Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ENTRE ASPAS > MICHAEL JACKSON

Luciana Coelho

08/02/2005 na edição 315

‘O cantor Michael Jackson, que está sendo julgado sob acusação de molestar sexualmente um menino, diz ter recebido ‘o sorriso de aprovação de Deus’ e que a celebridade faz dele um ‘alvo’.

As declarações foram feitas à Fox News e divulgadas pela rede ontem. Na entrevista, programada para ir ao ar hoje, o astro compara o que faz com a compra de carros e aviões. ‘Outros homens têm Ferraris, aviões, helicópteros ou o que lhes dê prazer. Eu tenho prazer em presentear, dividir e divertir-me de forma inocente.’

O caso na Justiça veio à tona em 2003, em um documentário no qual o cantor surge de mãos dadas com sua suposta vítima, um menino de 13 anos. O julgamento começou segunda-feira. Ao todo, Jackson responde a dez acusações -a mais grave, cometer atos libidinosos contra um menor. Ele se diz inocente. ‘Quanto mais famoso o astro, maior o alvo. De certo modo, tornei-me imune. Muita coisa machuca, mas sou forte.’

Jackson disse ter construído o rancho onde vive para fazer coisas que nunca fez na infância. ‘Acho que recebi o sorriso de aprovação de Deus, pois estou fazendo algo que traz alegria a outras pessoas.’

O site The Smoking Gun (www.thesmokinggun.com) divulgou trechos de um suposto acordo do cantor com sua ex-mulher, Debbie Rowe, que a proíbe de falar sobre a vida sexual do casal. Rowe é a mãe de dois dos três filhos de Jackson. O acordo foi assinado em 1999, diz o site, e determina ainda que Rowe não veja os filhos.’



O Estado de S. Paulo

‘Fama motivou acusações, diz Jackson a emissora de TV’, copyright O Estado de S. Paulo, 5/2/05

‘O cantor Michael Jackson afirmou numa entrevista que será veiculada hoje pela rede americana Fox News que sua fama motivou as acusações de abuso sexual de que é alvo. ‘Quanto maior a estrela, maior é o alvo’, disse ele à emissora há duas semanas. ‘A verdade triunfa sempre. Creio nisso.’

Jackson afirmou que ‘conta com a aprovação de Deus’ para levar crianças e jovens a seu rancho, já que lá faz ‘algo que traz a felicidade para outras pessoas’.

‘Criei Neverland como refúgio para mim e meus filhos. Isso me dava a oportunidade de fazer o que não pude quando pequeno. Estávamos todo o tempo em turnê, trabalhando duro’, disse Jackson, que, quando criança, integrava o grupo Jackson Five com seus irmãos. ‘Outras pessoas têm Ferrari ou aviões. Tudo o que é necessário para sua felicidade. Minha felicidade está em conceder e compartilhar diversões simples e inocentes.’

Em relação às informações que são publicadas sobre ele, Jackson disse que ‘é como ver ficção científica. Não são corretas’.

Por decisão da Justiça, ele está proibido de se referir diretamente ao caso pelo qual está sendo julgado desde o dia 31. É acusado de ter abusado sexualmente de um jovem, hoje com 13 anos, que sofria de câncer em 2003, em seu rancho.’



CHICO NA DIRECTV
Artur Xexéo

‘Um Chico Buarque sem pé nem cabeça’, copyright O Globo, 2/2/05

‘É meio decepcionante o especial ‘Meu caro amigo’, com Chico Buarque, que a DirecTV está exibindo. Ou melhor: é muito decepcionante. Vendido com fanfarras e declarações bombásticas de seu diretor, Roberto Oliveira, o programa não diz a que veio. Deu saudades dos velhos especiais com Chico que a Bandeirantes apresentava todo fim de ano na década de 70.

Com 60 minutos de duração, ‘Meu caro amigo’ segue três caminhos: imagens do Rio de Janeiro (este seria o primeiro de uma série de três programas, cada um dedicado a uma cidade importante na vida de Chico. Depois do Rio, viriam Roma e Paris); uma entrevista inédita com o compositor; e cenas do arquivo da Bandeirantes, justamente as dos programas de fim de ano que Chico comandava na emissora (para este primeiro episódio, supostamente sobre as parcerias do homenageado, as imagens procuram ilustrar justamente Chico com seus parceiros). Os três caminhos são frustrados.

