Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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ENTRE ASPAS >

Jornais destacam traição de
candidato tucano a Alckmin

Por Luiz Antonio Magalhães em 28/08/2006 na edição 395


Leia abaixo os textos de quinta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 24 de agosto de 2006


ELEIÇÕES 2006
Carmen Pompeu


Alcântara tira Lula da TV no Ceará, mas por ordem do TRE


‘Depois de deflagrar uma crise na campanha tucana, o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), não usou ontem o depoimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu programa eleitoral no rádio e da TV. O motivo não foi o mal-estar criado no PSDB, mas uma decisão da Justiça Eleitoral cearense, que o proibiu de veicular as declarações. Seu advogado, Meton César Vasconcelos, avisou que vai recorrer. Enquanto isso, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, continuou sendo ignorado no programa de Alcântara e em outros Estados.


O recurso que obrigou o governador a tirar do ar as imagens e a fala de Lula tinha sido apresentado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por seu principal adversário na disputa cearense, Cid Gomes, do PSB. Alcântara, no entanto, pretende insistir. De acordo com seu advogado, ele não fez campanha, mas apenas mostrou que tem uma parceria com o governo federal.


Ontem, tanto no rádio como na televisão, o governador manteve a fala em que enaltece a parceria com o presidente Lula. ‘É necessário que o governo do Estado tenha, como estou tendo, permanente diálogo com a sociedade e estreita parceria com o governo federal. Um grande exemplo da parceria com o governo federal e organizações internacionais é a instalação da Usina Siderúrgica do Ceará. Uma luta antiga que tenho a honra de realizar’, disse. ‘Quero continuar contando com a parceria do governo federal e, sobretudo, com a parceria do povo cearense’, completou.


Na televisão, enquanto a campanha de Cid Gomes apresentava fotos, nome e número de Lula ao fundo, Alcântara e a maioria de seus apoiadores não fizeram nenhuma referência a Alckmin. Apenas três candidatos a deputado estadual, todos ligados ao presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), pediram votos para o candidato do partido à Presidência.


O presidenciável tucano também continua ausente do horário eleitoral tucano em vários Estados. O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), que disputa a reeleição, havia feito um apelo na terça-feira para que candidatos a deputado federal e estadual de sua coligação vinculassem suas campanhas à de Alckmin e do candidato ao senado, Eliseu Resende (PFL). Mas ontem, pelo menos, nem o próprio governador nem os candidatos a deputado estadual citaram o presidenciável.


Em seu programa, a candidata do PSDB ao governo do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, falou de seus planos para a área da saúde e também não fez nenhuma referência a Alckmin. Em quarto lugar na corrida pelo governo do Rio, o tucano Eduardo Paes abordou os problemas de segurança pública no Estado e em nenhum momento citou o nome do candidato à Presidência.


COLABORARAM ALESSANDRA SARAIVA, EDUARDO KATTAH e ELDER OGLIARI’


NYT CONTESTADO
Paulo Sotero


‘NYT’ é alvo de críticas por ter segurado informação


‘A reportagem do New York Times que revelou a existência do programa secreto de escutas extrajudiciais ordenado pelo presidente George W. Bush em 2002 poderá resultar em mais danos para a credibilidade do jornal com seus leitores tradicionais do que em obstáculos para o governo continuar a monitorar comunicações internacionais de cidadãos americanos, via telefone ou internet, em nome do combate ao terrorismo.


Na semana passada, um tribunal federal de Detroit declarou o programa inconstitucional. Mas juristas previram que a decisão será revertida por tribunais superiores, pela má qualidade da argumentação da juíza incumbida do processo.


O problema não é a veracidade das informações apresentadas pela matéria do Times – que valeu o Pulitzer de reportagem do ano passado a seus autores, James Risen e Eric Lichtblau -, mas a mentira que o jornal contou aos eleitores sobre quando obteve a informação e as razões pela qual não a publicou em seguida. Na reportagem, de 16 de dezembro, o Times informou que ‘adiou a publicação por um ano’ em consideração aos argumentos de Washington, segundo os quais a exposição do programa traria prejuízos na luta contra o terror.


