humildade e de um respeito insólitos em presidentes norte-americanos. É compreensível que falasse em ‘novo começo’ com a ‘República Islâmica’, tratada com nome e sobrenome, em vez de ‘eixo do mal’, como dizia Bush. Obama foi eleito para inverter os sinais herdados da administração anterior.

Mas ele, pelo menos nesse vídeo, inverteu os sinais do discurso habitual de todos mandatários recentes dos EUA. O tom não é imperial, é coloquial, quase como se estivesse gravando em uma viagem qualquer um vídeo caseiro para mandar aos amigos em casa.

É um vídeo mais do pai de Malia e Sasha do que do todo poderoso ocupante da Casa Branca. Claro que discursos são discursos, claro que precisam ser acompanhados de ações para que ocorram de fato as mudanças insinuadas no tom adotado no vídeo, claro que há imensas dificuldades pela frente no relacionamento Irã/Estados Unidos (para não falar na crise global e em todos os demais problemas que fazem com o presidente Lula diga rezar mais por Obama do que por ele próprio).

De todo modo, um presidente norte-americano abandonar o tom de sermão com que seus antecessores se dirigiam usualmente ao mundo pode abrir avenidas de dimensões e consequências difíceis de antecipar. Mas que vale a pena transitar, lá isso vale.’

 

CLODOVIL
Carlos Heitor Cony

Imagem pública

‘RIO DE JANEIRO – Carta de leitor na edição da última quarta-feira, comentando a morte de Clodovil Hernandez, lamenta que somente agora, com os obituários publicados, ficou sabendo que ele apresentara um projeto reduzindo o número de deputados -acho que pela metade.

Eu também ignorava este projeto do polêmico parlamentar e acredito que muita gente também não sabia que, além de criar alguns casos próprios de seu temperamento, ele tivera uma belíssima ideia, que um dia, acredito, será retomada.

Será uma batalha difícil. O número de deputados é regulado por lei maior e proporcional ao colégio eleitoral de cada Estado. É evidente que Clodovil, sozinho, não teria condições de modificar a situação. Mas a ideia é boa e muita gente pensa como ele, inclusive o autor destas mal traçadas -e bota mal traçadas nisso.

O motivo da desinformação é simples. A mídia habituou-se a discriminar o universo -seja ele o universo político, econômico, ideológico, social ou artístico- em duas categorias distintas e imutáveis: a dos eleitos e a dos réprobos, a dos bons e a dos maus, caretas e bacanas, vestais e pecadores.

Por diversos motivos, Clodovil pertencia à banda demonizada pelas cultas gentes. Se descobrisse a cura do câncer, o elixir da juventude, o Santo Graal, a quadratura do círculo, os ossos de Dana de Teffé, ninguém saberia.

Em compensação, todos saberíamos que ele usava pijamas de seda com dragões pintados nas costas e que suas cuecas tinham gravado o nome dele encimado por uma coroa de duque.

Na pauta das edições, em jornais, revistas, rádios ou TVs, qualquer notícia relativa a essa sub-humanidade só merece destaque quando acentua e amplia a enormidade da breguice que lhe é atribuída. Chamam a isso de ‘imagem pública’.’

 

IMPRENSA
Folha de S. Paulo

Jornal ‘Agora’ festeja dez anos de vida e cinco de liderança

‘O jornal ‘Agora São Paulo’, do Grupo Folha, comemora hoje o décimo aniversário de um projeto editorial que renovou o jornalismo popular no Estado.

Criado para substituir a ‘Folha da Tarde’, que na época vendia cerca de 15 mil exemplares diários, o ‘Agora’ priorizou a prestação de serviços e a defesa dos direitos do cidadão.

Em 2004 ele tornou-se líder de venda em banca em São Paulo, e desde então vem ampliando sua vantagem. Em janeiro último, segundo o Instituto Verificador de Circulação, o ‘Agora’ tinha uma circulação diária de 93.661 exemplares, contra 61.444 do ‘Diário de S. Paulo’ e 51.473 do ‘Jornal da Tarde’.

Como afirma o editor do jornal, Nilson Camargo, ‘o ‘Agora’ rompeu com o desgastado modelo sensacionalista que valorizava o noticiário de casos policiais, histórias inverossímeis e mulheres despidas de qualquer bom gosto em suas páginas. O foco do ‘Agora’ é a defesa dos interesses cotidianos do leitor como cidadão, contribuinte, consumidor e trabalhador’.

Em 2003, por exemplo, o ‘Agora’ revelou que mais de 2 milhões de aposentados tinham direito à correção de perdas sofridas com antigos planos econômicos, impulsionando uma onda de revisões que beneficiou os segurados do INSS.

