Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ENTRE ASPAS > CRISE POLÍTICA

João Domingos

27/07/2005 na edição 339


O secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, vai submeter a uma auditoria todos os contratos de publicidade do governo na administração direta e indireta. Os contratos estão sob suspeita desde que estourou o escândalo que envolve o governo, o PT e as empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza.


Toda a comunicação do governo estava sob responsabilidade do ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica Luiz Gushiken, que foi rebaixado e cuida do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência. Outro que deixará o governo é Marcos Flora, que era secretário-executivo da Secom.


No ano passado, o gasto do governo federal e das estatais com publicidade chegou a R$ 867,12 milhões, não computados patrocínios, produção e publicidade legal – editais de licitação publicados nos jornais, por exemplo. Neste ano, apesar de o mês de julho já estar no final, o governo não tornou públicos os dados sobre o setor. Nem poderia ter números exatos, porque muitos contratos estão sendo desfeitos, especialmente com a SMPB e a DNA, de Valério.


Sem Marcos Flora, que conhece todo o funcionamento da estratégica área de publicidade, Dulci terá de começar praticamente do zero a equipe que vai cuidar da publicidade.


PODER


Ao empurrar para a Secretaria-Geral da Presidência a área da comunicação, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, conseguiu devolver à pasta o poder que havia perdido. Depois de demitir praticamente toda a equipe do ex-ministro José Dirceu, Dilma livrou-se daquela que é tida por ela como ‘um inferno, um abacaxi sem tamanho’.


Dilma relutou desde o início em cuidar da publicidade oficial. Ao ser informada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que ficaria com o setor, depois da extinção da Secom, Dilma mostrou descontentamento. Telefonou para o ainda ministro Luiz Gushiken e avisou: ‘Não quero a Secom comigo, isso não tem nada a ver com a Casa Civil.’ Gushiken respondeu: ‘O presidente decidiu assim. Então, conversa com ele.’


Na semana passada, o ainda ministro Gushiken disse ao Em Questão, informativo da Secom, que os recursos do governo destinados às duas agências de Valério totalizaram R$ 296 milhões, de 2003 até hoje. Desse montante, pela média do mercado publicitário, foram alocados cerca de R$ 203 milhões em veiculação de mídia e cerca de R$ 93 milhões com produção.’



Ricardo Amaral e Natuza Nery


‘Visanet e teles têm maioria de depósitos da DNA no BB’, copyright UOL / Reuters (www.uol.com.br), 27/07/05


‘Nos últimos cinco anos, 27 empresas depositaram R$ 159 milhões em uma conta da DNA Propaganda, de Marcos Valério, no Branco do Brasil. O principal depositante individual é a Visanet, com aportes que alcançam R$ 44,217 milhões. A Telemig Celular e a Amazônia Celular, controladas pelo Opportunity, de Daniel Dantas, fizeram nove depósitos que somam R$ 61,3 milhões. Empresas como a Fiat e a Eletronorte também aparecem nos dados levantados pela CPI dos Correios.


Três empresas de telefonia ligadas ao Opportunity, de Daniel Dantas, e o consórcio controlador dos cartões Visanet foram identificados pela CPI dos Correios como origem de mais de dois terços dos depósitos de terceiros recebidos no Banco do Brasil pela DNA Propaganda Ltda.


A DNA é uma das empresas com participação acionária de Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser operador do suposto pagamento de propinas a políticos conhecido como ‘mensalão’.


Um levantamento feito pela CPI foi entregue à Reuters na noite de terça-feira por um parlamentar, com o compromisso de não ser identificado. O documento mostra que a conta 601.999 da DNA Propaganda na agência 3608 do Banco do Brasil (BB) recebeu no período analisado (últimos cinco anos) R$ 230 milhões em depósitos.


A própria DNA abasteceu a conta com depósitos e transferências que somam R$ 71 milhões. Os demais R$ 159 milhões resultam de depósitos de 27 empresas, na maioria identificadas como clientes ou empresas de comunicação, e de órgãos do governo de Minas Gerais.


O maior depósito individual de uma empresa para a DNA, no valor de R$ 44,217 milhões, tem como origem a Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, segundo o relatório da CPI.


O maior depósito individual de uma empresa para a DNA, no valor de R$ 44,217 milhões, tem como origem a Companhia Brasileira de Meios de Pagamento, segundo o relatório da CPI.


Trata-se de uma associação criada em 1995 pela Visa Internacional, Banco do Brasil, Bradesco e Banco Real, responsável pelos cartões de pagamento eletrônico Visanet.


A assessoria de imprensa da DNA informou que a agência detém, desde 1994, a conta publicitária dos cartões de crédito do Banco do Brasil, que operam pelo sistema Visanet.


A Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (Visanet) informou em comunicado ‘que os pagamentos efetuados para a agência de publicidade DNA foram aprovados como verba de marketing para o lançamento de novos produtos, incentivo à emissão e ativação de cartões de crédito e débito do Banco do Brasil, principal emissor de cartões do país’.


Outra operadora de cartões, a Servinet, depositou R$ 6,4 milhões. A Redecard fez dois depósitos que somam R$ 144 mil.


