Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 31/03

Gil pede desculpas ao
ministro Hélio Costa

Por Luiz Antonio Magalhães em 02/04/2006 na edição 374


Leia abaixo os textos desta sexta-feira, selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 31 de março de 2006


TV DIGITAL
Italo Nogueira e Marco Bahe


Gil se desculpa por texto de crítica a Costa


‘O ministro da Cultura, Gilberto Gil, lamentou ontem ter lido o texto em forma de cordel que criticava o ministro das Comunicações, Helio Costa, em razão do debate sobre a TV digital. Gil afirmou que não havia lido o texto todo. Conforme a autora do cordel, ele recebeu versos em fevereiro.


‘Na realidade, [a desavença] nasce de um descuido meu. Estava numa aula de comunicação, falando da pluralidade. Lamento muito que o texto tenha tido como veículo a minha fala para ser manifestado publicamente. Se soubesse [o que estava escrito], não teria lido’, afirmou.


Ele disse também que não poderia deixar de recitar o cordel, já que já tinha começado a lê-lo. ‘Como era uma aula de comunicação, democracia, necessidade de compreender com tolerância, achei que não poderia censurar.’ Os versos foram lidos por Gil, anteontem, durante aula inaugural da Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), no Rio.


O cordel tratava Costa como ‘boçal’ e dizia que ele tinha uma ‘conversa bosta’ sobre TV digital. Em resposta, Costa chamou o colega de Gilberto ‘vil’ e disse que Gil era ‘ausente’ do debate sobre o assunto no governo, despreparado, dizia ‘idiotices’, era deselegante e não se comportava como ministro de Estado.


Gil não respondeu. ‘O ministro Hélio ficou justificadamente aborrecido.’ Em nota, pediu desculpas a Costa. Segundo a assessoria, Gil tentou falar anteontem com Costa, mas não conseguiu.


Autora


A jornalista recifense Luciana Rabelo, 32, autora do cordel de protesto que causou bate-boca entre Gil e Costa, disse ontem que escreveu o texto para chamar a atenção para a escolha do padrão a ser adotado para a TV digital no Brasil. ‘É um assunto complicado. [O cordel] é uma forma de popularizar.’ Ela defende a adoção de um modelo brasileiro.


A poeta contou que levou duas noites para elaborar o cordel, que concluiu na semana em que Gil visitava Recife a fim de assinar um convênio para levar a música brasileira para a Alemanha. Luciana Rabelo recorreu então a uma amiga que prepara a comida macrobiótica do ministro quando que ele viaja a Pernambuco para que o texto chegasse até ele.


No material seguiram também os telefones e o e-mail da autora, mas Gil não fez contato. Ela disse que ficou surpresa quando viu no noticiário que ele havia lido e elogiado o cordel no Rio. ‘Não imaginava que a repercussão chegasse a esse ponto.’


Sobre as ofensas dirigidas a Costa, a poeta afirma que as expressões ‘boçal’ e ‘conversa bosta’, usadas para desqualificar o ministro, tiveram menos a intenção de insultar do que se adequar à rima. ‘No cordel, a gente não pode errar nem na rima, nem na letra.’


Participante de um grupo de mídia independente, chamado Ventilador Cultural, Luciana Rabelo diz que o mais importante é ampliar o debate sobre a TV digital e os interesses que a escolha do modelo envolve. No site da ONG Mídia Independente é possível ver o cordel na íntegra em forma de vídeo digital, no link http://www. midiaindependente.org/pt/


blue/2006/03/348365.shtml


Código


O presidente da Comissão de Ética Pública, ministro Fernando Neves, explicou que a comissão só analisará o caso se for provocada. Ele disse que não poderia comentar o caso, porque ele ainda pode vir a ser analisado, mas que esse tipo de comportamento, de modo geral, fere o Código de Conduta da Alta Administração Federal.


De acordo com o código, ‘as divergências entre autoridades públicas serão resolvidas internamente, mediante coordenação administrativa, não lhes cabendo manifestar-se publicamente sobre matéria que não seja afeta a sua área de competência’. Ainda de acordo com o Código, ‘é vedado à autoridade pública opinar publicamente a respeito da honorabilidade e do desempenho funcional de outra autoridade pública federal’.


