Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 23/3

Google direciona usuários chineses para Hong Kong

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 23/03/2010 na edição 582


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 23 de março de 2010


 


INTERNET


Google anuncia o fim dos serviços de busca em seu site na China


‘Pouco mais de dois meses depois de desafiar abertamente a censura chinesa e confirmando relatos surgidos na última sexta, o Google anunciou ontem o fechamento do seu site de buscas na China e o direcionamento dos seus usuários ao endereço que a empresa mantém em Hong Kong -livre de censura.


A empresa americana afirmou que desde a manhã de ontem acessos a mecanismos de buscas do Google.cn (busca, notícias e imagens) são direcionados ao Google.com.hk -onde não são submetidos à censura devido à autonomia da ex-colônia do Reino Unido, devolvida à China há 13 anos.


O Google disse, no entanto, que pretende manter em atividade outras operações realizadas pela equipe de cerca de 600 pessoas que sua sede na China mantém, inclusive pesquisa e desenvolvimento.


A medida é o auge de uma crise iniciada no dia 12 de janeiro, quando a empresa americana disse ter descoberto que hackers chineses haviam tentado violar contas de ativistas de direitos humanos críticos ao regime em seu serviço de e-mail.


Embora não tenha feito uma acusação aberta à China no episódio, a empresa insinuou que o país poderia tê-lo reprimido.


O caso motivou o Google a ameaçar a interrupção do filtro de conteúdo que aceitou fazer ao entrar, em 2006, no maior mercado de internet do mundo, com 400 milhões de usuários e em rápido crescimento, e desatou uma crise entre a China e os EUA, que cobrou publicamente investigação do caso.


Um funcionário do governo chinês disse à agência oficial Xinhua que o Google ‘violou o compromisso assumido ao entrar na China’. Para Pequim, a recente ofensiva do Google em desafio à legislação chinesa tem origem na perda de espaço para seu similar local, Baidu.com, líder no mercado local.


Para analistas, a saída encontrada pelo Google é justamente uma maneira de driblar a censura chinesa sem ter de abandonar o mercado local, o que poderia custar ao crescimento da empresa nos próximos anos -embora menos de 2.5% do faturamento global da empresa hoje venha da China.


A expectativa é saber se o governo da China manterá o Google.cn em funcionamento ou o bloqueará, como já ocorre com sites como Facebook, Twitter e Youtube -todos eles com equivalentes locais desenvolvidos à semelhança dos sites originais.


‘Nós esperamos que o governo chinês respeite a nossa decisão, embora tenhamos a consciência de que a qualquer momento o acesso aos nossos serviços possa ser bloqueado’, afirmou o Google, em nota assinada por seu diretor jurídico, David Drummond.


A Casa Branca se disse ‘decepcionada’ pelo fracasso das negociações entre Pequim e a empresa.


Com agências internacionais e ‘New York Times’’


 


 


DIRCEU VS FOLHA


José Dirceu


A inexplicável insistência da Folha


‘É INEXPLICÁVEL , sob o ponto de vista jornalístico, a insistência desta Folha de S.Paulo em seguir produzindo reportagens sobre a Eletronet, procurando envolver meu nome a todo custo e trazendo sempre informações pela metade.


Não bastasse a série de textos produzidos desde 23/2, no último dia 14/3 o jornal trouxe reportagem com o título ‘Com Lessa, BNDES negociou o controle da Eletronet em 2003’ para tentar manter aceso um caso natimorto.


Sobre essa última reportagem, tenho a dizer que a Folha insiste em fingir desconhecer que não dei consultoria para as empresas Contem Canadá e Star Overseas, mas para a empresa Adne.


O jornal também dá de ombros ao que tenho exaustivamente repetido sobre a natureza da consultoria prestada pela minha empresa: visão de negócios na América Latina.


Insiste ainda em afirmar que eu recebi R$ 620 mil, fingindo ignorar que o contrato da Adne foi com minha empresa de consultoria, que prestou serviços durante 31 meses, recebendo uma contraprestação de R$ 20 mil mensais, valor que em sua maior parte foi destinado ao pagamento de impostos, consultores, colaboradores diversos e serviços terceirizados.


O jornal procura dar ar de escândalo a uma negociação entre um banco público e uma empresa, que tinha por objetivo preservar o interesse nacional. Digo isso porque a empresa norte-americana AES, à época a principal controladora da Eletronet, estava insolvente.


O então presidente do BNDES, Carlos Lessa, autorizou-me a afirmar que nunca, em momento algum, fiz qualquer intervenção a favor de quem quer que seja, muito menos da Eletronet ou dos controladores da empresa.


Simplesmente ignorando o que disse o ex-ministro Luiz Gushiken (Assuntos Estratégicos) em entrevistas concedidas a dois jornais, a Folha insiste em fazer ilações sobre minha suposta participação, em 2005 ou mesmo anteriormente, nas discussões governamentais que envolvessem a Eletronet.


Vale lembrar ainda que a consultoria prestada pela minha empresa teve início em março de 2007, dois anos após eu ter deixado o governo e, principalmente, dois anos após as empresas Contem Canadá e Star Overseas terem adquirido a participação da empresa norte-americana AES na Eletronet.


E também que, dois meses depois de ter início o contrato de consultoria, o governo optou por disputar na Justiça os ativos da Eletronet, 16 mil quilômetros de cabos de fibras ópticas, com o intuito de utilizá-los para a implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).


Trata-se de uma decisão claramente contrária aos interesses dos controladores privados da empresa, o que inclui o sr. Nelson dos Santos, proprietário da Star Overseas, e que tem se mostrado acertada, uma vez que a Justiça decidiu favoravelmente à União no fim do ano passado.


Há que falar também sobre a questão central levantada pela Folha, o ‘lucro de R$ 200 milhões’ que o sr. Nelson dos Santos teria com o uso dos cabos cedidos à Eletronet para a implantação do PNBL.