A Telemig Celular e a Amazônia Celular, controladas pelo Opportunity, fizeram nove depósitos que somam R$ 61,3 milhões. Outra controlada do Opportunity, a Brasil Telecom, fez um depósito de R$ 823 mil.


Segundo a assessoria de imprensa da Brasil Telecom, a DNA realizou em 2003 uma campanha de utilidade pública, em rádio, em toda a área de cobertura da operadora.


As duas outras operadoras divulgaram um comunicado conjunto informando que a DNA ‘possui contrato com a Telemig Celular S.A. desde 1998, e com a Amazônia Celular S.A. desde 2001, enquanto a SMP&B Comunicação Ltda. foi contratada pelas companhias a partir de 2001’.


Prestação de serviços


A estatal Eletronorte fez três depósitos que somam R$ 16,5 milhões. O governo de Minas Gerais fez depósitos na conta da DNA por meio de sua conta única, da Secretaria de Fazenda e da Secretaria de Saúde, no valor de R$ 2,7 milhões.


A assessoria de imprensa da DNA disse à Reuters que os depósitos correspondem ao pagamento pela prestação de serviços a essas empresas, incluindo criação, produção e veiculação de publicidade. Segundo a assessoria, a DNA tem condições de provar a execução de todos os serviços.


O levantamento da CPI também inclui três depósitos da Fiat Automóveis, totalizando R$ 4,6 milhões de reais.


‘A DNA foi agência de propaganda da Fiat de agosto de 2000 a abril de 2005 na publicidade de varejo no Estado de Minas Gerais. É uma relação comercial normal e absolutamente transparente’, disse a assessoria da Fiat.


Os documentos da CPI mostram também dois depósitos da Construtora Norberto Odebrecht totalizando R$ 149 mil. Em um comunicado, a empresa diz que o relacionamento com a DNA começou em 2002.


‘Pelo contrato, que foi rescindido em 15 de julho passado, a construtora obrigava-se, na primeira fase do projeto, a remunerar a agência com um percentual de 0,45% sobre o valor geral das vendas’, o que representou para a DNA ‘a quantia de R$ 387 mil’, diz a empresa no comunicado.


A empresa afirma ainda que ‘uma segunda fase do projeto foi iniciada em abril de 2005’ e tinha a mesma forma de representação da etapa anterior, ‘o que significaria uma remuneração da ordem de 202 mil reais’ à DNA, se não tivesse havido a rescisão do contrato.


O Sistema Pitágoras de Ensino depositou R$ 186 mil. A família do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, é acionista da empresa, que também é cliente da DNA Propaganda.


O Sistema Pitágoras de Ensino depositou R$ 186 mil. A família do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, é acionista da empresa, que também é cliente da DNA Propaganda


Empresas de comunicação


O relatório da CPI identificou dois depósitos da TV Globo, somando R$ 3,6 milhões, e dois da Globosat, que somam R$ 180 mil.


Segundo a Central Globo de Comunicação, ‘como todos os veículos de comunicação que veiculam publicidade, a TV Globo pagou comissão legalizada a uma agência de publicidade regularmente estabelecida’.


A Editora Abril é identificada como responsável por um depósito de R$ 303 mil. Em nota oficial, o Grupo Abril afirma que ‘mantém relacionamento comercial com a grande maioria das agências de publicidade do país e que pagamentos de comissões em nome de agências fazem parte das práticas normais da atividade’.


O relatório da CPI demonstra que a DNA também fez transações bancárias com as empresas de comunicação Folha da Manhã (Folha de S. Paulo), Ogilvy Brasil, Grupo Três (IstoÉ), For Comunicação, Símbolo Editora e Editora JB (Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil).


O relatório informa que a DNA autorizou transferências eletrônicas (TEDs) para a Folha da Manhã, Editora JB e Grupo Três que, por algum tipo de erro, foram devolvidas à conta da agência e contabilizadas como depósitos. A assessoria da DNA informou que compra regularmente espaço publicitário dessas empresas para seus diversos clientes.’



Carlos Heitor Cony


‘Quem matou o Lineu ‘, copyright Folha de S. Paulo, 27/07/05


‘Pesquisa feita no início da última semana parece que surpreendeu a mídia em geral e a classe política em particular. Revelava que os escândalos causadores do trauma nacional não haviam afetado a imagem do presidente da República. Pelo contrário: ela crescera na estima e aprovação do eleitorado.


No final da mesma semana, pesquisa realizada por outro instituto especializado mostrava ligeiro descrédito na popularidade do presidente e do governo, coisa pouca porém, que não dá para assustar.


Não admiro este tipo de pesquisa, embora acreditando na honestidade e na técnica com que é feito. Somos 180 milhões de brasileiros, uns 40 ou 50 milhões estão no circuito econômico e cultural, é troço pra burro, mais que a população de muitos países europeus. Esses 40 ou 50 milhões consomem jornais, livros, têm ou tiveram acesso ao segundo grau e às faculdades, viajam, ingerem proteínas e carboidratos em doses suficientes desde a infância. É nesta faixa da sociedade que há estupefação e revolta.


