Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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Folha de S. Paulo

07/04/2009 na edição 532

MÁRCIO MOREIRA ALVES
Clóvis Rossi

Marcito e o mau hábito de pensar

‘SÃO PAULO – Conheci Márcio Moreira Alves em Cuba, há 32 anos. Eu estava preparando uma série de reportagens sobre a ilha, embora brasileiros estivessem então proibidos de visitá-la. Não me lembro o que Marcito fazia por lá.

Estávamos no mesmo hotel, tomávamos café da manhã mais ou menos à mesma hora, mas não nos falávamos. Como ele me contaria depois, preferiu evitar o contato para não me comprometer como, digamos, amigo do ‘perigoso’ homem cujo discurso fora o pretexto para o nefando AI-5.

Eu o evitava, primeiro, porque odeio me oferecer para conversar e, segundo, porque temia comprometê-los aos olhos dos cubanos, porque eu devia ser o único estrangeiro, diplomatas à parte, que não estava ali exilado nem convidado pelo regime.

Por fim, ele tomou a iniciativa de perguntar, via guia oficial (sim, governos como o cubano não deixam jornalistas soltos pelo país), se topava conversar. Não queria outra coisa. Marcito revelou-se uma doce criatura, que não tinha nada a ver com o incendiário que fora usado para endurecer o regime.

Uma noite, me levou a visitar uma família cubana, sobre cujo chefe, operário de uma fábrica de charutos, ele escrevera um livro. Fomos de ônibus (‘guaguas’, como os cubanos os chamam). Permitiu-me uma rara visão por dentro da vida do cubano normal.

O operário era revolucionário, sim, não não era cego. Cantava os méritos do regime, mas contava também suas penas. Assim como Marcito o fez nas muitas conversas ociosas que tivemos por lá É claro que Marcito simpatizava com o regime, mas, ao contrário de incontáveis intelectuais brasileiros que babam na ‘guayabera’ diante de Cuba, também não era cego. Respeitei-o mais a partir daí exatamente por isso: repetir slogans e propaganda oficial é fácil. Pensar dá um baita trabalho.’

 

Painel do Leitor

Marcio Moreira Alves

‘‘Marcio Moreira Alves é lembrado por seu discurso de 2 de dezembro de 1968, em que pede o boicote ao 7 de Setembro. Mas muito mais importante foi o seu discurso no dia 12 de dezembro daquele ano, em que pede a seus pares deputados federais que não entreguem à ditadura o cutelo para que ele seja processado, abatido. É dos grandes discursos políticos da República. Sóbrio, denso, uma defesa memorável do Parlamento contra a ditadura.

Hoje, 40 anos depois da brutalidade do AI-5, que todos ouçamos de novo o Marcito como a melhor das homenagens ao resistente de primeira hora e democrata exemplar!’

PAULO SÉRGIO PINHEIRO, professor adjunto de relações internacionais da Brown University (EUA), ex-secretário de Direitos Humanos no governo FHC (São Paulo, SP)’

 

Folha de S. Paulo

Corpo de Marcio Moreira Alves é cremado no Rio

‘O corpo do jornalista e ex-deputado Marcio Moreira Alves foi velado na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e cremado em cerimônia fechada para a família, no crematório do Caju. Ele morreu anteontem, de falência múltipla dos órgãos, aos 72 anos. A Prefeitura do Rio e o governo do Estado decretaram luto oficial pela morte. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi representado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que afirmou que Moreira Alves foi um exemplo de coerência.’

 

G-20
Carlos Heitor Cony

Papagaio de pirata

‘RIO DE JANEIRO – No início, pensei que se tratasse da manifestação de um legítimo papagaio de pirata, esses caras que se penduram ao lado ou atrás de personalidades focadas pelas câmeras. Há especialistas nessa complicada arte: conheci um sujeito que andava com uma alça de caixão no bolso. Quando ia ao enterro de ricos e famosos, ele se aproximava do ataúde, tirava a alça do bolso e colocava na madeira, geralmente são seis a carregar o falecido. Com ele, havia sete. Aparecia em todos os jornais.

A foto oficial do G20 em Londres mostra Lula ao lado da rainha da Inglaterra, famosa por seus olhos azuis, bem mais azuis que os do Frank Sinatra. Pensei na afobação da hora, Lula aproveitando-se da confusão e sentando-se no lugar mais privilegiado. Ledo e ivo engano. O lugar fora marcado pelo protocolo do palácio real: um triunfo para nossas cores.

Em crônicas anteriores notei que o nosso presidente faz um bruto sucesso lá fora. Entre perdas e ganhos, sai sempre ganhando. O mais interessante é que ele não precisa fazer nada de especial, basta ser ele mesmo. Para ir de Paris a Londres, dispensou o avião e foi de trem pelo túnel sob o canal da Mancha.

