Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 12/04

Governo negocia no
Japão futuro da TV Digital

Por Luiz Antonio Magalhães em 12/04/2006 na edição 376


Leia abaixo os textos de sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 12 de abril de 2006


TV DIGITAL
Elvira Lobato


Europa promete empregos com TV digital


‘As indústrias européias prometem criar 9.000 empregos diretos no Brasil, no horizonte de dez anos, se o governo escolher a tecnologia de televisão digital DVB, concorrente do sistema japonês. O número refere-se ao conjunto das indústrias envolvidas e inclui a produção de celulares adaptados a captar programação de TV.


A oferta consta de carta enviada à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, há duas semanas, pelas empresas da frente ‘Coalizão DVB’, que faz o lobby da tecnologia européia.


Segundo os diretores de Tecnologia e de Relações Externas da Philips, respectivamente, Walter Duran e Manoel Corrêa, há compromisso também, pelo conjunto das indústrias, de criação de 23 mil empregos indiretos e de aumento de US$ 26 bilhões nas exportações do setor, em dez anos.


As seis empresas que formam a ‘Coalizão DVB’ – Siemens (alemã), Philips (holandesa), Thales (francesa), Nokia (finlandesa), Rohde & Schwarz (alemã) e ST Microelectronics (franco-italiana)- firmaram também compromissos individuais.


A Philips prometeu reinvestir em pesquisas o royalty a que teria direito na fabricação dos televisores digitais, da ordem de US$ 0,75 por unidade. Segundo os diretores, é a primeira vez que a empresa faz tal proposta a um país.


A discussão da TV digital no Brasil desencadeou uma guerra comercial entre os fabricantes das tecnologias européia (DVB) e japonesa (ISDB).


A disputa começou a partir do momento em que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, manifestou-se favorável ao sistema japonês, em meados do segundo semestre. A Folha divulgou, em março, que o governo já se definiu pelo sistema japonês -falta anunciar.


Segundo os diretores da Philips, as projeções de empregos e de exportações foram feitas considerando que a América Latina (à exceção do México, que optou pela tecnologia norte-americana) acompanhará a decisão do Brasil.


Um capítulo à parte na disputa entre os fornecedores é a implantação de uma indústria de semicondutores. Os primeiros a se manifestarem nesse sentido foram os japoneses. Como o governo encampou a idéia, os europeus acompanharam a proposta.


Além da ST Microelectronics, a Philips afirma estar disposta a estudar a implantação da fábrica.


Japoneses e europeus oferecem linhas de crédito de US$ 500 milhões para financiar as emissoras de TV na implantação das redes digitais e abrem mão de royalties.


O consultor do padrão japonês ISDB de TV digital Yasutoshi Miyoshi diz que a linha de crédito já está aprovada pelo JBIC (Banco Japonês de Cooperação Internacional) e poderá ser ampliada.


Os dois sistemas concorrentes prometem transferir tecnologia aos brasileiros e incorporar os aplicativos para a TV digital que foram desenvolvidos pelas universidades brasileiras.


De todas as promessas, a mais incerta é a da fábrica de semicondutores. ‘A fábrica é apenas uma possibilidade, porque ninguém assina um cheque US$ 2 bilhões [valor estimado do investimento] com apenas dois meses de discussão’, resume Miyoshi.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Mensalao.pdf


‘De ‘quadrilha’ para baixo, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, não engavetou e não poupou o verbo ao oferecer a denúncia contra a ‘organização criminosa’.


Mas ainda não foi desta vez que alguém tirou as aspas do ‘mensalão’. O site do Ministério Público Federal bem que tentou, à tarde, ao anunciar na home page:


– Mensalão: procuradoria denuncia 40 pessoas.


A reportagem do site, de sua parte, remetia à página com a íntegra, em pgr.mpf.gov.br/pgr/asscom/mensalao.pdf. Mas o próprio texto da denúncia, em PDF, era contido, com passagens como:


– … o que se denominou como ‘mensalão’… atualmente chamado de ‘mensalão’.


O próprio Antônio Fernando de Souza não ajudou, ao surgir no ‘Jornal Nacional’ dizendo que ‘a expressão ‘mensalão’ foi a denominação que se deu a um esquema’.


Daí a confusão por toda parte ontem na cobertura eletrônica, como no caso curioso do portal iG, cuja manchete de início usou aspas, depois tirou.


Bem mais significativa para a cobertura, é claro, foi a seleção dos nomes a ressaltar, entre 40. Fátima Bernardes, às 17h30, ao dar na Globo em primeira mão -até onde se pôde assistir-, escolheu quatro:


– O ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente da Câmara João Paulo.


