Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > DOWN BEAT

Luiz Orlando Carneiro

25/01/2005 na edição 313

‘A Down Beat celebra 70 anos de existência com a reputação de ‘bíblia do jazz’. Mas, a julgar pela edição deste mês – em grande parte dedicada a entrevistas extraídas de seus arquivos com gigantes do idioma musical -, os comentaristas de discos da revista, na apreciação seletiva da produção de 2004, entusiasmaram-se bem mais com a categoria ‘beyond’ (leia-se world music e similares) do que com o jazz propriamente dito.

No balanço publicado dos melhores CDs analisados no ano passado, verifica-se que apenas dois boxes de seis e quatro unidades, respectivamente, e mais três álbuns que não podem ser rotulados como sendo de jazz receberam a cotação máxima de cinco estrelas (‘obras-primas’).

As caixas em questão foram Lenny Bruce/ Let the buyer beware (Shout! Factory), resenhada por John McDonough, e Benny Moré y sua banda gigante/ Grabaciones completas 1953-60 (Tumbao Cuban Classics), coleção elevada à condição de obra-prima por Aaron Cohen. Os discos ‘cinco estrelas’ comentados na DB durante 2004 foram: Paul Simon/ Graceland (Warner), Candi Staton (Honest Ions) e Astor Piazzolla y su quinteto/ Adiós Nonino (Celular Moves).

Assim, um dos críticos da referencial revista de jazz, Frank-John Hadley, achou que um álbum da cantora sulista soul Candi Staton, por conter canções há muito fora de catálogo, é uma obra-prima, enquanto somente 13 CDs de jazz receberam 4,5 estrelas (‘semi-obras-primas’) e quase 200 títulos ganharam quatro estrelas (‘excelentes’), dos quais menos de cem merecem ser registrados nas discografias jazzísticas.

Em 26 de fevereiro, escrevi neste espaço que ‘se há dois músicos representativos do constante renascer do jazz neste início de século seus nomes são Dave Douglas e Brad Mehldau’. E logo adiante: ‘Eles abrem a temporada de 2004 com dois lançamentos que certamente vão aparecer nas futuras listas dos melhores CDs do ano: Strange liberation (Bluebird 50818), gravado pelo trompetista com o ilustre convidado Bill Frisell (guitarra); e Don´t explain (Palmetto 2096), um recital de poesia musical do pianista, em duo com o saxofonista Joel Frahm’.

A DB, pelo menos, concedeu 4,5 estrelas a Strange liberation, que foi incluído entre os melhores álbuns de jazz do ano pelo simpósio de 50 críticos reunidos pela Jazz Times, pela maioria dos colaboradores da revista-site All About Jazz e pelos especialistas do Borders – para citar três das mais importantes listas já divulgadas.

O disco de Mehldau mais festejado do ano pela crítica especializada, com toda a justiça, acabou sendo o solo Live in Tokyo (Nonesuch/Warner), lançado em setembro e prensado no Brasil em novembro. Na DB, teve acolhimento abaixo do esperado: quatro estrelas de McDonough e John Corbett, e 3,5 de Jim Macnie e Paul de Barros, os principais reviwers da revista.

Don´t explain fez jus à nota 3,5, embora tenha figurado em outras listas respeitáveis dos CDs mais importantes de 2004. A meu ver, o duo Mehldau/Frahm não só gravou um dos melhores discos novos que ouvi e/ou adquiri durante o ano que passou, mas também manteve o alto nível de qualidade musical do selo Palmetto. Buzz (2101), com o sexteto Medicine Wheel do baixista Ben Allison, um dos líderes da produção sempre original e refinada do Jazz Composers Collective, e The Fred Hersch Trio plus 2 (2099), com Ralph Alessi (trompete) e Tony Malaby (sax tenor), chegaram a ser condecorados pelos críticos da DB com quatro e 4,5 estrelas, respectivamente.

Mas os dois álbuns mais citados entre os melhores de 2004, nas diversas listas que pesquisei, foram – merecidamente – Ivey-Divey (Blue Note 78215), com as irresistíveis improvisações do clarinetista (e saxofonista) Don Byron, em ação tridimensional fora de série com Jason Moran (piano) e Jack DeJohnette (bateria), e Concert in the garden (ArtistShare 001), obra-prima da compositora-arranjadora Maria Schneider, à frente de sua orquestra.

