Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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ENTRE ASPAS >

John Lichfield

15/06/2005 na edição 333


‘Numa apresentação extremamente corajosa e cheia de humor, a jornalista francesa Florence Aubenas contou ontem como sobreviveu cinco meses vendada e amarrada numa pequena e escura cela no Iraque. Chamada por seus seqüestradores de ‘Leila’ ou ‘número 6’, ela fez uma revelação-bomba. Seqüestrada perto de Bagdá em janeiro e libertada no último fim de semana, Florence aumentou a controvérsia em torno do deputado Didier Julia. Ela contou que o seqüestrador-chefe, que se identificava como ‘Boss’ (chefe, em inglês) ou ‘Hadji’, disse ter falado com Julia por telefone duas vezes.


– Ele disse que foi muito rápido porque Julia fala mal inglês – disse, provocando risos.


Julia, do partido de Jacques Chirac, negou ter interferido na tentativa do governo para libertá-la. Ele já responde a um processo por seus esforços na libertação de dois jornalistas franceses seqüestrados em 2004.


A jornalista contou ter passado mais de 150 dias numa cela com quatro metros de comprimento por dois de largura. Ela ficou todo o tempo vendada e com mãos e pés amarrados. Tinha permissão para ir ao banheiro duas vezes por dia e tomar banho uma vez por mês. Apanhava se falasse com o companheiro de cela, que dias antes da libertação descobriu ser seu guia, se se mexesse muito na cama ou se chorasse alto.


– Passava o tempo contando: os segundos, os minutos, os passos ao banheiro – contou Florence, que perdeu 12 quilos.


No Iraque, uma bomba matou 22 e feriu 85 em Kirkuk, no norte, no mesmo dia em que Massoud Barzani, ex-líder guerrilheiro, foi empossado presidente da região autônoma curda.’



 


INTERNET


Juliana Carpanez


‘Falha no Orkut permite destruir comunidade ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘Os usuários do Orkut se depararam recentemente com uma falha classificada por alguns internautas como a pior já apresentada pelo site. Esse problema disponibilizou nas comunidades o link ‘become a moderator’ (no lugar do nome do proprietário) e permitiu que usuários roubassem o status de moderador de grupos.


Criou-se então uma guerra virtual -cheia de acusações trocadas via scraps (recados)- entre os que roubaram as comunidades e os usuários que as querem de volta. Aparentemente, a falha foi consertada pelo Orkut, que diz estar ‘trabalhando arduamente para a solução do problema identificado na última sexta’.


Alguns internautas se aproveitaram da brecha para deletar grupos -de acordo com torcedores, isso aconteceu com ‘Corinthians’ e ‘Corinthianos -Imprensa Limpa’, que não podem mais ser acessados.’



 


Bruno Garattoni


‘TVs assumem funções de computador ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘A TV digital ganhou impulso quando os Estados Unidos, na semana passada, resolveram acelerar sua adoção. Todos os televisores de tela grande -de 25 a 36 polegadas- terão de ser compatíveis com o padrão digital ATSC em 1º de março de 2006, quatro meses antes da data inicialmente prevista. Nos Estados Unidos, a TV digital já é uma realidade: as grandes redes abertas transmitem diversos programas em alta definição (HDTV) -com quase sete vezes a resolução de imagem da TV analógica-, e os serviços por assinatura oferecem canais exclusivos para a HDTV.


Como os EUA têm 275 milhões de TVs, muita gente vai trocar de aparelho nos próximos dois anos. Por isso, as grandes empresas de eletrônica estão radicalizando as inovações em seus televisores.


Além de telas finas e alta resolução de imagem, as TVs digitais de última geração são verdadeiros computadores: elas gravam vídeo digitalmente, podem ser ligadas a câmeras digitais e se comunicam sem fios com o PC e a internet.


No Brasil, a transmissão de TV digital já existe, mas apenas em serviços pagos e com baixa resolução. O governo continua deliberando sobre o padrão digital a ser adotado na TV aberta, e promete uma decisão apenas em fevereiro de 2006.