Foi louvado com entusiasmo pela imprensa europeia, evitou poluir o meio ambiente com as turbinas do Aerolula, uma contribuição ecológica ao ar que os franceses respiram. Conhecendo-o de campanhas eleitorais do passado, posso garantir que ele viajou no TGV por curiosidade, para ver como era, sem qualquer propósito ambiental.

Obama consagrou-o como líder político mais popular do planeta. As fotos testemunham o seu sucesso.

Será uma pena se ele não aproveitar a simpatia pessoal para ser o presidente que todos ainda esperamos.’

 

INTERNET
Gustavo Villas Boas

Novo serviço do Google é criticado no Reino Unido

‘A chegada de um carro do Google ao distrito britânico de Broughton revoltou moradores, que impediram sua passagem. O motivo da indignação era uma câmera fotográfica instalada no teto do veículo, que só conseguiu sair do lugar após a chegada da polícia.

A câmera fornece imagens ao Street View, um serviço que faz a reconstituição fotográfica em 360 de paisagens reais nos mapas do Google na internet.

Para fazer isso, a câmera captura milhares de fotos, que são rearranjadas para que o internauta consiga ver e ‘passear’, com o mouse de um lado a outro de ruas, praças e parques.

Um morador de Broughton relatou à rede BBC que temia que as imagens detalhadas de sua casa e da rua pudessem facilitar a vida de ladrões..

Segurança, porém, não é o principal motivo da polêmica em torno do serviço. Desde que chegou ao Reino Unido, há duas semanas, o Street View causa controvérsia pela mesma razão de outros serviços do Google: a ferramenta supostamente ameaça a privacidade.

‘A digitalização detalhada dessas imagens é uma ameaça’, diz Simon Davies, da ONG Privacy International, que milita em favor da privacidade.

‘Quando uma cena é vista a partir do nível da rua ainda é aceitável, mas essa câmera é invasiva porque pode bisbilhotar através de jardins e janelas’, afirma o vereador John Bint.

Para o Google, a tecnologia é útil e não-invasiva. ‘Todas as informações do Street View são as mesmas que se encontram em um site ou andando pela rua’, diz Anthony House, porta-voz da empresa. Ainda assim, ‘é uma tecnologia nova e acho compreensível que haja quem não fique feliz com ela.’

O Reino Unido é o nono país a ter cidades fotografadas para o Street View, que foi lançado em maio de 2007 nos EUA.

O Brasil não tem cidades cadastradas -veja os locais disponíveis em maps.google.com/help/maps/streetview.

Flagra

Recém-chegada ao Reino Unido, a ferramenta já foi responsável por um divórcio, segundo o tabloide ‘The Sun’.

Uma mulher teria reconhecido o carro do marido em frente à casa de uma amiga. O problema é que, segundo o relato do jornal, ele disse que estaria viajando no período. Posteriormente, um homem afirmou ter inventado a história, mas o jornal não a desmentiu.

Outra foto que ganhou a rede foi a de um homem vomitando diante de um pub. Mesmo com o cuidado de borrar o rosto do fotografado para não permitir sua identificação, a empresa tirou a imagem do ar.

O procedimento de borrar as imagens se tornou comum desde maio de 2008. Feito por máquinas, no entanto, ele nem sempre cobre seus alvos: rostos e placas de carro. Por isso, o Google permite que internautas indiquem imagens consideradas inadequadas que devem ser retiradas do serviço.

Uma porta-voz do Google disse à imprensa inglesa que centenas de fotos, em um universo de dezenas de milhões, já foram removidas do serviço por recomendação de internautas. Segundo ela, o número de queixas está abaixo da expectativa, já que o lançamento da ferramenta, no Reino Unido, atraiu um enorme público.

O HitWise, que mede audiência na rede, apontou que um dia após sua estreia, em 19 de março, o Street View atraiu um em cada 250 internautas ingleses ao Google Maps, elevando fazendo o tráfego dentro do site aumentar 41%.

Com agências internacionais’

 

Jennie Rothenberg Gritz

Ensaísta americano defende que consumir pornografia on-line equivale a adultério

‘Nos dias anteriores ao videocassete e aos computadores pessoais, um marido fiel que procurasse certa dose de excitação extraconjugal não tinha muitas opções. Podia ir a clubes de striptease ou a cinemas pornográficos. Podia viver suas fantasias ao folhear as páginas da revista ‘Hustler’.

Mas não podia levar mulheres nuas a sua casa sem cometer adultério real.

