Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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ENTRE ASPAS >

José Paulo Lanyi

26/07/2005 na edição 339

‘Uma amiga minha desancava pelo MSN os abusos da nossa profissão. Ela é jovem, está se formando em fonoaudiologia pela PUC-SP e trabalha com uma comunidade de baixa renda em um posto de saúde da periferia. As críticas dela se concentravam, sobretudo, na Rede Globo – aquelas acusações recorrentes, que você ou o seu vizinho sempre gostaram de fazer.

Procurei explicar-lhe o que penso dos mecanismos cotidianos, lembrando-a de que eu mesmo – e gente séria que conheço – já trabalháramos na Globo, sem nunca nos termos aviltado. Ao contrário, produzíramos reportagens que mudariam para melhor a vida da sociedade, às vezes de uma família, ou mesmo de um só cidadão. Portanto, distorções, dizia-lhe eu, havia mesmo, mas devíamos buscar o equilíbrio na análise.

A seqüência do papo ficou tão interessante que, com a autorização da minha interlocutora, decidi compartilhá-lo com você, como se fosse uma entrevista.

Veja o que saiu de tudo isso:

EU

Você já parou pra pensar que eu e muitos outros jornalistas estamos preocupados em mudar o mundo pra melhor, e não em fazer conspirações?

ELA

Claro que sim. Mas não generalizei.

EU

Pois é o que acontece…

ELA

Eu tô falando dos jornalistas que o povo conhece.

ELA

Sacou?

ELA

O que vocês têm que fazer…

ELA

APARECER MAIS

ELA

E mostrar pro povo que nada se restringe à Globo.

EU

Mas isso não é problema meu, é problema do governo.

ELA

Lógico que não.

ELA

É problema seu sim.

ELA

VOCÊ tem que aparecer

EU

Enquanto o governo não der educação, emprego, etc.

ELA

VOCÊ tem o poder nas mãos… O MICROFONE… lembra?

EU

… Nunca ninguém vai me ver, me ler, etc.

ELA

Você pode ir em comunidades e transmitir.

ELA

Ou você acha que o povo sabe o que é fonoaudiologia…?

ELA

Não sabem.

ELA

Só sabem porque nós vamos DIRETO na fonte…ELES.

ELA

A comunidade.

Jornal vira aviãozinho

ELA

Escrever matérias com leitura mais fácil e bem explicada….distribuir pela comunidade…….

ELA

É fácil!

EU

Muita gente faz isso.

ELA

Não faz não.

EU

Eu não, mas vários jornalistas sim…

ELA

Sabe por que não?

EU

Há muitos jornais comunitários.

EU

Muitos jornais de bairro

ELA

Porque escrevem difícil… Ainda não entenderam que o grau de letramento é muito pequeno….E SABE O QUE ELES FAZEM COM ESSES JORNAIS? Usam pra colocar na porta de casa e bater o pé com o barro…

ELA

Usam pra brincar de avião.

ELA

Usam pra fazer uma bola com papel e jogar na rua…

ELA

Usam pra tampar o carro com o sol.

ELA

É a realidade, Zé.

ELA

Quando vou terapeutizar alguém com sofrimento de leitura e escrita… Não consigo levar matéria interessante pra eles…

Terapia com o Lance!

ELA

Acabo terapeutizando com jogos ou revista LANCE de futebol.

ELA

Sendo que eu poderia fazer muita coisa legal com matérias de jornal…

ELA

SE eles compreendessem o que tá escrito lá.

ELA

Mas não compreendem.

ELA

Um paciente de 20 anos…não sabe o que é o mensalão…

ELA

Não pude fazer uma dinâmica com ele sobre isso…

ELA

Me frustrou.

EU

Mas e a TV?

EU

Ele não viu a TV?

EU

Lá eles explicam…

ELA

A TV não explicou o que é o mensalão realmente…

ELA

Lógico que não…

EU

Explicou sim.

ELA

Você acha fácil o que a Fátima Bernardes e o William Bonner dizem…

ELA

Mas pra eles é muito difícil entender…

ELA

Eles capturam palavras…

ELA

Como roubo, morte, corrupção…

ELA

Mas não entendem um contexto.