Entretanto sobram de 130 a 140 milhões de brasileiros cuja preocupação é o pão de cada dia, a moradia, o hospital para o caso de acidente ou doença, o emprego, a escola ainda que em primeiro grau para os filhos tentarem melhorar de vida.


Esta imensa massa de brasileiros se distrai com a TV aberta, nunca viu TV a cabo, acompanha futebol, novelas e programas de auditório. A crise política passa longe, é coisa dos bacanas, de gente rica, eles que se entendam.


Alguns sociólogos afirmam que o moralismo é manifestação exclusiva da pequena e média burguesia. As duas pontas da escala social, os pobres e os ricos, têm moralidades próprias, embora diferentes.


Dando um exemplo recente: no impeachment de Collor, quem ocupou as ruas com a cara pintada foi a classe média. Os ricos não se manifestaram. Os demais (pedindo perdão pela cronologia errada) queriam saber quem tinha matado o Lineu.’



Merval Pereira


‘Leitores éticos’, copyright O Globo, 26/07/05


‘Desde que comecei a escrever esta coluna, há pouco mais de dois anos, poucas vezes tive um retorno tão expressivo dos leitores como em relação à intitulada ‘A conspiração’, de sábado passado, em que criticava a declaração do presidente Lula de que não existia ninguém no país comparável a ele em termos de ética. A esmagadora maioria das mensagens expressava indignação com a postura do presidente, que também acusava as elites de quererem fazer com que ‘abaixe a cabeça’. Algumas poucas mensagens, no entanto, foram de críticas à coluna.


Como o presidente Lula continuou, no fim de semana até ontem, na toada contra as elites que supostamente estariam conspirando contra seu governo, resolvi registrar a reação dos leitores reproduzindo trechos de algumas mensagens, como maneira de refletir o que vai pela cabeça de uma parcela importante da opinião pública, capaz de expressar suas posições diante do que acontece no país.


O leitor Marco Aurélio Q. T. Pereira desafia que o presidente Lula ‘marque hora e local’ para o debate sobre ética com o povo brasileiro, mas recomenda a escolha de ‘um local bem grande, vários e vários Maracanãs, pois vários Brasileiros (desses que realmente merecem um B maiúsculo – o senhor ainda se lembra deles?) certamente cumprirão o dever cívico de discutir ética com o senhor. Mas não face a face. Eles estarão acima, num plano bem mais alto que o do senhor. Como o senhor gosta tanto de dizer: nunca se viu nesse país tanta cara de pau’.


Já Pedro Saísse, advogado, residente na Tijuca, no Rio, lamenta a postura do presidente e se diz temeroso de que caiamos ‘em uma luta de classes, incentivada pelos sindicatos do PT. Vejo a história de Angola e as invasões das fazendas na África do Sul e fico preocupado’. João Henrique Eboli diz que ‘a Regina Duarte tinha razão. O que temos visto e ouvido nos encontros de Lula com os sindicalistas é extremamente mais grave quando comparado com o que foi falado e feito nos comícios da Central e do Automóvel Club nos idos de 63/64’.


Maria Carmen Faria de Carvalho, moradora de Petrópolis, no Estado do Rio, escreve dizendo que ‘se os pelegos que estão botando as manguinhas de fora, em oportunidades que oficialmente lhes são oferecidas, pensam que vão subjugar a nação brasileira na base do grito, estão inteiramente equivocados. Já tentaram em outras ocasiões e não conseguiram, e não será no século XXI que essa vanguarda do atraso vai nos impor suas mazelas’.


Cleber Almeida de Oliveira, professor de história e delegado da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB), em Santos Dumont (MG), diz que vê ‘com certa cautela e apreensão, o estratagema de buscar transformar essa ópera bufa em um conflito ideológico nos moldes do chavismo na Venezuela’. A leitora Lílian Fonseca, jornalista com mestrado em ciência política, de Brasília, diz que ela e o presidente Lula ‘não vivemos no mesmo mundo. Será que ele acha que somos idiotas e não estamos entendendo o que está acontecendo? Já é triste constatar que os partidos políticos sustentam campanhas com caixa dois, mas o pior é ver que o estado brasileiro está sendo assaltado para enriquecer o PT e alguns petistas, em particular. Realmente, como diria George Orwell, ‘alguns bichos são mais iguais que outros’.


Maria Magdalena Neurater, do Rio de Janeiro, diz que ‘esta crise que se abateu sobre nosso país’ pelo andar das investigações ‘ainda deverá causar estragos, talvez, irrecuperáveis’. Jogando a culpa na elite brasileira, diz Magdalena Neurater, ‘traz-nos a certeza de que ele está defendendo os únicos responsáveis por toda esta vergonha: a elite petista que fazia parte da cúpula do PT e privava da intimidade do seu gabinete’.


