Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 12/05

Garotinho ganha direito de resposta e encerra greve

Por Luiz Antonio Magalhães em 12/05/2006 na edição 336


Leia abaixo os textos de sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta–feira, 12 de maio de 2006


INTERNET
Nelson Motta


Blogosfera em transe


‘Bastar navegar um pouco pelos principais blogs políticos -Ricardo Noblat, Josias de Souza, Jorge Bastos Moreno, os mais frequentados da rede no momento, por motivos óbvios- para uma constatação desoladora: o nível de discussão equivale ao de um bate-boca futebolístico no botequim. Ou, na melhor hipótese, de um debate acalorado num diretório acadêmico. Cegos e surdos pelos slogans e palavras de ordem, protegidos pelo anonimato, petistas, tucanos e garotistas se equivalem em baixeza e em ignorância nas ofensas e nas acusações.


Como quem trabalha e tem horários e responsabilidades certamente não tem tempo de ficar batendo boca (ou dígitos) na internet o dia inteiro, fico imaginando quem seriam e o que fariam esses militantes digitais. Pelos conceitos, pelo estilo e pela disponibilidade, desconfio que a grande maioria esteja teclando de repartições públicas, de sindicatos, de diretórios partidários e estudantis.


Claro, há pessoas inteligentes, informadas e equilibradas, tentando contribuir com alguma racionalidade -mas invariavelmente são soterradas por uma onda de impropérios e acusações de uns aos outros, numa disputa feroz entre quem roubou antes e quem roubou mais. Parece uma guerra de quadrilhas.


Às vezes, no escurinho dos blogs, me divirto provocando esses provocadores, desordenando as suas palavras de ordem, desmoralizando as suas morais seletivas. Sei que nada balança suas certezas, é só uma oportunidade para botar para fora, ou melhor, para dentro da rede, os seus mais baixos instintos. Funciona como uma terapia, você se diverte e descarrega a tensão, se sente mais leve e volta a trabalhar como todo mundo.


Torcidas organizadas, seitas e partidos políticos, tô fora. Porque são os atalhos escuros que mais nos distanciam das estradas luminosas da esportividade, da espiritualidade e da cidadania.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A estrela do dia


‘Diálogo entre o apresentador e o enviado da Globo:


– Como é que esta entrevista de Evo Morales repercutiu aí?


– O Evo Morales acabou sendo a estrela do dia… Mostrou que não veio para ser coadjuvante… Foram 200 jornalistas do mundo inteiro e, mesmo com acusações duras, Morales se manteve sereno o tempo todo.


Pelo relato em destaque no site do ‘Financial Times’, na verdade foi uma entrevista dramática:


– Ele duelou raivosamente com repórteres brasileiros que o desafiaram sobre o efeito da nacionalização da estatal brasileira Petrobras, à qual acusou de operar de modo ‘inconstitucional’ na Bolívia. Mostrou que não estava com humor para ceder à pressão para compensar empresas como a espanhola Repsol.


Daí para a resposta de Celso Amorim -de que ‘a reação é quase de indignação dentro do governo brasileiro’, ao menos segundo o registro da Globo.


A BBC Brasil relatou o que declarou o chanceler brasileiro:


– Se você quiser usar a palavra indignação, não vai estar muito longe da realidade.


Segundo Amorim, Lula lamentou que a cúpula Europa/ América Latina abrisse com o gás e não com o novo ‘impulso político’ que o Brasil quer dar às negociações comerciais globais.


A entrevista foi destaque das páginas iniciais do ft.com ao argentino lanacion.com -este com o enunciado ‘Duras acusações de Morales à Petrobras’.


Mas o boliviano ainda era um figurante para a Espanha de José Luiz Zapatero e da Repsol. Encerrando uma reportagem no ‘El País’, antes da entrevista:


– Zapatero disse que pensa em ver na Áustria o presidente da Bolívia, ainda que ‘com tempo e formato distintos’ do que vai dedicar ao brasileiro Lula. Deu a entender que não tem tempo para o líder indigenista neste momento, já que o estabelecimento do ‘marco bilateral de negociação levará tempo’.


Curiosamente, até chegar a dramática entrevista o próprio Morales se mostrava mais contido. Em exclusiva para a Globo News, pela manhã, ele defendeu a permanência da Petrobras na Bolívia e um preço ‘racional’.


E o ministro brasileiro de Minas e Energia, de sua parte:


– Nós concordamos tirar a discussão de preço da imprensa e colocar na mesa de negociação. É o que precisamos fazer, é no que estamos apostando.


Aí veio a entrevista coletiva.


Morales protagonista nos sites


O ANTICHÁVEZ


Nos sites brasileiros, foi destaque a expressão usada ontem pela nova ‘Economist’, para descrever a disputa. Estava no subtítulo, ‘Lula, do Brasil, foi humilhado por Chávez’. No título, ‘A diminuição do Brasil’.


A reportagem editorializada foi um chamado à reação. ‘A resposta de Lula pareceu fraca’, afirmou a revista, a uma ação de Evo Morales ‘aconselhada e aparentemente inspirada’ por Chávez. Citando o questionamento do ex-embaixador em Washington Rubens Barbosa, a ‘Economist’ disse que ‘há partidarismo em tais críticas, mas também há fundamento’. E fechou avaliando que ‘o Brasil falhou em articular a alternativa ao chavismo’.


Quem saiu em defesa de Lula, sintomaticamente, foi o comissário comercial da Europa, o britânico Peter Mandelson, para quem ‘o Brasil é e continuará sendo um líder incontestável’, segundo texto no site da BBC.


Por via das dúvidas, ‘Economist’ e o colunista Andres Oppenheimer, do ‘Miami Herald’, já saudavam ontem o presidenciável peruano Alan García como potencial antiChávez, ao menos nas palavras. De Oppenheimer:


– Se tem latino-americano com habilidade retórica para desafiar os tiros verbais de Chávez, é Alan García.


E da revista, que apresentou o peruano como favorito:


– Se eleito, Mr. García afirma que aliaria o seu país aos governos moderados -de diferentes tons- como o do Brasil, do Chile e da Colômbia. Ele também se ofereceu para criar uma frente regional contra Mr. Chávez.


Na charge da ‘Economist’, o gigante Chávez e Lula


Agenda


‘Silvinho’ virou um registro de agenda, no final da escalada do ‘Jornal Nacional’, ontem:


– O ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, depõe para promotores e para a polícia.


De notícia, na Folha Online, só mesmo o registro de que ‘Silvio usou entrevista para pressionar o PT, diz a Polícia Federal’.


Cruzada


Mas vem mais por aí. Do blog de Alon Feuerwerker, ontem:


– As pesquisas de Antonio Lavareda convenceram os comandantes de que há um único jeito de fazer Alckmin vencer Lula: transformar a campanha em cruzada contra a corrupção.’


GAROTINHO vs. MÍDIA
Talita Figueiredo


Garotinho ganha direitos de resposta e encerra protesto


‘O pré-candidato do PMDB à Presidência da República Anthony Garotinho aproveitou dois direitos de resposta que ganhou, na revista ‘Veja’ e no jornal ‘O Globo’, para admitir publicamente que encerrou a greve de fome iniciada 11 dias atrás.