Hoje em dia, argumenta na entrevista abaixo Ross Douthat, editor sênior da ‘Atlantic Monthly’, a barreira entre fantasia e infidelidade se torna cada vez menos sólida. A internet inundou o mercado com as imagens e sons de pessoas reais fazendo sexo real.

Em lugar de se esgueirar até um cinema que passe filmes pornôs, um homem casado agora pode ligar o computador em casa e ganhar acesso a um reservatório ilimitado de imagens em vídeo que nada deixam a imaginar.

Para Douthat, o homem que assiste a material pornográfico explícito não está apenas testemunhando atos sexuais, mas participando deles.

Ele o faz em um ambiente íntimo, e não em uma casa escusa que teria de compartilhar com outros masturbadores escondidos por capas de chuva, de uma maneira personalizada como produções pornográficas de massa como ‘Garganta Profunda’ nunca foram.

A era da internet conduziu a experiência da pornografia a uma posição muito mais próxima do adultério do que a maioria dos usuários de pornografia gostaria de admitir.

A ideia de que a pornografia atual é adultério -ou, ao menos, adúltera- certamente vai ser considerada excessivamente conservadora por alguns.

Afinal, até mesmo a mais explícita pornografia da internet não passa de pixels em uma tela, e fica muito distante de um caso amoroso real.

Uma mulher que encontre o endereço de um site pornográfico no computador de seu marido talvez sinta certa repugnância por esse hábito juvenil, mas não existe grande probabilidade de que peça o divórcio.

Ainda assim, Douthat instiga seus leitores a repensar a maneira como categorizam a pornografia pesada.

Em lugar de arquivá-la com as demais diversões inócuas vistas como ‘coisa de menino’, ele encoraja homens e mulheres a considerar que assistir a sexo real pode representar uma violação prática dos votos matrimoniais.

PERGUNTA – Como essa questão se relaciona com o aspecto do segredo? Quando uma mulher descobre que seu marido faz apostas na internet ou compra medicamentos ilegais na internet, isso não se assemelha de alguma forma a um adultério, pois o marido estaria praticando um vício que não revela à mulher?

ROSS DOUTHAT – Certamente o elemento do segredo determina as dimensões da traição.

E isso obviamente se enquadra a uma questão mais ampla quanto às mulheres e cônjuges que sabem que seu parceiro ou marido usa pornografia ou…

PERGUNTA – … assistem a filmes pornográficos com ele.

DOUTHAT – Exato. Bem, essa é uma espécie de segunda ordem das coisas, mas vamos começar pelas pessoas que apenas sabem a respeito e aceitam.

Seria possível dizer que, nesses casos, não existe traição, porque as pessoas sabem o que está acontecendo e, portanto, sem traição não se pode alegar adultério.

Creio que o ponto seja justo, evidentemente, como forma de julgar a gravidade moral do comportamento de alguém.

Se você está assistindo a pornografia pesada e sua mulher sabe disso, é evidente que você a está traindo em nível menos profundo do que seria o caso se ela não soubesse a respeito.

PERGUNTA – De maneira semelhante, seria apropriado dizer que pessoas que vivem um relacionamento aberto podem cometer adultério?

DOUTHAT – As pessoas que se envolvem em um casamento aberto estão muito cientes de que, na prática, alteraram a definição de casamento de modo a excluir a possibilidade de adultério.

E, no caso da pornografia, ao tolerar os hábitos de consumo de pornografia de um marido, a pessoa estaria, do mesmo modo, mudando a definição de casamento de uma forma que acredito que as pessoas não estão dispostas a admitir.

PERGUNTA – É possível argumentar que ir a um clube de striptease é muito pior do que assistir a um filme pornô -pois, neste caso, estaria apenas vendo pixels em uma tela. Mas o sr. sugere que esta nova forma de pornografia é mais insidiosa.

DOUTHAT – Há duas distinções quanto a isso. Temos uma distinção entre realidade e fantasia que é lícito fazer. Creio que, quanto mais próxima de sexo real for a forma de atividade sexual, mais próxima ela está do adultério.

Em um clube de striptease ou contemplando mulheres bonitas na edição de trajes de banho da ‘Sports Illustrated’ ou na ‘Playboy’, a pessoa ainda estaria no mundo da fantasia, porque se trata de pessoas sexualmente inatingíveis.

Marilyn Monroe, na ‘Playboy’, não fará sexo com você. A dançarina de striptease não vai descer do palco e fazer sexo com os sujeitos que a cercam e oferecem dinheiro -ou, se o fizer, isso será porque ela também é prostituta, além de dançarina de striptease.

Mas a mulher em um vídeo pornô pesado não está apenas permitindo que seu corpo seja usado como objeto das fantasias masculinas. Está fazendo sexo de verdade, e não para ela ou seu parceiro: ela o faz para o consumidor, o espectador.