Pedro Paulo Abreu diz que ‘não será através de fácil falácia que o governo conseguirá livrar-se da escandalosa rede de corrupção com que o PT e seus aliados assolaram o Brasil’. Marcos Kac diz que ‘o presidente que jamais trabalhou, seja antes ou depois da eleição; o presidente que acha normal seu filho receber subsídios de uma telefônica na ordem de R$ 5 milhões, enquanto que os atores deste setor dizem que o mesmo ainda está engatinhando no país; o presidente que ‘fala’ em mandar apurar CPIs, mas ‘manda’ obstaculizá-las de todas as formas, de ético, este presidente não tem nada, infelizmente’.


Gladstone Souza Cabral, advogado, diz que votou no presidente Lula ‘pois entendia que ele seria a redenção do nosso país, entretanto, estou convicto de que ele tem conhecimento de todas estas armações visando a arrecadar fundos via cofres públicos’. Sinvaldo do Nascimento Souza, de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, diz que o discurso ‘dissimuladamente populista’ pretende confundir a opinião pública ‘colocando no mesmo balaio de gatos, conceitos como ética, moral, honestidade e elite’.


O leitor Paulo Kiffer chama a atenção para o fato de que ‘quem começou todas as denúncias, que colocaram o nosso Brasil num verdadeiro ‘mar de lama’, não foi a elite brasileira, elite essa que vem, de forma muito parecida com o ‘chavismo’, ordinariamente sendo denunciada por Dirceu, Delúbio e agora Lula; e sim, um político, Roberto Jefferson, do PTB, que como todos sabem era da base política aliada do Lula’.


O professor Ricardo Berbara, da UFRRJ, me acusa de não ter escrito colunas sobre as denúncias de corrupção no governo Fernando Henrique Cardoso: ‘Quando o presidente Lula afirma que existem dois pesos e duas medidas quando a imprensa o avalia, deveria tê-lo em mente, porque este foi mesmo um artigo à altura do título de sua coluna’.


Como comecei a escrever a coluna há cerca de dois anos, o professor não poderia mesmo ter lido críticas minhas ao governo FHC. E, desde o governo Collor, não se tem uma investigação que revelasse um esquema de corrupção institucional tão disseminada como a que está sendo revelada pela CPI dos Correios.’



João Caminoto


‘‘FT’ critica bagunça e diz que é preciso enfrentar crise ‘, copyright O Estado de S. Paulo, 26/07/05


‘O jornal Financial Times disse ontem, em editorial, que o governo Lula ‘está uma bagunça’ e que o presidente da República precisa ‘reconhecer a extensão da crise e assumir alguma responsabilidade por ter permitido que ela ocorresse.’


‘Eleito para tornar o Brasil e seu governo mais eficiente, o presidente Lula parece estar cambaleando’, avaliou o diário britânico. ‘Apesar do contínuo otimismo nos mercados financeiros, o governo de Lula está uma bagunça. O presidente precisa agir com urgência para resolver uma crise que poderia contaminar a economia brasileira.’ Para o FT, a atual crise é a pior desde o impeachment de Fernando Collor de Mello há 13 anos.


‘Até agora a economia tem ficado virtualmente isolada’. O real está firme e a inflação caiu. ‘Mas há alguns sinais de que a perspectiva econômica está se deteriorando’, comentou o editorial. ‘Investidores do mercado doméstico já estão adiando decisões de investimentos até a eleição do próximo ano.’ O FT observa que a economia está num ritmo mais lento e o PIB poderá crescer menos de 3%. ‘Se ele afundar mais, a dívida pública poderia aumentar como porcentual do produto interno bruto’, acrescentou o FT.’



Artur Xexéo


‘A torcida por Lula’, copyright O Globo, 27/07/05


‘Nas muitas conversas que você vem tendo sobre a crise que enlameia a política brasileira, quantas vezes você ouviu alguém dizer que ‘o presidente Lula não tem nada a ver com isso’? Eu não ouvi nenhuma vez. Tenho ouvido coisa parecida. Entre os que ainda não substituíram a esperança pelo medo, entre os que agora sentem vergonha de, nas eleições, terem votado sem medo de ser feliz, escuto algo mais ou menos assim: ‘Tomara que o presidente Lula não tenha nada a ver com isso.’ É uma diferença sutil, mas é uma diferença. No fundo, quem acompanha com o coração na mão o noticiário diário da crise torce para que Lula não esteja envolvido, torce para que Lula não soubesse do esquema de corrupção armado nas suas barbas, mas ninguém garante que ele realmente não soubesse. E, como o presidente não vem a público falar abertamente sobre as denúncias que estão arrasando o PT, tudo indica que, enquanto durar a crise, a suspeita sobre ele também continuará existindo.