O ‘JN’, depois, destacou Dirceu, Genoino, Delúbio e Silvio Pereira, ‘o núcleo’. O ‘Jornal da Band’, na escalada, Dirceu, Marcos Valério, Delúbio e Luiz Gushiken.


A Folha Online apontou, em sua home page, Dirceu e Gushiken. Outros sites noticiosos acrescentavam Valério e até Duda Mendonça.


De Lula, nada. Mas, como comentou de bate-pronto o blog de Fernando Rodrigues, no post ‘Ali Babá’:


– Não poderia ser mais sugestivo esse número, 40.


O site do Ministério Público Federal, na reportagem, tratou de sublinhar que ‘o procurador-geral explica que ofereceu a denúncia antes da conclusão do relatório da CPI para que não houvesse influência do debate político-partidário constante do relatório’.


A home page do Congresso em Foco, de outra parte, sublinhou que o procurador-geral ‘ofereceu denúncia ao Supremo dias antes da conclusão do relatório da CPI’.


Ainda assim, segundo o blog de Ricardo Noblat, Osmar Serraglio ‘não escondia a alegria nos corredores do Congresso’, dizendo que ‘a denúncia bate’, supostamente, com o texto de seu relatório.


Para registro histórico, o ‘Jornal da Record’ nem deu a denúncia ontem na escalada de manchetes.


E o enunciado da primeira manchete do ‘Jornal Nacional’, na Globo, foi:


– O procurador-geral da República denuncia 40 pessoas por envolvimento com o ‘mensalão’ e afirma que organização criminosa está por trás de esquema de pagamento para manter o PT no poder.


Globo News/Reproduçao


EMPURRA-EMPURRA O petista Eduardo Suplicy, a tucana Yeda Crusius e o pedetista Alceu Collares, entre outros, disputavam as câmeras na passeata em defesa da Varig, na praça dos Três Poderes, com direitoa ‘empurra-empurra’, segundo a Globo


Paixão


O UOL já faz discussão, como ontem em destaque na home, sobre ‘como fica’ o mercado financeiro ‘com os cenários Lula-Alckmin-Garotinho’.


E o Blog Brasil acrescenta que, ‘chocado com as pesquisas, o PSDB começou a se esforçar para fazer de Alckmin um político nacional’. Ele vai ocupar 70% dos comerciais do mês, nos Estados sem candidato tucano a governador.


E o blog da Agência Nordeste diz que ele decidiu assistir à Paixão de Cristo em Pernambuco, depois de amanhã.


Esquisito


O choque do Datafolha levou blogs de oposição a especular com o Sensus -a ponto de um deles, o Alerta Total, adiantar com números o ‘quase empate entre Lula e Alckmin’.


Mas desde logo outros blogs, como o E-Agora, acharam os dados ‘esquisitos’.


Com o anúncio do Sensus, ‘largamente compatível com o Datafolha’, segundo o E-Agora, foi a vez de a blogosfera petista ironizar o ‘empate’.’


FSP CONTESTADA
Painel do Leitor


Duda Mendonça


‘‘Duda Mendonça não afirmou, em palestra na Ucsal (Universidade Católica de Salvador), que, ‘no momento certo’, vai ‘abrir a boca e dar a resposta’ às acusações que lhe foram dirigidas pela CPMI dos Correios (‘No momento certo, vou abrir a boca’, diz Duda’, Brasil, 8/4). Apenas reiterou o que vem dizendo: no momento oportuno e no foro adequado, ou seja, no curso de um eventual processo judicial, irá rebater todas as afirmações equivocadas feitas a seu respeito com as garantias da ampla defesa e do contraditório.’ Tales Castelo Branco, advogado de Duda Mendonça (São Paulo, SP)


Resposta do jornalista Luiz Francisco – As declarações, gravadas, foram dadas aos jornalistas assim que o publicitário chegou à universidade.


