Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ENTRE ASPAS >

Lei de Imprensa volta à pauta do Supremo

28/04/2009 na edição 535

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 27 de abril de 2009


 


JUSTIÇA
O Estado de S. Paulo


Lei de Imprensa volta à pauta do Supremo


‘O Supremo Tribunal Federal deve retomar, na quinta-feira, o julgamento da ação que pode revogar a Lei de Imprensa. O julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 130 foi suspenso no dia 1º de abril. O relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela procedência integral da ação. Para ele, a Lei de Imprensa é incompatível com a Constituição Federal de 1988 e não pode permanecer no ordenamento jurídico brasileiro. O ministro Eros Grau também votou da mesma forma.’


 


 


TECNOLOGIA
Marili Ribeiro


TV aberta busca seu espaço em novas telas


‘As emissoras de televisão se preparam para uma grande mudança na forma como sua programação será vista daqui para a frente. No mercado já estão disponíveis telas portáteis que, graças ao sinal digital, sintonizam a novela ou o jogo de futebol na praça de alimentação de qualquer shopping. No segundo semestre, algumas linhas de ônibus de São Paulo devem começar a exibir a programação matutina da TV Globo. Fora isso, celulares habilitados para receber os sinais de TV já são uma realidade. Os preços ainda são salgados, mas a tendência é de queda.


Diante do novo padrão de se ver TV, que não vai mais se restringir aos limites das residências, a audiência ganha mobilidade e fica maior, como gostam de enfatizar os executivos das emissoras. Há boas razões para eles dizerem isso. O avanço das mídias digitais roubou público das maiores redes de TV aberta nos Estados Unidos, que veem suas receitas encolherem. Lá, como aqui, o modelo de negócios é baseado na atração de verbas publicitárias para custear os programas.


No Brasil, a TV aberta detém a maior fatia do bolo publicitário. Dos mais de R$ 20 bilhões investidos em propaganda anualmente, a televisão fica com quase 60%. Por isso, a ideia é garantir e, se possível, ampliar a audiência, de forma a continuar atrativa para os anunciantes.


‘Não acredito que vamos viver uma mudança radical do nosso modelo de negócios’, diz o vice-presidente do Grupo Bandeirantes, Walter Ceneviva. ‘Afinal, 100% das residências no Brasil têm aparelho de televisão, o que é expressivo. Com a portabilidade e a interatividade teremos, na verdade, novos formatos de negociação.’


Dono de um monitor portátil que, por dever de ofício, mantém ligado sempre que está fora da emissora, Ceneviva se define como ‘taxiólogo’, por preferir andar de táxi a pilotar o próprio carro. Nele, assiste televisão enquanto se desloca pela cidade.


‘A televisão ganha muito com a multiplicação de telas, abrindo uma janela de oportunidades, mesmo que não seja para a transmissão da programação da TV aberta, mas aproveitado os conteúdos que temos. Na Band, queremos potencializar todos os meios possíveis’, afirma Ceneviva.


Com 5,2 mil monitores espalhados nas estações e trens do Metrô, a TV Minuto, da Band, está no ar desde o ano passado e vem sendo vista por mais de 3 milhões de passageiros. Mas se trata de uma programação específica, e não a reprodução do que está no ar na televisão aberta. Esse conteúdo é transmitido sem som, por ser considerado mais apropriado para espaços públicos. ‘Consideramos que ainda é um desafio encontrar a fórmula como o público quer ver TV fora de casa’, afirma Ceneviva.


Desafio que a Rede Globo parece disposta a enfrentar, inicialmente na rede de ônibus da cidade de São Paulo nos horários de pico, quando os programas jornalísticos, ou de entretenimento, estão no ar. ‘O som é um dos problemas e estamos estudando o uso de fones de ouvidos para solucioná-lo’, explica o diretor-geral da emissora, Octávio Florisbal.


INTERNET


Durante a apresentação dos projetos da emissora para 2009, ficou evidente que as novas plataformas cresceram em importância para a Globo. Antes, a TV reinava absoluta. Agora, o próprio Florisbal reconhece que houve estreitamento de propósitos com os canais online, o que ficou facilitado com a gestão única dos portais da companhia a partir do ano passado.


‘A internet será uma plataforma grande e temos de estar com nossos conteúdos nela’, diz Florisbal. Hoje, há no País 12 milhões de domicílios com banda larga, o que permite aos usuários assistirem vídeos online em tempo real com qualidade.


