Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

ENTRE ASPAS > FESTIVAIS NA TV

Lauro Lisboa Garcia

08/03/2005 na edição 319

‘A melodia de Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, terá uma breve e eloqüente citação no tema do primeiro Festival Cultura – A Nova Música do Brasil, que terá as inscrições abertas a partir do dia 15. Servirá não apenas para remeter aos gloriosos anos dos festivais na década de 60 como para aludir ao clima de efervescência daqueles eventos. Mesmo sem ter a letra cantada, há implícito naquele trecho da música o verso ‘Prepare o seu coração’, que vale como convite ao público e aos músicos.

‘O tema que vai ser usado nas chamadas tem uma música que não se define. É um mix de eletrônica com ritmos brasileiros, mas não vamos definir uma melodia porque a gente não sabe qual é a nova música brasileira’, diz seu coordenador, o produtor Solano Ribeiro. ‘Nosso conceito é muito ousado. Estamos dizendo que é o festival da nova música do Brasil. No passado eu denominei Festival da Música Popular Brasileira e isso virou MPB. Então, de repente estamos criando a NMB’, brinca Solano.

Vencedora do Festival da Record de 1966, junto com A Banda, de Chico Buarque, Disparada é apenas um dentre os grandes marcos dos festivais realizados por Solano. O primeiro foi há exatos 40 anos na extinta TV Excelsior, no qual sagrou-se campeã Arrastão (Edu Lobo/Vinicius de Moraes), na inesquecível interpretação de Elis Regina. Hoje não faltam no País bons compositores, intérpretes ou canções, mas, obviamente o mercado mudou, assim como as linguagens; a tecnologia veio facilitar a produção; as grandes gravadoras já não são tão grandes; os projetos independentes estão dominando as praças, buscando meios menos ortodoxos de se projetar; mas a música de qualidade foi quase toda banida do rádio e da televisão.

Aproveitando essa brecha é que entra a TV Cultura. O festival é parte da ‘opção pela música’, que Marcos Mendonça decidiu fazer desde que assumiu a presidência da Fundação Padre Anchieta, à qual a emissora é filiada. ‘Hoje há uma presença muito pequena de música de qualidade na televisão brasileira. A Cultura tem esse papel. É financiada fundamentalmente pelo governo para que não fique dependendo do mercado. Não precisamos necessariamente colocar o sucesso do momento para ter audiência, posso colocar música de qualidade que não tenha popularidade’, exemplifica.

Solano – que coordenou vários festivais na Globo, desde o que deu visibilidade a Tetê Espíndola até o mais recente, o fracassado Festival da Música Brasileira, realizado em 2000 – só vislumbra a possibilidade de investir numa emissora com esse perfil. ‘O problema é que a Globo quer produzir tudo, tem de impor o padrão deles. Eles atrapalharam o festival inteiro. Estavam mais preocupados com o cenário do que com a música’, critica.

Além da Cultura, a Rede Bandeirantes também fará o seu este ano e a Globo adapta o modelo ao decadente Fama (leia abaixo e ao lado), sinais de que há uma tendência entre os concorrentes em apostar na velha fórmula. Para Solano ela não se esgotou. Cita os festivais de San Remo, na Itália, e Vi‡a del Mar, no Chile, como exemplos da longevidade do gênero. ‘O da Cultura é completamente diferente no conceito. Primeiro porque vai ter premiação para videoclipe, que vai dar um toque mais moderno ao festival, usando o que é a linguagem da música na TV hoje. Vamos pegar pequenos grupos que estão fazendo a música mais importante no momento no País para criar arranjos. Temos de olhar para o funk, o hip-hop, a música eletrônica.’

Há um sem-número de festivais – não competitivos na maioria -, que todo ano revelam bandas, compositores, músicos e intérpretes de talento de vários estilos. Falta, no entanto, um veículo com a força da televisão no papel de divulgador. Este é outro potencial que Solano e Mendonça enfatizam. ‘O que nos impulsiona a entrar com muito empenho e expectativa é a certeza de dar uma grande contribuição para compositores e intérpretes, com o peso e a credibilidade que a Cultura tem e que dificilmente outro veículo daria’, defende Mendonça. ‘Talvez a competição seja questionável, mas se isso vem em benefício da audiência, por que não utilizar o recurso?’, sustenta Solano.

A produção espera receber cerca de 12 mil músicas. ‘Destas, creio que umas 300 serão aproveitáveis’, prevê o produtor. No entanto só 48 irão para as eliminatórias que começam no dia 13 de agosto. A final será no dia 8 de outubro. O local ainda não está definido, mas deverá ser revelado nesta quarta-feira, quando a Cultura faz o lançamento oficial do projeto em evento no semi-reformado Cine Marrocos, no Centro.

A partir do dia 15 a ficha de inscrição e o regulamento estarão no site www.tvcultura.com.br. Os compositores devem enviar apenas uma canção inédita gravada em CD-R e com cópias da letra para a TV Cultura de São Paulo até o dia 30 de abril. Também podem sugerir um intérprete para a música. Uma comissão formada por 11 profissionais – ‘de credibilidade incontestável’ da nova geração, como enfatiza Solano -, vai selecionar as composições, bem como se reservará o direito de escolher um intérprete caso o autor não se mostre satisfatório.

