Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > CELEBRIDADES

Lei anti-paparazzi estréia na Califórnia

05/01/2006 na edição 362

Eles escalam muros, escondem-se em arbustos, acampam em seus carros. Vale tudo por uma foto. Vale mesmo? Na Califórnia valia, até 1º de janeiro último, quando entrou em vigor nova lei que penaliza fotógrafos que passam dos limites. Entenda-se passar dos limites forçar a câmera contra um rosto famoso ou bater seu carro contra o veículo de uma celebridade, por exemplo.


‘Agora os paparazzi irão pensar duas vezes antes de perseguir uma celebridade na Califórnia’, afirma a congressista Cindy Montanez, autora do projeto que foi assinado como lei em outubro pelo governador Arnold Schwarzenegger – o ex-ator já sentiu na pele os problemas que podem ser causados por estes fotógrafos quando certa vez, ao buscar seus filhos na escola com sua mulher, teve seu carro cercado por eles.


A nova lei foi inspirada por uma série de perseguições a carros de celebridades no último ano, afirma Cindy. Em maio, um fotógrafo bateu no carro da atriz Lindsay Lohan em Los Angeles. Em agosto, a atriz Scarlett Johansson esteve envolvida em um pequeno acidente no estacionamento da Disneylândia após ser perseguida por paparazzi, e a atriz Reese Whitherspoon afirmou que fotógrafos tentaram tirá-la de uma estrada em abril. Nenhum destes incidentes gerou alguma acusação criminal.


Money, money, money


Mas por que estes fotógrafos exageram tanto? A resposta é simples. Vale se arriscar por uma foto porque ela vale milhares e milhares de dólares. As revistas de fofocas compram as imagens porque o público as consome.


Desta forma, quanto mais exclusiva a foto, maior o pagamento. Cliques do casal de atores Ben Affleck e Jennifer Garner com seu bebê, por exemplo, podem chegar a valer US$ 500 mil. Imagens pouco exclusivas de famosos interessantes podem render pelo menos US$ 10 mil.


Com isso, a competição se tornou incontrolável. Segundo Jim Ruymen, fotógrafo em Los Angeles há 30 anos que trabalha como ‘fotojornalista de dia e paparazzo à noite’, este tipo de fotografia sempre teve um caráter intrusivo, mas o aumento da competição fez com que as táticas se tornassem mais extremas. ‘Pode haver de 15 a 20 carros do lado de fora da casa de alguém esperando que esta pessoa saia para que seja perseguida por eles’, afirma. ‘Parte de ser paparazzi é que você realmente precisa não ter consciência’.


Jornalismo em risco?


Há receio de que a nova lei, mesmo que voltada aos paparazzi, possa vir a prejudicar também jornais e outros veículos de mídia, alerta o conselheiro legal da Associação de Editoras de Jornais da Califórnia, Jim Ewert. ‘Esta lei dá às celebridades a habilidade de reprimir um fotógrafo e, potencialmente, uma matéria [que resulta da fotografia] com um processo frívolo, em uma tentativa de evitar que o público seja informado’.


Quanto a isso, Cindy insiste que a lei é colocada de uma maneira que não infrinja os direitos dos jornalistas. ‘Isso é sobre paparazzi que esperam e caçam as celebridades até que as peguem em um estado comprometedor. Eles têm comportamento agressivo, e nós não podemos corroborar isso’, conclui. Informações da AP [30/12/05].

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