Na Rede Record, o diretor de Tecnologia, José Marcelo Amaral, corre para pôr no ar, ainda este ano, um portal que ofereça aos telespectadores bem mais do que informações sobre a programação do canal. ‘Para manter a sua força, a televisão aberta precisa estar presente nas demais mídias digitais’, diz ele, ao responder sobre o fato de a TV caminhar para ser vista em múltiplas telas. ‘Não há empecilho técnico para isso. Já estamos transmitindo em várias cidades o sinal aberto para os aparelhos celulares, simultaneamente ao sinal para os receptores fixos.’


O celular, aliás, é o novo aliado das emissoras de TV. Todas apostam em estender sua audiência para ele, oferecendo, até por meio das operadoras, pacotes específicos para as microtelinhas. A Globo já prepara algo do gênero para distribuir seu conteúdo jornalístico.’


 


 


PIRATARIA
Paul Elias, AP


Hollywood em nova batalha contra cópias


‘Hollywood o chama de ‘alugue, copie e devolva’ e defende que é uma das maiores ameaças tecnológicas ao mercado de DVD de US$ 20 bilhões da indústria do cinema – um software que permite copiar um filme sem pagar por ele. Na sexta-feira, advogados do setor exortaram uma juíza federal a proibir a RealDVDNetworks Inc. de vender um software que permite que consumidores copiem seus DVDs em discos rígidos de computadores, argumentando que o produto da companhia, que tem sede em Seattle, é uma ferramenta de pirataria ilegal.


Advogados da RealNetworks contrapuseram, mais tarde naquela manhã, que seu produto RealDVD está equipado com proteções contra pirataria que limitam o dono do DVD a fazer uma única cópia e é uma maneira legítima de fazer back up de cópias de filmes legalmente adquiridos.


A mesma juíza federal que fechou o site de troca de música Napster em 2000 por violações de copyright está presidindo o julgamento de três dias, que deve ir ao cerne da mesma subversão tecnológica que está tumultuando Hollywood e que mudou para sempre a face do negócio de música.


Os estúdios temem que se a RealNetworks tiver permissão de vender seu software RealDVD, os consumidores rapidamente perderão o interesse em comprar no varejo filmes em DVDs que podem ser alugados por um preço barato, copiados e devolvidos.


Seus advogados argumentam que o software viola uma lei federal conhecida como Digital Millenium Copyright Act, que torna ilegais software e outras ferramentas que permitam a pirataria digital. Eles alegam também que os lojistas condenarão amplamente esse comportamento ilegal se o produto da Real Networks ficar no mercado.


Bart Williams, um advogado que representa os estúdios, disse à juíza que evidências reveladas no litígio mostram que engenheiros da Real Networks compraram de uma empresa da Ucrânia um software de cópia ilegal nos Estados Unidos.


‘Não é permitido copiar DVDs e é isso de fato que o RealDVD faz’, disse Williams. ‘O objetivo da Real nisso tudo é ganhar dinheiro em cima dos investimentos do estúdios sem pagar por isso.’ A companhia argumenta que o contrato que ela assinou com a DVD Copy Control Association, que equipa fabricantes de aparelhos de DVD com as teclas para decifrar DVDs, permite o RealDVD porque o software não altera nem remove códigos antipirataria como o software ilícito que pode ser facilmente obtido de graça na internet.


A RealNetworks diz que seu produto preenche legalmente uma demanda do consumidor para converter seus DVDs à forma digital para serem convenientemente armazenados e assistidos.


‘A RealNetworks percebeu que havia uma necessidade não preenchida do consumidor’, disse o advogado da companhia, Leo Cunningham. ‘A RealNetworks é uma companhia que respeita o copyright.’ Em outubro, a juíza distrital Marilyn Hall Patel proibiu temporariamente as vendas de RealDVD após o produto ficar alguns dias no mercado. Na ocasião, a juíza disse que o software parecia violar uma lei federal contra a pirataria digital, mas ordenou petições judiciais detalhadas e o julgamento para melhor compreender como o RealDVD funciona.


A ação provocou um amplo furor de blogueiros, defensores de direitos digitais e grupos de ambos os lados do espectro político, incluindo o ex-congressista republicano e candidato presidencial pelo Partido Libertário, Bob Barr, e a Electronic Frontier Foundation, de esquerda.


Críticos acusam os estúdios de obstruir a inovação na tentativa de desenvolver seu próprio software de cópia.


‘É tudo uma questão de controle’, disse o pesquisador do Cato Institute, Timothy Lee. ‘Ninguém tem permissão de inovar no âmbito do DVD sem permissão da indústria.’ A indústria, por meio da Motion Picture Association of America contrapõe que seu objetivo é acabar com a pirataria. Ela diz que saúda as tentativas legítimas de inovação.


Seja qual for o resultado do julgamento – a juíza não deve decidir a questão de imediato – alguns preveem que o controle de Hollywood sobre cópias digitais continuará a declinar por causa da proliferação de software ilegítimo online.