Colaborou a Sucursal de Brasília’



Editorial


O Cordel Do Ministro


‘Em meio ao festival de desatinos éticos protagonizado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, dois ministros que só participavam lateralmente do lamentável espetáculo roubaram anteontem a cena ao envolver-se num deprimente bate-boca que incluiu palavras de baixo calão e ameaças dignas de colegiais.


Não é de hoje que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, vem fazendo lobby em favor do padrão japonês da TV digital. Já foi até criticado por esta Folha por não ser capaz de arbitrar de forma isenta a disputa, como a sua posição exigiria. Mas, se Costa faltou para com a dignidade do cargo, o titular da Cultura, Gilberto Gil, achincalhou a autoridade do posto de ministro de Estado ao ler, durante um evento público, um cordel em que seu colega das Comunicações é chamado de ‘empresário boçal’ defensor de monopólios e do qual constam outros termos impublicáveis neste espaço.


A título de resposta, Costa referiu-se ao colega como ‘Gilberto vil’, a quem qualificou como ‘despreparado’ e proferidor de ‘idiotices’. Para arrematar, desafiou o titular da Cultura a repetir o cordel diante da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que se viu, assim, à revelia transformada numa espécie de fiscal do gabinete Lula. Ontem, Gil emitiu nota em que pede desculpas a Costa.


É saudável que existam divergências dentro de um governo. É fundamental, porém, que elas sejam resolvidas ‘intra muros’ e com recurso a argumentos e demonstrações racionais. Quando as disputas se dão diante dos olhos do público e envolvem troca de insultos e palavrões, a desmoralização é total.


Em outras paragens, uma manifestação dessa natureza resultaria na demissão sumária dos dois ministros. No Brasil de Lula, porém, os descalabros são tamanhos e tão graves que a demonstração de descompostura dos titulares da Cultura e das Comunicações parece um episódio menor.’


CASO DONA LU
Mônica Bergamo


Assembléia investiga doações a Lu Alckmin


‘A Assembléia Legislativa de São Paulo vai investigar as doações de roupas que foram feitas pelo estilista Rogério Figueiredo para a primeira-dama do Estado, Lu Alckmin. O estilista revelou à Folha que já doou 400 peças de alta-costura para a primeira-dama.


Em carta enviada anteontem ao jornal e publicada ontem, a assessora de Lu Alckmin, Cristina Macedo, afirmou que ‘a senhora Lu Alckmin não recebeu 400 peças’ de Rogério Figueiredo e que ‘as poucas peças’ entregues foram doadas para ‘a entidade social Fraternidade Irmã Clara’.


Ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, Lu Alckmin afirmou que recebeu 40 peças do estilista e que todas foram doadas à Fraternidade Irmã Clara ‘em três lotes, em anos consecutivos’. A entidade não confirma tais doações. Já o estilista reafirmou à Folha que doou 400 peças, ou cerca de 200 modelos completos, a ela.


‘Quarenta roupas ou 400 não muda absolutamente nada. Então quer dizer que ela ganhou R$ 200 mil em presentes e não R$ 2 milhões? É improbidade administrativa do mesmo jeito’, diz o deputado Romeu Tuma Jr. (PMDB-SP), autor do requerimento que pede explicações ao governador Geraldo Alckmin pelos ‘confortos proporcionados de graça à sua esposa’. Os vestidos de Figueiredo custam de R$ 3.000 a R$ 5.000.


A presidente da Fraternidade Irmã Clara, Elizabeth Teixeira, diz ‘não ter conhecimento’ das doações de 40 vestidos que teriam sido feitas à entidade pela primeira-dama. De acordo com Elizabeth, a FIC recebeu um telefonema de Lu Alckmin na terça, 28, dois dias após a Folha ter publicado reportagem com as revelações do estilista. A primeira-dama disse a ela que faria uma doação. ‘Foram dez vestidos de festa’, afirma Elizabeth, entregues todos no mesmo dia. ‘Que eu saiba, foi a primeira doação de vestidos.’


As doações feitas pelo estilista a Lu repercutiram de forma negativa entre os aliados de Alckmin. O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), por exemplo, afirmou: ‘Imagine o tamanho de um armário para guardar tudo isso’. Para Maia, que já defendeu o impeachment de Luiz Inácio Lula da Silva porque a primeira-dama, Marisa Letícia, recebeu 27 tailleurs de graça de um estilista, ‘é claro que a senhora Lu Alckmin deve prestar todas as informações, pois não foi na condição de pessoa física que recebeu tantos regalos’.


