Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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ENTRE ASPAS > ELEIÇÕES / EUA

João Sayad

31/08/2004 na edição 292

‘Kerry tem sido acusado de antipatriota e traidor, apesar de ter combatido e ter sido condecorado na Guerra do Vietnã. Os democratas alegam que as acusações têm vindo de uma organização de veteranos de guerra ligados à campanha de Bush.

No cinema, documentários demonstram que não havia motivos para invadir o Iraque. Várias TVs abertas defendem a guerra e espalham pânico entre os espectadores.

O petróleo não é o motivo principal da invasão do Iraque. Como qualquer país civilizado, os americanos precisavam de um bode expiatório depois do 11 de Setembro. O Iraque foi escolhido pelas mesmas razões que, durante a Idade Média, a Europa elegia os judeus como responsáveis pela Peste Negra. Como os brancos do Sul enforcavam um negro, eterno acusado de estupro. Ou como a polícia no Brasil, às vezes, encontra rapidamente o culpado do crime hediondo depois de espancar um ‘pardo’ na delegacia.

O debate sobre o heroísmo de John Kerry ou sobre as falsas informações que levaram à invasão do Iraque tem efeitos marginais sobre as pesquisas de opinião pública, diminuindo ou aumentando alguns pontos nas intenções de votos de cada candidato.

No Brasil, a CPI do Banestado acusa muitos por crimes fiscais e é acusada de motivações políticas. A campanha eleitoral para as prefeituras multiplica as denúncias. Jornalistas se acusam mutuamente por notícias falsas. As revelações obrigam o governo a negociar com a oposição e enchem os jornais de notícias. Nada muda nem se propõe nada de novo.

O mundo já foi diferente. O presidente Nixon foi ‘impeached’ apenas porque mentiu. As crianças americanas aprendem na escola a história, falsa ou verdadeira, que George Washington nunca mentiu.

No Brasil, as entrelinhas da ‘Veja’ no início dos anos 70 davam notícias proibidas que se tornavam escândalos. As poesias impressas nas primeiras páginas do ‘Estadão’ eram denúncia forte contra a tortura e a opressão.

‘O escritor é responsável pela liberdade humana.’ Em tempos de mudança, quando o opressor é conhecido, a liberdade é uma ação concreta, uma palavra, um gesto ou um panfleto distribuído às escondidas.

Quando nada muda e o opressor ainda não foi identificado, a elite consolidada compartilha das mesmas opiniões; escritores, jornalistas, economistas se transformam em defensores de conceitos universais -’a liberdade de expressão’, ‘a verdade’, ‘a ética’, ‘a arte pela arte’, o jornalismo pelo jornalismo, a economia como teoria pura e a política como jogo de poder.O leitor, como um espectador de televisão que apertou o botão ‘mute’, vê sem ouvir cenas de amor ou pornográficas, de violência ou heroísmo, de patriotismo ou corrupção com a mesma indiferença. O que se diz não tem importância nenhuma.

Em tempos assim, as eleições não são relevantes. O vencedor adotará sempre a mesma política, ou na linguagem dos ‘executivos’, terá a mesma ‘missão’ e o mesmo ‘desafio’ do candidato que derrotou. A personalidade do candidato -carismático, agressivo ou prudente- é mais importante do que o partido. Um ‘head hunter’ escolheria melhor do que as urnas.’



EUA / NÚMEROS INFLADOS
O Globo

‘Jornal que inflou números é processado’, copyright O Globo, 26/8/04

‘DALLAS. Um grupo de acionistas da Belo Corp. entrou com uma ação contra a empresa de mídia acusando-a de tê-los prejudicado ao inflar os números da circulação do principal jornal da companhia, o ‘The Dallas Morning News’. Segundo a ação, entregue segunda-feira a uma corte de Dallas, as falsas informações divulgadas pela Belo e por dois de seus principais executivos elevaram artificialmente os resultados da empresa e o preço de suas ações.

— Não se pode adulterar o principal aspecto de seu negócio para induzir as pessoas a comprarem suas ações — disse o advogado Darren Robbins, que entrou com a ação, citando como réus o presidente e diretor-executivo da Belo, Robert Decherd, e seu ex-vice-presidente Barry Peckham.

A Belo disse em nota que a ação não tem mérito e que vai se defender das acusações. A empresa revelou, no início deste mês, que havia superestimado o número de exemplares vendidos do ‘The Dallas Morning News’ em 5% aos domingos e 1,5% nos demais dias da semana. A Belo disse, na semana passada, que vai devolver US$ 23 milhões a seus anunciantes, já que é a circulação que determina o valor dos anúncios.

A ação quer recuperar as perdas de todos os que compraram papéis da empresa entre 12 de maio de 2003 e 6 de agosto deste ano.’



OMBUDSMAN NA TV
Daniel Castro

‘Governo quer impor ombudsman nas TVs’, copyright Folha de S. Paulo, 30/8/04

‘O Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal estão tentando impor às emissoras de TV uma estrutura interna parecida com a figura do ombudsman.

Minuta de ‘termo de compromisso’ apresentada pelos dois órgãos às redes no último dia 3 prevê que as emissoras terão um departamento interno, com ‘independência funcional’, para ‘zelar pelo respeito aos princípios constitucionais’ e ‘receber e encaminhar internamente reclamações, sugestões e críticas formuladas por espectadores, organizações da sociedade civil e órgãos públicos, a respeito da programação’.

O ‘ombudsman’ também seria responsável pelo cumprimento do ‘termo de compromisso’. Pelo termo, governo e Ministério Público dariam uma trégua às TVs, deixando de acioná-las na Justiça em caso de excessos.

Em contrapartida, as emissoras se comprometeriam a não exibir ‘pegadinhas’ e jornais policiais antes das 20h e se absteriam de ‘realizar programas no estilo ‘reality show’ cuja finalidade seja a exploração da intimidade dos participantes’ e de exibir, em programas infantis, propaganda de brinquedos e alimentos para crianças.

As TVs vêem na obrigatoriedade de ombudsman uma ingerência externa. Elas têm até o dia 3 para dar sugestões ao governo, mas não deverão fazê-lo. Para Dennis Munhoz, presidente da Record, o ‘termo’ acaba com ‘realities’ e programas infantis.’

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