Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 7/10

Governo pesquisa modelos de regulação de mídia na Europa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 07/10/2010 na edição 610


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 7 de outubro de 2010


 


REGULAÇÃO


Na Europa, Franklin trata de regulação da mídia


O ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação) viajou ontem para a Europa para conhecer modelos de regulação da mídia e para convidar instituições a participarem, em novembro, de seminário sobre o tema.


Franklin visitará hoje a Agência Reguladora Independente para as Indústrias de Comunicações do Reino Unido, em Londres, e amanhã irá a Bruxelas para reunião na Comissão Europeia.


O ministro está organizando o Seminário Internacional Marco Regulatório da Radiodifusão, Comunicação Social e Telecomunicação, ainda sem data e local definidos.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer enviar até dezembro ao Congresso uma proposta de marco regulatório dos serviços de telecomunicação e radiodifusão.


Os principais eixos são o marco regulatório da internet, direitos autorais, legislação geral para a comunicação pública e o marco regulatório para o setor de comunicação no país.


 


 


COBERTURA ELEIÇÕES


Caderno de eleições volta a ser publicado no fim da campanha


O caderno especial que acompanhou a cobertura eleitoral da Folha voltará a ser publicado na reta final da campanha, no fim deste mês.


Além do segundo turno presidencial, entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), haverá pleito para a definição do novo governador em oito Estados e no Distrito Federal.


Os Estados de Alagoas, Amapá, Goiás, Paraíba, Piauí, Rondônia, Roraima e Pará terão votação no dia 31.


Os colunistas que colaboraram no caderno de eleições seguirão escrevendo no caderno Poder -a exceção é José Simão, que retorna às páginas da Ilustrada. A seção ‘Corrida Eleitoral’ passa a ser semanal.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


A nova face


Sob o título ‘Banco Mundial saúda a recuperação latino-americana’, o ‘Financial Times’ destaca que é ‘o mais recente a se juntar ao coro’, com o relatório ‘A Nova Face da América Latina’. Ano que vem, diz o banco, ‘liderada pelo Brasil’, a região terá retomado o terreno perdido na crise. Já o Terra deu a manchete ‘É cedo para América Latina cantar vitória’, ouvindo economista do Banco Mundial. Mas ele anota que o Brasil reagiu ‘com velocidade impressionante’.


Na mesma linha, via Bloomberg, o Barclays soltou relatório avaliando que o país está para se ‘graduar’ do grupo emergente ao ‘grupo desenvolvido’. Já a consultoria Spiro alertou no ‘FT’ que ‘o Brasil está suficientemente estabelecido no palco global para ser julgado pela capacidade de apresentar crescimento’ e aconselha ‘mais cautela’ aos investidores.


//CONTRA A CORRENTE


Manchete no G1, ‘No segundo dia do novo IOF, dólar sobe’, contra a tendência internacional. Do Valor Online, ‘Compras prevalecem e dólar sobe a R$ 1,68’. O primeiro creditou à ‘ampliação no limite de compras de dólar pelo Tesouro’ decidida ontem. O segundo ouviu, de um executivo financeiro, que ‘a tarefa do governo é ingrata’, pois luta contra com o baixo crescimento nos desenvolvidos -e o Brasil é o emergente com grau de investimento que paga o maior juro.


A Reuters Brasil destacou que Dilma Rousseff, de volta à campanha, apoiou as ações do governo. Mas afirmou que a ‘crise profunda nos países desenvolvidos’ só pode ser ultrapassada pelo Brasil com reforma tributária e ‘melhoria do endividamento público’.


//MAIS GUERRA CAMBIAL


Manchete no site do ‘Wall Street Journal’, ‘EUA e China ampliam sua briga sobre yuan’, a moeda chinesa. O ‘New York Times’ foi mais contido, dizendo que o secretário ‘Geithner conclama à cooperação global sobre câmbio’.


No estatal ‘China Daily’, por outro lado, o primeiro-ministro ‘Wen cobra tratamento justo sobre yuan’. Na manchete on-line do ‘FT’, ‘Wen avisa contra pressão sobre yuan’. Logo abaixo, a ameaça de que a valorização forçada traria ‘desastre para o mundo’. Pequim respondia às críticas da União Europeia, que se juntou aos EUA.


