Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 18/10

Jornalista morre baleado dentro de jornal

20/10/2010 na edição 612


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 18 de outubro de 2010


 


CRIME


Jornalista morre após ser baleado dentro de jornal


O jornalista Wanderley dos Reis, 42, morreu ontem após ser baleado na perna direita por três homens armados que haviam invadido, na noite de anteontem, a sede de seu jornal, o ‘Popular News’, em Ibitinga.


Ainda não há suspeitos do crime, mas a polícia trabalha com duas hipóteses: motivação política ou afetiva.


Reis estava no quarto com um amigo, Moisés Fernandes da Silva, 36, quando os três homens entraram e o levaram para outra sala do jornal, que funciona na própria casa da vítima. No local, houve uma discussão e logo em seguida o disparo.


O tiro, possivelmente de uma pistola 380, atingiu a perna da vítima, quebrou o fêmur e rompeu a artéria femoral. O jornalista foi levado ao pronto-socorro e depois foi encaminhado para a Santa Casa. Ele passou por uma cirurgia, mas morreu.


A polícia montou duas linhas de investigação para tentar desvendar o crime. Uma delas diz respeito à atividade no jornal. Reis assinava reportagens polêmicas, em que denunciava a política e precariedades na cidade.


A outra, mais considerada pela polícia, envolve a homossexualidade de Reis. O jornalista havia terminado um relacionamento recentemente e, segundo a polícia, era procurado constantemente pelo parceiro para reatar o namoro. O nome do ex-namorado de Reis não foi divulgado pela polícia.


Segundo o delegado responsável pelo caso, Carlos Alberto Ocon de Oliveira, ainda não há suspeitos, mas as pessoas que poderiam representar ameaça à vida do jornalista estão sendo monitoradas. ‘Vamos apurar, inclusive, se o tiro foi para matar ou só para assustar.’


Hoje, a Polícia Civil deve aprofundar as investigações sobre o crime, ouvindo o amigo Moisés Silva, relacionado como testemunha.


Um outro amigo do jornalista que também estava na casa da vítima no momento do crime será chamado para depor hoje.


 


 


Repórter de polícia foi morto há 3 anos


Não é a primeira vez que um jornalista é morto na região. Em maio de 2007, Luiz Barbon Filho foi assassinado com dois tiros à queima-roupa na cidade de Porto Ferreira.


Barbon Filho era repórter policial e, segundo testemunhas, foi morto por dois homens encapuzados em uma moto.


 


 


ELEIÇÕES


Eliane Cantanhêde


Pancadaria, agora, só em jingle de rádio e em programa de TV


Saíram o aborto e Deus, citado uma única vez, no início, por Dilma Rousseff (PT). E entrou o amor, palavrinha mágica que José Serra (PSDB) puxou ao falar de programas para deficientes e que Dilma encampou nas considerações finais.


O debate Folha/RedeTV! marcou um recuo na estratégia da campanha de Dilma, que tinha ido para o ataque no encontro anterior e ontem optou por uma linha mais sóbria, menos agressiva.


Já Serra manteve o mesmo tom, ora professoral, ora irônico. E os dois preferiram cutucadas e provocações pontuais a ataques de conteúdo.


Pancadaria, agora, só acessoriamente no horário eleitoral da TV e principalmente nos jingles do rádio.


Dilma insistiu no tema privatização, e Serra caiu na armadilha de comparar os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, cobrando o que ele considerou recuos no Enem, na saúde, no Fundo de Amparo ao Trabalhador e classificando o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de ‘publicitário’.


Dilma investiu várias vezes contra programas tucanos durante as gestões Serra e Geraldo Alckmin, mas o tucano ironizou: ‘Parece até que ela é candidata ao governo de São Paulo’.


Na disputa pela paternidade de programas, que marcou boa parte do debate, Dilma citou a Rede Cegonha e Serra, o Mãe Paulistana, quando Marta Suplicy gritou na plateia: ‘Epa!’.


Como era de esperar, o bloco mais emocionante, para candidatos e plateia, foi o das questões das jornalistas. Até o gestual de Dilma e de Serra muda nessa hora, quando o debate sai do previsível.


O tucano atrapalhou-se para explicar que não conhecia Paulo Preto, apelido de um funcionário do governo paulista suspeito de ter fugido com R$ 4 milhões da campanha tucana.


