Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > TV PAGA

Luiz Carlos Merten

01/02/2005 na edição 314

‘Completam-se em março 29 anos da morte de Luchino Visconti. Passaram-se quase 30 anos e o grande artista não pára de dar lições de arte e vida por meio de sua obra, quase completamente mapeada em DVD no País. Visconti também revive por meio de homenagens como a que lhe presta hoje o Eurochannel, da TVA e DirecTV. A partir das 22 horas, começa a Noite Nostalgia que vai exibir dois documentários – um, de Carlo Lizzani, sobre Visconti; o outro, do próprio diretor e intitulado À Procura de Tadzio.

A La Ricerca di Tadzio foi exibido pela primeira vez na TV italiana (a RAI) em junho de 1970. Decidido a adaptar o romance Morte em Veneza, de Thomas Mann, Visconti nunca teve dúvida de que Dirk Bogarde, com quem havia trabalhado em Os Deuses Malditos, de 1969, daria um esplêndido Aschenbach. Mas o diretor sempre soube que o acerto de seu filme dependeria do intérprete de Tadzio, o garoto pelo qual o escritor Gustav von Eschenbach no livro – no filme, ele vira músico – se sente atraído. Tadzio tem de ser uma criatura real, mas, na verdade, ‘é uma projeção do espírito’, dizia Visconti.

Em busca de Tadzio, o adolescente de Morte em Veneza, ele viajou primeiro para Budapeste e, depois, para Estocolmo, Helsinque, Varsóvia. E fez o documentário de 30 minutos que o canal europeu exibe hoje. O próprio Visconti é o personagem. Diante de sua câmera desfilam os garotos mais belos da Europa. Tadzio, segundo Thomas Mann, era um adolescente loiro de olhos azuis. Na Hungria, Visconti só encontra jovens morenos de olhos castanhos. Ele tapa o rosto com a mão – num gesto que faria Helmut Berger repetir em Ludwig, a Paixão de Um Rei. É assediado por jornalistas enquanto um desenhista faz sua caricatura e um casal de velhos patinadores dança uma valsa.

O filme documenta o teste de Bjorn Andresen, na capital sueca. Visconti fala com a tradutora em francês. Pede ao garoto para caminhar lentamente, para sorrir. Pede, gentilmente, que ele levante a camisa e mostre o torso nu. Há algo de pedófilo nessas cenas. Visconti fotografa e filma Andresen de todos os jeitos, mas acha que ele está um tanto passado (na idade) para o papel. Segue sua busca, mas termina voltando a Andresen. Em Veneza, a câmera viscontiana mostra o Hôtel des Bains, que parece abandonado. Filma quartos vazios, o lustre de cristal iluminado, a estátua do cão que guarda o jardim. Ele escolhe Bjorn Andresen e o batiza como Tadzio.

É o filme talvez mais discutido de Visconti – uma obra-prima audiovisual, certo, mas também um clássico marcado pela autocomiseração do velho homossexual. Neste sentido, o documentário de Lizzani não deixa de formar um díptico oportuno com À Procura de Tadzio. Lizzani ilumina aspectos importantes da vida e da obra do artista, lembra a origem aristocrática, a mãe, Dona Carla, e a opção pelo marxismo. Mostra o tipo de preconceito que mesmo o grande Visconti teve de enfrentar. Na campanha para o plebiscito pela república, após a guerra, os comunistas, parceiros de Visconti, pedem ao povo que não vote no rei Vítor Emanuel, aquele pederasta. Visconti acusa o golpe. A dor de Aschenbach, mais tarde, será a dele. Morte em Veneza, segundo Visconti, é um filme sobre o desejo da morte.’



Cidade Biz

‘TV por assinatura dá volta por cima e deve fechar 2004 com expansão’, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 27/01/05

‘O último Levantamento Setorial de TV por Assinatura, divulgado pelo Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (SETA) e pela Associação Brasileira de Televisão por Assinatura, ABTA, traz a performance do setor referente ao terceiro trimestre de 2004, mas já indica uma mudança significativa do mercado. A ABTA ainda não fechou o balanço do ano passado, mas estima que o faturamento bruto das operadoras com assinatura ultrapasse os R$ 4 bilhões. O volume representa expansão de 23% sobre 2003.

O desempenho, acreditam analistas, deve se manter consistente ao longo de 2005. A expectativa é de ritmo de crescimento igual ao do Produto Interno Bruto.

Dados até o terceiro trimestre mostram crescimento de 2,1% na base de assinantes em relação ao segundo trimestre do mesmo ano. Em números absolutos foram computados 3.664.000 usuários do serviço, sendo que 59% deles encontraram-se na tecnologia Cabo; 35% em DTH (satélite); e 6% na tecnologia MMDS.

Quanto ao serviço de banda larga, a pesquisa identificou para o terceiro trimestre um incremento de 13% no número de assinantes em comparação ao segundo trimestre de 2004 (309 mil contra 274 mil).

O faturamento bruto do setor registrado no levantamento foi de R$ 1.045 bilhão, contra R$ 1.025 bilhão contabilizado no segundo trimestre do ano passado. A maior fatia deste montante (82,8%) está na mensalidade de programação cobrada dos assinantes pelas operadoras.