Garotinho anunciou o fim do jejum no quarto do hospital Quinta D’or (São Cristóvão, zona norte), com soro aplicado na veia. Na prática, a greve havia acabado anteontem, momentos depois de ele chegar ao hospital, quando tomou água de coco e foi reidratado com soro glicosado. Segundo seu médico, Abdu Neme, ele não poderá voltar a comer imediatamente. Primeiro, serão introduzidos alimentos líquidos, como sucos, depois pastosos. Durante o jejum, ele perdeu 6,2 kg. Ontem, já havia ganho 300 g, pesando agora 84 kg.


Resposta


O direito de resposta obtido na Justiça mostrará a versão de Garotinho em relação apenas ao uso na pré-campanha de um avião que pertenceu ao traficante João Arcanjo Ribeiro. No caso de ‘Veja’, de acordo com a liminar do juiz Carlos Eduardo Moreira da Silva, da 31ª Vara Cível, Garotinho terá direito, na próxima edição, à publicação de sua versão na capa e em oito páginas internas.


No texto da liminar, o juiz Moreira da Silva sustenta que a revista ‘não teve o mínimo de cuidado para resguardar os direitos constitucionais do autor [Garotinho], não traduzindo toda a verdade dos fatos’. Além da publicação do direito de resposta, o juiz estipulou em R$ 50 mil o valor da multa diária a ser paga pela Abril caso não cumpra a ordem de publicar a versão de Garotinho. Procurada pela Folha, a editora disse que só se manifestará na esfera judicial.


Também em medida liminar, a juíza Fernanda Sepúlveda Telles, da 18ª Vara Cível, determinou à empresa Infoglobo Comunicações S/A (que edita o jornal ‘O Globo’) que publique reportagem com a versão de Garotinho ‘com idêntico destaque e espaço da notícia’ sobre o suposto uso do avião veiculada no dia 30. A multa por eventual descumprimento é de R$ 35 mil por dia.


Sérgio Bermudes, advogado da Infoglobo, disse que recorrerá hoje contra a liminar. Segundo ele, como a empresa somente foi notificada pela Justiça após as 18h de ontem, somente na edição de amanhã o direito de resposta teria de ser publicado.’


ELEIÇÕES 2006
Folha de S. Paulo


Proibição de divulgação de pesquisas eleitorais deve ser derrubada no STF


‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vetou o artigo da nova lei eleitoral que proíbe a divulgação de pesquisas de intenção de voto nos últimos 15 dias antes da eleição. Segundo o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, Lula não quis entrar no mérito pois sabe que a Justiça vai se manifestar a respeito de sua legalidade ou não.


‘O presidente pensou muito na possibilidade de vetar esse dispositivo, mas, como se trata de uma questão que já tem precedente no STF e suscita muitas dúvidas e divergências, com argumentos potentes para ambos os lados, o presidente preferiu não vetar, sabendo que essa questão será julgada’, afirmou o ministro.


O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ainda vai se manifestar sobre a aplicação das regras eleitorais neste ano. Em abril, antes de assumir o TSE, o ministro Marco Aurélio de Mello sinalizou que a proibição de divulgação de pesquisas pode cair no tribunal.


O texto também pode ser apreciado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) se algum partido ou entidade civil questioná-lo em ação direta de inconstitucionalidade. Neste caso, segundo a Folha apurou, a tendência dos ministros será afirmar que a norma viola o princípio constitucional do direito à informação.


Esse é um dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, inscritos na Constituição (artigo 5º, inciso XIV). ‘É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional’, diz a Constituição.


O relator das novas regras eleitorais no TSE, ministro José Gerardo Grossi, já afirmou que o artigo sobre a proibição de pesquisas eleitorais é inconstitucional.


Ontem, Tarso também comentou o veto do presidente ao artigo da lei eleitoral que impedia o uso de cenas externas na propaganda eleitoral. O ministro disse que, assim como a oposição, a candidatura à reeleição de Lula poderá também explorar as imagens das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito), na linha de que o PT e o governo foram injustamente atacados e, mesmo assim, trabalharam pela transparência das investigações.


‘E sabem vocês [jornalistas] perfeitamente como esse partido foi alvejado durante esse processo, como se fosse possível fazer uma incriminação coletiva, que é uma coisa passível do direito medieval, e não do direito moderno’, disse o ministro.


Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, o fato de o presidente Lula não ter vetado o artigo da lei eleitoral que proíbe a divulgação de pesquisas nos últimos 15 dias antes da eleição é ‘preocupante’.


‘Já passou pelo Congresso e agora pela sanção presidencial. É preocupante’, afirmou. ‘A proibição é um risco que o processo eleitoral democrático está correndo’, disse Paulino.


Segundo ele, a medida deve ser questionada no Supremo, e a proibição não deve ser aprovada por ser ‘inconstitucional’.’


FÓRUM FOLHA
Folha de S. Paulo


Fórum Folha debate liberdade de imprensa


‘No ranking de liberdade de imprensa feito pelos Repórteres Sem Fronteira, ONG baseada na França, o primeiro país latino-americano, El Salvador, aparece apenas em 28º lugar. A Costa Rica surge em seguida, em 41º. A Argentina está em 59º. O Brasil, em 63º.


A listagem foi mencionada ontem por Julio Blanck, editor-chefe do jornal argentino ‘Clarín’, na terceira e penúltima mesa do Fórum Folha de Jornalismo, um dos eventos que marcam os 85 anos de existência do jornal.


O debate, com o tema ‘Jornalismo e Democracia’, foi mediado por Renata Lo Prete, editora do ‘Painel’, da Folha. Participaram ainda Jaime Abello Banfi, diretor-executivo da Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano, da Colômbia, e Jennifer Moyer, diretora de operações do serviço on-line do ‘Washington Post’.


Julio Blanck citou ainda um levantamento de uma ONG americana, a Freedom House, segundo o qual só 17% da população mundial vive em países com plena liberdade de informação. Há 43% em regimes políticos nos quais essa liberdade inexiste e 40% estão numa ‘zona cinzenta’, em que se enquadram basicamente todos os países latino-americanos.


‘A perda da qualidade da democracia se traduz também na perda de qualidade do jornalismo’, afirmou.


Internet


Jennifer Moyer discorreu sobre as mudanças que a internet vem trazendo na interatividade e na relação entre a imprensa e a cidadania. Citou dois exemplos do ‘Washington Post’.


Há em primeiro lugar, no site, um banco de dados de votações no Congresso. Por meio dele, o cidadão pode saber como seu deputado votou desde 1991 e ainda ser avisado, por e-mail, de um voto que acaba de ocorrer em plenário. Há a seguir, nas páginas do noticiário on-line, uma remissão para blogs que estejam discutindo o mesmo assunto abordado.


Apesar de entusiasmada com o alcance dessas ferramentas, ela não acredita que, ‘nos próximos 50 ou 100 anos’, a versão on-line venha a substituir a versão impressa de seu jornal.


