Domingo, 15 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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ENTRE ASPAS >

Jornal hispânico é o que mais cresce nos EUA

05/05/2009 na edição 536

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 5 de maio de 2009


 


MERCADO
Sérgio Dávila


Jornal hispânico é o que mais cresce nos EUA


‘O jornal que mais cresceu em porcentagem de circulação paga em dois dos últimos quatro anos nos EUA não traz ‘Times’, ‘Journal’ ou ‘Post’ no título. É escrito em espanhol e lido em papel por seus consumidores, tem formato tabloide e presença secundária na internet. Sua sede ocupa meio andar de um prédio no antigo centro do Brooklyn e se parece com uma repartição pública.


É ‘El Diario La Prensa’, voltado para os hispânicos que vivem na área chamada Três Estados (Nova York/Nova Jersey/Connecticut), mas principalmente nos bairros nova-iorquinos do Brooklyn, Bronx e Queens e em Long Island. Com tiragem de 55 mil exemplares, é lido por seis vezes esse número de pessoas, que passam o jornal de mão em mão, em busca de notícias que não encontram na grande imprensa.


No último sábado, por exemplo, uma das histórias principais tratava da inauguração numa fachada do Bronx de uma imagem da Virgem de Guadalupe, o ícone religioso mais popular do México. O objetivo, segundo os frades que encomendaram a pintura, era pedir pela saúde dos infectados com o vírus da gripe suína no México e pela segurança de seus parentes em Nova York.


É que os imigrantes começam a ser vítimas de uma nova onda de xenofobia, dessa vez alimentada pela chegada da doença à principal cidade americana e sua provável origem no México. Apesar de a pintura ter 13 metros de altura e estar numa esquina movimentada, a inauguração foi ignorada pelos meios de comunicação.


A exceção foi ‘El Diario La Prensa’, que deu a história em chamada na primeira página do dia seguinte. O jornal vem martelando tanto a cobertura do surto como seus efeitos secundários perniciosos entre os imigrantes -’Febre do racismo nos EUA diante da gripe suína’ era o título de uma das reportagens sobre o caso.


Esse misto de informação relevante para uma fatia da população numericamente grande (são 16% da população do Estado de Nova York, segundo o censo), mas ignorada pela imprensa tradicional, e uma certa militância pelos interesses de seu público são o segredo do sucesso do jornal hispânico, diz à Folha seu editor-chefe, Alberto Vourvoulias-Bush, 50, no cargo desde 2005.


O jornal existe há 95 anos, o mais antigo hispânico em atividade nos EUA. É fruto de uma fusão ocorrida nos anos 60 entre o ‘El Diario de Nueva York’, fundado em 1947, e o ‘La Prensa’, de 1913. Ambos tinham uma base de leitores composta predominantemente de porto-riquenhos vivendo em Nova York. Nos últimos anos, no entanto, o título andava em busca de um nova identidade.


Quem ajudou a encontrar esse rosto foi Vourvoulias-Bush (o primeiro sobrenome se pronuncia ‘borbulhas’; o segundo não tem relação com o ex-presidente, diz ele), um ex-editor da revista ‘Art News’ e da divisão latino-americana da ‘Time’, onde trabalhou no projeto interrompido de lançar um encarte em português com conteúdo da revista semanal.


Fez isso ao diversificar o noticiário para diversificar o leitorado, hoje composto por um terço de mexicanos e centro-americanos de origem ou ascendência, um terço de sul-americanos e um terço de caribenhos. Também não liberou o conteúdo da versão em papel na internet, um dos pecados originais da imprensa norte-americana e grande responsável pela crise do setor.


Por fim, ofereceu um material exclusivo, que o leitor encontra apenas ali.


Uma das notícias dadas pelo jornal em primeira mão que mais repercutiram foi a história do equatoriano Marcelo Lucero, de 37 anos. No fim de 2008 Lucero apanhou até a morte supostamente de um grupo de seis estudantes de Long Island que teriam saído para ‘surrar um mexicano’.


‘Ficamos no caso sozinhos por vários dias, até que o barulho da comunidade chegou à mídia local’, diz o editor. Os estudantes foram presos e acusados de homicídio e crime racial.


‘Jornalismo militante’


Vourvoulias-Bush recebeu a Folha em seu escritório de esquina, de onde se vê o rio Leste e a ponte do Brooklyn. Com jornais velhos espalhados pelo chão, tem na parede os prêmios ganhos pelo diário em sua gestão -vários José Martí Publi- shing Awards, dados à imprensa hispânica- e um quadro do artista de rua Matthew Courtney, do SoHo, que pinta sobre páginas velhas de jornais.