Contudo, no domingo, o ombudsman do jornal, Byron Calame, confirmou suspeitas levantadas por fontes anônimas citadas por outros jornais nos últimos meses segundo as quais o Times tomou conhecimento e confirmou a existência do programa pelo menos 14 meses antes da publicação. Isso significa que ele tinha a informação antes da eleição presidencial de novembro de 2004, que Bush ganhou do senador democrata John Kerry por estreita margem no colégio eleitoral que define o resultado do pleito. Nunca se saberá se a revelação do grampo antes da eleição teria afetado o resultado. O editor do Times, Bill Keller, que inicialmente justificou a decisão como questão de ‘equilíbrio’, indicou que as eleições entraram nos cálculos ao afirmar que, dada a disposição de tolerar o programa que o público demonstrou em pesquisas, a publicação poderia ter facilitado a reeleição de Bush.


Pode ser. Mas o fato é que a pretensão de Keller a fazer esse tipo de avaliação e as mudanças das explicação para sua decisão de segurar a matéria aumentaram o problema de credibilidade dele e do jornal junto aos leitores. Entre esses leitores, a gota d’água foi a mais recente justificativa de Keller publicada pelo ombudsman.


Numa aparente tentativa de encerrar a controvérsia, o editor-executivo do Times tratou o episódio como ‘assunto velho’ e afirmou que a explicação falsa sobre a data da obtenção da informação, incluída na reportagem de dezembro, resultou de ‘uma redação deselegante’ do texto. ‘Não me lembro o que ia pela minha cabeça na época’, escreveu ele num e-mail a Calame.


A declaração de Keller e a disposição de contemporizar demonstrada pelo próprio Calame provocaram fortes reações dos leitores e forçaram o ombudsman a voltar ao assunto, publicando trechos de e-mails que recebeu . Jonathan Dixon, de Santa Fé, por exemplo, recordou a Keller que ‘mentir é deselegante’ e o repreendeu por sua pretensão de tomar uma decisão ‘equilibrada’.


É a terceira vez que a credibilidade do mais influente jornal dos EUA é posta à prova desde o escândalo das reportagens inventadas por Jason Blair, há cinco anos, que resultou na troca do comando da redação, na ascensão de Keller e na criação do cargo de ombudsman.’


TELEVISÃO
Cristina Padiglione


É novela na internet


‘Canal de TV via internet, a AllTV põe no ar dia 30 sua segunda novela, desta vez focada nos bastidores de uma estação de TV – nada mais oportuno para produções de orçamento modesto que usar as próprias instalações como cenário. A novidade do formato está na chance de o internauta ir definindo os rumos do folhetim.


Assim foi com Umas e Outras, anunciada pela AllTV como a pioneira no gênero web novela, há pouco mais de um ano. O argumento do novo enredo, Alô, Alô, Mulheres, é de Leandro Barbieri e Silvia Cabezaolias. A interatividade é favorecida por um fator que já não vale para a TV: os capítulos inéditos são semanais (quarta-feira, às 15 h).


O quesito elenco é um capítulo à parte. No primeiro folhetim, Alberto Luchetti, diretor-geral da AllTV, inseriu nessa linguagem vanguardista veteranos dos idos da TV em preto-e-branco. Agora, o cartão de visitas é a italiana Valentina Diva Latuada, filha de italiano com brasileira e há pouco vinda de Milão para tentar cá um lugar aos holofotes. A produção também não se acanha em testar o talento de internautas dispostos a brilhar. Lá está Pedro Zeballos, ‘revelado’ pela AllTV na primeira novela.


No embalo da nova platéia


A TV Rá-Tim-Bum aproveita sua estréia na Net, no dia 1.º, para inaugurar uma ou outra produção. Inclua-se aí o Movix, apresentado pelo parlapatão Raul Barreto e por Rafael Meira. A dupla centra atenção em esportes de todos os tipos. De 2.ª a 6.ª, às 21h40.


Aprendiz tem demissões voluntárias


Com mais uma demissão voluntária em O Aprendiz, o reality show da Record dividiu anteontem a vice-liderança no Ibope com o SBT. A atração chegou a marcar 14 pontos e manteve média de 12 – feito inédito desde que a terceira edição do reality estreou. Depois de Carol pedir para sair, foi a vez de Peter que, antes de se despedir, usou o bordão ‘você está demitido’ contra Justus. A atração terminou com um erro de continuidade: Peter entrou no táxi com cavanhaque, apesar de tê-lo removido durante o reality. Isso porque essa cena é gravada antes.


entre-linhas


O Shop Tour de Luiz Galebe informa que acaba de concluir reforma administrativa que incluiu uma injeção de US$ 1,3 milhão em informatização e tecnologia. O time soma hoje 10 repórteres-vendedores e 20 equipes de produção.


