Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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ENTRE ASPAS >

Lula volta a criticar imprensa

31/10/2009 na edição 561


Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 30 de outubro de 2009


 


PRESIDENTE


José Alberto Bombig


Lula volta a criticar imprensa e diz que povo pensa sozinho


‘Para uma plateia formada por catadores de materiais recicláveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem, em São Paulo, a criticar o trabalho da imprensa, o que levou o público, estimado em cerca de 3.000 pessoas, a vaiar o grupo de jornalistas que acompanhava o seu discurso.


Além de recomendar que repórteres não interpretem notícias, Lula afirmou que os formadores de opinião ‘já não decidem mais (…) porque o povo não quer mais intermediário’.


‘Hoje vocês têm a oportunidade de fazer a matéria da vida de vocês. Se vocês esquecerem a pauta do editor de vocês e se embrenharem no meio dessa gente (…) para vocês conversarem sobre a vida deles (…) Publiquem apenas o que eles falarem. Não tentem interpretar.’


Ao concluir as lições sobre jornalismo, o presidente minimizou a importância dos formadores de opinião no Brasil, afirmando que ‘o povo tem pensamento próprio’ e adquiriu o gosto pela cidadania. Em seguida, completou: ‘O mundo é mais limpo quando o pobre toma consciência’.


Na reeleição de Lula em 2006, o PT e o próprio presidente afirmaram que o resultado era uma derrota dos meios de comunicação e dos chamados formadores de opinião. Em entrevista à Folha na semana passada, Lula disse que o papel da imprensa é ‘informar’, e não ‘fiscalizar’.


Lula era o convidado de honra da Expocatadores 2009, evento que reuniu ‘catadores de rua’ do país -catadores de materiais recicláveis.


O petista também aproveitou para fazer uma crítica indireta à elite do país: ‘Essa gente, que eu diria, até de forma humilhante, não tinha vergonha de passar de carro e jogar um lixo qualquer achando que vocês eram de segunda categoria e tinha obrigação de catar o lixo deles (…) Vocês estão ensinando a essa gente pedante, a essa gente arrogante, que o ser humano não pode der discriminado pelo sua profissão’, disse.


O presidente, no palco, pediu que o BNDES viabilize uma linha de financiamento de veículos elétricos (triciclos) produzidos pela Itaipu Binacional aos catadores. O presidente do banco, Luciano Coutinho, também presente, acenou positivamente com a cabeça e prometeu um encontro com catadores para discutir o assunto.


O governo não confirmou oficialmente a implementação da linha de crédito e nem divulgou valores. O triciclo foi projetado para facilitar a coleta de materiais. Segundo Lula, a Itaipu vai transferir os direitos de patente do veículo, fabricado no Paraná, aos catadores.’


 


 


LEI DE IMPRENSA


Folha de S. Paulo


Censura poderá ser contestada direto no STF


‘Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avaliam que, assim que o acórdão do julgamento que derrubou a Lei de Imprensa for publicado no ‘Diário da Justiça’, seu conteúdo poderá ser utilizado para que meios de comunicação que se julgarem censurados reclamem diretamente ao tribunal.


O acórdão é o resumo formal da decisão, do qual consta o conteúdo integral do que foi julgado. É a partir da publicação que pessoas podem entrar com recursos ou reclamações, caso tenham dúvidas ou sintam-se prejudicadas.


Segundo a Folha apurou, constará do acórdão, que deve ser publicado na semana que vem, ampla defesa à liberdade de imprensa, inclusive o fato de que os jornais não podem ser submetidos à censura prévia, nem mesmo por decisões judiciais. Essa questão é polêmica e poderá ensejar recursos, já que até ministros divergem sobre isso.


Em abril, o STF revogou toda a Lei de Imprensa (5.250/ 67), um conjunto de regras criado no regime militar (1964-1985) que previa atos como censura, apreensão de publicações.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


A saída?


‘Nas manchetes on-line dos jornais hondurenhos ‘El Heraldo’ e ‘La Prensa’, que apoiam o golpe, o enviado americano declarava ontem que ‘o acordo está feito, falta a vontade política’.


Já os espanhóis ‘El País’ e ‘El Mundo’, ambos agora com home page voltada à América Latina, destacavam que ‘o presidente golpista, Roberto Micheletti, aceita que o Congresso decida sobre a restituição de Manuel Zelaya’, como a ‘saída’.