‘Eu tenho a prova de que foram feitas mais de 400 peças de roupa’, diz Figueiredo. ‘Foram quatro anos [de 2001 a 2005], ela não tinha nem o que vestir. Só de tricôs e casaquinhos foram mais de cem. Vestidinhos básicos, milhares. Ela nunca pagou nada.’


Sua sócia, Kátia Grubisich, mulher de José Grubisich, presidente da Braskem, confirma que o estilista fala a verdade. ‘Está chato para ela [Lu Alckmin], não é? Eu sinto muito. O assunto tomou um rumo diferente, virou político.’ Kátia é sócia de Figueiredo desde maio de 2005.’


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Entidade recebeu todas as roupas, diz assessoria


‘A primeira-dama Lu Alckmin reafirmou ontem, por meio de sua assessoria, que recebeu 40 peças de roupas do estilista Rogério Figueiredo, e não 400, como ele diz. ‘Todas foram doadas. A quase totalidade para a mesma entidade [Fraternidade Irmã Clara], em três lotes’, disse a assessoria.


A entidade Irmã Clara não tem conhecimento das doações anteriores porque ‘foram feitas de forma anônima em 2004 e 2005, e agora em março de 2006, para que a entidade, que promove bazares, pudesse angariar um volume maior de recursos’.


De acordo com a assessoria, a doação feita na terça, 28, dois dias depois da publicação, pela Folha, das declarações do estilista ‘se deve ao fato de [Lu Alckmin] estar de saída do Fundo Social de Solidariedade’.


A Folha perguntou se a primeira-dama, que não recebe salário nem tem verba de representação, recebe gratuitamente roupas da Daslu, uma das lojas mais caras do país. A assessoria afirmou que ‘todas as roupas dela são tradicionais e foram adquiridas ao longo do tempo. Várias delas em promoções e pagas em prestações’. O governador Geraldo Alckmin ganha R$ 14 mil por mês.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Sideral


‘Nos telejornais da Globo e outras, prossegue o esforço de cobertura do brasileiro no espaço _em Bauru, São José dos Campos, Baikonur. Não faltou, na Jovem Pan e outras, a repercussão pelo mundo, da BBC à CNN, do espanhol ‘El País’ ao argentino ‘La Nación’.


Mas o show não sobreviveu à locução de Cléber Machado, ao vivo na mesma Globo.


Ele narrava Santos e Bragantino quando entraram as imagens do Cazaquistão, dividindo tela com a Vila Belmiro:


_ Um minuto na contagem regressiva… É um momento importante mesmo.


E seguiu com o jogo. Depois, como na Fórmula 1:


_ Quinze segundos. Os motores estão funcionando. Vamos acompanhar a contagem.


Mas ela já havia terminado e o foguete foi lançado:


_ E lá vai o brasileiro para o espaço sideral! Boa sorte!


Sem saber o que mais falar, passou a contar a história da corrida espacial, até:


_ E hoje temos um brasileiro. Ele que torce pelo Santos. O Bragantino está chegando! Fábio Costa faz grande defesa!


Passou depois a ler uma biografia do astronauta brasileiro, mas entraram cenas ao vivo dos três, com um ursinho:


_ Cada um tem seu brinquedinho… Aqui, uma falta para o Bragantino. A bola explode na barreira! Olha aí, o brasileiro com a bandeira do Brasil no seu uniforme. E certamente o Brasil inteiro fica orgulhoso de saber que a gente consegue participar de um evento como este. O Brasil colaborou com US$ 10 milhões para participar.


Ainda tentou, depois:


_ Serão oito experiências científicas brasileiras, experiências feitas em escolas, em alto grau de pesquisa científica.


Sem contar três conferências do espaço e o centenário do vôo de Santos Dumont.


Na site da ABC e depois na Globo, o brasileiro Roberto Rocha e seus algozes


O PROCESSO


O ‘Primetime’ da ABC e aqui o ‘Jornal Nacional’ mostraram o vídeo do interrogatório de um brasileiro que, sob pressão, ‘confessou um assassinato que não cometeu’. Com policiais dizendo que ele seria preso, sem advogado, depois de duas horas um ‘confuso e exausto’ Roberto Rocha ouviu que poderia ir para casa _e confessou, ecoando o que sugeriam.


Depois de 15 meses em prisão domiciliar, um dos interrogadores viu o vídeo, ‘arrependeu-se’ e pediu sua libertação. O verdadeiro assassino, um americano, foi preso há três meses.