Esses discos serão analisados na próxima semana, juntamente com o balanço dos Top 50 CDs de 2004 selecionados pela revista Jazz Times.’



O CÓDIGO DA VINCI
Folha de S. Paulo

‘Louvre abre portas para ‘O Código Da Vinci’’, copyright Folha de S. Paulo, 22/1/05

‘O Museu do Louvre, em Paris, servirá como uma das locações da versão cinematográfica de ‘O Código Da Vinci’, best-seller do inglês Dan Brown. O governo francês e autoridades do museu disseram, ontem, que as negociações estão quase finalizadas.

‘Há um grande desejo de ver o longa-metragem baseado neste livro, que é reconhecido mundialmente, filmado no Louvre’, disse o diretor do museu, Henri Loyrette, à rádio France-Inter. ‘É um sim, em princípio.’ Um porta-voz do Ministério da Cultura confirmou: ‘Sim, está planejado para ir em frente’. Autoridades locais aguardam apenas detalhes do roteiro e imagens do storyboard para dar a aprovação final.

Segundo o jornal francês ‘Le Parisien’, a equipe de produção já visitou uma das galerias do museu -local onde se passa a seqüência inicial do livro- e a sala onde fica o quadro ‘Mona Lisa’, a mais famosa obra de Leonardo da Vinci (1452-1519). O filme deve começar a ser rodado em maio deste ano e está previsto para estrear em 2006, segundo o site especializado Imdb (www.imdb.com). Essa será a terceira parceria entre o diretor Ron Howard e o ator Tom Hanks, que vai interpretar o personagem principal, Robert Langdon.

Loyrette afirma que raramente o museu dá permissão para equipes de filmagem usar o lugar como set, apesar dos muitos pedidos. Mas, no caso de ‘O Código’, diz que tanto cenas externas quanto internas poderão ser feitas. Entre produções recentes que usaram o Louvre como locação está ‘Os Sonhadores’, de Bernardo Bertolucci.

‘O Louvre não é um set de filmagens. É um lugar que recebe uma média de 20 mil visitantes por dia’, disse Loyrette. ‘Isso significa que os momentos realmente disponíveis para as gravações são as terças [dia em que o museu fecha para visitantes] e as noites.’

Os produtores terão, no entanto, que reproduzir outros pontos turísticos de Paris. Ainda segundo o ‘Le Parisien’, a Diocese de Paris disse que a igreja de Saint-Sulpice, também citada no livro, não estará disponível para filmagens, alegando que ‘ela não é uma ramificação de Hollywood’.

O sucesso do livro fez empresas turísticas francesas criar rotas especialmente para lugares citados na obra. A CNN confirma a tendência e diz que a França pretende atrair equipes de filmagens para seus monumentos e museus, com a finalidade de impulsionar o turismo e criar empregos para centenas de trabalhadores.

‘O Código Da Vinci’, o livro, mistura aventura, história e religião, em uma trama que têm despertado críticas da Igreja Católica. Nela, um professor de Harvard e uma criptóloga tentam desvendar a chamada ‘maior conspiração da história’: a igreja teria sido fundada sobre o segredo de que Jesus Cristo era um simples mortal. O livro foi traduzido em mais de 40 idiomas e lidera listas de mais vendidos desde que foi lançado, em 2003.’



ESCRITORA ESPIÃ
Jotabê Medeiros

‘A espiã do serviço secreto britânico que virou escritora’, copyright O Estado de S. Paulo, 22/1/05

‘Stella Rimington inspira-se na própria vida em seu livro de estréia, At Risk

A mulher que entra na livraria usa cabelo muito curto, batom imperceptível, brincos pingentes muito pequenos, óculos de aro fino, blusa bordô larga sobre uma camisa branquíssima de gola alta. Tem cerca de 50 anos. Tira uns cadernos de anotações da bolsa e começa a falar com uma autoconfiança espantosa a uma platéia atenta, espalhada em cadeiras na entrada da livraria. A mulher é a escritora Stella Rimington, que está lançando seu primeiro livro, o thriller At Risk. Sua presença ali causa curiosidade dupla porque Stella, antes de tudo, foi durante 17 anos a chefe do MI5, o serviço secreto britânico, o equivalente ao FBI dos americanos para os ingleses, como ela mesma explica. Sua carreira no MI5, no qual ela entrou nos anos 60, virou tema de um documentário da BBC de Londres, The Spy Dame.

