Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Gazeta Mercantil

15/02/2005 na edição 316

‘A TV Gazeta, que nasceu em 1970, no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, prepara campanha especial para festejar em 2005 seus 35 anos de atividades. A emissora da Fundação Cásper Líbero, que surgiu com a pretensão de ser a mais paulistana das TVs, criou vinhetas especiais para comemorar o aniversário e gravou depoimentos de profissionais que tiveram passagem marcante pela empresa. Além disso, prepara novidades em sua programação, hoje em boa parte ocupada por programas de televendas terceirizados. Uma das possibilidades será transferir para o horário nobre o programa matinal apresentado pelo cantor Ronnie Von – ele deve entrar às 22 horas, comandando programa de variedades diferente do atual, voltado basicamente ao público feminino.

Hoje, dia do aniversário, todos os programas produzidos pela emissora terão conteúdo especial em homenagem aos 35 anos da empresa – atualmente, rede com boa abrangência estadual – e também o aniversário de 451 anos da cidade de São Paulo.

Os programas femininos ‘Todo Seu’, de Ronnie Von, ‘Pra Você’, com Ione Borges, e ‘Mulheres’, comandado por Cátia Fonseca, vão apresentam entrevistas e reportagens relacionadas aos aniversários. O ‘Jornal da Gazeta’, ancorado pela jornalista Maria Lydia Flandoli, também exibirá reportagem especial a partir das 19 horas.

As vinhetas de comemoração da emissora (‘Gazeta 35 Anos – Você Por Perto, Tudo Certo’) são veiculadas de forma rotativa nos breaks e trazem dezenas de depoimentos de profissionais conhecidos que já passaram pela emissora, como Paulo Barboza, Marcelo Tas, Davi Molinari, Drica Lopes, Gil Gomes, Alexandre Machado, Luís Nassif, Tadeu Jungle, Fátima Turci, Débora Menezes e Carlos Brickmann, entre outros.

Um dos depoimentos que mais ganharam destaque foi o da apresentadora Claudete Troiano, que se emocionou ao falar que considera a TV Gazeta como sua casa. Praticamente toda a equipe atual da emissora também gravou depoimento. As vinhetas serão exibidas até o fim do mês janeiro.

A emissora foi sempre mais forte entre os telespectadores de São Paulo, resultado de sua tradição com programas esportivos, que nos anos 70 eram comandados por apresentadores conhecidos como Milton Peruzzi, José Italiano e Peirão de Castro. Depois, ganhou espaço nas noites de domingo ao criar o ‘Mesa Redonda’, programa que por muito tempo foi comandado pelo jornalismo Roberto Avalone, no ano passado substituído por Flávio Prado.

Registrou certa audiência também com shows e musicais populares, como o apresentado há cinco anos pelo ex-jurado de Sílvio Santos, Sérgio Malandro. O jornalismo da emissora, por sua vez, no momento é comandado pelo jornalista Albino Castro – profissional que registra passagens por empresas como Tele Monte Carlo, SBT e Gazeta Mercantil.

Quatro anos atrás, em dificuldades financeiras pela crise na economia e com forte impacto em todo o setor de comunicação, a direção da emissora decidiu reduzir a produção própria e vender espaços a serviços de televendas de terceiros. Para este ano, a emissora prevê retomar alguns desses horários, como o que deve ser ocupado por Ronnie Von, a partir das 22 horas.

A rede Gazeta tem hoje cobertura nacional e chega a mais de 260 municípios por meio de afiliadas e retransmissoras em São Paulo (capital e interior), Boa Vista (RR), Cascavel (PR), Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Gravataí (RS), Recife, Uberlândia (MG) e Volta Redonda (RJ). O sinal da emissora também está disponível para todo o País por satélite digital e analógico, captado por parabólicas ou pela operadora DirecTV, no canal 225.’



TRAVESSIAS
Ricardo Calil

‘Três ‘Travessias’ na televisão’, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 12/02/2005

‘Com a série ‘Travessias’, a jornalista Dorrit Harazim vem realizando um dos mais interessantes e consistentes projetos documentais do cinema brasileiro nos últimos anos. Seis documentários já foram dirigidos por ela sob essa ‘bandeira’. Os três mais recentes serão exibidos a partir deste domingo no canal GNT.