Lamentável


Início da tarde e os sites traziam em manchete, caso da Folha Online, que a ‘PF intima Palocci a depor’.


Mas seu advogado alegou ‘motivo de doença’, no dizer da Globo, e ele não vai. Para Josias de Souza, ‘começou o esconde-esconde’. O Blog Brasil, vinculado à revista ‘Época’, acrescentou depois que ‘a alegação é estresse’.


Por outro lado, a petista Ideli Salvati não escondeu o desânimo ao falar de Paulo Okamotto, o presidente do Sebrae que teria se escondido para não receber uma convocação de CPI. Dela, à Globo News:


_ Nós precisamos confirmar. Agora, confirmado, é lamentável.


Infortúnio


Como se pôde acompanhar da Rede Globo à rádio Jovem Pan, ‘em ato falho’ o pefelista José Pinotti anunciou ontem publicamente, diante de José Serra, que o tucano deixa hoje a cadeira de prefeito de São Paulo, afinal.


Serra fez cara feia, mas a discussão nos blogs e outros já é sobre o cargo que vai disputar, governador ou presidente. No Blog do Josias, aliás, o maior sinal de que o tucano está no jogo _e no radar:


_ Condenado, Serra busca proteção no Supremo.


É o processo sobre ‘uma operação vinculada ao Proer’ que acaba de ser, ‘para infortúnio do candidato’, incluída na pauta do Supremo pelo ministro Gilmar Mendes.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Por ‘conteúdo’, galã troca Globo por SBT


‘Afastado de ‘Cobras & Lagartos’, próxima novela das sete da Globo, na frente de todo o elenco numa reunião há três semanas, o ator Dado Dolabella assinou anteontem contrato com o SBT para ser o protagonista de ‘Cristal’.


Dolabella se desentendeu com o autor (João Emanuel Carneiro) de ‘Cobras & Lagartos’ porque se arrependeu de ter aceitado o papel de um metrossexual. O ator, que tem fama de ‘don juan’, diz que recusou o personagem justamente porque ele não tinha ‘conteúdo’ (só se preocupa com a beleza e em conquistar mulheres).


‘Achei que não seria interessante fazer um cara fútil, vazio, bobo’, esnoba. Sem contrato fixo e ‘queimado’ na Globo, que já chegou a apostar nele como galã, Dolabella acertou com o SBT _onde ganhará R$ 50 mil mensais (bem mais do que na líder).


Em ‘Cristal’, ele será João Pedro Ascânio, papel que já foi de Rodrigo Veronesi. ‘Ele é de família rica e a mãe quer que toque os negócios. Tem um lado sério e um lado excêntrico. Escondido, ele escreve poesias e músicas’, conta.


Foi justamente esse lado ‘artístico’ do herói que o seduziu. Será do ator (que tenta se emplacar como cantor e prepara um segundo CD) a música-tema de ‘Cristal’, uma ‘releitura’ romântica de um funk carioca (!?). ‘Quero dar uma nova cara ao funk, lançar um novo ritmo. Não terá batidão. Vai ser um arranjo mais pop, uma coisa Jack Johnson’, anuncia.


OUTRO CANAL


Temor 1 Regina Duarte continua com medo. Anteontem, na primeira reunião do elenco de ‘Páginas da Vida’, ela contou que, neste ano, não vai aparecer no horário eleitoral do PSDB, ao contrário do que fez em 2002, quando disse que tinha ‘medo do PT’.


Temor 2 Além de estar comprometida com a protagonista Helena da próxima novela das oito (e a Globo proíbe atores que estão no ar de fazerem campanha), Regina diz que continua muito chateada.


Temor 3 ‘Nunca me arrependi [do que disse], mas fiquei muito chateada. O PT foi muito agressivo, dono da verdade. Hoje eu estou profundamente triste [com as denúncias de corrupção no governo Lula], porque amo meu país. Não tenho porquê rir da situação. As pessoas devem pensar melhor no voto com esta nova chance. Errar é humano, mas persistir…, né?!’, desabafou Regina ao repórter Marcelo Bartolomei, colaborador da Folha.


