Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > POST COMPRA SLATE

Howard Kurtz

28/12/2004 na edição 309

‘O grupo de mídia The Washington Post Co. admitiu na última terça-feira que está comprando a revista eletrônica Slate. O objetivo é tentar dar impulso ao tráfego online da empresa de mídia sem promover alterações editoriais na revista da Web que já existe há oito anos.

Ao anunciar a transação para adquirir a Slate da Microsoft Corp. por quantia não revelada, a diretoria do Post disse que manterá Jacob Weisberg como editor e a maioria da equipe composta de 30 pessoas.

Perguntado sobre sua opinião em relação à transação, o presidente do conselho da Microsoft, Bill Gates, disse por e-mail: ‘Tenho muito orgulho do papel pioneiro da Slate no jornalismo online e estou confiante que continuará a mostrar o caminho. Como um dos primeiros participantes – embora menores – da seção diária da Slate, sempre me sentirei próximo dela – e definitivamente continuarei um ávido admirador e leitor’. E acrescentou: ‘Ser elevada à propriedade da mídia me pareceu um próximo passo óbvio para a Slate e estou confiante que prosperará maravilhosamente sob o comando do The Post’.

Weisberg declarou-se ‘encantado’ com a venda. ‘A Microsoft foi um ótimo lugar para nós nos últimos 8 anos e meio’, disse, ‘mas era um lugar difícil para desenvolver nosso negócio porque não é uma empresa de mídia e não quer ser uma empresa de mídia. Eles são muito grandes e nós, bem pequenos. A brincadeira sempre foi de que nós éramos quase um erro total, mas erro total que provavelmente exagerava nosso status’.

Ann McDaniel, vice-presidente da Post Co., disse: ‘Nosso objetivo não é de forma alguma mudar a Slate. Achamos que é importante que a revista mantenha sua personalidade. Com o decorrer do tempo, esperamos encontrar um modelo comercial que venha a render dinheiro. Vocês não vão ver de repente um novo tipo de Slate’.

Jeff Jarvis, que escreve um blog chamado BuzzMachine.com e é presidente do braço da Internet Advance Publications, classificou a venda como ‘medida inteligente’ porque ‘The Washington Post sempre foi inteligente e esperto em relação à mídia online. O grupo sustentará a Slate num bom ambiente, que compreende a mídia de uma forma que a Microsoft tentou muitas vezes e não conseguiu’.’



O Globo/ The New York Times

‘‘Post’ compra revista da Microsoft’, copyright O Globo/ The New York Times, 22/12/04

‘A Washington Post Company, empresa proprietária do jornal homônimo, anunciou ontem que está comprando a revista online ‘Slate’, que pertence à gigante do setor de informática Microsoft. Os termos financeiros do acordo não foram revelados.

A Microsoft disse, em julho, que pretendia vender a revista, pioneira no segmento online, em parte porque a linha editorial da ‘Slate’, voltada para a crítica cultural e a análise política, não teria grande destaque como negócio numa era em que predominam as aplicações de busca na internet. Além disso, por ser um site pequeno, teria uma capacidade limitada de contribuir expressivamente com os ganhos da Microsoft.’



MICROSOFT CONDENADA
Folha de S. Paulo

‘Microsoft perde recurso na Europa’, copyright Folha de S. Paulo, 23/12/04

‘A maior fabricante de software do mundo, a Microsoft, terá que vender na Europa o Windows sem o programa de áudio e vídeo Windows Media Player e terá que revelar especificações para outros fabricantes poderem desenvolver produtos compatíveis com o Windows.

A Justiça da União Européia rejeitou apelação da empresa americana, que havia pedido que as sanções só fossem aplicadas depois do julgamento do mérito do caso, o que provavelmente acontecerá daqui a dois ou três anos.

O presidente da Corte de Primeira Instância, em Luxemburgo, argumentou que a empresa não mostrou que teria perdas sérias e irreparáveis com as sanções.

A Comissão Européia havia decidido em março que a Microsoft abusara da sua posição dominante no mercado de sistemas operacionais para PCs. A empresa recebeu multa equivalente a US$ 664 milhões, que não foi contestada.

A comissão decidiu também que a Microsoft deveria oferecer uma versão do Windows sem o Media Player a fabricantes de PCs e consumidores, além de dar informações de códigos a empresas que desenvolvem servidores, para que eles interajam melhor com PCs que rodam o Windows.

A decisão pode fazer com que fique mais difícil para a Microsoft adicionar funcionalidades e programas ao Windows. Além disso, a decisão pode ajudar novos processos contra a empresa.