O colombiano Jaime Abello Banfi citou dois aspectos das mudanças permitidas pela internet no jornalismo de qualidade.


De um lado, diz ele, o leitor se tornou mais desconfiado, com acesso a um número maior de fontes e, por isso, menos tolerante com erros e partidarismos. Mas, de outro lado, os grupos econômicos e de interesse deixaram de ser apenas fontes de informação para produzir e divulgar informações em seus sites.


Banfi citou os políticos corruptos e os grupos de crime organizado como ameaças ao jornalismo. Lembrou o caso de ex-presidentes presos ou afastados por corrupção no continente (Costa Rica, Argentina, México e Peru) e as tentativas, como na Venezuela, de enquadrar politicamente a mídia.


Reportagem


Na segunda mesa de ontem, que encerrou o evento, o tema abordado foi ‘Os Limites da Reportagem’, com mediação do colunista da Folha Fernando Rodrigues.


Robert Fisk, premiado jornalista e correspondente do jornal britânico ‘The Independent’ em Beirute, ressaltou a ‘falta de perspectiva histórica’ em reportagens internacionais. Como exemplo, citou o modo como jornalistas europeus e norte-americanos geralmente tratam o conflito entre israelenses e palestinos.


‘Não se fala em territórios palestinos ocupados, mas em ‘territórios em disputa’. Não se fala em colônias judaicas, mas em ‘assentamentos’. Se uma criança joga uma pedra contra um soldado porque sua terra foi ocupada, colonizada, é possível entender. Mas se ela atira uma pedra por causa de uma ‘disputa’, que poderia ser resolvida em um tribunal, isso transforma os palestinos, genericamente, em violentos’, disse.


Limites


Maria Teresa Ronderos, ex-editora-geral da revista colombiana ‘Semana’ e atualmente assessora da mesma publicação, dividiu em externos e internos os ‘limites’ para a reportagem.


Entre os externos, Ronderos citou ‘os poderosos, que sempre querem ocultar a verdade’. Entre os internos, ‘os juízos demasiado rápidos’ que os jornalistas podem fazer em uma apuração e a ‘tendência de serem sempre levados por assuntos da conjuntura’, deixando de lado temas menos populares, mas mais importantes.


Ricardo Uceda, diretor do Instituto Imprensa e Sociedade, do Peru, e ex-editor e repórter em várias publicações no país, também abordou a escolha de assuntos como uma das ‘principais limitações’ do trabalho de reportagem.


‘O problema fundamental é quando restringimos o conceito de notícia. Quando buscamos o mais chamativo, deixando o que temos de mais importante muitas vezes de lado’, afirmou.


Debates na íntegra


Os vídeos dos quatro painéis do Fórum Folha de Jornalismo estarão disponíveis a partir das 12h de hoje no site da Folha Online. Os debates de ontem e anteontem, com duas horas de duração cada um, poderão ser vistos na íntegra.’


ESPIONAGEM NOS EUA
Sérgio Dávila


EUA monitoram telefonemas de milhões


‘A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) armazena secretamente os dados de bilhões de telefonemas feitos por dezenas de milhões de americanos desde os dias seguintes a 11 de setembro de 2001, sem a autorização destes.


As informações são fornecidas pelas empresas AT&T, BellSouth e Verizon, as três maiores operadoras do país, que atendem 200 milhões de pessoas, ou dois terços da população americana, sem que ordens judiciais tenham sido emitidas para tanto, como exige a lei e defendem entidades de direitos civis. Pior: as teles recebem pelas informações fornecidas.


O programa, classificado de ‘o maior arquivo desse tipo no mundo’, cujo objetivo seria ter registradas todas as ligações feitas em território americano, grava apenas os números de quem faz e recebe os telefonemas, sejam domésticos ou internacionais, mas não seus conteúdos. A idéia, segundo fontes da NSA, é detectar padrões ou traçar perfis de pessoas que possam ser ou desenvolver atividades terroristas, mesmo que a grande maioria dos investigados não seja suspeita.


A informação foi publicada pelo jornal ‘USA Today’ em sua edição de ontem. Procurado pela Folha, Don Weber, porta-voz da agência, não negou nem confirmou o relato. ‘Dada a natureza do trabalho que realizamos, seria uma irresponsabilidade fazer comentários sobre questões operacionais, verdadeiras ou não, portanto não tenho mais informações a dar’, disse ele. ‘É importante ressaltar, no entanto, que a NSA leva a sério suas responsabilidades legais e opera sob a lei.’


Numa entrevista ontem à tarde chamada de ‘intempestiva’ pelos presentes, o presidente George W. Bush negou que o governo ouça ligações domésticas sem aprovação judicial e manteve que ‘a privacidade de americanos comuns é fortemente protegida em todas nossas atividades’. ‘Nossos esforços são focados em ligações com a Al Qaeda e seus afiliados’, disse o presidente, para depois deixar a sala, sem ouvir perguntas dos jornalistas.


A AT&T afirmou: ‘Nós respeitamos a confiança dos consumidores em nosso trabalho. Se e quando a AT&T é chamada a colaborar com o governo, nós os fazemos apenas sob o domínio da lei’. O teor das respostas da BellSouth e da Verizon foi o mesmo.


‘Ilegal e absurdo’


Segundo relata o periódico, logo após o 11 de Setembro, AT&T, BellSouth, Verizon e Qwest foram procuradas pela agência, que queria fechar um acordo de acesso às informações. As três primeiras teriam aceito; a Qwest exigiu que a NSA tivesse o programa aprovado pelo Tribunal Especial estabelecido pelo Ato de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA), que desde 1978 prevê um foro para esses tipos de caso.


Diante das negativas da agência, a tele, a menor das quatro, que atende 14 milhões de assinantes em 14 Estados, pediu então uma autorização por escrito do equivalente americano da Procuradoria Geral do Ministério Público, que nunca veio.


‘Isso não só é ilegal como um absurdo’, disse à Folha Ken Gude, diretor associado do Center for American Progress.


Suspeitas de violação de direitos civis em nome da ‘guerra ao terror’ por parte da agência doméstica sob George W. Bush são comuns. A NSA já foi acusada de escuta telefônica de ligações internacionais e violação de correspondência eletrônica sem mandato judicial e é ré de um processo de uma escuta clandestina doméstica. Mas essa é a primeira vez que fontes confirmam um programa todo destinado a isso.


Em dezembro passado, Bush disse ter autorizado diretamente a interceptação sem mandado judicial de telefonemas e e-mails internacionais, desde que ‘uma das pontas’ da comunicação, como disse então o presidente, fosse em território estrangeiro.


O general Michael Hayden, indicado por Bush para dirigir a CIA, chefiou a NSA de março de 1999 a abril de 2005. Criada em 1952, a agência tem como objetivo proteger os EUA de ataques externos. Sua existência foi negada por tanto tempo que se dizia que NSA significava ‘No Such Agency’ (agência que não existe).


A revelação de ontem pode complicar a aprovação de Hayden pelo Congresso.’