Não se pode dizer que o presidente não tenha tido oportunidade de esclarecer sua participação nessa sujeira toda. Ou sua não participação, é claro. Deu, espontaneamente, uma entrevista em Paris e, na série de inaugurações oficiais da qual está participando, não perde a chance de discursar. Mas, infelizmente, Lula, mais uma vez, segue a orientação de Duda Mendonça e tem feito discursos, aparentemente, dirigidos às classe C e D. Ou discursos que Duda e Lula acreditam que sejam convincentes para integrantes dessas classes. Em tom popularesco, critica as elites que querem que ele abaixe a cabeça. A que elite especificamente o presidente está se referindo? Há muitos representantes da elite nas denúncias que vêm sendo investigadas pela CPI. O Silvinho, ex-secretário-geral do PT, por exemplo, é certamente um deles. Ou alguém que não seja da elite consegue circular por aí de Land Rover? Lula também anda dizendo que ainda não nasceu um brasileiro capaz de discutir ética com ele. Supõe-se, então, que, por falta de interlocutores, ultimamente, o presidente não tem discutido ética com ninguém. Pois devia. Se o tivesse feito com Silvinho, por exemplo, ou com Delúbio ou com Genuino ou ainda com José Dirceu, só para citar quatro nomes de seu círculo de relações pessoais, talvez tivesse passado todo seu conhecimento para os companheiros e a gente não estaria passando por toda essa vergonha.


***


Ao depor na CPI dos Correios, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, respondendo a uma pergunta, disse que seu advogado era pago pelo Partidos dos Trabalhadores. No mesmo dia, o novo presidente do PT, Tarso Genro, garantiu que o partido não estava pagando advogado nenhum. Resta a pergunta que não quer calar: quem paga o advogado de Delúbio Soares?


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Cá entre nós, essas férias do ministro Gilberto Gil acabam quando?


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Já li que, juntando-se os investimentos diretos com o que gastam as estatais, a verba anual do governo com publicidade chega a R$ 900 milhões. Tem alguma coisa errada aí.


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Quando o Unibanco Arteplex foi inaugurado, imaginei que teríamos um grupo de novas salas ligadas ao cinema de arte no Rio. Entendi que o miniplex trazia uma proposta nova de programação, juntando o cinema, digamos, alternativo com o cinema-pipoca. Mas acreditava, sinceramente, que as salas dariam prioridade ao cinema de arte e, eventualmente, um ou outro filme do cinemão também estaria em cartaz por lá. Mas dê uma olhada na atual programação do Arteplex: Sala 1: ‘Madagascar’ e ‘Guerra dos mundos’; Sala 2: ‘Diabo a quatro’ e ‘Batman begins’; Sala 3: ‘Terra dos mortos’; Sala 4: ‘Teorema’ e ‘Mostra Tarantino e Rodrigues’; Sala 5: ‘Quarteto Fantástico’; Sala 6: ‘A fantástica fábrica de chocolate’. Resumindo: em nove filmes, sete são do chamado cinemão. É muito plex e pouca arte, concorda? Em vez de concorrer em Botafogo com o Espaço Unibanco, na verdade, o Arteplex está concorrendo com o Cinemark. Tenho uma amiga que costuma dizer que conhece o cinema pelo cheiro que vem dele. ‘Uma coisa é o cinema que cheira a pipoca. Outra coisa é o cinema que cheira a café’, sentencia. Pelo jeito, o Arteplex cheira muito mais a pipoca do que a café.


***


A notícia é da semana passada, mas vou reproduzi-la mesmo com atraso só para vocês terem uma idéia de como deliram nossas incríveis celebridades e seus maravilhosos assessores de imprensa: ‘Como o seu programa ‘De olho nas estrelas’ não irá ao ar, na tarde de 20 de julho, devido à transmissão do futebol, o apresentador Leão Lobo aproveitará esse raro tempo livre para escolher móveis e objetos de decoração para o seu apartamento que está sendo totalmente redecorado com a supervisão de uma profissional do ramo.’ Precisa comentar?’



Kátia Brasil


‘Playboy nega convite para Karina posar nua ‘, copyright Folha de S. Paulo, 26/07/05


‘O redator-chefe da ‘Playboy’, Ricardo Villela, confirmou que a revista teve a idéia do ensaio com Fernanda Karina Somaggio, mas que nenhuma proposta foi feita à ex-secretária do publicitário Marcos Valério, que ganhou notoriedade ao denunciar o suposto esquema de corrupção envolvendo o PT e seu ex-patrão.


A própria Karina, porém, disse ontem à Folha que recebeu e já aceitou o convite da revista. Ela diz querer cachê de R$ 2 milhões, ‘para sua campanha eleitoral’.


Karina, 32, justifica assim sua decisão: ‘O fato de posar para a revista é pela política. É tudo pela política. Não tenho tino artístico, mas preciso de dinheiro para minha campanha eleitoral’.


Ela afirmou que seu advogado, Rui Pimenta, trata das negociações com a revista e que o valor do contrato não sairia por menos de R$ 2 milhões. ‘Com esse valor daria para fazer minha campanha e pagar meu advogado’, afirmou Karina, que quer se candidatar a deputada federal em 2006. Ela diz ter sido procurada pelo PSDB.


Ela afirmou que foi sondada três vezes pela revista e que só concordou porque não terá recursos para financiar sua campanha. ‘Não tenho dinheiro, não estou trabalhando’, disse ela, que não sabe se vai continuar no emprego após o período de férias -que acaba hoje. ‘É melhor eu bancar minha candidatura ganhando uma grana [da revista] do que ser bancada por gente que vai querer algo em troca. Quero entrar lá [no Congresso] limpa’, disse a secretária.