Na primeira reportagem que publicou sobre o assunto, no dia 23/2, o jornal afirmava que ‘advogados envolvidos nesse processo estimam que, com a recuperação da Telebrás, ele (Nelson dos Santos) ganhe cerca de R$ 200 milhões’.


No dia 25/2, o jornal dizia que a estimativa de lucro viera do próprio empresário. E no dia 28/2, publicava: ‘Nelson dos Santos afirma que tem direito a receber cerca de R$ 200 milhões como indenização, caso a Eletronet não seja reativada’.


Dia após dia, desde 23/2, a Folha foi mudando sua versão sobre como o empresário ganharia os supostos R$ 200 milhões para, no dia 6/3, acanhadamente, dizer que ‘as chances de os sócios da Eletronet -entre eles, Nelson dos Santos, que contratou os serviços do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu- receberem alguma coisa é tida como ‘muito remota’ pelos advogados, analisando apenas documentos até agora divulgados’.


Se o empresário para o qual minha empresa prestou consultoria sobre cenários econômicos na América Latina, e não sobre a Eletronet, não será beneficiado com dinheiro público; se minha posição em artigos e em meu blog sempre foi contrária aos interesses dos controladores privados da Eletronet; se dois meses após o início da consultoria, o governo decidiu disputar os ativos da Eletronet na Justiça, o que é contrário aos interesses desses mesmos controladores privados; e se a Justiça tem decidido favoravelmente ao governo, então sou obrigado a perguntar: onde está o caso que a Folha insiste em dizer que existe?


JOSÉ DIRCEU DE OLIVEIRA , 64, é advogado. Foi ministro-chefe da Casa Civil (governo Lula) e presidente do PT. Teve seu mandato de deputado federal pelo PT-SP cassado em 2005.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Sem fim


‘Na home do G1, da Globo, ‘Não se embrenhem no Rio por onde não conhecem, diz Lula’. Já na home da BBC Brasil, ‘Lula diz que estrangeiros devem visitar favelas’. Foi no Fórum Urbano Mundial, da ONU, no Rio. O brasileiro pediu que ‘não deixem’ de visitar as favelas da cidade, para ‘ver o que está acontecendo, como nunca na história deste país’.


O britânico ‘Guardian’ achou outro destaque para o Fórum, ‘Relatório da ONU: maiores cidades estão se fundindo em megarregiões’, criando ‘cidades sem fim’. Na ‘linha de frente’, Hong Kong-Shenhzen-Guangzhou, na China, e Nagoya-Osaka-Kyoto-Kobe, no Japão. Em terceiro, Rio de Janeiro-São Paulo.


NOVA MARTA


Já o ‘Telegraph’ deu o lançamento de um manual por Anistia Internacional e outros para detalhar, aos moradores da favela Santa Marta, seus direitos frente ao novo ‘policiamento de mão pesada’


MUDA O MUNDO?


No ‘Financial Times’, Gideon Rachman crê que ‘o salto de Obama’, com a reforma na saúde, refaz o poder dos EUA e ‘muda o mundo’. Já Stephen Walt, na manchete on-line da ‘Foreign Policy’, avalia que nada muda nos desafios e na ação externa do país.


Por outro lado, da home da Bloomberg ao site Drudge, ‘Obama paga mais do que Warren Buffett’ -os títulos do Tesouro já pagam juros maiores que os títulos do célebre investidor. ‘O mercado está dizendo que é mais seguro emprestar para Buffett que para Obama.’


MAIS AMEAÇA


No ‘Valor’, ‘Indústria dos EUA quer tréplica contra o Brasil’. Lobbies industriais pressionam o representante comercial -o ministério do comércio- para incluir o país em sua lista dos que ‘violam propriedade intelectual’, em resposta às retaliações aos EUA que o Brasil anunciou, na semana passada.


TÃO PERTO


Na ‘Time’, com uma foto de Lula e Felipe Calderón, o México não está mais ‘tão longe de Deus, tão perto dos EUA’, e sim ‘tão longe da América Latina’. Já perdeu o lugar para o Brasil, entrou em crise junto com o Nafta e hoje recebe Hillary Clinton para tratar da guerra ao tráfico. ‘Sempre estará tão perto.’


HAMAS, HIZBOLLAH TAMBÉM


O programa ‘Coffee with the President’, como relatam as agências, tratou ontem de política externa. Num dos enunciados, ontem no alto das buscas de Brasil pelo Yahoo News, ‘Hamas deveria ser parte das negociações de paz no Oriente Médio, afirma Lula’. E não só o grupo islâmico palestino, que controla Gaza, mas o libanês Hizbollah, o governo iraniano, o sírio.


BRASCUBA


Ontem na capa do ‘Brasil Econômico’, ‘Souza Cruz assegura liderança do cigarro em Cuba’. Ela já é ‘sócia do governo cubano na fabricante de cigarros Brascuba’ e agora ‘fechou um novo acordo que lhe garante preferência na privatização do monopólio Tabacuba’, se houver.


DETERMINANTE


Artigo no ‘China Daily’, no fim de semana, defendeu que a ‘China é boa notícia para a América Latina’. A região ‘continua se afastando de Washington’ -e, ‘como diz o ex-ministro brasileiro José Dirceu, a China será um fator determinante para o seu desenvolvimento’.


HOLOFOTES


Em entrevista ao UOL, o ex-ministro Rubens Ricupero criticou a ‘busca incessante dos holofotes’ pela atual política externa e declarou ter ‘pena’ de Lula, por queimar sua projeção com ditadores


SERRA, FHC E O PETRÓLEO


O ‘Valor’ publicou que o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas ‘fala em nome do candidato José Serra e diz que o PSDB está fechado na defesa do modelo de 97, do marco regulatório do petróleo elaborado no governo Fernando Henrique Cardoso, para a campanha’. Em suma, ‘caso vença, deve rever a legislação que tramita no Congresso’ e ‘retomar o sistema de concessão’.