O horário eleitoral tem feito bem ao SBT. Com a propaganda política, Chaves está indo ao ar 45 minutos mais cedo, ao meio-dia. Segunda-feira, o programa registrou 14 pontos de audiência ante 11 da Globo batendo o SPTV – 1.ª Edição e parte do Globo Esporte. Na terça, o placar foi de 12 do SBT contra 9 da Globo.’


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 24 de agosto de 2006


ELEIÇÕES 2006
Otavio Frias Filho


Anistia para Lula


‘CERTOS OU errados, nove entre dez colunistas políticos prevêem vitória de Lula no primeiro turno da eleição. O próprio presidente se esbalda no ‘já ganhei’, chegando ao cúmulo de marcar compromissos para 2008. A 37 dias da votação, seu favoritismo segue impávido nas pesquisas.


É evidente que a decisão do eleitor será soberana (não existe um Carlos Lacerda propondo melar as regras do jogo). Mas se o veredicto for esse, dispensando o segundo turno, a afoiteza do eleitor terá prejudicado a qualidade democrática desta eleição.


A experiência mostra que só existe alguma discussão de programas de governo no segundo turno, quando o presidente se desgasta demais se não participar de debates e a sociedade se galvaniza em torno de duas personalidades, dois estilos, duas visões em confronto.


Isso é mais verdade ainda no caso de um presidente que, no governo, traiu quase todas as idéias-feitas que pregava nas duas décadas anteriores. E no caso de um partido ideológico cuja cúpula, uma vez no poder, converteu-se em verdadeira ‘quadrilha’, como a definiu o procurador-geral da República.


A população mais carente tem boas razões para estar satisfeita com os preços, com o aumento do salário mínimo, com as transferências de renda (e de votos…). Nem por isso a reeleição do atual presidente, se de fato ocorrer, deixará de ter um significado sinistro. A mais alta corte do país, o próprio povo, terá anistiado o escândalo do mensalão.


Um presidente macunaímico, que se orgulha da própria falta de estudo, seria reconduzido sem trauma nem esforço. O partido que lhe serviu de alavanca, o PT, pode não sair destroçado das urnas, mas será um fantasma do que já foi.


Políticos sem doutrina, a maioria, farão fila para apoiar um chefe de governo novamente forte. Semanas atrás, o presidente lançou a proposta marota de uma ‘Constituinte’ para fazer a reforma política no ano que vem. As reações vigorosas mataram o assunto, por enquanto. Mas a idéia é perigosa e pode voltar tão logo Lula se sinta reinstalado no posto, com mais força ainda se não tiver de enfrentar um segundo turno.


Constituinte para fazer a reforma política? Por que não aproveitar e prorrogar seu mandato, garantir o direito a nova reeleição, decretar que só poderão concorrer candidatos ‘progressistas’? Estamos longe de ver essas fantasias se concretizarem. Mas não custa alertar.


A oposição estava certa, hoje ficou claro, quando evitou insuflar o impeachment de Lula. Teria provocado um mártir, um Getúlio vivo. Não que Lula não soubesse de nada: é evidente que sabia, embora provas irrefutáveis não tenham, ainda, aparecido. Reeleito, estará anistiado.


OTAVIO FRIAS FILHO é diretor de Redação da Folha’


Kamila Fernandes


Justiça impede tucano de exibir Lula no CE


‘A Justiça Eleitoral do Ceará concedeu ontem uma liminar que proíbe qualquer vinculação do candidato à reeleição Lúcio Alcântara (PSDB), governador do Estado, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na propaganda eleitoral.


A decisão acatou um pedido da coligação de Cid Gomes (PSB), que é o candidato apoiado pelo PT e por Lula no Ceará. Os apoiadores de Cid argumentaram que a propaganda tucana infringiu a determinação de não divulgar candidatos de outras coligações na campanha.