‘Se Hollywood vencer, não acho que isso vá mudar o mundo real’, disse Fred von Lohmann, um procurador da Electronic Frontier Foundation.


‘Quem quiser DVDs copiados pode baixar software gratuitamente da internet em 10 minutos.’


* Paul Elias é jornalista’


 


 


TELEVISÃO
Alline Dauroiz


Olha a faca, Nazaré!


‘E não é que Nazaré Tedesco vai mesmo passar pelo facão? Conforme esta coluna noticiou, após a Globo ser advertida duas vezes pelo Ministério da Justiça, por exibir cenas da vilã consideradas violentas em Senhora do Destino, o departamento de Classificação Indicativa enviou emissários para uma reunião com representantes da emissora, na última quarta-feira. A Globo se comprometeu a ‘ser mais severa nas mudanças e cortes necessários para a adequação da obra à classificação a ela atribuída’.


Caso a emissora resistisse em modificar o conteúdo do folhetim, ele poderia ser reclassificado de 10 anos para 12 ou 14 anos e, com isso, liberado para ser exibido apenas depois das 20 horas.


Senhora do Destino é a aposta da emissora para um de seus melhores resultados de ibope no Vale a Pena Ver de Novo. No feriado do dia 21, alcançou 25 pontos de média, audiência maior do que as últimas novelas das 6 e 7.


Procurado pelo Estado, o autor Aguinaldo Silva diz que a novela pertence à Globo e que ele apenas trabalhou sob encomenda. ‘No Brasil existe a falsa ideia de que o autor é dono da novela que escreve’, diz.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 27 de abril de 2009


 


CONGRESSO
Fernando de Barros e Silva


Sala vip


‘SÃO PAULO – O Congresso Nacional virou a casa do descalabro. Uma avalanche de escândalos, sucessivos ou simultâneos, escancarou ao país nas últimas semanas uma cultura corporativa orientada para o refestelo dos eleitos, sustentada por uma rotina de abusos, compadrios, privilégios e descaso acintoso no trato das coisas públicas.


Tudo isso já é bem sabido, embora nada, objetivamente, tenha sido feito para ao menos atenuar a sensação de lassidão moral em que mergulhou o Legislativo. Parece até que o Congresso pretende desafiar a capacidade de indignação, ou de tolerância, de um povo brejeiro.


José Sarney deve estar muito entretido com reocupação do Maranhão. E Michel Temer recuou em menos de 24 horas da promessa de limitar a emissão das passagens aéreas, transferindo para o plenário da Câmara uma decisão que poderia ser sua, se vontade tivesse.


Eis a situação: a direção da Câmara se vale da chiadeira do lúmpen da Casa contra qualquer moralização e tenta empurrar a responsabilidade pelo fim dos desmandos para o colo do baixo clero. É esse o artifício que vem ganhando corpo há dias, inclusive com algum respaldo na mídia.


Se os deputados, de fato, não são todos iguais, também é verdade que a crise de credibilidade desta vez diz respeito a todos. A degradação literal da instituição em Casa da Sogra envolve de maneira direta muitos membros da chamada elite parlamentar. Quantos vips pegaram carona na ideia de que a ‘família é sagrada’ para proporcionar aos seus a aventura de ser sacoleiro em Miami à custa da Viúva? Quantos ‘éticos’ pagam suas empregadas com o dinheiro púbico numa boa? A culpa é do ‘patrimonialismo’?


Diante de tantos disparates e omissões, a expressão ‘elite parlamentar’ talvez já não passe de título de cortesia, sem correspondência com a realidade. O Legislativo está em claro processo de severinização. O que combina com o barateamento da política no governo Lula.’


 


 


CULTURA
Beth Carvalho, Ivaldo Bertazzo e Lula Queiroga


Arte para toda parte


‘AS ARTES são o oxigênio da cultura de um país. No caso do Brasil, refletem a grande diversidade de nosso povo. Refletem as vivências no campo, nas metrópoles, nos periferias, na floresta, na caatinga, no cerrado e no pantanal. São também um de nossos principais produtos de exportação e, com o futebol, o que nos identifica em todo o mundo como um povo original e único.


Um patrimônio dessa qualidade precisa de um incentivo econômico à altura de sua importância. Precisa também estar na ordem do dia do debate público nacional e das definições estratégicas de nosso país. E deve ser visto como um elemento vital para nosso desenvolvimento como nação num mundo em que a produção simbólica e de conteúdo ganha importância econômica. Principalmente em um momento de crise financeira como o que vivemos agora -em que a produção cultural pode ser um dos elementos para alavancar o crescimento do país.