Filho de um empresário de Chicago e da escultora Joyce de Guatemala, o jornalista nasceu no México, foi criado no país da mãe e foi para os Estados Unidos com 16 anos.


Estudou na Universidade Yale, onde acabaria dando aula, e casou-se com a escritora de origem indiana Jhumpa Lahiri, autora do romance que viraria o filme ‘Nome de Família’ (2006), de Mira Nair.


O que eles fazem ali, diz, é algo chamado ‘jornalismo militante’: ‘Nossa audiência é mal servida pelas empresas, mal representada politicamente e historicamente discriminada em termos de oportunidades econômicas e educacionais. Muitas vezes, somos o único jornal a chegar ao local em que eles vivem. Assim, damos uma plataforma para essa comunidade falar com o poder’.


Os números o amparam. Segundo o ABC, principal órgão de auditoria de vendas de jornais nos EUA, a publicação foi a que mais cresceu entre os diários acima de 50 mil exemplares nos 12 meses encerrados em março de 2008, com 7,6% (na média, a circulação nacional caiu cerca de 4% no período). No mesmo período de 2006, subiu 5,8%, ante uma queda média geral de 2,8%.


Enxuta, a Redação conta com 34 jornalistas. Uma delas é a editora de opinião Erica Gonzalez, 35, que decidiu sair do ‘New York Post’, tabloide de sucesso de Rupert Murdoch. ‘O maior desafio foi encontrar a voz dos latinos em Nova York, porque, diferentemente do que se pensa, ela não é uníssona, mas variada’, afirma.


Uma maneira foi buscar um denominador comum. Ela achou dois. O primeiro é que, apesar das origens variadas, a maioria dos leitores pertence à classe operária e seus problemas são parecidos. O outro são questões relacionadas à imigração, que preocupa a todos.


Para Federico Subervi, diretor do Centro de Estudo de Mídia e Mercados Latinos da Escola de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade Estadual do Texas, em San Marcos, o mercado está bom e deve continuar assim para jornais como ‘El Diario la Prensa’ ou seu concorrente ‘Hoy’, de Chicago (Estado de Illinois).


‘A imprensa hispânica tem mais relevância para as comunidades que serve, pois a tradicional as ignora’, diz o estudioso à Folha. ‘Em geral, o latino só vira notícia nos grandes jornais quando algo de ruim acontece, como no caso de crimes.’ Como a população com essa origem é a que mais cresce nos EUA hoje, é só fazer as contas.’


 


 


LEI DE IMPRENSA
Marcos Nobre


Informação é poder


‘ACABA DE ser revogada a Lei de Imprensa, promulgada pela ditadura militar em 1967. E mais uma vez se diz que o julgamento do STF é uma intromissão indevida na atividade do Congresso.


E mais uma vez é preciso lembrar que o STF está cumprindo uma de suas legítimas funções, que é a de fornecer à sociedade a imagem mais íntegra possível da Constituição. É verdade que, antes de 2005, o tribunal desempenhou esse papel de maneira episódica apenas. Mas há que considerar que pelo menos dez anos se passaram desde a promulgação até que as diferentes forças políticas aceitassem a Constituição como legítimo horizonte compartilhado de atuação.


Além disso, a onda de reformas constitucionais de 1994 a 2004 tornou instável o texto constitucional, o que impediu naquele período uma tentativa de interpretação de conjunto coerente e consequente. O momento atual parece já adequado para que isso possa ocorrer.


Como a Constituição de 1988 não recepcionou inúmeros dispositivos da Lei de Imprensa e o Congresso não se resolveu nos últimos 20 anos (!) a aprovar uma nova regulamentação, entendeu o STF que a sociedade não desejava ter uma lei especial para a imprensa e que os conflitos deveriam ser resolvidos por dispositivos do direito civil, penal e processual existentes.


Dito de outra maneira, o STF só fez colocar sobre a mesa o que havia sido implicitamente decidido pela omissão ativa da sociedade, do governo e, principalmente, do próprio Congresso: que não se tenha uma Lei de Imprensa.


Mas não há nenhuma razão para a discussão acabar aqui. Pelo contrário. A decisão do STF recoloca na pauta do debate público uma decisão informada sobre o tema.


Segundo o pioneiro comentário de Freitas Nobre, a discussão deveria aliás começar pelo fato de que não se trata simplesmente de uma Lei de Imprensa, mas antes de uma Lei da Informação. Uma lei como essa é essencial à democracia porque regula a própria esfera pública, algo que não pode e não deve ser reduzido nem ao mercado nem ao Estado. Não pode se limitar às normas gerais existentes.


A informação é de importância tão decisiva que deveria mesmo merecer julgamentos pelo tribunal do júri, dando a necessária visibilidade à participação da cidadania na regulação da esfera pública.