Um documento oficial do Ministério das Comunicações (www.mc.gov.br) fala em desenvolver um padrão brasileiro, mas ressalta que ‘o aumento da abrangência e [da] flexibilidade’, considerado ‘importante’ na tecnologia brasileira, ‘pode elevar o preço final dos equipamentos’. A afirmação do documento é clara: se o país adotar um padrão tecnológico próprio, o preço dos televisores pode subir.


Próxima geração


Empresas em vários países já testam a IPTV, que é uma tecnologia de transmissão via internet com recursos ultra-sofisticados.


A televisão passa a ter uma conexão permanente, de banda larga, à internet, ou seja, dá para fazer download de programas (o episódio de uma série que você perdeu, por exemplo) e programar remotamente o aparelho. Basta mandar um e-mail para a IPTV para que ela agende a gravação de um determinado show. A FastWeb (www.fastweb.it), na Itália, tem um dos serviços IPTV mais interessantes.


No computador


O computador pessoal não ficou atrás. Os Media Center PCs, sucesso de vendas nos EUA, usam uma versão especial do Windows que transforma o computador em gravador digital, capaz de gravar vídeos em DVDs e até transferi-los para um tocador portátil.


Também já existem placas que transformam o computador em receptor de TV digital, por um preço bem razoável. Infelizmente, nenhum desses produtos pode ser comprado (ou funcionaria corretamente) no Brasil.


Uma dica para quem quer captar a TV analógica brasileira no computador é a placa PixelView PlayTV MPEG2 (www.pixelview.com.br), que tem preço relativamente acessível: R$ 280. Com um computador de 1,5 GHz e 256 Mbytes ela já funciona bem, e o software fornecido (Power VCR II) tem várias funções úteis.


Dá para pausar transmissões ao vivo e gravar programas, inclusive agendando gravações. Com mais R$ 300, você pode comprar um gravador de DVD, transformando seu computador em gravador digital de vídeo (DVR), aparelho que é febre de vendas nos Estados Unidos.


Ligando um televisor comum ao adaptador Prismiq, qualquer computador pode acessar a internet. Esse aparelho também integra a TV ao micro, ou seja, ela recebe sem fios as músicas e os vídeos contidos no PC. Outro adaptador do gênero é o MSN TV 2, da Microsoft, que só está disponível nos EUA.


Mobilidade


A TV digital também já chegou ao celular -a Coréia do Sul tem um satélite que transmite sete canais com programação exclusiva para telefones portáteis. Recentemente o consórcio ATSC, que supervisiona o padrão de TV digital norte-americano, mostrou um aprimoramento que torna seu sistema compatível com a transmissão para aparelhos móveis. Isso abre caminho para a popularização de telefones capazes de sintonizar televisão.’



 


***


‘TV paga brasileira já faz transmissões digitais ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘Mesmo sem a qualidade de imagem dos sistemas de alta definição, a TV digital já chegou ao mercado brasileiro. A Sky (www.skybrasil.com.br) e a DirecTV (www.directv.com.br) operam serviços de TV por assinatura que são, a rigor, transmissões digitais -a diferença está na resolução da imagem, não muito melhor que a obtida pela TV tradicional.


Como os decodificadores dessas empresas não têm saída de vídeo digital, o usuário é obrigado a fazer uma conexão analógica ao televisor, o que causa degradação adicional na imagem.


Por outro lado, a Sky promete transmissões com áudio no padrão Dolby Digital, que tem cinco canais de som e é usado em DVDs. Para usufruir delas, é preciso adquirir o decodificador Sky+, que custa R$ 1.200 (ou R$ 999 para quem já é assinante da empresa) e foi o primeiro no Brasil a trazer acoplado um gravador digital -com 80 Gbytes, ele oferece capacidade suficiente para aproximadamente 50 horas de gravação.


O aparelho permite pausar transmissões ao vivo e possui um guia que facilita a programação de gravações -basta selecionar na tela os shows desejados-, mas não pode ser conectado digitalmente a tocadores portáteis. Os pacotes de programação da Sky custam a partir de R$ 49,90 mensais.