Velloso Lucas ‘diz não temer prejuízos ante o discurso nacional-desenvolvimentista dos petistas’.


LUCRO


Só abaixo da cobertura do ‘caso Isabella’, à tarde por Folha Online, UOL etc., ‘Petrobras tem segundo lucro’ das Américas. Ficou atrás da Exxon, dos EUA’


 


 


CAMPANHA


Eduardo Scolese


Marina decide abrir mão de marqueteiro


‘A campanha presidencial da senadora Marina Silva (PV-AC) não contará com a figura de um marqueteiro. A decisão é da própria ex-ministra e do comando do partido.


A alegação é que a imagem de Marina não precisa ser moldada nem maquiada. Para a equipe da ex-ministra do Meio Ambiente, o forte da campanha eleitoral será, sem moldes, o olho no olho com os eleitores, explorando a origem humilde e a história de vida da candidata.


A partir de julho, quando começa oficialmente a campanha, a ideia do PV se limita a contratar uma empresa que cuide da direção de arte dos programas de TV e escalar assessores específicos para palpitar sobre imagem, figurino e tom de voz da candidata.


‘A gente não terá a figura de um marqueteiro, até porque a gente não acha que a imagem da Marina deva ser transformada ou vendida como um produto’, afirma o vereador carioca Alfredo Sirkis (PV), um dos coordenadores da campanha.


‘Isso [dispensa de um marqueteiro] não é uma decisão inocente nem surgiu pela falta de recursos. O mais forte que temos é o olho no olho da Marina com as pessoas’, completa.


Outra justificativa do PV para descartar a contratação de um publicitário vai na linha segundo a qual a senadora acriana não decola nas pesquisas de intenção de voto por ser desconhecida pela população, e não pela taxa de rejeição.


Segundo recente pesquisa Datafolha, do final do mês passado, só 56% dos brasileiros sabem quem é Marina, ante 86% de Dilma Rousseff (PT) e 96% de José Serra (PSDB). Entre os entrevistados que declararam saber quem ela é, 30% a conhecem ‘de ouvir falar’ e 19% ‘só conhecem um pouco’.


Rejeição


Por outro lado, segundo o mesmo levantamento, a taxa de rejeição da pré-candidata do PV é de 19%, contra 23% de Dilma e 25% de Serra.


Para torná-la mais conhecida, o comando de campanha tem encaixado a senadora em eventos Brasil afora. Com base em pesquisas, tem focado as agendas nas classes populares e no público feminino -nesta semana, por exemplo, deve se encontrar com trabalhadoras rurais, em Araraquara (SP).


Para preservar a imagem da ex-ministra, o PV tem adotado um estilo cauteloso nas discussões de alianças para a eleição. O partido disse ‘não’ a algumas legendas nanicas que o sondaram por um apoio formal.


A avaliação é que essas siglas (conhecidas como legendas de aluguel) somariam pouco ao tempo de TV e, por outro lado, vinculariam a ex-ministra a grupos que pouco têm a ver com sua trajetória política.


O PV deve mesmo caminhar sozinho nas eleições. Sem os nanicos, também não conseguiu atrair outros partidos, como PPS (com o PSDB) e PDT (com Dilma), além de ter deixado de lado as negociações com o PSOL.’


 


 


TELEVISÃO


Andréa Michael


TV tem de dizer classificação para cegos e analfabetos


‘A Secretaria Nacional de Justiça determinará que as emissoras de televisão veiculem a classificação indicativa da programação também em áudio. Hoje, a faixa etária para a qual cada atração é recomendada é apresentada em uma mensagem escrita, que fica no vídeo por, pelo menos, cinco segundos no início de cada obra.


Atendendo à legislação, a informação também aparece em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para os surdos-mudos-o que não fazia sentido, porque, em tese, eles poderiam ler o aviso escrito. O problema nasceu coma lei que tornou obrigatórios tanto o uso de Libras quanto a exibição dos sinais em vídeo, mas não o anúncio em áudio. Foi redundante e não atendeu nem aos telespectadores cegos nem aos não alfabetizados. Segundo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, a ordem para exibir a classificação em áudio atende a uma demanda captada em pesquisa realizada em 2008.


A determinação chegará às emissoras por meio de portaria, a ser publicada no Diário Oficial em data a definir. Tuma disse à coluna que ainda fará uma rodada de conversas com as redes de televisão para definir uma mensagem padrão para o áudio. A decisão do governo atende também a resolução aprovada na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, em dezembro do ano passado.


HEXA


Para a cobertura da primeira Copa em HD,Globo,Globo News e SporTV enviarão, juntos, 120profissionaisparaa África do Sul. ‘As cinco horas de diferença serão boas para os telespectadores, mas, por causa do fuso, vamos trabalhar 20 horas por dia’, diz Carlos Henrique Schroder, diretor-geral de jornalismo e esportes da Globo.


DOIS DÍGITOS


O diretor-geral da Globo, Octávio Florisbal, mantém em 2010 o compromisso feito no ano passado e não cumprido de registrar média de audiência de 22 pontos no ano, das7h à1h.


BOB ESPONJA


Pela primeiravez, todos os canais Nickelodeon do mundo usarão o mesmo logotipo. As peças latino-americanas entram no ar no dia 5 de abril.


REBATISMO


O programa de Otávio Mesquita na Band passa a se chamar ‘A Noite’ (sem o complemento ‘É uma Criança’). A atração reforçará a cobertura de eventos de celebridades e terá comentaristas convidados.


BUNGEE-JUMP


Para a estreia, no dia 29, Mesquita subiu no braço e na cabeça do Crist oRedentor, no Rio, para reviver feito do trapalhão Renato Aragão. ‘Foi a maior emoção dos meus 25 anos de profissão, uma coisa linda.’


‘AINDA É CEDO’


Como parte das comemorações pelos 50 anos que Renato Russo completaria no próximo sábado, o ‘Acústico MTV Legião Urbana’ e o ‘A Entrevista’ serão reapresentados na MTV.


