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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 19/8

Justiça censura jornais na Venezuela

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 19/08/2010 na edição 603


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 19 de agosto de 2010


 


VENEZUELA


Flávia Marreiro


Justiça censura jornais na Venezuela


Um tribunal de Caracas proibiu todos os jornais da Venezuela de publicar, por um mês, imagens ‘violentas, sangrentas e grotescas’ para proteger crianças e adolescentes. Jornais locais e associações internacionais de imprensa classificaram a sentença de censura prévia.


A decisão foi tomada anteontem à noite em resposta a um processo aberto a pedido do Ministério Público e da Defensoria do Povo, equivalente à Ouvidoria Pública, para investigar a publicação de uma foto do necrotério de Caracas na edição de sexta-feira do jornal ‘El Nacional’.


A fotografia, que o jornal de oposição ao governo diz ser de dezembro de 2009, mostra cadáveres em macas e no chão, sugerindo o colapso operacional do necrotério de Bello Monte, o único da cidade. Na segunda, o também oposicionista ‘Tal Cual’ reproduziu a foto.


Além da proibição geral, o ‘El Nacional’ também não poderá publicar ‘informações’ de conteúdo grotesco e violento até a decisão final sobre a ação contra o jornal.


Por isso, o ‘El Nacional’ trouxe a capa com espaços para fotos com a tarja ‘censurado’. Duas páginas internas dedicadas a crimes e notas policiais também apareceram com a tarja.


A Sociedade Inter-Americana de Imprensa (SIP) lançou nota chamando a medida de ‘torpe política de Estado a favor da censura prévia’, ‘mais um elemento’ para tentar controlar informação às vésperas do pleito legislativo de setembro.


Já a ONG Repórteres Sem Fronteiras afirmou que a decisão peca ‘pela amplitude e imprecisão’. Ressalvou, porém, que a publicação da foto ‘violenta’ levanta questões sobre a responsabilidade dos meios de comunicação quanto a esse tipo de conteúdo.


À Folha o presidente e diretor do ‘El Nacional’, Miguel Enrique Otero, disse que se trata de uma censura política e defendeu a publicação da foto.


À noite, investigadores do Ministério Público foram à Redação do jornal buscar a câmera e cartões de memória com a foto do necrotério. Desistiram, porém, da inspeção, disse o ‘El Nacional’.


‘PORNOGRAFIA’


A medida da Justiça provocou críticas até do jornal ‘Últimas Notícias’, próximo do chavismo. ‘Toda a sentença é absurda e, pela primeira vez, desde 1999, o Estado venezuelano dá motivos a que digam que restringe a liberdade de informar’, escreveu o diretor do jornal, Eleazar Díaz Rangel.


Em reunião ministerial transmitida pela TV, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a publicação da foto é um ato de ‘pornografia’ jornalística do ‘El Nacional’, ante a perspectiva da oposição ser derrotada nas eleições para a Assembleia Nacional.


A insegurança é a preocupação número um dos venezuelanos, segundo pesquisas. Não há cifras oficiais desde 2006, mas dados extraoficiais falam que Caracas registrou em 2009 a marca de 140 assassinatos por 100 mil habitantes.


A publicação da foto de fato acendeu o debate sobre a questão na Venezuela. Nesta semana, Chávez foi todos os dias à TV defender suas políticas de segurança. Disse que ‘assume’ a responsabilidade pelo problema, mas também cobrou ações de governadores da oposição.


O venezuelano disse ainda que os delinquentes de hoje foram as crianças de rua dos governos anteriores.


 


 


O embate governo x imprensa


FOTOS PROIBIDAS


Tribunal de Caracas proibiu anteontem jornais de publicar por um mês, até decisão final sobre o caso, fotos de ‘fatos violentos (…) que violem a integridade psíquica e moral’ de menores


GLOBOVISIÓN


TV opositora Globovisón e Hugo Chávez têm disputa que remonta a 2002, quando canal apoiou golpe de Estado frustrado contra presidente


Guillermo Zuloaga, dono da emissora, foi preso e solto em março. Fugiu do país após Justiça decretar sua prisão, de seu filho e de um sócio


Chávez disse em julho que governo pretende controlar metade das ações da emissora


LEI DA EDUCAÇÃO


Criada em 2009 por Chávez, lei vetou publicação de notícias ‘que produzam terror nas crianças, incitem o ódio e atentem contra os valores sãos do povo venezuelano’


RÁDIOS


Chávez investiu contra rádios acusadas de funcionar ilegalmente -34 foram fechadas em agosto de 2009


CONCESSÃO


TV opositora RCTV teve sua concessão revogada em 2007


 


 


Veto é medida política, afirma jornal


Miguel Henrique Otero, presidente e editor-chefe do jornal ‘El Nacional’, diz que decidiu publicar a foto com corpos acumulados no necrotério de Caracas, na sexta-feira passada, ‘para que o governo se movimentasse, fizesse algo’ para reagir aos ‘explosivos’ índices de violência do país.


Para Otero, que dirige um jornal de aberta oposição ao governo, o veto judicial é uma ‘medida política’, tomada em contexto eleitoral, que pretende bloquear o acesso a informações sobre insegurança, que é o que ‘provoca a queda da popularidade do presidente’ Hugo Chávez. ‘Em nível mundial, isso é um alerta vermelho que se volta para a Venezuela.’ (FLÁVIA MARREIRO)


Folha – Como o sr. avalia a decisão judicial [de proibir a publicação de fotos violentas]?


Miguel Enrique Otero – É uma arbitrariedade. Foram muitos os momentos duros que enfrentamos nesses 11 anos de governo Chávez. Ataques terroristas, a retirada de toda a publicidade oficial, o que foi um golpe duro à época. Essa é a primeira ação de censura prévia que sofremos e é muito grave.


O que jornal vai fazer?


Vamos recorrer judicialmente, mas tendo claro as limitações desse recurso na Venezuela. Recebemos a solidariedade de toda a imprensa, e amanhã [hoje] o Bloco de Imprensa [similar à Associação Nacional de Jornais] vai se reunir e pode tomar uma decisão coletiva de desacato a essa medida arbitrária. Em nível mundial, isso é um alerta vermelho que se volta para a Venezuela.


Trata-se de uma decisão política proibir a publicação de fotos sobre o tema que provoca a queda da popularidade do presidente nas pesquisas. Começou com o ‘El Nacional’, mas afeta todos os meios de comunicação. A proibição é por 30 dias, em plena campanha eleitoral. O governo ainda não pode fazer ‘cadeia obrigatória’ com os meios impressos ainda. Mas quem sabe inventam.


O sr. disse que a foto é ‘forte’, e a ONG Repórteres Sem Fronteiras disse que publicá-la levanta dúvida sobre a ‘responsabilidade’ dos meios de comunicação . Porque decidiu publicá-la?


A publicação dessa foto não faz parte da nossa linha editorial, e por isso a tínhamos guardado desde dezembro. Mas decidimos publicá-la porque, em primeiro lugar, as cifras de violência são explosivas. Só nas duas últimas semanas entraram 200 corpos no necrotério de Caracas, a maioria por morte violenta.


Depois, houve a repercussão do documentário ‘Guardiães de Chávez’ [da TV Espanhola], que fala de grupos paramilitares do chavismo. O ex-ministro de Comunicação e hoje presidente da Telesur [num programa da CNN Espanhol, na semana passada], Andrés Izarra, ria, dava gargalhadas, diante das cifras de violência. Então, tomamos essa uma decisão editorial, para que o governo se movimentasse, fizesse algo.


 


 


Opositor pode ser alvo de extradição


A Justiça da Venezuela deu seu aval anteontem ao pedido de extradição de Guillermo Zuloaga, dono da TV Globovisión, crítica a Chávez. Zuloaga e seu filho -foragidos e sob ordem de captura internacional, acusados de formação de quadrilha e usura- alegam perseguição política.


 


 


HORÁRIO ELEITORAL


Aliados estaduais deixam Serra fora de propaganda


Na estreia da propaganda gratuita dos candidatos a governador, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi deixado de lado ou fez apenas aparições discretas nos programas de rádio e TV de seus aliados nos Estados.


Já na propaganda dos candidatos da base do governo federal, o presidente Lula foi a principal estrela -e a presidenciável petista Dilma Rousseff, sua coadjuvante.