A Sky oferece alguns serviços na tela da TV, como a recarga de telefones celulares pré-pagos das operadoras Vivo, Claro, Oi, Telemig e Amazônia Celular. Também já veiculou uma campanha publicitária interativa, dando acesso a mais informações sobre um produto por meio do controle remoto do decodificador digital.


TV a cabo


Neste ano, as operadoras de cabo Net e TVA apresentaram seus serviços digitais. Eles não operam com alta resolução, ou seja, têm qualidade de imagem comparável à proporcionada pelos serviços via satélite.


A primeira -nettv.globo.com/NETServ/hotsites/tvdigital/home.jsp- cobra R$ 399 de taxa de adesão (R$ 349 para quem já é assinante) ou então aluga o decodificador por R$ 19,90 mensais -valor que não inclui o plano de conteúdo, cuja versão mais simples custa R$ 164,90 mensais. A empresa planeja lançar um gravador de vídeo digital (DVR) no segundo semestre. Atualmente, a Net diz ter 12 mil assinantes do sistema digital.


Um detalhe interessante do decodificador da Net é que ele possui modem embutido. Com o aparelho conectado a uma linha telefônica, é possível adquirir programas pay-per-view diretamente no controle remoto (não é preciso ligar para a central de atendimento da operadora, como no sistema analógico).


A TVA (www.tva.com.br/tvadigital) é mais acessível, pois seus planos digitais começam em R$ 58,90 mensais -o preço mínimo da adesão é R$ 149,90-, e promete filmes em Dolby Digital. A operadora pretende lançar um DVR em julho por R$ 999.’



 


Juliano Barreto


‘Internet Explorer ganha abas de navegação ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘Após perder milhões de usuários para os navegadores Firefox e Opera, o Internet Explorer copiou os rivais e agora também é capaz de abrir várias páginas em uma mesma janela.


O recurso de navegação por abas é adicionado ao programa por meio da instalação da barra de ferramentas do portal MSN (grátis, em toolbar.msn.com).


A barra, que por ora só tem versão em inglês, traz buscador de arquivos, sistema para bloquear janelas pop-up, preenche formulários on-line e integra ao IE o engenho de busca do MSN.


Nos quesitos facilidade de uso e quantidade de opções, as abas de navegação da MSN Toolbar se equivalem aos recursos de navegadores concorrentes.


Para instalar a barra, é preciso usar o Windows XP e o Internet Explorer 5.01 ou posterior.


Uso das abas


Existem várias maneiras de usar as abas no IE. Para abrir uma nova aba em branco, basta clicar na cruz azul que fica no canto superior esquerdo da barra ou usar a combinação de teclas Ctrl+T.


Para abrir atalhos em abas, clique com o botão direito do mouse sobre o link e escolha entre as opções Open in new background tab (site abre atrás da janela atual) ou Open in new foreground tab (site abre na frente da janela).


Ainda na área superior do navegador, também estão disponíveis outros dois botões: o QuickTabs (ícone de uma pasta com uma seta verde) e o My Tabs (ícone de uma pasta com uma casa).


Depois de clicar no Quicktabs, todos os links acessados pelo internauta serão abertos em abas. Para desativar a opção basta clicar novamente sobre o ícone.


O My Tabs é uma de lista de sites que podem ser abertos ao mesmo tempo com um só clique.


Para adicionar endereços a essa lista, clique sobre a aba de um site com o botão direito do mouse e depois clique em Add to My Tabs.


Para personalizar as opções de navegação, clique sobre o logotipo do MSN que fica na barra, depois escolha a opção MSN Search Toolbar Options e, na janela que abre, clique em Tabbed Browsing.


Defeito interno


Apesar da boa organização dos recursos oferecidos, a barra de navegação do MSN tem um problema estrutural: consome mais recursos do micro do que os outros navegadores que têm abas.


Diferentemente dos rivais Mozilla e Opera, que têm as abas como uma função embutida, o IE usa um truque gráfico para abrir vários sites na mesma janela.


O resultado disso é que o navegador da Microsoft é aberto novamente a cada aba acionada. Nos testes realizados pela reportagem, essa diferença foi mostrada de forma discreta pelo Gerenciador de Tarefas do Windows.