O ‘Agora’ é um dos poucos veículos do país a dedicar uma página diária para defender o leitor em suas relações com as empresas e o Estado. Em dez anos, o jornal expôs 22.813 reclamações, das quais 73,9% foram resolvidas. Além disso, fiscaliza a qualidade dos serviços públicos, como transportes, hospitais, escolas e áreas de lazer -parques, praças e centros esportivos. ‘O jornal também se preocupa com o lazer do trabalhador e da dona de casa, apresentando extenso noticiário esportivo e dos programas de TV’, afirma Camargo.

É isso que explica a liderança do ‘Agora’ em seu segmento: ‘Somos pragmáticos e não temos vergonha de fazer um jornal simples todos os dias. Não queremos reinventar a roda e nem fazer um jornal para ganhar prêmios em júris formados por colegas. Fazemos um jornal útil, e o leitor sabe disso’.’

 

EL SALVADOR
Flávia Marreiro e Claudia Antunes

Brasileira militou mais do que marido presidente

‘A casa de Vanda Pignato no tradicional bairro paulistano do Tatuapé (zona leste) acompanhou em tempo real a advogada petista virar futura primeira-dama de El Salvador, há oito dias. ‘Ela colocava o telefone para nossa irmã ouvir a apuração. Foi uma emoção muito grande. Agora que está caindo a ficha’, conta a irmã Carmela.

Para Vanda, 46, a hora é de apontar acasos, ‘milagre’ e detalhes históricos em seu percurso, desde a moça de família de classe média baixa até a casa oficial salvadorenha, para onde vai se mudar em 1º de junho com o eleito, Mauricio Funes, e o filho de 17 meses, Gabriel.

‘Minha ligação com El Salvador vem desde pequena’, anima-se, segurando o menino no colo, ora sonolento, ora fascinado pelos botões do conjunto branco que Vanda escolheu para encontrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta, em São Paulo. Funes falava à imprensa a poucos metros dali.

‘Eu fiz um trabalho de escola sobre El Salvador, acredita?’ Foi no ginásio, ela não lembra muito bem quando.

Mas a sequência que a levou ao posto de primeira-dama é menos prosaica e revela o encontro da militante com a trágica história recente do menor país da América Central.

O marco zero poderia ser o 9 de outubro de 1976, quando Jorge Luis Zelayandía, 22 anos, de uma família de ativistas católicos, foi capturado por agentes da Guarda Nacional de El Salvador, então sob regime militar, e desapareceu. O sequestro de Jorge fez o irmão Ernesto abraçar a militância de esquerda. Em 1985, ele viria para o Brasil, articular apoio à guerrilheira Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional.

Foi quando conheceu Vanda. Ela tinha ido parar no PT à revelia do pai, um barbeiro italiano que não queria nenhuma das três filhas metidas com política. Ainda assim, as moças Pignato, estudantes de escolas públicas, militavam ‘de leve’ no movimento estudantil.

Brasil-El Salvador

No Brasil pós-anistia, parte da energia da esquerda se voltava para a América Central -palco, sob o americano Ronald Reagan (1981-1989), de uma segunda onda da Guerra Fria no continente.

Vanda conta que se juntou ao PT em 1981. No ano anterior, da fundação do partido brasileiro, o arcebispo Oscar Romero foi assassinado por esquadrões da morte da direita em El Salvador e cinco grupos armados se uniram na FMLN. A guerrilheira Frente Sandinista recém-chegara ao poder na Nicarágua e a revolução continuava no horizonte de parte da esquerda.

A sucessão de massacres na guerra civil salvadorenha atraía para a FMLN também os militantes de partidos já estabelecidos institucionalmente. Vanda virou ativista no Comitê de Solidariedade a El Salvador e à Nicarágua. Casou-se com Ernesto. Enquanto isso, o jornalista Mauricio Funes fazia carreira entrevistando líderes da guerrilha salvadorenha.

Nesse período, a FMLN foi parte de uma controvérsia que prejudicou o PT -o sequestro do empresário Abilio Diniz em 1989, dias antes do segundo turno que Lula perdeu para Fernando Collor. Integrantes do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) chileno que planejaram o sequestro alegaram que buscavam fundos para as Forças Populares de Libertação, parte da FMLN.

A FMLN sempre negou participação. Um dirigente da época diz que o objetivo então era buscar uma solução negociada para o conflito, e que o crime afetaria as relações da guerrilha com as Nações Unidas e os governos que a reconheciam como ‘parte beligerante’.

Mudança

A paulistana Vanda resolveu mudar-se para El Salvador em 1992, pouco depois de um acordo mediado pela ONU para encerrar a guerra civil. ‘Foi um ato de coragem, porque era um período de acomodação. Ainda ocorriam assassinatos’, conta Paulo Ferreira, tesoureiro do PT e amigo dela há 9 anos.

‘Queria ficar lá, então concorri à vaga de diretora do Centro de Estudos Brasileiros [ligado à embaixada]’, lembra Vanda, que logo se separaria do primeiro marido.