Tráfico e TV


‘Sem entrar no mérito da estranha teoria sociológica desenvolvida por Ferréz no artigo ‘Antropo(hip-hop)logia’ (‘Tendências/Debates’, 5/4), sobre o documentário ‘Falcão, Meninos do Tráfico’, gostaria de registrar que o autor da frase ‘vendo um irmão de cor falando como branco na caradura, compactuando com um dos programas televisivos (jornalísticos?) mais prejudiciais ao nosso povo’ foi recentemente estrela -e estava muito à vontade- do quadro ‘Brasil Total’, exibido no mesmo ‘Fantástico’, dirigindo adaptação da sua ‘literatura marginal para dramaturgia em TV’. A TV Globo, que se orgulha pela diversidade cultural que exibe, sempre buscando manifestações culturais fora dos chamados grandes centros, nem de longe quer se meter numa eventual e lamentável briga de ‘tribos’ do hip-hop. Mas talvez fosse o caso de Ferréz, que escreveu o ‘Manual Prático do Ódio’, tentar elaborar algo sobre o tema da inveja.’ Luis Erlanger, Central Globo de Comunicação (Rio de Janeiro, RJ)


CPMI


‘Em resposta a artigo publicado por mim em 24/3 (‘Tendências/Debates’), o deputado Onyx Lorenzoni ultrapassa limites (‘Injustiça monumental’, 4/4). Não me reunirei a ele nesse território. Do episódio, resta o seguinte. 1) É verdade que o ‘gancho’ que usei para meu artigo, em que criticava uma das sugestões do sub-relatório à CPMI dos Correios, de autoria do deputado, se baseou em noticiário da imprensa que se revelou impreciso. 2) Contudo o deputado procura inverter responsabilidades quanto a isso. A iniciativa de uma eventual submissão de minuta de seu sub-relatório a interlocutores, quaisquer que fossem, caberia a ele como autor, e não a possíveis interessados. 3) A proposta que originou minha crítica não fere a questão fundamental do loteamento do Estado. Propõe-se a redução das nomeações no atacado, o que atingirá funcionários de baixo escalão, mas manterá incólumes aqueles nomeados para ocupar cargos de responsabilidade. São essas pessoas que montam e gerenciam as quadrilhas, partidárias ou não, que assaltam o dinheiro público. 4) A Sub-relatoria de Normas era a mais importante da CPMI, e não é porque um dos pontos do relatório resultante é vulnerável a crítica que o conjunto das medidas propostas perde relevância. Mas as propostas serão debatidas, e críticas serão formuladas, não obstante a contrariedade do deputado.’ Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil (São Paulo, SP)


BMG


‘No dia 8/4, esta seção publicou resposta do repórter Rubens Valente à carta de Marcio Alaor de Araújo, vice-presidente-executivo do Banco BMG, que continha esclarecimentos relevantes à operação de cessão de crédito para a Caixa Econômica Federal. Na última frase, o jornalista afirma que, ‘para os auditores, a CEF poderia ter lucrado muito mais’. A bem da verdade, o TCU, conforme largamente noticiado, inclusive por esta Folha em 12/1/2006, jamais produziu qualquer relatório definitivo sobre o tema. Tudo o que foi publicado pela imprensa refere-se a uma representação do TCU emitida em dezembro de 2005. A título de esclarecimento, encaminho em anexo parecer do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega em que é afirmado que a CEF ganhou R$ 355 milhões, o correspondente a um lucro adicional de R$ 60 milhões acima do custo de oportunidade. Esse é o valor que excedeu se os recursos estivessem aplicados em CDI (Certificado de Depósito Interbancário), a referência do mercado financeiro. Portanto a operação de cessão de crédito do BMG para a CEF foi extremamente lucrativa, ‘não se identificando qualquer benefício para o BMG que possa ser considerado incomum’, conforme parecer de Maílson da Nóbrega. Em função do exposto, reiteramos que a operação foi absolutamente legal e seguiu todas as normas do mercado e colocamo-nos à disposição do jornalista para quaisquer esclarecimentos.’ Coriolano Gatto , banco BMG (Belo Horizonte, MG)


Resposta do jornalista Rubens Valente – A resposta anterior já destacava que o assunto continua sob exame no TCU. O missivista deixou de informar que o parecer do ex-ministro foi requisitado pelo próprio BMG.’


TELEVISÃO
Folha de S. Paulo


Procurador do Cade sugere multa à Globo


O procurador-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Arthur Badin, recomendou que as Organizações Globo sejam multadas por não fornecerem os canais SporTV e SporTV2 às concorrentes de TV por assinatura da Net, da qual a Globo é acionista. Os conselheiros do Cade julgarão o caso.


Ao se manifestar no processo administrativo que a Associação NeoTV (cooperativa de 54 empresas de TV por assinatura) abriu contra a Globosat, em 2001, Badin afirmou que a empresa prejudica a concorrência, ao restringir a veiculação dos jogos do Campeonato Brasileiro às afiliadas do sistema Net.


Por entender que a transmissão de futebol é essencial para a viabilização de canais esportivos e do próprio serviço de TV por assinatura, Badin propôs que a holding das Organizações Globo e a Globosat sejam punidas com multa de 30% do faturamento de 2000 (ano anterior à instauração do processo administrativo) e proibidas de contratar empréstimos em bancos oficiais por cinco anos.