O Congresso parece ter muito medo de fazer essa regulamentação. Parece temer sobretudo desagradar grandes empresas de comunicação. Deveria considerar que seu compromisso é antes de tudo com a democratização regulada da informação.


(À memória de meu pai, Freitas Nobre).’


 


 


Janio de Freitas


Leis de prensa


‘O DEBATE suscitado pela invalidação total da Lei de Imprensa, decidida por 7 dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, tem razão de ser, dadas as nebulosidades que restam quanto à chamada liberdade de imprensa, mas segue na mesma visão, mais que secular, limitada e óbvia: as empresas de comunicação são entes maléficos em tudo, e nas atividades dos jornalistas e seus problemas nem se pensa coisa alguma.


O jornalismo não é uma atividade propriamente comum. Daí não se deduz que seja mais importante do que qualquer outra, muito menos daquelas que têm relação direta com a preservação da vida ou da liberdade justificada. Mas, apesar de pouco conhecidas, são inegáveis muitas particularidades que começam nas urgências da produção de um jornal ou telejornal, com todos os riscos aí inerentes, até a magnitude das suas implicações sociais, políticas, econômicas e morais -que pesam com o mesmo peso sobre uma empresa e sobre grande parte dos jornalistas.


O debate está concentrado, porém, no direito de resposta e de eventual ressarcimento dos que sejam ou se apresentem como atingidos por notícia ou comentário jornalístico. A discussão se dá em torno da necessidade de uma lei própria para tais situações, por consequência do que muitos chamam de vácuo deixado pelo fim da Lei de Imprensa; e, segundo outra corrente, da desnecessidade de mais do que o direito de resposta e indenização previsto na Constituição e presente nos códigos Civil e Penal.


As duas linhas são convencionais. O ministro-relator Ayres Britto incluiu em seu voto a ressalva de que nenhuma indenização pode incorrer em ‘excessividade’, devendo mesmo ser ‘módica’ quando devida a agente público. Em todos os casos, no entanto, como já previsto, devem ser ‘proporcionais ao dano’. Mas como fixar, com segura justiça, o que é excessivo e o que é módico em relação a um dano, mesmo que evidente, sempre sujeito à mensuração imprecisa?


Ainda antes: a honra pode ser restituída ou recuperada por valor monetário? Ou induzir este despropósito consagrado resultou da criação de um truque elitista para evitar outras punições, para engordar bolsos menos interessados na própria honra do que no dinheiro, e, fechando a feliz associação, para aparentar um ato de Justiça?


Nas condições de atividade impostas pela jornalismo, sobretudo o jornalismo diário, não devem ser relegados, por quem queira considerar com justiça os efeitos desse jornalismo, fatores como o propósito, o acaso, a possibilidade de confirmação tardia, a admissão de retratações, e outros. Fatores que podem ficar bem entregues a bons juízes, mas que contribuiriam muito para uma imprensa séria, segura dos seus limites e possibilidades, e sem a preferência tão comum pela autocensura preventiva. Imprensa, aí, significando tanto empresas como jornalistas, estes talvez até mais dados à autocensura.


As contestações mais simples são bom exemplo da visão limitada posta no atual debate. Hoje em dia há assessores de imprensa para todos os lados e todos os quilates. Se entre eles reconhece-se trabalho respeitável e útil, o fato é que a qualquer pretexto lá vem contestação com pretensões à publicação. E a tendência de alguns jornais já é querer publicá-las, e não só os elogios. Um avanço que ainda encontra muitas resistências, mas irá em frente. Pois bem, o tal dano à honra incide aí, com frequência, sobre o jornalista sério.


A maioria das ‘contestações’ é um blablablá vazio, e, no entanto, ainda assim com sua publicação cobrada ou feita em nome da ética. Se é verdade que ainda bastam resposta de jornalistas (ou ficcionistas) do tipo ‘um interlocutor do ministro disse’, algo precisa proteger a publicação séria com a exigência formal de que a contestação, para ter o direito inquestionável a ser publicada, seja objetiva e frontal aos fatos citados. Seria uma defesa justa do jornalismo cuidadoso e do jornal que se queira respeitado.


Em uma ou outra direção, o debate em torno de alguma legislação nova ou não, inovadora ou não, conviria acelerar-se, porque a atual opacidade ameaça fazer aos jornais o mesmo mal que vem fazendo às editoras de livros, com censura judicial e, por cautela, autocensura.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


V de vitória?


‘Começou com blogs registrando à tarde que a Bolsa havia voltado aos 50 mil pontos. Daí para manchetes de sites e portais, noite adentro com números finais e enunciados como ‘salta’ ou ‘dispara 6,59%’ e ‘fecha acima dos 50 mil’ e ‘no maior nível desde setembro’, com eco depois nos telejornais. Para a Folha Online, ‘a euforia veio da China’..