Serra não teve sua imagem mostrada nem seu nome citado nas propagandas dos candidatos a governador Yeda Crusius (PSDB-RS), Joaquim Roriz (PSC-DF), Marcos Cals (PSDB-CE), Paulo Souto (DEM-BA) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN).


Em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) só mostrou imagens do tucano no programa da noite.


O início da propaganda na TV coincide com o momento em que Serra aparece pela primeira vez atrás de Dilma em pesquisa Datafolha.


No último levantamento do instituto, a petista teve 41% das intenções de voto, contra 33% do tucano. Ele contava com o apoio nos Estados para reverter a vantagem da adversária.


Em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, Dilma chegou a falar três vezes nos programas dos aliados, inclusive pedindo voto para Hélio Costa (PMDB).


Serra ficou em clara desvantagem. Nos programas dos tucanos Aécio Neves, para o Senado, e Antonio Anastasia, para o governo, Serra não fala nem é citado. Mas a imagem dele aparece.


No de Anastasia, Serra é visto de relance em quatro ocasiões. Em apenas uma Serra está em primeiro plano. Em outra está de costas.


Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin não mostrou a imagem de Serra na TV e só citou duas vezes o nome do presidenciável.


Na TV, Mercadante ignorou Dilma -não apareceu nem foi citada-, mas exibiu depoimento de Lula.


Em sua fala, Mercadante colou sua candidatura ao governo Lula, colocando-se como participante das realizações federais.


No Paraná, o programa da tarde de Beto Richa (PSDB) só mostrou Serra em imagens de campanha. Mas, no programa da noite, exibiu depoimento do presidenciável.


No Ceará, nem o nome nem a imagem de Serra apareceram no programa de Cals e do candidato tucano ao Senado, Tasso Jereissati.


No Rio, o TRE determinou que o senador Marcelo Crivella (PRB) não utilize o depoimento de Lula em seu programa de TV.


O pedido foi feito pela coligação Juntos Pelo Rio, da qual o próprio PT faz parte, minutos depois do horário eleitoral da tarde. Mas, à noite, Crivella usou novamente o depoimento de Lula.


O presidente gravou depoimento para Crivella, que não faz parte da coligação do PT, e para Lindberg Farias (PT). Alijou assim Jorge Picciani (PMDB), candidato apoiado pelo governador Sérgio Cabral Filho (PMDB).


SERRA É CITADO


No Rio Grande do Norte, o apoio de Serra foi usado contra a candidata ao governo Rosalba Ciarlini (DEM).


O atual governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira (PSB) usou parte de seu programa de rádio para ressaltar que a candidata do DEM é apoiada por Serra.


‘A candidata do DEM é apoiada por Serra’, dizem os locutores.


 


 


Janio de Freitas


Do José aos Zés


OS INSTITUTOS DE PESQUISA parecem disputar uma corrida, cada um ultrapassando os demais na indicação de maior vantagem de Dilma sobre Serra. Mas o pior para Serra já não está nos números. O consenso, que tem suas raízes lá atrás, combinou números com fatores passados e presentes, e os superou com uma opinião ouvida por toda parte, próxima da unanimidade: ‘Dilma não perde mais’.


É certo que, não fossem os números, não seriam tão extremos os efeitos da má impressão deixada por Serra em sua participação no programa eleitoral. A queda dos números, porém, já viera sobrepor-se à imagem de insegurança deixada pela demora excessiva e injustificada da decisão de Serra por sua candidatura. Um período, estendido até o último instante possível, que seria de grande utilidade para negociações e articulações, produção de planos originais e propostas inovadoras. Serviu apenas para esgotar Aécio e para Serra ver a ação dos adversários.


Sensus, Ibope, Datafolha, Ibope e agora Vox Populi (com velozes 16 pontos de vantagem para Dilma) sucederam-se sem explicação mais firme pelo PSDB. A repercussão de debate ou entrevista que ‘não foi captada pela pesquisa’ de um instituto foi captada por outro -com resultado igual ou pior. As preliminares dúbias e os números da queda elevaram o programa eleitoral à condição de caminho único para o retorno de Serra aos índices promissores. Deu-se o pior.


Os programas iniciais são insuficientes para uma visão conclusiva. Podem valer como sugestão do que deve ser esperado. Não foi, porém, o que ocorreu em relação a Serra. Os comentaristas de jornal,TV e rádio emitiram verdadeiras sentenças contra o futuro da candidatura, tão mais fortes quanto menos disfarçáveis ou disfarçadas estiveram as simpatias por ela. A repercussão não profissional foi idêntica. E, entre políticos aliados de Serra, à parte o grau de empenho e sinceridade da aliança, foi ainda mais terminante. Só não se sabe se as lideranças do DEM mandaram ao comitê de Serra uma coroa, em nome do partido.


Em diferentes proporções, as pesquisas dão sinais de transferência de apoios de Serra para Dilma. A quantidade de indecisos e a dos que chegam a nem saber a quem Lula apoia é, ainda, expressiva. Nisso está o problema novo de Serra. Se disputa estivesse acirrada, aquele contingente seria uma esperança. Mas, uma vez formado, o consenso dos dotados de alguma informação propaga-se como incentivo aos indefinidos para aderir à impressão dominante. Mecanismo da opinião de massa que não é exclusivo das disputas eleitorais, é mesmo como uma regra geral.


Neutralizar essa tendência é difícil, quase sempre. Para Serra e sua equipe ainda mais. A inépcia que têm demonstrado para lidar com política e com opinião já desce até o cômico. Com o ‘Zé’ que querem pespegar no Serra, no entanto, chamado de Serra em grande parte da propaganda, esqueceram que outro candidato é Zé mesmo, o Zé Maria do PSTU. Transbordo, de um Zé a outro, que pode ser inconsciente, mas não deixa de ser sugestivo.


 


 


Hugo Possolo


Horário da roubada eleitoral: vou explodir


Eu vou explodir! É o mínimo que deve fazer um palhaço-bomba depois de assistir ao horário eleitoral gratuito! Nem tão gratuito assim, pois vamos pagar caro por isso! Não tive como fugir dessa -com trocadilhos- roubada. A zona é tanta que mistura os gordos minutos da campanha presidencial com o conta-gotas esdrúxulo das campanhas a deputado e senador. São dois mundos.


No presidencial, Dilma e Serra pagam fortunas para que publiciotários criem um Brasil cor-de-rosa! Botox, maquiagem, paisagens, gente sorrindo, crianças sendo abraçadas…


Assista e veja um próspero país que aposta na continuidade. Continuidade de quê? Favelas? Tráfico? Juros? Educação no lixo? Cultura de perfumaria? Eu vou explodir! Tudo é tão revelador. Não acho que Lula goste tanto da Dilma: mandou ela ao Chuí e foi gravar no Oiapoque!


O Serra está mais para candidato a ministro da Saúde. Já a Marina nos garantiu minutos de distração com seu Discovery Greenpeace. No meio de tudo, algo me intrigou: se a vereadora Mara Gabrilli (PSDB) não deveria ter perguntado se alguém permitiria que Dilma cuidasse de seu filho, por que agora Dilma se apresenta como mãe do povo? Mais respeito!


Não coloquem a mãe no meio, que eu vou explodir! Já do lado de deputados e senadores, ressurge o filme de horror, com cada um cuspindo frases sem efeito, com o defeito de não terem nada feito e muito menos por fazer.


Honesto é o palhaço Tiririca, que diz que não sabe por que está ali. Se ele não fosse candidato, votava nele! Parece campanha pelo voto nulo! Seria covardia fazer piada com candidatos pseudocelebridades. Deve faltar emprego em entretenimento, então vão fazer bico no Congresso! Não dá para assistir a esse lixo e acreditar que ali tem algo sincero. Eu vou explodir!


Mas, no fundo, não quero que nada se exploda! Afinal, estamos todos bem, o país não tem mais desigualdades sociais, tem pré-sal e está repleto de bolsas. Nesse céu de açúcar cor de anil, a vontade é mandá-los todos à …!


As reticências são uma homenagem ao TSE, que deveria ler os artigos de Hélio De La Peña e Danilo Gentili publicados aqui na Folha. Quem sabe assim, envergonhado, o TSE altere essa regra que representa a volta da censura nos moldes dos tempos da ditadura. Só explodindo!


HUGO POSSOLO, 48, palhaço, dramaturgo e diretor dos Parlapatões e do Circo Roda, é autor do livro ‘Palhaço-Bomba’.