Já Dilma tinha na ponta da língua a resposta para a pergunta sobre Erenice Guerra, sua substituta na Casa Civil, acusada de nepotismo e de montar uma central de tráfico de influência no principal ministério do governo.


Nunca antes Dilma tinha sido tão dura com Erenice: ‘Ela errou’, disse, manifestando ‘indignação’. E lembrou que a ministra foi afastada e tudo está sendo investigado -ao contrário do que ocorre com Paulo Preto. Após Lula versus FHC, agora é Erenice versus Paulo Preto.


 


 


Plínio Fraga


Campanhas ampliam propaganda negativa no segundo turno


A propaganda da petista Dilma Rousseff diz que ‘Serra é do bem ganancioso’, que ‘só dá bola pra rico’, chama-o de ‘Zé Promessa, Zé do Bico, Zé Conversa’ e que ‘não fez nada para o povão’.


Os comerciais dos tucanos afirmam que Dilma ‘muda o tempo todo’ de opinião sobre MST e aborto, que vem acompanhada de ‘aloprado, mensalão, Zé Dirceu’ e que quando deu ordens ‘foi um ai, Jesus, aumentou o caos aéreo e a conta de luz’.


No segundo turno, a chamada propaganda negativa domina a campanha. Em inserções na televisão e principalmente em jingles no rádio, os dois candidatos trocam ataques duros.


Cada lado tem ao menos quatro inserções destinadas a rotular negativamente o adversário e o fazem de maneira direta, também com acusações de cunho moral.


Na internet, os chamados virais, em geral de procedência anônima, acumulam milhões de acesso, com ataques sem limites, envolvendo aborto, opção sexual, casos extraconjugais, corrupção e até práticas satânicas.


Na TV, o locutor petista diz que ‘eles já foram contra’ o Bolsa Família e o ProUni e que ‘agora querem voltar para fazer um país só deles’.


Os tucanos contra-atacam exibindo manchete sobre o escândalo da Casa Civil. ‘Se Dilma não consegue escolher nem uma auxiliar, imagine um ministério inteiro.’


O cientista social Afonso de Albuquerque -doutor pela UFRJ e coordenador na UFF da pesquisa ‘Propaganda Política e Construção da Imagem Partidária no Brasil’- diz que o segundo turno se distingue do primeiro pela radicalização. ‘A natureza da campanha mudou.’


‘A campanha negativa, a priori, é desaconselhável para quem está em uma posição confortável. É um risco desnecessário. Para quem está atrás ou ameaçado, torna-se imperiosa. Num estágio como o atual, com nível de partidarização e radicalização grande, a campanha negativa faz mais sentido.’


A especialista norte-americana Kathleen Hall Jamieson diz que os anúncios de contraste são mais eficazes, desde que sejam civilizados e não inflamados.


Ela questiona a expressão ‘propaganda negativa’. ‘O formato de contraste permite que apresentar aos eleitores opção entre duas posições.’


Para especialistas, a campanha negativa é mais fácil de ser lembrada que as mensagens positivas, mas corre mais riscos de desagradar.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Duas semanas


O efeito Serra durou pouco no mercado financeiro e nas agências, diante do Datafolha. Na manchete da Folha de sábado, ‘Dilma mantém a vantagem sobre Serra’, mais o destaque ‘a duas semanas da eleição’. E já ontem, no topo das buscas de Brasil por Yahoo News e Google News, com Reuters, ‘Líder no Brasil pode cortar gasto’. O ministro Paulo Bernardo falou ao ‘Estado’ que ‘Dilma terá de fazer ajuste fiscal mas não será inflexão’, pois ‘não há risco inflacionário’.


Íngreme


Já antes do Datafolha a ‘Economist’ postou ‘Um monte íngreme para escalar’, dizendo que o segundo turno levou ‘os apoiadores de Serra a se permitirem ter esperança’. Porém a distância ‘pode simplesmente se mostrar intransponível em duas semanas’.


Júlio César


E o jornalista Norman Gall publicou no espanhol ‘El País’ que Shakespeare, ‘se vivo, poderia escrever que Lula, como Júlio César, domina a política brasileira como um colosso’. Diz que ‘Lula e Dilma perderam por pouco o primeiro turno’ e já se estende sobre os ‘riscos’ para o governo petista. ‘O período de vacas gordas está chegando ao fim.’