Ela seguiu engajada no PT e participava das reuniões do Fórum de São Paulo, articulado pelo petismo e controvertido por já ter permitido a participação das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), convertida em narcoguerrilha.

Vanda foi a reuniões na América Central inteira. No sentido estrito, tem mais estrada política do que o marido futuro presidente, que se filiou à FMLN há apenas dois anos.

A paulistana reage quando questionada sobre um possível conflito de interesses entre o papel de representante oficial petista na América Central, a partir de 2005, e o posto de diretora do CEB, pelo qual ganhava salário do governo. Diz nunca ter usado o horário de trabalho para as articulações políticas. ‘Pode perguntar a qualquer um dos embaixadores que serviram lá no período.’

Folhetim e futuro

Com a pacificação de El Salvador, a história de Vanda deixou as páginas mais dramáticas para encontrar o folhetim. Um dia, ela foi chamada ao Canal 12. Queriam a opinião sobre duas novelas brasileiras que estudavam comprar, ‘O Dono do Mundo’ e ‘Barriga de Aluguel’.

O que Vanda achou é que uma ida ao Canal 12 exigia uma palavrinha com Funes, o comentarista político estrela da emissora e da CNN em espanhol -ele ganhara o prêmio Maria Moors Cabot, oferecido pela escola de jornalismo de Columbia, em 1994. ‘Fui lá dizer para ele que ele era bom, mas que a pauta deveria ser mais latino-americanista.’

Funes chamou a moça para um café. ‘Nunca mais nos separamos.’ Foi o terceiro casamento dele, que tem, contando Gabriel, três filhos ao todo.

O novo casal manteria os laços com o PT, decisivos na campanha deste ano. Funes contratou o marqueteiro de Lula, João Santana, e citou o presidente brasileiro sempre que a campanha da governista Arena (Aliança Republicana Nacionalista) dizia que ele seguiria o bolivarianismo chavista.

A imprensa salvadorenha não deixou de lembrar os manifestos pró-Chávez que Vanda assinara. Provocava o então candidato dizendo que ele negava as ideias da mulher.

A futura primeira-dama raramente falou com os jornais locais, a maioria pró-Arena, durante a disputa. ‘Fomos muito ameaçados.’ Conta ter mandado um memorando reservado ao embaixador brasileiro em San Salvador, relatando uma das ameaças.

Por causa delas, diz Vanda, Gabriel foi enviado para uma temporada com os avós em São Paulo. ‘Bibi’ é outro elemento de sua história de improbabilidades: ‘Foi um milagre’. Ela, que nunca conseguira engravidar, deu à luz Gabriel em plena campanha, aos 45 anos e sem tratamentos.

Pela Carta salvadorenha, parte da política social é comandada pela primeira-dama, e Vanda escolheu como prioridade o ‘Cidade Mulher’-programa para inclusão de mulheres, alvo preferencial de violência no país com a mais alta taxa de homicídios do continente.

Agora, o desafio é conciliar a maternidade com o papel no governo. Na sexta, ela parecia ansiosa em mimar Gabriel, após a distância. Lamentou-se. Emendou incluindo-o no espírito de dever público: ‘Foi a primeira cota de sacrifício que ele fez por um novo El Salvador’.’

 

ADAPTAÇÃO
Julio Wiziack

Videolocadoras mudam contra a crise

‘Nem os pornôs esquentaram os negócios das videolocadoras no país. Nos últimos três anos, o volume total de locações passou de 8,5 milhões de unidades para 4,6 milhões, 46% de queda. Esses números poderiam ser 60% maiores não fosse a pirataria. ‘Também seriam superiores se a internet não fosse usada como forma de entretenimento’, diz Tânia Lima, presidente da UBV (União Brasileira de Vídeo). Resultado: 4.000 locadoras fecharam as portas nesse período. Hoje existem 8.000 legalizadas.

Pela primeira vez, a crise chegou na Brasileirinhas, principal distribuidora nacional de pornôs e uma das poucas que mantinham as vendas para as locadoras, com títulos estrelados por celebridades. Em 2008, sua queda foi de 3,5%. Na concorrência, foi superior a 50%. A frigidez desse mercado fez com que a rede 100% Vídeo livrasse seus franqueados da obrigação de oferecer eróticos.

Até a Blockbuster, ícone mundial desse segmento, enfrenta dificuldades. A rede pode entrar em concordata nos EUA. No Brasil, foi vendida em 2007 para a Americanas, que transformou suas 127 lojas em Americanas Express, tendo a Blockbuster como ‘extra’.

Outras locadoras seguem caminho parecido, transformando as lojas em centros de convivência e conveniência. Muitas já conseguem pagar os custos fixos com a receita da venda de outros produtos.

O aluguel de vídeos pela internet também se tornou uma opção. Sites como o Pipoca Online e o NetMovies conseguiram aumentar o lucro fazendo todo o acervo circular. Por isso, cobram menos do que uma locadora que só trabalha com lançamentos.