EU

Por quê?

ELA

Falta de letramento…

ELA

Não há discussão sobre isso…

ELA

Não há interesse em algo que pra ele é complicado.

EU

O problema é que eles não compram jornal…

ELA

Claro.

ELA

O jornal é complicado de ler… leitura muito difícil…

ELA

Não sabem nem manejar um jornal.

‘Jornais não se interessam pelo povo’

ELA

É o que tô tentando te explicar.

EU

Sim, e se eles não compram jornal, o jornal não se interessa por eles.

ELA

Mas o jornal que tem que se interessar pelo povo….

ELA

Uma vez que você mesmo me afirmou que quer melhorar o mundo.

ELA

Eles não têm noção do que é ‘um mundo melhor’.

EU

Eu sim, mas os empresários dizem que precisam pagar as contas…

ELA

A realidade deles é diferente.

EU

Os donos dos jornais…

ELA

Então… a culpa é de quem?

ELA

Do povo ou deles?

ELA

Acho que deles…

ELA

O povo é vítima…

EU

De toda a sociedade.

ELA

Se não fossem vítimas, não estariam nas condições em que se encontram…

ELA

Claro que existe MUITA GENTE VAGABUNDA… Não tô falando que não.

ELA

Mas a maioria numa comunidade pobre… é gente honesta.

EU

E os jornais de bairro?

EU

Os jornaizinhos comunitários?

EU

Não dão conta disso?

ELA

Haha…Você acha que consideram a favela de Sapopemba um bairro…

ELA

SIM… Os jornaizinhos que NÓS fonos fizemos deu muito certo. Tiramos do nosso bolso.

ELA

Mas deu certo. Nós fizemos um jornalzinho com acontecimentos…

ELA

Fez muito sucesso.

ELA

Sabe quem fez?

ELA

Nossos pacientes…

ELA

Claro que pelo nosso intermédio… ajudamos a fazer … ensinamos como fazer…explicamos o que é mensalão…

ELA

Pô…foi sucesso…teve até dia de autógrafos…

ELA

Tudo em uma oficina que realizamos no posto de saúde.

ELA

E você acha que eles usaram o jornal pra limpar o pé antes de entrar em casa, ou colocaram no carro pra tapar do sol… Embrulhar encomendas? Não…eles adoraram…leram…debateram…

ELA

E por que os jornalistas que querem mudar o mundo pra melhor não podem fazer um trabalho comunitário como este? Porque vão gastar e tirar do seu próprio bolso. Isso não é desculpa… Eles já aprenderam até como se faz papel reciclável… A própria comunidade pode ajudar se vocês pedirem ajuda.

ELA

Eles se interessam… A imprensa é que não se interessa por eles… Esquecem deles…. deixam eles de lado e eles são A notícia e não autores das suas próprias notícias.

ELA

Sacou?

ELA

Ou não sacou?

EU

Como assim, A noticia?

ELA

Morte, Tráfico, Favela, Tiroteio, crianças drogadas…

ELA

Eles são as notícias.

No dia seguinte:

ELA

Hoje um agente comunitário lá no posto nos convidou pra darmos uma entrevista na rádio comunitária… Vamos falar sobre o desenvolvimento da leitura e escrita na criança. Comentei com ele que eu estava conversando com um jornalista sobre a parada do jornal… E ele falou: ‘É que eles escrevem muito difícil…. nóis num consegue ter vontade de ler, sabe? Nóis num entende nem a manchete deles… Já começam com título enrolado’.’



REVISTAS EM ALTA
Eduardo Ribeiro

‘Amiga, Beleza Já e Estetica Brazil nas bancas’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 20/7/05

‘O mercado de revista volta a ficar movimentado, após algumas semanas de ‘trégua’. Há pelo menos três lançamentos identificados, dois deles da Editora Símbolo e um da Duetto Editorial. Um deles, na verdade, trata-se de um relançamento: a revista Amiga, título que fez muito sucesso nos anos 70 e 80, ao invadir e devassar o mundo artístico, levando para suas leitoras uma exaustiva cobertura do mundo das novelas e principais atores e atrizes.