***


Espionagem ‘não pára por aí’, diz analista


‘O raio de ação da NSA é maior do que se imagina. Em dezembro, quando se revelou que a agência monitorava certas comunicações feitas por civis entre EUA e o exterior e vice-versa, a Casa Branca havia dito que era uma atividade localizada, que visava a Al Qaeda. ‘Mas não parou por ali, parou?’, pergunta Ken Gude, do Center for American Progress, uma ONG de direitos civis baseada em Washington.


Especializado em direito internacional e nas liberdades individuais pós-11 de Setembro, ele conversou com a Folha. Por telefone. Leia a entrevista:


Folha – Como o sr. vê a revelação?


Ken Gude – Acaba com os argumentos desse governo de que o alvo deles é só a Al Qaeda e seus terroristas. Na verdade, eles podem fazer o que quiser com informações preciosas de virtualmente todos os norte-americanos.


Folha – O sr. já tinha ouvido falar de algo assim antes?


Gude – Nunca, nem próximo, um arquivo desse tamanho e magnitude. A NSA é a a agência mais tecnológica de todas as de inteligência. A maneira pela qual eles operam envolve toda forma de comunicação, não só telefonemas como estamos acostumados. São e-mails, telefones celulares e sem fio, telefonemas pela Internet (VoIP), mensagem instantânea, bate-papo, sites de relacionamento pessoal, tudo o que você pode pensar. Quanto mais sofisticados ficamos, mais vulneráveis.


A grande mudança aqui é que até agora a NSA operava principalmente no exterior para angariar seus dados. Essa revelação de hoje (ontem) marca uma mudança enorme de procedimentos e de pensamento. Eles estão monitorando cada um de nós mesmos.


Folha – E isso é legal?


Gude Eles violaram o Stored Communications Act, que protege informações guardadas, como o seu número de telefone e o número da pessoa que ligou para você ou recebeu seu telefonema. Para que uma empresa telefônica forneça esse dado ao governo, precisa ou da autorização expressa do cliente ou de ordem judicial.


Folha – E pára por aí?


Gude – Não. Essa foi nossa preocupação quando o ‘New York Times’ revelou em dezembro que a NSA monitorava telefonemas e e-mails mandados do exterior para os EUA e vice-versa. Pois não parou por aí, parou?


Folha – O sr. acha que eles estão gravando dados da nossa ligação?


Gude – (Risos) Espero que não. Na verdade, acho que não. Devem estar preocupados com lugares potencialmente mais perigosos, como Paquistão ou Afeganistão. Mas é importante fazermos a distinção entre conteúdo e dado. Até onde se sabe, os conteúdos, digamos assim, ainda não estão sendo gravados…’


***


Patriot Act amplia o poder das agências


‘Lançado após o 11 de Setembro, o Patriot Act é um pacote de leis antiterroristas dos EUA que prevê um conjunto de medidas excepcionais de ampliação dos poderes de agências de combate ao crime para facilitar a luta contra o terrorismo.


Por autorizar procedimentos contrários às liberdades civis -como escutas telefônicas e monitoramento de e-mails extrajudiciais e a espionagem de prontuários médicos ou de fichas de consultas em bibliotecas-, tem sido amplamente criticado. Seu nome real é USA Patriot, acrônimo de Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism (unindo e fortalecendo os EUA pela provisão de apropriadas ferramentas necessárias para interceptar e obstruir o terrorismo).


Em dezembro passado, o Congresso americano contrariou o desejo do presidente George W. Bush de tornar permanente o pacote de leis, aprovando apenas sua extensão.


Após meses de impasse no Congresso, uma versão modificada da lei foi assinada por Bush em março deste ano. Mudanças foram feitas para garantir que os cidadãos possam contestar algumas das ações na Justiça.’


TV DIGITAL
Elvira Lobato


Por TV digital, Europa propõe comprar etanol


‘A Comissão Européia aproveitará a vista do presidente Lula a Viena para apresentar um memorando de entendimentos sobre a implantação da TV digital no Brasil, nos moldes do que foi assinado em Tóquio, em abril, entre o governo e empresas japoneses e os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Hélio Costa (Comunicações).


Segundo informações das indústrias envolvidas nas negociações, a Comissão Européia deve incluir a importação de etanol entre as contrapartidas para que o Brasil escolha a tecnologia européia de televisão digital, conhecida como DVB.


A ‘Coalizão DVB’, movimento criado por subsidiárias de seis grandes indústrias européias -ST Electronics, Philips, Siemens, Thomson, Nokia e Rohde & Schwarz- para contrapor o lobby dos radiodifusores pelo sistema japonês, informou ontem que a proposta de memorando de entendimento foi apresentada ontem a integrantes do governo brasileiro, na Europa, e deve ser assinada hoje.


A ‘Coalizão DVB’ distribuiu nota, em São Paulo, com o resumo das propostas que estão sendo apresentadas pela Comissão Européia. O pacote de contrapartidas fala no compromisso de criação de três centros de aplicações de circuitos integrados, nos quais seriam investidos US$ 50 milhões, em três anos, ‘apoio ativo’ para a implantação de uma fábrica de semicondutores e promessa de criar 23 mil empregos pelas empresas que integram a coalizão.


O memorando reafirma as ofertas que já haviam sido apresentadas ao governo, no Brasil, como a abertura de uma linha de crédito pelo Banco Europeu de Investimentos, de 400 milhões, para financiar as emissoras de TV a comprar os equipamentos, construção de uma fábrica local para produção de transmissores de TV, assento do Brasil no fórum de desenvolvimento do DVB e reinvestimento dos royalties no país. A informação das indústrias européias é que a questão será tratada com Lula pelos presidentes dos países envolvidos.


Escolha ainda em maio


Ontem, Hélio Costa e Dilma Rousseff disseram a empresários com quem estiveram reunidos em Brasília que o governo anuncia até o final deste mês a escolha do padrão de TV digital.


A Folha revelou em março que o padrão escolhido é o japonês, o preferido das redes de televisão. Depois da publicação da reportagem, houve forte pressão dos outros dois concorrentes, os europeus e norte-americanos, e o governo disse que ainda não havia tomado a decisão. Semanas depois, os brasileiros assinaram documento com garantias no Japão.


Na reunião de ontem ficou acertado que será criado um fórum permanente com integrantes da indústria, da universidade, do governo e dos meios de comunicação para discutir questões mais específicas da TV digital, depois que for realizado o anúncio.


‘O ponto mais importante da reunião foi a criação do fórum para que seja discutida a implantação do sistema brasileiro e depois a manutenção do sistema, porque a tecnologia digital é algo que evolui todo dia’, disse Fernando Bittencourt, da Rede Globo. Cerca de 20 pessoas de todos os setores participaram do encontro. Foi entregue documento com o que é consensual sobre o assunto.


Colaboraram Pedro Dias Leite e Eduardo Scolese, da Sucursal de Brasília.’


TELEVISÃO
Laura Mattos


Dan Stulbach vira radialista na CBN


‘Pouco antes de torcedores da Gaviões da Fiel partirem para cima de policiais militares no fatídico jogo entre Corinthians e River Plate, na semana passada, o clima era descontraído nas arquibancadas do Pacaembu, em São Paulo.