Ainda não O ‘FT’ publica hoje o editorial ‘Nem tudo está calmo no front cambial’. Diz que a guerra denunciada pelo ministro Guido Mantega ‘ainda não começou’, apesar das intervenções de Japão e outros. Mas ‘a perspectiva de nova rodada do Reino Unido e dos EUA elevou as tensões’, podendo chegar a ‘conflito real’. E culpa ‘em grande parte’ a China.


Rumores Em coluna, o ‘WSJ’ diz que, ainda ‘retórica’, uma ‘guerra cambial de verdade’ só viria em 2011.


E o site da ‘Economist’ duvida dos ‘rumores de guerra’, mas, para o caso de ‘virar coisa mais séria’, já avalia que ‘o caminho para o qual estamos seguindo’ é mesmo o de restringir capitais -como na ‘tentativa modesta do Brasil’.


‘A TODO VAPOR’ Abrindo foto na capa, sob o título ‘Espigões na Amazônia’, o ‘Valor’ deu ontem que os pilares da barragem de Jirau já alcançam 50 metros, com as obras ‘em ritmo frenético, com 33 mil operários’


//PETROBRAS EM CAMPANHA


Em destaque no Google News, a France Presse deu que Lula lança hoje uma ‘nova geração de plataformas de petróleo’.


Já em portais como iG e blogs como Radar, o senador eleito Aécio Neves declarou que a ‘campanha de Serra deve defender privatizações de FHC’.


Por outro lado, Valor Online e outros destacaram ‘a aceleração da queda das ações da Petrobras, que despencaram 4%’.


//ABORTO EM CAMPANHA


O francês ‘Le Monde’ publicou que, ‘No Brasil, os cristãos conservadores fazem campanha contra Dilma Rousseff’, que se vê ‘questionada por ser favorável à legalização’.


E o ‘WSJ’ publicou que a ‘campanha de internet sobre aborto’ e sua repercussão ‘marcam a primeira vez em que a crescente comunidade evangélica vira o foco de uma eleição nacional’. Para um professor da PUC-SP, ‘eles agora têm os números para influenciar os grandes debates’.


 


 


REFORMA


Canadense ‘Globe and Mail’ investe em impressão colorida e com brilho


O ‘Globe and Mail’, diário canadense de maior circulação, estreou sua reforma gráfica na última sexta-feira. O editor-chefe, John Stackhouse, definiu a reforma como ‘a mais significativa’ nos 166 anos de história do jornal.


Agora o jornal é 100% colorido e é o primeiro a ter páginas com brilho, como em uma revista. Para isso, fechou um contrato de 18 anos e 1,7 bilhão de dólares canadenses (R$ 2,8 bilhões) com a gráfica Transcontinental.


A reforma tenta diferenciar mais claramente o impresso da versão on-line, que também foi reformulada para melhorar a navegação e a funcionalidade do website.


Mas as mudanças não são somente gráficas. O jornal também anunciou que vai publicar mais reportagens ao estilo de revista e que vai investir em boas fotos e infográficos.


Apesar de a aposta vir em um momento em que se discute o futuro do jornal impresso, o ‘Globe and Mail’ acredita no formato.


‘Para alguns, a era digital parece pronta para enterrar o impresso. O redesenho do ‘Globe’, longe de expressar qualquer perda de confiança em nosso meio original, comemora os seus pontos fortes, sua beleza e textura’, afirmou em editorial do dia 30 de setembro.


A seu favor, o ‘Globe’ tem as estatísticas: no último ano, a tiragem cresceu 5% em dias de semana e 6% em fins de semana, e o faturamento teve alta de 10%.


O tráfego on-line também cresceu (20%), bem como o por celular (500%). Porém, segundo dados da revista ‘Toronto Life’, a receita com publicidade da versão virtual representa apenas 15% da gerada no impresso.


Segundo pesquisa do departamento de estatísticas da mídia canadense, divulgada no começo do ano, o ‘Globe’ tem, em média, 1,1 milhão de leitores diários na semana.


 


 


TECNOLOGIA


iPad vira eletrônico de maior adesão no mercado americano


O iPad, da Apple, já é o eletrônico com a maior adesão nos EUA, segundo o Bernstein Research.