Novas perspectivas

Essas iniciativas estão dando resultado, mas são paliativas. Luciano Damiani, presidente do Sindemvideo, considera o Blu-ray a principal arma do setor. Esses aparelhos têm uma tecnologia que deverá impedir a reprodução de discos piratas.

Estima-se que 93 mil discos em Blu-ray foram vendidos em 2008 no país. Em 1998, quando o tradicional DVD chegou ao mercado, foram vendidos 110 mil discos. Os fabricantes de aparelhos Blu-ray tentam derrubar o preço e popularizá-lo.

A TecToy lançou o seu por R$ 999 e, em junho, a Sony começará a produção do PlayStation 3 na fábrica de Manaus (AM). O console, que exibirá games e filmes em Blu-ray, custará menos de R$ 1.000.

As distribuidoras estão avaliando outras alternativas para as locadoras. Uma delas seria um contrato de licenciamento para que elas baixassem os filmes da distribuidora, armazenando-os em seu sistema. Na hora de alugá-los, ‘queimariam’ um DVD ou salvariam o arquivo em pen drives. O cliente poderia também baixá-lo pelo site da locadora. ‘Mas, como nem todo mundo tem internet e a velocidade de conexão é baixa, as locadoras existirão nesse formato atual por mais uns dez anos’, afirma Carlos Augusto, diretor da 100% Vídeo.’

 

FUTEBOL
Paulo Cobos e Ricardo Viel

Neymar cresceu como astro de um ‘reality show’

‘Ciúmes, uma pitada de drama, fama, dinheiro, um vilão e um caso de amor precoce (com a torcida do Santos). Foi assim, como um ‘reality show’, ou uma novela das oito, que o atacante Neymar viveu nos últimos cinco anos, antes de se tornar uma espécie de antídoto para a ‘Ronaldomania’ que tomou conta do futebol paulista.

O garoto de 17 anos, que conseguiu dividir os holofotes com o atacante corintiano (seu rival hoje no Pacaembu) desde que foi içado ao time profissional do Santos, teve uma infância única para um jogador de futebol, em qualquer época.

‘Coloquei pressão nele quando tinha nove anos, quando vi que ele tinha talento para se tornar um grande jogador’, diz o pai do atacante, que também se chama Neymar e é um ex-jogador profissional com passagens por Coritiba e clubes modestos do interior paulista.

E não foi só com a família, evangélica e bastante unida, que Neymar assumiu responsabilidades muito cedo. O atacante não teve como regra o anonimato nas categorias de base, o que aconteceu, para falar do Santos, com Pelé e Robinho, por exemplo.

Seus passos no clube foram esmiuçados pela mídia desde que ele tinha 12 anos.

O Santos o usou como garoto-propaganda de uniformes quando ele tinha 13. Seu corpo frágil e o rosto de eterno moleque apareceram em programas de TV antes dos 14.

Com 14, já recebia salário de executivo de multinacional -estimados R$ 25 mil mensais (hoje ganha R$ 85 mil, valor não declarado oficialmente).

Tudo isso teve um preço.

‘O mais difícil de tudo foi o ciúme. Isso sempre aconteceu. Os pais dos outros jogadores das categorias de base não gostavam de que ele tivesse um salário alto enquanto os filhos deles ganhavam pouco’, diz Neymar pai. ‘Vi num jogo juvenil um companheiro de time impedindo o Neymar de bater uma falta dizendo que ele [o novo camisa 7 santista] pensava que era o dono do time’, fala Wagner Ribeiro, o empresário da revelação do clube do litoral.

O sonho de uma transferência precoce para o futebol europeu também não acabou bem. Em 2006, com 14 anos, Neymar e seu pai foram para a Espanha a convite do Real Madrid.

‘Logo me ofereceram um apartamento, escolas para os filhos [Neymar tem uma irmã] e um bom dinheiro [ 1 milhão, ou hoje cerca de R$ 3 milhões]. Estava pronto para assinar, mas passou pouco mais de uma semana e o Neymar começou a ficar deprimido, a não comer direito, pois sentia falta do arroz e feijão. Ele já é magro. Achei então que era melhor voltar para o Santos’, afirma o pai da revelação santista.

Wagner Ribeiro fez força para Neymar ficar no Real Madrid, mas hoje vê uma vantagem no fato de o garoto ter decidido voltar para o Brasil e feito um acordo para ganhar uma bolada do Santos mesmo sem ainda ser profissional.

‘Logo depois daquela viagem, um promotor me acusou de tráfico de menores. Levei o pai e a mãe do Neymar a uma audiência, e a juíza viu que aquilo era absurdo. Se ele tivesse ficado, eu seria um vilão, o que sempre acontece com o empresário’, fala Ribeiro, que era o empresário de Robinho quando ele forçou sua saída do Santos, em 2005, e que apostou em Neymar quando ele tinha 12 anos primeiro por superstição. ‘Ele nasceu em 5 de fevereiro, que é uma data especial para mim por causa de um parente’, afirma o empresário.