Pois o título, que era da Bloch, ao lado de outros como Manchete, Pais&Filhos e Ele e Ela, está agora nas mãos da Símbolo e vai novamente regressar ao mercado. A data oficial de lançamento não foi ainda anunciada pela empresa, mas pelo que apurou este Jornalistas&Cia não deverá demorar; é coisa para não mais do que um mês.

À frente da publicação está Ana Lúcia Neiva. Vale lembrar que este será provavelmente o primeiro lançamento da Símbolo após a entrada do Grupo Oceano (Editora Escala), como sócio da empresa. A operação foi formalizada no último dia 07/06, após seis meses de negociação, e envolveu a venda de 30% do capital da Símbolo, de Joana Woo, para a organização presidida por Hercílio Lourenzi. Falei provavelmente, acima, porque a própria Símbolo tem um segundo lançamento engatilhado para as próximas semanas, marcado para chegar às bancas no dia 25/08, e que será a revista Beleza Já, focada nas mulheres de classe média. A publicação será dirigida por Lais de Castro, que atualmente toca também a Dieta Já.

Por conta desses lançamentos e também da deslanchada que deu a revista Mais Feliz, transformada numa semanal feminina de serviços, houve um pequeno remanejamento de postos nas respectivas redações. Com a saída de Lais da Vida Executiva, o editorial da publicação passou a ser tocado pela editora-chefe Ivonete Lucírio. Andréa Soares, de saída do grupo Corpo a Corpo, assumiu a Direção de Redação da Ouse, sucedendo Beatriz Marques convidada a assumir a nova fase da Mais Feliz.

O terceiro lançamento registrado por este Jornalistas&Cia é Estetica Brazil, da Duetto Editorial, título internacional especializado em moda-cabelo com 59 anos de vida e atualmente presente em 80 países com 18 diferentes edições (nove produzidas pela própria Estetica italiana – Edições Esav; e nove sob licença, caso da edição brasileira). Vale lembrar que a Duetto é uma empresa nascida de uma joint venture entre a Editora Segmento e a Ediouro e que tem como presidente Alfredo Nastari. A publicação complementará a presença da editora nesse nicho, passando a fazer dobradinha com a Cabelos&Cia no grupo Beleza e Bem-Estar.

‘A Cabelos&Cia é mais técnica e traz o melhor do mercado nacional. Já Estetica Brazil é mais conceitual e traz o melhor do mercado internacional’, diz Nastari. A edição de lançamento, já nas bancas, traz uma entrevista com o hairstylist Manno Escobar, o único brasileiro a se apresentar na final do Trend Vision Award em Paris; conta a história de 59 anos da Revista Estetica pelo mundo; mostra a influência do cinema na moda-cabelo; e apresenta uma radiografia com as cinco principais empresas de cosméticos capilares do mundo.

A tiragem inicial é de 10 mil exemplares, a periodicidade trimestral e a distribuição, nacional, com preço de capa de R$ 24,90. A equipe de redação é integrada por Ana Luisa Astiz (diretora-adjunta), Gillian Borges (editora que acumulará a nova publicação com a Cabelos&Cia), Cristiane Dantas (editora assistente), Mondrian Alvez (editor de arte), Fernanda Fideles (assistente de arte), Nelson Morelli (produtor gráfico) e Ivete Vitar (assistente de redação), além de colaboradores.

Quero fechar o artigo desta semana com duas outras informações importantes. A primeira delas vem de Brasília, onde o Correio Braziliense, de olho em aprofundar ainda mais a cobertura política e da cidade, fez uma série de contratações, levando para seus quadros nomes como Riomar Trindade, Solano Nascimento, Wilmar Alves e Alon Feuerwerker. A segunda é a iniciativa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) de lançar, em parceria com outras ONGs, o boletim eletrônico Desenvolvimento, Democracia e Direitos, com informações para ajudar a sociedade civil a monitorar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Mensal, o informativo tem por objetivo reforçar o compromisso social do banco em suas políticas de financiamento e desenvolvimento, bem como o diálogo da instituição com a sociedade civil. Na primeira edição, o boletim traz uma análise dos desembolsos do BNDES para a região Nordeste do País (que vem caindo desde 2001); avalia as dificuldades de se medir o número de empregos gerados pelos financiamentos do banco; levanta o debate a respeito de projetos de estímulo à monocultura de árvores (responsável por conflitos sócio-ambientais em várias localidades) e apresenta números sobre os recursos do FAT. A distribuição é gratuita e interessados em recebê-lo devem enviar mensagem para o e-mail vetores_desenvolvimento@ibase.br .’