 


 


Bernardo Mello Franco


Estreia na TV abre crise na campanha de Marina


O programa de estreia de Marina Silva no horário eleitoral gratuito abriu uma crise no PV. Coordenador da campanha no Rio, o presidente regional do partido, Alfredo Sirkis, definiu a peça como um ‘desastre ecológico’.


Ele cobrou mudanças publicamente, em seu blog. ‘Não estamos numa situação que nos permita cometer erros básicos de comunicação política’, escreveu Sirkis, que coordenou a campanha nacional até junho.


O vice Guilheme Leal admitiu a repercussão negativa e defendeu alterações na linha da propaganda. A estreia exibiu imagens ecológicas e limitou a aparição da senadora a quatro segundos. Para o empresário, a imagem de Marina precisa ser mais usada a partir de hoje, no segundo dia de campanha presidencial na TV. ‘Foi só um start’, justificou, referindo-se à estreia.


Na avaliação de Sirkis, a peça inicial fez a candidata encolher diante dos adversários Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), que já têm mais tempo no ar.


‘Nos ananicamos por um dia. Fizemos pés de chumbo para os dois grandes’, disse.


‘Como puderam escondê-la no programa de estreia? Como concordar com isso?’ Ele também criticou a insistência no tema ambiental, no momento em que Marina tenta exibir conhecimento sobre outros assuntos, como educação e segurança.


A peça seria ‘um bom documentário para o National Geographic’, mas ‘jamais um programa inicial’, disse. Na saída do debate Folha/UOL, a presidenciável tentou atenuar as críticas: ‘Apareci pouco para mostrar o tamanho do problema’.


Colaborou BRENO COSTA, de São Paulo


 


 


DEBATE


Transmissão ao vivo foi acessada mais de 1,4 milhão de vezes


Nos dias em que houve os primeiros debates on-line da história do Brasil entre candidatos a presidente e a governador, promovidos pela Folha e pelo UOL, a audiência do UOL Notícias e da Folha.com foi 350% maior do que a média e chegou à casa dos 30 milhões de acessos.


Considerando apenas o UOL Notícias, a audiência superou em 50% o recorde anterior, da cobertura do julgamento do casal Nardoni.


Ontem, durante o debate entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), o vídeo da transmissão ao vivo foi acessado mais de 1,4 milhão de vezes.


O confronto entre os candidatos à Presidência também teve ampla repercussão em outros sites, além de blogs e redes sociais.


Mais de 80 sites diferentes fizeram a transmissão simultânea do vídeo do debate de norte a sul do Brasil.


Os servidores do UOL registraram acesso de 127 países diferentes. Fora o Brasil, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido e Portugal deram as maiores audiências ao debate.


No Twitter, o debate Folha/UOL chegou a liderar a lista de assuntos mais comentados no mundo inteiro e, durante todo o evento, esteve entre os quatro temas mais citados na rede social.


Os candidatos também foram beneficiados pela repercussão do debate.


O volume de citações dos presidenciáveis no microblog aumentou consideravelmente durante o confronto, cujo vídeo foi visto por 15.500 pessoas pelo Twitter.


Segundo a empresa E. Life, especializada em gestão do relacionamento em redes sociais, os três candidatos foram citados em 97.521 tuítes entre 8h e 14h. Cerca de 80% dessas menções ocorreram entre 10h30 e 13h30.


Ainda segundo a E. Life, em torno de 25% das menções aos candidatos estavam associadas diretamente ao marcador #debatefolhauol. Ao todo, Dilma liderou com 42 mil tuítes, Serra teve 28 mil, e Marina, 24 mil.


No Facebook, a transmissão do debate recebeu cerca de 4.100 comentários.


O debate Folha/UOL também foi acompanhado por outras mídias. Pessoas com iPhone ou iPad acessaram o vídeo ao vivo 7.842 vezes.


 


 


Jornal e portal promovem outros eventos


Além de ter promovido, em parceria com o UOL, os primeiros debates on-line com candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência da República, a Folha fará outros eventos ligados às eleições deste ano.


Na semana que vem, o jornal e o portal dão continuidade à série de sabatinas com os principais candidatos a governos estaduais. Depois de São Paulo e Minas Gerais, é a vez do Rio de Janeiro.


No dia 25, Fernando Gabeira (PV) participa do evento. No dia 26, Sérgio Cabral (PMDB) é sabatinado. Os dois eventos serão realizados no Teatro dos Quatro, no Rio, às 11h.


No início de setembro, os candidatos ao governo do Paraná Osmar Dias (PDT) e Beto Richa (PSDB) devem ser sabatinados.


Na televisão, a Folha, em parceria com a Rede TV!, promove o debate do primeiro turno presidencial no dia 12 de setembro.


A parceria na TV prevê também debates com candidatos ao governo dos Estados de São Paulo (15/9), Rio de Janeiro (16/9), Pernambuco (20/9), Minas Gerais (22/9) e Ceará (23/9).


 


 


Web é livre, mas candidatos exigem regras


Apesar de uma lei de 2009 ter liberado totalmente a internet para debates eleitorais, os candidatos a presidente quiseram regras restritivas para fazer o primeiro encontro na web. Foi o que se passou na longa negociação entre a Folha, o UOL e os representantes das campanhas de Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva.


Depois de quase seis meses de conversas e reuniões, ficou decidido que todos teriam tempos exatos para perguntar, responder, replicar e treplicar. Os candidatos, por meio de seus assessores, não aceitaram que os jornalistas da Folha e do UOL comentassem as respostas -para explicitar quando alguém se esquivasse de responder a algum questionamento


Embora o debate tenha sido realizado num teatro com quase 700 lugares, os candidatos também impuseram um número máximo de 150 de assinantes da Folha e do UOL. Outra negativa dos três políticos foi sobre a transmissão. Como se tratava de um evento na internet, a ideia era ter, adicionalmente à tela principal, outras três telas menores mostrando o tempo todo as imagens de cada um dos candidatos.


O debate estava programado para ter duas horas e meia de duração. Os candidatos quiseram cortar para duas horas. Optaram então por reduzir para apenas três o número de perguntas dos jornalistas no bloco final. Por causa de restrição de tempo, os repórteres ficaram também proibidos de replicar após as respostas dos candidatos.


 


 


Alec Duarte


Direto do sofá de casa e na rede, eleitor fez a diferença


As perguntas enviadas pelo público via webcam acrescentaram um ingrediente inesperado ao histórico debate entre os presidenciáveis, o primeiro na internet.


Inesperado, registre-se, para os próprios candidatos, várias vezes obrigados pelos internautas a deixar suas zonas de conforto para responder a assuntos espinhosos.


Num debate, temas como aborto, herança da estabilidade, pedágios e aliados inconvenientes recebem outro tratamento quando a pergunta vem de um cidadão, não de um rival ou jornalista.


Aqui, a internet também joga um papel fundamental: no conforto do sofá de casa, e protegidos por uma tela de computador, somos mais destemidos e espontâneos.


Não foi assim em experiências anteriores já testadas na TV, quando eleitores são confrontados com os candidatos ao vivo e cara a cara -ou dependem de um intermediário (no caso, um repórter) para serem ouvidos.


O banho de realidade da importância da abertura de canais de diálogo com o público vira ducha de água fria quando a rede é tratada pelos candidatos como ferramenta educacional ou instrumento de promessa de inclusão.


Se o futuro presidente da República ainda não entendeu o que é a internet, seus eleitores deram uma demonstração de que sabem perfeitamente para que ela serve primordialmente.


 


 


Clóvis Rossi


Libertem os candidatos


Se você é assinante do UOL, talvez já saiba que eu estou lançando uma campanha para libertar os candidatos da camisa de força determinada pelas regras que imperam nos debates eleitorais.


Regras, é bom ter claro, impostas por seus próprios assessores, que parecem temer que os assessorados sejam incapazes de saírem ilesos de um debate, embora estejam supostamente preparados para algo bem mais difícil, que é encarar os problemas do país, de um Estado ou de uma cidade.


Debate, para merecer realmente o nome, deveria ser como papo de botequim, com uma única diferença: um mediador qualificado -e é bom registrar que Fernando Rodrigues saiu-se brilhantemente ontem, no papel de, digamos, âncora do debate Folha/UOL.


A maneira amarrada como se dão os debates impede que cada candidato realmente se mostre por inteiro e diga, também por inteiro, qual é a sua posição sobre cada um dos temas que vão pipocando. Se eu dependesse dos dois debates já havidos para decidir meu voto, continuaria indeciso.