Como novidade, o Festival da Cultura não vai apenas premiar os autores das três melhores canções, o melhor intérprete, o criador do melhor arranjo e a escolha do público, mas as 12 semifinalistas ganharão a produção de um videoclipe cada uma. Na final, serão premiados à parte o melhor clipe, direção, roteiro e fotografia. As apresentações dos finalistas deverão ser lançadas em CD e DVD. A emissora, segundo Mendonça, vai investir R$ 2,5 milhões na produção do festival. Os valores dos prêmios ainda não foram estipulados. No decorrer do evento, a emissora vai mostrar uma série de programas especiais contando a história dos festivais no Brasil.’



Adriana Del Ré

‘Na Band, o evento ideal imaginado por Guarabyra’, copyright O Estado de S. Paulo, 7/03/05

‘O cantor e compositor Guarabyra está a um passo de ver o festival de música de seus sonhos se tornar realidade. Depois de cerca de 15 anos alertando organizadores de que os festivais vinham perdendo seu rumo, ele conseguiu a atenção da TV Band e vai realizar um evento nas condições que considera ideais. ‘A Rede Bandeirantes está empenhada em realizar o maior festival depois da era dos grandes festivais, resgatando a tradição deles’, elogia. Antes da Band, o compositor chegou a apresentar o projeto para Globo, para ser realizado em Brasília. ‘Foi aprovado, mas infelizmente foi naquele ano que houve o impeachment do presidente Collor e a capital virou um tremendo tumulto, impedindo a apresentação de um evento de tal dimensão.’

Por enquanto, Guarabyra prefere não entregar de bandeja os detalhes do projeto. Diz apenas estar, junto com a emissora, finalizando a redação do regulamento e dando acabamento na forma. Antecipa que o festival será voltado para intérpretes, compositores e arranjadores. De que deverá ter sede em Brasília, como sempre imaginou, e de que o importante para atrair o público de hoje é fazer um festival em alguns dias seguidos e não arrastado ao longo de semanas.

As inscrições devem ser abertas ainda este mês e o evento está programado para ir ao ar em outubro. ‘Escolheremos um júri composto por especialistas de todas as tendências, para selecionar os inscritos. No momento dos espetáculos, haverá um outro júri, também de tendências diversas’, explica o compositor, que é velho freqüentador de festivais. O primeiro foi aos 19 anos, no 2.º Festival Internacional da Canção, transmitido pela Globo. Conquistou o 1.º lugar na primeira etapa, em que concorriam apenas músicas brasileiras. Milton Nascimento ficou em 2.º e Chico Buarque, em 3.º.

Com seu projeto, Guarabyra pretende colocar a música brasileira, de todos os estilos, na ordem do dia. E já tem o apoio incondicional de toda classe musical, conta ele. Na semana retrasada, Chico Buarque retornou sua ligação e ‘protocolou apoio total ao festival’. ‘O apoio de Chico foi muito importante, porque veio acompanhado de idéias e críticas.’

Quanto ao anúncio de outros festivais para este ano, como o da TV Cultura e o reformulado Fama, da Globo, o compositor se diz contente com aparecimento deles e tudo que possa divulgar os músicos, compositores e arranjadores brasileiros. Mas puxa sardinha para sua iniciativa. ‘Tenho certeza de que será o acontecimento musical do ano.’’



Flávia Guerra

‘Rede Globo volta ao formato tradicional em ‘Fama’’, copyright O Estado de S. Paulo, 7/03/05

‘Depois do Festival dos Festivais, que marcou os anos 80 e revelou a voz de Tetê Espíndola, e do Festival da Música Brasileira, realizado em 2000, cujo vencedor foi o cantor Ricardo Soares, a Globo volta a apostar no formato. Em junho, estréia a quarta edição do Fama que, em vez de ser realizado somente no formato reality show, passa a ter uma primeira fase ‘festival’.

A Globo não divulga mais informações, mas sabe-se que os candidatos finalistas da primeira fase serão escolhidos em festivais promovidos em várias regiões do País (Centro-Oeste e Norte, Sudeste, Sul e Nordeste). Após duas eliminatórias locais, haverá uma nacional que selecionará os 12 finalistas da segunda etapa do programa. A partir daí, dá-se início à fase reality show, com dez programas em que os participantes são eliminados gradativamente.

A direção fica por conta de Boninho e a apresentação de Angélica, que já terá voltado da licença-maternidade. Nessa nova versão de Fama, os concorrentes não ficarão mais confinados na mesma casa de Big Brother (como ocorreu com a terceira edição), mas continuarão tendo aulas de dança e canto. Ao contrário da primeira e da segunda edição do programa, essas aulas não serão em uma academia monitorada por câmeras.

O fator decisivo nessa segunda fase do novo formato são as apresentações semanais dos participantes, que vão ao ar na Globo, diretamente de uma casa de shows ou de um estúdio. As inscrições para a nova edição já estão abertas no site www.globo.com/fama e terminam no dia 15 de abril.’

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