Um dos corintianos ouvia sem parar a brincadeira: ‘Vai lá, Tom Hanks, dá uma raquetada nos argentinos’. Era o ator Dan Stulbach, 35, que ganhou o apelido pela semelhança física com o astro norte-americano. E a raquetada, para quem não é noveleiro, é uma referência ao personagem que o tornou famoso: o marido violento que usava até raquete de tênis para espancar a mulher, em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003).


Stulbach contou essa história no programa de rádio que ele estreou na CBN (90,5 FM e 780 AM, em SP). ‘Fim de Expediente’ vai ao ar às sextas, das 19h às 20h, horário da ‘Voz do Brasil’. Justamente por isso, é veiculado só em São Paulo, onde a emissora obteve liminar para não transmitir as notícias oficiais do poder público.


A direção da CBN, no entanto, ficou satisfeita com as três edições já levadas ao ar e não descarta a possibilidade de colocar ‘Fim de Expediente’ em rede nacional.


Contratado da Globo, Stulbach, além de TV, atua em cinema e teatro, mas jamais havia trabalhado como radialista. Ele teve a idéia com três amigos, com os quais costumava se encontrar toda semana para andar de bicicleta e conversar. Os quatro gravaram alguns testes em fitas cassetes, num esquema bem caseiro, mas a CBN comprou a idéia e lhes propôs contrato até o final deste ano.


Se Stulbach nunca havia sido radialista, os outros três nem atores são. Zé Godoy, 34, é escritor; Duco (Rodrigo Bueno de Morais), 34, dentista; e Teco (Luís Gustavo Medina), 31, economista.


Apesar do quarteto masculino e da história do jogo do Corinthians, ‘Fim de Expediente’ não é uma mesa-redonda futebolística.


Tem o objetivo de não fugir das notícias importantes, mas considera que o ouvinte se prepara para o final de semana. Logo, o tom é de mais descontração, apesar de eles, por graça, usarem sempre camisa branca e gravata. O grupo comenta e analisa acontecimentos da semana e entrevista um convidado. Já passaram por eles o psicanalista Contardo Calligaris, a vereadora e apresentadora Soninha (colunistas da Folha) e o chef Alex Atala. Hoje será a vez de Ricardo Kotscho, ex-secretário de imprensa do governo Lula.


Stulbach comanda o time como se fosse experiente com o microfone. Conta estar adorando a função. ‘Como jornalista, o mundo torna-se mais explicável. Como ator, é inexplicável’, diverte-se.


‘Costumavam me perguntar se eu estava feliz nas novelas. Mais ou menos. Sempre quis complementar com algo que discutisse a sociedade e não ser mais um ator que só fala de si’, diz Stulbach.’


Silvana Arantes


Ator lembra beijo de novela que não houve


‘Os atores Zózimo Bulbul e Leila Diniz (1945-72) queriam se beijar na frente das câmeras. Pediram, insistiram, pressionaram pela cena, muito antes desta época em que o ‘beijo gay’ que não houve se tornou assunto nacional.


Bulbul e Diniz formavam um casal interracial. O romance entre o negro e a branca ia ao ar, naquele 1969, pela TV Excelsior, no folhetim ‘Vidas em Conflito’. Mas a produção não arriscava exibir traço de intimidade entre eles.


A pressão dos atores pelo beijo resultou na mudança de curso da trama. O romance de seus personagens se desfez.


Não é à toa que Bulbul, 69, relembre essa história em detalhes para o ator Lázaro Ramos, 27, diretor deste ‘Retratos Brasileiros’ que o Canal Brasil exibe amanhã.


Ramos dirige o programa sobre Bulbul e faz questão de desaparecer atrás da câmera. Ele nem sequer insinua seu rosto (também negro), mais que famoso, já consagrado, que hoje freqüenta a telinha, aos beijos com a atriz branca Christiana Kalache, na novela global das sete, ‘Cobras e Lagartos’.


Antes de Bulbul, Ramos dirigiu um igualmente consistente programa sobre e com Tony Tornado. Sem alarde, o ator/diretor vem (re)contando a história da afirmação racial no universo da produção audiovisual brasileira.


É como se Ramos, ao beijar Kalache, tivesse em conta que não chegou até ali apenas por mérito de seu (extraordinário) talento. Mas também porque, antes dele, houve um Zózimo Bulbul e uma Leila Diniz; uma Elis Regina e um Tony Tornado, a desafiarem preconceitos -patentes e ocultos.


No programa, Bulbul conta o episódio da censura a ‘Compasso de Espera’ (70), de Antunes Filho, que talvez ainda hoje permaneça além de seu tempo na abordagem do racismo. Na programação em homenagem a Bulbul, o Canal Brasil exibe hoje os curtas que ele dirigiu, incluindo o desafiador e testemunhal ‘A Alma do Olho’.


Retratos Brasileiros – Zózimo Bulbul


Quando: amanhã, às 17h, no Canal Brasil’


HQ
Marco Aurélio Canônico


‘Mas Ele Diz que Me Ama’ é diário da crise


‘Rosalind Penfold tinha 35 anos, uma carreira bem-sucedida e uma vida independente e próspera no verão de 1990, quando conheceu Brian, ‘o homem mais maravilhoso do mundo’.


Dez anos depois, com ajuda psicológica, ela conseguiu juntar os cacos de sua personalidade para se livrar de um alcoólatra agressivo e infiel, o mesmo Brian.


Sua história está contada em ‘Mas Ele Diz que Me Ama’, ‘graphic novel’ que a Ediouro lança agora no Brasil. Rosalind Penfold é um nome fictício usado pela autora para contar seu drama real, com o objetivo de exorcizar seus demônios e de alertar, pelo exemplo, outras vítimas de relacionamentos violentos.


A obra de Penfold -um diário desenhado por ela mesma ao longo dos dez anos em que viveu com Brian- não é simples de ser lida. Como é externo ao caso, o leitor pode achar que o relato dramático é simplista e pouco racional. Vendo os sucessivos abusos, há uma tendência a culpar a vítima (‘Por que ela aturou isso?’), desviando o foco do abusador.


Vista de dentro, a questão é muito mais complexa e é isso que Penfold tenta mostrar com seu livro. ‘Pessoas envolvidas em relacionamentos abusivos costumam confundir intensidade com intimidade. Aquilo parece íntimo, porque é muito pessoal, mas intimidade requer confiança -e não existe confiança em relacionamentos abusivos’, escreve.


O grande mérito de ‘Mas Ele Diz que Me Ama’ é mostrar que, muitas vezes, o que prende as vítimas às relações violentas não é o abusador, mas a destruição de sua personalidade e amor-próprio.


Mas Ele Diz que Me Ama


Editora: Ediouro Quanto: R$ 35, em média (262 págs.)’