Bumerangue


A notícia da Folha, de que alunas de Monica Serra ouviram dela que havia feito aborto, ecoou por agências como Efe e Ansa, sob títulos como ‘Aborto, um bumerangue para Serra’. Saiu no chileno ‘La Tercera’ e nos argentinos ‘Clarín’, ‘La Nación’ e ‘Página/12’ -este em longa entrevista com uma das alunas.


Aborto?


Em entrevista ao colombiano ‘El Tiempo’, FHC foi questionado sobre aborto, que ‘virou tema definitivo da campanha’, e disse que ‘não foi o aborto, foi que Dilma falou uma coisa e outra’. E que ‘este debate nunca foi tema eleitoral no Brasil porque é definido pela lei, não é um tema político’.


PANFLETO


O Blue Bus reproduziu ‘Veja’ e ‘IstoÉ’ e comentou que ‘a mídia brasileira foi reduzida a panfleto’, como ‘dá para ver pelas capas’


INTERESSE


‘New York Times’ e ‘Financial Times’ noticiaram que Rupert Murdoch, da Fox News e do ‘Wall Street Journal’, foi questionado por acionistas pela contribuição de US$ 2 milhões que sua News Corp. fez à campanha do Partido Republicano. ‘Foram inusuais’, concordou, justificando que foi ‘no interesse de nossos acionistas’ e ‘no melhor interesse do país’.


MARAT MODERNO


Com a obra ‘Marat (Sebastião)’, o ‘WSJ’ saudou o brasileiro Vik Muniz em sua seção ‘Ícones’, no sábado. O artista conta como surgiu sua releitura de ‘A Morte de Marat’ com o catador de papel Tião Santos


A VEZ DO BANCO CENTRAL


O ‘WSJ’ publicou que o dólar voltou a cair ‘contra moedas emergentes’ diante da ‘ampla expectativa de que o Fed’ vai afrouxar a política monetária. E o ‘FT’ deu que, para ‘gerentes de fundos’, os controles de capital lançados por Brasil e Tailândia terão ‘pouco efeito para conter a onda’, ‘a enchente’ e até ‘o tsunami’ de dólar que entra.


Mas um executivo do fundo Pimco diz que ‘muitos estão de olho no que ocorre no Brasil e na Tailândia’. Para a semana, o ‘FT’ destaca que os dois anunciam juros na quinta.


Impressão


Em editorial ontem, o ‘NYT’ apoiou o Fed no uso de ferramentas ‘não convencionais’, como imprimir dólar. Diz que até trará ‘algo de bom à economia global, se levar a China a parar de desvalorizar’. Avalia que Brasil e outros também ‘terão de deixar a moeda subir’, o que ‘seria doloroso’, mas a volta da recessão aos EUA, afirma, seria pior. Ameaça Também em editorial, o ‘FT’ alertou que ‘a inquietação está se intensificando’ com a perspectiva de ‘nova rodada de afrouxamento’ monetário dos EUA. Avalia que a desvalorização do yuan pela China faria ‘pouca diferença’, pois o desequilíbrio seria maior com a Europa. E vislumbra ‘ameaça à economia global no quintal dos emergentes’.


 


 


POLÊMICA


Fernando de Barros e Silva


Serra em transe


Não resisto a uma provocação inicial: a blogosfera estaria em polvorosa e os serviços da ombudsman da Folha amanheceriam entupidos de mensagens indignadas contra o jornal se a notícia não dissesse respeito a Monica Serra, mas a Dilma Rousseff.


Isso dito, é claro que é polêmica a publicação do relato de uma ex-aluna da mulher de Serra dando conta de que ela (Monica), em sala de aula, revelou já ter praticado um aborto. Não se trata de uma notícia qualquer. Ela coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro.


Haverá, neste caso, bons argumentos a favor e contra a publicação. Penso que a Folha acertou, por duas razões principais: com o aborto alçado a tópico da disputa eleitoral (e por obra de Serra), o episódio passou a envolver evidente interesse público. E, tão importante quanto isso: Monica Serra havia dito, há um mês, em campanha pelo marido no Rio, que Dilma era a favor de ‘matar criancinhas’, numa clara alusão à posição da petista sobre o aborto. Ao assumir como sua, e nos termos que fez, a campanha do marido, Monica fixou para si as regras do jogo que estaria disposta a jogar.