Até nas manchetes do ‘Jornal Nacional’, ‘A crise fica mais próxima de uma solução’.


APÓS MUITA CONTROVÉRSIA


Nas manchetes dos portais iG, R7 e Brasil Econômico, ao longo do dia, ‘Comissão do Senado aprova ingresso da Venezuela no Mercosul’. Na Agência Brasil, a aprovação por 12 a 5 veio ‘após muita controvérsia e resistência por parte dos senadores da oposição’.


Em Caracas, o Terra Magazine entrevistou o assessor Marco Aurélio Garcia, que prevê ‘fluxo comercial muito maior e mais investimentos’, com a Venezuela no bloco. E ‘os países que têm dependência de petróleo serão os mais beneficiados’, como Paraguai.


NA CHINA


A agência Xinhua destacou o encontro de Lula e Hugo Chávez para conversar sobre o futuro ‘integrante do Mercosul’ e assinar o acordo para a nova refinaria ‘no Nordeste do Brasil’.


NA ESPANHA


O correspondente do ‘El País’, Juan Arias, postou que o ‘Brasil dá luz verde para o ingresso da Venezuela’ e ‘Lula respirou aliviado, após sete meses de adiamentos e ameaças da oposição’.


A HISTÓRIA CONTINUA


Com um trecho do Muro de Berlim, o ‘Wall Street Journal’ declara que ‘A história está de volta, duas décadas e uma crise depois’. No enunciado, ‘O colapso comunista marcou uma vitória da democracia liberal, mas a China agora tem um modelo autocrático concorrente?’


APRENDER DO BRASIL


Em editorial com a ilustração ao lado, a ‘Economist’ destaca ‘O que a Índia pode aprender do Brasil sobre controlar o fluxo de capitais’. Ainda fechado, o país terá de ‘conviver com capital externo’ e ‘alguns controles podem ajudar’.


Daí o Brasil e sua ‘liberação cuidadosamente calibrada’, inclusive a nova taxação ‘quase pedindo desculpas’ para reafirmar que o país é ‘amigo do mercado’.


Ao fundo, o ‘Financial Times’ voltou a alertar para o risco de bolha nas ações dos Brics.


DESABA E DISPARA


Um dia depois de dar a manchete ‘Bovespa desaba 4,75%’, o Valor Online deu ontem a manchete ‘Bovespa dispara 5,91%’.


‘RECESSION IS OVER’


Nos EUA, nas manchetes on-line de ‘Wall Street Journal’ e outros, o rali da Bolsa com os dados indicando que ‘>‘a recessão acabou’.


ONDE CRESCE


Na capa da nova ‘Exame’, a região em que ‘o Brasil cresce mais rápido’. Em reportagem de Bahia e Pernambuco, destaca que ‘o capitalismo parece ter finalmente chegado ao Nordeste’, onde ‘milhões de pessoas passam a fazer parte do mercado consumidor’ e nascem novos ‘empreendedores’


CLUCK, MOO, OINK, KA-CHING


Também na nova ‘Economist’, com o título onomatopaico acima, ‘Uma empresa brasileira cresceu até atingir um tamanho de levar prêmio’.


É um perfil da JBS, ‘prestes a se tornar o maior processador de carne do mundo’. Diz que ‘outros nomes brasileiros’, como Embraer ou Petrobras, ‘podem ser mais famosos, mas a JBS agora é a segunda maior empresa privada em vendas no Brasil, atrás da Vale, e a maior parte dessas vendas acontecem no exterior’.’


 


 


EUA


Folha de S. Paulo


Revista dos EUA retrata afeto, crises e rotina de Michelle e Barack Obama


‘O casamento de 17 anos do presidente dos EUA, Barack Obama, e da primeira-dama, Michelle Obama, foi dissecado em uma extensa reportagem na revista do ‘New York Times’ desta semana. No país que consagrou a sigla PDA (demonstração pública de afeto, na sigla em inglês) para discutir o que são gestos aceitáveis na presença de outros, o casal Obama se tornou referência com os incontáveis apertos de mão, olhares e beijos em público.


Obama e a mulher falam do casamento, das dificuldades de adaptar o cotidiano aos rituais da Casa Branca e das inevitáveis crises em relacionamentos de longa duração. Mais do que segredos da rotina do casal, como o fato de Obama chamar Michelle de Flotus (sigla usada para a primeira-dama dos EUA), a reportagem mostra que Michelle está cada vez mais próxima da agenda política do marido, ao contrário do início da carreira, quando evitava aparecer em eventos de campanha.