Patente Não será surpresa se o SBT, que planeja novos telejornais na hora do almoço e no fim de tarde, ressuscitar o extinto ‘Aqui Agora’. A emissora acaba de pedir ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) um novo registro da marca ‘Aqui Agora’. Pediu também o direito de usar o título ‘Globo de Ouro’, que já foi uma parada musical da Globo, nas transmissões do prêmio de cinema norte-americano que antecede ao Oscar.’


REDE GLOBO
Elvira Lobato


Globo lança títulos sem prazo de vencimento


‘A Globo Comunicações e Participações, empresa-mãe das Organizações Globo, pretende captar US$ 250 milhões no exterior com o lançamento de título de dívida conhecido no mercado financeiro como bônus perpétuo, sem prazo pré-determinado de resgate.


O prazo de resgate do bônus perpétuo fica a critério do devedor. Vencido o prazo de carência definido na emissão -a Globo solicitou carência de cinco anos-, o devedor pode optar por quitar a dívida ou continuar pagando o juro por prazo indefinido. A contrapartida para o investidor são os juros mais altos -a taxa ainda não está definida.


A estratégia da Globo, segundo a empresa, é obter dinheiro para antecipar o pagamento de parte das dívidas com vencimento em 2011 e 2012. Quase metade do endividamento externo da empresa (cerca de US$ 600 milhões) está concentrada nesses dois anos.


No ano passado, a Globo renegociou suas dívidas com os credores externos, para pagamento escalonado em até 2012. A dívida renegociada está atualmente em US$ 1,136 bilhão.’


ENTREVISTA / SUSAN SARANDON
Pedro Butcher


‘Nunca estivemos tão próximos de ‘1984’


‘Na cerimônia do Oscar de 1993, Susan Sarandon e o marido Tim Robbins ignoraram o texto dos redatores e chamaram atenção para o tratamento dado pelo governo aos imigrantes haitianos. No fim, o produtor da festa avisou: ‘Essa foi a última vez que vocês apresentaram o Oscar’.


A ameaça, que se concretizou num gelo de quase dez anos, é sintomática do que representa o engajamento em uma indústria que, no passado, já viveu tempos de maior brio político. Quando a repreensão não vem, há o escárnio dos que ridicularizam esforços políticos ou humanitários.


Nada disso, porém, perturba Susan Sarandon: ‘Cheguei a um ponto da minha carreira que já não dou ouvidos ao que os outros pensam de mim. Tenho sobrevivido à indústria procurando fazer escolhas que respeitem minhas idéias. Continuo acreditando que podemos fazer diferença nesse mundo. Faço o que está ao meu alcance e não me importo com o que dizem os cínicos ou os puxa-sacos’, disse ela, em entrevista à Folha, pelo telefone, de seu escritório em Nova York.


60 anos


Em outubro, Susan Sarandon completa 60 anos. A atriz, que entrou na profissão quase por acaso ao acompanhar o ex-marido Chris Sarandon em um teste (ela passou, ele não), reconhece a escassez de papéis para a sua idade, mas não faz disso motivo de lamentações.


‘Há ofertas interessantes, trabalho não falta. Por aqui não existem atrizes com mais de 40 que não tenham feito plástica, então acabo sendo uma opção mais realista para os personagens da minha idade’, diz, entre risos.


Em meio à enxurrada de convites para viver mães ou avós, raramente as personagens são a força-motriz das histórias, mas figuras-satélite como Hollie Baylor, que interpreta no filme ‘Tudo Acontece em Elizabethtown’, de Cameron Crowe, agora em DVD no Brasil. No fim das contas, sua personagem acaba roubando a cena da dupla de protagonistas, Orlando Bloom e Kirsten Dunst.


Susan Sarandon conta que aceitou o papel de Hollie Baylor pela admiração que nutria pelo diretor Cameron Crowe e pela oportunidade de atuar em uma seqüência em especial, na qual exercita um aspecto inédito em sua carreira (e que faz valer sua participação).


Em pleno funeral do ex-marido, a expansiva mãe do jovem Drew Baylor (Bloom), alter ego do diretor, realiza uma espécie de show de comédia ‘stand up’ (aquele típico dos Estados Unidos, em que o comediante está só no palco, munido de um microfone).


‘Foi bem difícil de fazer, mas valeu. No roteiro, a cena era um monólogo de sete páginas, cheio de nuances e ironias, mas como o texto era muito bom, não quis fugir muito do que estava escrito e improvisar, que seria uma solução mais fácil para a cena. Na verdade, Hollie é inspirada na mãe de Cameron, que estava no set o tempo todo, o que foi ao mesmo tempo bom e ruim. Ela é infernal e brilhante, acho que a personagem traduz muito bem como essa história é pessoal para Cameron.’


