Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 6 E 7/2

Folha de S. Paulo

09/02/2010 na edição 576


LULA
Luiz Carlos Barreto


A volta das patrulhas ideológicas


‘ABERTURA DO Festival de Brasília, 17/11/09, primeira exibição pública de ‘Lula, o Filho do Brasil’. Enquanto o filme se desenrolava na tela, já estava em curso o massacre político promovido por um exército de escribas, comentaristas políticos, colunistas sociais improvisados, ex-militantes políticos de aluguel, cientistas políticos de plantão convocados a se manifestar apenas do ponto de vista especulativo sobre seu potencial político-eleitoral, afirmando que a eleição presidencial de 2010 seria decidida a partir da força emocional do filme.


Além da ingenuidade infantil dessa tese (ou de sua má-fé?), o que eles questionavam era o nosso direito de fazer um filme sobre o assunto que escolhemos. Pode-se fazer filmes sobre Bush, Berlusconi ou Mitterrand pelo mundo afora, como tem acontecido. Pode-se fazer filmes sobre Getúlio, Juscelino, Tancredo, Jânio ou o empresário Boilesen. Mas sobre Luiz Inácio da Silva, não.


Há os que viram (mais de 800 mil pessoas), os que não viram ainda e os que viram, mas não quiseram ver o filme como um filme com todos os seus méritos e valores cinematográficos, como testemunharam e assinaram embaixo Ziraldo (‘Uma história bem contada e bem filmada. Impossível não se comover’), Zuenir Ventura (‘O filme mexe com a emoção e vai inundar os cinemas de lágrimas’) e Cacá Diegues (‘A história de vida que esse filme conta com muita emoção nos ajuda a compreender melhor o valor da democracia, do direito de todos à liberdade e oportunidade’).


Falar dos méritos e eventuais deficiências desse filme de Fábio Barreto era uma obrigação dos críticos, e é claro que todo mundo tem direito de externar sua opinião, de gostar ou não gostar do filme que viu.


Mas, de tudo que li, poucos tiveram a honestidade intelectual e profissional de criticar o filme como uma obra cinematográfica, escolhendo contestar o direito que qualquer cineasta tem de fazer um filme sobre o assunto que bem entender. A maioria dos que escreveram sobre ‘Lula, o Filho do Brasil’ preferiu este último caminho elitista, censor e autoritário.


Esse processo revela o espírito ‘patrulheiro’ que ainda resta no Brasil como sequela do período autoritário da ditadura militar, quando Cacá Diegues denunciou as patrulhas ideológicas. O espanto é que, em pleno regime democrático que o Brasil vive e respira, haja lugar para esses procedimentos e expedientes antidemocráticos.


A democracia não é o regime que deve silenciar aqueles com os quais não concordamos, eliminá-los ou evitar que eles se manifestem. Na democracia, quando não estamos de acordo com alguma ideia que nos incomoda, produzimos a nossa para que haja um confronto livre entre as duas e a população possa escolher a sua alternativa. Mas os nossos detratores preferiram contestar nosso direito de realizar o filme, manifestando seu desejo antidemocrático de que esse filme jamais fosse feito ou exibido.


Toda a engenharia financeira foi montada às claras e de forma transparente. Desde a partida, decidimos não utilizar nenhuma forma de renúncia fiscal nem buscar o aporte de empresas estatais. Mesmo assim, levantaram-se dúvidas e insinuações de que estávamos utilizando recursos incentivados, acusações que serviam e serviram para provocar antipatia ética pelo filme, pondo em segundo plano suas qualidades cinematográficas.


Agora estamos reformulando algumas estratégias do lançamento comercial, que está iniciando sua sexta semana e já acumula mais de 800 mil espectadores, e sabemos que ainda resta muito chão pela frente, seja no sistema convencional de exibição em salas, seja no sistema alternativo de exibição, que vai levar o filme a uma grande parte de 90% dos municípios do Brasil que não têm cinema.


É lá no Brasil profundo, a preços populares e condizentes com o poder aquisitivo dessas populações, que iremos atingir o público alvo do filme: os Silvas deste país, que precisam e querem conhecer o exemplo de força, persistência e superação de Dona Lindu e seus oito filhos, exemplo que vai correr o mundo em telas de cinema, TV aberta, cabo, DVD e internet.