Estimativas do instituto indicam que foram vendidos 4,5 milhões de unidades de julho a setembro, superando a marca de 3,27 milhões entre seu lançamento (em abril) e junho.


O iPhone vendeu 1 milhão de aparelhos no trimestre de estreia, em 2007, e o DVD, de 1997, levou um ano para atingir 350 mil unidades.


Ainda segundo o instituto, nesse ritmo, o iPad deverá ultrapassar os consoles de games e celulares firmando-se como o quarto eletrônico em vendas nos EUA. Atualmente, televisores, smartphones e notebooks são os três campeões.


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos


Em ‘Passione’, Diana morre com tiro e Fred, em explosão


O tão alardeado assassinato de ‘Passione’ (Globo) vai ao ar nesta segunda. O autor da novela, Silvio de Abreu, conta à Folha que, para manter o mistério, foram escritas e gravadas cinco cenas.


Ele afirma ter sido ‘proibido pelo site da novela’ de divulgar todas as possibilidades, então revela detalhes de três opções para o crime que movimentará a trama.


Segundo o autor, Diana (Carolina Dieckmann) morre com um tiro em casa. Além dela, a quem internautas chamam de chata e torcem por sua morte, Abreu ‘matou’ vilões. ‘Saulo (Werner Schünemann) é achado morto num motel e Fred (Reynaldo Gianecchini), assassinado na explosão de seu carro na garagem da Gouveia’, conta.


‘Não fiz isso para criar especulação junto ao público ou escolher de última hora quem será a vítima. Não trabalho assim’, diz Abreu.


‘A vítima está definida desde a sinopse e não será modificada. Quero preservar o prazer do telespectador. Como fã de suspense, acho de imenso mau gosto e falta de respeito com o público que se divulgue antes, uma vez que um dos prazeres é tentar adivinhar quem será.’


CHORORÔ


Karina (Juliana Baroni) chora no colo de sua mãe, Célia (Mônica Torres), por ter sido abandonada pelo noivo; no ar na segunda, em ‘Ribeirão do Tempo’ (Record)


Cantou de galo ‘A Fazenda’, o programa mais comentado atualmente depois da novela das oito da Globo, ficou em primeiro lugar anteontem no Ibope, com 17 de média.


Reforma agrária No horário do reality da Record, a Globo teve ‘Profissão Repórter’, com 11, e ‘A Cura’, com 15. A Band, com eliminação de um candidato no ‘Busão do Brasil’, marcou 1, unzinho (são dados preliminares da Grande SP, onde cada ponto equivale a 60 mil domicílios).


Paz e amor O Multishow diz ter tido problema na negociação com o Linkin Park e não transmitirá o show da banda no SWU, o ‘Woodstock’ de Itu, que começa sábado. O canal havia anunciado que exibiria a apresentação ao vivo.


Polêmica O Ministério da Justiça abrirá consulta pública neste mês para rediscutir critérios da classificação etária de programas de TV. Segundo o site Tela Viva, o anúncio foi feito anteontem, em encontro da União Brasileira de Vídeo.


Tio Glauco Agora que seu personagem morreu em ‘Araguaia’, a nova novela da Globo, Edson Celulari conta que vai tirar férias e ler textos de teatro, entre eles um musical. Escolherá um para produzir em 2011, ano em que também fará uma novela inteira.


Planos Danieli Haloten, a atriz cega que atuou em ‘Caras e Bocas’ (Globo), gravou entrevista no programa da Hebe (SBT), em que falou sobre a vontade de voltar a trabalhar na TV. Vai ao ar na segunda.


 


 


Vitor Moreno


‘30 Rock’ começa 5º ano na expectativa por episódio ao vivo


No primeiro episódio do quinto ano de ‘30 Rock’, Liz Lemon (Tina Fey) vive um desacerto com seu novo amor, que ameaça o futuro da relação do casal.


No fim da temporada anterior, ela parecia ter encontrado sua alma gêmea no bonitão Carol (Matt Damon). Agora, surge a primeira diferença importante entre eles, que aborrece Liz profundamente -se não quiser saber o que ocorre, pare de ler por aqui.


Ela está feliz com o formato de encontros eventuais, já que os dois se veem só quando piloto está na cidade. Mas Carol diz querer viver uma relação ‘mais adulta’.