Os advogados do PSDB devem recorrer. Eles dizem que não houve uma declaração de apoio a Lula na propaganda de Alcântara, mas apenas a exibição de declarações e imagens que demonstram o que o presidente pensa do governador.


‘Houve só a reprodução do áudio de um fato jornalístico, que aconteceu em Missão Velha, no lançamento da Transnordestina, ainda quando Lula era só presidente, não era como candidato. O Lúcio Alcântara não pediu votos para o Lula, só disse que houve parcerias com o governo federal’, afirmou o advogado Meton Vasconcelos.


Com a decisão da Justiça, foram tiradas do ar inserções de TV que exibiam uma foto de Alcântara com Lula, em um evento no Estado. Na propaganda, havia ainda fala do presidente, elogiando a lealdade do tucano.


Na propaganda de rádio e TV, o próprio Alcântara vinha falando de seu relacionamento com Lula. Ontem, sua fala se restringiu a citar parcerias com o ‘governo federal’.


O presidente Lula só voltou a aparecer mesmo na propaganda de Cid, afirmando que, com a vitória dele, será possível ampliar as parcerias do governo federal com o Ceará.


No programa dos tucanos cearenses, Geraldo Alckmin (PSDB) continuou sem ser citado ontem. Numa empreitada solitária, o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), tem percorrido alguns municípios do interior para divulgar o nome de Alckmin, mas sem citar Alcântara, com quem rompeu ainda antes do início do processo eleitoral. Ele ainda não falou sobre uso de Lula pelo programa tucano, que foi minimizado pelo próprio Alckmin e por tucanos como o governador Aécio Neves (MG) e o ex-prefeito José Serra.’


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Lúcio Alcântara não diz se terá Alckmin na TV


‘A decisão de mostrar vínculos com Lula em sua campanha eleitoral, mesmo que por partidos opostos no cenário nacional, foi explicada pelo candidato à reeleição no Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), como uma maneira de evidenciar que ‘ninguém monopoliza o nome de ninguém como candidato’.


Para ele, qualquer um que seja eleito presidente, ‘seja Heloísa, seja Cristovam, seja Lula, seja Geraldo, que é o nosso candidato’, é possível trabalhar em ‘parceria’.


Apesar de afirmar e repetir que seu candidato à Presidência é Geraldo Alckmin (PSDB), Lúcio disse não saber se ele vai aparecer em sua propaganda eleitoral, a exemplo do que já fez com Lula. ‘Tem um grupo [na campanha] que cuida disso’.


Lúcio disse que quis deixar claro em sua propaganda que ‘um governador competente, experiente, não precisa ser tutelado por ninguém’. ‘Eu soube construir pontes com o governo federal, respeitadas as diferenças.’


Com sua fala, Lúcio renega publicamente qualquer apoio de cacique político e usa isso como estratégia.


‘Quem faz a chapa é o povo’, disse.’


Leandro Beguoci e Débora Yuri


Descaso pela ética provoca atrito entre artistas lulistas


‘O rescaldo do encontro no Rio entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e artistas e intelectuais na casa do ministro Gilberto Gil, na segunda-feira, provocou polêmica: as declarações do compositor Wagner Tiso e do ator Paulo Betti ao jornal ‘O Globo’ foram condenadas por alguns dos presentes porque tanto Tiso quanto Betti disseram não se importar com os escândalos de corrupção ocorridos no governo.


‘Não dá para fazer [política] sem botar a mão na merda’, disse Betti. ‘Não estou preocupado com a ética do PT. Acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país’, completou Tiso. Procurado pela Folha, Betti sustentou seu discurso: ‘Não vamos ser hipócritas: eu acho que não dá pra fazer política sem sujar as mãos. Veja até agora, na história da humanidade’, disse. ‘Acho que foi Jean-Paul Sartre quem disse, acho que numa peça, algo como ‘política é uma coisa em que você põe suas mãos e elas acabam sujas’.’


O ator José de Abreu reprovou a atitude dos colegas. ‘Eu acho difícil fazer política sem colocar a mão na merda, mas acho que tem que tentar ter mãos beatas’, disse ele, que pediu durante o encontro da segunda uma homenagem a José Dirceu, José Mentor e José Genoino, acusados de envolvimento com o mensalão.