Uma vez mais, não estou afirmando que se masturbar assistindo a vídeos pornôs é equivalente a intercurso físico.

Digo apenas que talvez fosse válido refletir um pouco mais sobre o que de fato acontece no caso de alguém que paga para receber um vídeo de sexo pesado e o assiste se masturbando em sua casa.

PERGUNTA – O sr. mencionou a ‘Playboy’. Considera esse tipo de pornografia, de alguma maneira, superior -isto é, o modelo ‘adulto’ proposto por Hugh Hefner, que envolve beber um bom vinho e ler um artigo de William Buckley Jr. [escritor conservador norte-americano, 1925-2008] enquanto contemplamos mulheres nuas?

DOUTHAT – Claro: se você imagina que existe um contínuo moral envolvido nessas coisas, teria de estar disposto a afirmar que a ‘Playboy’ não é tão ruim quanto pornografia pesada.

Não sei se o termo ‘superioridade’ se aplica -um mal menor, talvez.

Existe um ponto no qual a pornografia se transforma em arte, obviamente, e esse costuma ser um dos argumentos apresentados por aqueles que acreditam que não seja lícito restringir a pornografia, porque a linha que separa arte de pornografia não é tão clara.

E isso é verdade, a partir de certo ponto -mas não acredito que seja verdade no que se refere à revista ‘Playboy’.

PERGUNTA – O sr. diz que a ideia de usar pornografia é basicamente um fenômeno masculino. Mas, para muitas mulheres, ler livros românticos é mais excitante do que assistir ao que parece ser em geral pornografia barata e mal produzida. O sr. consideraria adultério ler descrições de atos sexuais explícitos e usá-las como fantasia?

DOUTHAT – Creio que o nível de realidade presente na pornografia pesada não está presente nesse tipo de coisa. A distinção crucial é que você não está implicando outra pessoa no ato.

Pelo mesmo motivo, acredito que uma mulher se sinta mais traída ao descobrir que o marido assina um serviço de pornografia pesada do que, por exemplo, uma revista de variedades para homens.

PERGUNTA – O sr. cita uma frase de Jesus, no Evangelho de são Mateus: ‘Quem quer que olhe para uma mulher com luxúria já cometeu adultério com ela em sua coração’. O sr. considera que chegou à sua conclusão pensando autonomamente ou acredita que tenha sofrido influência da tradição cristã?

DOUTHAT – O fato de eu ser cristão indubitavelmente influencia meu pensamento sobre isso. Por outro lado, o argumento que proponho em meu texto não é o argumento que a Bíblia defende.

De fato, é bastante diferente.. Jesus está falando de um fenômeno muito amplo, afirmando que qualquer coisa que envolva infidelidade, de intercurso a luxúria não consumada, deveria ser descrita como adultério.

Já eu tento estabelecer distinções entre diferentes formas de adultério e descobrir como elas se alinham no contínuo -e em seguida afirmo que, embora muitas pessoas pensem em pornografia como equivalente da luxúria não consumada, na verdade ela fica muito mais perto do sexo físico.

PERGUNTA – No seu blog, o sr. defende vigorosamente que as leis de combate à prostituição sejam aplicadas com rigor. A pornografia está envolvida nessa discussão?

DOUTHAT – Não. Não creio que estejamos em um momento, especialmente na vida americana, em que haja discussão expressa em termos de proibir ou permitir a pornografia..

Creio que passamos desse estágio -em lugar de dizermos que pornografia é má, mas deve ser tolerada, estamos dizendo que ela não é má de maneira nenhuma. E é contra isso que estou tentando reagir.

O problema quanto ao ponto em que hoje estamos, no que diz respeito à pornografia, não é que os norte-americanos estejam cercados de tentação e ocasionalmente cedam, mas sim a tendência de que isso deixe de ser considerado como tentação.

Imagino que não seja realista imaginar que a pornografia um dia possa desaparecer de todo.

Mas é preciso que exista um equilíbrio entre idealismo e realismo -é preciso que existam ideais aos quais aspiramos, ainda que saibamos que a maioria das pessoas não é capaz de realizá-los.

Este texto saiu no site da ‘Atlantic Monthly’.

Tradução de Paulo Migliacci.’