Enquanto isso, Jack (Alec Baldwin) está às voltas com as mudanças que Avery (Elizabeth Banks) quer promover em sua casa e Jenna (Jane Krakowski) vira a nova produtora do ‘TGS’.


A temporada, que ainda não decolou em audiência, promete surpresas a partir do próximo dia 14, quando terá, pela primeira vez, um episódio exibido ao vivo nos EUA.


O especial não deve ser problema para um grupo que tem vários ex-integrantes do ‘Saturday Night Live’ e trará Liz furiosa porque todos esquecem seu aniversário.


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 7 de outubro de 2010


 


REGULAÇÃO


Franklin Martins colhe subsídios para regulação da mídia


Para conhecer os modelos de regulação da mídia na Europa, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, viajou ontem para Londres e Bruxelas. Além de manter contatos com entidades governamentais e não governamentais que tratam do assunto, Franklin vai fazer convites para que especialistas europeus participem, em novembro, do Seminário Internacional Marco Regulatório da Radiodifusão, Comunicação Social e Telecomunicação – agendado para os dias 9 e 10 de novembro.


O jornal O Estado de S. Paulo apurou ontem que o governo espera contar com a presença de especialistas de pelo menos dez países, além de representantes de entidades como a Unesco (órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


O seminário, segundo o governo, vai reunir subsídios para uma proposta de regulação da mídia que o Planalto pretende enviar ainda neste ano ao Congresso. Embora já esteja se preparando para a transição de governo, de acordo com assessores do Planalto ‘o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer encerrar o segundo mandato sem marcar posição numa área que tanto criticou’.


Nas últimas semanas do primeiro turno da campanha eleitoral, durante o escândalo do tráfico de influência envolvendo a Casa Civil da ministra Erenice Guerra, Lula chegou a dizer que a liberdade de imprensa não pode ser usada ‘para inventar coisas o dia inteiro’. A ministra foi demitida no dia 16 de setembro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


 


 


A IMPRENSA


Eugênio Bucci


O valor do pluralismo


Os recentes ataques contra os jornais disparados dos mais altos gabinetes da República – ataques devidamente rechaçados por jornalistas e empresas de comunicação – talvez nos façam perder de vista que há, sim, problemas graves na imprensa brasileira. É natural que, sob agressão de autoridades, editores e repórteres se unam para se defender e reafirmar sua liberdade. É natural, compreensível e até mesmo necessário. Isso não significa, porém, que os órgãos de imprensa não estejam, permanentemente, sob exame implacável – não do poder, mas do público. E que não tenham defeitos. Todos os dias o trabalho dos jornalistas passa pelo crivo da sociedade, que os julga sem coleguismo nem condescendência. Todos os dias surgem sinais de desconfiança, aqui e ali. Prestemos atenção a isso. Muito se diz que sem imprensa livre não há democracia, mas será que a nossa imprensa, hoje, está à altura dos desafios que pesam sobre a nossa democracia?


Jornalistas deveriam fazer-se essa pergunta diariamente. Principalmente agora, quando caminhamos para o segundo turno. Aliás, essa pergunta deveria ser afixada, em letras de mármore, em néon, em reluzentes letras garrafais, nas paredes de todas as redações. Em corpo menor, logo abaixo, poderiam vir outras indagações.


A imprensa tem sido capaz de esclarecer os pontos que interessam no debate eleitoral? Ela investiga, escuta, apura e checa as propostas de cada candidato com independência e honestidade? Ela compara? Ela ajuda o eleitor a comparar? Ela está a serviço de que o cidadão forme livremente o seu ponto de vista ou se move apenas com o propósito de doutriná-lo a favor de um ou outro lado? Quando assumem uma posição, as publicações deixam claras as razões que as levaram a isso? Ou apenas disfarçam de informação objetiva as suas opiniões subjetivas? Lendo o noticiário, os artigos de opinião e os editoriais, o cidadão percebe que há boa-fé ou pressente agendas ocultas, não declaradas, que o deixam inseguro e desconfortável?


O diagnóstico da qualidade editorial de cada órgão de imprensa depende, entre outras, das respostas que se seguem a cada uma dessas interrogações. E aqui chegamos ao ponto. Essas respostas serão mais (ou menos) positivas quanto mais (ou menos) cada redação cultivar o valor do pluralismo.