A empresa anunciou que a versão do Windows sem Media Player será desenvolvida e estará no mercado a partir de fevereiro. A Microsoft não decidiu se apelará da nova decisão.

A decisão favorece fabricantes como a RealNetworks, que faz o RealAudio, programa que perdeu espaço quando a Microsoft começou a colocar o Media Player no pacote do Windows.

Com a decisão da justiça européia, as ações da Microsoft perderam US$ 0,10 na Bolsa de Nova York, ontem.

História

Os processos contra a Microsoft começaram em 1998, nos Estados Unidos, quando o Departamento de Justiça americano acusou a companhia de tentar manter seu monopólio no mercado de software. Em 2000, um juiz decidiu que a Microsoft tinha tentado monopolizar o mercado de ‘browsers’ para internet ao juntar o Internet Explorer ao pacote do Windows.

Ainda em 2000, um juiz determinou que a Microsoft deveria dividir-se em duas empresas, decisão que foi revertida pela administração Bush.

Em 2002, a America Online e a Sun Microsystems processaram a empresa por práticas anticompetitivas. Nesse mesmo ano, a Microsoft anunciou mudanças em seus produtos.

A empresa fez um acordo com a America Online em 2003, mas a Microsoft foi processada novamente nesse ano, dessa vez pela RealNetworks. Em 2004, a Sun e a Novell, que havia processado a companhia na Europa, chegaram a acordos com a Microsoft. Com agências internacionais’



Gazeta Mercantil

‘Corte européia nega pedido da Microsoft’, copyright Gazeta Mercantil, 23/12/04

‘A Microsoft terá de disponibilizar para venda uma versão do Windows sem seu reprodutor de música e vídeo, além de licenciar suas informações proprietárias para as empresas concorrentes após um tribunal da União Européia ter rejeitado a solicitação da companhia para suspender uma decisão judicial antitruste.

A solicitação da maior fabricante mundial de software para que a decisão da Comissão Européia fosse adiada até que seu recurso fosse julgado foi ‘totalmente descartada’, disse ontem Bo Vesterdorf, presidente do Tribunal de Primeira Instância das Comunidades Européias em Luxemburgo.

O que está em jogo é o limite da capacidade da Microsoft de adicionar recursos à sua plataforma Windows, presente em mais de 90% dos computadores pessoais do mundo. A UE disse que a decisão judicial impedirá que a empresa esmague os produtos de suas concorrentes, como o sistema operacional gratuito Linux e o media player da RealNetworks. A Europa responde por cerca de um terço das vendas da Microsoft, que somaram US$ 36,8 bilhões no ano fiscal encerrado em 30 de junho passado.

‘Esse foi um revés muito grave para a Microsoft’, disse em entrevista por telefone Nicholas Economides, professor de economia da Universidade de Nova York. ‘Essa é a primeira vez que um tribunal diz à Microsoft o que eles podem ou não incluir no Windows. É como dizer à GM quais recursos ela pode incluir em seus carros.’’

O consultor jurídico geral da Microsoft, Brad Smith, disse em uma conferência por telefone que a empresa obedecerá a decisão imediatamente. Uma versão do Windows que atende às exigências da UE será disponibilizada por meio de revendedores de software até fevereiro de 2005, disse ele na entrevista.

As ações da Microsoft comercializadas na Alemanha registraram queda de US$ 0,22, passando a ser comercializadas a US$ 26,85 às 11:39 em Frankfurt. As ações haviam subido US$ 0,12 anteontem.’

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PRIMEIRAS EDIçõES > GUERRA NA MÍDIA

Howard Kurtz

Por lgarcia em 07/11/2001 na edição 146


GUERRA NA MÍDIA

"Chefe da CNN pede equilíbrio no noticiário", copyright The Washington Post / O Estado de S. Paulo, 1/11/01

"O presidente da TV CNN, Walter Isaacson, mandou que seu pessoal contrabalance imagens da devastação de áreas civis em cidades afegãs com lembretes de que o Taleban abriga terroristas sanguinários, dizendo que ?parece uma perversidade concentrar-se demais nas baixas ou sofrimentos no Afeganistão?.

Num memorando a seus correspondentes internacionais, Isaacson disse: ?Quando recebemos boas reportagens sobre o Afeganistão controlado pelo Taleban, precisamos redobrar nossos esforços para mostrar que não parecemos estar simplesmente informando a partir de sua posição ou perspectiva. Precisamos falar sobre como o Taleban emprega escudos civis e sobre como o Taleban abriga os terroristas responsáveis pela morte de quase 5 mil pessoas inocentes.?