No ‘Financial Times’, o editor de mercados citou Brasil e outros para dizer que ‘os mercados acreditam que a China realizou de algum jeito uma recuperação em forma de V’. Bateu no fundo e voltou, como um ‘sinal de vitória’ da China. Na reportagem, o ‘FT’ destacou que as ‘exportações do Brasil saltaram’ com a China. ‘Wall Street Journal’ e Bloomberg também vincularam a reação à China.


PENSANDO BEM


Ato contínuo, ‘analistas esperam que o PIB do Brasil encolha menos do que haviam previsto anteriormente, pelos sinais de recuperação’, deu a Bloomberg. É o resultado de uma nova enquete do Banco Central nas finanças.


PERDAS APAGADAS


Na manchete on-line do ‘New York Times’, no final do dia, Wall Street ‘apaga as perdas de 2009 com salto das ações’. No ‘WSJ’, ‘sobe em 2009’. Para o ‘NYT’, ‘uma marca que era impensável’ até semanas atrás.


DE VOLTA À CHINA


Na página 3 do ‘China Daily’, junto à reportagem sobre o pacote asiático contra a crise, ‘Visita do presidente do Brasil vai expandir vínculos’. Era uma entrevista com o embaixador Clodoaldo Hugueney, prevendo ‘resultados em todas as áreas, comércio, investimento, cooperação’ -e dizendo que as reuniões entre os dias 18 e 20 abrem caminho para ‘um acordo de cinco anos’. A visita de 2004, sublinha o jornal estatal, foi seguida do ‘boom’ no comércio. Mas o embaixador cobrou mais investimento, ainda ‘muito pequeno’.


VAIVÉM


Iniciado pela manhã, com despacho da agência Irna no UOL, o vaivém da visita de Mahmoud Ahmadinejad se manteve até o fim da tarde, por Folha Online e outros, com a suspensão da viagem a Brasil e Venezuela.


O ‘JN’ destacou que o presidente não vem, mas o encontro entre empresários dos dois países está mantido em São Paulo.


POR OUTRO LADO


Nas capas da Folha Online ao ‘El País’, entre outros pelo mundo, ontem, a decisão de um juiz espanhol de manter a investigação de autoridades israelenses por um ataque à faixa de Gaza em 2002, que matou crianças.


Já os massacres recentes são destaque na home da ‘Economist’, com a região ainda em ruínas e cercada, três meses depois.


FIAT DO BRASIL


O ‘Financial Times’ de papel abriu a manchete ‘Fiat planeja supergrupo automotivo europeu’, reunindo Chrysler e as divisões da GM na Europa, Opel, Vauxhall, Saab. No mundo, só seria menor que a Toyota. Mas veio a Alemanha, da Opel, e exigiu manter a sede, para ceder os recursos desejados pela Fiat.


Na mesma linha, o despacho da AP nos sites americanos questionou ‘se uma coleção de montadoras com prejuízo pode gerar dinheiro’, notando que ‘a Fiat só dá lucro por causa do negócio no Brasil’.


FMI EUROPEU


Em longa carta ao ‘FT’, o mexicano Jorge Castañeda atacou o poder da União Europeia no FMI, elogiou as ideias do G20 para reforma, mas pediu diretoria colegiada e vitalícia de nove membros para a instituição.


EUROPA ANTIBRIC


Já o ‘Guardian’ deu que a União Europeia foi ‘acusada de protecionismo’ por ações tomadas após suas promessas antiprotecionistas no G20 -como taxar em 60% as velas da China e impor tarifa sobre o alumínio brasileiro.


OBAMA CONTRA O PARAÍSO


Na manchete do ‘NYT’ ao longo do dia, até mudar para a alta em Wall Street, o projeto de Obama para taxar os ‘paraísos fiscais’, citando ilhas Cayman. Tendo por alvo ‘os que deixam dinheiro em contas no exterior, poderia levantar até US$ 210 bilhões’. Segundo o ‘FT’, na mira estão as próprias ‘multinacionais americanas’, como a General Electric e a Procter & Gamble. O lobby industrial qualificou o plano como ‘desastroso’.


MEDO EM SÃO PAULO


Com chamada na home page do ‘New York Times’ ao longo do dia, longa reportagem retratou como a produção e a venda de carros blindados vive um ‘boom’ em São Paulo, apesar da crise. Seria um efeito do ‘medo’ de sequestros relâmpagos, homicídios e outros. ‘São Paulo lidera o país -e o mundo- na produção de carros blindados’’


 


 


ACESSO A INFORMAÇÃO
Mário Magalhães


Governo muda classificação e censura papéis históricos


‘Os documentos secretos que o governo tornou públicos em março com numerosos trechos censurados estavam na maioria passíveis de liberação por lei, sem restrições, pelo menos desde 1997.