LÍNGUA PORTUGUESA
Deonísio da Silva

‘CPI: as palavras e os gestos’, copyright Jornal do Brasil, 25/07/05

‘Nos parlamentos como nos estádios, o silêncio também diz algumas coisas. Como réus e indiciados escolheram calar-se em face de algumas perguntas, os telespectadores puderam examinar o lado silencioso da comunicação detectada nas mãos, nos braços, nos olhos, nas sobrancelhas, no tremer de lábios e na posição na cadeira, gestos que ocultaram coisas de arrepiar os cabelos.

Manuelagem, do francês manuelage, designa a linguagem das mãos e é verbete do livro História dos nossos gestos, de Luís da Câmara Cascudo. ‘Diz-se que o homem do povo com as mãos amarradas fica mudo’, ensina o mestre.

A deputada Denise Frossard, ex-juíza, de quem a Editora Rio fez um belo perfil na coleção Gente, lembrou em seu depoimento à Universidade Estácio de Sá que ‘o momento exige que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas’. O autor original do conselho foi Benjamin Disraeli, romancista e político inglês de ascendência judaica. Os canalhas, além das palavras, usam muito as mãos, inclusive para carregar malas recheadas de dinheiro vivo.

Alguns desses gestos foram flagrados por câmeras indiscretas, mas outros certamente não. Os advogados que acompanham os acusados devem dar-lhes beliscões sob a mesa, advertindo-os do que não pode ser dito, pois feito já foi. Namoradas ciumentas, flagrando o olho comprido, o olho gordo e o olho grande sobre eventuais rivais, beliscam os amados.

Afinal, nossa língua portuguesa assegura que é possível comer com os olhos, depois de posto o olho grande sobre o objeto do desejo, seja a olho nu, seja de olhos fechados.

De olho nos interrogados, diligentes parlamentares já pensam em pôr no olho da rua alguns de seus colegas, pois, se imaginavam que eram capazes de tantas safadezas, jamais pensaram que os limites fossem levados a fronteiras tão distantes. Assim, o caso do impeachment de Fernando Collor de Mello poderia migrar para o juizado de pequenas causas.

Mãos, braços e olhos falam. E os dedos, especialmente, como no caso do beliscão, também utilizado com fins amorosos, como narrado em Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, onde a história de amor começa com um beliscão. Temos ainda o beliscão-de-frade, aplicado com os nós dos dedos indicador e médio dobrados. Frei Betto teve a audácia de Leonardo Boff e vem aplicando beliscões em vários artigos, desde que abandonou a assessoria especial do presidente Lula.

O naturalista austríaco Johann Emanuel Pohl, que acompanhou a princesa Leopoldina, aqui ficando quatro anos, conta que as damas brasileiras, vestidas conforme a última moda de Paris, ‘beliscavam-se mutuamente no flanco esquerdo, segundo o costume brasileiro, em sinal de saudação’.

Nunca o dedo, do latim digitus, esteve tanto na ordem do dia. Escolhidos a dedo para fazer as falcatruas denunciadas, os indiciados estão levando o mundo a apontar o dedo para o indigitado povo brasileiro.’



JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

‘Atentado ao pudor’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 21/7/05

‘O considerado leitor André Luiz Mello envia excerto do Rondoniagora.com, no qual garimpou esta reluzente e semipreciosa jóia das muitas que despencam da verdadeira cachoeira de hilariâncias em que se transformou o site:

Homem é preso por atentado ao pudor

O acusado Rainison Soares Santos, de 31 anos, foi preso nesta quarta-feira por agredir verbalmente uma garota de 16 anos no bairro Cuniã.

Segundo a ocorrência 4510, registrada na Central de Polícia, a adolescente passava pela rua Ana Marineide quando foi abordada pelo acusado. Ele começou então a falar palavras de baixo escalão para a garota.