A palavra anda em desuso, é verdade, mas sem pluralismo não há democracia – e muito menos imprensa. Por certo, nenhum jornal pode assumir o dever de publicar igualmente todas as opiniões e todos os pontos de vista de todas as pessoas. Isso seria loucura – ou hipocrisia. Uma fórmula editorial é sempre um corte, uma escolha arbitrária, e não há nada de errado nisso. Porém, mesmo dentro do seu corte, da sua escolha editorial, um órgão de imprensa há de saber que sua credibilidade decorre justamente do respeito que reserva às opiniões divergentes. Uma opinião que precisa silenciar outra para se afirmar corrói a si mesma. Já temos história suficiente para saber que o vício da intolerância não consegue apagar o intolerado – apenas desacredita o intolerante. É ele, não sua vítima, que perde autoridade.


Enquanto o poder autoritário se fortalece à medida que suprime a discordância, a imprensa livre se fortalece apenas quando alimenta o dissenso, a diversidade. Se no totalitarismo as discordâncias não têm lugar, na imprensa livre o que não cai bem são os ideários monolíticos, inflexíveis. Não por acaso, o discurso jornalístico tem um gosto natural pelo contraditório; ganha brilho, vigor, quanto mais dialoga, ainda que em termos duros, com a pluralidade dos pontos de vista. Respeitosamente, por certo. Jornais e revistas que não sabem disso morrem. Às vezes, começam a morrer sem perceber, sem aprender que ter uma opinião não implica fazer de conta que outras opiniões não existem, ou sem fazer de conta que elas são ridículas. Quem faz de conta nesse jogo, é bom repetir, morre.


É por isso que liberdade de imprensa é sinônimo de imprensa com liberdade. Ou não é liberdade de imprensa. Instalada no poder, a intolerância põe em risco a democracia. Instalada na imprensa, põe em risco a própria imprensa. É suicídio. Em poucas palavras – aqui onde já há muitas -, o jornalismo só prospera se souber desenvolver uma escuta sincera, interessada e aberta às vozes e aos pensamentos divergentes. Quem sabe ouvir os divergentes – sobretudo se não concorda com eles – ganha pontos no placar da credibilidade e na condição legítima de mediar o debate público. Uma publicação em que o contraditório não se acomoda bem é uma publicação que não se acomoda bem na sociedade pluralista.


É claro que cada diário, cada revista e cada site terão um modo particular de responder a esses desafios. A receita não é universal, ainda bem. Mas, de todo modo, hoje boa parte dos problemas graves da imprensa brasileira tem que ver com esta palavra em desuso: pluralismo. Tem que ver não exatamente com tolerar, mas com prestigiar as posições divergentes, pois não basta publicá-las, é preciso realçar nelas o que há de bom e de positivo.


A frase mais que famosa de Voltaire – ‘não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las’ – vem agora em nosso socorro. Não que haja necessidade, aqui, de uma fala trágica, retumbante. Só precisamos de serenidade. Se me for permitida uma breve confidência, estritamente pessoal, digo que nunca fui chamado a sacrificar heroicamente a vida em prol da liberdade de alguém com quem eu não concordasse. Tive apenas de sacrificar um ou dois empregos, que nem eram grande coisa. Outros jornalistas, melhores do que eu, sacrificaram mais. É da regra do jogo. É e será.


JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP


 


 


BOLÍVIA


Imprensa boliviana ameaça recorrer à OEA contra legislação


Meios de comunicação privados e sindicatos de jornalistas bolivianos ameaçaram ontem denunciar o presidente Evo Morales na Organização dos Estados Americanos (OEA) e nas Nações Unidas por ameaças à liberdade de expressão. O protesto foi motivado pela apresentação de um projeto de lei no Congresso que determina o fechamento dos órgãos de imprensa que difundam ‘ideias racistas e discriminatórias’.


‘Se a lei for aprovada tal como está, sem nenhuma mudança, será como pôr uma lápide de uma tonelada sobre a liberdade de expressão na Bolívia’, disse Juan Javier Zeballos, secretário executivo da Associação Nacional de Imprensa (ANP, na sigla em espanhol). O projeto já foi aprovado na Câmara dos Deputados, onde o governo tem maioria, e espera agora para ser votado no Senado.


