Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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ENTRE ASPAS >

Gilberto Scofield Jr.

09/07/2005 na edição 336


‘A exposição fotográfica de maior sucesso na China hoje exibe cenas impressionantes da chamada ‘body modification’, ou seja, o costume de alterar radicalmente o corpo em busca de uma nova estética. Mas a série de cerca de 50 fotos em preto e branco que provocam um congestionamento diário de chineses e estrangeiros na 798 Photo Gallery, localizada em Dashanzi, bairro de Pequim, passa longe do primitivismo moderno e chique de piercings e tatuagens.


Trata-se de algo bem mais real e doloroso e que chegou a ser feito por dois bilhões de mulheres chinesas ao longo dos últimos mil anos: a bandagem dos pés. Essas mulheres — conhecidas como ‘pés pequenos’ ou ‘pés de lírio’ — quebravam quando jovens os ossos do pés e os enfaixavam dobrando para dentro os dedos de modo que parassem de crescer. O pé pequeno era sinônimo de graça e beleza nas antigas sociedades chinesas e a cultura foi sendo abandonada apenas após o ocaso da Dinastia Qing, no início do século passado.


Sapatinhos bordados e ossos quebrados


Impressionado com essa história, o fotógrafo chinês Li Nan, 44 anos, iniciou, há 24 anos, o registro fotográfico da última geração destas mulheres, todas acima dos 70 anos, representantes de uma era onde a cultura da beleza era mutiladora.


— Minha avó era uma mulher de pés pequenos e aquilo, curiosamente, era tratado com normalidade pela minha família. Mas eu me sentia profundamente perturbado por aqueles pés retorcidos, uma espécie de destino doloroso e cruel ao qual as mulheres mais velhas estavam fadadas com resignação — conta Li. — Então fui reunindo trabalhos ao longo dos anos até que, agora, decidi expor a história desta cultura da dor em nome da beleza. Algo que não se aceita mais na China.


E a exibição ‘A última geração das mulheres de pés de lírio na China’ impacta e confunde ao misturar imagens tocantes de idosas de pés minúsculos ornamentados por sapatinhos bordados (que mais parecem de bonecas) e o horror das imagens de raios-X dos ossos quebrados e virados, a carne retorcida e ferida.


A estética em preto-e-branco e as imagens da dor lembram muito o trabalho do brasileiro Sebastião Salgado. Ao mencionar o nome, o rosto de Li Nan se ilumina:


— O trabalho de Sebastião Salgado me inspira, certamente. Sinto a influência dele, como de outros fotógrafos, como a americana Mary Ellen Mark ou o francês Raymond Depardon — diz Li.


O olhar meio jornalístico, meio artístico de Li Nan de fato alinhava a mostra, repleta de cenas do cotidiano. Há ali imagens perturbadoras, como os últimos três anos de vida de Zhao Yongji e das cinco gerações de sua família, até ela morrer, sempre amparada pela filha, aos 102 anos, em 1996. Ou a vila com cerca de 300 mulheres de pés pequenos, que confraternizam com danças e kung fu coletivos numa pequena cidade da província de Yunnan. Ou ainda a tocante visita de quatro mulheres de pés pequenos do interior da China a Pequim, pela primeira vez em suas vidas, em 2001.


— Uma das coisas que mais impressiona é como esta mutilação ia aos poucos transformando as mulheres em deficientes físicas à medida em que envelheciam, porque os pés pequenos já não tinham força e o corpo, equilíbrio para movimentar-se — conta Li.


Formado em belas artes no Instituto de Arte da província de Shandong e fotojornalista de prestígio na China, Li Nan possui um trabalho curiosamente ligado a temas que ele mesmo define como ‘histórias de gente que não teve escolhas a não ser administrar da melhor forma possível o esforço ou a dor’. São trabalhos sobre crianças cegas em Jinan, carregadores de minério em Shanxi ou jovens da escola de acrobacia de Shandong.


— Sou atraído pelos que não tiveram escolha. Acho que é um reflexo da minha história pessoal — conta o fotógrafo.


Quando Li ainda era pequeno, seu pai, um engenheiro e intelectual em Shandong, foi objeto das campanhas de reeducação comunista da Revolução Cultural e mandado fazer trabalhos manuais numa usina termelétrica. A perseguição e o choque das humilhações levaram o pai de Li Nan à loucura e sua mãe, a uma depressão incurável.