O caso (tão desconfortável, tão cheio de implicações desagradáveis a quem o aborda) permite, ou exige, uma reflexão de ordem mais geral. O PT tem sido acusado, quase sempre com razão, de ser capaz de qualquer coisa para se manter no poder. Isso virou um mantra, a despeito da sua veracidade. Mas Serra não está se revelando, já faz tempo, alguém disposto a pagar qualquer preço para chegar ao poder?


Essa pantomima de devoção e carolice que se apossou da campanha tucana (e que nada tem a ver, como parece óbvio, com respeito efetivo pela religiosidade do povo) é a expressão patética de que tudo (biografia, valores, familiares) está sendo sacrificado em nome de uma ideia fixa. Serra sonha ser presidente. Mas se parece, cada vez mais, com o personagem de Paulo Autran em ‘Terra em Transe’.


 


 


INTERNET


Sites de notícias alcançam quase 2/3 dos internautas americanos


Seis em cada dez usuários americanos com mais de 18 anos acessaram sites de notícias em setembro. O total de usuários únicos chegou a 102,8 milhões.


A pesquisa, encomendada pela Newspaper Association of America à consultoria comScore, mostrou que esses sites também alcançaram uma fatia de 55% dos anúncios on-line direcionados à faixa etária de 25 a 34 anos.


De cada quatro adultos que visitaram sites noticiosos, um tem renda familiar superior a US$ 100 mil por ano. Entre os mais ricos, que representam 21% de todos os internautas americanos, 73% visitaram esses sites.


Entre os líderes de audiência no período estão o portal Yahoo! News Network (51% dos adultos americanos o visitaram), o portal MSNBC (27%) e o da rede CNN (22%).


No período, internautas geraram cerca de 4,1 bilhões de ‘page views’ (acesso à página) e gastaram 3,3 bilhões de minutos nesses sites.


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Fábio pai e ‘Fábio’ filho terão série/reality na Globo


De olho no poder dos genes de Fábio Jr., a Globo deu um especial de fim de ano para o cantor e seu filho, Fiuk, que pode virar série em 2011.


‘Tal Pai, Tal Filho’ vai girar em torno de um cantor famoso, Fábio Jr., pai solteiro do aspirante à fama musical, Fiuk. Os dois praticamente serão eles mesmos na produção.


‘Vamos tentar preservar ao máximo a relação que eles têm no cotidiano, até as brigas. Só não é reality porque não colocamos câmeras na casa deles, e a trama é ficcional’, disse Mário Márcio Bandarra, diretor do programa.


‘Juntos, eles atingem fãs de várias gerações. Aposto que terá ótima audiência’, disse Bandarra.


O formato é forte candidato a uma vaga fixa na grade da Globo em 2011.


Já na abertura do programa, a Globo brinca com a grande semelhança de Fábio e Fiuk, fazendo um mix de fotos deles da infância à fase adulta.


A ideia é misturar as imagens até que o público não saiba mais quem é quem.Tudo isso ao som de uma versão nova de ‘20 e Poucos Anos’, de Fábio Jr., interpretada por pai e filho.


Com gravações previstas para novembro, no Projac e em locações, ‘Tal Pai, Tal Filho’ vai ao ar no dia 28 de novembro, na Globo, logo após ‘Passione’.


Cabe mais um Tendência no comercial da Globo: depois de abrir cotas extras de patrocínio no futebol e na F-1, a Globo também aumentou de três para quatro os patrocinadores do Carnaval de 2011. Vendeu cada cota a R$ 21,3 milhões (preço de tabela).


VIP O canal E! em breve levará o programa de Amaury Jr. para assinantes na Ásia e na Europa. A atração, que completa um ano no canal, terá agora uma hora de duração.


Bahuan, o retorno Márcio Garcia pode voltar às novelas em ‘Dinossauros e Robôs’, próxima trama das 7 da Globo.


Infantil A ‘Turma da Mônica’ ganhará um especial de fim de ano na Globo, com animação exclusiva para o Natal e personagens em 3D interagindo com atores.


Última ponta Há quase dez anos separados, os integrantes do Planet Hemp voltarão a tocar juntos em um dos shows da festa de 20 anos da MTV, quarta-feira, no Rio.


Dia do fico Ainda na MTV, caminha para um final feliz a renovação de contrato de Marcelo Adnet, que vence em dezembro.