Uma política de Estado para as artes deve levar em conta tudo isso e, mais, garantir a valorização dos nossos artistas consagrados ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades para quem está começando. Nas periferias, nos centros urbanos e também no interior, em todos os cantos do Brasil surgem a cada dia novos talentos. E que, muitas vezes, não têm acesso aos recursos públicos de incentivo à cultura. Para dar oportunidade a todos esses artistas, chegou a hora de atualizar a Lei Rouanet. Precisamos de um instrumento legal que permita novas formas de fomento para a cultura, especialmente para as artes, que permitam uma gama maior de recursos para o setor.


A renúncia fiscal é um mecanismo importante, mas nitidamente insuficiente para dar conta da quantidade e diversidade de demandas culturais de nossos músicos, produtores, artesãos, dançarinos, atores, diretores, artistas circenses e de tantas formas de expressão de nossa diversidade de sermos brasileiros.


Em todo o país, o enorme volume de projetos aprovados no Ministério da Cultura e que não conseguem captar recursos é uma prova viva dessa insuficiência. É necessário, portanto, oferecer novas oportunidades de financiamento para todos os tipos de artista.


A proposta do governo federal para a reformulação da Lei Rouanet está aberta para consulta pública, numa grande e inédita convocação ao debate democrático.


O acesso aos recursos públicos precisa ser qualificado a partir de critérios de avaliação transparentes, específicos para cada setor e região de atividade cultural. Discutir esses critérios à luz do dia, como estão propondo o ministro Juca Ferreira e sua equipe em todas as suas aparições públicas, é um expediente democrático da maior importância para a saúde da República. E nós, artistas, estamos e continuaremos participando disso.


Outro avanço é a criação do Fundo Setorial das Artes, que deve fortalecer o financiamento de projetos de diferentes áreas, como música, dança, artes visuais, teatro e circo.


Assim como vem sendo feito pelo Fundo Setorial do Audiovisual. Mas esperamos que os projetos sejam avaliados por nós próprios, artistas, produtores e especialistas com vivência específica de cada linguagem artística.


Consideramos necessário, também, fortalecer o orçamento público da cultura no Brasil. Oxalá o Congresso Nacional seja sensível a essa necessidade e aprove a proposta de emenda constitucional 150, que exige dos governos federal, estaduais e municipais um mínimo de investimento em cultura.


A cultura sempre fez parte do dia a dia de todo cidadão brasileiro e vem ganhando cada vez mais peso na economia do país. Chegou finalmente a hora de colocá-la no centro do debate político e da discussão sobre qual país queremos construir. E essa conquista é uma missão de todos nós: artistas, público, produtores, trabalhadores da cultura, governo e patrocinadores.


A discussão da nova lei de fomento à cultura é a consagração desse esforço. Esperamos que a sua aprovação pelo Congresso Nacional também o seja.


BETH CARVALHO , 62, é cantora.


IVALDO BERTAZZO , 58, é coreógrafo e diretor.


LULA QUEIROGA , 48, é compositor e cantor.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Chances


‘Na Folha de sábado, Diógenes Campanha e Mônica Bergamo noticiaram, sob o enunciado ‘Dilma passa por tratamento de saúde no Sírio-Libanês’, que seria ‘tratamento prolongado’, talvez quimioterápico. No domingo, após coletiva, nova chamada, ‘Tratamento de Dilma é contra câncer linfático’.


No domingo, na manchete de ‘O Globo’, ‘Câncer e tratamento longo abalam candidatura Dilma’. Antes, na noite de sábado, no ‘Jornal Nacional’, ‘A ministra Dilma Rousseff revela que está se submetendo a um tratamento contra câncer. O tumor já foi retirado, mas, por segurança, a ministra terá que passar por quatro meses de quimioterapia. Os médicos dizem que chances de cura são de mais de 90%’.


‘NÃO MUDA NADA’


O blog de Ricardo Kotscho no iG postou que ‘Dilma não tem mais nada’ e o episódio ‘não muda nada’. Citando ‘ex-colegas’, o ex-porta-voz postou que ‘tiraram tudo’ e ‘o tratamento é necessário apenas para que não volte daqui a dez, 15 anos’.


REAGAN, MITTERRAND


O blog de Paulo Henrique Amorim, da Record, postou que ‘Dilma não tem câncer. Teve’. E que ‘Mitterrand e Reagan governaram depois de ter câncer’. E que ‘a cicatriz do câncer de John McCain está lá, para todo eleitor ver’, no rosto do ex-candidato.