São eles: ‘Travessia da Dor’ (estréia domingo, dia 13, às 21h), ‘Travessia do Ar’ (dia 20, às 21h) e ‘Travessia do Silêncio’ (dia 27, às 21h). Os três programas serão reprisados em outros dias e horários ao longo deste mês (para a programação completa, confira o site do GNT). Será uma oportunidade de ver parte significativa do trabalho em conjunto e comprovar sua qualidade e coerência.

A definição do Dicionário Houaiss para ‘travessia’ é simples: ‘ação ou efeito de atravessar uma região, um continente, um mar etc.’. Mas a palavra carrega consigo alguns significados implícitos: travessia é algo que exige tempo, que demanda persistência, que resulta em transformação.

Todos esses requisitos estão contemplados nos seis documentários da série. O que muda é o ‘continente’ a ser atravessado. ‘Travessia da Dor’ mostra a batalha dos nadadores Rebeca Gusmão e Jader de Souza para conseguir uma vaga nos Jogos Olímpicos de Atenas. ‘Travessia do Ar’ trata da preparação de ginastas já classificadas, entre eles Daiane dos Santos, para brilhar na mesma competição. Os dois programas já foram exibidos pelo GNT pouco antes das Olimpíadas.

Surdez: mundo partido ao meio

Já o inédito ‘Travessia do Silêncio’ é um fascinante passeio pelo mundo da surdez, desde o momento da descoberta do problema pelos pais até as variadas tentativas de estabelecer comunicação dos filhos com não-surdos. Dorrit prefere investir no lado humano do tema, entrevistando surdos e suas famílias, a que se deter nas questões médicas ou científicas.

O aspecto mais surpreendente do documentário é a revelação de que esse mundo está partido ao meio. De um lado, encontram-se os ‘oralizados’ (que aprendem a fazer leitura labial e a falar foneticamente); do outro, os ‘sinalizados’ (que se comunicam pela linguagem dos sinais).

Segundo Dorrit, os dois lados vivem às turras há muito tempo, o que se reflete nas posições dos entrevistados. ‘Para o sinalizado militante, ser surdo não é uma deficiência, é uma condição, com cultura própria que deve ser respeitada. Algo como a negritude, para o negro. Já para os adeptos mais extremados do oralismo, a língua de sinais seria um retrocesso, e o surdo deve buscar sua inserção na sociedade não-surda com todos os recursos disponíveis.’

Embora o documentário não se alongue nos aspectos sociais da questão, fica subentendido que essa divisão reflete de certa maneira a separação de classes no Brasil. As famílias mais ricas costumam preferir o ‘oralismo’, pois têm recursos para alternativas como o implante coclear e o aparelho para surdez. Já as famílias mais pobres acabam incentivando a linguagem de sinais, pois não têm como bancar outras opções.

Em outros países, a situação pode ser bastante diferente. ‘Nos Estados Unidos, por exemplo, há bairros inteiros voltados para famílias de todos os estratos sociais que preferem educar os filhos na língua dos sinais. Na Suécia, mãe e pai de bebês surdos são obrigados a tirar dois anos de licença remunerada para aprender a língua de sinais’, conta Dorrit.

Um dos méritos de ‘Travessia do Silêncio’ é mostrar os dois lados da questão sem tomar partido. Mas Dorrit saiu da experiência com a convicção de que seria melhor derrubar as barreiras entre os dois lados. ‘O que pude observar ao longo das filmagens é que os protagonistas bilíngües (os que dominam tanto o português como a língua de sinais) são os que parecem ter alcançado o maior equilíbrio emocional.’

Dor: termômetro de excelência

Na definição de Dorrit, os dois outros documentários que serão exibidos no GNT neste mês – ‘Travessia da Dor’ e ‘Travessia do Ar’ – são ‘gêmeos que acabaram sendo cirurgicamente separados’. Segundo ela, sua idéia inicial era fazer um só documentário ‘sobre a relação do atleta de elite com a dor, sua dependência da dor para melhorar o desempenho, a dor como termômetro de excelência.’ Mas, na montagem, ela decidiu deixar os nadadores em um filme e os ginastas em outro.