Enquanto mais bombas americanas extraviadas caem em áreas residenciais, causando estragos em lugares como um armazém da Cruz Vermelha e um lar de idosos (e ontem em um hospital do Crescente Vermelho, ler na página 14), as imagens de televisão daí resultantes motivam críticas ao esforço de guerra dos Estados Unidos. Isto provoca um debate crescente, que começou com a divulgação do videoteipe de Osama bin Laden, sobre como a mídia deve tratar imagens colhidas no próprio Afeganistão.

?Quero ter a certeza de que não estamos sendo usados como palanque de propaganda?, disse Isaacson numa entrevista na terça-feira. ?Entramos num período em que aumentam as reportagens e imagens de vídeo do Afeganistão sob controle do Taleban. É preciso fazer com que as pessoas entendam, quando vêem sofrimento de civis lá, que é no contexto de um ataque terrorista que causou enorme sofrimento nos EUA.?

Embora alguns correspondentes da CNN receiem ter um carimbo ?pró-EUA? em seu noticiário, todas as redes mostram-se claramente sensíveis às acusações de que estão fazendo o jogo do inimigo.

Depois que a conselheira de Segurança Nacional, Condoleeza Rice, pediu que chefes de noticiário das redes não exibam videoteipes de Bin Laden sem cortes, a MSNBC e a Fox News não levaram ao ar o vídeo seguinte, e a CNN exibiu só pequenos trechos.

Mas Jim Murphy, produtor-executivo do programa CBS Evening News, disse sobre as instruções transmitidas na CNN: ?Eu não mandaria ninguém fazer algo semelhante. Nossos repórteres são espertos o suficiente para saberem que isso (a informação) precisa ser posto num contexto.?"

 

"CNN impõe patriotismo em notícias", copyright O Globo, 1/11/01

"A polêmica sobre a censura ao noticiário da guerra contra o terrorismo, sugerida dias atrás pela Casa Branca à mídia americana, aumentou ontem com a revelação de que a rede CNN decidiu baixar normas internas obrigando seus repórteres a dar uma versão mais patriótica às notícias que colocarem no ar.

Um memorando de Walter Isaacson, presidente da CNN, diz que quando forem feitas reportagens no Afeganistão, deve-se acrescentar ?que é preciso ter em mente que os talibãs estão utilizando escudos humanos e que o regime abrigou terroristas responsáveis pela morte de quase cinco mil pessoas inocentes?, nos atentados contra Nova York e Washington.

Jornalistas temem que medida seja imitada

Isaacson disse que a idéia, por trás das novas normas, era evitar que a CNN passasse a ser utilizada como uma ?plataforma de propaganda? dos inimigos. Deu a entender que precisaria ficar claro que a matança de civis no Afeganistão deve ser mencionada como contraponto às mortes ocorridas nos Estados Unidos:

? Estamos entrando num período em que há muito mais reportagens e vídeos vindos do Afeganistão controlado pelos Talibãs. E queremos que as pessoas entendam que ao ver civis sofrendo lá, isso está dentro do contexto de que um ataque terrorista causou enorme sofrimento nos EUA ? justificou.

Personalidades famosas do jornalismo americano reagiram com espanto e irritação às medidas da CNN, temendo que passassem a ser imitadas por outras redes de TV. Daniel Schorr, com 60 anos de carreira e ainda na ativa, disse que a iniciativa faz com que o jornalismo americano retroceda à época da Segunda Guerra Mundial:

? Naquele tempo, nós jornalistas tínhamos que usar farda para cobrir a guerra. E éramos classificados pelo governo como ?parte do esforço de guerra?. Ninguém falava em censura porque, na verdade, só poderia cobrir quem se dispusesse a exercer a auto-censura ? disse Schorr, atualmente analista da National Public Radio.

Repórteres da CNN diziam, ontem, estar preocupados com o que chamavam de ?sede de patriotismo?. As normas recebidas por todos são bastante detalhadas. Um segundo memorando, de Rick Davis, chefe de padrões e práticas da emissora, continha vários exemplos de frases a serem incluídas.

Devem dizer, por exemplo: ?Devemos ter em mente que o regime Talibã continua a abrigar terroristas que festejaram os ataques aos EUA.? Ou: ?O Pentágono tem afirmado repetidamente que está tentando minimizar vítimas civis no Afeganistão, mesmo que o regime Talibã continue a abrigar terroristas ligados aos ataques de 11 de setembro, que mataram milhares de inocentes nos EUA?.

    
    
                     
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