— Aprendi a voltar meu olhar para esta gente. E dar voz a quem não tem saídas — afirma.’


 


DROGAS NO ORKUT


O Estado de S. Paulo


‘Rapaz é preso por fazer apologia às drogas no Orkut’, copyright O Estado de S. Paulo, 9/7/05


‘O estudante de marketing Felipe Vianna, de 20 anos, foi preso ontem por apologia ao uso de drogas. Ele mantinha duas comunidades no Orkut, em que tratava sobre ecstasy e maconha. O rapaz vinha sendo monitorado pela Delegacia de Repressão a Crimes na Internet. Ontem uma equipe da delegacia esteve na casa dele, em Niterói. Sua mãe informou que o filho havia viajado. Ele foi preso em São Sebastião do Alto, a 219 quilômetros do Rio. A polícia vai investigar integrantes das comunidades de Vianna, que ficará cinco dias preso.’


 


PELÉ NO CINEMA


Tonica Chagas


‘Cinema, arma de Pelé contra a corrupção’, copyright O Estado de S. Paulo, 9/7/05


‘Enquanto o documentário Pelé Eterno começa a ganhar platéias pelo mundo – foi visto no Festival de Cannes, está em negociações para distribuição na Europa e nos EUA, onde será exibido hoje e amanhã em Nova York -, Pelé vai amadurecendo a idéia de escrever o roteiro e produzir um filme sobre algo que o deixa ‘indignado’: a corrupção no futebol brasileiro. ‘Queria fazer uma coisa bonita com as torcidas, mostrando que nosso futebol não vai para a frente por causa da falta de profissionalismo.’


Chateado por não ter conseguido, quando era ministro dos Esportes, aprovar lei que obrigasse clubes e seus diretores a prestarem contas sobre sua renda, ele reclama: ‘Todos os clubes de nome tiveram fortunas de dinheiro, venderam jogadores e estão falidos. Isso porque o dinheiro desaparece!’


Ele já esboçou uma sinopse do filme com o diretor Aníbal Massaini. Um dos pontos principais, conforme deixa transparecer, é a manutenção de um ídolo da torcida no time em que joga. ‘Todo ano aparecem novos craques. Mas, infelizmente, não se consegue mantê-los nas equipes ou no Brasil. Se os times grandes fossem bem administrados, manteriam os jogadores que hoje estão saindo todo dia.’’


 


ALMA GÊMEA


Keila Jimenez


‘‘Alma Gêmea’ eleva ibope das 6’, copyright O Estado de S. Paulo, 9/7/05


‘Walcyr Carrasco vem se dando bem com a audiência de Alma Gêmea, novela que estreou na vaga das 6 da Globo, no fim do mês passado.


Segundo dados do Ibope, Alma Gêmea registrou em suas duas primeiras semanas média de 35 pontos de audiência e 55% de share (participação no total de TVs ligadas). Quase 10 pontos a mais que sua antecessora, Como Uma Onda, que registrou no mesmo período média de 27 pontos e 46% de share.


É de bom tom lembrar que a trama anterior, de Walther Negrão, estreou em plena temporada de horário de verão e no fim do ano, época infeliz para a faixa das 18 horas – quando invariavelmente há uma queda no número de televisores ligados. De todo jeito, a trama não tomou fôlego e deixou a telinha com média total de 28 pontos. São números modestos para um horário que chegou a 37 com antecessoras como Cabocla e Chocolate com Pimenta. Esta última, por sinal, tem muitos atributos em comum com Alma Gêmea: romance adocicado, elenco semelhante, sociedade da primeira metade do século passado… Fórmula acertada que o autor resolveu repetir.


Mas é bom dizer que o fato de Alma Gêmea também versar sobre vidas passadas despertou, e muito, a atenção do público.


E como a Globo hoje já não se contenta só com ibope, Alma Gêmea também deu origem a um anel de mesmo nome que será lançado pela Globo Marcas, divisão de licenciamento da rede. A bijuteria se separa em partes e, ao se unir, representa a busca pela alma gêmea. Quer clichê mais rentável?’

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