DINHEIRO POR PODER


O ‘Washington Post’ de domingo, na reportagem ‘Chefes de finanças apoiam papel maior para emergentes no FMI’, reproduziu, de Guido Mantega, ‘podemos dar dinheiro ao Fundo, mas primeiro precisamos ver algum avanço’. No ‘New York Times’, mais Mantega, ‘estamos querendo pôr recursos, mas não do modo convencional’. E mais no ‘Wall Street Journal’, ‘nós gostaríamos de comprar títulos do FMI’. Falando pelos Brics, foi parar até no indiano ‘Economic Times’.


A inédita venda de títulos pelo Fundo, segundo ‘WSJ’ e demais, foi a forma encontrada por EUA e outros países para contornar a resistência dos europeus e ceder poder -e obrigações- aos quatro Brics.


‘LIMPEM’


Mantega foi além. No topo das buscas pelo Google News, com Reuters, ‘Limpar bancos é crucial para a economia, diz ministro do Brasil’. Cobrou ‘EUA e outros países’ pelos ‘papéis tóxicos’.


CUBA & FMI


Mais Mantega. No topo das buscas pelo Yahoo News, com AFP, ‘Brasil cobra Cuba no FMI’, por ser ‘o único país no Hemisfério Ocidental que não é membro da instituição’. Diz que ‘chegou a hora’.


O OURO DA CHINA


O ‘China Daily’ pouco deu da reunião dos ministros de finanças em Washington. Mas registrou que o secretário do Tesouro dos EUA, em discurso, ‘não mencionou uma única vez o G7’, o grupo dos países ricos. ‘Em contraste, falou várias vezes do G20.’


Mais importante, a manchete do jornal avisou, em meio à reunião, ‘China tem a quinta maior reserva em ouro’. Também no ‘Financial Times’, ‘China dobra volume em ouro e questiona política de reservas’ em dólar.


DOHA SEM FIM


De sua parte, em meio à reunião, o ‘NYT’ deu o aviso do representante comercial dos EUA, Ron Kirk, de que ‘países como Brasil, Índia e China’ deveriam se abrir, pois ‘precisam de uma Rodada Doha bem-sucedida’.


DE BETIM A DETROIT


Na reportagem ‘Detroit soaria melhor em italiano?’, sobre o avanço da Fiat, o ‘NYT’ deu foto de carros em Minas e avaliou que ‘uma de suas melhores jogadas’ foi no emergente Brasil. ‘Mas os EUA são aposta alta.’


GEITHNER E OS POBRES


O ‘WP’ destacou ontem ‘o choque entre manifestantes e polícia’ em Washington. E avaliou que ‘a escala de vandalismo foi inusual, mesmo numa cidade onde os protestos são comuns e muitas vezes desregrados’.


Por outro lado, no enunciado da americana Associated Press para o encontro, o secretário do Tesouro, Timothy ‘Geithner afirma que a crise ameaça o esforço contra a pobreza’ e ‘pode reverter os avanços’.


CHEGOU A NOVA YORK


O ‘NYT’ já trazia na edição de ontem, em terceiro destaque na capa, ‘Funcionários apontam gripe suína em Nova York’. Pela manhã, virou manchete on-line, ‘Enquanto países tentam conter gripe, casos em NY são confirmados’. À tarde, ‘EUA declaram emergência de saúde pública por causa da gripe suína’.


O Huffington Post e o resto do mundo seguiram o ‘NYT’ passo a passo. O Drudge Report deu a manchete ‘Pánico’, em espanhol, já remetendo à suposta origem mexicana da potencial pandemia.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


‘Os Normais’ pode virar seriado nos EUA


‘A Globo negocia com a Sony a realização de uma versão americana do seriado ‘Os Normais’, que ela exibiu entre 2001 e 2003. A produção seria totalmente feita no exterior, falada em inglês, com atores americanos, sob responsabilidade da Sony, para exibição em TV aberta dos Estados Unidos.


As negociações já vêm desde o ano passado. Uma nova rodada está prevista para a segunda quinzena de maio, durante a L.A. Screenings, feira de TV em Los Angeles em que são apresentadas as novidades que estrearão nos EUA em setembro.


O modelo de parceria seria parecido com o que a Globo fechou no ano passado com a Telemundo, rede hispânica dos EUA, para a produção de uma versão de ‘O Clone’ em espanhol. A Globo vende a marca e os roteiros e oferece consultoria para cenários, figurinos, textos e direção.


O roteirista de ‘Os Normais’, Alexandre Machado, e o diretor, José Alvarenga, já foram consultados pela Globo sobre a disponibilidade de viajarem aos EUA para darem palestras.


A cúpula da Globo sonha há alguns anos com uma parceria que emplaque um produto dela no principal mercado americano, como seria o caso de ‘Os Normais’. Foi a Globo que procurou a Sony com a proposta. A rede acredita que ‘Os Normais’ é viável no exterior porque é fácil de adaptar e simples de fazer, desde que o casal protagonista seja bem escolhido.