Com Clarice Cardoso’


 


 


Laura Mattos


Globo investe no espiritismo em seriado com Selton Mello


‘Além de uma novela espírita escrita por Elizabeth Jhin (‘Escrito nas Estrelas’), a Globo terá, neste ano, uma série sobre o espiritismo, que deverá ser estrelada por Selton Mello.


O anúncio foi feito ontem em entrevista em São Paulo para o lançamento da nova programação da emissora.


‘A Cura’ será a primeira série escrita por João Emanuel Carneiro, autor de novelas como ‘A Favorita’ (2008) e ‘Da Cor do Pecado’ (2004).


Vai tratar da vida de um jovem médico de Diamantina, interior de Minas Gerais, acusado de matar um colega. Ele descobrirá que tem a capacidade de curar pessoas por meio de cirurgias espirituais. Viverá a dúvida de manter ou não essa atividade e a angústia de saber que a entidade que incorpora é a de um médico assassinado.


A série será semanal. Cada episódio terá história própria, além de uma trama que prossegue ao longo dos capítulos. Carneiro terá a parceria de Marcos Bernstein, diretor de ‘O Outro Lado da Rua’. A direção-geral é de Ricardo Waddington.


O programa entrará no ar depois do final de ‘Justiça para Todos’, outra novidade divulgada ontem. Com Márcio Garcia no elenco, o seriado policial começa em uma rave em 2003, na qual um estudante de direito morre durante uma briga.


Sete anos depois, um grupo presente à festa, que hoje conta com um juiz, uma promotora, um advogado, uma delegada federal e um jornalista, resolve denunciar o assassino daquele evento. O texto é de Antônio Calmon e a direção, de Wolf Maya. ‘Justiça’ será exibido após o final da nova temporada de ‘Força-Tarefa’, que, a partir de 6 de abril, vai ao ar às terças.


No humor, além da volta de Chico Anysio no quadro ‘Condomínio dos Vampiros’ no ‘Zorra Total’, a Globo lançará ‘Tudo Junto e Misturado’, criado e protagonizado por Bruno Mazzeo. Nova série do núcleo de Guel Arraes, fala do cotidiano de seis pessoas.’


 


 


REVISTA


Mônica Bergamo


‘Wallpaper’ declara amor às bundas brasileiras


‘A revista de tendências inglesa ‘Wallpaper’ trouxe 17 jornalistas ao país para fazer sua edição temática de junho, que será dedicada ao Brasil.


Com o plano de traçar ‘o melhor retrato contemporâneo de uma nação que está pegando fogo’, além de destaques da arquitetura, design e estilo de vida, a revista trará uma ‘história de amor’ sobre as bundas locais e um ensaio de moda com garotas da laje vestindo Prada. Em SP, o editor Tony Chambers falou à coluna.


FOLHA – Quem está ajudando a ‘Wallpaper’ a fazer suas escolhas?


TONY CHAMBERS – Temos um time de conselheiros formado por Lenny Niemeyer, Alex Atala, Paulo Mendes da Rocha, os irmãos Campana, claro, nossos grandes amigos, e Seu Jorge. Vik Muniz não está no conselho, mas vai fazer a capa.


FOLHA – Quais são os destaques?


CHAMBERS – Mostraremos os ícones arquitetônicos, novos designers. Vamos entrevistar Oscar Niemeyer, Charles Cosac [da Cosac Naify]. Falaremos também sobre a água de coco. Todo mundo está falando sobre ela. Também vamos fazer um ensaio visual poderoso em plataformas de petróleo.


FOLHA – Vocês não vão entrar na política da questão?


CHAMBERS – Não, as pessoas sabem o que está acontecendo. Nós temos esperança de entrevistar Eike Batista.


FOLHA – Esperam?


CHAMBERS – Ele é difícil de encontrar. É ocupado, mas vamos conseguir. Vamos também falar sobre os shopping centers. Eles são incríveis. O Iguatemi… fantástico! Comparados com os dos EUA e da Inglaterra, eles são mais sociáveis, menos opressivos. Todos os setores da sociedade estão lá aproveitando. E vamos fazer uma história de amor para o bumbum brasileiro.


FOLHA – Como será?


CHAMBERS – Vamos mostrar as bundas bonitas, de homens e mulheres, e quão importantes elas são para o mundo. Você não pode subestimar o poder da bunda brasileira, a influência que ela teve na sociedade.


FOLHA – Elas serão fotografadas no Rio de Janeiro…


CHAMBERS – Não, eu vi bundas incríveis em São Paulo. Elas só estão mais cobertas… Vamos fazer um ensaio de moda com garotas da laje [‘queens of the concrete’]. Elas vão vestir Gucci, Prada, Louis Vuitton.


FOLHA – Vocês vão falar apenas das coisas boas?


CHAMBERS – Sim, a ‘Wallpaper’ tem uma filosofia: se deixamos coisas de fora, é porque não gostamos delas.


FOLHA – O que falta para o país se tornar uma verdadeira potência, um destino turístico?


CHAMBERS – É o fator medo. Todo mundo acha que o Brasil é incrível, mas perigoso. Vamos dizer que não é tão assustador. É só não ser estúpido.


FOLHA – E o trânsito?


CHAMBERS – Não é tão mau. Londres é pior, Istambul… Esse é um problema global e quem resolver merece uma medalha.


FOLHA – Muitos dos destaques da ‘Wallpaper’ não são acessíveis para a maioria da população.


CHAMBERS – Nosso público é bem educado, viajado, ganha bem, então eles podem pagar essas coisas. Eles podem ter um helicóptero, ficar no hotel Fasano, no Emiliano. Não é uma fantasia. É admirável gastar dinheiro em coisas que são realmente de boa qualidade.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 23 de março de 2010


 


REGULAÇÃO


‘Constituição não comporta controle da mídia’, diz Mendes


‘O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou ontem a proposta de criação do Conselho Nacional de Jornalismo, que voltou a ser defendida por setores do governo e pelo PT.