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O Globo


Sexta–feira, 12 de maio de 2006


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O Estado de S. Paulo


Sexta–feira, 12 de maio de 2006


GAROTINHO vs. IMPRENSA
Alexandre Rodrigues


Garotinho encerra greve de fome depois de 11 dias


‘O ex-governador do Rio Anthony Garotinho anunciou ontem o fim de sua greve de fome, após 11 dias sem comer. Ele comemorou a obtenção de duas liminares do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, que determinaram à revista Veja e ao jornal O Globo a publicação de direito de resposta. Garotinho quer se defender de reportagem que dizia que ele tinha usado duas vezes o avião de João Arcanjo Ribeiro, preso como chefe do crime organizado em Mato Grosso.


As duas decisões, tomadas no fim da noite de anteontem, não tratam das denúncias de que empresas financiadoras da sua pré-campanha têm dirigentes em comum com ONGs que mantêm contratos com o Estado do Rio. A estratégia é contestar separadamente os casos. Ele ingressaria ainda ontem com pedidos de reparação de danos pelas outras denúncias e contra a TV Globo.


O caso do avião foi publicado na Veja, que dedicou ao pré-candidato a capa da edição de 30 de abril – na qual ele aparece numa montagem com chifres – e que foi reproduzida pelo jornal na primeira página daquele dia. Mesmo sem a garantia de que a ordem será cumprida (cabe recurso), Garotinho convocou entrevista para encerrar o jejum.


Segundo a assessoria do TJ, a juíza Fernanda Telles, da 18ª Vara Cível, entendeu que há documentos no processo que comprovam que o avião estava arrendado por uma empresa que não tinha relações com Arcanjo. A juíza justificou a antecipação de tutela antes do julgamento do caso relativo ao Globo considerando a importância da reputação para um pré-candidato à Presidência. Ela deu ao jornal prazo de 24 horas para o cumprimento, sob pena de multa diária de R$ 35 mil.


Com relação à Veja, o juiz Carlos Eduardo Moreira da Silva, da 31ª Vara Cível, concedeu o mesmo benefício a Garotinho.Determinou que a revista publique a resposta do ex-governador no mesmo destaque e espaço, com chamada de capa, título e subtítulo e o mesmo tamanho de texto. O juiz ressaltou que é contrário à censura aos meios de comunicação, mas frisou que as notícias não podem ‘deixar margem para interpretação duvidosa’. Se não cumprir imediatamente a determinação, a revista poderá pagar por dia R$ 50 mil de multa.


Apesar de não conseguir os observadores internacionais, outra de suas reivindicações, Garotinho disse que ficou satisfeito com o resultado da visita de deputados aliados à Fundação Jimmy Carter, nos Estados Unidos, que, segundo ele, se comprometeu a fazer relatório sobre a influência da mídia no ambiente eleitoral brasileiro.


Sobre o financiamento de sua pré-campanha, afirmou que provará na Justiça que não usou verba pública, argumentando que não há impedimento legal para que as empresas ligadas à ONGs façam doações. ‘Seria um impedimento moral. Por isso, ao tomar conhecimento, mandei devolver o dinheiro.’


CONVENÇÃO


Garotinho reafirmou que pretende ir à convenção do PMDB no sábado confiante de que vencerá a tese da candidatura própria. ‘Mesmo com o apoio que governistas recebem do governo Lula, com ministérios, cargos e outras coisas, eles precisarão de dois terços dos votos para impedir a candidatura.’ Sobre suas chances, que diminuíram com a greve de fome, disse que ainda não pensou em seu futuro político.


Na prática, a greve de fome já tinha sido interrompida anteontem, quando ele se transferiu da sede do PMDB no Rio para o hospital Quinta D’Or. Garotinho passou a receber soro com sais minerais e glicose na veia e admitiu ter bebido meio copo de água de coco. Segundo Abdu Neme, seu médico, ele perdeu 7 quilos e levará 15 dias para retomar a dieta normal. Até lá, vai ingerir líquidos. O pré-candidato hesitou em responder o que gostaria de comer após o jejum. ‘Quero comer marmelada, que foi o que fizeram comigo.’ Mais cedo, porém, tinha admitido que queria comer quibe cru, uma referência à sua origem libanesa.


COLABORARAM MARCELO AULER e RODRIGO MORAIS’


***


‘Veja’ e ‘O Globo’ não se pronunciam sobre decisão do TJ


‘A editora Abril, que publica a revista Veja, não quis comentar a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, favorável ao ex-governador Anthony Garotinho, e afirmou que não se pronuncia sobre assuntos que estão na Justiça. O TJ do Rio informou que a sucursal da Veja no Rio foi notificada, mas não soube explicar se o prazo judicial é suspenso caso os veículos recorram. A notificação de Veja não foi acompanhada do conteúdo que deve publicar. A direção do jornal O Globo não tinha sido notificada sobre a liminar favorável a Anthony Garotinho até o início da noite de ontem, por isso não se pronunciou.’


ELEIÇÕES 2006
Carolina Ruhman e Elizabeth Lopes


TSE proíbe propaganda ‘camuflada’ de Lula


‘O PSDB obteve ontem liminar do Tribunal Superior Eleitoral que proíbe a reexibição de filmes publicitários do PT, levados ao ar na última terça-feira. Segundo o TSE informou, o PSDB alegou que o PT camuflou propagandas já exibidas em abril e contra as quais já foram deferidas liminares pelo mesmo tribunal.


A propaganda do PT atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva programas de seu governo, como o Bolsa Família e o ProUni. Até o momento, o presidente é virtual candidato à reeleição, porque tem se negado a assumir a candidatura.


Na avaliação do TSE, o PT não pode ressaltar ‘qualidades pessoais ou realizações administrativas (de Lula), nem destacar suas prioridades, sem incorrer em propaganda extemporânea’. Para o PSDB, o PT tem agido com total descaso com a Justiça Eleitoral, descumprindo as decisões judiciais, ‘já que apenas camuflou as propagandas proibidas, passando a veiculá-las novamente ao arrepio da determinação do Tribunal Superior Eleitoral’.


Na outra ponta, o PT acusou o TSE de usar ‘dois pesos e duas medidas’, segundo avaliação do secretário-adjunto de Comunicação do partido, Francisco Campos, no que se refere à decisão do tribunal de proibir a veiculação de propaganda do partido, após pedido de liminar do PSDB. ‘O pré-candidato Geraldo Alckmin aparece nas inserções do PSDB, e a Justiça não entende como pré-campanha’, reclamou o dirigente.


Campos informou que o PT já havia modificado as inserções que tinham sido proibidas anteriormente, retirando os comparativos entre governos e as referências ao presidente.


Segundo informações do site do PT, o secretário disse que, apesar de causar ‘prejuízos irreparáveis’ ao partido, os petistas irão substituir os filmes. A assessoria jurídica do PT anunciou que adotará medidas para tentar reverter a decisão.


CUT


Também ontem, o plenário TSE confirmou liminar que proibia a circulação do jornal que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) editou em comemoração ao 1º de Maio, assim como a exibição na internet e a publicação e distribuição de qualquer outra edição neste sentido.