NACIONAL 1


O Cartoon Network vai premiar a criação de projetos brasileiros de desenhos animados e seriados para o público de 7 a 11 anos. O prêmio será de US$ 20 mil. O vencedor usará o dinheiro para desenvolver um projeto. O canal poderá ou não transformá-lo em programa.


NACIONAL 2


A escolha do vencedor será pelo processo de pitching, em que os candidatos defendem os projetos diante de uma banca examinadora.


DELEGADA


Viúva de Paulo Autran e há muitos anos afastada da TV, a atriz Karin Rodrigues está no elenco dos novos episódios de ‘9MM: São Paulo’, série nacional do canal Fox. Ela interpreta uma delegada durona. O seriado reestreia no dia 14.


CABO 1


A Globo fechou contrato com a Time Warner Cable, principal operadora de cabo de Nova York. O acordo foi festejado pela emissora, pois deve alavancar o número de assinantes de seu canal internacional, voltado para brasileiros no exterior.


CABO 2


A Globo Internacional enfrenta dificuldade de expansão, principalmente em Manhattan, porque muitos edifícios não permitem a instalação de miniantenas parabólicas. O canal já estava numa operadora de cabo, mas ela não tem tantos assinantes quanto a Warner.


ADESÃO


O SBT aderiu na última sexta-feira ao microblog Twitter. Os fãs da emissora agora podem receber notas oficiais com até 140 caracteres.’


 


 


Daniela Arrais


Programa mostra trajetória de Gates


‘Um dos homens mais ricos do mundo mudou a maneira como as pessoas vivem e trabalham. Ao levar adiante o sonho de colocar um computador em cada mesa e em cada lar, Bill Gates construiu um império bilionário, a Microsoft. A trajetória do geek que deu certo é contada no documentário ‘Como Bill Gates Mudou o Mundo’, que o canal pago GNT exibe hoje, às 21h.


Após dois anos de tentativas, a repórter Fiona Bruce consegue entrevistar o bilionário na véspera de sua aposentadoria -Gates deixou a Microsoft em 2008 para se dedicar à fundação que construiu com a esposa, Melinda, dedicada a combater causas como a malária. O documentário traça um panorama consistente de Gates, por meio de entrevistas com funcionários e ex-funcionários da Microsoft, amigos e família. Não falta espaço para momentos complicados da trajetória da empresa -que foi acusada de exercer monopólio.


Também é mostrada a persistência e, por vezes, obsessão de Gates, que já ficou dias enfurnado em casa até conseguir desenvolver um software. A certa altura, Gates revela que a fortuna não era seu objetivo primário, mas garante a boa educação de seus filhos e o foco no que ele ama fazer. ‘Não trocaria de lugar com ninguém.’


COMO BILL GATES MUDOU O MUNDO


Quando: hoje, às 21h


Onde: GNT


Classificação: não informada’


 


 


INTERNET
Tarso Araujo


Eu ‘twitto’, tu ‘twittas’… e daí?


‘Quando o americano Jack Dorsey teve a ideia de criar o Twitter, seu objetivo era tão simples quanto sugere a questão ‘o que você está fazendo agora?’.


A pergunta que ele queria fazer a seus amigos está até hoje no alto da página principal do site (twitter.com), para ser respondida pelos usuários em textos de até 140 caracteres.


Mas dois anos, oito meses e milhões de usuários depois, as pessoas usam esses pequenos textos para muito mais do que falar da sua vida.


‘Eu já usei o Twitter para prever o tempo’, diz Vinícius Alves, 22, conhecido no site como @v_fox (a arroba é usada antes do ‘nick’ para identificar os usuários).


Estudante de administração, ele saía para a aula quando uma amiga que mora ao lado do campus, do outro lado da cidade, escreveu no Twitter: ‘Começou a chover’.


Apesar do sol, saiu de guarda-chuva. E não deu outra. ‘Cheguei lá e estava chovendo mesmo’, diz. Fugir da chuva só foi possível graças a uma das principais características do Twitter: o imediatismo.


É dessa comunicação em tempo real que depende também o que, provavelmente, é a principal utilidade do serviço.


‘Ele é perfeito para quem gosta de saber tudo que acontece na mesma hora’, diz Tessalia de Castro, 22, a @twittess, mulher mais popular do Twitter no Brasil.


Tudo agora


De fato, o primeiro grande momento do Twitter na mídia foi quando um avião caiu no rio Hudson, em Nova York. Um usuário que estava passando mandou de seu celular: ‘Tem um avião no Hudson’.


Nos primeiros minutos após o acidente, só sabia da notícia quem o seguia no Twitter.