Quando saiu do serviço de inteligência, Stella causou furor no mundo da espionagem ocidental ao revelar que houve, ainda durante sua gestão, um caso de amor entre ela e o ex-coronel e agente duplo da KGB russa, Oleg Gordievsky. Este se encarregou de dar tintas fortes ao caso, ao dizer (quando desertou, indo morar na Inglaterra, em 1985): ‘Eu na verdade gosto dela, a mulher, imensamente. Ela era uma mulher bonita, ela tinha belos e profundos olhos verdes. Ela não era muito alta, ela não era muito magra. Ela tinha curvas.’ O caso continuou quente anos depois, quando Gordievsky se divorciou da mulher e disse que não via mais razão para eles não ficarem juntos.

Mas Stella Rimington não veio à livraria nova-iorquina para falar do velho coronel russo apaixonado. Espiã de verdade, ela escreveu um livro sobre uma espiã de ‘mentira’, Liz Carlyle, que anda de metrô e enfrenta dificuldades cotidianas que pouca gente sabia que um espião enfrenta de verdade. Seu personagem é um James Bond de saias, mas sem o glamour deste, e, principalmente, sem os excessos de gênero. ‘Liz é uma mulher comum, que usa sua intuição feminina para investigar’, ela diz.

Ela diz que Liz Carlyle não tem nada a ver consigo mesma, mas também tem tudo a ver. ‘Como eu, ela é mulher. Como eu, ela tem de se provar todo o tempo num mundo dominado pelos homens. Como eu, ela tem problemas com a vida privada, não sabe como explicar aos vizinhos onde estava no Natal. Sua vida aparentemente normal é complicada, porque ela também tem uma vida secreta’, explica.

Liz Carlyle vai enfrentar, no thriller At Risk, um dos problemas que Stella também enfrentou no serviço secreto britânico: o tipo de terrorista que eles, os agentes, chamam de ‘invisível’. Trata-se de um tipo de terrorista nativo, nascido no país no qual planeja um atentado – como aqueles americanos doidos que explodiram um prédio em Oklahoma, em 1995. Ela trabalha no MI5 como qualquer pessoa trabalha numa repartição, chega atrasada porque o metrô pára e coisas desse tipo. O seu terrorista é de Norfolk, um lugar ‘aparentemente muito calmo, muito tranqüilo’, diz Stella Rimington. ‘É uma aventura que não se passa no Usbequistão nem no Iraque. Nenhum lugar exótico, nenhum superagente. Passa-se em Londres. Esse termo, `terrorista invisível´, é particularmente sinistro, mas é uma situação bem real’, ela conta.

‘Eu sempre desejei trazer o mundo da inteligência à luz do dia. Sempre fiquei incomodada com a sensacional abordagem ao estilo James Bond que a imprensa e um monte de outras pessoas faziam sobre o mundo da inteligência’, disse Stella. Ela mesma conta que ficou um pouco ‘desapontada’ quando entrou para o MI5, porque achou que ia encontrar um mundo fantástico de espiões. O trabalho é de fato de contra-espionagem, mas é meticuloso e sistemático, e envolve muitas vezes o confronto cotidiano de informações. Nada de ação vertiginosa.

O MI5, no livro de Stella, tem endereço e cheiro. Fica em Thames House, Millbank, um imponente edifício de pedra Portland, oito andares de altura, que desponta como ‘um grande fantasma pálido algumas jardas ao sul do Palácio de Westminster’. Cheira a diesel de manhã, pela ação involuntária dos barcos do Tâmisa. ‘Há uma boa distância entre o que os jornais noticiam, sobre ações terroristas, e a realidade. Os jornais fazem sempre algum sensacionalismo’, ela conta.

De qualquer forma, a dama Stella Rimington não veio ao mundo da literatura para macaquear a realidade. ‘Sempre li thrillers, ao longo de toda minha carreira profissional. Adoro a literatura. As pessoas me fascinam, e assim como no serviço de inteligência, escrever é usar o poder de observação e saber obter informações.’’

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