Apesar de reprovar a atitude de Betti e Tiso, Abreu disse entendê-la. ‘Como é que você vai conversar com alguns deputados que só pensam em dinheiro? Aí você vai ter que colocar a mão na merda, é difícil’, concluiu ele, que disse acreditar na existência do mensalão, a despeito da sua amizade com Dirceu. ‘Eu fico com o procurador-geral da República.’


O ator Tonico Pereira foi mais um que condenou o desdém à ética. ‘Não achei legal o que eles disseram. Se você não pensar nisso como possibilidade, então é melhor desistir. Eu persigo a ética na política.’


O dramaturgo Augusto Boal não reprovou nem endossou as declarações de Tiso e Betti. Para ele, o termo ‘ética’ não está sendo bem usado na campanha eleitoral. ‘Quando alguém usa a palavra ética, não revela qual a sua ética. Usa apenas para atacar alguém.’


O cineasta Luiz Carlos Barreto foi o único ouvido que concordou com Tiso e Betti. ‘A política é um terreno pantanoso, a ética é de conveniência. Se o fim é nobre, os fins justificam os meios’, afirmou. ‘O que eu acho inaceitável é roubar. Eu acho que o mensalão é do jogo político, não é roubo. Dirceu e Genoino não roubaram.’ A única exceção aberta por Barreto é para a máfia dos sanguessugas. ‘Sanguessuga é roubo. Deveriam ser fuzilados.’


Tiso foi procurado pela Folha, mas sua assessoria disse que ele estava indisponível.’


Catia Seabra e José Alberto Bombig


Pressionado, marqueteiro do PSDB resiste a atacar Lula


‘Sob pressão, mas com aval do candidato, o coordenador de comunicação da campanha de Geraldo Alckmin, jornalista Luiz Gonzalez, avisou ontem que vai manter a linha do programa até o dia 30 deste mês. Esse é prazo fixado para que o candidato esboce reação nas pesquisas de opinião.


Mas, num momento de estagnação, registrado pelo último Datafolha, a manutenção da estratégia -de crítica crescente, à medida em que Alckmin ganha visibilidade- é alvo de controvérsia na campanha.


Sem citar nomes, os presidentes do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PPS, deputado Roberto Freire (PE), reclamaram dos aliados que se queixam do programa, exigindo mais agressividade contra Lula. Dois pefelistas -o senador Antonio Carlos Magalhães (BA) e o prefeito do Rio, Cesar Maia- têm manifestado publicamente sua crítica. ‘Em vez de criticar, cada um deveria fazer sua parte’, disse Bornhausen, que, após encontrar Gonzalez no domingo, dá seu ‘voto de confiança’ ao jornalista.


Para João Carlos Meirelles, da coordenação de campanha, ‘até o fim do mês, o desafio é fazer Alckmin reconhecido. Não digo nem conhecido. Conhecido só em setembro’.


Consultado por Alckmin num jantar na noite de terça, Cesar Maia defendeu, no entanto, que os defeitos de Lula sejam explorados. Alckmin disse que as críticas ganhariam intensidade gradativamente. Mas perguntou se o prefeito achava que ele mesmo deveria bater em Lula. Maia disse que não.


Hoje, Alckmin falará sobre o combate à corrupção no Instituto Ethos, em São Paulo.


A idéia de um programa mais agressivo ganha força entre os próprios alckmistas, como o presidente do PSDB de São Paulo, Sidney Beraldo, e o deputado Júlio Semeghini. Para Semeghini, ‘é preciso expor as contradições, inclusive éticas, de Lula’. Beraldo endossa: ‘É preciso mostrar que Lula se aproveitou dos escândalos. Se é o candidato, não sei’.


Além disso, Gonzalez tem ouvido queixas quanto à imagem paulistizada de Alckmin: gravata, manga arregaçada, diante de um computador.


A despeito da pressão para ‘deconstrução’ da imagem de Lula, no máximo, Alckmin deverá ‘acelerar’ o ritmo dos programas, o que permitiria levar ao ar até o final do mês ataques a Lula programados para acontecer só em setembro.


Ontem, Alckmin se reuniu com Gonzalez para a gravação de novos programas e, segundo apurou a Folha, a linha ‘progressiva’ da campanha foi mantida. Como resposta imediata aos que defendem os ataques, os programas dos candidatos a deputado pela aliança PSDB-PFL será mais contundente nas críticas a Lula.’