Top A Globo trocou Luiza Brunet por Letícia Birkheuer no comando do ‘Menina Fantástica’, concurso de modelos do ‘Fantástico’. A emissora disse, via assessoria, que Luiza é garota-propaganda de marca que conflitava com um patrocinador do quadro.


Bonjour Latina? Não, em sua participação na série ‘Brothers & Sisters’ (Universal Channel) Sônia Braga fará uma típica francesa.


 


 


Lúcia Valentim Rodrigues


‘Octonautas’ mergulha no universo do ‘Peixonauta’


O Peixonauta nacional ganhou companhia. Se ele resolver investigar as profundezas do mar, vai encontrar a tripulação dos ‘Octonautas’. O novo desenho se baseia em uma série de livros, em que já estavam delineados todos os personagens.


Desconhecidos no Brasil, os oito amigos reúnem um gato com jeitão de pirata, um pinguim enfermeiro, uma coelha, uma cachorrinha, um polvo sabido, uma lontra e vegetais esquisitos, liderados por um urso polar.


As 25 aventuras, divididas em episódios de meia hora, são voltadas para a idade pré-escolar, entre 3 e 5 anos. Kurt Mueller, que trabalhou na ‘Vila Sésamo’ e produziu ‘Pinky Dinky Doo’, já viu ‘Peixonauta’ e diz que, ‘como nos seriados médicos, há espaço para mais de um desenho debaixo d’água’.


‘Octonautas’ tem um clima de ‘Missão: Impossível’ no fundo do mar ou, como prefere Mueller, ‘uma Liga da Justiça dos oceanos’. ‘Acho que as crianças vão se entusiasmar em ir para lugares perigosos num cenário de ficção científica e cheio de criaturas extraordinárias.’


NA TV


Octonautas


Estreia do desenho


QUANDO de seg. a sex., às 7h30 e às 15h, no Discovery Kids


CLASSIFICAÇÃO livre


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 18 de outubro de 2010


 


CHILE


Tim Arango, The New York Times


Hollywood estuda forma de abordar os ‘33 heróis’ chilenos


NOVA YORK – Depois de ter sobrevivido a um acidente de avião com sua equipe de rúgbi nos Andes em 1972, Nando Parrado teve uma vida agradável. Ele se tornou autor e um bem-sucedido produtor de TV no Uruguai. Ethan Hawke interpretou o papel dele num filme. E Parrado ainda comparece à reunião anual com os 15 outros sobreviventes cuja história tortuosa foi retratada no filme Vivos, de 1993. De férias em Miami, ele acompanhou a cobertura do resgate dos mineiros no Chile.


‘Se tivéssemos sido recebidos por uma equipe de TV, o agito em torno do nosso caso teria proporções muito maiores’, disse ele, revelando certa inveja dos resgatados. ‘Ninguém nos ajudou. Escapamos daquela situação e fomos a um churrasco.’ Passaram-se 21 anos até que a história de Parrado fosse contada por Hollywood. Para os mineiros, as especulações em relação aos direitos para a produção de um filme tiveram início enquanto eles ainda estavam sob a terra. O site Movieonline.com propôs vários nomes de diretores considerados adequados, entre eles Ron Howard, Danny Boyle e Kathryn Bigelow. Quem participaria do elenco? Foram sugeridos atores como Javier Bardem, Gael García Bernal e Benício del Toro.


O fato é que a história dos mineiros torna-se agora o objeto de disputas, de polêmicas sobre quem deve ser pago e quem controlará a manipulação da história no âmbito da cultura popular. O episódio chegará a Hollywood, que tentará transformar a vida real em arte – ou, ao menos, num grande sucesso dos cinemas.


As reportagens sugeriam que os homens aprisionados tinham combinado, antes mesmo do resgate, que partilhariam todo o eventual lucro que Hollywood lhes pudesse proporcionar. Mas o dinheiro e a fama têm o hábito de complicar relacionamentos.


‘Alguns podem gostar da exposição, enquanto outros, não’, disse Parrado. ‘Trata-se de um grupo grande, e cada indivíduo se comporta de maneira diferente.’