Eles só puderam receber tarjas pretas para ocultar parte do conteúdo devido a mudança operada sigilosamente em 2005 pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.


Foram liberadas as mais de 3.000 páginas de atas do Conselho de Segurança Nacional, do nascimento, em 1934, ao fim, em 1988. Em nenhum período da história do órgão uma ata teve classificação original de sigilo maior que ‘secreto’.


Essa classificação não permite manutenção de veto a acesso público maior que 20 anos, renováveis no limite por mais 20 -portanto, 40 anos. Já era assim em 1997, quando foi regulamentada lei de 1991.


De 2002 a 2004, o prazo de sigilo dos papéis ‘secretos’ pulou para 30 anos -renovando-o, 60 anos. Todos os documentos da década de 30 estariam liberados integralmente.


O prazo de 20 anos foi restabelecido no decreto presidencial 5.301, de 2004. Seriam acessíveis em 2009, na íntegra, todas as atas de 1934 a 1968, período em que se concentra a censura a dezenas de trechos dos documentos, no total de 413 linhas, na conta do GSI.


Em 2005, contudo, o gabinete subordinado à Presidência e dirigido pelo general de exército Jorge Armando Felix introduziu a classificação de ‘ultrassecreto’ em papéis carimbados na origem como, no máximo, ‘secretos’. A mudança é legal.


O GSI diz que ela consta do seu ‘Boletim Reservado’ de junho de 2005, ao qual é proibido acesso público.


Desde 2002, em virtude de decreto restritivo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, documentos ‘ultrassecretos’ podem permanecer em segredo para sempre. O mecanismo, que se convencionou denominar de sigilo eterno, foi mantido pelo presidente Lula.


Nem mesmo a ditadura militar (1964-1985) classificou como ‘ultrassecretas’ as atas. Definiu-as como ‘secretas’.


Com diversas denominações nos 54 anos de sua trajetória, o CSN foi, na expressão de decreto-lei de 1969, o ‘órgão de mais alto nível de assessoramento direto do presidente’ na ‘formulação e na execução da política de segurança’.


Se o governo Lula teve o mérito de liberar documentos que a legislação já permitia divulgar na administração FHC (1995-2002), por outro lado, introduziu censura onde ela não poderia existir, a seguir a classificação original de sigilo.


Sigilo eterno


Os trechos censurados tratam na essência, conforme o GSI, das relações com os países fronteiriços do Cone Sul. O propósito da permanência do segredo seria evitar constrangimentos diplomáticos.


A leitura das atas evidencia o esforço para esconder, lançando mão de censura, a obsessão dos governos do Brasil referente à relação de forças com a Argentina, especialmente no campo militar.


As tarjas pretas dificultam que se conheça mais a fundo o relacionamento histórico entre os dois membros mais influentes do Mercosul.


A primeira ata censurada é a da segunda sessão do CSN, presidida em outubro de 1935 pelo presidente Getulio Vargas no Palácio do Catete, então sede do governo. Um dos trechos sob tarja compara o poder naval brasileiro ao ‘de outra nação sul-americana’ -o contexto deixa claro ser a Argentina.


A censura se sucede em atas até os anos 70. É falso, no entanto, que somente suscetibilidades da diplomacia tenham sido consideradas.


Da 24ª sessão do CSN, de agosto de 1964, censurou-se uma demonstração dos encargos financeiros da Eletrobrás por 45 anos (até 2009), na compra de empresas do setor de eletricidade. Nesse trecho, a tarja falha: com baixa resolução, expõe o conteúdo. É possível ler o gráfico que está sob ela.


A mudança de classificação feita pelo GSI em 2005 não bastaria para impor a censura, que o gabinete informa ter sido aprovada em reunião da Comissão de Averiguação e Análise de Informações Sigilosas.


Criada no governo Lula e subordinada à Casa Civil, a comissão é coordenada pela titular da pasta, Dilma Rousseff. Integram-na Dilma, o general Felix e os ministros da Justiça, da Defesa, de Relações Exteriores e de Direitos Humanos, mais o advogado-geral da União.


Nos termos do sigilo eterno, a comissão pode perpetuar exclusivamente veto a papéis classificados ‘no mais alto grau de sigilo’ (os ‘ultrassecretos’).


Censuradas, a atas do CSN podem ser lidas no site do Arquivo Nacional (www.arquivonacional.gov.br).’


 


 


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Governo da Bahia autoriza abertura de documentos


‘O governo da Bahia publicou ontem decreto no ‘Diário Oficial’ do Estado que cria uma comissão para encontrar e divulgar documentos de órgãos públicos estaduais durante o regime militar (1964-1985).