Recomendou ainda que elas sejam obrigadas a comercializar os canais SporTV e SporTV 2, assim como o sistema pay-per-view em condições não-discriminatórias para todas as operadoras de TV por assinatura do país.


O diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, diz que os clubes serão os mais afetados se o entendimento do procurador prevalecer, pois perderão receita.


Também diz discordar da tese de que a exclusividade prejudica a concorrência no mercado.’


Daniel Castro


Globo lança sorteio para faturar R$ 120 mi


‘A Globo lança no próximo domingo a promoção ‘Seleção do Faustão’, que até o final da Copa do Mundo irá sortear 2.006 prêmios. A promoção marca o retorno da Globo aos telessorteios, suspensos após a Copa de 1988 com a proibição do sistema 0900.


A Globo, desta vez, utilizará apenas telefones celulares, por meio do chamado Serviço de Valor Agregado (SVA). Do ponto de vista jurídico, a Globo irá vender conteúdo para celular e o comprador concorrerá a prêmios pela TV _casas, carros, TVs de plasma, computadores e celulares.


Para participar da promoção, o dono de telefone celular terá de mandar uma SMS (mensagem de texto curta via telefonia móvel) para sua operadora (todas participarão). Pagará R$ 4 por um pacote de dez notícias sobre Copas, enviadas pela Globo para seu celular durante uma semana. E concorrerá até o final da Copa a sorteios, nos intervalos da Globo, realizados por Fausto Silva (titular), Cissa Guimarães e Luigi Barricelli.


A Globo, modestamente, espera receber cerca de 30 milhões de ligações até 4 de julho. Isso dará uma receita bruta de R$ 120 milhões, que a ajudará ter lucro com o Mundial da Alemanha.


A emissora pagou à Fifa US$ 76 milhões pela Copa de 2006, que transmitirá sozinha na TV aberta. Entre publicidade e promoção, pode atingir um faturamento líquido de quase R$ 500 milhões, tornando o evento lucrativo.


OUTRO CANAL


Guerra santa 1 A Igreja Católica portuguesa reagiu à entrada da Record na TV Cabo, a maior operadora de TV paga de Portugal, no lugar de canal da Globo. A Record lusitana transmite a programação comercial da Record (novelas, variedades) mais nove horas diárias de programas da Igreja Universal do Reino de Deus.


Guerra santa 2 Dom Jaime Ortiga, presidente da Confederação Episcopal, defendeu ao jornal ‘Correio da Manhã’ a criação de um canal católico. Já dom Januário, bispo das Forças Armadas, declarou guerra: ‘O aparecimento da TV Record é muito desagradável. Já temos tantos exemplos de má cultura em Portugal. Espero que não tragam para cá determinadas formas de primitivismo religioso’.


Avanço Aqui no Brasil, as emissoras da Igreja Universal foram agraciadas no ‘Diário Oficial da União’ de ontem com três novas retransmissoras. A Record do Rio levou um canal em Três Rios. E a Rede Família (a terceira rede da Universal; a segunda é a Rede Mulher) ganhou um em São Carlos (SP) e outro em Salvador.


Passaporte Jorge Kajuru viaja na semana que vem para a Europa. Entrevistará os dois Ronaldos, Kaká, Robinho e Adriano para seu ‘Jogo Duro’ (SBT), numa parceria com a agência Top Sports.


Rojão Festa na Record. O local ‘São Paulo no Ar’ ficou três minutos ontem de manhã empatado no Ibope com o ‘Bom Dia Brasil’.’


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O Globo


Quarta-feira, 12 de abril de 2006


CASO SUZANE
Artur Xexéo


Quando a estratégia de marketing dá errado


‘Dois assuntos prenderam a nossa atenção no fim da semana passada e no começo desta: a divulgação do Evangelho de Judas e a entrevista de Suzane von Richthofen. Os dois eventos têm mais em comum do que a gente poderia supor num primeiro momento. Os dois chegaram com força na… hummm… mídia com o mesmo objetivo: vender um produto. O primeiro vendia um programa de televisão e todos os seus futuros derivados, como revistas, livros, DVDs… O segundo vendia uma nova imagem para a ré confessa que chocou o país ao ser acusada de participar do assassinato dos pais com requintes de violência. Os dois usaram a imprensa com as técnicas de uma produtora de cinema, de uma grande editora de livros, de uma multinacional do disco. A idéia era, em determinado dia, aquele ser o único assunto que interessa. Assistir ao programa da National Geographic sobre o Evangelho de Judas ou acompanhar a entrevista de Suzane no ‘Fantástico’ passou a ter a mesma importância de ir ao cinema, logo no primeiro fim de semana de exibição, assistir a ‘Irma Vap ‘ ou a ‘V de vingança’. São os filmes que se têm que ver, a reportagem que se tem que ler, a entrevista a que se tem que assistir.