Enquanto não se produz a libertação dos candidatos, resta comentar o que existe. E aí ficou claro, ontem, que José Serra liberou algo da agressividade que não exibiu no debate da Band. Nem poderia ser diferente: ficar parecendo, a campanha toda, aqueles vendedores de laboratórios que visitam consultórios médicos e só falam de remédios não leva a lugar nenhum.


Serra precisa ganhar. Já para Dilma Rousseff, o empate está de muito bom tamanho. Marina Silva faz o que pode para parecer diferente de tudo o que esteve aí (no poder) nos últimos 16 anos.


Para ganhar, Serra precisa desconstruir Dilma, porque, como o próprio tucano disse, todo mundo sabe como ele é. Logo, ganha poucos votos mesmo que brilhe. Pelo menos para mim, não foi ontem que houve a desconstrução.


 


 


Eliane Cantanhêde


Debate com debate


O debate Folha/UOL foi o mais importante da eleição, com perguntas incisivas dos internautas e dos jornalistas, tempo suficiente para as respostas e confronto direto entre os candidatos. Serra demonstrou consistência, Dilma estava bem produzida, Marina apelou para o emocional.


O melhor momento de Serra foi quando acusou o PT de torcer pelo ‘quanto pior, melhor’, negando apoio a Tancredo, à Constituinte, ao Fundef, ao Plano Real e ao Proer. Dilma titubeou na réplica.


O melhor momento de Dilma foi na resposta à correta e adequada pergunta sobre o câncer. É um tema delicado, e ela se saiu muito bem, demonstrando energia, defendendo saúde para todos e ajudando a espantar o estigma que persegue a doença e fragiliza os doentes. Cria empatia com o eleitor.


Quanto a Marina, foi mal no conteúdo (pela obviedade), mas bem na forma (contundente). Fechou o encontro com uma fala concatenada e emocional, criticando os dois adversários ‘gerentes’ e ganhando a plateia com uma frase de efeito: ‘Eu sou um milagre da educação’.


A principal marca do debate, aliás, foi a guinada de Marina. Antes, ela fazia uma dobradinha explícita com Serra. Agora, voltou-se contra ele. O mais provável é que esteja se protegendo contra uma migração dos seus votos para o tucano na reta final. Mas não se pode descartar que seja uma indicação de rumo para o segundo turno.


Mais uma vez, a posição de Dilma foi mais confortável, porque ela assumiu a dianteira, está em ascensão e pôde se preparar para o empate. Já Serra tinha de forçar o confronto para fazer gol, e Marina precisa se distanciar dos dois para se manter em campo.


É improvável que o debate de ontem provoque alguma reviravolta, mas aproveitou bem as possibilidades da internet, ampliou o interesse pelo debate político e obrigou os candidatos a se exporem mais. A democracia brasileira agradece.


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Ao ataque


No final, manchete na Folha.com, ‘Atrás nas pesquisas, Serra ataca Dilma em debate on-line’, e no UOL, ‘Dilma e Marina miram Serra, que eleva tom contra PT’. Manchete na Reuters Brasil, ‘Candidatos elevam tensão em debate’. Na home do G1, da Globo, ‘Presidenciáveis participam de debate’. Na submanchete do R7, da Record, ‘Comparação entre Lula e FHC domina segundo debate’. Na manchete do portal MSN, ‘Internautas provocam candidatos em debate’. E na escalada do telejornal do SBT, ‘Candidatos partem para o ataque em debate na internet’. No alto das buscas de Brasil no Google News, com Reuters, ‘Serra, escorregando nas pesquisas, ataca histórico de Rousseff’. Na France Presse, ‘Debate duro e acalorado’. Já na Efe, ‘Candidatos debatem com tibieza e sem propostas diferenciadas’.


PELOS BLOGS


O que mais ecoou do debate foi a acusação de Dilma, de que o DEM quer acabar com o ProUni. A legenda respondeu via Radar, da ‘Veja’. E o blog de Reinaldo Azevedo sublinhou a resposta de Serra, no post ‘Enfrentamento marca debate Folha/UOL; até Marina foi ao ataque’. Por outro lado, Paulo Henrique Amorim, da Record, destacou em seu blog que ‘Serra mente em debate: DEM quer, sim, acabar com o ProUni’. E o blog de Luis Nassif transmitiu o debate em áudio com seus comentários em vídeo, ao vivo, críticos a Serra. Marcelo Tas elogiou a ‘tarde histórica’, transmissão, repercussão. ‘Falta agora os candidatos entrarem no século 21’, aceitando regras flexíveis.


Horário eleitoral lá


O ‘Financial Times’ de Jonathan Wheatley postou que, ‘se a primeira rodada de propaganda serve de guia, Dilma vai arrancar para ser presidente’. Na análise, ‘a diferença entre as campanhas é, como dizem em português, gritante. O profissionalismo e a qualidade de produção dos programas de Dilma falam por si mesmos. Os de Serra parecem quase amadores, em comparação’.


Ainda mais


Sob o enunciado ‘Rousseff dobra liderança em pesquisa que mostra vitória no primeiro turno’, a Bloomberg despachou ontem o Vox Populi. No site do ‘FT’, ‘Dilma salta ainda mais à frente’. Ibope e Vox Populi ‘dão boa chance de vitória no primeiro turno para Dilma’, que ‘começou a construir a própria personalidade, deixando claro que será mais do que a representante de Lula’.


200 ANOS DEPOIS


O ‘Guardian’ publica a coluna ‘Transformação da América Latina é avanço global’, do editor Seumas Milne. Ele diz que, ‘dois séculos após conquistar independência nominal e Washington declará-la seu quintal, está de pé’. Embora ‘subestimado na Europa, o surgimento da América Latina independente é um dos movimentos que redesenham a ordem global, junto à ascensão da China e ao crash de 2008’. Mas enfrenta ‘duas votações cruciais’, a primeira parlamentar, na Venezuela -e ‘podem esperar mais um alvoroço de acusações de que Hugo Chávez é um ditador’. A outra é presidencial, no Brasil, onde, ‘incapaz de atacar o histórico econômico de Lula, José Serra está efetivamente em campanha contra Chávez e Evo Morales’. Mas ‘não parece funcionar, e ele se arrasta atrás de Dilma Rousseff nas pesquisas’.


SOBRE O BRASIL


No alto da home do ‘New York Review of Books’, ‘Conversando sobre o Brasil com Lilia Schwarcz’. O historiador Robert Darnton, de Harvard, entrevista a antropóloga sobre o Brasil pós-Lula, anotando que foi depois do primeiro debate presidencial, que teria indicado que ‘os dias de golpes acabaram’. Pergunta sobre a ascensão como ‘grande ator mundial’ e as questões que isso levanta, sobre a ‘identidade nacional’. Schwarcz fala de violência e depois foca a questão racial. Em suma, ‘as coisas estão mudando, a ação afirmativa é agora bastante efetiva, a história africana é obrigatória. Começamos a entender a complexidade do preconceito em vez de negar sua existência’.


‘BRAZIL’


Das agências ao ‘NYT’, ecoa a exposição de quadros que Bob Dylan abre dia 4 em Copenhague, com a inédita ‘série Brasil’. ‘Gosto da atmosfera’ do país, justifica ele.


 


 


FUTURO DO JORNAL


Congresso da ANJ debate jornalismo e democracia


‘Jornalismo e democracia na era digital’ é o tema do 8º Congresso Brasileiro de Jornais, organizado pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), que acontece hoje e amanhã no hotel Windsor Barra, na zona oeste do Rio.


‘A ANJ foi criada há 31 anos para defender a liberdade de expressão. Na era digital, essa prioridade obviamente não muda. O que nos preocupa é a preservação do jornalismo independente e de qualidade, que exige grandes investimentos e por isso depende de um modelo de negócios sólido’, diz a presidente da entidade, Judith Brito, diretora-superintendente do Grupo Folha.


‘Os jornais foram fundamentais para o nascimento e consolidação das democracias e continuam essenciais para a sua preservação. Democracia não é só sinônimo de eleição; ela exige também liberdade de expressão e acesso transparente à informação, para que o cidadão possa ter sua própria opinião -seja ela qual for’, declara.