Os trabalhos devem durar 180 dias. O projeto Memórias Reveladas das Lutas Políticas na Bahia será coordenado pela Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos.


Segundo o governador Jaques Wagner (PT), a medida não tem caráter de retaliação ou vingança, mas de ‘direito à verdade’. Ele afirmou que a Lei da Anistia foi criada para ‘pacificar a sociedade’ e deve permanecer intacta.


‘Nossos mortos podem dormir em paz’, disse a ex-secretária da Justiça Marília Muricy, que foi substituída ontem pelo deputado Nelson Pellegrino (PT).’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Ministério proíbe ‘Pânico’ antes das 21h


‘O Ministério da Justiça reclassificou ontem o ‘Pânico na TV’ como impróprio para menores de 14 anos. O humorístico da Rede TV! não poderá mais ser exibido antes das 21h.


É a segunda vez que o programa é reclassificado. Em abril de 2006, trocou a faixa das 18h pela das 20h após ter sua classificação indicativa alterada de livre para imprópria para menores de 12 anos, por exibir conteúdo considerado violento.


Em 2006, o apresentador Emílio Surita foi a Brasília tentar reverter a situação. Desta vez, a Rede TV! apenas apresentará um recurso de praxe.


A reclassificação era esperada. O programa já vem sendo exibido a partir das 20h45, com uma reprise de atrações de seus cinco anos, e ao vivo, após as 21h. Seus responsáveis até preferem o novo horário..


O ministério reclassificou o ‘Pânico’ por valorizar a beleza ‘como condição imprescindível’, por expor minorias a situações degradantes e por linguagem e conteúdo erótico.


‘A gente não concorda e vai tentar um recurso’, diz Dennis Munhoz, superintendente da Rede TV! ‘Mas a reclassificação não se aplica o ‘Pânico 5 Anos’, avalia o executivo.


A reclassificação ocorre no melhor momento do ‘Pânico’. O humorístico, que vem superando o ‘Domingo Espetacular’ (Record), bateu seu recorde em abril (11 pontos), alcançando o segundo lugar durante 59 minutos consecutivos.


EM BAIXA


Pelo segundo mês consecutivo, a Record perdeu audiência. Fechou abril com média de 7,4 pontos na média das 7h às 24h na Grande SP, contra 7,7 em março. A Globo cresceu de 16,8 para 17,3. SBT, Band e Rede TV! também subiram.


BOLADA


As finais dos campeonatos Paulista e Carioca renderam recorde de audiência para a Globo. Em São Paulo, a emissora teve 35 pontos (só bola rolando); a Band marcou 11. No Rio, Flamengo x Botafogo rendeu 41 pontos à Globo.


DEPRESSÃO


Em queda, o ‘Fantástico’ deu só 20,7 pontos. Na prévia, ficou atrás do ‘Domingo Legal’ (14,2 de média) durante alguns minutos. Teve menos audiência do que o ‘Domingão’ (23,5).


DESLIGADO


Luciano do Valle mandou um abraço para o técnico Dunga, que, segundo ele, estaria vendo Corinthians x Santos pela Band. Quase no mesmo momento, a Globo mostrava Dunga no Pacaembu, vendo o jogo in loco. Valle também precisa assistir à Record. Disse que quem cantou o hino nacional foi Paula Toller. Foi Paula Lima, jurada de ‘Ídolos’.


OUTRA FONTE


O SBT informa oficialmente que a abertura do ‘Show da Gente’, de Netinho de Paula, não é cópia de um vídeo em que bailarinos tomam a estação central de Antuérpia (Bélgica). Diz que a ‘inspiração’ veio do clipe que passa no final do filme ‘Quem Quer Ser Milionário?’, em que jovens dançam entre trens. Mas não contesta que seja uma cópia.’


 


 


Cristina Fibe


Seu Jorge leva sambas ao ‘Ensaio’


‘O nome do programa é ‘Ensaio’, mas o que o carioca Seu Jorge mostrará nele, amanhã, são as suas bem-acabadas canções, aquelas já conhecidas, sem nenhum improviso, nenhuma nota fora do script. Por um lado, a apresentação serve para introduzir os menos familiarizados à obra do cantor -um pouco de Farofa Carioca; ‘Carolina’, seu maior sucesso; e a onipresença do disco mais recente, ‘América Brasil’. Por outro, ‘Ensaio’ perde a oportunidade de mostrar a melhor faceta de Seu Jorge, a que passeia por vários gêneros, do blues ao samba, e revela um intérprete capaz de fazer sucesso com Ana Carolina e suas melodias românticas ou de se apropriar de composições de David Bowie na trilha de ‘A Vida Marinha com Steve Zissou’ (de Wes Anderson). Das conversas com Fernando Faro, no entanto, sempre sai algo interessante. Aqui, além de contar (de novo) sobre a infância de fome e o ‘resgate’ pelo teatro, Seu Jorge fala da experiência de filmar com diretores como Fernando Meirelles (‘Cidade de Deus’) e Andrucha Waddington (‘Casa de Areia’), e diz que o mais difícil foi rodar ‘Vida Marinha’, na Itália. ‘Foi um país muito ruim para mim, muito racista. Para negros, não aconselho’, afirma, antes de encerrar o programa com ‘Zé do Caroço’, de Leci Brandão.


