Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Leila Reis

26/07/2005 na edição 339

‘Órfãs da indústria fonográfica, as emissoras de TV encontram novos caminhos. A música brasileira está recuperando território na TV, como fica evidente na programação de sábado. Durante a tarde pelo menos quatro canais garantem audiência à custa da MPB ao mesmo tempo: Bem Brasil, na TV Cultura, Fama, na Globo, Programa Raul Gil, na Record, e Sabadaço, na Bandeirantes.

Há uma semana, Ivan Lins cantava na Cultura, enquanto Zélia Duncan dava uma canja para os concorrentes do Fama e calouros disputavam uma chance ao estrelato na Record. Na Bandeirantes, a dupla Bruno e Marrone abrilhantava o Sabadaço pouco antes da entrada de grupos como Calipso ou É o Tchan, que Gilberto Barros reverencia toda semana e lhe garante lugar entre os mais vistos da casa.

Vocação de sábado ou não, o fato é que outras atrações musicais se alojam na programação. A música de raízes rurais do Viola Minha Viola, de Inezita Barroso (que está entre os cinco programas mais vistos da Cultura), entra em horário nobre. A RedeTV! reedita o arcaico Almoço com os Artistas, enquanto Luciano Huck apresenta algum artista antes de Angélica chamar os aspirantes à fama. E Sergio Groisman intercala o papo-cabeça com a platéia jovem com um show de qualidade. No domingo, Gugu e Faustão também contribuem com sua parcela musical.

A movimentação na TV Cultura adiciona mais ritmo à programação. O Festival da Nova Música, dirigido por Solano Ribeiro, já aparece durante a semana com especiais e trechos dos classificados. Rolando Boldrin acaba de voltar ao vídeo com o Sr. Brasil, misturando ‘causos’ e música rural nos moldes do Som Brasil, que apresentou na Globo há décadas.

Essas iniciativas vêm, de certa maneira, remediar o deserto musical que se instalou nas emissoras quando a indústria fonográfica naufragou. Novas tecnologias e pirataria acabaram enterrando os grandes impérios formados com dinheiro dos discos. Como era essa indústria que pagava a conta, a música sumiu do vídeo. Ao que parece, só agora as emissoras descobrem o caminho de outras formas de viabilização.

Independentemente do julgamento do tipo de música que entra no vídeo – a diversidade é essencial para atender a todos os públicos de um veículo de massa – esse é um movimento saudável.

P rimeiro, porque o Brasil é extremamente musical. Não é à toa que os momentos áureos da TV são pontuados pela música: festivais, Jovem Guarda, O Fino da Bossa, Esta Noite se Improvisa, Brasil Pandeiro, A Arca de Noé, Time Square, Buzina do Chacrinha, especiais da Bandeirantes, etc.

Existe uma riqueza musical e muito talento em todo o território nacional em busca de canais para se expressar. É essa efervescência latente que, aos poucos, forçou a porta da televisão delineando um quadro diferente de um ano atrás. E, como a concorrência se nutre de resultados, é bem capaz que esse filão seja explorado também pelas emissoras que ainda não se mexeram.

No final das contas, ao investir na produção nacional em vez de importar, a TV cria a oportunidade de ser mais generosa com quem a sustenta.’



TV INDÍGENA
Tela Viva News

‘Estréia na próxima semana a TV Indígena’, copyright TELA VIVA News, 21/7/05

‘O secretário do audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, participou nesta quinta, 21, da gravação do programa de estréia da TV Indígena, que vai ao ar na próxima terça-feira, dia 26, às 21h, no canal 21 da Mais TV. Ele foi entrevistado pela índia Airi Gavião, da tribo Caiapó Gavião, e pela angolana Marisol, descendente das tribos do Kwanza, norte de Angola.

Em filmagem realizada pelo cinegrafista Airoá Meinalo, índio do Alto Xingú premiado em dois festivais do Japão, o secretário falou sobre a importância do canal indígena, que para ele vai trazer benefícios tanto para o índio como para o branco. A TV Indígena é uma parceria da Fundação Raoni com a ONG União Planetária.’