Máscara

Hoje, Neymar tem só quatro jogos como profissional. E segue sendo diferente da turma.

Muito pelo que já rendeu de dinheiro -seu pai vendeu os 40% da família sobre os direitos do atacante para o grupo Sonda por estimados R$ 7,5 milhões, valor, segundo Ribeiro, parecido ao que o Chelsea oferecia (esse era o negócio que o empresário preferia).

E também porque Neymar tem cuidados raros no futebol de hoje. Em uma entrevista coletiva, ele disse que seu pai o proibia de usar brincos.

Neymar pai explica o motivo. ‘Ele tem brincos, correntes como as dos garotos da sua idade. Mas não acho bom ele usar isso em campo, nos treinos ou nas entrevistas, senão logo vão falar que ele é mascarado’, afirma o pai superprotetor.

Neymar, que mora com a família em um apartamento de classe média a menos de 100 m da Vila Belmiro, também não pode esbanjar o dinheiro que ganha. ‘Até hoje, quando ele quer um refrigerante, me pede R$ 10. Recentemente, a mãe, que é quem toma conta do dinheiro, deu a ele um cartão de débito, mas ele precisa trazer as notas de onde gastou’, conta o pai, que diz que o filho pode ter adiantado as coisas na vida profissional, mas que não vai fazer isso na vida pessoal.

‘Para um garoto, você dar um campo, uma bola, é a maior alegria. O Neymar precisa se preocupar só em jogar futebol. Do resto, a gente toma conta.’’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

Globo exibe sexo indiano para ofuscar estreia da Record

‘No capítulo desta terça de ‘Caminho das Índias’, Raj (Rodrigo Lombardi) e Maya (Juliana Paes) terão sua primeira noite de amor. As cenas do casal, que protagonizará a novela das oito a partir de agora, foram programadas a dedo. Coincidirão com a estreia, no mesmo horário, de ‘Promessas de Amor’, a terceira fase de ‘Os Mutantes’, na Record.

A estratégia da Globo, com um capítulo de forte apelo, é impedir que a novela da Record tenha audiência acima de 20 pontos, principalmente no Rio de Janeiro. Em São Paulo, a novela da Record nem de longe ameaça a liderança da Globo.

Na rede, é grande a expectativa para que ‘Caminhos’ deslanche. Após o casamento de Raj e Maya, trama que crescerá será a da falsa morte de Raul (Alexandre Borges).

Com a ajuda de um especialista em medicina legal, a autora da novela, Glória Perez, criou uma simulação de morte por infarto. ‘Há uma substância, que naturalmente não vou divulgar, que, injetada no indivíduo, provoca um estado de catalepsia que dura algumas horas. É nesse estado que muita gente, antigamente, e ainda hoje no interior do país, é enterrada viva’, conta Glória.

Raul e Yvone (Letícia Sabatella), sua cúmplice, fugirão para Dubai. No Brasil, Ramiro (Humberto Martins), irmão de Raul, irá pressionar a ‘viúva’, Silvia (Debora Bloch), pelo controle da empresa da família. Eles partirão pelo enfrentamento, e Silvia, para cobrir o desfalque dado por Raul, perderá todos os bens.

AMOR CONFUSO

Depois de 11 anos, Rachel Ripani (foto) está de volta às novelas da Globo. A atriz, hoje com 33 anos, estreou em ‘Zazá’ (1997/98), em que interpretava a filha mais jovem de Fernanda Montenegro. Em ‘Caras & Bocas’, próxima novela das sete, ela será uma funcionária de galeria de arte que se apaixona por um jovem judeu ortodoxo (Sidney Sampaio), o que lhe deixará confusa. Rachel retorna às novelas globais a convite de Jorge Fernando, mesmo diretor que a lançou. Eles se conheceram nos anos 90, quando ela estudava teatro na Inglaterra.

SEM ‘ESCULACHO’

Depois de atuar em oito filmes e em ‘Alice’ (HBO), o ator Juliano Cazarré, 28, finalmente estreará na TV aberta. Em ‘Força-Tarefa’, série policial da Globo, será o soldado Irineu, tenso e provocador, contraponto a Murilo Benício. ‘Ele faz parte de um grupo de policiais que investiga policiais. É o mais truculento e acha que pode torturar para conseguir confissão’, revela. Irineu se esforçará para não dar ‘esculacho’ (gíria para tortura), algo que Cazarré já conhece: ‘Em ‘Tropa de Elite’, eu era dos caras de preto que estavam sempre ao lado do Wagner [Moura]’.

TUDO QUENTE

A julgar pela classificação indicativa, ‘Tudo Novo de Novo’, seriado sobre descasados que tentam construir novas famílias, terá algo picante. A Globo autoclassificou o programa, no ar em abril, às sextas, como impróprio para menores de 16 anos. A rede considera ‘Força-Tarefa’, série policial, mais leve: é adequada para quem tem 14.