ENSAIO – SEU JORGE


Quando: amanhã, às 22h10


Onde: na TV Cultura


Classificação: não informada’


 


 


INTERNET
Noemi Jaffe


Brincando com as palavras


‘Estamos ao mesmo tempo num mundo medieval, feito de mitos e mistérios; num mundo borgeano, costurando histórias inacabadas e com mentiras que parecem verdades e num mundo tecnológico, em que a Idade Média e Borges só podem acontecer por causa de botões.


A tecnologia é grande, mas surpreendentemente delicada. Como se não estivéssemos acionando teclas, mas tivéssemos voltado a usar a pena e o mata-borrão.


E a proposta do site Wordtoys (findelmundo.com.ar/wordtoys) faz coincidirem, como que por necessidade, possibilidades modernas oferecidas pelo computador com a nostalgia do artesanato.


Wordtoys são brinquedos de palavras. Mas são brinquedos literários e bibliotecários. O site é um livro-biblioteca, em que cada página convida o leitor a uma brincadeira diferente, todas absurdas e oníricas.


Na página ‘Escreve o Teu Próprio Quixote’, surge uma tela branca e, independentemente do que o leitor digite, aparece o texto de Dom Quixote. Não haveria outra maneira de realizar o sonho possível e impossível de Borges, que não fosse por meio do computador.


Não há outra maneira não verbal de fazer com que uma pessoa sempre escreva o mesmo texto. E o efeito é tão ilusionista que, após algum tempo, nós nos sentimos como autores do texto, que agora deixou de ser de Cervantes.


Em ‘Por que a Senhorita Chao se Suicidou?’, após contar a triste história de uma jovem chinesa que esfaqueia a si mesma no momento de ser levada ao casamento arranjado, o leitor depara com a pergunta e, no lugar de letras coloridas, ele é convidado a criar sua própria resposta para a pergunta.


Em um ‘Processador de Textos Rimbaudiano’, após a leitura do poema ‘Voyelles’ (Vogais), de Rimbaud, em que se comparam as vogais a cores, o leitor pode escrever seu próprio poema, que terá suas letras transformadas em diferentes cores, segundo estabelecido por Rimbaud.


Há uma coleção de mariposas-citações, porque, é claro, as mariposas se parecem com livros e, como dizia Galileu, a natureza inteira é um grande alfabeto; há poemas feitos de água (lembrando Joan Brossa), que escorrem quando se abre a torneira; há o idioma dos pássaros e os céus do sul, por onde passa um avião antigo.


Há o barulho das páginas virando, as páginas marmorizadas ou as iluminuras e o site da autora, Belén Gache, uma artista argentina (findelmundo.com.ar). A internet é, para quem quiser e souber, um mundo sem fim. As artes são, também para quem pode, o fim do mundo, o fim de um mundo, o mundo num lugar onde ficamos felizes em nos postar à beira do abismo.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 5 de maio de 2009


 


CAMPANHA
Clarissa Oliveira, Julia Duailibi e Pedro Venceslau


Dilma, Serra e Aécio vão estrelar tempo de TV


‘A mais de um ano do início do horário eleitoral gratuito para a corrida presidencial de 2010, PT e PSDB já preparam o teste de vídeo dos cotados à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.. Os nomes citados como possíveis candidatos dos dois partidos – a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no PT, e os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), no PSDB – vão estrelar os programas partidários que serão veiculadas em maio e junho, no rádio e na televisão.


As peças – que de tempos em tempos servem de base para ações judiciais, quando usadas como canal para propaganda eleitoral fora do prazo – começaram a ser veiculadas no início do ano. A legislação que trata do assunto prevê que o conteúdo deve se restringir a temas partidários, como a difusão do programa da sigla. No caso do PT, o vídeo de 10 minutos vai ao ar em 28 de maio. Já o filme tucano será transmitido em 25 de junho, segundo o TSE.