Hoje o casal, segundo o ‘Times,’ mistura como nenhum outro romance e política, e Michelle é uma das principais vozes do governo em assuntos como a reforma da saúde.


Ao contrário do tradicional modelo de esposa perfeita de político, a primeira-dama afirma que todo casamento tem seus altos e baixos. Eles relatam que durante a campanha política de Obama, em que ele viajava e ela cuidava das crianças, enfrentaram uma forte crise.


Quando as redes de TV começaram a implicar mais com a suposta falta de patriotismo da mulher e seu temperamento forte, Obama chegou a se reunir com executivos da Fox para que ela fosse tratada com mais respeito.


Obama diz que, desde que assumiu a Casa Branca, a única vez em que ficou realmente irritado foi quando resolveu levar a mulher para jantar e assistir a um espetáculo em Nova York. ‘A noção de que não poderia levar minha mulher para sair sem que isso se tornasse uma questão política foi algo que não me deixou feliz. (…) O que eu valorizo mais em meu casamento é que ele é separado de boa parte da bobagem de Washington. E Michelle não é parte dessa bobagem’, disse.’


 


 


TELEVISÃO


Rodrigo Russo


Ator Dan Stulbach comandará nova atração no canal Sportv


‘O Sportv, canal pago dedicado a esportes, estreia em dezembro um novo formato em sua grade. Com apresentação do ator Dan Stulbach, o programa -ainda sem nome definido- será apresentado semanalmente de um teatro paulistano, e receberá convidados das áreas de esporte e cultura.


Os dois primeiros programas serão gravados no fim de novembro, e a partir do primeiro trimestre de 2010 a atração começa a ser exibida de forma permanente na grade.


‘O Stulbach é um cara renomado, com uma opinião definida sobre esportes. Queremos trazê-lo para a TV de uma forma diferente, não interpretando personagens’, diz Raul Costa Jr., diretor-executivo do canal pago.


É a primeira vez que o Sportv investe em uma atração com plateia. Mas Dan Stulbach tem experiência nesse tipo de programa, já que apresenta uma proposta bastante similar na rádio CBN desde 2006, o ‘Fim de Expediente’.


Com a participação do escritor José Godoy e do economista Luiz Gustavo Medina, o bem-humorado programa semanal de rádio tem edições com participação de plateia, gravadas ao vivo às sextas-feiras no teatro Eva Herz, na livraria Cultura do Conjunto Nacional (região da av.Paulista).


‘Esse trabalho na rádio foi um dos motivos que nos levaram a optar pelo Dan, além do fato de ele sempre participar de nossos programas esportivos, como a cobertura da Copa na Alemanha’, conta Raul.


Hoje, em edição com plateia, Dan recebe na rádio a dramaturga Maria Adelaide Amaral.


VILLA-LOBOS


O compositor Heitor Villa- Lobos será o tema de uma série de reportagens do canal Globo News, que estréia no dia 8 de novembro. ‘Villa em Três Tempos’ homenageará os 50 anos de sua morte, mostrando a atualidade de sua obra, que será explicada pelo maestro Isaac Karabchevsky.


TELA QUENTE


O filme ‘Borat’ rendeu 25 pontos de média à Globo na última segunda- feira, com 47% de participação no horário.


É TUDO VERDADE


O filme ‘O Poeta do Castelo’ será exibido amanhã na comemoração de cinco anos do programa ‘É Tudo Verdade’, no Canal Brasil.


PROBLEMA COM ZINA


Antes de ser contratado pelo ‘Pânico na TV’, da RedeTV!, o ex-segurança noturno Zina moveu um processo de R$ 235 mil por danos morais pelo uso indevido de sua imagem e da frase ‘Ronaldo, brilha muito no Corinthians’. Ele desistiu da ação e em pouco tempo ganhou casa e contrato com a emissora. A RedeTV! diz que, como não foi notificada à época, não conhece o processo.


JUSTUS X GIMENEZ


Na quarta à noite, no horário em que os programas de Roberto Justus, no SBT, e de Luciana Gimenez, na RedeTV!, concorreram diretamente, a apresentadora levou a melhor. Ficou com 5,6 de média no Ibope, contra 4,7 de Justus.’