Foi uma decisão acertada. Há um claro parentesco de conteúdo entre os filmes, não apenas porque ambos falam da questão da dor, mas também porque retratam a difícil relação entre técnico e a atletas (a força de ‘Travessia do Ar’ surge do choque entre a exuberância de Daiane e o estoicismo do técnico Oleg Ostapenko; em uma exibição de uma versão não-acabada do filme, Dorrit batizou-o carinhosamente de ‘Traumatismo Ucraniano’).

Mas os dois documentários são muito diferentes esteticamente. ‘Travessia da Dor’ se alimenta da proximidade da câmera com os personagens; as conversas em planos fechados com os dois nadadores e o técnico são a base do documentário. Já ‘Travessia do Ar’ é todo distância. Por conta de algumas restrições impostas à equipe, as ginastas foram filmados de longe, em planos abertos.

Como resultado, o primeiro parece uma reportagem; o segundo, um ensaio poético. Mas, ao contrário do que se pode imaginar, ‘Travessia da Dor’ é o filme que tem menos impacto. As palavras dos nadadores são menos eficientes para traduzir e idéia do sofrimento do que a sinfonia de gritos e sussurros, tombos e lágrimas das ginastas. É como se a distância imposta por ‘Travessia da Dor’ nos lembrasse que é impossível compartilhar as sensações vividas pelos atletas; a nós, cabe apenas torcer ou lamentar.

Retrato: fatias anônimas do Brasil

Além dos documentários que serão exibidos pelo GNT, completam a série outras três já mostrados pela TV Cultura: ‘Travessia do Escuro’, que retrata pessoas que passam a vida sem saber ler ou escrever; ‘Travessia da Vida’, cuja protagonista é a pediatra e sanitarista Zilda Arns, e ‘Travessia do Tempo’, sobre um homem que fica preso 27 anos no Carandiru.

Dorrit diz que escolhe seus temas como uma extensão de seus interesses como jornalista. ‘Para começar, não imagino filmar um tema que já conheço. No fundo, quem assistir a um documentário da série passará pelas mesmas surpresas, dúvidas e sensações que eu.’

Apesar de todos os documentários mostrarem protagonistas em busca da superação, Dorrit garante que não é esse o conceito por trás da série. ‘Não gosto de matérias nem de documentários edificantes. Sei que, com os temas que abordo, acabo correndo esse risco, mas procuro me policiar para não errar a mão e cair no pieguismo.’

Segundo Dorrit, o que dá unidade a seu projeto é o retrato de fatias anônimas do Brasil, com as exceções de Arns e Daiane. ‘A dra. Zilda me interessou por sempre se esconder atrás de sua obra e de seu impecável sorriso. No fundo, apesar do destaque mundial, continuava sendo uma anônima a ser revelada por uma câmera’, afirma.

‘No caso da Daiane, ela simplesmente atropelou o projeto inicial. Eu pretendia mostrar o lado ‘operário’ por trás da leveza aparente da ginástica olímpica. Mas não deu para brigar com fatos, e Daiane acabou ocupando o lugar que merece no documentário. Melhor assim.’

Em termos estéticos, a unidade da série está na forma de narrar cada episódio. Os filmes se alternam entre o cinema de observação e as entrevistas, não têm narração em off ou trilha musical. ‘Existe música mais adequada para os intermináveis treinos dos nadadores em ‘Travessia da Dor’ do que o som direto das braçadas na piscina? Não creio.’

Além disso, os documentários têm um andamento lento e usam a repetição (de gestos, exercícios, dificuldades) como um recurso de linguagem – o que é perfeitamente apropriado para uma série chamada ‘Travessias’. Ao contrário de muitos documentaristas que tentam acumular o máximo de informação no mínimo de tempo, Dorrit deixa os espectadores assimilarem tranqüilamente a rotina de cada um de seus personagens.

Segundo Dorrit, o bom resultado dos documentários só foi possível graças à química com a equipe: o fotógrafo Alberto Belezzia, o técnico de som Aloizio Compasso, a produtora Raquel Zangrandi e a editora Jordana Berg, entre outros, ‘tudo embrulhado pela produção da Videofilmes’.