 

TELEVISÃO
Daniel Castro

Mamãe sexy

‘Vai ser com esse corpinho enxuto que Maria Paula, 38, voltará ao ‘Casseta & Planeta’, dia 14. No ano passado, por causa da gravidez de seu segundo filho, a atriz só trabalhou em abril e dezembro. ‘Vou fazer a Maya Paula [paródia de Juliana Paes]. Estou adorando usar peruca preta enorme, roupas e joias. E uma Michelle Obama com boquinha de [cachorro] pequinês exagerada’, conta. Há quase 15 anos no ‘Casseta’, ela diz ter vontade de atuar em novela, mas não abre mão do humorístico. ‘Esse trabalho é a minha vida. As pessoas me veem na rua e começam a rir’, afirma. Não tem pressa de mudar: ‘Se a Hebe chegou aos 80 anos, eu chego aos 120 fácil. Malho desde os 20, tenho alimentação saudável’.

Globo vai gravar novela em 3D para testar ‘TV do futuro’

A Globo vai gravar ainda neste ano cenas de novelas em três dimensões (3D). Será um teste para a nova tecnologia, que promete ser o futuro da TV depois da alta definição -que ainda nem pegou no Brasil.

A emissora já deu seus primeiros passos. Captou o Carnaval do Rio em 3D e fará demonstração para jornalistas nesta quarta, em São Paulo.

A televisão de 3D exibe imagens mais próximas das que os olhos humanos captam naturalmente. Para tanto, as emissoras têm de captá-las com duas câmeras. Ou seja, cada cena é registrada por um par de câmeras, uma ao lado da outra.

Na sala de estar, o monitor (ou televisor) projeta diferentes imagens para o olho esquerdo e para o olho direito, criando uma imitação da nossa visão do mundo real, uma sensação de que a imagem salta da tela..

Na demonstração a jornalistas, a Globo usará um aparelho da Samsung e óculos apropriados para 3D. A Philips já vende no Brasil, por 17 mil (R$ 51.300 aproximadamente), apenas para empresas, um monitor que dispensa óculos.

A Globo está testando a terceira dimensão porque cresce a oferta de monitores, por fabricantes, e porque o cinema e a indústria de games vêm investindo muito na tecnologia.

Ainda não existe padrão de transmissão de sinal tridimensional em TV aberta. Mas isso já é possível pelo cabo. A Globo acredita que em dois anos já será possível montar um canal pago em 3D.

NOVO MANO NA CULTURA

Babado forte no mundo do hip hop. Rappin’ Hood não é mais apresentador do ‘Manos e Minas’, interessante programa de cultura underground e periférica exibido pela TV Cultura aos sábados. Ele se recusou a entrevistar o multi-instrumentista Luciano Nakata, o Curumin. A direção da emissora o afastou e convidou outros rappers para testes. Mas Altair Gonçalves, o lendário Thaíde, um dos principais nomes do hip hop, no cenário desde os anos 80, surpreendeu no teste e acabou contratado, sem dar chance para os concorrentes. Thaíde, que atuou na série ‘Antônia’, da Globo, estreia no próximo sábado, com Curumin no palco.

SEM NOÇÃO

A FremantleMedia, dona do formato de ‘O Aprendiz’, aprovou a nova edição do programa, que estreia quinta na Record. Desta vez, Roberto Justus contracena com estudantes universitários.. Jovens, destemidos e inexperientes, alguns dos participantes não aceitaram levar desaforo para casa e desafiaram Justus na outrora temida sala de reuniões, ou melhor, de demissões.

CASA DA SOGRA

Uma das novidades do ‘Mais Você’ neste ano será um reality show disputado por sogras. A cada semana, duas sogras (a mãe do noivo e a mãe da noiva) participarão de provas e decorarão, cada uma delas, um cômodo diferente da casa do futuro casal. No último dia, terão que acertar qual prêmio (entre viagens e joias) seus filhos gostariam de ganhar de presente de casamento.’

 

Luiz Fernando Vianna

Quero ser grande

‘São 20h40 quando o diretor José Alvarenga Jr. termina de falar à Folha. Precisa correr para a ilha de edição de ‘Força-Tarefa’, série policial que a TV Globo estreia no dia 16. Na mesma noite ainda irá a uma produtora ver os efeitos especiais de ‘Os Normais 2’, filme com lançamento em agosto.

Às 8h da manhã seguinte já estará comandando uma perseguição de caminhões para ‘Força-Tarefa’. Um dia depois, participará em São Paulo de uma pré-estreia de seu longa-metragem ‘Divã’, em cartaz a partir do dia 17 deste mês.

A linha de chegada deste triatlon pode ser a transformação em nome popular de um carioca de 48 anos que o grande público mal conhece. Ele é dos poucos que podem, em 2009, fazer sombra nas bilheterias a um de seus mestres, Daniel Filho, por enquanto absoluto com os 5,8 milhões de espectadores de ‘Se Eu Fosse Você 2’.