Os advogados do PSDB haviam sustentado que a publicação da CUT fere a legislação porque se caracteriza como propaganda eleitoral. O partido alegou no pedido que ‘publicou-se uma autêntica e despudorada propaganda eleitoral, realizada na forma de simulada entrevista jornalística, na qual o presidente da CUT de São Paulo, Edílson de Paula Oliveira, faz rasgados elogios ao governo Lula, contrapondo o suposto sucesso dessa gestão no governo federal com um balanço dos 12 anos do governo Alckmin, apontado como desastroso’.


Na decisão do TSE, além da proibição, foi determinada multa correspondente a 20 mil Ufir.


A CUT protocolou suas contra-razões com a alegação de que o jornal ‘não mencionou as eleições de 2006 nem sugeriu pedido de votos’. Na petição, a central sindical alegou apenas que ‘veiculou matérias de domínio público, divulgada por outros veículos’.


Para o tribunal, no entanto, houve exposição seletiva de fatos negativos ao PSDB.’


OESP PREMIADO


O Estado de S. Paulo


Diretor do ‘Estado’ recebe prêmio da APL


‘Academia Paulista de Letras presta homenagem a Ruy Mesquita


O diretor do Estado, Ruy Mesquita, recebeu ontem o Prêmio Luis Martins de Jornalismo, concedido pela Academia Paulista de Letras (APL) a profissionais de imprensa comprometidos com a cultura e a ética do País. Esta foi a primeira edição do prêmio, que também homenageou João Monteiro de Barros Filho, presidente da Rede Vida, e Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha de S. Paulo.


Entre os presentes ao evento estavam o advogado tributarista Ives Gandra da Silva Martins, presidente da academia, Celso Limongi, presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e Ana Maria Martins, segunda-secretária da APL.


‘Fico feliz em entregar o prêmio ao dr. Ruy. Por ter sido colaborador do Estado, conheço bem o jornal e a família Mesquita. O Estado está vinculado à história da democracia no Brasil’, disse Gandra.


A solenidade ocorreu às 18 horas, na própria sede da Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche, centro da capital.


‘É uma satisfação ser reconhecido pelo trabalho desempenhado ao longo dos anos. É uma festa em família. O prêmio não é meu, mas de todos aqueles que sempre estiveram na trincheira da defesa dos ideais republicanos’, disse o diretor do Estado. ‘Grande parte dos acadêmicos da Academia Paulista de Letras de hoje são colaboradores do jornal. Meu pai foi acadêmico. Luiz Martins, que dá nome ao prêmio, foi meu companheiro.’’


TV DIGITAL
Gerusa Marques


Padrão da TV digital sai até dia 30


‘O governo anunciará até o dia 30 deste mês o padrão de TV digital que será implantado no Brasil, possivelmente o padrão japonês. O Ministério das Comunicações já tem pronto a minuta do decreto que define o modelo e as regras que devem ser observadas pelas emissoras de TV, indústria de televisores e equipamentos de transmissão, além das operadoras de telefonia, que também poderão transmitir conteúdos em sinal digital, por meio de telefones celulares. Esse decreto será, depois, regulamentado para o detalhamento das regras, que serão submetidas à aprovação do Congresso.


O anúncio já poderia ter ocorrido, mas o governo optou por aguardar o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Europa para evitar o constrangimento de explicar por que o governo preteriu o modelo europeu de padrão digital. Lula está em Viena, participando da reunião de cúpula dos países da União Européia, América Latina e Caribe.


FÁBRICA


Os entendimentos com japoneses e europeus envolviam a possibilidade de instalação, no Brasil, de uma fábrica de semicondutores. Os europeus, inclusive, insistem na oferta da fábrica de semicondutores, numa tentativa de barrar o favoritismo dos japoneses.


Mas dificilmente a Europa será escolhida, apesar dos esforços dos empresários do bloco europeu. Ontem, por exemplo, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, estava em Londres e foi procurado por representantes dos fabricantes europeus.


No mês passado, os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim; das Comunicações, Hélio Costa, e Furlan, estiveram no Japão e assinaram os termos de um memorando de entendimento sobre a questão da TV Digital. Apesar de não constar neste memorando um compromisso para a construção da fábrica de semicondutores, o ato foi entendido como uma indicação da escolha do padrão japonês.


SEMINÁRIOS


Até a formalização da escolha do padrão, o governo mantém uma agenda de debates, juntamente com o Congresso. Na terça-feira, a Câmara promove mais um seminário sobre TV digital, numa estratégia combinada com o Planalto para impedir críticas segundo as quais o Congresso não teria participado das discussões.


Ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, manteve a agenda de entendimentos e se reuniu com representantes da indústria de televisores e eletroeletrônicos, das emissoras de TV, de fabricantes de equipamentos de transmissão e de universidades.


Na reunião, ficou decidida a criação de um fórum permanente de discussão e acompanhamento da implantação da TV digital no Brasil, que será formado por representantes dos diversos setores envolvidos.


O diretor de Engenharia da Globo, Fernando Bittencourt, que participou do encontro, explicou que a tecnologia digital está em permanente evolução e, por isso, é necessária uma atualização freqüente.


As emissoras, segundo Bittencourt, precisam de cerca de um ano para fazer a primeira transmissão digital.


Já a indústria nacional prevê que, em seis meses, os novos televisores digitais poderão estar no mercado.


Além de Dilma, participaram da reunião o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia.’


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Record cresce à noite


‘Não foi só em audiência no horário nobre que a Record cresceu, em cifras também. Segundo o superintendente comercial da rede, Walter Zagari, de janeiro a abril deste ano, a emissora cresceu em faturamento cerca de 38% em relação ao mesmo período do ano passado. Vale lembrar que a rede reajustou o preço dos seus breaks comerciais recentemente, o que, na opinião do diretor, não influenciou diretamente esse crescimento no faturamento.


‘É um crescimento bastante significativo se levarmos em conta que os primeiros meses do ano são considerados críticos pelo mercado’, fala Zagari. ‘Já passei várias situações na minha vida profissional em que o aumento de preços significava o aumento do nível de descontos oferecidos aos anunciantes para conseguir se igualar à concorrência. Isso não foi necessário. Aumentamos nosso preço e o mercado aceitou.’ Com certeza, a audiência do horário nobre contribui para isso. Na terça-feira, a Record ficou, mais uma vez, com o segundo lugar no Ibope a na faixa noturna. Das 18 h à meia-noite, a emissora registrou 10 pontos de média, ante 9 pontos do SBT, terceiro lugar no horário.’


GAROTINHO vs. MÍDIA
Dimmi Amora


Garotinho abandona greve ainda com 84 quilos


‘A greve de fome fracassou, mas o regime funcionou: sete quilos mais magro, o ex-governador Anthony Garotinho anunciou ontem à tarde que acabou, oficialmente, com o protesto contra reportagens mostrando que empresas que doaram R$ 650 mil para a sua pré-campanha têm como sócios dirigentes de ONGs contratadas pelo governo do estado.