Nesse sentido, já temos estreias marcadas na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Paraguai ainda neste primeiro semestre de 2010, e na Colômbia, no Peru, na Venezuela, no Equador, na Bolívia e no México no segundo semestre de 2010.


Qualquer mudança nessa trajetória do nosso pau de arara cinematográfico, informaremos, na certeza de que não vamos influir nas eleições de nenhum outro país. Queremos apenas ter o direito de contar e ver acompanhada pelo público uma história que julgamos relevante para a consolidação da autoestima de nosso povo, para a consolidação de nossa democracia e para o progresso do cinema brasileiro como um todo.


LUIZ CARLOS BARRETO, 81, é produtor cinematográfico. Produziu, entre outros filmes, ‘Lula, o Filho do Brasil’, ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’ e ‘O que É Isso, Companheiro?’.’


 


TELEVISÃO
Vitor Moreno


Atriz desponta como vilã ‘humana’


‘Isabel entra no quarto da irmã, Luciana, que ficou tetraplégica após um acidente, e dispara, debochada: ‘Vou bater perna por aí!’.


O comentário irônico -e impiedoso- é um exemplo do tipo de maldade de que é capaz a personagem vivida por Adriana Birolli, 23, na novela ‘Viver a Vida’. ‘Ela não é bem uma vilã; ela fala a verdade, provoca, mas não joga ninguém pela escada’, diz a atriz.


Esse traço de maldade, uma vilania cheia de sarcasmo e incorreção, é exatamente o que define as antagonistas de Manoel Carlos, autor da trama.


Nilson Xavier, que escreveu o ‘Almanaque da Telenovela Brasileira’, lembra que as vilãs de Maneco ‘não fazem maldades por fazer’. ‘Não há o maniqueísmo extremo, elas nunca são sociopatas ou psicopatas’, afirma o especialista.


Maneco confirma a análise: ‘Nunca faço vilã de opereta, mulheres terríveis, pois não acredito que existam’.


A malvada da vez, Isabel, é movida por ciúmes e inveja da irmã, mas não quer vê-la morrer e até já disse que torce por sua recuperação. Bem diferente, por exemplo, de Yvone (Letícia Sabatella), que seduziu, roubou e mentiu em ‘Caminho das Índias’, de Glória Perez.


O autor defende que suas vilãs são ‘humanizadas’. As personagens teriam as virtudes e os defeitos de qualquer mortal.


‘Não existem muitas pessoas como a Isabel, mas eu conheço algumas. Você não conhece?’, questiona a atriz.


Para Xavier, a característica é uma exclusividade das tramas de Manoel Carlos. Mesmo em tramas realistas, os demais autores costumam carregar nas maldades das vilãs, que muitas vezes superam as mocinhas em empatia com o público.


Quem não se lembra da Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) de ‘Senhora do Destino’?


‘É uma espécie de catarse’, diz Xavier. ‘O telespectador pode não aceitar aquelas atitudes, mas não consegue ficar imune à figura da vilã, sem que ela lhe desperte algum interesse, ou algum desejo contido.’


Mimada


Regiane Alves, 31, é veterana em vilãs ‘manequianas’: já viveu três. A pior delas -ou a mais lembrada- foi Dóris, de ‘Mulheres Apaixonadas’, aquela que maltratava os avós.


‘Nem eu nem o Maneco esperávamos tanta repercussão. Já se foram sete anos e ainda falam nela’, diz Regiane, que atualmente está no ar na novela das 19h, ‘Tempos Modernos’.


Assim como Adriana Birolli, ela não considera sua personagem uma vilã. ‘Acho a Dóris uma adolescente mimada, sem controle, egoísta, sem pudor.’


Manoel Carlos elogia as duas atrizes e diz ter ‘um carinho especial’ pelas intérpretes de suas vilãs. Mas cita três preferidas, todas vividas por veteranas. São elas: Susana Vieira (a Branca, de ‘Por Amor’), Marieta Severo (a Alma, de ‘Laços de Família’) e Lília Cabral (a Marta, de ‘Páginas da Vida’) -a última faz a Tereza, mãe de Isabel, em ‘Viver a Vida’.