Sinceramente, todo o estardalhaço provocado com a ‘descoberta’ de que Judas não teria traído Jesus, mas apenas seguido as Suas ordens, ficou meio assim comprometido quando, 24 horas depois de os jornais abrirem muito espaço para a ‘revelação’, o canal a cabo da National Geographic já anunciar a exibição de um programa especial sobre o ‘acontecimento’. Ficou a desagradável impressão de que tudo era anúncio para o verdadeiro negócio: os direitos exclusivos da National Geographic sobre o assunto.


Quanto à entrevista de Suzane, os advogados da moça erraram na dose. É ingenuidade imaginar que ela seja a primeira ré a ser orientada por seus defensores a chorar, a mentir ou a bancar a perturbada. O problema é que os tais advogados foram tão arrogantes que não se deram conta de que a artimanha poderia ser flagrada pela TV. Suzane perdeu a chance de bancar a boa moça só para o júri. Querendo convencer um país inteiro, ela acabou reforçando a imagem de criminosa, da qual vai ser difícil se livrar até o julgamento.


As mesmas armas que fazem vender – como as usadas pela National Geographic – podem transformar o produto em fracasso retumbante – como no caso de Suzane e seus advogados trapalhões.


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Mudando de assunto, mas permanecendo entre as estréias da semana passada, ‘Minha nada mole vida’, a nova sitcom criada pela dupla Alexandre Machado e Fernanda Young para o comediante Luiz Fernando Guimarães, foi um tantinho decepcionante. E reforçou a idéia de que o casal de roteiristas tem um prazer quase infantil de rechear seus diálogos com excesso de palavrões. Para quê?


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Não sei se no cinema também é assim, mas, nas fotos de divulgação de ‘Irma Vap’, Marco Nanini está a cara da Renata Fronzi.


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Quem leu a coluna de 22 de março sabe que ela foi sobre o DVD do filme ‘À meia luz’ e que nela havia uma referência à montagem teatral carioca, com o título ‘Luz de gás’ e Wanda Lacerda como protagonista. Quem leu a coluna do último domingo sabe que um leitor de 77 anos, Léo Leal, corrigiu o colunista lembrando que a peça era com Maria Sampaio e Rodolfo Mayer. Pois volta tudo ao jeito que era antes, já que chegou a mensagem da leitora Mercedes Mathias:


‘Eu tenho 60 anos e também assisti no teatro àquela maravilha que foi ‘Luz de gás’. Foi há muito tempo, é verdade, só que a peça era mesmo com a maravilhosa Wanda Lacerda (lembra da voz dela, não era um arraso?) e com o inesquecível Paulo Padilha, soberbo, inconfundível e marcante, como em todos os seus papéis. O teatro era o Dulcina, na Rua Alcindo Guanabara, nas imediações do que os cariocas chamam de Cinelândia.’


Bem, tudo indica que houve duas montagens de ‘Luz de gás’ no teatro carioca: a primeira, com Maria Sampaio e Rodolfo Meyer; a segunda, com Wanda Lacerda e Paulo Padilha. E não se fala mais nisso.


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Ainda sobre as colunas passadas, a leitora Erika Albertassi Cepeda não se conforma de eu ter confundido a música indiana que abre o filme de Spike Lee ‘O plano perfeito’ com uma música árabe. ‘Tudo bem que a música do filme confunde’, diz ela. ‘Mas percebemos que nela não existem os famosos sons dos snujs , existentes em quase todas as músicas árabes.’ Moral da história: fique sempre atento aos snujs .


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Como vocês já devem ter percebido, ‘Um casal admirável’, o primeiro filme da trilogia de Lucas Belvaux, não estreou na sexta-feira passada, como este colunista tinha anunciado com estardalhaço. No entanto, é certo que, nesta sexta-feira, estreará ‘Em fuga’ no circuito Estação. E os outros dois filmes estarão em pré-estréia. Isto é, vai dar para ver os três na mesma semana.’