Mesmo sem conseguir plenamente seus objetivos anunciados no primeiro dia de protesto, domingo retrasado – fiscalização internacional do processo eleitoral e direito de resposta em relação a reportagens publicadas pelas Organizações Globo e pela revista ‘Veja’ – Garotinho disse que voltará a se alimentar por ter conseguido uma liminar na Justiça para responder a apenas uma das reportagens: sobre ele ter utilizado um avião que pertenceu a um traficante e estava alugado para uma empresa de transportes. Ele também disse ter conseguido que a Fundação Jimmy Carter fizesse um relatório sobre a parcialidade das organizações Globo nas eleições do Brasil. Procurada nos EUA, a Fundação Jimmy Carter desmentiu o ex-governador.


Segundo seu médico, Abdu Neme, Garotinho encerrou o protesto com 84 quilos, perdendo sete quilos. Ele vai se alimentar de líquidos, depois de papinhas e só em 15 dias voltará a comer alimentos sólidos. Anteontem ele foi internado no Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão, e recebeu pela veia soro com glicose e sais. Segundo o médico, ele também ingeriu um pouco de água de coco. Isso tudo antes de anunciar o fim da greve, ontem à tarde, e antes da liminar.


– Só demos o que foi necessário. Ele tomou água de coco em quantidade insuficiente e não quebrou o jejum – disse Abdu Neme.


Na entrevista, ao lado da governadora Rosinha, Garotinho disse que foi uma estratégia dos advogados pedir separadamente direito de resposta contra cada uma das denúncias publicadas contra ele. Segundo o ex-governador, a partir de hoje seus defensores pedirão direito de resposta relativo às reportagens sobre as ONGs que têm entre seus membros pessoas que são sócias das empresas que fizeram doação ao PMDB. Ele disse que as empresas não são fantasmas e que apenas se utilizam de um benefício fiscal instalando-se em outra cidade.


Garotinho se recusa a explicar contratos de ONGs


Perguntado se poderia explicar por que os sócios eram os mesmos, ele disse que as empresas e as ONGs eram ‘personalidades jurídicas diferentes’. Perguntado se poderia apontar a diferença, disse que só responderia em juízo. Um repórter indagou se não poderia explicar ali, já que estava querendo espaço para falar, e Garotinho insistiu em não explicar.


– Nós vamos mostrar em juízo a diferença. Não há impedimento legal. O único impedimento que poderia haver seria o de ordem moral. Do ponto de vista moral, ao tomar conhecimento, mandei devolver o dinheiro – afirmou Garotinho.


A primeira versão para a devolução do dinheiro era diferente. Em 25 de abril, em nota oficial o PMDB informou que ‘(…) ao tomar conhecimento da conduta ética e fiscal dos referidos doadores, determino a Comissão Arrecadadora do PMDB providenciar o mais rápido possível a devolução dos recursos às referidas empresas.’ Somente no dia seguinte, os jornais O GLOBO e ‘Folha de S.Paulo’ publicaram que os sócios das empresas também eram associados de pelo menos três ONGs que têm contratos com o estado.’


***


PMDB veta críticas à mídia em programa


‘O PMDB cortou parte da participação do pré-candidato do partido à Presidência da República Anthony Garotinho do programa veiculado ontem. Fontes do partido confirmaram que o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), determinou o corte de trechos em que Garotinho fazia críticas a veículos de comunicação, citando nominalmente o jornal O GLOBO e a revista ‘Veja’. Foi mantido o espaço para o candidato falar da greve de fome que fez até ontem e se defender.


O programa teve como mote a defesa de candidaturas próprias nos estados e para presidente, assunto que será submetido aos delegados em convenção marcada para amanhã. Temer abriu espaço para o também pré-candidato Itamar Franco. Garotinho disse, no programa, que gostaria de tempo para se defender. Temer, depois de ver as gravações, mandou cortar do programa as partes em que Garotinho criticava os veículos e mostrava imagens da revista ‘Veja’ e do GLOBO.


O governo e o PT voltam a assediar o PMDB para, no caso de o partido não ter candidato próprio, aliar-se ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.’


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Matéria da ‘Veja’ sobre uso de avião de Arcanjo dá direito de resposta


‘O ex-governador Anthony Garotinho obteve no fim da noite de quarta-feira (dia 10 de maio) uma liminar dando a ele direito de resposta pela publicação de uma reportagem mostrando que utilizou o avião que foi apreendido a um traficante e estava alugado, por decisão da Justiça, a uma empresa de transportes. A decisão é contra a revista ‘Veja’, da Editora Abril, que publicou a reportagem, e contra o jornal O GLOBO, um dos veículos que a reproduziram.


A liminar contra O GLOBO foi expedida pela 18 Vara Cível e chegou ao jornal no início da noite de ontem, com prazo de 24hs para publicação. O departamento jurídico do GLOBO recorreu da medida. A da ‘Veja’ foi expedida pela 31 Vara. A juíza da 18, Fernanda Telles, justificou a liminar por entender ser ‘evidente e fundado o receio do autor em relação à reparação dos danos causados à sua imagem e reputação, considerando-se a sua condição de homem público e de pré-candidato à Presidência da República.’


Segundo juíza, Garotinho usou avião de empresa


No dia 30 de abril, O GLOBO reproduziu matéria da ‘Veja’, informando que ‘Garotinho usou avião de bandido’, onde citava reportagem da revista de que Garotinho usou duas vezes o avião do chefe do crime organizado no Mato Grosso João Arcanjo Ribeiro. Segundo a juíza, existem documentos no processo de reparação de danos movido por Garotinho que comprovam que a aeronave em que ele viajou estava arrendada pela empresa Construfert Ambiental, e que seus sócios não conheceram ou mantiveram contato com João Arcanjo.


De acordo com a liminar do juiz da 31ª Vara, a ‘Veja’ deve publicar imediatamente, com idêntico destaque e espaço, o inteiro da retificação. A revista circulou em 3 de maio com reportagem de capa intitulada ‘Os sete pecados capitais da política’.’


TV DIGITAL
Luiza Damé


Lula deve anunciar até o fim do mês padrão de TV digital


‘A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem, em reunião com empresários de radiodifusão e da indústria de equipamentos de televisão e transmissão e representantes de universidades, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará até o fim de maio o padrão de TV digital que será adotado no Brasil. Avalia-se que a tendência é que o governo brasileiro opte pelo sistema japonês. No mês passado, os governos brasileiro e japonês assinaram memorando de cooperação para implementação do sistema brasileiro de TV digital.


– O presidente, até 30 de maio, faz a divulgação do sistema escolhido. Foi a ministra quem deu o prazo de 30 de maio – disse Abdo Hadad, presidente da Cineral.


Mais tarde, a assessoria da Casa Civil confirmou a disposição de anunciar o padrão da TV digital ao longo deste mês.


Na reunião, o governo anunciou a criação de um fórum de debate permanente sobre o sistema, para discutir aspectos técnicos e de negócios da implantação e manutenção do sistema após a sua implantação.


O diretor-geral de Engenharia da TV Globo, Fernando Bittencourt, estima que será necessário de um ano a um ano e meio, após a definição do padrão, para cada emissora colocar o primeiro transmissor no ar.’


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