E, se vilãs pérfidas e cruéis não cabem nas tramas de Maneco, a mesma fórmula se aplica às mocinhas inocentes. As Helenas, segundo Maneco, também são ‘demasiadamente humanas’, ou seja, ‘mentem, fingem e traem’. Por isso, diz o autor, não há espaço para uma Helena ‘do mal’. ‘Elas serão sempre as protagonistas’, diz.’


 


Eduardo Escorel


Ritmo uniformiza jornal, novela e comercial


‘De segunda a sábado, às oito e quinze da noite, o patrocinador oferece o ‘Jornal Nacional’. Durante cerca de 35 minutos, divididos em quatro blocos, separados por três intervalos comerciais, a Globo apresenta as notícias do dia.


Na terça-feira, 2 de fevereiro, como de hábito, o casal de apresentadores diz ‘boa noite’ e anuncia as principais manchetes, sentado atrás de uma bancada. O cenário tem um toque futurista, combinando formas criadas em computação gráfica com a própria redação. Teclados e telas de computador, à frente dos apresentadores, parecem apenas peças decorativas. O casal está vestido e penteado com sobriedade. Ele, de paletó e gravata; ela, de vestido preto com gola branca.


Durante o programa, rápidos olhares entre eles tentam romper a formalidade da postura e a frieza do ambiente. Mas predomina o olhar direto para a lente das câmeras e a leitura ininterrupta do ‘teleprompter’, em tom imperativo.


É através da voz e do olhar que se procura prender a atenção. A imagem é secundária. Busca uma certa neutralidade ou serve apenas para ilustrar as narrações em ‘off’. Nessa atmosfera asséptica, o rosto ferido e sangrando da vítima de um acidente parece incluído por engano. O contraste entre o artificialismo do estúdio e a vida real costuma ser atenuado, mesmo quando é dada ênfase a tragédias, crimes, agressões, fraudes e corrupção.


Repórteres, com uma exceção, usam figurino formal, segurando à frente o microfone com a marca da emissora. Também falam olhando diretamente para a lente, de costas para o que constitui a notícia. Poucos procuram se relacionar com o ambiente à sua volta. Um deles, pecando por excesso, grava com água pelo meio da canela, em rua alagada e deserta, vestindo capa de chuva e capuz.


O comentário e a contextualização da notícia são reduzidos ao mínimo. O especialista em educação fala por cerca de 15 segundos; o médico, por dez; o economista, por nove. A linguagem do ‘Jornal Nacional’ não destoa do que vem antes e depois. Nem dos comerciais exibidos nos intervalos. O ritmo acelerado do jornalismo, da publicidade e da dramaturgia é semelhante.


Há uma uniformidade entre os três gêneros, suavizando as passagens de um para outro: da novela para o jornal e de volta para a novela.


EDUARDO ESCOREL é cineasta’


 


Evandro Spinelli


Programas infantis de TV vão reforçar aulas


‘Júlio tem oito anos e vai ensinar as crianças a ler, escrever e contar. Terá a ajuda do cavalo Alípio, da vaca Mimosa e das galinhas Zazá, Lola e Lilica.


A partir de março, os personagens do programa infantil Cocoricó vão entrar nas salas de aula da rede municipal de ensino de São Paulo em vídeos e cadernos de atividades.


A turma do Cocoricó e personagens de outros programas da TV Cultura foram escalados para a tarefa de reforçar a qualidade do ensino de língua portuguesa e matemática de cerca de 500 mil crianças dos nove anos do ensino fundamental.


O projeto é uma parceria entre a prefeitura e a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura. Foram criados exercícios complementares à atividade didática, algumas acompanhadas de vídeos. ‘X-Tudo’ e o ‘Sr. Brasil’ Rolando Boldrin, por exemplo, estão na lista. São mais de 60 vídeos.


Mas o que mais chama atenção é mesmo o Cocoricó, que será usado nas atividades até o terceiro ano. Os filmes selecionados para as salas de aula foram gravados antes do encerramento do contrato com a equipe de produção do Cocoricó. A TV Cultura informou que o programa voltará a ser produzido no segundo semestre.