ZORRA TOTAL
Consultor Jurídico

‘Zorra Total deve ser exibido depois das 21h no Acre’, copyright Consultor Jurídico, 22/7/05

‘Para a Procuradoria Regional da República da 1ª Região, o programa de humor ‘Zorra Total’ só pode ser exibido no estado do Acre depois das 9 da noite. O órgão emitiu parecer opinando pela improcedência dos recursos apresentados pela TV Globo e pela Rádio TV do Amazonas – TV Acre contra decisão da primeira instância que ordenou o ajuste da programação diária das emissoras para que o programa ‘Zorra Total’ passe a ser exibido no Acre a partir das 21h do horário local.

A Ação Civil Pública foi movida pelo Ministério Público Federal. Por causa da diferença do fuso horário, o programa é exibido no estado às 19h. Segundo o MPF, o horário estaria em desacordo com a Portaria 796/2000 do Ministério da Justiça.

No recurso apresentado, a TV Globo pede a nulidade da sentença, alegando questões processuais. Sobre a decisão, a emissora argumenta que falta comprovação do nexo de causalidade entre sua conduta e o dano sofrido pela sociedade. A informação é do Ministério Público Federal.

A TV Acre, por sua vez, alega que a restrição de horário de exibição é uma forma de censura e que o artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que dispõe sobre a aplicação de multa, é inconstitucional. Além disso, a TV Acre sustenta que não existe sanção prevista para a desobediência da Portaria do Ministério da Justiça.

O procurador regional da República, Renato Brill de Góes, alerta para a existência de conflito entre os princípios constitucionais da liberdade de expressão e da moralidade pública. Ele ressalta que a programação das emissoras de rádio e de televisão devem respeitar, dentre outros princípios, os valores éticos e sociais da pessoa e da família, conforme previsto no inciso IV do artigo 221 da Constituição Federal.

O procurador destaca que cabe à União, como representante do Estado, legislar sobre as telecomunicações, nos termos do inciso IV artigo 22 da CF, e que o Estatuto da Criança e do Adolescente e a portaria do Ministério da Justiça são a regulamentação da programação das emissoras de rádio e televisão.

No parecer, o procurador Renato Brill descaracteriza as limitações impostas como tentativa de censura e pontua que a própria TV Globo ‘já cumpre espontaneamente as disposições da Portaria ora atacada, exibindo seus programas no horário por ela delimitado nos Estados em que o horário é o oficial de Brasília’.

Para o procurador, ‘por questão de isonomia, não haveria porquê dar tratamento diverso à comunidade do Acre, ou de qualquer outro estado sujeito ao fuso horário, fazendo com que programas os quais assume serem inadequados para determinadas localidades, sejam exibidos em outras’.

O parecer da Procuradoria Regional da República da 1ª Região foi encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.’



TV DIGITAL
Antonio Brasil

‘Ministro ‘global’ decide a TV digital’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 22/7/05

‘A rima pode ser pobre, mas a essência é verdadeira. Em tempos de escândalos políticos graves, com um governo fraco, totalmente à deriva, mais uma vez, o ministério das Comunicações está nas mãos da Rede Globo. Em outros tempos, sempre em momentos de decisão, quando também era necessário defender interesses estratégicos – defenestrar a incômoda NEC do Brasil, por exemplo – outro ministro ‘global’, o velho ACM foi convocado para dirigir as Comunicações. Trabalhou bem e recebeu como prêmio algo mais precioso do que qualquer ‘mensalão’ ou concessão de TV. Na época, ACM recebeu, de mão beijada, a concessão da programação da Globo na Bahia. Lembram? Mais um dos muitos escândalos brasileiros que se perdem no passado.

Hoje, também estamos diante de decisões estratégicas para o futuro da TV em nosso país. Dentro de alguns meses, o todo-poderoso ministro das Comunicações vai bater o martelo para decidir o novo padrão digital da TV brasileira. Fomos convencidos pela própria mídia de que se trata de questão urgente, prioritária e inevitável! E não é mera coincidência que nesse exato momento o governo Lula, sob pressão de políticos e interesses poderosos, tenha escolhido o senador mineiro Hélio Costa para o ministro das Comunicações. Mera coincidência conveniente?

Ex-discreto jornalista da Voz da América, foi ‘catapultado’ à posição de correspondente internacional logo nos primeiros anos do Fantástico. Hélio Costa substituiu a talentosa, porém turbulenta e encrenqueira Cidinha Campos. Na época, foi retratado pelos nossos humoristas de plantão como ‘Nélio de Costas’. Aparecia sempre de costas nas entrevistas, mas também fazia questão de incluir seus próprios ‘contra-planos’ – suas perguntas frente às câmeras nas reportagens americanas compradas pela Globo.