Em São Paulo, onde participou de evento na sede do Corinthians – clube que firmou parceria com a Fundação Casa para inclusão social de menores infratores -, o ministro foi taxativo ao falar do conselho. ‘Não me parece que esse tipo de proposta venha, em princípio, a reforçar a liberdade de imprensa’, declarou Mendes.


‘Vejo sempre com preocupação esse tipo de iniciativa’, disse o presidente do STF. Ele mandou um recado ao governo. ‘Não acredito que haja necessidade desse tipo de conselho.’


A proposta de controle social da mídia foi apresentada pelo PT, em fevereiro, para o plano do eventual governo de Dilma Rousseff, pré-candidata à sucessão do presidente Lula.


Mendes colocou em xeque a necessidade de um conselho que pode direcionar suas atividades para manter o controle e vigilância dos meios de comunicação. Para o ministro, uma medida dessa natureza pode esbarrar na Constituição. ‘Até tenho dúvidas se o texto constitucional comporta esse tipo de autarquização’, observou.


Indagado se via como um arbítrio a ação de um conselho nos moldes como projeta o governo, o ministro esclareceu que não conhece o texto e não gostaria de emitir juízo sobre a proposta, mas ressalvou: ‘O Brasil vai bem no que concerne à liberdade de imprensa’.


Mendes afirmou que ‘o País tem uma imprensa atuante’. ‘Os abusos devem ser punidos pelos órgãos competentes, no Judiciário. Acredito que talvez a própria mídia devesse pensar num órgão de autorregulação para as situações mais graves ou de repetição inevitável, como já existem outras boas experiências, por exemplo, no que diz respeito à publicidade, o Conar.’


Mendes completou: ‘Imagino que temos aí um aprendizado institucional a ser feito. Não me parece que o caminho seja o da autarquização, a criação de um conselho que vá supervisionar a atividade da mídia’, disse o presidente do STF.’


 


 


Proposta surgiu pela primeira vez em 2004


‘Em 2004, durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tentou aprovar a criação de um Conselho Nacional de Jornalismo, uma espécie de órgão regulador para o setor. O objetivo seria o de ‘orientar, disciplinar e fiscalizar’ o trabalho dos jornalistas. O argumento da Fenaj era que o conselho fiscalizaria a profissão, evitando desvios éticos. A proposta foi rechaçada sob o argumento de que seria uma forma de o Estado controlar os meios de comunicação. O assunto foi retomado em dezembro passado, durante a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que ressuscitou a proposta de criação de um conselho, desta vez com viés menos político. Foi retirada, por exemplo, a parte que atribuía ao conselho a função de órgão fiscalizador e regulamentador do jornalismo. A nova proposta é de que o conselho seja o fiscalizador do trabalho do jornalista. O vice-presidente da Fenaj, Celso Schröder, comparou o conselho ao Conselho Federal de Medicina, ‘que é corporativo, mas também serve à sociedade e pune os maus médicos’. Por outro lado, a Associação Nacional dos Jornais afirma que a proposta ‘é uma tentativa de retornar com algo que já foi refutado pela sociedade brasileira’.’


 


 


VENEZUELA


AP, Afp, Efe e Reuters


SIP condena Chávez por limitar liberdade de expressão


‘A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou ontem as ações do governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, contra a liberdade de expressão no país. Durante reunião em Aruba, a organização afirmou que o gabinete de Chávez trabalha para ‘eliminar os meios de comunicação independentes’ por meio do fechamento de emissoras de rádio e da Rádio Caracas Televisão Internacional (RCTV), tirada em janeiro da grade de operadoras de TV a cabo.


A entidade ainda pediu que a Organização dos Estados Americanos (OEA) negocie uma visita ao país da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão. O governo venezuelano não autoriza visitas dos dois órgãos desde 2002.


Um dia antes, a SIP também denunciou as tentativas de Chávez de restringir o conteúdo da internet na Venezuela. Em seu programa semanal de rádio e TV, Alô, Presidente, Chávez se defendeu das acusações, afirmando que o uso da internet cresceu ‘mais de 900%’ durante os mais de dez anos de seu governo.


‘Ninguém menciona isto. Ao contrário, as notícias voam pelo mundo dizendo que vamos acabar com a internet, que vamos restringir o serviço’, afirmou o presidente venezuelano. ‘Isto é mentira, claro.’’


 


 


INTERNET


NYT e Reuters


Google fecha seu servidor na China


‘Dois meses após ter ameaçado abandonar a China por causa de censura governamental e ataques de hackers, a empresa americana de internet Google anunciou ontem o fechamento de seu servidor no país e o redirecionamento do site google.cn para o google.com.hk, baseado em Hong Kong e livre de filtros- mas que, ainda assim, pode ser bloqueado para quem o acessar da China continental.


A decisão é uma tentativa da Google de solucionar a disputa com o governo de Pequim ao mesmo tempo em que mantém sua presença no maior mercado do mundo em número de usuários. Um membro do governo chinês afirmou à agência oficial de notícias Xinhua que a empresa ‘violou sua promessa feita por escrito’ e ‘está totalmente errada’ ao tentar frear a censura das buscas feitas na China.


Para o público chinês, a medida dificilmente fará alguma diferença, a menos que eles consigam driblar as firewalls – barreiras virtuais – impostas pelo governo chinês para bloquear os resultados de pesquisas sobre temas considerados sensíveis, como o Dalai Lama.


A decisão é tomada em um momento de tensão crescente entre a China e os Estados Unidos no que diz respeito a uma série de temas, como a liberdade na internet e a taxa de câmbio da moeda chinesa, o yuan.


‘Esse não é o fim da saga. É apenas o fim do capítulo’, disse Colin Gillis, um analista independente americano. ‘Você faz a China parecer como um vilão e ainda acha que vai vender produtos? Boa sorte.’