 


 


Nina Lemos


Na TV, ‘Dr. Phil’ faz terapia e aparta barracos familiares


‘Que tal assistir a uma terapia de família? A fantasia de ‘ouvir’ uma seção de análise é recorrente. Todos temos curiosidade de saber quais são os problemas dos outros e o que as pessoas falam no divã.


Afinal, nada melhor do que ver que os outros têm problemas como a gente. Mas que tal ver uma família surtada, com todos os envolvidos em crise tentando resolver isso ao vivo, e com plateia? O formato dá certo. Prova disso é o fenômeno americano dr. Phil, que apresenta uma terapia familiar (apresentado pelo canal como ‘talk show’) e virou celebridade por isso.


O show do psicólogo é exibido no Brasil pelo canal pago Fox Life em horário nobre: 20h40, de segunda a sexta. Vale lembrar que é um canal dirigido principalmente para mulheres. Será que briga de casal e de família é coisa de mulher? Pode ser, pois ‘Dr. Phil’ é, de alguma forma, uma DR televisionada, só que com plateia e requintes de crueldade.


Em estilo ‘reportagem investigativa’, o programa vai atrás de todos os envolvidos no caso (geralmente, uma confusão bem grande). Em um episódio, uma mulher senta ao lado do marido e diz que está disposta a acabar com o casamento porque é apaixonada pelo amante (ex-amigo do casal). O que a produção do programa faz? Liga para o amante, que leva uma bronca televisionada do dr. Phil: ‘Você tem consciência do que o divórcio vai causar para a família?’, pergunta para o coitado. A dura é aplaudida pela moralista plateia americana.


Como toda boa DR, o programa tem outro ingrediente que costuma agradar (e muito) aos telespectadores: lágrimas, brigas e barracos, que são ‘separados’ por dr. Phil, que fala alto, bravo, com voz de autoridade.


O psicólogo deixa a tal ética profissional de lado do início ao fim. Ele não tem nada, mas nada de discreto. É uma verdadeira celebridade e se comporta como tal. Em seu site, é possível ver todos os dias o que acontece com o dr. Phil na hora em que o show acaba. E, é claro, ele se tornou um campeão de vendas de livros de autoajuda.


Dr. Phil é uma estrela. Mas será pelos conselhos (óbvios) ou por que nos identificamos com os casos apresentados? Uma sogra que odeia o marido? Quem nunca passou por isso? Ciúmes porque o marido tem várias ‘fãs’ na internet? Divórcios conturbados com pais brigando pela guarda das crianças? Tudo isso acontece nas melhores famílias. Mas melhor ver o problema dos outros do que pensar nos nossos. E ainda aplaudir entusiasticamente o drama alheio.


DR. PHIL’


Quando: segunda a sexta, às 20h40


Onde: na Fox Life


Classificação: 14 anos’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 30 de outubro de 2009


 


MÍDIA E POLÍTICA


Guilherme Scarance


Lula adapta discurso segundo plateia


‘Com um poder de oratória reconhecido até pelos adversários, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem uma aula de como adaptar o discurso à plateia. Ante catadores de lixo, em São Paulo, disse que o povo não precisa mais de ‘intermediários’. Em entrevista a um jornal venezuelano, mudou o enfoque: ‘Liberdade de imprensa é essencial.’ Esses vaivéns têm marcado o discurso do presidente.


No livro Dicionário Lula – Um Presidente Exposto Por Suas Palavras, do jornalista Ali Kamel, há um exemplo garimpado entre as falas de improviso. ‘Eu vou te dar um conselho de quem aprendeu fazer isso há muito tempo: o que é importante é a gente ler todos os jornais que puder por dia’, disse Lula, em outubro de 2005. Três anos e dois meses depois, voltou atrás: ‘Eu não tenho isso (hábito de ler jornais todos os dias) faz tempo. Eu tenho problemas de azia.’


EMPRESÁRIOS


Em agosto de 2006, na abertura do 6º Congresso Brasileiro de Jornais, Lula não titubeou e afirmou que a imprensa não pode ser ‘valor relativo’. ‘Minha história política deve muito à imprensa livre e independente.’


Neste ano, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, conseguiu irritar as mesmas entidades presentes àquele evento, ao afirmar que jornalista deve apenas informar, não fiscalizar.