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 12 de abril de 2006


TV DIGITAL
Renato Cruz


Brasil discute, no Japão, últimos pontos da TV digital


‘A delegação de ministros brasileiros trabalha para consolidar, com o governo local, a proposta do Japão para que seu sistema seja adotado na TV digital brasileira. Faltam poucos pontos. O principal é um compromisso concreto de investimentos na área de semicondutores no Brasil. ‘Construir um ecossistema de microeletrônica no País é um condicionante forte’, afirmou Jairo Klepacz, secretário de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A agenda oficial começa hoje na capital japonesa.


A comitiva é formada pelos ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Hélio Costa (Comunicações). Até ontem à noite, Costa não tinha chegado ao Japão.


Também participam Klepacz, André Barbosa Filho (Casa Civil), Augusto Gadelha (Ciência e Tecnologia), Roberto Pinto Martins (Comunicações) e Edmundo Machado de Oliveira (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Os dois últimos chegariam hoje.


O embaixador do Brasil em Tóquio, André Amado, disse que não está prevista, durante a visita, a assinatura de nenhum documento pelos países. ‘Mas não quer dizer que não acontecerá’, completou.


O ministro Celso Amorim afirmou que o objetivo é negociar: ‘Muitas coisas já foram entendidas, e agora precisam ser fixadas de forma mais clara’. A idéia é consolidar tudo o que foi conversado sobre o tema nos últimos meses.


É consenso hoje no governo que os japoneses, com seu sistema ISDB, apresentaram as melhores propostas para a TV digital. Ainda é preciso colocar tudo o que foi falado num documento, o que, se tudo correr bem, deve acontecer por aqui.


Sobre a Europa, com seu sistema DVB, a avaliação é que os esforços não foram tão bem coordenados. Numa reunião em Brasília, um representante da fabricante européia de semicondutores ST Microelectronics chegou a falar que, para ele, não importava qual padrão o Brasil iria adotar, pois era capaz de fazer chips para todos.


Os americanos, com seu ATSC, não conseguiram incluir um fabricante de semicondutores na sua proposta.’


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Governo não quer dar idéia de que cedeu às pressões


‘Para o governo brasileiro, é importante conseguir para o País uma fábrica de semicondutores no processo de decisão da TV digital por dois motivos. Primeiro, para reduzir as importações, que somaram US$ 2,9 bilhões em 2005. Segundo, para não parecer que simplesmente cedeu às pressões dos radiodifusores, caso escolha o padrão japonês ISDB, o preferido das emissoras de TV.


O Brasil estuda oferecer incentivos para quem quiser instalar uma fábrica local, que podem incluir financiamento, treinamento de pessoal, redução de impostos, reforço na logística e garantia de prazos no desembaraço alfandegário. ‘Tem de ter visão de mercado’, disse Jairo Klepacz, do Ministério do Desenvolvimento. ‘Isso merece um plano de negócios, por meio de estudos internos e externos.’ A idéia é voltar a falar com os europeus, depois da viagem ao Japão.


Os ministros brasileiros devem se encontrar hoje com o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, e com os ministros Toshihiro Nikai (Economia, Comércio e Indústria) e Heizo Takenaka (Assuntos Internos e Comunicações).’


Gerusa Marques


Europeus querem tratamento igual ao dos japoneses


‘Europeus envolvidos na escolha da TV digital ainda não desistiram de levar também para a Europa a delegação de ministros em viagem ao Japão, negociando a instalação no Brasil de uma fábrica de semicondutores. Com os principais interlocutores do governo fora do Brasil, o assunto está em compasso de espera tanto no Palácio do Planalto quanto entre os concorrentes do sistema japonês: europeus e americanos.


A idéia de visitar governos e fábricas na Europa foi apresentada ao governo brasileiro pelo embaixador da União Européia no Brasil, José Pacheco, no mês passado, logo após o ministro das Comunicações, Hélio Costa, ter anunciado a viagem ao Japão. O ministro Luiz Fernando Furlan, que também está no Japão, é um dos que defendem a ida à Europa, mas ainda não há garantia de que a viagem ocorrerá realmente.


Interlocutores das empresas que compõem a Coalizão DVB Brasil (Philips, Nokia, Rhode&Schwarz, Siemens, ST Microelectronics e Thomson), que defende a adoção do modelo europeu, disseram que, além da sugestão do embaixador, convites já foram encaminhados às autoridades brasileiras por governos de países onde estão instaladas as principais fábricas, como a França e a Holanda. Eles esperam a manifestação formal do governo brasileiro, mas a expectativa deles é de que a viagem possa acontecer no fim deste mês ou no início de maio.