Ao abrir três páginas ao mesmo tempo, o IE consumiu 28.720 Kbytes de memória enquanto o Firefox consumiu 27.352 Kbytes para realizar a mesma tarefa.


Na prática, o IE foi muito mais instável: travou todas as vezes em que mais de cinco páginas foram abertas simultaneamente. Problema que o Mozilla Firefox não apresentou.’



 


Mariana Barros


‘Software poliglota adapta páginas da rede ‘, copyright Folha de S. Paulo, 15/06/05


‘Não existem fronteiras para surfar na internet -a não ser que você não entenda patavina do idioma do site selecionado.


Um dos aplicativos mais interessantes do Language Engineering Company (LEC) Power Translator 9, da XpressSoftware, visa resolver isso. Chamado LEC Mirror, consiste em uma ‘janela intérprete’, que traduz sites (compatível apenas com Internet Explorer) mantendo a aparência e os links das páginas.


Na página do jornal russo ‘Pravda’ (www.pravda.ru) foi possível compreender os assuntos de cada canal. As notícias, porém, não foram traduzidas integralmente. A conversão alternou reticências e estruturas ininteligíveis, como ‘Congresso de festa ‘Rodina’ que passa hoje dentro … ‘Izmailovo’ complexo, começou em situação solene. Da manhã de ego ao lado de de … delega e os convidados de foro de festa conheceram mocidade dentro vermelho-vermelho’, que parece referir-se a uma manifestação.


O resultado foi melhor na tradução do jornal francês ‘Le Monde’ (www.lemonde.fr): ‘O jornalista de ‘Liberação’ foi livrado depois de cinco meses de cativeiro. Ido de Iraque e depois de uma escala em Chipre, ela/isto chegou o domingo pela noite no aeroporto’. Apesar dos erros, foi possível entender que se tratava da liberação de uma jornalista mantida como refém em Bagdá.


Segundo o analista da XpressSoftware, Rodrigo Estanislau, os erros ocorrem porque os idiomas são convertidos para o inglês antes da língua desejada.


Dos seis idiomas disponíveis -português, inglês, espanhol, italiano, francês e russo, traduzidos bilateralmente por cinco dispositivos diferentes – os melhores resultados foram obtidos na tradução do inglês para o português. Esta e a transição inversa foram avaliadas pela tradutora Cláudia Costa, que traduz séries (como ‘Ally McBeal’) e filmes (como ‘Menina de Ouro’) para TV e DVD.


Segundo ela, a identificação de palavras de duplo sentido foi um destaque positivo. ‘Tomada’, que pode designar tomada elétrica ou o verbo tomar, foi corretamente traduzida por ‘socket’, na frase ‘A tomada queimou’. Outras vantagens foram a flexão verbal e a preservação de nomes próprios na língua original. Apesar de alguns erros, o sentido das frases foi preservado.


Para Costa, o reconhecimento de gírias foi outro aspecto positivo. ‘Em meu trabalho, é muito comum aparecerem expressões que não estão no dicionário’, disse. Já a conversão do português para o inglês resultou em algumas frases incompreensíveis e expressões inexistentes, como ‘in function’ para substituir ‘em função’.


Outros recursos


Além do tradutor de páginas, o software dispõe de outros quatro aplicativos. O File Trans traduz arquivos de texto com extensão .txt e sites gravados no PC. Ao clicar no documento escolhido, surge uma versão integral na língua selecionada.


O Dictionary informa o sentido e a classe gramatical da palavra escolhida e, se for verbo, como deve ser flexionado. ‘Get’, por exemplo, segue o padrão do verbo ‘forget’. O aplicativo inclui glossários médico, jurídico, de negócios e de computação -este traduziu ‘spam’ para inundação, sem considerar que o termo designa e-mails indesejados.


O dispositivo Transit gerencia o uso dos demais, enviando as informações para o canal desejado, e o Logo Trans traduz simultaneamente, enquanto o usuário digita. Uma outra janela faz a conversão inversa, para que o usuário certifique-se de que o sentido original está sendo mantido. A frase ‘Is there anything wrong?’ foi traduzida para ‘Há qualquer coisa erradamente?’ e convertida de volta para o inglês: ‘Is there any mistakenly thing?’.