Negociação dura. A Google, a maior ferramenta mundial de buscas na internet, reconheceu que falhou ao liderar as negociações com o governo chinês para obter permissão para operar um site de pesquisas livre de censura no país. ‘O governo chinês foi muito claro durante toda a discussão de que a autocensura é um requerimento legal não negociável’, afirmou ontem a empresa em texto publicado em seu blog oficial.


A Casa Branca também se disse desapontada com a falta de acordo. Em janeiro, a secretária de Estado, Hillary Clinton, chamou por liberdade na internet em todo o mundo e destacou a China, entre outros pouco países, como uma nação que impõe censura a conteúdos na rede. Vários senadores americanos se engajaram nesse tema.


Também em janeiro, a companhia chegou a anunciar a intenção de abandonar a China, quando foi identificado um sofisticado ataque virtual a seus computadores cuja origem foi detectada no país asiático. Como uma pequena parte de seu lucro anual de US$ 24 bilhões vem da China, o país é considerado o local onde há a maior oportunidade de crescimento para a Google.


A empresa afirmou que sua decisão de desviar o tráfego chinês para um site livre de censura em Hong Kong é ‘inteiramente legal’. Antiga colônia britânica, Hong Kong é uma região administrativa especial da China e possui maior liberdade em relação à China continental. A Google reconhece que o governo chinês pode, a qualquer momento, bloquear o acesso a esses novos servidores, que incluem os serviços de busca de notícias e de imagens. A reportagem em Pequim, ao acessar o google.cn, foi desviada para o google.com.hk, mas, ao buscar pelos nomes de dissidentes como o Dalai Lama, teve os resultados bloqueados.’


 


 


ISABELLA NARDONI


Daniel Gonzales


Twitter registra 40 mil postagens sobre o caso


‘O microblog Twitter e os blogs pessoais e de notícias viraram meios de acompanhamento do júri do casal Nardoni quase em tempo real, com a proibição da transmissão ao vivo do júri.


As discussões nas redes sociais sobre o caso mobilizaram milhares de internautas. Apenas no Twitter, mais de 40 mil postagens relacionadas ao assunto foram feitas ontem.


Permissão. O jurista Luiz Flávio Gomes, doutor em Direito Penal, obteve permissão do juiz Maurício Fossen para postar informações do júri em sua página ? www.twitter.com/@professorlfg ?, mas só pôde atualizá-la quando saía da sala. Celulares foram proibidos. Gomes revelou que um dos jurados apareceu de bermuda e foi dispensado pelo juiz. Das 13 às 19 horas, ganhou 4,5 mil seguidores.


Tempo real. A página www.twitter.com/casoisabella também foi atualizada em tempo real a partir do fórum, revelando que Anna Jatobá (madrasta de Isabella) estaria agarrada a uma Bíblia e que o pai dela só entrou no plenário às 19h30. Ainda segundo a página, a família Nardoni ocupava a quinta fileira de cadeiras no plenário, enquanto a família da mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, ocupava a terceira fileira.


À noite, três dos 10 tópicos da lista dos assuntos mais discutidos do Twitter no País tinham relação com o julgamento. No Orkut, havia ontem mais de mil comunidades com o nome de Isabella ou dos pais dela.’


 


 


Pai de Alexandre vê injustiça semelhante à da Escola Base


‘O advogado Antônio Nardoni, pai de Alexandre Nardoni, afirmou ontem que, se o filho e a nora forem condenados, o fato será a terceira maior injustiça da história do Brasil.


Para ele, a primeira é o caso da Escola Base, em que donos de uma escola foram acusados pela polícia de abusar de alunos e depois tiveram a inocência comprovada. A segunda, o caso da mãe acusada de colocar cocaína na mamadeira da filha no interior de São Paulo. ‘Não tem nada nos autos que prove a culpa dos réus (Nardoni e Anna Jatobá)’, afirmou. ‘Esperamos que a justiça seja feita e os jurados tenham vindo dispostos a pelo menos ouvir a defesa, sem prejulgamento.’


Ontem, o advogado chegou às 12h50 ao Fórum de Santana. De terno, ele entrou de braço dado com a filha mais nova, Cristiane. Assim que pisou na calçada, foi vaiado por manifestantes. PMs abriram caminho para o pai de Alexandre entrar no local.


Por ser advogado, ele ficou em uma sala reservada até o início do julgamento. Mas, entre caminhadas rápidas pelos corredores do Fórum, Nardoni fez declarações sobre o filho. Ele disse que almoçou com Alexandre na manhã de domingo, na Penitenciária de Tremembé, no interior. Segundo ele, o acusado está com ‘pensamento positivo’ e com a ‘consciência tranquila’. Indagado sobre Jatobá, ele respondeu: ‘Nós também confiamos nela.’


Pela manhã, antes de ir ao Fórum, Nardoni teria ido até o Edifício London, com os advogados do casal.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Globo culpa Ibope por média baixa


‘A velha desculpa do verão, que diminui o número de telespectadores em frente da TV, foi a desculpa dada pela Globo, ontem, no lançamento de sua nova programação, para não ter alcançado a média nacional/dia (das 7 h à meia-noite) de 22 pontos de audiência em 2009. A rede encerrou 2009 na casa dos 19 pontos. Essa, e uma outra desculpa, nova: a de que a medição de audiência via people meter (aparelho do Ibope na casa dos pesquisados) representa apenas 30% média nacional de audiência. Segundo o superintendente-geral da Globo, Octávio Florisbal, nos outros 70%, medição feita via anotações diárias em caderninho nas casas dos pesquisados, a rede já ultrapassou a média dos 22 pontos de ibope. ‘Continuamos com essa meta dos 22 pontos para 2010’, diz Florisbal.


Grude. Demorou, mas agora Miguel (Mateus Solano ) e Luciana (Alinne Moraes) vão até enjoar de tantos momentos românticos que terão em Viver a Vida, da Globo. O beijo da foto está previsto para ir ao ar no capítulo de amanhã.