Bom político, logo se tornou chefe do bureau da Globo em NY. Ficou famoso e ganhou uma concessão de rádio em Barbacena, sua cidade natal. Sempre com a ajuda da Globo, foi eleito para diversos cargos políticos. Muito ambicioso, tentou ser eleito governador de Minas, mas perdeu. Agora, em meio à derrocada petista, ganhou um lugar ao sol. Discretamente, se tornou Ministro das Comunicações. Quem sabe, em breve, volte a se candidatar. Com o apoio dos nossos ‘radiodifusores’, pode ser governador. Com o apoio da Globo, poder ser o nosso próximo presidente. Depois não digam que eu não avisei. Hélio Costa sempre foi um fiel defensor dos interesses da Globo e não é a toa que chegou onde chegou e está onde está nesse exato momento.

Manchetes digitais

As últimas manchetes na imprensa confirmam uma trajetória política bem planejada. Confirmam uma comunhão de interesses com os radiodifusores brasileiros em momento estratégico para o futuro da TV brasileira: ‘Costa descarta TV Digital brasileira’, ‘TV digital fica sem padrão brasileiro’, ‘Ministério descarta criação de sistema nacional de TV digital’, ‘Costa: é impossível criar padrão brasileiro de TV digital’, ‘Hélio Costa diz que Brasil terá ‘modelo’ e não ‘padrão’ próprio para TV digital’, ‘Universidades pedem a Costa continuidade das pesquisas’, ‘Implantação da TV digital no Brasil pode levar 10 anos, diz ministro das Comunicações’.

Mas a melhor de todas as manchetes foi publicada pelo velho e irreverente Estadão,

‘Jabuticaba digital’ – O Brasil finalmente está desistindo do sistema próprio de TV Digital, um sonho fora de propósito acalentado até agora pelo governo Lula, que na prática traria de volta a reserva de mercado, velha de guerra’.

O artigo também analisa o desperdício:

‘Perda de tempo e dinheiro

Como tanta coisa no governo Lula, comissões e equipes de trabalho gastaram horas em discussões para, dois anos e meio depois, concluírem o que já se sabia: que euforia e delírio só podem ser consumidos no momento adequado e na dose certa.’

A ‘roda’ digital

Mas na hora certa, ou seja, assim que assumiu, Hélio Costa fez questão de descartar o projeto ‘brancaleônico’ de um padrão de TV digital brasileiro: ‘Não vamos reinventar a roda’. Para o ministro, o importante é ‘não deixar acontecer o que aconteceu com o chamado PAL-M, sistema brasileiro que era incompatível com o do resto do mundo, causando transtornos aos usuários de videocassetes (sic).’

Por coincidência, essa também é a posição da Rede Globo. Os engenheiros do Jardim Botânico não querem nem ouvir falar de um novo sistema que se assemelhe às aventuras do padrão de cores somente para brasileiros, o Pal-M: Pal significa o sistema de cor europeu, M… Não precisa traduzir.

Mas alguns leitores podem dizer que tudo isso não passa de mais uma mera coincidência. Das tantas que têm acontecido no Brasil nos últimos dias. Mas também pode ser ‘coisas’ de um governo petista em crise que obviamente não deseja criar novos problemas e incomodar os interesses da Globo. Por enquanto, em meio a tantas denúncias, um gigante adormecido, mas não menos ‘perigoso’.

Nesse momento ‘delicado’ do projeto petista, faz-se qualquer negócio para evitar uma campanha televisiva pelo impeachment – no estilo caras pintadas globais – e garantir pelo menos a ‘sobrevivência’ do governo até o final do mandato. – Mas e a reeleição? – Difícil. Quase impossível! Porém, no Brasil, tudo é possível!

Para sobreviver e pela tal governabilidade, alguns ministérios importantes foram oferecidos a partidos políticos do resto da base governista. O das Comunicações, no entanto, ficou com o partido político mais poderoso do Brasil: o partido da Globo.

Mas o novo ministro é ambicioso, não quer problemas e precisa de aliados. Esta semana, o ministro global fez questão de explicar seus planos para milhares de pesquisadores brasileiros que se reuniam em Campinas. Em outros tempos, proferiu uma ‘pérola’ sobre a educação no Brasil e principalmente em relação aos professores de jornalismo: ‘Bem sabemos que quem sabe faz. Quem não sabe, ensina’. (Ver coluna sobre o ensino de jornalismo).