‘Quando eu filmei o ‘Divã’, fiz ‘Os Normais 2’ e apostei no ‘Força-Tarefa’, imaginei que teria um upgrade na minha carreira. Foi consciente. Estou me empenhando porque acredito que vá ser bom lá na frente. Mas, se esse é o preço do sucesso, é um preço caro’, diz.

O ‘lá na frente’ é, ‘se o Brasil permitir’, poder fazer apenas cinema ‘ou TV com mais calma’. Por enquanto, faz tudo ao mesmo tempo, mas não como um diretor da Globo que se arrisca no cinema, pois seu caminho foi o inverso.

Cinema desde sempre

‘Não há um chiclete, uma bala que eu tenha comido que não tenha vindo do cinema’, afirma ele, cujo pai dirigiu o laboratório Líder e lutou pela consolidação de uma indústria cinematográfica no país.

Mesmo na faculdade de jornalismo ou no curso do teatro Tablado, Alvarenga pensava em fazer filmes. Do trabalho com Carlos Manga em comerciais pulou, nos anos 80, para a assistência de Nelson Pereira dos Santos, Ivan Cardoso e Luiz Carlos Lacerda em longas.

Quando foi colaborar com J.B. Tanko em ‘Os Fantasmas Trapalhões’, em 1987, encantou Renato Aragão e emendou cinco direções dos Trapalhões:

‘Eles sabiam que tinham um público esperando um filme todo julho e todo janeiro. Foi meu primeiro contato com o cinema comercial. Ganhei a consciência de que o cliente é o dono do trabalho. Mas você pode contrabandear coisas. Sempre fui um contrabandista artístico.’

Sua estreia na Globo foi com ‘A Justiceira’, em 1997, a convite de Daniel Filho. Conquistou o sucesso com ‘Os Normais’, a partir de 2001, e ‘A Diarista’, entre 2003 e 2007. Desenvolveu projetos não convencionais, como ‘Os Aspones’ (2004) e ‘Os Amadores’ (2005), e acredita ter realizado ‘pequenas revoluções’ num meio em que audiência é a lei.

‘Se o que eu estou dirigindo não for interessante pra mim, eu não estou sendo sincero com a minha sensibilidade. Popularesco é quando passa a não ter essa sinceridade’, afirma ele, caso raro na Globo de diretor independente que nunca fez novelas.

Corrupções cotidianas

‘Força-Tarefa’ é o retorno da emissora às séries policiais após 12 anos -desde ‘A Justiceira’. Ocupa o espaço que poderia ser de ‘Tropa de Elite’, mas o projeto de uma sequência do filme acabou inviabilizando o seriado.

Os roteiristas Marçal Aquino e Fernando Bonassi sugeriram criar histórias sobre uma equipe da polícia reservada do Rio, aquela que investiga e caça os próprios policiais. Tenente Wilson (Murilo Benício) é um legalista que não admite sequer que a namorada compre bolsa de camelô ou CD pirata.

‘A gente fica na divagação da grande corrupção, mas essa não é para nós. A dos milhões que se perdem nas estatais, das obras que não são concluídas, dessa a gente já cansou, porque não passa no nosso dia-a-dia. Mas as corrupções cotidianas, da pirataria, da multa, da blitz, passam. Acho que esse é o barato do programa’, diz Alvarenga, que ressalta o ‘impacto visual’ da série, com um custo ‘200%’ maior do que o de uma comédia de costumes.

Ele credita à sua paixão por qualquer gênero de cinema o fato de se dividir entre um ‘programa macho, viril’, um ‘filme feminino’ como ‘Divã’, uma ‘comédia doida’ como ‘Os Normais 2’ e ainda um filme com ‘linguagem de YouTube’ como ‘Cilada.com’, que deve ser rodado em novembro.

‘Mas o diretor é igual. Eu grito com a Lilia [Cabral, de ‘Divã’] como grito com o Murilo, trato com carinho a Lilia como trato com carinho o Murilo’, avisa.’

 

Bia Abramo

‘Lost’ encontra ‘Arquivo X’ em ‘Fringe’

‘COMEÇA COM um acidente intrigante em um avião -os ecos de ‘Lost’ não são por acaso, uma vez que ‘Fringe’ é criada e dirigida por J.J. Abrams, o homem por trás da ilha misteriosa e de outras séries de sucesso como ‘Alias’.

Teorias conspiratórias, mistérios com explicações complexas e, é claro, acontecimentos no limite entre a ciência e a imaginação (‘fringe’, em inglês, pode ser traduzido como franja, borda) remetem a ‘Arquivo X’, a série que redefiniu o suspense, o horror e a ficção científica (havia de tudo um pouco lá) na TV dos anos 90.