Hoje, às 9h, Judith Brito faz a abertura do congresso. Em seguida, Joshua Benton, diretor do Nieman Journalism Lab da Universidade Harvard (EUA); Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha; e Demétrio Magnoli, sociólogo e colunista de ‘O Estado de S. Paulo’ e ‘O Globo’, debatem ‘O Futuro da Democracia e o Jornalismo’, em mesa mediada por Nelson Sirotsky, diretor-presidente do Grupo RBS (RS).


Especialistas nacionais e internacionais discutirão as principais tendências e os maiores desafios para os jornais no Brasil e no mundo.


Profissionais de áreas diversas do jornalismo tratarão de temas como o futuro da imprensa, o perfil dos leitores, a independência dos jornais e o impacto da internet na indústria jornalística.


Entre os mais de 50 palestrantes e moderadores, está Robert Thomson, diretor de redação do diário econômico norte-americano ‘The Wall Street Journal’ e editor-chefe da Dow Jones & Company (leia entrevista abaixo).


Até a conclusão dessa edição, a participação dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina (PV) no evento era uma possibilidade não confirmada.


Amanhã, durante o Congresso, haverá eleição para a diretoria da ANJ no biênio 2010/2012.


 


 


Claudia Antunes


Editor do ‘WSJ’ reafirma aposta no jornal impresso


Em pouco mais de dois anos como editor-executivo do ‘Wall Street Journal’, o jornalista Robert Thomson, 49, viu aumentar a circulação do diário econômico americano, comprado em 2007 por Rupert Murdoch. Neste ano, lançou uma edição especial para a região de Nova York, concorrendo com ‘The New York Times’.


Thomson, que fala hoje no congresso da ANJ, diz que mantém a aposta no jornal impresso e que o segredo para ser bem sucedido é ‘o bom e velho jornalismo num ambiente novo’: ‘A menos que você tenha empatia com seus leitores, você os perde’.


Folha – Os jornais ainda se debatem entre a abertura do conteúdo na internet e a aposta de que as pessoas estão dispostas a pagar por informação, como no ‘WSJ’. Qual o balanço da opção?


Robert Thomson – Sou muito a favor de cobrar, mas o valor não pode ser simplesmente imposto. Deve haver entendimento entre o criador e o leitor sobre quanto aquele conteúdo significa para ele. É mais fácil para nós porque muito do que fazemos é relacionado a negócios. Os homens de negócios entendem o valor funcional disso e pagam pelo conteúdo. Para jornais de informação geral é mais difícil. Depende se o usuário sente que há um prêmio no que você fornece.


Há quem diga que o jornalismo não muda com a plataforma, impressa ou digital. O sr. concorda? Quais as perspectivas para o jornal impresso? Não é a mesma coisa. A apresentação e em alguns casos a abordagem têm de mudar. Mas no centro estão os valores do jornalismo: precisão, integridade, originalidade. Quanto ao jornal impresso, apostamos nele. Um modo de aumentar a circulação é ligar as assinaturas do jornal na internet e do impresso.


Enquanto outros jornais americanos estão em má situação, a circulação do ‘WSJ’ aumentou. Qual é o segredo? – É o velho e bom jornalismo num ambiente novo. E o entendimento de como a vida dos leitores mudou. Há jornais demais comandados por jornalistas mais interessados neles mesmos que no público.


Murdoch é um financiador do Partido Republicano. Isso afeta o ‘WSJ’? Há uma separação completa. Todas as empresas de mídia têm suas predileções políticas, mas está claro que meu mandato é sobre o lado noticioso do ‘WSJ’, não estou encarregado da parte de opinião. A cobertura pretende ser objetiva. O sr. Murdoch e a News Corporation prezam esse valor, não só em palavras mas com ações.


O sr. brigou com sites como o Google, que chamou de ‘parasitas’ por usarem de graça conteúdo feito por jornais. Como isso acabará? Há um ano, quando fiz a declaração, as pessoas ficaram surpresas. Hoje o Google reconheceu que criadores de conteúdo não são compensados de forma apropriada.


 


 


TELEVISÃO


Apresentador da BBC mostra dedo médio em transmissão


A rede britânica BBC se desculpou após um apresentador mostrar o dedo médio ao vivo, durante a transmissão da previsão do tempo. O gesto foi ao ar ontem de manhã no canal BBC News 24, transmitido no Reino Unido.


Sem saber que estava no ar, Tomasz Schafernaker mostrou o dedo médio para a câmera após o âncora Simon McCoy dizer, com ironia, que a previsão do tempo seria ‘100% precisa’.


Ao perceber que o gesto fora transmitido, Schafernaker tentou disfarçar, coçando o queixo. A imagem foi imediatamente cortada para o estúdio, e o âncora afirmou, constrangido: ‘Há sempre um erro, aí está…’ Um porta-voz da BBC disse que o gesto é inaceitável.


Schafernaker também se desculpou em seu site. ‘Antes de um boletim do tempo ao vivo, fiz um gesto brincando com meus colegas apresentadores e, sem aviso, a câmera me mostrou ao vivo no estúdio do tempo.’


 


 


Audrey Furlaneto


Rede TV! cancela contratos de igrejas para se ‘qualificar’


De 20 contratos com ‘produções independentes’ (em especial, as de igrejas que alugam horários da programação), a Rede TV! cancelou cinco -quatro deles de programas religiosos. A emissora quer se ‘qualificar’ para crescer no mercado.


‘Para nós, é importante eliminar o estigma de que temos programação segmentada’, diz o superintendente comercial Otaviano Pereira.


Se a curto prazo o ‘aluguel’ da grade é uma forma de ocupar espaço sem gastar para produzir (e ainda ganhar), a longo prazo há um desgaste da imagem da emissora junto aos anunciantes.


Hoje, as tais ‘produções independentes’ (desde os programas de igrejas aos de venda) somam 25% da programação da Rede TV!.


A emissora tem feito projeções (a partir da não renovação de contratos antigos) para que, em 2012, elas representem 5% da grade.


O investimento mais pesado vem sendo feito nos finais de semana: a Rede TV! comprou os direitos de exibição dos campeonatos inglês e italiano de futebol, que já ocupam seis horas entre sábado e domingo. Na semana toda, são 20 horas de conteúdo novo produzido pela emissora.


O reposicionamento deve impactar no crescimento anual, estimado em 25% para 2010. No ano passado, o índice não passou dos 20%.


Beijo, enfim Nada de novela: o primeiro beijo gay da TV aberta brasileira foi ao ar… no horário eleitoral. Propaganda do PSOL ontem com o discurso ‘você tem opção’ exibiu beijo na boca entre dois homens. E isso às 13h.


Sistema de cotas A Record garante que já vendeu quatro das cotas de patrocínio de ‘A Fazenda 3’. O preço de tabela (que não é o preço final) é de R$ 41 milhões cada uma.


Quer pagar quanto? E embora agências de publicidade confirmem à coluna que a Record pratica descontos de 90%, o vice-presidente comercial da emissora, Walter Zagari, diz que seria ‘impossível’ faturar R$ 2,25 bilhões (faturamento do canal em 2009) dando descontos altos aos anunciantes. E prevê faturamento de R$ 2,85 bilhões em 2010.


Veneno ‘Quem matou? Por que matou?’, pergunta Silvio de Abreu à coluna por e-mail. Mestre em suspenses, o autor de ‘Passione’ se refere à morte de Eugenio Gouveia (Mauro Mendonça) que parecia ter morrido de infarto no início da novela, mas, na verdade, foi envenenado.


E mais morte ‘Isso vai ser descoberto daqui algumas semanas e, a partir daí, a novela entra num clima policial e investigativo’, completa. Segundo ele, haverá mais uma morte nos próximos capítulos.


Fôlego O horário eleitoral anteontem, aliás, não derrubou a audiência de ‘Passione’, que entrou às 21h20 no ar. A Globo marcava 30 pontos durante a propaganda política e conseguiu repetir o recorde do dia anterior da novela: 37 pontos de audiência.


 


 


Fernanda Ezabella


Em ‘The Big C’, doença terminal renova vida sem sal de professora


Pode um seriado sobre câncer ser engraçado? E, se for, vai fazer sucesso?


A estreia de ‘The Big C’, na noite de segunda nos EUA, foi promissora, mas a história não chega a ser uma comédia, ainda que anunciada como ‘o primeiro seriado cômico sobre câncer’.


Bateu recorde para o canal a cabo Showtime: melhor lançamento de uma série original em oito anos, vista por 1,2 milhão de pessoas. O primeiro episódio foi ao ar na internet, duas semanas atrás, e foi visto 1,6 milhão de vezes.