Ao falar de política, um assunto inevitável, a atriz se exalta, sem esconder a paixão que o tema provoca. Ela teme pelas próximas eleições presidenciais e alerta para o fato de que nada está sendo feito para modernizar o sistema de votação nos EUA.


‘Acho que nossas próximas eleições americanas deveriam ser monitoradas por entidades internacionais, como aconteceu no Haiti e no Iraque. A última foi vexaminosa, todos sabem que houve fraude, mas nada foi feito. Em alguns Estados houve mais números de votos do que pessoas habilitadas a votar’, diz. ‘Cheguei a ler coisas interessantes sobre o sistema eletrônico de votação no Brasil. Infelizmente, acho que não será implantado aqui.’


Sobre o quadro político americano, ela não é das mais otimistas: ‘Espero, sinceramente, que os democratas encontrem um candidato a presidente, mas reconheço que o cenário não é muito animador’. E, sobre o governo Bush, é abertamente pessimista: ‘Acho que nunca estivemos tão próximos de ‘1984’ de George Orwell. Vivemos numa sociedade em que os direitos individuais e a legalidade estão definitivamente ameaçados, e isso me dá medo’.


Novos projetos


De volta ao cinema, a atriz se acalma novamente. Em ‘Romance & Cigarettes’, do amigo John Turturro, que participou do Festival de Veneza e estreou na semana passada em Londres (no Brasil, ainda não há previsão), ela revisita o musical, gênero que marcou seu passado no cultuado ‘Rocky Horror Picture Show’, de 1975.


Nesse filme, ao contrário de ‘Rocky Horror’, ela não usa a própria voz. ‘Na verdade, as canções entram quando os personagens vivem momentos de emoção. Mas nós apenas dublamos a voz de seus intérpretes originais ou, no máximo, cantamos junto deles’, afirma ela.


‘Quando era criança, sempre me disseram que eu tinha uma voz horrível, trauma que só fui superar em ‘Rocky Horror’, mas definitivamente gosto de cantar, e sei que tenho condições de levar bem uma canção em um filme.’


Em ‘Doris & Bernard’, que atualmente está em fase de finalização, a atriz toca piano e canta ao lado do ator Ralph Fiennes, uma das seqüências que mais gostou de fazer. Nesse longa que marca a estréia na direção de cinema do ator Bob Balaban, Sarandon vive Doris Duke, bilionária do ramo do tabaco que deixou sua fortuna para o mordomo gay (Fiennes). ‘Na verdade, nesse filme, eu faço o homem, e Ralph, a mulher’, diz.


Em breve, a atriz aparecerá também em ‘Irresistible’, um ‘thriller’ psicológico que rodou na Austrália. Mas os comentários, aqui, se limitam a um ‘foi muito divertido conhecer Melbourne’.’


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 31 de março de 2006


PUBLICIDADE NO PARANÁ
O Estado de S. Paulo


Publicidade pode ter maior fiscalização


‘A Assembléia do Paraná aprovou, em segunda discussão, projeto de lei que veda repasse de recursos em publicidade do governo estadual para meios de comunicação de políticos no exercício de seus mandatos. Emenda, também aprovada, ampliou a proibição para pessoas que exerçam cargos efetivo, contratual ou em comissão no poder público estadual. O projeto precisa ser aprovado em terceira discussão antes da sanção do governador Roberto Requião (PMDB). ‘É impossível ser um fiscalizador isento se há vínculo econômico’, justificou o autor do projeto, deputado Neivo Beraldin (PDT).’


LIBERDADE DE EXPRESSÃO
O Estado de S. Paulo


Investigações são perigosas no Brasil, diz relatório


‘O Instituto Internacional de Imprensa (IPI), com sede em Viena, considera o Brasil um dos países mais perigosos do mundo para os jornalistas que investigam casos de narcotráfico, corrupção e outras atividades ilegais.


Em seu relatório anual sobre liberdade de imprensa relativo a 2005, apresentado ontem, o instituto avalia a situação no Brasil, onde dois jornalistas foram mortos no ano passado.


O relatório realça ‘o vigor das informações sobre a gestão do governo e assuntos políticos e sociais’. Porém, faz advertência sobre os profissionais que ‘trabalham no interior do País investigando atividades ilegais e continuam sofrendo ameaças, agressões físicas e assassinatos, a mando dos agentes do poder local e criminosos’.