ESPERA

Ana Furtado terá que esperar ‘Caminho das Índias’ acabar para estrear como apresentadora do ‘Vídeo Show’. A Globo não permitiu que ela fizesse o programa e a novela ao mesmo tempo. Em abril, o ‘Vídeo Show’ será apresentado por André Marques, Luigi Baricelli e Fiorella Mattheis.

RETORNO

Fora do ‘Fantástico’ desde 2007, Denise Fraga voltará ao programa no segundo semestre. Ela e sua equipe desenvolvem atualmente um projeto de um novo quadro, que ainda será apresentado à direção da emissora.

DUELO DOCE

Fausto Silva, Carolina Dieckmann e William Bonner participarão do ‘Mais Você’ de amanhã. Silva será jurado de um ‘desafio do brigadeiro’ entre a atriz e o jornalista, dois craques no preparo da guloseima. Bonner, por uma questão de política interna, não deverá preparar o doce no programa.

PREOCUPAÇÃO

Setores da Globo não gostaram de saber que a novela das sete terá extraterrestres e que ‘Força-Tarefa’ gravará um episódio em morro do Rio. Acham que isso remete à Record (‘Os Mutantes’ e ‘A Lei e o Crime’).’

 

Fernanda Ezabella

Canal Brasil estreia seriado próprio e mais sete programas

‘Uma dupla de trapaceiros que vive de pequenos golpes para se dar bem na vida é a estrela da primeira série do Canal Brasil, que estreia oito novos programas ao longo deste ano.

‘Amorais’, com 13 episódios de meia hora, foi escrito e dirigido por Fernando Ceylão, que já tem outra atração no canal, ‘Você Está Aqui’, de esquetes de 15 minutos. Luisa Mell, ex-apresentadora da Rede TV!, fará par com Ceylão na comédia.

Das outras sete novidades, duas são musicais. ‘Pelas Tabelas’ pretende dar voz aos novos nomes da MPB, como Hamilton de Holanda, Céu e Pedro Luis. Já ‘MPBambas’ trará entrevistas com consagrados.

‘Temos uma programação que não se enquadra na televisão convencional; muito vem do conceito de produção independente’, diz o diretor do canal, Paulo Mendonça. Boa parte dos programas surge de sugestões da própria prata da casa, como foi o caso de ‘Swing’, com entrevistas feitas por Priscilla Rozenbaum e Domingos Oliveira. Ela liderava havia dois anos o ‘Todos os Homens do Mundo’, e ele, ‘Todas as Mulheres do Mundo’. Agora, juntos, o casal falará de relacionamento com outros casais.

Filmes

O diretor do canal, lançado em 1998 para se dedicar ao cinema nacional, conta que 70% da programação ainda é dedicada aos filmes. Também coproduz dois longas, incluindo um documentário sobre Ney Matogrosso, de Joel Pizzini, em fase de edição. O outro é um filme composto por quatro curtas sobre um contista brasileiro -um deles será a estreia na direção de Lázaro Ramos.

O canal tem média de 12 mil espectadores. Foi em 2004, com a inserção de programas de 30 minutos, que a audiência aumentou, levando o canal do 44º lugar do ranking de TV por assinatura para 26º em 2008. O orçamento anual é de R$ 8 milhões, que vem em grande parte das assinaturas. Metade do valor vai para aquisição de direito de filmes, e o restante para a produção de programas.’

 

Bia Abramo

Novela retoma zona de conforto

‘SERÃO INEVITÁVEIS as comparações entre a nova versão de ‘Paraíso’ e ‘Pantanal’, portanto, a elas, antes de tudo. Mais do que a memória da primeira versão, perdida no início nos anos 80, o que virá à cabeça do espectador será ‘Pantanal’, que mostrou um fôlego incrível quando exibida pela quarta vez no ano passado, no SBT.

Em ambas as novelas de Benedito Ruy Barbosa, há horizontes amplos, pores-do-sol ao som do berrante e cantorias ao pé da fogueira. Há personagens parecidos -nas duas histórias, o todo-poderoso senhor de terras e gado tem origem humilde, é viúvo e se relaciona de modo ambíguo com uma agregada.

Também haverá um movimento contrário de migração -personagens urbanos que vão para a pequena cidade e se encantam com descomplicação (aparente) da vida do interior. Fala-se muito do ‘cramulhão’ (ou cramulhano, como prefere o dicionário Houaiss).

Mas, se no início dos anos 90, quando da primeira exibição da novela, tratava-se de mostrar um mundo que estava fora da teledramaturgia, agora, ao contrário, a ideia é voltar a uma zona de conforto. Na verdade, para duas: a do próprio autor, retomando mais uma vez o mundo rural, e a do horário, insistindo no binômio religiosidade-romantismo.