A estrela é Laura Linney (‘O Show de Truman’) como uma professora de meia-idade que leva uma vida cheia de regras. Tudo muda quando descobre -e não conta para ninguém- que está com uma doença terminal.


No lugar do drama, vem a sensação de alívio (e os apartes cômicos). Agora que vai morrer mesmo, tudo é permitido: fazer as pazes com o marido imaturo, construir a piscina dos sonhos, aprontar uma pegadinha para o filho.


No elenco, há também um irmão hippie e uma aluna problemática, interpretada por Gabourey Sidibe, indicada ao Oscar por ‘Preciosa’. Na série, ela foge do registro ingênuo que a marcou no filme de 2009 e destila ironia.


Como não tem nada a perder, a professora é direta: ‘Você não pode ser gorda e má ao mesmo tempo. Você precisa escolher’, diz à aluna. Na sequência, paga para ela começar a emagrecer.


A série não tem data para estrear no Brasil.


 


 


INTERNET


Marco Rodrigo Almeida


Escritores debatem o Twitter na Bienal


O escritor Marcelino Freire demorou a aderir ao Twitter.


‘Quando os amigos diziam que eu tinha que entrar, pensava que se tratava de um túnel de São Paulo’, diverte-se.


Poucos, contudo, estavam mais preparados para encarar os exíguos 140 caracteres da ferramenta do que ele.


Freire é um dos principais adeptos de histórias muito curtas. Em 2004, lançou ‘Os Cem Menores Contos da Literatura Brasileira’, reunião de textos de até 50 letras.


Freire participa hoje da mesa ‘Literatura em Miniatura’, às 19h, na Bienal do Livro de São Paulo. Junto com ele, debaterão o impacto de blogs e do Twitter na narrativa contemporânea os escritores Fabrício Carpinejar, Verônica Stigger e Michel Laub.


Hoje adepto da ferramenta, Freire desenvolve o projeto de fazer 1.001 pequenas ‘pílulas’ no Twitter. ‘Os microcontos são como relâmpagos no juízo do leitor.’


Fabrício Carpinejar é outro que se assume como ‘adepto das práticas sádicas’ dos textos minúsculos.


‘As redes sociais ajudam a desenvolver o humor, os aforismos, o espírito de bravata.


Quem escreve demais não deixa o leitor respirar.’ Há um ano ‘tuiteiro’, já publicou o material postado no livro ‘www.Twitter.com/carpinejar’ (2009).


Veronica Stigger é menos assídua na rede social. Textos curtíssimos, porém, não são novidades para ela, como atesta, já pelo nome, seu último livro, ‘Os Anões’.


Dos 21 contos reunidos no volume, seis têm ainda menos do que 140 caracteres. ‘Todo texto deve ser conciso. Mesmo que tenha mil páginas, deve conter apenas o essencial’, afirma ela.


‘Os textos longos não acabarão’, acredita Freire.


‘Acho que as pessoas começam com a pílula e depois passam para o remédio.’


 


 


POLÊMICA


Ricardo Balthazar


Desafetos acusam Mainardi de escapar de processos no Brasil


Diogo Mainardi, o polêmico colunista que nos últimos anos fez barulho provocando os petistas e criando desafetos no meio jornalístico, acaba de abrir um novo capítulo na sua trajetória profissional.


Há três semanas, Mainardi anunciou aos leitores de sua coluna na revista ‘Veja’ que resolvera ir embora do Brasil para viver com a família em Veneza, na Itália. Comparou sua situação à dos retirantes de ‘Vidas Secas’ e disse que tinha ‘medo de ser preso’.


Na falta de mais explicações, seus inimigos decidiram arranjar uma. Segundo eles, Mainardi foi embora para fugir do acerto de contas com a Justiça brasileira, onde enfrenta vários processos por calúnia, injúria e difamação.


‘O Mainardi me deve dinheiro’, escreveu o jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog. ‘Há meses e meses meus advogados tentam citá-lo em vão’, reclamou outro blogueiro, Luis Nassif.


Mainardi diz que é tudo bobagem. Ele atribui a razões familiares a mudança para a Itália e afirma que os processos na Justiça não o assustam. ‘Vou e volto quando bem entendo’, escreveu, numa mensagem a seus seguidores no microblog Twitter.


Nem mesmo os advogados do colunista têm uma noção exata do número de processos que ele já enfrentou. Mas é certo que o placar até agora é bastante favorável a seu cliente. Mainardi sofreu apenas duas condenações, nenhuma em caráter definitivo.


Há três anos, um juiz do Rio mandou o colunista pagar ao ministro Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, uma indenização de R$ 30 mil por dano moral. Mainardi recorreu contra a sentença e ganhou.


CONDENAÇÃO


O caso mais delicado é o de uma queixa-crime apresentada por Paulo Henrique Amorim em São Paulo. Mainardi foi condenado em segunda instância e agora espera o julgamento de um recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF).


O colunista foi condenado a três meses e 15 dias de prisão, mas o juiz que assinou a sentença converteu a pena para outra mais branda, pagamento de três salários mínimos. Não há risco de Mainardi ser preso, mesmo se a sentença for confirmada.


Mas ele perderá a condição de réu primário se for derrotado no STF e, no futuro, isso poderá complicar sua defesa em outros processos.


A Justiça também mandou o colunista pagar uma indenização de R$ 285 mil a Amorim, que ele acusou de receber dinheiro para defender o PT em seu blog. A indenização foi depositada em juízo e os advogados de Mainardi recorreram contra a sentença.


‘MEDALHA NO PEITO’


‘Cada um desses processos é uma medalha no meu peito’, disse o colunista à Folha, falando por telefone de Veneza. ‘A ideia de que saí do país para fugir da polícia é uma coisa ridícula. Fiz só uma brincadeira na coluna.’


O ex-ministro Luiz Gushiken, o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte, estão entre os que processaram Mainardi no passado e nunca conseguiram nada.


O colunista morou em Veneza anteriormente por 14 anos e foi na Itália que conheceu sua mulher. Ela é historiadora, quer voltar a trabalhar e não encontrava oportunidades no Rio, onde o casal viveu com os dois filhos nos últimos oito anos.


 


 


CELEBRIDADE


Lohan pode receber US$ 1 mi por entrevista


A revista ‘OK! Magazine’ ofereceu à atriz Lindsay Lohan US$ 1 milhão (R$ 1,75 milhão) por sua primeira entrevista depois da reabilitação, segundo o site da ‘Hollywood Reporter’. Lohan estrela ‘Machete’, de Robert Rodriguez, que estreia nos EUA em setembro.


 


 


EDUCAÇÃO


Paulo Renato Souza


Leviandades sustentadas


É necessário reiterar que o programa ‘Multiplicando Saber’ não faz parte das políticas que a Secretaria da Educação vem desenvolvendo


Artigo publicado nesta Folha no último dia 16 (‘Insustentável leveza’) contém um duro ataque, quase pessoal, à minha atuação na Secretaria de Educação de São Paulo, recheado de adjetivos e citações fora de contexto. Fatos e evidências são ausentes.


O artigo parte de desinformação ou propositada tergiversação, muito no estilo do que vem se tornando usual no atual debate eleitoral na boca de alguns candidatos.


É necessário reiterar que o programa ‘Multiplicando Saber’ não faz parte das políticas que a Secretaria da Educação vem desenvolvendo na atual administração, como, aliás, ficou claro desde o primeiro ‘release’ de imprensa, divulgado há três semanas.


Trata-se de experiência-piloto para testar no Brasil um sistema de tutoria em matemática pelo qual bons alunos do ensino médio ajudam seus colegas do fundamental que mostram dificuldades nessa disciplina.


Experiências semelhantes foram realizadas nos Estados Unidos, em alguns países europeus, na Índia, no Quênia, na Colômbia e no Chile, e o projeto foi proposto por pesquisadores da USP, com o apoio de um banco multilateral e de algumas fundações privadas que o custeiam. Pagar-se-á uma bolsa aos tutores e se dará um incentivo à participação dos pupilos, dado que ela não é obrigatória.


Este último aspecto secundário no conjunto do programa ganhou centralidade nas matérias jornalísticas, a começar por reportagem e editorial desta prestigiosa Folha.


A polêmica ganhou espaço na mídia e entre especialistas, centrada justamente nesse aspecto secundário e alimentada pelo clima eleitoral e pelo oportunismo de alguns candidatos. Nesse ambiente, o próprio resultado científico desse projeto-piloto na avaliação de seu impacto na aprendizagem dos alunos passou a ficar comprometido.