120 profissionais a Globo pretende enviar para a Copa da África.


25 pontos de ibope alcançou o BBB 10 anteontem, em noite de paredão. Foi o recorde de audiência aos domingos nesta edição.


A Globo comprou a série Vida, grande aposta do Discovery Channel para este ano. A novidade vai ao ar no Fantástico após junho, quando será liberada contratualmente para a TV aberta.


Selton Mello é a grande aposta de A Cura, série de João Emanuel Carneiro que deve estrear no fim do primeiro semestre na Globo.


Se topar integrar o elenco, Selton será uma espécie de curandeiro que promoverá curas com ajuda do sobrenatural. A trama promete ter ares de filme de terror. A direção é de Ricardo Waddington.


Entre as novidades da nova programação da Globo está Justiça para Todos, de Antônio Calmon e Wolf Maya.


Glória Maria é o grande nome do Globo Repórter 2010.


A diretora Marlene Mattos negocia cuidar das novas produções locais na afiliada do SBT em Manaus.


Entre os projetos de Marlene por lá está uma série de documentários sobre o Amazonas visando ao mercado internacional.


Alice Braga retorna ao Brasil em abril para gravar mais edições do Superbonita – Transforma, do GNT.


Com os dias contados na Band, pelo menos por enquanto, RR Soares está conversando com outras emissoras abertas sobre a possibilidade de comprar espaço para seu Show da Fé. E quem prometeu reduzir o espaço vendido a concessionários na programação deste ano anda interessado.


Nem sinal de renovação de contrato na Record dos colaboradores de Lauro César Muniz. O autor já firmou seu vínculo com a emissora por mais cinco anos.


A Globo vai escolher uma partida antes da Copa para testar a transmissão do futebol em 3D.’


 


 


SEM ASSUNTO


Arnaldo Jabor


A anormalidade ficou ‘normal’


‘Quando comecei a escrever, jurei que jamais abriria um artigo com a velha técnica: ‘Estou diante da página branca… mas falta-me um assunto’ ou ‘a tela vazia do computador brilha pedindo um tema ? nada me ocorre.’ Jamais usei essa desculpa de articulista sem inspiração. E mantenho a promessa. Só que hoje não sou eu que estou sem assunto ? é o Brasil. O governo nos surripiou, entre outras coisas, o ‘assunto’. Lula repete o ‘espetáculo permanente’ inventado por Jânio Quadros. E seus atos e fatos pautam o País.


É uma forma sutil de controlar a imprensa, obrigando-a a discutir ou refutar ‘factóides’ que nos lançam o tempo todo. Somos obrigados a discutir falsas verdades, denúncias vazias, em meio ao delírio narcisista de que o Brasil é Lula, de que existimos para celebrá-lo ou odiá-lo.


Esse primitivismo paralisa os acontecimentos nacionais. Ou pior, parece acontecer muita coisa no País, mas nada de real está se concretizando, além do óbvio previsto: estouro das contas públicas, obras de pacotilha, empreguismo, ideologismo ridículo e terceiro-mundista. Os escândalos ‘parecem’ acontecimentos.


O PT encobre falcatruas em nome do poder, que eles chamam de ‘ideal socialista’ ou algo assim. Tudo que acontece se coagula, coalha como uma pasta, uma ‘geleca’, um brejo de não-acontecimentos onde tudo boia sem rumo. Ou então são eventos disparatados: um dia Lula está com o Collor; no outro, com o Hamas.


Uma visão crítica e racional sobre o Brasil ficou inútil. A maior realização deste governo foi a desmontagem da Razão. Podemos decifrar, analisar, comprovar crimes ou roubos, mas nada acontece. Fica tudo boiando como rolhas na água. A sinistra política de alianças que topa tudo pelo poder planeja com descaro transformar-se numa espécie do PRI mexicano. Desmoralizaram o escândalo, as indignações, a ética (essa palavra burguesa e antiga para eles)… Esses pelegos usurparam os melhores conceitos de uma verdadeira esquerda que pensa o Brasil dentro do mundo atual, uma esquerda que se reformou pelas crises do tempo, antes e depois da queda do Muro de Berlim. Eles se obstinam em usurpar o melhor pensamento de uma genuína ‘esquerda’ contemporânea, em nome de uma ‘verdade’ deformada que instituíram.


Sinto-me um idiota (mais do que já sou, ai de mim…) e parece que ouço as gargalhadas barbudas de velhos sindicalistas como Vaccari, Vaccareza, Vanucci: ‘Ahh pode criticar… estamos blindados, tanto quanto os companheiros Sarney ou Renan…’


As velhas categorias para explicar o Brasil morreram. Já há uma pós-corrupção, uma pós-direita (disfarçada de ‘esquerda’).


Somos uma sopa em que flutuam as eternas colunas sociais, com os sorrisos e as bundas nuas, as velhas madames e as novas peruas, os crimes, as balas perdidas, as revoltas nas prisões.


Já vivi épocas de cores mais vivas. O pré-64 era vermelho, não só pelas bandeiras do socialismo, mas pelo sangue vivo que nos animava a construir um País, romanticamente. Era ilusão? Era. Mas tinha gosto de vida. A minha esquerda já foi sincera. Hoje é esta trama-pelega. E a ditadura de 64, aquele verde-oliva que nos cercou como uma epidemia de vil patriotismo? Era terrível? Sim. Mas, nos dava o ‘frisson’ de lutar contra o autoritarismo ou de sermos ‘vítimas’ das porradas da História. Já passei pelas drogas e desbundes da contracultura, pelos depressivos anos cinzentos post-mortem de Tancredo, passei pelos rostos amarelos e verdes do ‘impeachment’, pelo azul da esperança do Plano Real. E hoje? Qual é a cor de nosso tempo? Somos uma pasta cor de burro quando foge, uma cobra mordendo o próprio rabo, um beco sem saída disfarçado de progresso, graças à vitalidade da economia que o Plano Real permitiu.