Janistraquis, que anda a confundir valério com velório, acha que a expressão está corretíssima:

‘Considerado, as palavras de baixo escalão são aquelas pronunciadas por gente que está abaixo do Lula; o que é dito por este e os demais comprometidos com Delúbio formam as palavras de alto escalão.’

Sou obrigado a concordar.

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Santa ira

O considerado Roldão Simas Filho, diretor da sucursal desta coluna em Brasília, a poucos metros do gramado onde o ex-secretário petista Sílvio Pereira costumava pas… passear, pois o sempre alerta Roldão lia a Tribuna da Imprensa quando deparou com esta frase a respeito de um acidente ocorrido em Santos, perto do gramado onde se deu a histórica virada do Esquadrão Vascaíno em cima do Santos:

Socorrida pelo resgate do Corpo de Bombeiros, a estudante foi removida para o Centro de Referência em Emergência e Internação, mas não resistiu ao ferimento (por linha com cerol).

O mestre de todos nós, que até hoje não confessou qual o seu time do coração, ficou mais uma vez revoltado:

Resgate, em substituição ao consagrado ‘ambulância’, é mais uma das influências nocivas da mania de traduzir (mal) o inglês e empregá-lo como linguagem coloquial. Fica ridículo, deturpado e incompreensível no nosso idioma!

O colunista acrescenta mais algumas exclamações à ira Roldaniana!!!!!!!!

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Suplício

Dolorosa notícia publicada no UOL Tablóide:

MORRE NOS EUA HOMEM SODOMIZADO POR CAVALO

Janistraquis, que é contrário à pena de morte, como sabem os leitores, acha que o suplício referido no título deveria ser dispensado aos que mentem na CPI. É que, além da corrupção mais deslavada, ainda cometem crime hediondo contra a língua portuguesa, pois torturam sem piedade a concordância verbal e assassinam todos os plurais que encontram pela frente.

(Leiam no Blogstraquis a íntegra da matéria sobre a cavalar bichice)

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Reformas, reformas

Neste momento em que tanto se fala em reforma política, o artigo Voto Distrital: a falácia perigosa, dos professores Gílson Caroni Filho e Carlos Eduardo A. Martins, publicado na agência Carta Maior, é desses que nos deixam com a pulga atrás da orelha, barbas de molho e os dois pés atrás… Leiam a íntegra no Blogstraquis.

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Gilberto Gil

De Tutty Vasques, em sua sempre divertida coluna no site No Mínimo:

Será?

Preguiça gigante encontrada na Bahia pode ser tia-avó de Gilberto Gil. Só se fala disso no Ministério da Cultura.

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De batatas

O considerado Giulio Sanmartini, o mais brasileiro dos italianos, correspondente desta coluna na Europa, com QG montado em Belluno, leu em O Globo, na coluna semanal do agrônomo e deputado federal Xico Graziano (PSDB-SP):

SALADA INDIGESTA

(…) ‘Vá plantar batatas’ é expressão que parece vir da época medieval, quando a lavoura se fazia penosa ao ser humano. Nesse caso, descobre-se uma razão para a telúrica metáfora.

Giulio, que não escreve besteira nem planta notícia falsa, colheu os seguintes esclarecimentos e os oferece à cesta básica do deputado:

A Idade Média teve início em 476, com a queda do Império Romano no Ocidente, e terminou na segunda metade do século XVI; para alguns historiadores, o fato que marcou o final da Idade Média foi a impressão da primeira bíblia por Johann Gutemberg. Outras fontes preferem a tomada de Constantinopla pelos turcos (1453) ou então a descoberta da América (1492).

A batata, que costumamos chamar de batata inglesa, é planta herbácea da família das salonáceas. Originária do Peru e do Chile, mesmo tendo chegado à Europa no século XVI, seu cultivo começou somente 200 anos depois. Portanto, a expressão ‘vá plantar batatas’ não poderia ser medieval, pois nesse período a tal solanácea ainda não existia na Europa.

Janistraquis acha que Xico Graziano deve plantar suas batatas calado e deixar as teorizações para a Câmara dos Deputados.