A versão testada pela reportagem foi a Global, que custa R$ 1.178,60 e ocupa 193 Mbytes. Ela dá direito a três meses de acesso gratuito, via internet, a outros 272 pares de idiomas (a assinatura mensal varia de US$ 5 a US$ 40).


O software está disponível nas versões Personal (R$ 383,05) e Professional (R$ 589,30). Ambas só traduzem do português para o inglês e vice-versa e a segunda inclui os glossários técnicos. Mais informações podem ser obtidas no site www.xpresssoft.com.br e pelo telefone 0/xx/11/5572-0247.’


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PRIMEIRAS EDIçõES >

John Lichfield

Por lgarcia em 27/02/2002 na edição 161

FOTOJORNALISMO

"Crise abala megagência de fotojornalismo", copyright Folha de S. Paulo / The Independent, 19/02/02

"Uma instituição da imprensa internacional morreu na semana passada, embora sua morte não tenha sido noticiada com destaque. A agência de fotojornalismo Sygma -maior do mundo em sua área de atuação, sinônimo de excelência em fotojornalismo nos últimos 25 anos- demitirá todos os seus fotógrafos contratados.

Após uma greve que durou 16 dias, os 42 fotógrafos e quase a metade dos outros funcionários contratados da sede da Sygma em Paris aceitaram acordos de demissão. É o fim da disputa trabalhista na qual fotógrafos de guerra da Sygma, já grisalhos, fotografaram-se uns aos outros enquanto faziam manifestações, nus. E, segundo os fotógrafos, também é o fim da Sygma como agência fotográfica de primeira linha.

Criada após uma dissidência da agência Gamma, em 1973, a Sygma caiu vítima, em parte, dos avanços e das mudanças tecnológicos nos usos e costumes da mídia, que ameaçam enfraquecer todas as grandes agências fotográficas internacionais. Além disso, foi gravemente prejudicada pelo casamento infeliz, que já dura três anos, com a Corbis (empresa pertencente ao fundador da Microsoft, Bill Gates), que se tornou a maior proprietária e fornecedora mundial de imagens on-line.

Quando adquiriu a Sygma, em 1999, a Corbis prometeu transformar a agência na base de sua estratégia global. Basicamente, ela se tornaria uma espécie de ?grande loja? de fotos de todo tipo para jornais, revistas e sites.

Na verdade, dizem os fotógrafos da Sygma, a Corbis estava interessada apenas em explorar o nome da agência e seu acervo de 40 milhões de imagens. Ela não manifestou nenhuma compreensão ou interesse, e tampouco investiu qualquer dinheiro, no desenvolvimento da Sygma como agência de fotojornalismo.

?A Corbis nos transferiu para um escritório caro em Paris, mas, apesar de sermos dirigidos por Bill Gates, não nos deu a tecnologia de última geração da qual precisávamos?, disse um dos mais experientes fotógrafos da agência, Patrick Durand, 49. ?Sua abordagem era baseada na utilização do acervo de imagens da Sygma. Seus executivos não tinham a menor idéia de como organizar a cobertura fotográfica das notícias, nem de como vender as imagens que produzíamos. Chegamos à conclusão lógica, porém absurda: uma agência fotográfica sem fotógrafos. O nome Sygma pode sobreviver por algum tempo ainda, mas, na essência, ela morreu.?

A direção da Corbis-Sygma diz que está reposicionando a agência para reduzir as perdas substanciais sofridas nos últimos anos (situação semelhante a de outras agências de qualidade, como Sipa e Gamma). Todos os fotógrafos que trabalham para a agência, de agora em diante, serão free-lancers (como muito sempre foram). Antes, a agência desenvolvia as idéias, organizava as viagens e custeava boa parte das despesas. Agora, caberá a fotógrafos free-lancers, credenciados pela agência, fazer tudo por conta própria. A Sygma se limitará a vender seu trabalho e dividir o dinheiro.