A holandesa Philips e a franco-italiana ST Microelectronics, inclusive, já manifestaram ao governo brasileiro a intenção de instalar no Brasil uma fábrica de semicondutores. Mas as companhias condicionaram a proposta a estudos de viabilidade econômica, que levam cerca de um ano para serem concluídos, mesmo prazo previsto anteriormente pelos japoneses.


Para que a viagem ocorra, ela tem de ser autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que escalou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para chefiar a comitiva que está no Japão.’


INTERNET
Kate Hilpern


Blogs se transformam em cartas de demissão


‘A culpa foi do Diário de Bridget Jones , romance de Helen Fielding de 1996. Jennifer Grey, uma mulher de 30 e poucos anos da Inglaterra, com um dom para escrever coisas engraçadas, inspirou-se no livro e começou a escrever seu próprio blog, ou diário na internet.


Mas ela quase não riu por último. Grey (não é seu nome verdadeiro) percebeu que, se não parasse, seria uma questão de tempo até seu patrão – mencionado de maneira pouco lisonjeira na blogosfera – descobrisse. ‘Senti que havia uma possibilidade muito real de perder o meu emprego, e este era um risco que eu não podia assumir.’


Os blogueiros aprenderam essa lição da maneira mais dura. Na semana passada, uma ação judicial foi movida contra uma ex-assessora do Senado americano cujo blog explícito e efêmero sobre relações com autoridades de Washington incomodou raposas políticas. Jessica Cutler está sendo processada por invasão de privacidade por um ex-consultor jurídico de um senador republicano de Ohio. Ela foi demitida em 2004, quando seu diário apareceu num popular blog de fofocas de Washington.


Outros trabalhadores americanos perderam o emprego por manterem blogs. A Delta Airlines demitiu a comissária de bordo Ellen Simonetti – mais conhecida como ‘Rainha do Céu’ – por colocar fotos ‘impróprias’ dela mesma com o uniforme da empresa no blog. No Google, um programador iniciou um blog poucos dias depois de começar no emprego, indicando que o plano de saúde da gigante de internet era bem pouco generoso, e que a comida grátis oferecida era apenas uma isca para se trabalhar depois da hora do jantar.


Voltando à Grã-Bretanha, os empregadores estão reagindo de maneira parecida. O exemplo mais conhecido é o da cadeia de livrarias Waterstones. No ano passado, Joe Gordon foi demitido por descrever seus empregadores como ‘Bastardones’ (trocadilho com o nome da loja) e seu supervisor como Mau Patrão.


Mas, longe de aniquilar o desejo das pessoas de colocar detalhes de suas vidas, inclusive do trabalho, na internet, tudo indica que isso está causando o efeito contrário. Hoje, há quase 30 milhões de blogs, segundo o site especializado em blogs technorati.com, e outros 70 mil são criados todos os dias.


Já os empregadores tendem a ser menos simpáticos aos blogs: uns se preocupam com a possibilidade de seus empregados revelarem informações confidenciais da empresa; outros, com as pessoas dizerem coisas impróprias sobre seus colegas ou patrões.


‘Os empregados blogueiros às vezes escrevem sem pensar, especialmente pela natureza informal do blog’, diz Ben Wilmott, do Chartered Institute of Personnel and Development da Grã-Bretanha.


Muitas companhias reagem proibindo seus funcionários de escreverem blogs ou, pelo menos, de mencionar o nome do empregador ou algum detalhe identificador em seus blogs. Mas Wilmott considera isso contraproducente.


‘Os empregadores precisam encontrar um equilíbrio entre o respeito às liberdades e à privacidade do empregado e a proteção dos interesses da empresa’, diz. A Microsoft encoraja seus funcionários a escreverem blogs, mesmo porque muitos acabam promovendo os produtos da empresa.’


TELEVISÃO
Adriana Del Ré


Metrópolis pode virar semanal


‘O programa Metrópolis, da TV Cultura, completou 18 anos, no dia 4, com grandes chances de passar de diário para semanal. Quem confirma essa informação é o próprio diretor do programa, Hélio Goldsztejn. ‘Mas haverá edições diárias, mais curtas, enquanto o programa semanal deverá ter uma hora de duração.’


Segundo ele, essa mudança se atribui unicamente a uma reforma na grade, que vai se estender para o restante da programação da Cultura. Goldsztejn ainda não sabe ao certo como serão planejadas as edições diárias e a semanal do Metrópolis, mas acredita que esta última será mais elaborada.