Aí é que a porca torce o rabo: se em ‘Pantanal’ havia, de alguma forma, o frescor de uma revelação (ou de uma representação ausente, que também pode ser igualmente reveladora), nesta ‘Paraíso’ tudo é nostálgico e antiquado, mesmo aquilo que foi adequadamente atualizado.

O próprio nó da história de amor -a paixão de uma moça considerada santa pelo sujeito que dizem ser filho do Diabo- já se complica de cara. Vinte anos atrás, talvez ainda fosse possível evocar esse catolicismo mais, digamos, folclórico, mas neste século 21, em que a religiosidade popular pendeu para o pragmatismo evangélico, não parece haver muito lugar para beatas, carolas e milagres.

Não se vê mais novela, entretanto, cujo roteiro não tropece nesse tipo de incongruência. Nem sem ter de suportar uma infinidade de diálogos reiterativos, que não levam a lugar nenhum: nos dois primeiros capítulos, a vilã-carola interpretada por Cássia Kiss disse as mesmas quatro ou cinco frases -e só elas- em todos os diálogos nos quais tomou parte.

Mas é justamente isso que se pensa na Globo que o horário exige (ou merece): a leveza, custe o que custar. No pacote, também entram ingenuidade, transporte para um mundo mais pacato e ordenado, conflitos mais cômicos do que dramáticos etc., todos elementos que Benedito Ruy Barbosa parece dominar.’

 

CINEMA
Folha de S. Paulo

Sinais de fumaça

‘ESTUDO REALIZADO pela Universidade da Califórnia revela que, embora a presença de fumantes em filmes norte-americanos tenha diminuído nas últimas décadas, a maior parte das produções continua exibindo cenas com cigarros. Jonathan Polansky, que participou da pesquisa, diz que a situação pouco mudou em filmes voltados para adolescentes. Para o colunista Ruy Castro, nos filmes atuais, ‘um casal pode fazer sexo explícito em cena e ninguém se chocará. Mas, se acender um cigarro depois, haverá gente na plateia limpando um pigarro imaginário ou esbravejando’.’

 

Eduardo Simões

Fumo está em 60% dos filmes nos EUA

‘Um estudo divulgado no mês passado nos Estados Unidos revelou que, apesar das campanhas antitabagistas terem ganhado fôlego nos últimos anos, o cinema hollywoodiano pode ainda estar bastante impregnado pela fumaça dos cigarros.

De acordo com a pesquisa ‘Smoking Presentation Trends in U.S. Movies 1991-2008’ (tendências na apresentação do fumo em filmes dos EUA de 1991 a 2008), o cigarro ainda aparece em cerca de 60% das produções, independentemente da classificação indicativa. O número, referente ao ano de 2008, é considerado alto pelos pesquisadores, especialmente levando em cionta o público adolescente. Eles estimam que 52% da iniciação ao fumo entre jovens se deva às imagens de cigarro na telona.

Feito pela Universidade da Califórnia, em San Francisco, o estudo analisou 1.769 títulos produzidos em 18 anos e sugere como ‘solução’ adotar a classificação indicativa ‘R’, segundo a qual filmes com cenas de cigarro só poderiam ser vistos por menores de 18 anos se acompanhados de seus pais ou de responsável.

Em entrevista por e-mail à Folha, Jonathan Polansky, um dos três pesquisadores que assinam o estudo, disse que na última década houve uma redução geral do número de filmes que veiculam fumo. Isso porque os estúdios vêm produzindo mais filmes ‘para a família’, isto é, voltados para o público infantil e, por isso mesmo, 100% sem cigarro.

‘A preocupação é que pouco ou nada mudou em filmes ‘PG13’ [não recomendado para menores de 13], a maior categoria e o tipo de filme que adolescentes mais vêem’, diz.

Polansky explica que a estimativa de que 52% da iniciação ao fumo, entre jovens, se deve às imagens de cigarro na telona, é fruto de uma pesquisa da Dartmouth Medical School, de New Hampshire. Reconhecido pelo U.S. National Cancer Institute (instituto nacional do câncer dos EUA) em um documento apresentado em 2008, o levantamento foi acrescentado às conclusões de Polansky:

‘Os adolescentes americanos vêem mais filmes do que qualquer outro grupo etário. E a influência da imagem do fumo na tela é muito poderosa’, afirma Polansky. ‘A combinação da exposição em larga escala com uma influência poderosa explica por que boa parte da iniciação é atribuída aos filmes.’

O psiquiatra Jairo Bouer, colunista da Folha, concorda que as imagens veiculadas no cinema, na TV e na propaganda são incentivadoras de comportamentos entre os jovens. Para ele, no entanto, a restrição a imagens de cigarro no cinema, ou a mudança na classificação indicativa, somente em teoria diminuiriam a ‘cópia’:

‘Poderia ser um fator a menos, mas acho que o cara não vai deixar de fumar porque não viu no cinema. Há outros estímulos, como a família, a escola e os amigos’, diz Bouer.