A maior parte do que se escreve no Twitter, porém, não tem nada de emocionante. ‘Escrevo no meu Twitter como se fosse um diário. Sinceramente, acho ele meio inútil para quem me segue’, diz Laís Ferreira, 16, a @singledout, que vê uma utilidade muita clara em estar lá.


‘A maioria das bandas hoje em dia tem Twitter, então é legal para saber mais da vida delas’, diz a estudante, que segue o The Used e o My Chemical Romance, entre outros artistas.


‘O que leio no Twitter acaba virando assunto quando converso com meus amigos sobre as bandas’, diz @singledout, que mora no Rio e conheceu @v_fox (que é de Vitória) por gostar das mesmas bandas.


Pois é, como em qualquer comunidade virtual -coisa que o Twitter também é- distância geográfica é um pequeno detalhe. ‘Você faz contatos por afinidades’, diz @twittess.


Mas até para conhecer pessoas no mundo real o Twitter funciona. ‘Combino com os amigos pelo Twitter e vou a um bar. Às vezes, vem gente que nem conhecemos. Quando percebemos, já tem gente nova na roda’, diz @v_fox.


Como você nem sempre conhece quem o está seguindo, vale tomar cuidados, como fez a designer de internet Cris Rocha (@mjcoffeeholick), 30, que bloqueou seu perfil para evitar a bisbilhotice do chefe.


Isso na época em que tinha emprego, porque, no ano passado, ela entrou no Twitter e passou a colocar links dos sites que criava. ‘Começaram a aparecer tantas propostas de trabalho que, ou continuava na empresa, ou ia trabalhar como free-lancer’, diz. Acabou valendo a segunda opção.


Diga-me quem segues…


Para sua vida no Twitter servir para alguma coisa, é preciso saber escolher quem seguir. ‘No Orkut, a gente é amigo de quem é nosso amigo. No Twitter, uma pessoa pode te seguir sem que você a siga, e vice-versa’, explica Raquel Camargo (@raquelcamargo), 22, blogueira do Twitter Brasil e gerente de social media numa empresa de comunicação.


‘Se você acha que a pessoa não traz coisas interessantes, é só não segui-la. E tem mesmo muita gente que usa o Twitter como divã’, diz.


Para ela, muitos não acham graça, no começo, porque têm a sensação de que estão falando sozinhos. Isso muda quando começam a seguir e a serem seguidos por pessoas que ‘twittam’ sobre assuntos de que gostam. ‘Aí tudo começa a fazer sentido. Precisa de um tempinho para pegar o ritmo’, diz.


Cuidado: pode viciar


E é aí que mora o perigo. Como a mensagem é curta, as pessoas podem ‘twittar’ qualquer coisa que venha à cabeça. E o ritmo fica insano.


‘Realmente, acho que toma mais tempo da minha vida do que deveria’, diz @twittess, que chega a ‘twittar’ 30 vezes por dia, às vezes.


‘Estou viciado. Vejo algo interessante na rua e já vou logo pegando o celular para twittar’, diz @vfox.


O curioso é que o ‘interessante’ pode ser tão variado quanto o gosto dos mais de 250 mil usuários brasileiros do serviço. E é por isso que a pergunta ‘para que serve o Twitter?’ tem tantas respostas.


‘O Twitter em si não tem um propósito. Cada um dá o seu propósito a ele’, diz @vfox.


Então, tente descobrir o seu. E aprecie com moderação.’


 


 


Tatiana dMello Dias


A cara do Twitter


‘Vitor Lourenço (conhecido como @vl no Twitter) nem tinha saído do colégio quando fez seu primeiro site, aos 13 anos -um portal de games (Nintendo Gamers) já desativado.


Agora, com apenas 21 anos, mas oito de experiência em design para a web, o carioca é um dos mais jovens funcionários do Twitter -e o único brasileiro. O visual que você vê no microblog foi reinventado por ele, que trabalhou daqui do Brasil por encomenda de um dos criadores do site, Evan Williams.


‘Procurei simplificar a experiência de uso, aplicando alguns conceitos de simplicidade: encolher, esconder e incorporar’, disse, em entrevista à Folha, por e-mail.


O trabalho encomendado agradou: logo em seguida, surgiu o convite para se mudar para San Francisco, nos EUA, e trabalhar diretamente com a equipe do site. Como consultor de design, o único da empresa, ele é responsável por toda a ‘cara’ do Twitter.


Apesar da pouca idade, tudo indica que ele vai dar conta do recado, porque seu talento é mesmo precoce.


Logo que começou a se interessar por tecnologia, criou um site de relacionamentos para os amigos do colégio. Detalhe: isso foi em 2002, dois anos antes de surgir o Orkut.