O IPI também critica as tentativas de censura com o uso de ações judiciais por difamação, com base na Lei de Imprensa de 1967, herança da época da ditadura no Brasil.


PÉSSIMO ANO NO MUNDO


A morte de 65 jornalistas e a prisão e intimidação de outros tantos fez de 2005 um ‘ano desesperadamente ruim’ para o mundo da mídia, anuncia o relatório. O instituto chama a atenção para os assassinatos e para o estado de censura que está silenciando importantes fontes de informação nos países em desenvolvimento.


Apesar do número de assassinatos de jornalistas na América Latina ter baixado de 15 para 11, a censura aumentou na região, afirma o relatório da IPI, que mantém vigilância sobre as violações da liberdade de imprensa em mais de 120 países.


O Iraque, país em que 23 jornalistas foram assassinados em 2005, continua sendo o mais perigoso do mundo para esses profissionais. O instituto também critica os EUA, em função dos 85 dias de prisão de Judith Miller, do New York Times, por ter se recusado a identificar uma fonte. ‘Nós perdemos a América como um exemplo brilhante de liberdade de imprensa’, disse o diretor do IPI, Johann P. Fritz. EFE E AP’


ARGENTINA
O Estado de S. Paulo


Até a imprensa argentina se volta contra Kirchner


‘Apesar de os concessionários da Águas Argentinas, recém-reestatizada, estarem ameaçando sair do país desde agosto de 2005, o fato seria consumado em uma assembléia de acionistas convocada para 6 de abril: iriam informar que o patrimônio da empresa era negativo e que o próximo passo seria sua dissolução. O presidente Nestor Kirchner, showman que é, simplesmente se antecipou, para ter o gosto de expulsar os concessionários do país antes que eles se fossem, segundo conta o jornal argentino La Nacion, em editorial. Mesmo porque, diz o jornal, a decisão de cassar a concessão não foi repentina. Uma equipe de mais de 40 pessoas vinha trabalhando em segredo com o ministro De Vido, há vários meses, visando a tomar o controle da empresa.


*O fato é que até o jornal tradicionalmente governista resolveu fazer duras críticas ao rumo que o governo Kirchner vem tomando. E usou a recente rescisão de contrato com a Águas Argentinas – em mãos de franceses e espanhóis desde sua privatização, nos anos 90 – como gancho. Consideram o ato uma consolidação da idéia de um Estado onipresente na economia e de clara tendência a subsidiar as tarifas dos serviços públicos. E deixam claro que, apesar de se mencionar a influência deste e daquele ministro nesta e em outras decisões, ‘a política argentina hoje é o teatro de um só ator. É o próprio Kirchner que imagina, projeta, inicia os processos, dá-lhes o ritmo e lhes põe um ponto final’, disparam.


*Não era o caso, destaca o jornal, de salvar a antiga concessão, pois a decisão já estava tomada por parte dos investidores. Mas faltou gestão política e diplomática que fizesse com que as coisas não terminassem tão mal com o presidente francês Jacques Chirac e o primeiro-ministro espanhol Rodríguez Zapatero, evitando ainda péssima mensagem ao restante dos investidores. Lembram que a Caixa, grupo catalão aliado econômico decisivo de Zapatero, já antecipou que não pensa arriscar um só dólar mais na Argentina. Isso um ano e meio depois de ter concluído planos de desembarcar fortemente no país. E mais, diz o jornal: a Caixa tem ações em quase todas as empresas espanholas com investimentos na na Argentina.


*Carlos Eduardo Sobral, do Forex Brasileiro (que reúne os executivos da área de câmbio), continua vendo o dólar próximo de R$ 2,00, independentemente da volatilidade atual. ‘A economia está totalmente apartada dos problemas políticos, tanto que o mercado hoje (ontem) está voltando a se normalizar. Isto é, a Bolsa está subindo, o risco Brasil caindo, o real se valorizando, demonstrando claramente que nossos fundamentos estão bastante firmes’, justifica o executivo.


Por outro lado, Sobral não duvida de que o ano político trará volatilidade constante. Mas nada que saia do controle ou assuste, a não ser que surja um fato novo de grande peso’


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Globo quer o Emmy


‘A Globo resolveu apostar pesado do Emmy Internacional, uma espécie de Oscar da TV. A rede, que vinha se inscrevendo timidamente na premiação, despejou todas as suas fichas na disputa este ano.