Os episódios são vários. Após revelar sua azia ante o noticiário (fala à revista Piauí, no fim de 2008), o presidente, na mesma entrevista, afirmou que a sua chegada ao Palácio do Planalto era ‘produto direto da liberdade de imprensa’.


Em fevereiro deste ano, irritado com a mídia – que apontou conotação eleitoral no Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília -, de novo recuou.


‘Não é porque a imprensa me ajudou que fui eleito, mas porque suei para enfrentar o preconceito e o ódio dos de cima para com os de baixo’, bradou o presidente, em discurso inflamado.


CHÁVEZ


Em novembro de 2006, ao apoiar a candidatura de Chávez à reeleição, ele subiu num palanque e disse que o colega era ‘vítima da incompreensão e do preconceito’ da mídia.


Em setembro último, disse que ‘não faria o que fez o Chávez’. Referia-se à revogação de licenças de dezenas de emissoras de rádio na Venezuela, criticada dentro e fora do país.’


 


 


Denise Chrispim Marin


Em Caracas: ‘Liberdade de imprensa é essencial’


‘Em entrevista por escrito ao jornal venezuelano El Universal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar convicto de que a liberdade de imprensa é ‘essencial’, mas evitou se manifestar especificamente sobre a situação na Venezuela, onde o presidente Hugo Chávez é acusado de tentar silenciar os meios de comunicação críticos a seu governo.


‘Na questão das relações com os meios de comunicação, posso falar do Brasil. E, no meu país, a imprensa goza de total liberdade’, disse Lula ao jornal, de linha editorial contrária ao governo e acusado por Chávez de representar ‘as oligarquias’. ‘Sou duramente criticado no Brasil por boa parte da imprensa, muitas vezes de maneira injusta, em minha opinião. Mas isso não muda em nada minha convicção de que a liberdade de imprensa é essencial’, acrescentou o petista.


Nos últimos anos, a perseguição aos meios de comunicação opositores e a ampliação dos órgãos oficiais orientaram as ações do governo Chávez em relação à imprensa. Em 2007, o regime não renovou a concessão da RCTV, então a líder de audiência, em meio a acusações de que teria participado do golpe que, cinco anos antes, tirou Chávez do comando do País por 48 horas. Em 2009, o governo fechou 32 emissoras de rádio e anunciou que outras 208 teriam o mesmo destino.


Na entrevista, Lula evitou responder se considera que a realização de eleições é um critério suficiente para avaliar se há democracia na Venezuela. ‘Como presidente da República, não devo me intrometer nos assuntos internos de outros países’, argumentou. Em diversas ocasiões, o petista defendeu Chávez da acusação de que seria antidemocrático, usando como argumento o fato de ele ter se submetido a votações e referendos.


Questionado sobre a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula mostrou-se mais à vontade. ‘Seria uma grande conquista para as brasileiras fazer história com a vitória de Dilma, que espero que seja a primeira mulher a assumir a Presidência’, afirmou.’


 


 


Clarissa Oliveira


Em S. Paulo: ‘Esse povo não quer mais intermediários (imprensa)’


‘Num sinal de que está com o discurso afiado para reforçar os palanques na eleição de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro ontem que não terá dificuldades em resgatar algumas falas típicas dos tempos de líder sindical. Mesmo sem ter a tiracolo sua candidata ao Planalto, a ministra Dilma Rousseff, ele aproveitou uma plateia de catadores de lixo reciclável para ensaiar ataques à imprensa, à elite e até alfinetadas no empresariado.


Referindo-se aos jornalistas presentes como ‘companheiros’, ele orientou que esquecessem ‘a pauta do editor’ e ouvissem o que os catadores tinham a dizer. ‘Aí vocês vão entender por que a figura do chamado formador de opinião pública, que antes decidia as coisas neste país, já hoje não decide mais.’


Lula, que costuma alternar discursos a favor da liberdade de imprensa com críticas ferrenhas à mídia, prosseguiu: ‘Esse povo não quer mais intermediários. Esse povo tem pensamento próprio, esse povo anda pelas suas pernas, trabalha pelos seus braços, enxerga pelos seus olhos e fala pela sua boca.’