COTAS EM DEBATE
Demétrio Magnoli


Compromisso com o argumento


‘O SOCIÓLOGO português Boaventura de Sousa Santos é um dos tantos intelectuais que exercita o duplipensar, defendendo os direitos humanos em Israel com igual vigor com que aplaude a repressão em Cuba. Há dias, ele escreveu na Folha que os negros ‘são pobres porque são negros’, ecoando a doutrina difundida pela Secretaria da Igualdade Racial. Essa ‘verdade oficial’ é o alvo da crítica precisa de Ali Kamel no livro ‘Não Somos Racistas’ (Nova Fronteira, 2006). Kamel confia na força dos argumentos e nunca cede ao lugar-comum. Primeiro, desmonta a operação básica dos racialistas: a junção das categorias censitárias ‘pretos’ e ‘pardos’ numa ‘raça negra’ que desafia tanto a ciência como a consciência dos brasileiros, expressa na autodeclaração de cor. Depois, desnuda uma a uma as manipulações estatísticas da moda, demonstrando que a pobreza no Brasil não é um fruto do racismo. Entre tantos, um número deveria provocar reflexão nos racialistas: os pobres que se declaram ‘brancos’ somam 19 milhões (são 4 milhões os pobres que se declaram ‘pretos’). Na lógica de Boaventura de Sousa Santos, ‘os brancos são pobres porque são brancos’, pois não? O título do livro não é uma negação de que o racismo existe em todo lugar onde há seres humanos, mas um gesto de indignação contra a sugestão de que o ódio racial seja um componente da identidade brasileira. Essa sugestão, contudo, desempenha papel crucial no empreendimento racialista de construção de uma nação dividida em duas ‘raças’ polares. Argumentos não são bem vistos entre os gerentes da linha de montagem das raças. Um sociólogo americano atuante no Brasil indicou o caminho ao classificar os críticos das leis raciais como ‘elite branca’. Em recente debate na Unicamp, um dirigente do Movimento Negro Unificado apontou os ‘judeus’ como articuladores da carta pública contra essas leis. Em Salvador, semana passada, líderes de manifestação pró-cotas raciais exigiam a ‘eliminação’ dos ‘demônios brancos’. Em tempos de calúnia fácil, escrever tal livro é um ato de coragem, ainda mais se o autor ocupa um cargo executivo no jornalismo das Organizações Globo. Uma coragem cívica, necessária. Em Ruanda, gritos isolados contra a ‘elite tutsi’ prenunciaram o genocídio. Estamos bem longe disso. Mas, quando o Estado define identidades raciais, explorando o desamparo e o ressentimento, tudo se acelera. As novas fronteiras legais, traçadas entre os pobres, passam dentro dos ônibus, das escolas públicas e das favelas, produzindo inimigos ilusórios, mas perigosamente próximos. É preciso deter os incendiários antes do incêndio.


DEMÉTRIO MAGNOLI escreve às quintas-feiras nesta coluna.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Novos elementos


‘Os sanguessugas não têm fim. Foi a manchete nos portais UOL, Globo.com e demais, também na Folha Online, ‘CPI divulga nomes dos 27 investigados pelo Supremo’, com Ministério Público e Polícia Federal. São ‘novos 27’ ou, na escalada do ‘JN’, ‘mais 27’.


Dentre eles, na manchete do canal Globo News, na verdade ‘três já tinham sido inocentados pela CPI’. Agora a mesma CPI dos Sanguessugas diz que ‘pode haver novos pedidos de processo de cassação, em um segundo relatório da comissão’. Ou em um terceiro. Prometeu o presidente da comissão, ontem ao ‘JN’, que, ‘surgindo novos elementos, quaisquer daqueles [18] que foram excluídos poderão ser indiciados’.