Somos tecnicamente uma ‘democracia’, que é vivida como porta aberta para oportunismos, pois a ‘cana’ é menos dura… Democracia no Brasil é uma ditadura de picaretas. O povão prefere um autoritarismo populista e os intelectuais sonham com um socialismo imaginário que resolva nosso bode ‘capitalista’, quando justamente o injusto capitalismo seria a única bomba capaz arrebentar nosso estamento patrimonialista de pedra. Quem quiser alguma positividade é ‘traidor’. A miséria tem de ser mantida ‘in vitro’ para justificar teorias velhas e absolver incompetência. A Academia cultiva a ‘desigualdade’ como uma flor. Utopia de um lado e burrice do outro impedem a agenda de nossas reformas urgentes, essenciais para nossa modernização, que grossos barbudos chamam de ‘neoliberalismo’.


Nos USA, tempo é dinheiro; no Brasil, a lentidão é a mola mestra do atraso. O Brasil gira em volta de si mesmo.


Somo feitos de sobras do ferro-velho mental do País, de oligarquias felizes e impunes, de um Judiciário caquético, das caras deformadas de políticos, das barrigas, das gravatas escrotas, da gomalina dos cabelos, das notas frias, da boçalidade dos discursos, dos superfaturamentos, tudo compondo uma torta escultura, um estafermo fabricado com detritos de vergonhas passadas, togas de desembargadores, bicheiros, cérebros encolhidos, olhos baços, depressões burguesas, hipersexualidade rasteira, doenças tropicais voltando, dengue, barriga d’água, barbeiros e chagas, cheiros de pântano, ovos gorados, irresponsabilidades fiscais, assassinos protegidos no Congresso, furtos em prefeituras, municípios apodrecidos, decapitações, pneus queimados, ônibus em fogo.


No caos não há eventos. Para haver acontecimentos, tem de haver uma normalidade a ser rompida. Mas, nada acontece, pois a anormalidade ficou ‘normal’.


Tenho a sensação de que uma coisa espantosamente óbvia e sinistra está em gestação.


Por isso, gosto de citar a frase da bruxa do Macbeth: ‘Something wicked this way comes’ (Shakespeare). Tradução: ‘Vem merda por aí!…’


Nossa chance única de modernização pode virar um ‘chavismo cordial’.’


 


 


 


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Jornal do Brasil


Terça-feira, 23 de março de 2010


 


DRUMMOND


Deonísio da Silva


Queremos apenas a metade do que fomos


‘RIO – Entre as efemérides deste 2010, teremos os 80 anos de Alguma poesia, livro de estreia de Carlos Drummond de Andrade. Ele não pertenceu à Academia Brasileira de Letras, mas é um dos nossos maiores poetas de todos os tempos. Provavelmente só não ganhou o Prêmio Nobel porque escreveu em português, um dialeto na Galáxia Gutenberg. No entanto, a primeira edição foi de apenas 500 exemplares, custeada pelo próprio autor.


Abre o livro o Poema de sete faces, cujos versos iniciais dizem: ‘Quando eu nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida’. Quando escreveu estes versos, Drummond estava com 28 anos, formara-se em farmácia porque seus pais, fazendeiros decadentes, tinham exigido isso dele. Mas jamais exerceu a profissão.


Por que Drummond sentiu-se gauche na vida? Nascido em Itabira (MG), em 1902, escreveu seus primeiros textos entre fins da década de 20 e começos da de 30. Na época, em vez do inglês, era o francês que aparecia com frequência na língua portuguesa, por um desses dois motivos: a pessoa não encontrava a palavra adequada para designar ou expressar certas realidades ou então queria mostrar que pertencia a uma classe social mais elevada, que sabia francês, vestia-se à moda francesa, conhecia pratos franceses e importava, não apenas perfumes, roupas e cosméticos franceses, mas também revistas e livros e franceses.


E também o pão francês, que ainda hoje tem esse nome. Até fins do século 19, o pão mais comum no Brasil tinha miolo e casca escuros. Os viajantes de famílias ricas iam a Paris e na volta pediam a seus cozinheiros que fizessem um pão com miolo branco e casca dourada, como eles tinham visto e comido na França. Aqui a receita mudou um pouco, acrescida de açúcar e gordura na massa.


O que se deu com o francês antigamente, agora ocorre com o inglês. Você vai a um evento, e as pessoas que o organizam chamam intervalo para o café de coffee break. Coffee para café? E break para pausa, intervalo? Break quer dizer quebrar, interromper, em inglês; o étimo é o mesmo do antigo breque dos carros, que já foi trocado por freio.


O francês gauche tinha substituído senestre, esquerda, palavra que tinha vindo do latim sinistra. O processo levou também a substituir destre, do latim dexter, por droit. Ainda hoje o francês designa por droit/gauche o par direito/esquerdo. É famosa a margem esquerda, rive gauche, do Sena, rio que atravessa Paris. O étimo latino permaneceu no sentido de esquerdo como indesejado, torto, errado, de que é exemplo a palavra ‘sinistro’, tão presente em apólices de seguro, designando desastre, incêndio, naufrágio etc. Que injustiça para com os canhotos!


Drummond sentiu-se gauche, isto é, desajeitado, esquerdo, também porque era tímido, amava os pais a ponto de não discordar deles. Por isso, fez o curso que não queria.


O poeta deixou de ser gauche. E é mais do que hora de repetir a sua Prece de mineiro no Rio: ‘Espírito de Minas, me visita,/ e sobre a confusão desta cidade,/ onde voz e buzina se confundem,/ lança teu claro raio ordenador./ Conserva em mim ao menos a metade/ do que fui de nascença e a vida esgarça’.


Nos dois casos, ele falou por muitos de nós, mineiros ou não.


* Deonísio da Silva é doutor em letras pela USP, professor e pró-reitor de Cultura e Extensão da Universidade Estácio de Sá, no Rio. Seu romance mais recente é ‘Goethe e Barrabás’.’


 


 


 


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