Lula abriu seu discurso com um texto preparado por assessores, com base em depoimentos de catadores. Num primeiro momento, seguiu o protocolo e fez apenas algumas brincadeiras. Mas não tardou a abandonar os papéis e partir para cima da elite. ‘Vocês estão ensinando a essa gente pedante, a essa gente arrogante, que o ser humano não pode ser discriminado pela sua profissão’, disse. A tal ‘gente’, descreveu, integra a parcela da sociedade que ‘não tinha vergonha de passar de carro e jogar um lixo qualquer’, tratando catadores como cidadãos ‘de segunda categoria’.


No evento, a feira Expocatadores, Lula foi saudado com um Parabéns a você, pelo aniversário comemorado esta semana. Devolveu o afago com ‘um apelo’ a prefeitos para que concentrem a reciclagem nas cooperativas. Sobrou para os empresários. ‘Agora que a coisa começou a dar lucro, pode começar a aparecer algumas empresas querendo se apoderar da reciclagem’. Horas antes, Lula acenava para empresários numa visita à Fenatran, feira de transportes.’


 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Mariângela Gallucci


STF vai encurtar recurso anticensura


‘O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá publicar na próxima semana, no Diário da Justiça, o resultado do julgamento no qual a corte decidiu derrubar a Lei de Imprensa e fixou o entendimento de que a liberdade de expressão é ampla e não se admite nenhum tipo de censura.


A impossibilidade de ocorrer a censura prévia constará textualmente no acórdão, que é o resumo da decisão a ser publicada. De acordo com ministros do STF, após a publicação, veículos de comunicação que estão sob censura poderão recorrer diretamente ao Supremo, sem passar pelos tribunais inferiores, para derrubar decisões judiciais que impedem a publicação de reportagens.


Um desses veículos é o Estado. Há 91 dias o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal, censurou o jornal, proibindo a publicação de reportagem sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


Reportagem publicada pelo Estado mostrou que Vieira, ex-consultor do Senado, era do convívio da família Sarney. A defesa do jornal recorreu diversas vezes ao TJ, mas a censura persiste até hoje.


‘INACEITÁVEL’


Em entrevista publicada ontem pelo jornal, Celso de Mello, o decano do STF, afirmou que a censura prévia é ‘inaceitável e intolerável’. ‘Os tribunais devem se mostrar impregnados dessa consciência democrática de que agora vivemos um novo tempo, o tempo de liberdade. Liberdade com responsabilidade, é evidente, mas não faz sentido essa proibição apriorística que é um veto inaceitável, intolerável e insuportável’, disse.


A decisão sobre a Lei de Imprensa, que poderá servir da base para as reclamações contra censuras impostas pelo Poder Judiciário, foi tomada em abril pelo plenário do STF. Na ocasião, o tribunal concluiu que a essa lei era incompatível com a Constituição e considerou a censura inadmissível.


Editada em 1967, a Lei de Imprensa era uma das últimas heranças do tempo da ditadura militar no Brasil que continuavam em vigor.


Durante o julgamento, ministros do Supremo leram votos, bastante claros, reconhecendo o amplo direito à liberdade da imprensa e comunicação. Esses textos deverão integrar a decisão a ser publicada no Diário da Justiça.


‘A liberdade de imprensa não se compraz com uma lei feita com a preocupação de restringi-la, de criar dificuldades ao exercício dessa instituição política’, afirmou no julgamento o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, que morreu em setembro vítima de um câncer no pâncreas.


‘A liberdade de imprensa não traduz uma questão meramente técnica. Representa matéria impregnada do maior relevo político, jurídico e social. Essa garantia básica que resulta da liberdade de expressão do pensamento representa um dos pilares da ordem democrática em nosso País’, argumentou Celso de Mello.


PRÓXIMO PASSO


O relator da ação sobre a Lei de Imprensa, ministro Carlos Ayres Britto, afirmou que enviaria ontem o texto para publicação, o que só deverá ocorrer na próxima semana, porque hoje é feriado no Judiciário, em comemoração ao dia do servidor público, e na segunda-feira é o Dia de Finados.


Liminar do Tribunal de Justiça do DF em ação movida por Fernando Sarney proíbe o jornal de publicar dados sobre a investigação da PF acerca de negócios do empresário, evitando assim que o ‘Estado’ divulgue reportagens já apuradas sobre o caso’


 


 


EUA


AP


Fotos de caixões eram proibidas


‘As imagens dos caixões cobertos com a bandeira americana chegando aos EUA em aviões cargueiros ficaram ausentes por 18 anos dos noticiários do país. As fotos e vídeos desses caixões foram proibidos em 1991, durante a Guerra do Golfo. O argumento era o de que as imagens poderiam baixar o moral das tropas em tempos de guerra.