Apesar da qualidade de sua produção cinematográfica, Dorrit afirma que o olhar de jornalista continua a prevalecer nos seus filmes. ‘Não sou documentarista – apenas faço documentários’, ela diz. Não é verdade. As ‘Travessias’ de Dorrit poderiam muito bem ser exibidas no cinema; de preferência, em conjunto. A série não registra apenas a longa jornada de seus protagonistas, como também a transformação de uma jornalista em cineasta.’



TERCEIRO SINAL
Sergio Salvia Coelho

‘‘Terceiro Sinal’ abre porta da TV ao teatro’, copyright Folha de S. Paulo, 13/02/2005

‘Ao contrário do que reza o velho clichê paulistano, não é verdade que o Rio é uma praia cercada de novelas por todos os lados. Importantes companhias de teatro experimental, como o Grupo Armazém de Teatro e a Companhia dos Atores, há anos se desenvolvem longe da ‘visibilidade’ da grande irmã televisão, contando com o endosso de uma platéia fiel -mesmo que a política cultural oficial não veja isso.

É uma boa surpresa então que o Canal Brasil tenha resolvido lançar em horário nobre um programa dedicado a esses grupos. ‘Terceiro Sinal’, apesar de algumas fragilidades, começa a afirmar na grande mídia uma idéia que se impõe cada vez mais na produção teatral: teatro não é bem de consumo, um peixe a ser vendido, mas um serviço público, estabelecido ao longo dos anos, em processo a ser acompanhado.

Com mais de 15 anos de estrada e sede no Rio desde 1998, o grupo Armazém merece ser o primeiro da fila. Em peças como ‘Alice Através do Espelho’, de 1999, o diretor Paulo de Moraes vem estabelecendo um teatro que remete ao Asdrúbal Trouxe o Trombone enquanto marco de geração, ritual compartilhado com a platéia como celebração da vida.

Sabiamente, ‘Terceiro Sinal’ não tem pretensões didáticas nem de registro histórico -afinal, o próprio Armazém já se encarregou disso, editando o belo volume ‘Para Ver com Olhos Livres’, em 2003, e uma série de DVDs. O mérito do programa é revelar o processo de criação no que ele tem de artesanal, no tatear cotidiano.

Assim, mesmo que a câmera seja um pouco cambaleante e os depoimentos mereçam uma edição mais enxuta, o formato do programa, dirigido por Marcelo Santiago e produzido por Marcos Costa, é bastante eficiente quando mostra, por exemplo, a explicação do diretor sobre o seu processo, ilustrada a seguir por uma cena de ensaio e depois o mesmo trecho no espetáculo pronto.

Para quem ainda não conhece o Armazém, portanto, os trechos apresentados de seu último espetáculo (‘A Caminho de Casa’) acabam constituindo um belo cartão de visita para a companhia, chamando a atenção pelo seu conteúdo, não pela fama ou pelo marketing da fofoca. Aguarda-se com boa expectativa os episódios a vir, com notícias sobre o que andam fazendo a Cia. dos Atores e o Nós do Morro, entre outros.

Quanto ao apresentador estreante Eduardo Moscovis, curiosamente, é ao mesmo tempo o que há de mais frágil e mais revelador. Está evidentemente intimidado pela tarefa quando procura levantar questões importantes para a arte experimental, ele que conhece uma linha mais comercial de teatro. Mas sua ingenuidade, além de transparecer um respeito devido aos colegas de palco, acaba sendo porta-voz do público menos habituado ao teatro.

Neste programa de estréia, por exemplo, quando se espanta com o fato de grandes atrizes como Patrícia Selonk e Simone Mazzer se sujeitarem a pequenas tarefas de manutenção, deixando de lado o glamour da fama, recebe uma paciente resposta de Paulo de Moraes. O diretor experimental explica para o ‘Reginaldo da novela’ que o teatro tem de buscar a vida, e a vida não é glamourosa. Algo se move na TV brasileira.

Terceiro Sinal

Quando: amanhã, às 19h05, e no sábado, às 18h30, no Canal Brasil’

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