‘Acho que, para uma pessoa normal, negociar com Hollywood é assustador’, disse Will Jimeno, policial de Nova York soterrado durante nos ataques do 11 de Setembro, cuja história foi contada no filme de Oliver Stone, World Trade Center, em 2006. Jimeno e outro policial, o sargento John McLoughlin, receberam por suas histórias cerca de US$ 200 mil cada – uma quantia modesta para os padrões de Hollywood. Ele disse que preservar a fidelidade histórica e honrar a memória dos colegas mortos foram seus motivos para participar do filme.


‘Hollywood nos procurou’, disse Jimeno, que afirmou ter chorado quando viu os mineiros serem resgatados. Ele aconselhou os mineiros a confiar nos próprios instintos no momento de escolher um parceiro dentre os muitos que virão atrás deles para contar sua saga. A respeito de Hollywood, ele disse: ‘Vão ganhar o dinheiro deles independentemente de todo o resto. Trata-se de um negócio’.


‘Não há problema em fazer um filme sobre Mark Zuckerberg, dono de uma fortuna de US$ 6 bilhões, e não pagar direitos a ele’, disse Michael Shamberg, um dos produtores de World Trade Center. ‘Mas não se pode recriar a história de 33 mineiros sem tentar ajudá-los.’


Shamberg enviou um e-mail a um cineasta chileno dias antes do resgate dos mineiros, na tentativa de associar um nome latino a um projeto que agora existe apenas na sua imaginação. ‘Eles são o orgulho nacional do Chile. Se não os tratarmos bem, certamente teremos um país inteiro contra nós.’ / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL


 


 


INTERNET


Lais Cattassini


Twitter chega à sala de aula como ferramenta para aprender técnica literária


‘O telefone tocou. Seria ele? O que ele queria? Ela já não havia dito que era o fim? Ela atendeu o telefone. Não era ele, era pior.’ Em apenas 140 caracteres, o permitido para cada post no microblog Twitter, adolescentes aprenderam, em sala de aula, a usar a rede social como plataforma para contar pequenas histórias como essa.


A técnica literária, conhecida como microconto, nanoconto ou miniconto, foi praticada pelos alunos do Colégio Hugo Sarmento no perfil @hs_micro_contos do Twitter.


Para escrever uma história coerente em tão poucas palavras, os estudantes tiveram de ficar atentos à narrativa, à concisão e ao sentido do que era postado, algumas habilidades já dominadas pelos adolescentes, acostumado com a rapidez da internet.


Embora o Twitter seja usado com mais frequência para relatos e comentários do cotidiano, não ficcionais, os microcontos já têm adeptos na rede social. Há perfis totalmente dedicados à técnica e usuários que costumam escrever mini-histórias, como a cantora Rita Lee (@LitaRee_real).


‘Cada história precisava ter um começo, meio e fim. Não dava, por exemplo, pra ficar descrevendo o cenário’, conta Pedro Rubens Oliveira, de 13 anos, que participou do projeto.


O professor de língua portuguesa do ensino fundamental Tiago Calles, que propôs o exercício na escola, conta que aproveitou os limites de espaço da rede para trabalhar a estrutura da narrativa e as poesias concretas, abordadas em aula, de uma maneira diferente. ‘O fato de envolver uma outra plataforma interessou os alunos, que se sentiram mais motivados’, afirma.


Talissa Ancona Lopes, de 13 anos, conhecia pouco do Twitter antes de usar a plataforma na escola. ‘Tive um perfil por algum tempo, mas depois excluí’, conta. Dona de perfis em outras redes sociais, ela encontrou uma nova utilidade para a rede. ‘É mais divertido aprender dessa maneira.’


A diversão costuma estar associada às redes sociais. Segundo a assessora de tecnologia educacional da Escola Viva, Elizabeth Fantauzzi, os estudantes têm dificuldade para enxergar o Twitter como uma ferramenta de aprendizado. ‘Para eles, aquilo não pode ser usado em aula, mas é um material muito rico se for aproveitado com um sentido pedagógico’, diz.


Tecnologia. Não só a familiaridade com a internet estimulou a exploração do tema em sala de aula, mas também a fluência na linguagem tecnológica dos alunos. Na Escola Viva, estudantes do fundamental fizeram um projeto em que usaram conversas por mensagem de celular para montarem micro-histórias.


‘Os adolescentes têm fluência na linguagem digital. Cabe aos professores aproveitar isso e aplicarem em sala de aula’, afirma Elizabeth.