Diretores da ANP reuniram-se com o presidente boliviano, Evo Morales, na terça-feira para pedir mudanças no texto do projeto. Depois da reunião, Evo teria prometido que retiraria o Artigo 23, que determinava que os jornalistas e donos de meios de comunicação não poderiam recorrer a nenhum foro da Justiça contra acusações de racismo. Mas uma comissão do Senado controlada por parlamentares governistas enviou para votação a versão antiga do texto, sem nenhuma alteração. Além do Artigo 23, os jornalistas pedem a anulação do Artigo 16, que estipula multas e fechamento de empresas de comunicação que difundam conteúdo que o governo considere racista ou discriminatório.


A ANP esclareceu que não se opõe a leis que combatam o racismo na Bolívia, mas alertou para o fato de Evo sistematicamente referir-se aos jornais e aos jornalistas críticos como ‘racistas’. O presidente boliviano já chegou a dizer publicamente que a imprensa está entre seus ‘piores inimigos’.


Ontem, jornalistas das principais cidades bolivianas deram início a uma série de manifestações de rua e uma greve de fome em protesto contra o projeto de lei. / EFE e AP


 


 


PUBLICIDADE


Andrei Netto


Grupo francês Publicis compra 49% da agência brasileira Talent


O grupo Publicis, terceiro maior do mercado publicitário mundial, anunciou ontem a compra de 49% das ações da agência Talent, com sede em São Paulo. O anúncio foi feito em um comunicado oficial, sem detalhes sobre o negócio, no qual não consta o valor da transação.


De acordo com informações obtidas pelo Estado em Paris, a transferência custará à empresa francesa US$ 110 milhões – valor bem abaixo dos US$ 200 milhões cogitados em agosto pelo jornal Financial Times.


O negócio foi informado por meio de uma nota oficial lacônica, na qual 60% das informações são dedicadas a descrever o grupo Talent. O único dado relativo à transação é o porcentual de 49%. Fontes do mercado publicitário da França garantem que a participação pode ser aumentada, sem, no entanto, que haja um prazo tal. Diretora de Comunicação Externa, Peggy Nahmany, não se manifestou sobre o tema, ontem, quando consultada pela reportagem.


Ainda no comunicado, a companhia francesa afirma: ‘A transação está em linha com a estratégia do Grupo Publicis de realizar aquisições pontuais visando expandir a liderança em mercados de alto crescimento, como o Brasil.’


A empresa ainda lembra que, em agosto, já oficializara a aquisição da agência A2G, em Porto Alegre, escritório se uniu à subsidiária Publicis Modem, braço digital da Publicis Worldwide. ‘O movimento segue a aquisição pelo Grupo Publicis da agência digital AG2 e sua fatia minoritária na agência Taterka, também neste ano.’


Segundo a Publicis, os negócios se justificam porque ‘o Brasil é um dos mais promissores mercados de publicidade do mundo’. Com a aquisição da Talent, a Publicis chega a mil funcionários no País, onde reúne cinco marcas: Publicis Worldwide, Saatchi & Saatchi, Leo Burnett, VivaKi e MS&LGroup.


Além de ampliar sua estrutura física no Brasil ao adquirir a agência fundada por Julio Ribeiro, o grupo francês se consolida como a grande oponente da WPP, a número 1 da publicidade. Para tanto, a Publicis contará agora com clientes da Talent do peso de Sony, Santander, Timberland e Embratel.


A companhia já fatura a metade de sua renda em países emergentes e no ambiente digital, e sua projeção é chegar a 60% entre 2013 e 2014. Em julho, segundo a agência Reuters, o presidente do diretório da Publicis, Maurice Lévy, afirmou que o grupo pretende seguir uma política de aquisições, de forma a ampliar seu mercado na China.


Planos. ‘Assinamos ontem (terça-feira), depois de um ano de conversas’, afirmou Ribeiro, em São Paulo. ‘O acordo aumenta minha ambição.’


O publicitário explicou que seus clientes brasileiros – como Semp Toshiba, Tigre, Alpargatas e Votorantim Cimentos – estão se tornando multinacionais, e que ele precisava de um sócio internacional para atender a essas empresas fora do País. ‘Achamos que o modelo anterior era muito restritivo’, explicou. ‘Era difícil crescer só no Brasil.’