O levantamento setorial do período reitera a importância que a TV por assinatura conquista gradativamente dentro da economia brasileira. Em 2004, a estabilidade da economia deu fôlego aos negócios do setor e mudou o cenário da base de assinantes de pay TV que, de estagnada, voltou a crescer.

Em uma leitura simplória, a estagnação poderia ser interpretada como conseqüência de uma rejeição ao serviço, mas, tanto a adesão de novos clientes em 2004 quanto a estagnação da base refletem o valor que a TV por assinatura tem para os que usufruem dela: diante das adversidades econômicas que o Brasil enfrentou nos últimos anos, o número de assinantes do serviço, se não cresceu, muito menos diminuiu.

Ou seja, se a economia vai bem, o setor tende a crescer porque se firmou como indústria sólida no mercado; e, se vai mal, não há retrocesso nos negócios, e sim a manutenção dos assinantes que já estão fidelizados.

Números publicados pelo especializado Meio e Mensagem apontam outro termômetro do setor: o faturamento publicitário da TV paga cresceu 17% de janeiro a novembro. Passou de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,57, bilhão, segundo o Ibope Monitor. Nada mal para um mercado que seguia estagnado desde 2000.

O levantamento se baseou em informações coletadas junto a operadoras que representam 80% da base total de assinantes do país.’



NET SEM BNDES
Sérgio Ripardo

‘BNDES vende participação na Net à Globo’, copyright Folha de S. Paulo, 27/01/05

‘O BNDES vendeu sua participação no capital votante da Net, maior TV a cabo do país, por R$ 54,725 milhões. O anúncio foi feito ontem, após o fechamento da Bovespa. A Globo, controladora da Net, vai adquirir a fatia de 7,2%, isto é, cerca de 60,138 milhões de ações ordinárias. Cada papel foi vendido por R$ 0,91, acima da atual cotação (R$ 0,70).

A operação marca a saída da empresa de participações do BNDES -BNDESPar- do grupo que controla a Net e estava prevista no plano de reestruturação de dívidas anunciado pela Net em 2004. A operação facilita a entrada da mexicana Telmex, dona da Claro e da Embratel, no capital da Net. Em dezembro, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já aprovara a venda de 37% da Net para a Telmex.

Ontem, as ações preferenciais da Net fecharam em alta de 2,98%, acima da valorização do Ibovespa (1,37%).’



Cidade Biz

‘BNDES sai do capital votante da NET por US$ 54,7 milhões’, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 27/01/05

‘O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vendeu à Globopar sua participação no capital da Net, por R$ 54,7 milhões. A operação foi comunicada pela operadora de TV por assinatura à Comissão de Valores Mobiliários.

O BNDES tinha 7,26% do capital votante da Net. Cada ação ordinária foi vendida por R$ 0,91.

A Globopar já havia adquirido participações da Bradespar e da RBS e agora fica sozinha no bloco de controle da Net, que deve concluir até março a repactuação de sua dívida de R$ 1,4 bilhão. Globopar e BNDES firmarão acordo que dará ao banco a opção de venda de ações preferenciais da Net.

A operadora anunciou em junho um plano de reestruturação que prevê aumento de capital de R$ 639 milhões e troca dos títulos da dívida. A Telmex, controladora da Embratel, se tornará acionista indireta da Net, numa parceria com a Globopar. Representantes da Net, da Globopar e do BNDES não foram localizados ontem até o fechamento desta edição.’



TVA
Cidade Biz

‘Capital Group pode se tornar a nova atração na tela da TVA’, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 28/01/05

‘Além da iminente associação entre a Telmex e a NET e da fusão entre Sky e DirecTV, mais um movimento societário está prestes a ser exibido nas telas de TV por assinatura. O Capital Group, que já é acionista da holding Abril S/A, negocia sua entrada no capital da TVA.

A operação deverá se consumar com o ingresso do fundo americano na Tevecap, holding criada pela Abril para reunir suas participações na TVA e na Ajato, companhia de internet por banda larga.

A participação do Capital Group não será maior do que 20%. A diretoria da Abril também tem mantido conversações com outros fundos de private equity internacionais.

A aproximação estaria sendo costurada por Marcel Telles. O sócio de Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira na InBev e nas Lojas Americanas é integrante do Conselho de Administração da Abril.

Do ponto de vista operacional e tecnológico, a associação com o Capital Group não vai agregar tanto à TVA em comparação aos ganhos que serão obtidos pelas duplas NET/Telmex e DirectTV/Sky. Porém, dará à operadora maior fôlego financeiro. A parceria é mais um capítulo no processo de reestruturação do Grupo Abril, que tem como principal objetivo a redução de dívidas.

Recentemente, a Editora Abril renegociou cerca de R$ 500 milhões de seu passivo. No fim do ano passado, a própria Tevecap alongou o prazo de pagamento de US$ 40 milhões em títulos emitidos no exterior.

A associação também ajudará a TVA a tocar seus atuais projetos de expansão. Até junho, a empresa pretende lançar o serviço de transmissão de voz sobre IP para o mercado residencial. (Relatório Reservado)’

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