Mas os nossos pesquisadores não podem se dar ao luxo de contrariar ministros que garantem recursos milionários. Querem continuar a gastar de qualquer maneira – com ou sem padrão digital brasileiro – cerca de 65 milhões, vou repetir, 65 milhões das preciosas verbas de um governo em crise. A explicação é simples. Se não podem mais reinventar a própria roda, querem, pelo menos, reinventar qualquer coisa: os pneus, as calotas ou até mesmo do espelhinho retrovisor da ‘roda’ digital brasileira.

A preocupação dos pesquisadores brasileiros é evidente. Não se pode perder tanto dinheiro – ainda por cima, dinheiro do governo – assim de uma hora para outra. Com tanto publicitário financiando políticos corruptos, por que não financiar a reinvenção, quero dizer, a reengenharia de qualquer coisa?

TVs e indústria não bancam a TV digital

Não tenho nada contra a pesquisa de padrões, sistemas, modelos ou qualquer outra coisa para essa tal TV digital brasileira. Tem muito especialista ou pesquisador provinciano de universidade pública ou privada desinformado que nunca saiu do Brasil que não consegue viver sem mais uma ‘boquinha’ do governo.

A maioria desses pesquisadores depende exclusivamente de verbas públicas. Não consigo entender por que não conseguem e nem tentam convencer os principais interessados pela implantação de uma TV digital no Brasil: a indústria eletrônica e as grandes empresas de radiodifusão brasileiras. São todas empresas essencialmente comerciais, altamente lucrativas que não contribuem em nada para a educação ou para a melhoria do povo brasileiro. Mais uma vez insistem que a viúva tem a obrigação que financiar essa ‘aventura’ digital.

Insisto: por que tem que ser o governo com o nosso dinheiro e não a iniciativa privada – os únicos grandes beneficiários da TV digital – a bancar custos milionários de sua implantação. Televisão no Brasil é um meio em regime de quase monopólio, controle de informação através de um único telejornal e dedicado essencialmente ao ‘entretenimento’. Na falta de pão, um ‘circo eletrônico’ com excesso de baixarias.

E já que estamos em tempos de denúncias, de combate à corrupção, talvez devêssemos nos perguntar qual o sentido de financiarmos a implantação de uma TV digital com a mesma programação de sempre? Não acredito que a implantação da TV digital no Brasil seja mesmo urgente e ‘inevitável’. Mas se for, que seja bancada pelas empresas que tanto lucram e que só se lembram do governo em campanhas eleitorais ou em tempos de crise financeira. TV digital no Brasil não deveria ser bancada pelo povo brasileiro. Já somos contemplados com uma programação de péssima qualidade, com um excesso de telenovelas e Ratinhos. Querem gastar milhões para transformar as baixarias analógicas em baixarias digitais.

Padrão digital

Mas apesar dos argumentos lógicos, em diversas entrevistas, o ministro Hélio Costa já deu uma dica sobre a sua decisão. Apesar de todos os gastos com pesquisas em nossas melhores universidades públicas, pelo jeito, a decisão já foi tomada no Jardim Botânico. Há somente três padrões de TV digitais no mundo. Costa já descartou o americano. Sobraram dois: o europeu e o japonês. Durante o último Simpósio Internacional de TV Digital realizado no Rio de Janeiro no dia 17 de junho, os representantes da Engenharia da Globo deixaram bem claro, sem meias-palavras, que apoiavam o padrão japonês. E-diretor da Globo, Hélio Costa assumiu o ministério das Comunicações logo após. Agora, vocês ainda querem apostar qual será o próximo padrão da TV digital brasileira? Quem acertar, ganha um mensalão, um jipinho importado ou pelo menos uma cueca tamanho PT.

A ‘viúva’ banca tudo

Não considero o investimento em TV no Brasil, digital ou analógica, questão prioritária ou estratégica para o governo. Para qualquer governo. O investimento para essa transição que muitos consideram inevitável deveria ser bancado pelos principais interessados: empresas de radiodifusão e indústria eletrônica. Estratégico e prioritário no Brasil é ‘comida’ e emprego. Não deveríamos gastar recursos limitadíssimos de um governo à beira de um ataque de nervos – nosso dinheiro – para facilitar a vida de empresas privadas milionárias. Querem uma TV digital no Brasil, as nossas TVs, as mesmas que receberão as concessões que deveriam bancar a sua implantação.