‘Com a grande repercussão, vi que realmente poderia construir coisas interessantes’, conta. A partir daí, o então adolescente criou um estúdio de design e começou a engordar o portfólio, inclusive com clientes internacionais -tudo isso por conta própria, sem padrinhos nem cursos.


Vitor é autodidata. Ele até entrou em uma faculdade de design, mas logo desistiu dela. Achava que aprendia mais trabalhando.


‘Foi uma das melhores decisões que tomei até hoje. Pude aprender muito mais na prática e progredir em minha carreira de maneira mais acelerada.’


Aplicativo = emprego


Aos 18, veio seu primeiro emprego, e já foi em um site de peso: contratado pelo portal Globo.com, ele fazia aplicativos para o site do Big Brother Brasil. Daí foi para o Yahoo! Brasil, e foi enquanto trabalhava lá que surgiu o inesperado convite do chefão do Twitter.


Williams viu e adorou o despretensioso FoodFeed (foodfeed.us), aplicativo que Vitor havia criado por conta própria para o Twitter.


O programa é todo bonitinho, mas, como o próprio Vitor admite, não tem muita utilidade: sua função é permitir que os usuários postem o que estão comendo -e, assim, é possível fazer uma busca e achar pessoas que estejam comendo alguma coisa específica (feijoada, por exemplo).


Útil ou não, o aplicativo acabou servindo para Vitor arrumar um belo emprego. Só para se ter uma ideia, um dos diretores do brasileiro será Douglas Bowman, simplesmente o designer que inventou a cara do Google -a quem Vitor já chama de ‘Doug’.


‘Ele sempre foi uma grande inspiração para mim e ainda é difícil acreditar que estamos trabalhando juntos’, diz ele, que viajou no último dia 15 para morar em San Francisco.


O designer deixou por aqui seus pais e a namorada, que mais tarde irá morar com ele nos Estados Unidos.


Ele diz que trabalhar no Twitter é divertido, mas não revela quanto ganha por lá. Conta apenas que o escritório da empresa é um loft com café da manhã todos os dias, ótimos petiscos e sessão de filmes todas as sextas-feiras.’


 


 


Juliana Cunha


Eu também vou reclamar!


‘Eles vivem no Camboja, um dos países mais corruptos do mundo, que enfrentou anos de guerra civil e de golpes de Estado e onde um terço da população ganha menos de R$ 1,50 por dia.


Liderados pelo escritor e fotógrafo Bun Tharum, 26, eles são os chamados ‘cloggers’ -jovens blogueiros cambojanos que têm conseguido, mesmo com conexões lentas e equipamentos limitados, dar alguma voz a uma população acostumada a ter suas discussões políticas restritas ao lar.


‘O Camboja é um país muito conservador. Aqui, as pessoas, principalmente as mulheres, precisam de uma oportunidade para discutirem as coisas e os seus sentimentos’, disse a blogueira Sreng Nearirath, 22, em entrevista ao techradar.com.


Seu blog -My World vs. Real Scary World (blackandwhiter.blogspot.com)- é um dos mais conhecidos, na contramão do cenário tecnológico dominado por homens.


Blogando com medo


Outra garota que se destaca é Chak Sopheap, 24, tida como a blogueira mais polêmica do país, até porque é uma das únicas a tratar de questões como corrupção e direitos das mulheres em um blog não anônimo (sopheapfocus.com).


O medo de represálias faz com que a maior parte dos blogs políticos do país seja anônima, como o popular detailsaresketchy.wordpress.com.


Até o momento, não há registro de repressão por parte do governo, mas os ‘cloggers’ temem que isso comece a ocorrer à medida que o acesso aos blogs aumente -hoje, menos de 2% dos cambojanos possuem banda larga e computador pessoal.


A prisão política de blogueiros já é uma realidade em vizinhos como a Tailândia.


Como a maior parte dos cambojanos não tem acesso à rede, a influência política dos ‘cloggers’ ainda é reduzida. Para Sopheap, o episódio em que ela se mostrou mais forte foi em 2007, quando os blogueiros apoiaram a Revolução Açafrão contra a ditadura de Mianmar e denunciaram o apoio do Camboja ao regime.


‘Diversos blogs postaram sobre o assunto, que estava sendo praticamente ignorado pela imprensa. Foi um exemplo de mobilização para garantirmos nosso direito à informação’, disse, em entrevista à Folha.


Os ‘cloggers’ também se fazem notar no mundo real por meio de conferências que incluem convidados internacionais. Nelas, aproveitam para dar oficinas que ensinam a usar ferramentas como podcasts, blogs e redes sociais. Existe, também, um grupo de voluntários que visita universidades e ensina estudantes a postarem.’


 


 


 


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