Sobre a reação de seu marido à idéia de posar nua na ‘Playboy’, ela disse ter recebido ‘carta branca’: ‘Ele achou maravilhoso’.’



Zuenir Ventura


‘Apenas um não’, copyright O Globo, 27/07/05


‘A descoberta pelo GLOBO de que o PT não foi o primeiro, ou seja, de que já em 1998 o publicitário Marcos Valério usara com o PSDB de Minas um esquema parecido com o de agora, mostra o que mais ou menos se sabia sobre a natureza sistêmica da corrupção na política brasileira, que é ‘democrática’, não discriminando partidos nem ideologia, até porque faz parte de um negócio financeiro. Por um lado, isso é importante porque chama a atenção para a necessidade de não apenas se extirpar os corruptos de ocasião, mas de se criar mecanismos duradouros que possam combater uma prática que se enraizou como norma e como cultura no país.


Por outro lado, a revelação não pode servir para absolver ou diminuir a culpa e a responsabilidade do PT, muito menos para desviar o foco da CPI. Antes que se queira recorrer ao personagem de Chico Anysio – ‘eu sou, mas quem não é?’ – e alegar que ‘é tudo a mesma coisa’, seria bom lembrar que o PT é diferente, como sempre foi, só que agora ao contrário. Ninguém lhe tira o título de campeão da categoria ‘desvio de dinheiro público’, na qual se mostrou imbatível.


Em matéria de tomada de assalto (em todos os sentidos) do Estado, nada se compara à sua ação em rapidez e ganância. Em 25 anos de história, o Partido dos Trabalhadores deu sempre a impressão de que inventara a ética, e muitos militantes e figuras históricas, por sua honradez e seriedade, mais do que confirmavam isso. Em dois anos de governo, jogou-a no lixo. O PT no poder fez pela direita o que a própria direita não foi capaz de fazer. E produziu na esquerda mais estragos do que a repressão. Por isso é que quando se fala em ‘refundação’, surge logo a pergunta: refundar a partir de quê, do que foi jogado fora?


Nesses últimos dias, Lula esboçou como reação algumas idas às suas bases populares, levando um discurso velho, demagógico e populista, de luta de classes e de ressentimento. ‘A elite não vai me fazer baixar a cabeça’, disse, como se isso já não tivesse sido feito por companheiros de partido e de governo que o envergonharam. ‘É melhor dizer besteira do que fazer’, e a gente torce para que ele de fato não tenha feito nenhuma. Lula andou falando de ética e de corrupção, mas de maneira indireta e distante, quando seus 52 milhões de eleitores esperam dele apenas uma palavra, um ansiado não: ‘não tive nada a ver’. O problema é que a cada dia que passa isso se apresenta mais como desejo do que como esperança.’



Ivson Alves


‘Os impolutos’, copyright Coleguinhas, Uni-Vos, (http://www.coleguinhas.jor.br/picadinho.html), 27/07/05


‘Essa saiu na Folha de São Paulo:


DNA recebeu de empresas de comunicação


27/07/2005


Na movimentação de duas contas da DNA Propaganda no Banco do Brasil, a CPI identificou depósitos de pelo menos quatro empresas de comunicação em favor de uma das agências do publicitário Marcos Valério.


A CPI detectou uma transferência eletrônica da Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha, no valor de R$ 223 mil. A TED foi devolvida, registra levantamento feito pela comissão, que não aponta datas dos depósitos.


Os depósitos de valores mais elevados entre as empresas de comunicação foram feitos pela TV Globo. Em duas transferências eletrônicas, foram pagos R$ 4,625 milhões. A Editora Abril depositou R$ 303 mil, e a Editora JB, R$ 30 mil.


A CPI avalia que os depósitos referem-se a pagamentos de comissão devidas a agências de publicidade por veiculação de anúncios. Agências como a DNA são remuneradas por um percentual -geralmente 20%- dos anúncios que veiculam em canais de TV e rádio, jornais e revistas, além de comissão sobre a produção de comerciais e eventos, de 5%.


A lista dos depósitos é resultado da quebra do sigilo bancário de Valério. O relatório obtido pela CPI ontem é parcial.


Comentários:


1. Não conheço muito de publicidade, mas sempre pensei que quem pagava o BV para as agências fossem os anunciantes. Nunca soube que os veículos também o fizessem. E se o fazem, isso não está errado não? O cara deveria escolher os veículos de acordo com os interesses do cliente, não é não? Não haveria conflito de interesses? E será que os anunciantes sabiam dessa negociação do outro lado do balcão?


2. Por falar nisso, e já que o negócio é esclarecer tudo, que tal o Careca voltar à CPI e/ou depor perante o MP esclarecendo que critérios usou para definir que empresas receberiam as tais verbas publicitárias?


3. Seria bom a CPI levar a público todas as empresas de comunicação que pagaram ou receberam do Valério desde 98 e quando os pagamentos e recebimentos ocorreram. Seria interessante para saber se as empresas grandes, como a Abril, começaram a ser preteridas por outras menores depois da ascensão do Nove-Dedos à Presidência e, desse modo, passaram a perder dinheiro. Isso não colocaria as suas ‘neutralidade’, ‘isenção’ e ‘objetividade’ sob suspeição?