Adiantado nos preparativos, o PT diz estar blindado contra eventuais acusações de adversários de promover antecipadamente sua candidata. Apesar de Dilma liderar a lista de estrelas do filme, junto com o presidente Lula, ela dividirá as atenções com outros ministros – Paulo Bernardo, do Planejamento, e Guido Mantega, da Fazenda, já gravaram suas participações. Na lista de protagonistas, está ainda o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Todos falarão sobre temas como crise, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e bandeiras da administração federal.


As gravações com Dilma foram feitas antes de a ministra anunciar publicamente que se tornou vítima de um câncer no sistema linfático. Mas, até a semana passada, o PT se dizia decidido a não alterar os planos. Na terça-feira, dirigentes da sigla assistiram ao piloto do filme e discutiram os ajustes a serem feitos. ‘Nosso foco é o combate à crise, geração de emprego e reformas empreendidas pelo governo’, afirmou Berzoini.


No PSDB, os preparativos estão menos avançados, mas o plano é exibir Serra e Aécio. Tucanos pretendem levar ao ar um programa com conteúdo popular, antecipando de certa forma o que será a estratégia para fazer frente a Dilma na disputa presidencial. A proposta é que Serra e Aécio falem sobre suas principais obras nos Estados, como projetos em infraestrutura. De forma leve, sem usar jargão técnico, dirão que o PSDB sabe usar o dinheiro público e que, num momento de crise, investimentos podem evitar que o País entre num atoleiro.


O programa pretende passar uma visão otimista sobre o País, para não deixar a impressão de que os tucanos são da turma dos que torcem contra. Vai mostrar que a sigla é a favor de programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família. Elaborado por equipes de Minas, São Paulo e Brasília, também deverá apresentar ações de outros Estados governados por tucanos, como Rio Grande do Sul, Roraima e Alagoas, além das capitais administradas pelo PSDB.’


 


 


INTERNET


Jovem é denunciado por racismo no Orkut


‘Um rapaz de 21 anos foi denunciado à Justiça paulista na semana passada por ser membro da comunidade do Orkut ‘Mate um negro e ganhe um brinde’. Nela, eram divulgadas mensagens racistas e nazistas. Para o Ministério Público Federal (MPF), ele pode ter praticado, induzido e incitado a discriminação e o preconceito. O órgão não revelou o nome do acusado, cujas iniciais são R.C..


Segundo o MPF, 16 pessoas participavam da comunidade. Com exceção de R.C., todos são de fora de São Paulo. Num tópico da comunidade no qual era discutido o ‘brinde’, R.C. teria afirmado: ‘Deveria ser a eliminação de todos eles e proibir a internet gratis sei la como eh neh siegheil camaradas.’


O Google identificou o internauta e a Justiça autorizou busca e apreensão na casa dele. Foram recolhidos materiais de cunho nazista, imagens de Hitler, o DVD Skinheads – Força Branca e o livro Diário de um Skinhead.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Globo se vira nos 30


‘Manter audiência na casa dos 30 pontos está cada vez mais difícil. Veja bem, 30, não 40 ou 50 pontos como se ouvia dizer até poucos anos atrás. Segundo medição do Ibope na Grande São Paulo, a Globo, emissora líder, tem bem menos programas com médias acima de 30 pontos do que tinha há um ano.


Levantamento do Ibope entre janeiro e abril deste ano mostra que a rede mantém atualmente três – aliás, apenas duas em fevereiro e março – atrações com médias acima de 30 pontos de audiência, segundo medição na Grande São Paulo. Em fevereiro deste ano, Caminho das Índias (33,7 pontos) e Big Brother Brasil 9 (32,4 pontos) ficaram acima dos 30 pontos de audiência. Em fevereiro do ano passado, a emissora possuía quatro atrações com médias acima desse patamar: Jornal Nacional ( 33, 9 pontos), Duas Caras (41,8), Beleza Pura (31,5) e BBB 8 (39,1).


A Globo, por meio de sua assessoria de imprensa, alega que a comparação entre 2008 e 2009 no período de janeiro a abril aponta queda no total de TVs ligadas (share) – de 63% para 60%. ‘Essa queda acabou impactando na média geral dos programas’, explica a emissora.’


 


 


Gustavo Miller


Estreia hoje reality show do Fiz TV


‘Começa hoje, às 23h45, o TV Noir Desafia, reality show do Fiz TV, que confinou oito produtores de vídeo em um hotel para que eles criassem um vídeo de ficção em apenas três dias. Eles contaram com toda a estrutura de um estúdio profissional.


O material será analisado por um júri, formado pelo diretor de fotografia Carlos Ebert, a roteirista Anna Muylaert e o diretor Paulo Morelli. O vencedor ganhará pontos dentro do www.fiztv.com.br. O programa, apresentado por Fábio Basso Montanari, terá dez episódios semanais.’


 


 


 


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