Na primeira aula de matemática para o primeiro ano, Júlio conhece o menino Lucas, que conta tudo o que vê pela frente (carros, pessoas, andares de prédios). E, como uma brincadeira, os dois vão contando de trás para a frente, de frente para trás, de dois em dois, e a criançada vai aprendendo a sequência dos números e tendo noções de ordem de grandeza.


‘Foi o vídeo que eu mais gostei’, afirmou o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider. É um episódio de cinco minutos feito especialmente para o projeto. Mas muita coisa foi aproveitada do próprio acervo da TV Cultura, sempre seguindo a grade curricular da rede municipal.


‘Todo o material foi pensado levando em conta as dificuldades detectadas nas provas de avaliação’, disse Fernando Almeida, vice-presidente da Fundação Padre Anchieta e secretário de Educação no início da gestão Marta Suplicy (PT).


O material está sendo impresso e será distribuído em março para ser usado pelo menos duas vezes por semana em salas de aula. Nos livros dos professores os DVDs virão encartados e poderão ser exibidos nas salas de aula ou de leitura.


O material será atualizado anualmente, com a participação dos professores que trocarão informações por meio de um portal. E, para 2011, Schneider e Almeida já pensam em materiais também de ciências, inglês, história e geografia.


O projeto pode ser estendido para outros cidades e Estados, mas o material feito para São Paulo deve continuar de uso exclusivo. ‘Tem muitos exemplos de São Paulo: o Ibirapuera, o trânsito, as ruas. Não dá pra usar isso em outro lugar’, afirmou Almeida.’


 


CRÍTICA LITERÁRIA
Alcir Pécora


Erudito dissonante


‘Wilson Martins (1921-2010), sob vários títulos, poderia ser autor muito lido, citado e consultado na crítica universitária contemporânea. Em primeiro lugar, pela aproximação ampla que tentou da cultura material e, em particular, da história do livro e da leitura -hoje, objeto de uma infinidade de teses e artigos.


Foi o que fez, por exemplo, em ‘A Palavra Escrita – História do Livro, da Imprensa e da Biblioteca’ (1957), quando os historiadores Robert Darnton ou Roger Chartier nem haviam feito graduação.


Depois, pelo esforço de pesquisa documental exaustiva, pela disposição de compor inventários, séries cronológicas e biobibliográficas, que hoje são procedimentos correntes e valorizados nas investigações de arquivo em todas as faculdades importantes do país.


Nem seria preciso lembrar o quanto isso ocorre nos sete volumes da ‘História da Inteligência Brasileira’ (1976-79).


Martins poderia ser autor apreciado também pelo amplo cruzamento de áreas que promove em suas análises, pela comparação sistemática da literatura com os diversos gêneros letrados praticados em certo período.


Encontra hoje muitos ecos a sua tentativa metodológica de elencar e contrapor diferentes fenômenos intelectuais, de modo a lançar hipóteses sobre a sua estrutura comum, a detectar o que constituísse a sua ‘forma mentis’, como dizia, bem como a homologia entre as várias práticas intelectuais e artísticas.


É o que ocorre não apenas na citada ‘História da Inteligência Brasileira’, cujo título já é elucidativo desse empreendimento interdisciplinar, mas de boa parte de sua crítica.


Mas não se passa assim. Talvez consultado, antes das aulas, mas não discutido dentro delas; poucas vezes debatido nas bancas diárias dos estudos literários na universidade.


Por que isso se dá? Ou melhor, como isso se deu?, ocorre perguntar, quando a sua morte tão recente salienta, de repente, a sua ausência anterior.


É possível que o descaso seja fruto colhido pela ruptura do pacto de cordialidade no trato de parceiros de profissão? Está claro que Martins não tinha mãos para panos quentes e sua escrita deixava vazar sem dó o gosto da polêmica e da mordida crítica. Não raro, anotava na obra examinada a pouca familiaridade com a matéria, a ignorância bibliográfica, a indigência no domínio da língua, quando não isso tudo, e mais.