?Sendo assim, não haverá razão para um fotógrafo conhecido trabalhar para a Sygma. Todos os profissionais experientes ou vão trabalhar por conta própria ou formarão agências novas, menores?, disse Durand, veterano de conflitos que abrangem desde a guerra entre União Soviética e Afeganistão até a Guerra do Golfo. ?Se sobreviver, a Sygma ficará com os principiantes.?

Tudo isso é negativo porque as grandes agências fotográficas como Sygma, Gamma e Sipa, em suas épocas áureas, eram uma força que promovia a excelência e a originalidade, ampliando os limites do fotojornalismo -logo, do próprio jornalismo.

O surgimento de novas tecnologias como câmeras digitais, telefonia via satélite e transmissão de imagens on-line acabou prejudicando as agências fotográficas especializadas e beneficiando as agências de notícias que produzem texto e imagens, como Reuters, Associated Press e France Presse. Essas agências sempre dominaram as imagens vistas nos jornais diários. Nos últimos anos, passaram a ocupar espaço cada vez maior também em revistas semanais e mensais.

O arrocho imposto aos orçamentos de publicações em todo o mundo, o movimento em direção a um jornalismo mais light, mais ?baseado em gente? e mais distante das notícias nuas e cruas, mesmo nas revistas vistas como ?sérias?, leva os editores a relutar em pagar o preço de um fotojornalismo de excelente qualidade, quando podem ter acesso a fotojornalismo de boa qualidade e supostamente ?de graça?, na medida em que as fotos vêem incluídas nos valores fixos que pagam pelas assinaturas dos serviços das agências de notícias."

 

JORNAL METRO

"França: empresas e gráficos contra lançamento de jornal gratuito", copyright O Estado de S. Paulo, 20/02/02

"Membros do sindicato dos gráficos e distribuidores de jornais e revistas da França tentaram impedir, pelo segundo dia consecutivo, a distribuição em Paris do jornal gratuito Metro, publicado pelo grupo sueco Metro International. Em Marselha, a polícia teve de escoltar os exemplares da gráfica até a cidade.

Os sindicalistas, ligados à CGT, protestam contra a entrada do jornal gratuito no mercado, fato que também preocupa os diários estabelecidos. Os trabalhadores ameaçam bloquear a entrega de qualquer jornal na próxima segunda-feira, na tentativa de demonstrar como seria ter à disposição somente publicações gratuitas.

Anteontem, os protestos atrapalharam o lançamento do Metro nas duas cidades, e os sindicalistas destruíram 50 mil cópias do jornal na gráfica em Marselha. A edição de Paris teve de ser feita em Luxemburgo, onde fica a sede do grupo sueco. Foram impressos mais 20 mil exemplares, distribuídos à noite. A Metro International edita periódicos gratuitos em 20 cidades ao redor do mundo, atingindo uma estimativa de 6,6 milhões de leitores.

Os dois principais jornais franceses, Le Monde e Libération, compararam a chegada dos jornais gratuitos à prática de dumping. Em editorial, o Le Monde disse que as publicações normais sobrevivem com ?um equilíbrio econômico frágil? e são impressas e distribuídas em condições estritas e caras, ditadas por contratos sindicais. Os jornais gratuitos, disse, ?não estão isentos de perigo para a imprensa escrita?.

Passatempo – Serge July, editor do Libération, escreveu: ?Esses jornais gratuitos têm a aparência de jornal diário, cheiro e cara de imprensa escrita, mas a semelhança com os jornais diários acaba aí.? E acrescentou: as publicações gratuitas ?criam uma desigualdade econômica fundamental?. O título da matéria na primeira página dizia:

Desconfiem das imitações.

O Metro foi lançado na segunda-feira, junto com outro jornal, o Marseille Plus. Como este é produzido pelo diário regional La Provence, não enfrentou rejeição. Na tentativa de acalmar os ânimos, o Metro afirma ser uma publicação de leitura rápida, um passatempo para o transporte público. E diz ter como alvo um público que normalmente não compra jornais.

A associação Nouvelles Messageries de la Presse, que controla a distribuição de periódicos através de cooperativas, teme que a chegada dos diários gratuitos repercuta nas vendas dos pagos e, em conseqüência, nas bancas."

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