As imagens do Rio — captadas em high-definition , como diz com orgulho o diretor no making of do programa, também exibido pela DirecTV — não fariam feio num audiovisual publicitário da Embratur. O Cristo, o Maracanã, a praia… Se bem que a Embratur, certamente, tomaria o cuidado de não deixar aparecer a sombra do helicóptero ao colher as tais imagens, o que não aconteceu com a DirecTV. Mas, num programa de televisão, elas soam como o mais banal dos clichês. E não fazem nenhum sentido. Não há nada no programa que ligue o Rio às composições de Chico. Na entrevista, Chico também não faz nenhuma referência à cidade. Aliás, na única vez em que fala de alguma cidade na entrevista ela é Roma, onde foi composta ‘Samba de Orly’. Assim, as tais imagens servem só para tapar buraco, para completar os 60 minutos de duração do programa.

A entrevista também não é reveladora. No making of, Oliveira diz que o programa apresenta ‘Chico revisitando sua obra, contextualizando e usando ( a obra ) como referência para falar do futuro e do presente’. Se isso aconteceu, ficou na sala de edição. Chico fala muito pouco. Quase sempre sobre assuntos que justifiquem a inclusão de imagens colhidas no arquivo. Por exemplo, de toda a sua extensa obra, Chico só fala de duas no programa: ‘Pois é’ e ‘Maninha’. ‘Pois é’ até se justifica: é uma parceria sua com Tom Jobim (é um program sobre as parcerias de Chico, lembra?). Mas ‘Maninha’? Por que cargas d’água o entrevistador perde tempo pedindo para Chico falar de uma composição que ele fez sozinho? Só há uma explicação: é que no arquivo havia uma boa imagem de Chico cantando ‘Maninha’ com Miúcha.

‘Pois é’ é um dos grandes momentos do programa. Chico canta a música com Elis Regina. Mas aí vai outro problema. ‘Meu caro amigo’ nunca informa a situação daquelas imagens. De vez em quando surge uma data — quando Edu Lobo aparece, o ano 1993 está num cantinho do vídeo — mas quase sempre o espectador fica boiando. Em que situação Elis e Chico se encontraram? Um dos trechos mostra Toquinho falando em castelhano para uma platéia supostamente estrangeira antes de cantar ‘Samba para Vinicius’ com Chico. Mas Toquinho nunca é apresentado pelo programa e o espectador fica sem saber por que ele está ali. Fica sem saber também onde ele está. Fica sem saber quando foi isso. A aparição de Toquinho serve só para ilustrar a parceria de Chico com Vinicius de Moraes! Não há uma referência sequer ao fato de Toquinho ter sido o primeiro parceiro de Chico. E isso num programa sobre as parcerias do compositor!

Jornalisticamente, ‘Meu caro amigo’ é um desastre. No fim, há um clipe de ‘Paratodos’ em que aparecem Tom Jobim, Dorival Caymmi, Djavan e uma quase adolescente Daniela Mercury — bem, acho que era Daniela Mercury, o programa não diz quem é. Quando? Como? Onde? Por quê? E — no caso de Daniela — quem?

Grande parte dos 60 minutos são gastos com um encontro entre Chico e Dorival Caymmi (outra grande parte é gasta com um quase interminável encontro ente Chico, Djavan e Gal Costa). Eles cantam juntos uma música enoooooooorme, ensaiam outra, cantam juntos a que ensaiaram. Sem cortes, sem edição. Tudo devia fazer sentido no especial dos anos 70 em que Chico recebia Caymmi. Mas agora só serve para que o espectador tenha de novo aquela sensação de que o arquivo está sendo usado de qualquer jeito, só para tapar buraco. Pior: apesar da relevância de se assistir a um encontro entre Chico e Caymmi, o que este encontro está fazendo no programa? Não é um programa sobre os parceiros de Chico Buarque? Mas Dorival Caymmi nunca foi parceiro de Chico!