4. Quem seriam as empresas que veicularam os supostos anúncios nas empresas de comunicação citadas e em outras? Os Correios, por exemplo, estaria entre os clientes?


5. TV Globo, R$ 4,625 milhões em comissão?


6. Tá, Folha, o TED voltou, mas o problema não é esse, né? O problema é que houve um TED, certo?


7 Se o valerioduto, em especial a conexão tucana via Minas, for investigada seriamente, esse negócio vai longe. Até…Sei lá… Caratinga, quem sabe?’



TODA MÍDIA


Nelson de Sá


‘Passando da hora’, copyright Folha de S. Paulo, 27/07/05


‘Veio a mulher de Marcos Valério e não envolveu Lula, afinal, mas acertou José Dirceu em cheio. Da escalada do ‘Jornal Nacional’:


– Renilda afirma que ex-ministro sabia dos empréstimos ao PT. Conta que ele participou de reuniões com bancos que emprestaram o dinheiro.


Mal começou a sessão na CPI, de manhã nos canais de notícias, e ela já estava entregando o petista, no dizer da Globo, ‘várias vezes’. Dela mesma:


– Houve uma reunião da direção do Banco Rural, eu não sei precisar data, acho que no ano passado, com o então ministro para acertar sobre o pagamento do empréstimo.


Ato contínuo, a nova direção do PT, Tarso Genro e Ricardo Berzoini à frente, surgiu nas rádios e sites cobrando ‘explicações’ de Dirceu.


Não só dele. Em destaque na Folha Online, petistas diziam que ‘já está passando da hora’ das explicações dele e de colegas como José Mentor.


E tem mais. Genro pediu apoio do Ministério Público à ‘nova direção’ nas investigações internas e comentou, sobre a notícia de que o PSDB usou o mesmo esquema:


– Ter outros partidos envolvidos não muda em nada a nossa responsabilidade.


A tempo de pegar os telejornais, Dirceu enfim apareceu com uma nota. Na escalada do ‘Jornal da Record’:


– Mulher de Valério afirma que Dirceu sabia dos empréstimos. O ex-ministro nega.


Enquanto a nova direção do PT tirava proveito do depoimento, o ‘mercado’ se deliciava ao longo do dia com enunciados como ‘Renilda diz que Valério nunca se encontrou com Lula’, nos canais de notícias.


E com a ausência do nome de Antonio Palocci.


A Bovespa, segundo o Valor On Line, ‘começou operações em baixa’, mas minutos após as 10h já estava ‘em estabilidade’. Às 12h a Folha Online noticiou que a Bolsa ‘tenta recuperação e sobe’. Mais tarde, a Globo Online entrou com a submanchete ‘Mercado se acalma’.


E por fim o site do ‘Wall Street Journal’ trouxe o título ‘Brasil se recupera com depoimento’ -que não confirmou as reportagens de que Valério ‘poderia ter provas ligando o presidente Lula ao esquema’.


QUIXOTE


Eduardo Suplicy estava em toda parte. Com ‘band-aid’ na CPI, em entrevista na rádio Band, na Globo Online. Até na BBC: defendeu Lula solitariamente, em longa reportagem que apelou a Bruno e Marrone e à ‘Aquarela do Brasil’ para retratar o ‘desencanto’


A NOVA DIMENSÃO


O comentarista Franklin Martins abriu a manhã falando de Renilda de Souza, ‘mas o assunto do dia são as denúncias que envolvem o PSDB’.


Ao longo do depoimento, não faltaram petistas como Jorge Bittar e tucanos como Sérgio Guerra para tratar, cada um à sua maneira, das novas denúncias -e para pedir a mulher de Marcos Valério que comentasse, o que ela evitou o quanto pôde. Mas Renilda envolveu os tucanos por conta própria, dizendo que o marido ‘fez campanhas para outros’, inclusive:


– Se não me engano, para o Aécio, há mais tempo.


O novo velho escândalo, manchete de ‘O Globo’ com vasta repercussão na Globo, desde o ‘Bom Dia Brasil’, avançou com vida própria por telejornais, rádios, sites. Na escalada do ‘Jornal Nacional’:


– Denúncias envolvem PSDB de Minas no esquema de financiamento de campanhas via Valério. Dirigentes do partido defendem investigação.


Mais especificamente, dirigentes paulistas. Ao longo do dia, dois presidenciáveis, FHC e Geraldo Alckmin, ocuparam os sites para defender investigação do PSDB mineiro. De Alckmin, dizendo não ‘compartilhar da tese de que o governo tenta desviar o foco’:


– Nenhum governo está imune a você amanhã cometer um erro. A gravidade é que parece não ser questão pontual, ela é sistemática. Isso aí não é coisa ocasional. Você vê a dimensão que está tomando.


FHC foi mais contido:


– Temos que investigar tudo, mas sem perder o foco de que a crise é hoje. O que aconteceu no passado, no meu governo, é coisa da história.