Hoje, será realizada uma festa no próprio estúdio da Cultura para comemorar a maioridade do programa, com transmissão ao vivo a partir das 21h40. É esperada a presença de artistas plásticos, cantores, atores, jornalistas e pessoas ligadas ao cenário cultural. Além disso, haverá a participaçã o dos grupos Barão Vermelho, Funk como le Gusta, do cantor Cauby Peixoto, do rapper BNegão e da dupla de instrumentistas Duofel.


Enquanto o Metrópolis especial estiver no ar, a artista plástica Maria Bonomi e a dupla de irmãos grafiteiros Gêmeos criarão uma grande obra de arte ao vivo. Na ocasião, estará em exposição parte da Coleção Metrópolis de Arte Contemporânea, cujo acervo atualmente conta com mais de cem obras. São peças doadas por artistas plásticos para a Fundação Padre Anchieta durante estes 18 anos e grande parte delas compôs o cenário do programa.


Foi anunciada ainda a criação do Prêmio Metrópolis de Cultura. O troféu-escultura leva a assinatura da artista Tomie Ohtake. ‘Vamos premiar as áreas de teatro, cinema, artes plásticas, dança e MPB.’ A premiação só deve ser realizada no segundo semestre.’


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Revista Imprensa


Edição 211, abril de 2006


COMUNICAÇÃO CORPORATIVA
Paulo Nassar


Relações públicas para bilionários


‘Uma das primeiras e principais alavancas no trabalho de limpeza de imagem com o uso de conceitos modernos de Relações Públicas, feito por jornalistas, foi para os chamados ‘barões ladrões’ norte-americanos. Os ‘robbers barons’, apelido dado pela imprensa no final do século XIX a um grupo de industriais abonados, que se esmeravam em construir, com a ajuda de políticos corruptos, monopólios nas áreas das finanças, do petróleo, transporte ferroviário, mineração, entre outros negócios dourados.


Mark Twain, em seu livro ‘The Gilded Age’, senta a pena e a pua em um país que se distanciou das idéias de seus fundadores e de gente como Tocqueville e chegou, aos anos 1990, marcado por forte concentração de riquezas. Os comunicadores empresariais da época, entre eles o jornalista Ivy Lee, considerado o pai das Relações Públicas, receitaram primeiramente uma mudança radical no comportamento dos empresários, fustigados pela irada opinião pública do EUA. Germinaram, daí, as sementes da Responsabilidade Social Corporativa, com o objetivo de conquistar a simpatia da sociedade. Por influência direta de Lee, foram criadas as instituições filantrópicas dos Guggenheim e dos Rockefeller. O melhor exemplo da eficácia dessa engenharia de imagem foi a transformação do ‘ganancioso’ John D. Rockefeller em um amável ancião, patrono de inúmeros programas sociais. A versão moderna de empresário benemérito é do conhecido Bill Gates, dono de uma fortuna estimada em 50 bilhões de dólares, segundo ranking 2005 da revista Forbes (divulgado em março de 2006). Gates colocou nos últimos anos cerca de 29 bilhões de dólares na Fundação Bill & Melinda Gates, cujo foco são programas de combate de doenças infecciosas como malária, hepatite B e Aids, em continentes como a África. Como resultado de construção de imagem, em 2005, Bill e Melinda Gates, juntamente com o roqueiro Bono, foram escolhidos e estamparam a capa da tradicional revista Times, na edição que consagrou as Personalidades do Ano.


A revista americana Forbes, no seu tradicional e anual ranking de fortunas, trouxe, em 2006, entre os cinco homens mais ricos do mundo, o mexicano Carlos Slim Helú, detentor de estimados 30 bilhões de dólares e se destaca por ser colecionador de arte, com esculturas de Rodin no Museu Soumaya, nome de sua esposa. O Brasil não fez feio nesta edição da lista da Forbes, ao dobrar o número de participantes nativos. Assim, entre os atuais 793 bilionários no planeta, marcam presença 16 nomes brasileiros: os principais acionistas de empresas como Banco Safra, CSN, Gol, InBev, Natura, Pão de Açúcar e Votorantim. Os brasileiros nesse ranking da concentração de riqueza põem em xeque o discurso descentralizador de riqueza, baseado em ações de Responsabilidade Social. Muitos formadores de opinião, que ainda têm o hábito matutino de ler os jornais e comparar notícias, por certo, gostarão de ter em mãos, quais são os números e resultados, com muita transparência, dos programas dessas empresas em suas comunidades e no país, que tem a maior concentração mundial de helicópteros e de Ferraris.


Este parece ser um bom problema de Comunicação Empresarial e Relações Públicas para os Ivy Lee tropicais mostrarem a sua competência.


*Paulo Nassar é professor da ECA-USP.’


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