Na categoria minisséries, inscreveu Hoje É Dia de Maria – 2ª Jornada, Cidade dos Homens e Carandiru – Outras Histórias. Sinhá Moça e JK concorrem na categoria dramaturgia. Em comédia, disputam uma indicação Os Amadores, A Grande Família, Casseta & Planeta e A Diarista. Clara e o Chuveiro do Tempo, Sítio do Picapau Amarelo e Malhação tentam uma indicação na categoria infanto-juvenil.


A transmissão do show do Rolling Stones no Rio e até a sexta edição do Big Brother Brasil são pré-candidatos em shows e reality shows, respectivamente.


Rodrigo Santoro (por Hoje É Dia de Maria 2), Milton Gonçalves (por Sinhá Moça), Fernanda Montenegro (por Belíssima), Letícia Sabatella (Hoje É Dia de Maria 2) e Bruna Marquezini (América) foram inscritos na categoria ator/atriz. No ano passado, JN, Hoje É Dia de Maria, Carolina Oliveira e Douglas Silva tiveram indicações para a final do prêmio, que costuma ocorrer em novembro.’


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O Globo


Sexta-feira, 31 de março de 2006


ECOS DA GUERRA
O Globo


Jornalista americana é libertada no Iraque


‘BAGDÁ. Era pouco mais de meio-dia na capital iraquiana quando a jornalista americana Jill Carroll entrou num escritório do Partido Islâmico Iraquiano, numa área sunita perigosa, segurando, aflita, uma carta em árabe com um pedido de ajuda. Usando um véu islâmico e aparentemente bem depois de 82 dias refém de seqüestradores que ameaçavam matá-la, a repórter de 28 anos foi logo atendida por funcionários do escritório antes de ser encaminhada a autoridades americanas.


Foi a caminho de um escritório de outra organização política, para entrevistar um líder sunita, que Carroll foi seqüestrada, em 7 de janeiro, por homens que mataram a tiros o tradutor que a acompanhava. A jornalista que trabalhava para o jornal ‘Christian Science Monitor’ disse ontem ter sido ‘muito bem tratada’ pelos captores, que descreveu como militantes islâmicos.


– Nunca me bateram. Nem sequer me ameaçaram – afirmou à TV Bagdá, usando véu e túnica islâmicos.


Bush reage à notíciadizendo ‘Graças a Deus’


Carroll disse que na manhã de ontem foi informada inesperadamente que seria libertada, o que aconteceu em seguida. Contou que no cativeiro ficava restrita a um pequeno quarto confortável, com banheiro.


– Eles me deram roupas e comida farta. Eu tinha permissão para tomar banho e ir ao banheiro quando quisesse.


A jornalista afirmou ainda que certa vez lhe permitiram ler um jornal, assim como assistir à TV, ‘embora não por tempo suficiente para saber o que acontecia no mundo’.


– Eu simplesmente estou feliz por estar livre. Só quero estar com minha família – disse.


Autoridades americanas e iraquianas negaram ter negociado a libertação de Carroll, ocorrida uma semana depois de forças especiais resgatarem três ativistas de paz ocidentais. Mas o embaixador americano agradeceu a líderes iraquianos pela ajuda para libertar a jornalista.


Ao saber da libertação, o presidente George W. Bush agradeceu a Deus e àqueles que ‘trabalharam duro’ pela libertação da jornalista.


Pais de jornalista conversam com a filha


Em Chapel Hill, Carolina do Norte, os pais de Carroll celebraram sua libertação e conversaram com ela por telefone.


Os seqüestradores haviam divulgado um vídeo em que ameaçavam matar a repórter em 26 de fevereiro se não fossem libertadas todas as mulheres iraquianas presas. Logo em seguida, cinco delas foram libertadas, mas autoridades disseram que era um procedimento já previsto. Quatro permanecem presas.


Observadores disseram que, como mulher numa cultura islâmica, as chances de Carroll sobreviver eram melhores que as de um homem americano. Em 2004, porém, a irlandesa Margaret Hassan, que trabalhava com ajuda humanitária, não teve a mesma sorte. No caso de Carroll, a capacidade de falar um pouco a língua árabe poderia ter lhe ajudado a conquistar a confiança dos seqüestradores.’


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