Em outra época, os governos militares gastaram uma fortuna para conceder as TVs brasileiras e principalmente a Globo, o privilégio duvidoso de criar o atual sistema de rede, a Embratel. O governo, com o nosso dinheiro, bancou o sistema de rede que criaria esse mostrengo perigoso: o Jornal Nacional, o jornal que elege e derruba presidentes.

Anos depois, privatizamos essa mesma rede, a estratégica Embratel, a qualquer preço para empresas corruptas e falidas americanas. Agora, os tais ‘pesquisadores brasileiros’ aliados a essas mesmas empresas de radiodifusão pressionam o ministro global para que o governo banque a implantação da TV digital. Afinal, bem sabemos que, no Brasil, somente a viúva, o governo, financia qualquer tipo de pesquisa. Não cobra resultados e mantém sempre os mesmos privilégios.

Por uma TV ‘de pés descalços’

Em vez de reinventar a roda, deveríamos investir em pesquisas de conteúdo televisivo. É muito mais barato e garante empregos para gente talentosa que sabe fazer televisão. Mas a nossa engenharia de padrões de qualidade e reservas de mercado, mesmo nas universidades, ainda domina o setor e concentra todos os recursos. Sonham sempre com projetos mirabolantes e caros. Reinventam qualquer coisa com a chancela nacionalista. Quem os critica é imediatamente taxado de agente do imperialismo americano, ‘entreguista’. Gastam muito em pesquisas caras e inúteis. Não sobra nada para desenvolver outros projetos menos ambiciosos, porém muito mais efetivos e revolucionários como a implantação de milhares de TVs comunitárias pela Internet. Esse tipo de projeto que nos conduziria a uma produção televisiva mais democrática, diversificada e criativa, uma espécie de ‘TV de pés descalços’ não interessa aos nossos radiodifusores. Não garante bilhões dos cofres do governo direto para manter privilégios em mais uma nova aventura digital.

Futurologia: Nos EUA, Blogs desbancam as TVs – No Brasil, a Globo decide! Não sou o único que acredita que no poder de uma TVlog, uma TV na Internet. Esta semana, nos EUA, mega empresas como a Microsoft e a Motorola anunciaram a extensão de sua parceria para o mercado de IPTV – Internet Protocol TV. Estão apostando alto num modelo diferenciado de TV que privilegia a quantidade, a diversidade de conteúdos, com milhões de alternativas de baixo custo para um novo publico televisivo internético. Para isso, ao contrário dos nossos pesquisadores com verbas exclusivas do governo e que bancam o atual modelo de TV brasileiro, essas grandes empresas já trabalham para uma integração total de seus softwares e hardwares na rede. Sabem que o futuro da TV, analógica ou digital, está condenado.

Pelo jeito, os responsáveis pela Micrsoft e Motorola andaram prestando atenção às previsões de um dos mais importantes ‘futurólogos’ americanos da atualidade, George Gilder. Autor de inúmeros livros sobre o futuro das mídias, esta semana Gilberto foi o principal palestrante da conferência AlwaysOn, realizada na Universidade de Stanford. Para espanto de muitos na platéia e na Internet, fez questão de dizer que ‘a TV está morrendo rapidamente, assim como Hollywood. Essas indústrias são alimentadas pela escassez. Há somente alguns poucos canais disponíveis e a TV foi uma tecnologia inventada por’ tiranos ‘O atual modelo televisivo é sustentado pela publicidade, nos anúncios de 30 segundos e esse modelo entrou em colapso’. Gilder tocou na ferida e citou as novas tecnologias que gravam a programação em uma espécie de computador que elimina os comerciais: ‘Ninguém mais vai ter que assistir a comerciais. A não ser que queiram, é claro’.

Mas, no final de sua palestra, em um tom otimista, George Gilder, que há muitos anos anunciou o advento dos ‘teleputers’, híbridos de computadores e TVs, fez questão de valorizar as tecnologias do passado e do futuro: ‘A cultura dos livros e dos blogs podem salvar a nossa civilização’.

E no Brasil? Qual será o futuro das nossas TVs? Isso depende. Como sempre, na última hora, a Globo decide.’

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