FUTEBOL O mesmo grupo de hackers brasileiros havia invadido sites dos EUA e outros, em abril, deixando mensagens sobre a Copa do Mundo, como esta à esq., no site da cidade de Acton, no Estado de Massachusetts


BIOS TEAM ATACA


A notícia apareceu às 12h58 de ontem, no site brasileiro da agência Reuters. O site do PT havia sido invadido por hackers. Daí, em velocidade viral, a informação passou aos sites, rádios e até televisão. Final de tarde e, de volta ao site da Reuters, a agência havia entrevistado Overkill, como se autonomeou um dos três hackers do grupo Bios Team. Ele relatou as invasões anteriores dos sites de PSDB e PTB e prometeu avançar nos próximos dias sobre o do PSOL, para deixar ‘críticas construtivas’. Ele, diz a Reuters, ‘afirma não ser filiado a nenhum partido, mas admitiu simpatizar com o PSDB’.


Imagem que identifica a versão em inglês do Orkut, dominado hoje por perfis brasileiros


NEM NA CHINA


Chegou ao site News.com, um dos principais dos EUA para assuntos ligados à internet, a decisão do Ministério Público Federal de abrir processo contra a Google, por não liberar dados de eventuais criminosos que atuem no Orkut. A notícia avança por despachos de Reuters e Bloomberg e blogs como Search Engine Roundtable, com enunciados como ‘Brasil cansado de Google & Orkut’. O blog de mídia de Tiago Dória avisa, porém, que os IPs, ‘espécie de RG do usuário’, que os procuradores pedem estão na Califórnia _onde são protegidos pela legislação. E que, ‘ao contrário da Yahoo!, nem com a pressão da China a Google revelou os dados de seus usuários’.


NAS PEGADAS


Na escalada de manchetes do ‘Jornal da Band’, ontem, ‘Lula recebe [hoje] um plano estratégico para fazer o Brasil crescer 6% ao ano, sem inflação, nos próximos 15 anos’. Ou melhor, no blog de Josias de Souza, contextualizando, ‘nas pegadas da última pesquisa Datafolha, que atribuiu índices confortáveis para Lula e seu governo, o ministro Tarso Genro divulga nesta quinta um plano estratégico para o desenvolvimento do país nos próximos 15 anos’.


A previsão é de ‘um crescimento mínimo de 6% entre 2008 e 2022’. Números sempre redondos, para uso eventual na propaganda eleitoral.


OS BRICS, DE NOVO


O serviço de monitoramento de mídia da BBC destacou ontem o ‘La Vanguardia’, diário de Barcelona, com a avaliação de que a economia dos Estados Unidos cede espaço aos ‘gigantes emergentes’, ‘novos protagonistas’.


No PIB mundial, escreve o jornal espanhol, com 15,4% da China, 5,9% da Índia e 2,6% cada um de Brasil e Rússia, os chamados BRICs superaram os 20,1% dos EUA, hoje.


Daí por que ‘o economista-chefe da Goldman Sachs, Jim O’Neil, descarta a possibilidade de a desaceleração econômica dos EUA ter um efeito pernicioso sobre a recuperação’ da economia européia.’


JORNALISTA AMEAÇADA
Folha de S. Paulo


Jornalista é ameaçada após investigar quadrilha em IML


‘Vítima de ameaças e de tentativas de intimidação desde maio, a repórter Maria Mazzei, do jornal carioca ‘O Dia’, teve que deixar a casa onde mora, na zona norte do Rio, para se abrigar com a família ‘em local seguro’.


Autora de reportagens sobre quadrilha que agiria em Institutos Médicos Legais (IMLs) do Rio vendendo cadáveres e documentos falsos, Mazzei revelou que um carro passou a rondar sua casa, o que levou a direção do jornal a providenciar sua mudança, no dia 13, sob escolta da PM.


A ANJ (Associação Nacional de Jornais) protestou ‘com veemência contra a falta de empenho das autoridades policiais do Estado’. A RSF (Repórteres sem Fronteiras) se disse, em nota, ‘profundamente inquieta’ com atos de violência contra jornalistas brasileiros.


A Secretaria de Segurança Pública do Rio disse ter determinado abertura inquérito para apurar a autoria das ameaças e ter destacado segurança pessoal à jornalista.’


TV DIGITAL
Ernane Guimarães Neto


Interatividade na TV digital vem depois, diz Costa


‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse ontem em São Paulo que já está pronto o cronograma para a implantação da TV digital no país. O plano seria apresentado no fim deste mês. O canal de retorno não estaria incluído, a princípio, no plano de popularização do sistema.