Diante do fato, tomei a decisão de estender seu prazo de execução por alguns meses, até o primeiro semestre de 2011. Nesse período, espero que a polêmica se esclareça e que possamos chegar a um consenso mínimo entre os especialistas em torno da validade de experimentar novas alternativas, que venham a contribuir para a melhoria da aprendizagem e dos métodos para conseguir a adesão de um número significativo de alunos.


O sistema educacional de São Paulo é o maior e melhor do país, segundo as avaliações e informações do MEC. Apesar disso, estamos ainda distantes do ideal e continuamos trabalhando para melhorar a qualidade da educação pública.


Esse esforço de São Paulo tem merecido o reconhecimento das entidades internacionais mais respeitadas na área.


Nosso Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) nem de longe sofreu a desmoralização que infelizmente atingiu outros sistemas de avaliação, como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), tragado pelo açodamento na tentativa de utilização político-eleitoral de um importante instrumento de aperfeiçoamento de nossa educação.


Ali, sim, se jogou com a expectativa e o futuro de milhões de jovens. Não temos receio de revelar nossos grandes avanços, como também as áreas e níveis educacionais em que novas alternativas precisam ser testadas. Aceitamos o desafio de melhorar o desempenho de nossos jovens em matemática, em especial no ensino médio. Não abandonamos programas pela metade. Em relação ao encontro do governador Serra com a cantora Madonna e à proposta que ela nos fez, foi tomada como tal e assim está sendo analisada. A aplicação de ‘princípios cabalísticos’ na rede pública é apenas fruto da mente fantasiosa e politicamente tendenciosa da autora.


PAULO RENATO SOUZA, economista, deputado federal licenciado (PSDB-SP), é secretário da Educação do Estado de São Paulo. Foi ministro da Educação (governo FHC), reitor da Unicamp (1986 a 1990) e secretário da Educação do Estado de São Paulo (governo Montoro).


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 19 de agosto de 2010


 


ELEIÇÕES 2010


Luciana Nunes Leal


Propaganda na TV agrada a petistas e irrita tucanos


Enquanto os petistas comemoravam ontem a estreia de Dilma Rousseff na propaganda da TV, aliados de José Serra pensavam em uma forma de explorar dois pontos do programa adversário. Para os tucanos, o uso da imagem de Dilma com o cachorro Nego, herdado do deputado cassado José Dirceu (foto), é a deixa para relembrar o escândalo do mensalão, que tirou do governo o então chefe da Casa Civil. Outra ideia é dar uma resposta ao ‘jingle despedida’, cantado como se o presidente Lula desse um recado a Dilma: ‘Deixo em tuas mãos o meu povo e tudo que mais amei/ Porque sei que vais continuar o que fiz.’ Os petistas, irônicos, dizem que o PSDB está perdido com a boa fase da campanha do PT. O deputado Jutahy Junior (PSDB-BA), porém, fala sério sobre o jingle petista. ‘É o coronelismo eletrônico messiânico.’


 


 


Roldão Arruda


Candidatos sobem tom em debate


No caso da propaganda eleitoral gratuita da TV, transmitida para todo o País, o presidenciável José Serra, do PSDB, ainda não definiu o momento certo para iniciar o ataque pesado contra Dilma Rousseff, candidata do PT e líder nas pesquisas eleitorais. Sabe-se apenas que virá. Para plateias mais restritas, porém, o tucano acredita que chegou a hora.


Foi isso o que se viu ontem no encontro promovido pela Folha/UOL, com transmissão ao vivo pela internet, com a presença de Serra, Dilma e Marina Silva, do PV. Entre as várias investidas que fez contra a petista, referiu-se a ela como ‘ingrata’ e ‘mentirosa’ e disse que a rival só olha para o passado, para fazer comparações entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva. ‘Seu espelho retrovisor é maior que seu para-brisa’, afirmou,


Ele também insistiu em ligar Dilma à corrupção. ‘Eu não passo a mão na cabeça de quem faz atrocidades, como o dossiê dos aloprados contra mim. Ninguém foi punido dentro do PT’, afirmou, referindo-se a episódio ocorrido nas eleições de 2006.


Serra ainda procurou mostrar a petista como candidata sem conteúdo. Num certo momento disse que o assunto sobre o qual Dilma fazia perguntas, em torno do ProUni, não era uma preocupação real dela. ‘Algum assessor te passou isso’, ironizou.


Favela. O tucano era o que se mostrava mais agitado entre os três. Não foi só ele, porém, que resolveu endurecer. Marina, estacionada na marca de 8% das intenções de voto, fez críticas à administração tucana em São Paulo e ao uso de uma favela cenográfica na propaganda de Serra.


Contou que no dia anterior visitara uma favela real, no município de Diadema, com 10 mil moradores. ‘Todos abandonados pelas autoridades’, disse.


Na primeira fase do encontro, Marina parecia pender para uma aliança com Dilma, contra Serra. Em seguida, porém, mostrou que deseja se distanciar dos dois.


Além de criticar o ‘pugilato’ entre eles, atacou a propaganda da petista transmitida na terça-feira, que terminava com uma canção sugerindo que Lula vai transferir para ela os cuidados com o povo. ‘Estão querendo infantilizar os eleitores’, acusou.


Dilma pareceu bem mais à vontade e afiada do que no debate da TV Bandeirantes, no início do mês. Procurou se controlar, para não aceitar as provocações de Serra, mais experiente em debates, mas não deixou de responder às críticas. Quando o tucano acusou o atual governo de ter aumentado impostos na área de saneamento, ela retrucou que seria melhor o concorrente não adentrar o assunto, por ter telhado de vidro: ‘Vocês não fizeram nada nessa área.’


A petista foi cuidadosa no esforço para colar sua figura à de Lula. Falou várias vezes em ‘nosso governo’ e ‘nós’. Chegou até a dizer ‘meu governo’.


Os três candidatos foram favorecidos por um formato de debate menos engessado que o da Bandeirantes. O assunto mais debatido por eles foi educação. Ninguém falou do Bolsa-Família. Provavelmente porque levavam em conta o tipo de audiência da internet.


 


 


Roberto Lameirinhas


Jornais de Caracas denunciam censura


Na esteira das medidas adotadas por Hugo Chávez para restringir a atuação de emissoras de rádio e TV, jornais venezuelanos denunciaram ontem a prática de censura prévia aos meios impressos. Em protesto contra a decisão do Judiciário de proibir a publicação de fotos ‘violentas’, o jornal El Nacional foi ontem às bancas com espaços em branco e tarjas com a palavra ‘censurado’ na capa e na página destinada ao noticiário policial.


A proibição deu-se após o jornal de Caracas ter publicado, na sexta-feira, a foto de um necrotério com 12 cadáveres empilhados – com a qual denunciava a deterioração da situação da segurança pública no país. Na segunda-feira, outro jornal da capital, o Tal Cual, reproduziu a foto em desafio à proibição judicial.


‘Publicamos a foto como uma forma de provocar um choque na população diante do quadro de violência crescente no país’, justificou o diretor do Nacional, Miguel Henrique Otero.


‘A grande questão é que a medida de censurar a divulgação de informações sobre a criminalidade não resolve o problema da segurança pública, mas impede que ele venha à tona em um momento delicado do chavismo, quando ele vê ameaçada sua maioria na Assembleia Nacional nas eleições de 26 de setembro’, disse ao Estado, por telefone, Ricardo Alvarez, professor de ciências políticas da Universidade de Caracas.


Marcelino Bisbal, titular da cadeira de comunicação da Universidade Andrés Bello, ressalta que, apesar da ofensiva contra emissoras, nunca houve um ataque tão direto quanto esse. ‘É curioso verificar que a medida vigorara, inicialmente, por um mês. Coincidentemente, o período em que estaremos em campanha eleitoral’, disse.


O combate à criminalidade é um dos pontos fracos do governo e visto pela oposição como um dos principais itens de política pública que podem tirar votos do governista Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV). Em 2009, o número de assassinatos em todo o país superou 16 mil – convertendo a Venezuela no país mais violento da América do Sul – e o número médio de mortes violentas em Caracas, a cada fim de semana, supera 50. O governo não apresenta balanços sobre a criminalidade há vários anos.