A intenção das escolas é transformar a facilidade com a escrita da internet – com seus símbolos e abreviações – em habilidades também nas redações mais acadêmicas. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado, o desempenho dos estudantes na área de Linguagens e Códigos foi justamente o que mais deixou a desejar. Em nenhum colégio a média de 700 pontos – em uma escala que vai de zero a mil – foi atingida.


ENTREVISTA


‘Às vezes duas palavras bastam para expressar um sentimento’


Tiago Calles, professor de língua portuguesa do Colégio Hugo Sarmento


Professor defende que qualidade e criatividade podem ser expressas em textos curtos.


Você tem perfil no twitter?


Não. Tenho e-mail, Orkut, mas achava que precisava encontrar uma maneira mais útil de usar o Twitter antes de criar um perfil. Por isso apresentei os microcontos em sala de aula. Queria avaliar os possíveis usos para a ferramenta.


É possível revelar a personalidade dos autores em textos tão curtos?


Sim. As poesias concretas demonstram isso. Às vezes duas palavras bastam para expressar algum sentimento ou ideia. Eu acho que os adolescentes conseguiram passar um pouco de suas personalidades nos textos que escreveram.


Os alunos podiam usar abreviações nos contos?


Podiam. Por ser um texto literário, eles tinham liberdade para escreverem da maneira que queriam. Curiosamente, nenhum dos textos que recebi tinha essas abreviações usadas na internet.


 


 


TELEVISÃO


Cristina Padiglione


Consumo de mídias motiva Dossiê MTV


O consumo de mídias e o modo como os jovens lidam com TV, rádio, jornais, mobile e web são o foco do Dossiê Universo Jovem MTV 5. A 5ª edição do estudo que melhor mapeia comportamento jovem no País será conhecida em novembro. ‘A mudança de comportamento do consumidor, com a chegada da classe C ao mercado, obriga as empresas a rever fórmulas para entender os diferentes tipos de consumidores’, diz Cecília Novaes, sócia-diretora da empresa Aartedamarca, que pilota o estudo em parceria com o setor de pesquisas da MTV Brasil. Para ela, o crescimento econômico do País trouxe grupos de consumidores diversificados de todas as idades – em especial, jovens.


35 pontos é a média de audiência de Araguaia, a novela das 6 da Globo, em Recife, desde sua estreia. Em São Paulo, o recorde foi de 27 pontos de média.


‘É que eu transo fogão com carinho’, de Raquel (Regina Duarte), em Vale Tudo, explicando que cozinha bem, em uma época em que ‘transar’ tinha vários significados


Palmirinha e Olivier Anquier estarão juntos em um dos episódios da nova temporada do programa dele, o Diário do Olivier, que estreia dia 28 no canal GNT. O francês convidou a culinarista para dar um passeio pelo Mercado Municipal de São Paulo.


Tiago Santiago fechou a escalação de Claudio Lins para o papel do mocinho de sua próxima trama, Amor e Revolução, que se passa na época da ditadura militar e tem estreia prevista para março, no SBT.


Cláudio, que já foi protagonista de Uma Rosa com Amor, do mesmo autor, será José Guerra, militar, filho de general linha dura, mas na verdade democrata. Guerra se apaixona por Maria Paixão, líder estudantil que vira guerrilheira – atriz a definir.


A Globo vendeu em apenas uma hora o espaço publicitário do Top de 5 Segundos para a temporada 2011 da Fórmula-1. A oferta foi aberta ao mercado às 16h30 de sexta-feira e, às 17h30, a Azaleia já havia fechado acordo. Preço de tabela para o Top 5 da F-1? R$ 25,5 milhões.


Para o ano que vem, a Globo já garantiu seis cotas de patrocínio para a Fórmula-1, uma a mais do que teve este ano.


O ator Vincent Kartheiser, o ambicioso Pete Campbell da série Mad Men, participa amanhã de um evento que a HBO prepara para o mercado publicitário em São Paulo. Falará sobre a experiência de estar em uma série que retrata o surgimento deste segmento nos EUA dos anos 1960.


Rodrigo Lombardi dá um tempo em Passione hoje e se junta a Glória Menezes, Marco Ricca, Alice Braga e Daniella Cicarelli para apresentar mais uma edição do Prêmio Sorriso do Bem, com transmissão ao vivo pela web (http://www.centralmusical.pt/embed/embed.swf?c=12442&t=1&l=4&et=0) e show de Eugênia Melo e Castro.


 


 


 


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