Em qualquer ano que se abra, por exemplo, os dois volumes da sua ‘Crítica Literária no Brasil’ (1983), colegas de ofício, com carreira acadêmica e representação institucional importantes, se veem constrangidos a lhe sentir publicamente a fervura do verbo.


A vontade de tornar expressiva e superjustificada a crítica que fazia, mais do que de matizá-la e equilibrá-la, dava ar de truculência verbal e mesmo de destempero ao que, por outro lado, estava mais para orgulho de andar sozinho, de ser avis rara ‘no país da patotagem, do compadrio, do você é de direita, eu sou de esquerda’, como o traduziu seu editor José Mario Pereira.


É como se não aliviasse a mão para deixar claro que se comprometia moralmente, existencialmente, com a dissonância que introduzia na conversa, e que o desacordo era o modo privilegiado de fazer andar a conversa.


À estridência de sua crítica, que entrava sem pedir licença na cena da leitura, confundindo, por vezes, rigor e falta de polidez, tem correspondido o silêncio diante dela, o que tanto ressalta o ambiente suscetível e aparelhado, como a simples indisposição para o trabalho que daria responder a ela. Mas essa é apenas a hipótese mais imediata para o terceiro plano ao qual se relega a sua obra vasta, de proliferação enciclopédica.


Se comecei dizendo que Martins calhava com certa tendência inventarial da crítica contemporânea, ele se afasta dela não apenas pela exacerbação crítica, pela erudição, mas sobretudo pela concepção de crítica, que dá primazia cultural ao debate e ao juízo ‘a quente’ da produção contemporânea -exercidos principalmente nas páginas dos jornais- sobre o ensaio crítico universitário elaborado sobre o consagrado e consensual.


Quando ele diz que ‘a crítica só pode ser universitária depois que a crítica jornalística deu a sua palavra’, não está afirmando apenas uma prerrogativa temporal, mas uma precedência epistemológica. Num ambiente em que o jornalismo literário e de erudição autodidata já perdeu há muito tempo o prestígio diante da especialização universitária, compreende-se que Martins soe antiquado.


Não é o mais grave. Não é apenas que, por exemplo, as páginas de literatura se encolham nos jornais, não fosse por outro motivo, pela falta de eruditos nas redações ou de intelectuais de primeira dispostos a entrar na cena armada dos lançamentos editoriais.


Mais drástico é o encolhimento dos estudos literários dentro dos próprios departamentos universitários de literatura, a qual perde -já perdeu- não apenas espaço para os estudos culturalistas de gêneros, minorias, direitos, testemunhos terríveis e edificantes, como para a ‘teoria’ que a toma como ilustração e exemplo, não como corpo epistemológico da investigação ou do prazer físico da leitura.


Quer dizer, quando a própria literatura sai de cena, o nome de Martins é só mais um que sai junto com ela.


ALCIR PÉCORA é professor de teoria literária na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).’


 


Principal obra será relançada no ano que vem


‘Crítico literário atuante na imprensa brasileira, Wilson Martins morreu em Curitiba (PR) no último dia 30, aos 88 anos. Nascido em São Paulo, foi professor de literatura na Universidade Federal do Paraná até 1972 e na Universidade de Nova York (EUA) até 1992.


Colaborou na revista ‘Joaquim’ -criada em 1946 pelo escritor Dalton Trevisan- e nos jornais ‘O Estado de S. Paulo’, ‘Gazeta do Povo’ (de Curitiba), ‘Jornal do Brasil’ e ‘O Globo’ (ambos do Rio). Seus textos na imprensa estão em ‘O Ano Literário’ (Topbooks) e ‘Pontos de Vista’ (T.A. Queiroz). Escreveu ainda ‘A Ideia Modernista’ (Topbooks) e ‘A Crítica Literária no Brasil’ (Francisco Alves).


Mas sua obra de maior envergadura é ‘História da Inteligência Brasileira’, em que percorre, em sete volumes, a formação das ideias politicas, sociais e culturais no país desde o século 16. Ela será relançada em 2011 pela Editora da Universidade Estadual de Ponta Grossa.


Martins recebeu dois prêmios Jabuti pela obra -em 1977 e em 1978.’


 


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