Classificação indicativa

Nos EUA, incluir ou não o fumo nos critérios de classificação indicativa seria uma decisão da Motion Picture Association of America, que representa os principais estúdios. Em 2007, a MPAA chegou sinalizar que o faria, ao associar-se a uma ‘coalizão’ de empresas de entretenimento contrárias à imagem de cigarros nas telas.

‘A informação que temos é que a MPAA iria anunciar a classificação ‘R’ para filmes com cigarro naquele ano, mas um estúdio grande acabou esmagando a nova política no último minuto’, diz Polansky, sem revelar qual estúdio teria feito o lobby contrário.

Até o fechamento desta edição, a reportagem da Folha não havia recebido comentário solicitado aos representantes da MPAA no Brasil.

Liberdade de expressão

A defesa da inclusão das imagens de cigarro entre os critérios de classificação coloca outra questão: a dos limites da liberdade de expressão de roteiristas, diretores etc.

Polansky afirma que atualmente produtores e diretores deliberadamente ‘calibram’ o conteúdo dos filmes de olho no mercado. Aceitar uma classificação mais restrita ou tirar cenas com cigarro faz parte do que ele chama de ‘mecanismo voluntário de mercado’. ‘E é uma questão de saúde pública. Não de gosto ou moral’.

Em outubro do ano passado, o veterano crítico de cinema Roger Ebert, do ‘Chicago Sun-Times’, disse em seu blog que, apesar de ‘odiar cigarros’, defende as cenas com fumo no cinema em pelo menos dois casos: como traço característico do personagem ou marca da época em que a ação se passa.

Ebert também ironizou a proposta de restrição, ao lembrar as cenas com fumo que foram cortadas de ‘Casino Royale’, reproduzindo uma entrevista em que o 007 Daniel Craig lamentava ter podido ‘estourar os miolos de alguém’, mas não acender um bom charuto.’

 

NA REDE
Marcus Preto

Shows raros de Maria Bethânia caem na internet

‘‘É muito raro acontecer de, em uma sexta-feira, eu cantar uma música de fora do repertório de cena. Porque normalmente o público de sexta-feira é muito sério, e me exige uma elegância. E eu gosto que ele me exija isso porque me sinto elegante. Acontece que meu irmão, Rodrigo, ele é apaixonado por uma música. E tem uma pessoa gravando o show para ele. Ele me pediu para cantar, para incluir nessa gravação que vai ter, uma música que adora. Com licença.’

A esse texto, dito em show nos anos 70, Maria Bethânia emendou ‘O Ciclone’ (de Adelino Moreira), samba-canção que jamais gravaria em disco. Se Rodrigo ficou feliz com o presente ‘exclusivo’ que ganhou da irmã naquela sexta, muitos fãs da cantora andam sentindo emoção parecida.

A faixa está entre as muitas raridades que caíram na internet recentemente, incluindo Maria Bethânia no universo dos bootlegs -gravações não-oficiais de shows que circulam entre fãs.

Estão lá versões integrais dos históricos ‘Drama’ (1973), ‘Pássaro da Manhã’ (1977), ‘Maria Bethânia’ (1979, referente ao álbum ‘Álibi’), ‘Estranha Forma de Vida’ (1981), ‘A Hora da Estrela’ (1984) e ‘Dadaya – As Sete Moradas’ (1989), num total de 17 apresentações da cantora que podem ser baixadas pelo blog (Re)Verso (ma riabethaniareverso.blogs pot.com) ou pela comunidade homônima no Orkut.

A qualidade das gravações varia. As melhores são as captadas diretamente na mesa de som, como ‘Mel’ (1980) e ‘Rosa dos Ventos’ (1971). A versão bootleg desta última, um dos espetáculos mais importantes da história da MPB, tem mais do dobro do repertório lançado no LP oficial. Descobre-se que o set incluía até ‘Vapor Barato’, a mítica canção de Jards Macalé e Waly Salomão que Gal Costa levava em seu show ‘Fa-Tal’ naquele mesmo ano.

Em outros casos, como em ‘Maria’ (1988), a qualidade do som é mais precária e nota-se nitidamente que a captação foi feita na base do gravadorzinho no colo. Mas servem bem como documento do espetáculo.

Os cariocas Magno Santos, 30, e Eduardo Lott, 28, dois dos seis donos do (Re)Verso, afirmam que esse material chegou a eles pelas mãos de outros fãs de Bethânia. Mas dizem não ter ideia de quem fez as gravações. ‘Nossa função é partilhar essas músicas sem nos importarmos com quem as registrou’, dizem em e-mail conjunto enviado à reportagem da Folha.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a cantora afirma que não acessa comunidades e blogs dedicados a ela. Mas não se incomoda em saber que esse material está disponível na internet, já que se trata de compartilhamento sem intenções comerciais.’

 

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