Críticos, porém, afirmavam que a regra havia sido criada para mascarar o número de mortos e evitar um choque na opinião pública, como ocorreu durante a Guerra do Vietnã. Em fevereiro, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, resolveu acabar com a proibição. Agora, parentes dos soldados decidem se permitem ou não as imagens.’


 


 


INTERNET


Renato Cruz


Orkut muda para enfrentar o Facebook


‘Na semana passada, quando foi lançado o Windows 7, sucessor do Vista, a Microsoft prometeu que o novo sistema operacional seria ‘mais fácil e mais rápido’. Ontem, quando anunciou a nova versão do Orkut, o Google adotou o mesmo discurso. ‘Ele está mais fácil e mais rápido de usar’, disse Eduardo Thuller, gerente de Produto do Google, ao ser perguntado sobre a principal diferença em relação à versão atual.


No ano passado, o gigante da internet transferiu o controle da rede social para o Brasil e a Índia, os dois países onde o site é mais popular. Desde então, ele foi totalmente reescrito, e a nova versão foi anunciada ontem. Por enquanto, é necessário ter um convite para converter seu perfil para o novo Orkut.


O grande concorrente do Orkut por aqui é o Facebook, rede social mais popular do mundo. No Brasil, o Orkut teve 22,8 milhões de usuários em setembro, segundo a consultoria ComScore. O número leva em conta pessoas com 15 anos ou mais, que acessam a rede de casa ou do trabalho. A audiência do Facebook no País ainda é pequena, de 1,8 milhão, mas o crescimento não: sua audiência aumentou 407% em 12 meses. No mesmo período, o Orkut avançou 10%. No mundo, o Facebook teve 389,5 milhões de usuários em agosto, com alta de 153% em 12 meses. O Orkut teve 51,1 milhões, um avanço de 21%.


O crescimento do Facebook no mercado brasileiro, e o apetite da empresa pelo País, foram bem demonstrados durante a visita de Mark Zuckerberg, fundador da empresa, ao Brasil, em agosto. ‘Se quisermos fazer sucesso em todos os países grandes, temos de fazer sucesso no Brasil’, disse Zuckerberg, na ocasião. Durante a visita, ele atuou como um grande divulgador do site e, logo depois, foi lançada uma ferramenta para achar seus amigos do Orkut no Facebook.


‘A cada três, quatro ou cinco anos, é preciso reescrever todo o produto’, disse Berthier Ribeiro, diretor de Engenharia do Google América Latina. ‘Essa é a primeira de várias mudanças do Orkut’, afirmou Victor Ribeiro, diretor de Produto do Orkut. Algumas mudanças tornaram o Orkut mais parecido com o Facebook. Uma delas é a linha de status, do lado do perfil, para o usuário escrever uma mensagem sobre ele mesmo (como faz também no Twitter). Outra é a sugestão de amigos, facilidade presente no Facebook, e agora também no Orkut.


O Google nega que tenha feito mudanças de olho na concorrência. ‘Nós fizemos o que o usuário está pedindo’, explicou Victor Ribeiro. O sistema de publicação de fotos ficou mais fácil, e a definição de níveis de privacidade para as fotos ficou mais clara. Agora, o usuário pode publicar um vídeo no lugar de escrever uma descrição sobre si mesmo, ou no lugar de deixar um comentário sobre um amigo. Também pode mudar as cores do seu perfil. Os executivos do Google disseram ter a intenção de internacionalizar o Orkut, mas não deram nenhuma indicação sobre como pretendem fazer isso.


Uma das mudanças que devem vir por aí, e que não foram confirmadas diretamente no lançamento do novo Orkut, é a abertura do conteúdo que está na Orkut para a rede, levando-se em conta todas as questões de privacidade. Hoje, quando se procura um nome no Google, a página da pessoa no Facebook (quando ela existe) aparece entre os primeiros resultados. A do Orkut ainda não aparece. Esta semana, o Google lançou nos EUA o serviço Google Social Search, para agrupar conteúdos gerados pelos contatos em redes sociais e serviços como o Gmail e o Gtalk, e que ainda não inclui o Orkut.’


 


 


 


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