Para universalizar a TV digital no Brasil, pretende-se financiar o conversor que permite sintonizar o sinal digital nas TVs comuns. De valor em torno de R$ 100, o conversor custaria R$ 7 ao mês -mas não possibilitaria a interatividade. Como os televisores apenas recebem os sinais, é necessário outro meio para o envio de dados -o canal de retorno.


‘O canal de retorno deve ser discutido à luz da Lei Geral das Telecomunicações’, projeto que está na pauta de discussão do Congresso.


Costa sugeriu a internet como canal de retorno, casando a TV digital a um de seus projetos prioritários: ‘A grande revolução que vai se fazer neste país é a internet banda larga sem fio’.


O ministro pressiona a Agência Nacional de Telecomunicações pela revisão dos termos da licitação para freqüências que podem ser usadas por essa tecnologia. ‘Não queremos que aconteça o mesmo que aconteceu com a telefonia celular’, disse, em referência à forma da licitação, que não obrigaria a operadora do serviço a oferecê-lo a cidades de demanda menor. Essa possibilidade tiraria o caráter de ‘inclusão digital’ da internet sem fio.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


MTV promove ‘beijaço’ gay no horário livre


‘A MTV protagonizará no próximo dia 15 um lance espetacular de marketing e atitude. Será a primeira emissora aberta brasileira a exibir não só um, mas sete ‘beijos gays’ no horário livre (antes das 20h), para uma platéia adolescente.


A primeira edição (serão duas) do ‘Beija Sapo Gay’ de 2006 foi gravada no último sábado. No programa de namoros apresentado por Daniella Cicarelli, um ‘príncipe’ (espécie de protagonista) beija três ‘sapos’ (rapazes que se interessaram por ele) e escolhe um deles para ‘ficar’, no qual dá mais um beijo, mais demorado.


No palco, há ainda três garotas, chamadas de ‘pererecas’, que ganham beijos, uma de cada vez, de outras três garotas da platéia. Total: sete beijos entre jovens homossexuais de ambos os sexos, um ‘beijaço’.


A atração será exibida às 19h e reprisada outras vezes no horário livre. Há um mês, o Ministério da Justiça classificou ‘Beija Sapo Gay’ como adequado para crianças e adolescentes, por considerar o beijo de homossexuais igual ao de heterossexuais. ‘Foi um marco da televisão’, diz Zico Goes, diretor de programação da MTV.


Em 27 de outubro, a emissora levará ao ar um ‘Beija Sapo’ protagonizado por garotas.


Só para o programa entre rapazes, a MTV recebeu cerca de 1.500 inscrições de interessados em participar, número três vezes maior do que o esperado pela emissora musical.


TELE SENA BASTA


Silvio Santos abortou projeto de um programa de telessorteios, como o antigo 0900 (ou ‘Seleção do Faustão’), apresentado na madrugada. Argumentou que não quer tirar mais dinheiro de sua audiência.


TERCEIRO SETOR


A premiação ‘Melhores do Ano’, do ‘Domingão do Faustão’, terá uma nova categoria em 2006. É o Troféu Ayrton Senna, que será entregue por Viviane Senna a quem for eleito por uma comissão portador do ‘espírito’ de solidariedade do ex-campeão mundial de F-1.


BELEZA CARA


Tem gente na Band torcendo pela contratação de Adriane Galisteu. Avalia que a emissora carece de um rosto bonito. Mas a multa de Galisteu com o SBT é muito cara para a Band.


CHAPA QUENTE 1


O episódio de anteontem de ‘O Aprendiz’, em que, antes de ser eliminado, um ‘aprendiz’ demitiu o ‘patrão’ Roberto Justus da vida dele, deu 12 pontos e 22% de ‘share’ (participação no total de TVs ligadas), segundo maior de sua história.


CHAPA QUENTE 2


Ontem à tarde, vídeo do barraco, postado pela Record em seu site, recebeu 4.000 acessos apenas na primeira hora.


CARAS NA TV


Outro programa da Record que decola é o ‘Tudo a Ver’ vespertino, sobre celebridades. Anteontem, bateu o SBT.


LOUCA DEPRESSÃO


Já a novela ‘Louca Paixão’, reprisada depois de ‘Tudo a Ver’, deve sair do ar. Derruba a audiência pela metade.’


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