Para não dizer que não se salva nada, logo no início Chico canta ‘Renata Maria’, a já mítica canção que compôs com Ivan Lins. Para quem não quiser esperar o disco de Leila Pinheiro sair…

Roberto Oliveira tinha mesmo um material de arquivo sensacional. Mas o utilizou de forma improvisada e quase amadora. Do jeito que ficou, era melhor simplesmente reprisar os velhos especiais da Bandeirantes. Aí, sim, Elis, Toquinho, Caymmi apareceriam de forma contextualizada. No making of, ele diz que o programa ‘vai ser uma referência histórica importante sempre que se falar de música brasileira daqui para frente’. Pobres pesquisadores do futuro.’



MENUDO
Paula Autran

‘Febre do Menudo dá sinais de voltar’, copyright O Globo, 3/2/05

‘Erradicada há pelo menos 15 anos, uma epidemia ameaça voltar ao Brasil. A febre do Menudo, que acometeu adolescentes na década de 80 com sintomas como histeria e desmaios, já começa a dar sinais de recaída em antigas infectadas com a chegada, ontem, de ex-integrantes do conjunto porto-riquenho responsável por mexer com hormônios adolescentes até 1992, quando deu seu último suspiro. Mas, a despeito de qualquer calafrio que a turnê ‘Menudo The reunion tour’ — com os jovens senhores Roy Rossello, prestes a completar 34 anos; Raymond Acevedo, de 32; Ruben Gómez, 29; Andrés Blazquez, 27; e Sergio Blass, 26 — ainda possa causar, o perigo maior está por vir: uma nova versão do grupo infantil será formada a partir de um reality show que está sendo preparado para entrar no ar no ano que vem.

Novo grupo vai ter participante brasileiro

— O programa vai ajudar a escolher os cinco novos integrantes, de diversas partes do mundo. A idéia é que ele tenha um integrante brasileiro, um mexicano, um porto-riquenho, um americano e outro latino, todos entre 10 e 16 anos. E nós, ex-Menudos, vamos ser os jurados — adiantou, por telefone, de Porto Rico, Roy, o mais conhecido entre as ex-fãs brasileiras, hoje balzaquianas.

Menudo (‘Miúdo’, em espanhol) é uma bem-sucedida marca criada em 1977 pelo empresário porto-riquenho Edgardo Díaz, dono da Padosa, então responsável pelo passe dos cinco adolescentes que formavam o grupo. A idéia de Edgardo — que formou a primeira versão do conjunto com três primos e dois vizinhos — era substituir os integrantes que completavam 17 anos e mudavam de voz por outros mais novos. Assim, por 15 anos, ele conseguiu garantir a ‘eterna’ juventude do Menudo. Entre 1978 e 1992, mais de 30 rapazes passaram pelo grupo. Dele nasceram Ricky Martin e Robi Rosa, que até hoje faturam milhões em carreira solo.

— O criador da marca Menudo vendeu-a para dois americanos, Jack e Jerry Brenner, que resolveram reeditar o conjunto. E nos cederam a submarca ‘Menudo la reunion’ — acrescenta Roy, que, apesar de um pouco acima do peso, garante estar se preparando para cantar e dançar antigos sucessos do grupo, imortalizado pela rebolativa ‘Não se reprima’. — O público brasileiro é muito especial para nós. Aqui vamos gravar muitos programas de televisão e apresentar coreografias novas para canções como ‘Sabes a chocolate’. Depois de gravar em março o primeiro CD da nova fase — nos estúdios da Quality, em Maringá, no Paraná — Roy e seus companheiros levam a turnê para outros países das Américas do Sul e Central, além de Japão e Estados Unidos. O grupo promete regravar as músicas de maior sucesso dos anos 80, com novos arranjos do produtor Luis Perico Ortiz, além de produzir canções novas. O lançamento do disco, com aproximadamente 12 músicas, está previsto para maio. Além da versão de ‘Sabes a chocolate’, em reggae, haverá um remix de ‘La fiesta va empezar’.

— Esperamos reunir não apenas nossas antigas fãs, mas também formar um público novo — acredita Raymond, que substituiu Ray Reyes e chegou a se apresentar com o Menudo no Brasil em 1986.

Para quem fez questão de esquecer dos tempos da menudomania, é bom lembrar que o grupo coleciona façanhas como lotar quatro vezes o ginásio Madison Square Garden, em Nova York — privilégio até então exclusivo de cinco grandes astros do rock mundial. Seus discos, gravados em inglês, espanhol ou português, venderam 10,7 milhões de cópias só até 1985, auge da fama. Por via das dúvidas, saúde!’

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