‘Tudo isso é parte de um complô, de uma campanha internacional que toma espaços importante nas telas, nas cadeias internacionais de mídia, nos jornais da Europa, dos EUA e da América Latina. Estão desesperados e buscam sabotar a revolução com grosseria, a manipulação e a pornografia’, disse Chávez ontem. ‘Há uma manipulação pornográfica e eleitoreira do tema da criminalidade.’


O presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Alejandro Aguirre, qualificou a medida chavista de ‘torpe política de Estado em favor da censura prévia’. ‘É um elemento a mais de censura num esquema governamental dedicado a silenciar os meios de imprensa.’


Em Paris, o Repórteres sem Fronteiras também deplorou a medida, classificada como ‘grotesca e imprecisa’. ‘A foto de um policial armado ou o simples anúncio de uma morte entraria no marco da norma?’, indagou o RSF em nota. / COM AP e AFPN


PARA ENTENDER


Desobediência expõe infrator a multa pesada


A Justiça venezuelana emitiu medida cautelar proibindo jornais e revistas de publicar fotos ou qualquer outra modalidade de informação que inclua ‘sangue, armas, mensagens de terror e agressão física’ em atendimento a um pedido da Defensoria do Povo e do Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente. A norma, que passou a ser adotada ontem, deve vigorar inicialmente por um mês. A desobediência à medida pode resultar em ‘multas milionárias’, segundo fontes judiciais, não especificadas explicitamente na medida.


PONTOS-CHAVE


RCTV


Governo fecha a rede RCTV, cuja concessão não foi renovada em 2007. Em janeiro, TV a cabo deixa de transmitir a RCTV internacional


Globovisión


Chávez tenta obter o controle acionário da última TV crítica ao governo após tomar ações de um de seus acionistas por dívidas do Banco Federal


Rádios fechadas


Comissão de Telecomunicações revoga concessão, desde janeiro, de 240 emissoras de rádio AM e FM, afirmando que as redes não fizeram recadastramento


Rede nacional


Presidente obriga 24 canais de TV a cabo a transmitir seus comunicados em rede nacional. Canais são classificados como ‘produtoras audiovisuais nacionais’


 


 


TRIBUNAL


Karla Mendes


MP quer ação contra o Terra arquivada


O Ministério Público Federal em São Paulo solicitou o arquivamento da representação feita pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e da Associação Nacional de Jornais (ANJ) contra o portal Terra por suposta violação ao artigo 222 da Constituição Federal, que limita a 30% a participação de capital estrangeiro em empresas jornalísticas.


No entendimento do procurador da República Márcio Schustershitz da Silva Araújo, a internet é um meio distinto dos meios de comunicação tradicionais, razão pela qual não se aplica o artigo da Constituição.


Para Schusterschitz, a representação contra o portal Terra não deve prosperar, sob o argumento de que ‘no ambiente da internet, não cabe ao Estado excluir em razão da nacionalidade’. Na argumentação do procurador, por suas características de ‘heterogeneidade, excepcionalismo e globalidade’, a internet é um outro modelo de diálogo, não podendo assim ser equiparada às mídias tradicionais.


Na visão do procurador, a categoria empresa jornalística trazida pelo artigo 222 se refere ‘à empresa dentro do modelo econômico verticalizado, unilateral, escasso e passivo de comunicação social e não àquele inserido e submerso em um novo ambiente de telecomunicações, caracterizado pela internacionalidade, abertura, liberdade e pulverização’.


No mês passado, as denúncias do suposto descumprimento do preceito constitucional pelo portal Terra e pelo jornal Brasil Econômico foram alvo de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Na ocasião, a Abert e a ANJ argumentaram que o artigo 222 da Constituição, que diz que só ‘brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos’, deveria ser aplicado a todos os portais que produzem e editam notícias. Por essa interpretação, as entidades argumentaram que o portal Terra seria considerado um órgão jornalístico, apesar de, em 1988, quando a Constituição foi aprovada, o texto da Carta não falar especificamente em portais da internet.


Na audiência, o consultor da Abert, o advogado Gustavo Binenbojn, disse que o princípio constitucional deve valer para todas as empresas jornalísticas, não importa o veículo usado para produzir e divulgar notícias.


Ricardo Pedreira, diretor executivo da ANJ, por sua vez, ressaltou que o que está por trás da limitação imposta pelo artigo 222 é a constatação de que a mídia é um setor hoje absolutamente estratégico, daí a necessidade de se proteger a soberania nacional e a responsabilidade dos meios de comunicação.


Recurso. O pedido de arquivamento da representação da Abert e da ANJ contra o Terra foi remetido à Procuradoria Geral da República (PGR), que homologará ou não a manifestação. Os autores também podem entrar com recurso contra a decisão. Já a representação relativa ao Brasil Econômico, feita pela ANJ, também foi arquivada, mas pelo fato de Schusterschitz já conduzir outra investigação com o mesmo objeto. A investigação sobre a legalidade da composição societária do Brasil Econômico, portanto, continua no MPF em São Paulo, mas em outro procedimento.


No documento, Abert e ANJ alegam que as empresas Terra Networks Brasil Ltda., controlada pela espanhola Telefónica, e responsável pelo portal Terra, e a Empresa Jornalística Econômico S.A., controlada pelo grupo português Ongoing, responsável pelo jornal Brasil Econômico, violam o artigo 222 da Constituição Federal, por serem controlados ou terem participação estrangeira acima dos limites previstos.


Procurada, a Abert não informou se ia recorrer da decisão. Uma fonte disse ao Estado, porém, que a associação aguarda a decisão final da PGR para tomar alguma providência.


Competência


A ANJ e a Abert protocolaram a representação contra o Terra na Procuradoria Geral da República, mas o processo foi distribuído ao MPF em São Paulo, pois a sede do portal fica na capital paulista.


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Novo aprendiz será dono de um fast food


Já somando mais de 22 mil inscritos, a próxima edição de O Aprendiz, da Record, dará como prêmio uma franquia de fast food. Batizado de O Aprendiz Empreendedor, o reality show, que começa a ser gravado em janeiro, e irá ao ar em abril, investirá no sonho do brasileiro de ser dono do próprio negócio. Ideia do apresentador do programa, João Dória Jr. Para tanto, Record e Fremantle, dona do formato, já estão negociando com marcas uma franquia na área de alimentação – que detém o menor índice de falência nesse tipo de negócio – que será disputada por 16 participantes. Com isso, e mais uma quantia em dinheiro, a premiação do programa desta vez deve passar a casa dos R$ 2 milhões.


11 pontos de audiência média registrou o programa Ídolos anteontem, na Record, alcançando o segundo lugar em ibope no horário


‘Eu tenho Twitter sim. Éééé´… Não me lembro!’ Vanusa, comentando suas crises de memória em shows- e tendo mais uma – no Superpop de anteontem


Um dos estúdios da Record em São Paulo guarda um segredo, sempre cercado por seguranças: a maquete da réplica do Templo de Salomão, de Jerusalém, que a Igreja Universal pretende construir no Brás, zona leste de São Paulo. O templo, que abrigará mais de 10 mil fiéis sentados, promete ser o maior do País, e sua maquete chegou à emissora escoltada.


Um dos CQCs esqueceu a vigia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em cima das emissoras – e humorísticos – e postou em seu Twitter, anteontem, o link de uma proposta eleitoral para jovens de um candidato. Apagou rapidinho.


Nando Reis e Skank prestarão uma homenagem a Luiz Gonzaga no Prêmio Multishow, no próximo dia 24, cantando juntos o baião Amargo que nem Jiló.


Depois de ajustar seu horário nobre com novos formatos este ano, a Band promete investir em novas atrações para a faixa vespertina, que anda um pouco abandonada na rede.


O PFC Internacional , canal de pay-per-view de futebol da Globosat, está chegando em seu 15º país: entra este mês em Curaçau, nas Antilhas Holandesas.


Laços de Sangue, fruto da parceira da Globo com a portuguesa SIC, será anunciada à imprensa, em Lisboa, no dia 6 de setembro.


Flávia Alessandra fará um dos papéis principais da próxima novela das 7 da Globo. Dinossauros e Robôs, de Walcyr Carrasco. A atriz, que terá acabado de dar à luz, viverá uma androide perfeita, inspirada no longa Blade Runner.


Missão atual de Carrasco e Rogério Gomes, o diretor de Dinossauros e Robôs, é convencer o galã Mateus Solano a entrar no elenco da trama. Se aceitar, ele fará par romântico com Flávia.


 


 


 


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