Nesse cruzamento, está ‘Fringe’, que a Warner vem exibindo às terças-feiras, às 22h. A investigação a respeito do acidente com o avião, que chega com todos os passageiros e a tripulação mortos, e os enigmas daí advindos juntam um trio formado por uma agente do FBI, um cientista literalmente louco (está em um hospício) e seu filho mais ou menos vagabundo e charmoso.

Em termos demográficos, tem de tudo. Há uma mulher forte, inteligente e decidida, há um jovem com um permanente sorriso irônico nos lábios e tiradas espertas, ritmo policial e aquilo que passou a ser, de certa maneira, a obsessão contemporânea das séries: um gênio com inteligência sobre-humana para resolver mistérios impenetráveis.

Não pode ser lá muita coincidência que, neste mundo tão mergulhado de informação acessível e de saber compartilhado criado pelas novas tecnologias, as séries apelem para a ideia da diferença de uma inteligência superior, seja a capacidade quase clarividente do dr. House, a intuição agudérrima de Patrick Jane em ‘The Mentalist’ ou a ciência espetacularmente avançada do dr. Walter Bishop de ‘Fringe’.

É uma espécie de novo heroísmo que delineia: não o da ação, nem o da superioridade moral, mas o do cérebro superdotado, capaz de ir aonde nenhum homem comum ousa ir. No caso de ‘Fringe’, é claro, só o cérebro não vai bastar: é preciso que ele esteja secundado pela capacidade de ação dos agentes do FBI para vencer Nina Sharp, a vilã quase caricata (pelo menos por ora).

Apesar disso, ‘Fringe’ traz aquele coquetel sempre atraente para alguns: segredos que o ‘governo’ quer esconder do cidadão comum pela ameaça potencial à estabilidade, insinuações de presença alienígena, paranormalidade etc.

Resta ver se ela estará à altura do que sugere, ou seja, se ela será tão boa para explicar quanto para criar os enigmas -que é onde costumam escorregar as séries desse tipo, vide as matrizes ‘Lost’ e ‘Arquivo X’.’

 

Lúcia Valentim Rodrigues

‘Supermáquina’ volta em tom sombrio

‘Imagine uma mistura de Batman, James Bond e Jason Bourne. É assim que se define o personagem de Justin Bruening em ‘Knight Rider’, sequência do seriado de sucesso que no Brasil se chamou ‘A Supermáquina’, com David Hasselhoff no papel principal.

Os 84 episódios originais foram exibidos aqui entre 1984 e 1986, mostrando um agente especial que lutava contra toda sorte de bandidos auxiliado por um fantástico carro preto falante. Michael Knight era mulherengo, ético e honesto. ‘Mas eram os anos 80’, justifica Bruening, que vive o filho abandonado de Knight, que vai seguir os passos do pai, conforme explica o filme de duas horas que antecede a estreia da nova série, hoje à noite. ‘Não é um remake, ainda bem’, diz Bruening, ‘porque, normalmente, quando eles tentam refazer algo, enfiam os pés pelas mãos’.

Ele conta que os produtores queriam para essa continuação um personagem ‘mais sombrio e centrado’, daí a inspiração em Batman. ‘Não sei se traduzi isso tudo para o papel, mas fiz o possível, já que meu parceiro era um carro.’

O seriado também copia Bourne porque o novo Knight esqueceu três anos de sua vida, enquanto lutava na Guerra do Iraque. O que aconteceu durante esse lapso só vai ser revelado no 12º episódio dessa temporada. ‘Até eu fiquei chocado quando fui gravar e descobri o que era. Só posso dizer que muita coisa ruim aconteceu a ele’, conta, fazendo suspense.

Além de trazer de volta David Hasselhoff (‘Baywatch’) no piloto do seriado, numa espécie de passagem do bastão, a série recriou alguns trechos, deixando ‘homenagens’. ‘Vocês vão reparar que às vezes tem alguma piada bem idiota, mas que é espelhada no original. Então fomos obrigados a dizê-la.’

Mas ele se diz honrado. ‘Era o meu programa favorito, eu tinha lancheira, jaqueta de couro igual à do personagem, até falava com o carro da minha mãe [risos]. Tenho bastante experiência com essa história.’

O carro KITT, que é dublado por Val Kilmer, também se atualizou e ganhou ares de realidade, embora não a parte em que ele se transforma em picape, blindado e até carro-anfíbio.. ‘A equipe fez reuniões com a Microsoft para que eles mostrassem o que o carro podia fazer. Nosso KITT tem uma tela de touchscreen, o para-brisa mostra vídeos de vigilância, tem scanner para duplicar objetos, mas eles se basearam em aplicações que existem.’

A primeira temporada já foi exibida nos EUA e teve de ser encurtada para 17 episódios por culpa do alto custo da produção (US$ 4 milhões por episódio). É o preço de querer imitar o homem-morcego.