Enquanto o presidente nacional, Eduardo Azeredo, se defendia no ‘JN’, o presidente do PSDB mineiro, Nárcio Rodrigues, jogava pesado na CBN:


– Em relação a qualquer irregularidade que tenha sido cometida, nós não vamos ficar aqui defendendo erros. Eu sou companheiro do senador Azeredo, mas não sou companheiro de eventuais erros que ele cometa. Ele tem que responder por eles.’



***


‘Despenca, dispara ‘, copyright Folha de S. Paulo, 26/07/05


‘No dizer da Globo, no fim da tarde, ‘o nervosismo da crise repercute no mercado’. Foi mais que isso. Na Folha Online:


– As ameaças de Marcos Valério elevaram o temor de que as denúncias atinjam diretamente o presidente Lula ou o ministro Antonio Palocci.


No enunciado da Record, ‘dólar dispara e Bovespa despenca com a crise’.


Não demorou e apareceu nos sites de ‘Wall Street Journal’ e ‘Financial Times’, este com o título ‘Temores sobre escândalo empurram mercados brasileiros para baixo’.


O ‘WSJ’ citou as ameaças de Valério. O ‘FT’ apontou ‘a preocupação crescente’ de que a crise possa ‘implicar o próprio presidente’.


O ‘despenca e dispara’ veio após um fim de semana em que Valério falou à Folha e depois às rádios CBN e Band, repisando as ameaças.


Ontem à noite, Boris Casoy abriu a escalada de manchetes do ‘Jornal da Record’ atualizando o conflito:


– Relator diz que lista de quem sacou dinheiro é pólvora. Lula diz a assessores que não tem medo de ameaças e paga para ver o que o publicitário tem nas mãos.


Ele paga, os aplicadores correm para o dólar.


Para elevar ‘o nervosismo no mercado’, a manchete do dia para o escândalo no ‘Jornal da Band’, ‘Jornal Nacional’, sites e rádios:


– Justiça obriga mulher de Valério a responder a todas as perguntas da CPI.


O depoimento é agora cedo, ‘aberto’ e ao vivo.


E para levar o mercado do ‘nervosismo’ a coisa pior, de uma vez, Lula não sai mais do palanque.


O ‘Bom Dia Brasil’ reproduziu a declaração do presidente do sindicato dos metalúrgicos do ABC, sábado:


– Este sindicato, Lula, estará nas ruas e na resistência, se alguém se atrever a tentar apear do Palácio do Planalto por um golpe o seu direito de estar lá, conquistado no voto.


E a do líder dos ‘cegonheiros’, domingo:


– Posso te garantir que este povo sempre esteve e estará com você… Pode ter certeza que, se vierem prejudicar você, que sempre esteve com a gente, nós vamos para a rua.


E tem mais. Para Lula voltar ‘às ruas’, ele vai ter de mudar, ao menos segundo João Pedro Stedile, do MST, ontem no site Globo Online:


– O PT agiu como os demais partidos, comprando deputado de direita para votar projeto de direita. A solução é Lula deixar a base aliada e se juntar ao povo. E começar mudando a política econômica.


Na manchete do site Carta Maior:


– Movimentos sociais voltam às ruas por mudanças na política econômica.


‘SORRY’


Na BBC, ‘ataque de pânico’


Tony Blair saiu declarando ‘nós lamentamos desesperadamente’, ontem na BBC, CNN, ‘JN’ etc., mas defendeu a execução de Jean Charles de Menezes pela polícia de Londres, com sete tiros na nuca, à queima-roupa. Nas palavras do inglês:


– Temos de entender que ela está fazendo seu trabalho em circunstâncias muito difíceis.


Os editoriais nos britânicos ‘Guardian’, ‘Times’ e BBC foram na linha do primeiro-ministro, lamentando, mas dizendo que é assim mesmo.


O conservador ‘Times’ cobrou que ‘as circunstâncias sejam examinadas’, mas disse que ‘a política de atirar para matar é inevitável’. O liberal ‘Guardian’ só cobrou de Blair que preparasse antes o público para a violência -e também defendeu ‘atirar para matar’.


A BBC comentou que, se ‘Jean morreu de pânico, quando fugiu de estranhos armados’, ele ‘também foi vítima do pânico britânico por segurança, depois das bombas’. Mas não, nada de mudar.


Para tentar calar a avó, os pais, os primos, que desfilam sem parar pelos canais de notícias do mundo, ‘o ministro Jack Straw garantiu que vai fazer esforço pessoal para que a família de Jean seja indenizada financeiramente’, segundo o correspondente da Globo.


Prosperidade 1


No ‘Domingo Espetacular’, a Record fez sua defesa para as malas de dinheiro. Falou com orgulho dos R$ 3,5 milhões que, tirados ‘das ofertas, sustentam os pastores’. Seguiu ‘um dia de trabalho do bispo Romualdo’, da compra de terreno à viagem num jato executivo:


– Hora de voar de novo.


Prosperidade 2


Não faltou nem pesquisador da PUC para detalhar a ‘teologia da prosperidade’, encampada com orgulho aberto pela Igreja


Universal.


Aliás, também não faltou Lula em 1992, condoído com a prisão de Edir Macedo.’


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