Ribeiro não confirmou o valor do negócio, dizendo que ‘existem muitos boatos no mercado’. Ele garantiu que a Talent continuará atuando como uma agência independente, tanto do ponto de vista da criação quanto administrativo.


A Publicis tem uma operação brasileira, que continuará separada da Talent.


O fundador da Talent comunicou ontem à equipe a chegada do novo sócio. ‘O pessoal recebeu bem’, disse Ribeiro. ‘Com o acordo assinado, minha sensação é de alívio, depois de um ano de negociações. Agora vou tirar uma semana de férias.’ / COLABOROU RENATO CRUZ


PARA LEMBRAR


Mercado atrai agências estrangeiras


A compra da Talent pela Publicis reflete uma tendência de as grandes agências brasileiras se associarem a grupos internacionais. Em abril, o publicitário Washington Olivetto uniu-se à rede americana de agências McCann-Erickson, formando a WMcCann.


Criada em 1980 por Julio Ribeiro, a Talent prevê crescer 25% este ano, chegando a um faturamento de R$ 1 bilhão. A compra da Talent incluiu a QG Propaganda, criada há 18 anos.


A Talent continuará sob o comando de Ribeiro e dos sócios José Eustachio, vice-presidente de Operações, e Antonio Lino, vice-presidente de Administração. A QG continuará sob a presidência de Paulo Zoega Neto.


PONTOS-CHAVE


Expansão


Maurice Lévy, presidente do diretório da Publicis, afirmou em julho que o grupo planeja seguir sua política de aquisições, para ampliar seu mercado nos emergentes.


Crescimento


25%


É o aumento previsto para o faturamento da Talent neste ano, sobre o resultado de 2009, chegando a R$ 1 bilhão.


História


A agência de publicidade Talent criou slogans memoráveis, como ‘Não é assim nenhuma Brastemp’ e ‘Bonita camisa, Fernandinho’, para as camisas UsTop.


 


 


ANÁLISE


Roberto Gazzi


Editores estão otimistas com o futuro dos jornais


No que depender das expectativas de seus editores, os leitores de jornais podem ficar tranquilos. A maioria deles vê com otimismo o futuro dos jornais. Ou ao menos da atividade diária de editar notícias, sejam elas no jornal de papel entregue todos os dias em suas casas e nas bancas, na internet, nos celulares e, agora, nos tablets.


É o que revela uma pesquisa divulgada na terça-feira, no primeiro dia do 17.º Congresso Mundial de Editores, que se realiza em Hamburgo, norte da Alemanha. A pesquisa foi feita pela consultoria McKinsey com 525 editores de jornais de todo o mundo.


O levantamento mostrou que o otimismo é crescente em relação às pesquisas anteriores, feitas no começo e no meio da década. Nelas, os editores estavam contaminados pelas previsões do fim dos jornais impressos com a expansão das mídias eletrônicas. Elas eram vistas como grandes inimigas das redações – que, com o passar dos anos, passaram a enxergar nelas um aliado do bom trabalho jornalístico.


A enquete divulgada agora reflete este novo espírito, da crença numa convergência das mídias em benefício do jornalismo e seus leitores/consumidores.


Emergentes. ‘Já passou da hora de acabar com o pessimismo, de escrever tanto sobre o fim dos jornais’, disse o consultor Jim Chisholm, um dos apresentadores da pesquisa. Os mais otimistas são os editores de jornais dos países emergentes, como Índia, China e Brasil, onde a circulação dos jornais cresce. No primeiro semestre deste ano, a circulação média diária dos jornais brasileiros cresceu 2% – a do Estado, 8%.


Para continuar atraindo seus leitores, os jornais e as redações estão mudando. A grande maioria dos editores respondeu que suas redações estão se reinventando e vão mudar ainda mais nos próximos anos, com equipes que estarão trabalhando e oferecendo conteúdos multimídias.


Essas novas fábricas de conteúdo precisarão cada vez mais, segundo eles, de profissionais inovadores, especializados e capazes de trabalhar, se preciso, em várias plataformas. Algo que custa caro. E vinha pondo em cheque a indústria, por conta da gratuidade da internet.