KNIGHT RIDER

Quando: especial de duas horas tem reprise hoje, às 17h; primeira temporada estreia hoje, às 20h, na Warner

Classificação: não informada’

 

NEW YORKER
Sylvia Colombo

Piadas de salão

‘A revista norte-americana ‘The New Yorker’ celebrizou-se, principalmente entre intelectuais e jornalistas, por dar projeção ao badalado ‘new journalism’ -estilo narrativo que mistura reportagem investigativa e literatura.

Mas, desde seu lançamento, em fevereiro de 1925, quem vem realmente divertindo os leitores de modo geral são os bem-humorados e sofisticados cartuns que dão identidade visual à publicação, também voltada a ensaios, ficção e crítica.

‘Eles são essenciais à ‘New Yorker’. É o que todo mundo lê primeiro. O fermento para cada número. Também garantem que, mesmo no mais pesado dos textos, haverá chance para uma gargalhada’, disse em entrevista à Folha, o editor-chefe da publicação, David Remnick.

No próximo dia 9 de abril, chegam às livrarias do Brasil três coletâneas temáticas desses desenhos -’Terapia’, ‘Gatos’ e ‘Cachorros’, que saem pela editora Desiderata.

Apesar de a revista lançar os melhores de cada ano desde 1928 e de, nos últimos tempos, fazer também edições divididas por assunto, esta é a primeira vez que os cartuns são publicados em português.

As introduções dos três livros e a tradução das legendas são do jornalista Sérgio Augusto, há tempos um fã da revista.

‘Os cartuns são para a ‘New Yorker’ o que as coelhinhas são para a ‘Playboy’, sintetiza.

Como é possível ver nos exemplos desta página, a graça dos desenhos está no habilidoso traço dos artistas e no fato de tratarem de temas e paranoias urbanos e contemporâneos, sempre a partir de um ponto de vista nova-iorquino.

‘Nova York é a síntese da ‘cosmópolis’ moderna, com seus arranha-céus e neuroses típicos’, diz Sérgio Augusto.

Em linhas gerais, essas características permanecem as mesmas desde a criação da revista, por Harold Ross.

As piadas trazem legendas ou frases curtas, para que o desenho seja o principal responsável pela graça e que dependa pouco ou nada de um texto que o acompanhe.

Nesse ponto, o jornalista diz ter encontrado dificuldades. ‘O inglês é curto e direto, enquanto o português tem palavras mais longas. Às vezes é difícil atingir a concisão e o humor ao mesmo tempo’, explica.

Remnick conta que há, ainda, um cuidado para que os cartuns não sejam editados em meio a textos com os quais possam se confundir. ‘A ideia é tentar evitar um desagradável eco de um no outro.’

História implícita

Remnick considera possível compreender a história dos EUA no século 20 por meio dos cartuns, mas sempre de modo indireto. ‘Os acontecimentos estão lá, mas os desenhos não podem ser tomados como crônica política. Ainda assim, você certamente pode sentir, implicitamente, as reações das pessoas em diferentes momentos do nosso passado recente. Dá para perceber, por exemplo, a Depressão, a Segunda Guerra Mundial, os anos 60, o Watergate, Bush até os dias de hoje. De certo modo, refletem o diálogo dos leitores com o tempo em que vivem’, conclui.

Mulheres

Em julho, a mesma editora lançará os volumes ‘Médicos’, ‘Advogados’ e ‘Dinheiro’. Para o ano que vem, está prevista a publicação de uma coletânea de cartuns feitos por mulheres, sobre relacionamentos.

Quem quiser fugir do suporte tradicional pode dar uma conferida no site da revista (www.newyorker.com), que traz animações baseadas nos cartuns. ‘São divertidas e carregam o internauta para a revista. Pessoalmente, porém, ainda acho o original impresso insuperável’, diz Remnick.

THE NEW YORKER CARTOONS – CACHORROS, GATOS E TERAPIA

Tradução e prefácio: Sérgio Augusto

Lançamento: Desiderata

Quanto: R$ 49,90 (96 págs.), cada volume’

 

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Capa com Obama agitou campanha

‘Em julho do ano passado, um cartum na capa da ‘New Yorker’ agitou a campanha presidencial nos EUA. O desenho de Barry Blitt trazia Barack Obama com roupas do islã; e sua mulher, Michelle, aparecia com uma metralhadora nas costas. Na parede do Salão Oval, havia um quadro do terrorista Osama bin Laden, enquanto na lareira, a bandeira americana queimava.

A revista defendeu-se, dizendo que se tratava de uma sátira para expor o absurdo dessa imagem, então cultivada por opositores do atual presidente dos EUA.’

 

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