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Entre as pernas

Chama-se Régis Nestrovski o mais criativo narrador esportivo do mundo. Para glória deste ‘País de Todos’, como diz a propaganda oficial, o indigitado é brasileiro e atua na ESPN Internacional. Numa dessas sextas-feiras de luvas e murros ele narrava a luta de boxe feminino entre Missy Fiorentino, lutadora mais agressiva do que o João Pedro Stédile, e a sempre acuada Belinda Laracuente.

De repente, em meio à tortura infligida à adversária por Stédile/Fiorentino, Nestrovski exclamou: ‘…mas ela aplicou um golpe baixo na outra e o árbitro parece que não viu!’. Fiz que não escutei e Janistraquis, inquieto na poltrona ao lado, demonstrou impaciência. Lá pras tantas, o narrador prostestou mais uma vez por causa de mais um ‘golpe baixo’. Achei então que fosse um modo sutil de chamar a atenção do telespectador para o jeitão excessivamente viril das lutadoras, porém meu secretário não concordou:

‘Considerado, existem criaturas que não fazem a mínima idéia do que as mulheres têm entre as pernas, porém alguém na ESPN precisa pelo menos contar a verdade ao Nestrovski, você não acha?’

Tanto acho que enviei mensagem a José Inácio Werneck, pedindo-lhe que tenha com seu colega uma boa conversa de homem para homem.

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Granja da pomba

Notinha de ‘esclarecimento’ atribuída à direção do PT e que percorre a Internet com bilhões de vezes a velocidade do chamado Aerolula:

Segundo o assessor do irmão de José Genoino, os R$ 200 mil que carregava numa valise de mão, ontem, em São Paulo, foram conseguidos com a venda de legumes e hortaliças. Já os US$ 100 mil, que escondia na cueca, eram dos ovos.

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Sérgio Augusto

O mestre escreve sobre Jean-Paul Sartre e Raymond Aron. Leiam no Blogstraquis o excelente artigo originalmente publicado no Caderno 2 do Estadão.

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Refém grávida

A coluna recebeu o seguinte despacho (no sentido jornalístico!) do considerado leitor Leonardo Werner:

Escrevo de Juiz de Fora, onde, depois de seis dias, foi encerrada uma rebelião na penitenciária Ariosvaldo Campos Pires. O que achei mais espantoso em todo o motim foi a notícia veiculada no Diário da Tarde, com o seguinte título (fielmente transcrito aqui): ‘Refém grávida por comida’.

Que diabo serviram à coitada que se encontrava no interior da penitenciária? O infeliz título ainda permite outras interpretações, até mesmo mais, digamos, sexuais que essa, porém o texto da reportagem revelava que os detentos exigiam comida e, em troca, ofereciam a liberdade da tal refém…

Ainda bem, Werner, ainda bem!

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Nota dez

Enviado pelo considerado leitor e atento ouvinte Lucas Alvarenga, de São Paulo, o mais indignado texto da semana foi escrito e lido pela cientista política Lucia Hippolito na Rádio CBN. Escutem um pedacinho e depois corram até o Blogstraquis para ‘ouvir’ a íntegra da sensacional diatribe:

(…) Sílvio Pereira e Delúbio Soares debocharam do Congresso Nacional e da vida política brasileira, deram lições de moral sobre financiamento de campanha, reformas nas práticas políticas, pontificaram sobre organização partidária. E sobretudo omitiram, mentiram, distorceram ou apenas calaram sobre fatos gravíssimos, dos quais tinham sido, senão patrocinadores, pelo menos participantes ativos.

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Errei, sim!

‘SEMI-NOVO – Manchete de capa do jornal Balcão, de Belo Horizonte, especializado em pequenos anúncios: Vendo caixão com pouco uso, de luxo, abaixo do preço. Janistraquis e eu nos entreolhamos; que caixão seria esse? Era aquele mesmo, conforme se lia à página 38: ‘Caixão para defunto com pouco uso, semi-novo, perfeito, de luxo, lindas alças. Abaixo do preço. Só a dinheiro. Tel. 227-8555’.

Janistraquis achou que estava tudo bem, não há nada demais em se vender um caixão de defunto; só implicou com o ‘pouco uso, semi-novo’. Eu também.’ (Maio de 1994)’

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