Conteúdo. ‘Os jornais não podem cometer o mesmo erro do início da internet, que foi não cobrar pelo conteúdo. Bom jornalismo custa caro, temos de cobrar’, pregou um dos palestrantes do dia, Giovanni di Lorenzo, editor-chefe do semanário Die Zeit, uma das publicações de referência na Alemanha. Que trouxe outra boa notícia aos presentes: apesar da crise europeia, seu jornal está crescendo. Até mesmo entre os jovens. São menos do que em outras gerações, mas leem, informou.


‘Chega de negativismo e de só pensar na internet e tentar mimetizá-la. Nossos leitores querem bom jornalismo, profundidade’, disse. E, para isso, entre outras coisas, as redações devem ouvir mais os leitores, usando a facilidade dos novos meios.


A otimista palestra de Lorenzo, curiosamente, ocorreu antes mesmo da apresentação da pesquisa. Da qual participou este enviado especial, que se alinha com o otimismo geral. E que contou com um iPad para escrever este despacho.


 


 


TELEVISÃO


Cristina Padiglione


Discovery exibe três produções nacionais


Até o fim do ano, o grupo Discovery colocará no ar três coproduções nacionais. Uma babá de Vinhedo, interior de São Paulo, vai dar dicas aos pais no Socorro, Tenho Filhos em dois episódios feitos com a Cuatro Cabezas, que vão ao ar em 22 e 29 de outubro no Discovery Home & Health. O canal exibirá em novembro dois capítulos de 10 Anos Mais Jovem, parceria com a Endemol, que tem participação da esteticista Lígia Kogos e do cabeleireiro Wanderley Nunes. Já o Discovery Channel mostrará mais um documentário com a Mixer dirigido por Rodrigo Astiz – Jean Charles e São Paulo Sob Ataque -, que abordará a questão do clima e das enchentes no País.


Quantas notas, maestro?


Vanusa participa do Programa Silvio Santos neste domingo. Apesar de não brincar no quadro Não Erre a Letra e, sim, no Jogo das Sete Pistas, a cantora não escapa do pedido do patrão para que cante o Hino Nacional.


17 pontos no Ibope, ante 11 da Globo, foi o placar que garantiu à Record a liderança de audiência em São Paulo, anteontem, das 23h30 à 0h30. Obra de A Fazenda


‘Por que chamam de reality show? Um confinamento desse grupo de pessoas é totalmente fora da realidade!’ Walcyr Carrasco sobre A Fazenda 3, no Twitter


Novidade no debate da Band programado para este domingo: Dilma Rousseff e José Serra ficarão um de frente para o outro, e não de frente para a plateia, como de praxe, cercando o mediador.


Ricardo Boechat ficará, dessa vez, de costas para a plateia, que verá os dois candidatos apenas de perfil. O posicionamento das câmeras ainda está em definição.


Na Fama e na Lama, série do Multishow que teve estreia remarcada para o dia 16, 23h30, tem referências explícitas ao Big Brother Brasil. O nome do apresentador do reality fictício, Leal, não por acaso rima com Bial.


Focado em esportes de ação, o canal Woohoo promete 100% de mudança visual a partir do dia 18, com referência explícita nas revistas jovens Nylon, Dazed and Confused e Huck.


Na reforma, o Woohoo, canal da Turner, ampliará seu radar a outros assuntos do universo dito jovem, como moda, cinema, quadrinhos e que tais.


O DVD do Pequeno Cidadão, obra bacana dos herdeiros de Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra, ganhará vez na tela da TV, como alento ao Dia das Crianças. Vai ao ar na Nickelodeon, às 14h e às 22h.


Nos anos 60, a TV brasileira já tinha visto Jair Rodrigues e Simonal como apresentadores negros, mas, ao CQC, o então candidato Aloysio Mercadante atestou que Netinho foi pioneiro do gênero.


Especial de Roberto Carlos ao vivo, diretamente da praia de Copacabana, ainda não é, segundo a Globo, a definição final sobre o programa de fim de ano do rei.


Mas todos os caminhos discutidos pela emissora sobre RC levam a Copa, sim, com encerramento feito pela bateria da Beija Flor.


 


 


 


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