Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ENTRE ASPAS >

Mariana Barbosa

29/07/2005 na edição 339


‘A empresa de solventes Boainain, de São Bernardo do Campo, foi alvo ontem de um hacker que enviou milhares de e-mails em todo o País denunciando um suposto esquema de sonegação fiscal e adulteração de combustíveis. O e-mail saiu do computador do diretor-superintendente da empresa, Claudinor Oscar Belodi, e é endereçado ao diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda.


O hacker, que se fez passar por Belodi, diz que foi responsável por um esquema de fraude, sonegação e pagamento de propinas na empresa. O autor afirma que ‘depois dos escândalos da Schincariol, Daslu e do Mensalão’ ninguém está impune no Brasil e, cedo ou tarde, descobririam tudo. Diante disso, ele diz que ‘prefere estar do lado da lei’ e pede proteção policial.


A empresa passou o dia tentando rastrear as mensagens. ‘Estamos com profissionais especializados fazendo o rastreamento para entender de onde surgiu e quais os objetivos’, disse o verdadeiro Belodi. Ele cita o fato de que um dos executivos apontados como cúmplice no esquema faleceu há dois meses.


Até o início da noite de ontem 1.491 mensagens de erro de endereços de e-mails inválidos haviam retornado. ‘Imagina quantos não foram enviados com sucesso’, diz Belodi. Segundo o consultor Tarcísio Sahd, que estava ontem à noite ajudando a ‘apagar o incêndio’, a Polícia Federal não havia feito nenhum contato com a empresa. ‘Mas o Ministério Público nos procurou e nos colocamos inteiramente à disposição das autoridades.’’



MORTE NO MIAMI


David Usborne


‘Político de Miami se mata em saguão de jornal’, copyright O Globo / The Independent, 29/07/05


‘Uma das figuras políticas mais conhecidas de Miami, recentemente incomodada por denúncias de corrupção alardeadas em manchetes da imprensa da cidade, Arthur Teele, de 60 anos, entrou ao entardecer de quarta-feira no saguão da sede do ‘Miami Herald’, apontou uma pistola para sua cabeça e matou-se.


Ontem, a polícia entrevistou membros de sua família e tentou refazer as últimas horas de Teele. Antes de entrar na sede do jornal, ele pedira a um guarda de segurança para transmitir uma mensagem a um colunista do ‘Miami Herald’.


Reputação arruinada por acusações judiciais


A carreira política de Teele decolou quando o presidente Ronald Reagan o nomeou para o Departamento de Transportes. Mais recentemente, ele se tornara comissário municipal e do condado, e disputara a prefeitura.


Mas sua reputação aparentemente foi arruinada por uma série de denúncias contra ele. Este mês, ele sofreu várias acusações de fraude e lavagem de dinheiro. Promotores disseram que recebera um suborno de US$ 59 mil para garantir a contratação de uma empresa pelo Aeroporto Internacional de Miami.


Além de enfrentar acusações de corrupção nas esferas estadual e federal, Teele fora condenado meses atrás por ameaçar um policial que o investigava num outro caso de corrupção. Foi afastado de seu cargo na comissão municipal e recebeu uma pena de dois anos em liberdade condicional.


Ontem, a polícia tentava descobrir por que Teele escolheu o saguão do ‘Miami Herald’ para se suicidar. Ele tinha uma longa amizade com um colunista do jornal, Jim DeFede. Por meio do guarda de segurança, avisou a DeFede que deixava um pacote para ele.


Especulava-se, porém, que ao se matar no saguão do mais importante jornal da Flórida, Teele poderia estar tentando enviar uma mensagem sobre sua desgraça e sobre como a mídia a tornara pior.


Dificilmente seria uma coincidência, por exemplo, o fato de o principal jornal alternativo da cidade, ‘Miami New Times’, ter publicado ontem uma notícia de primeira página com novas e detalhadas acusações contra ele, sob o título: ‘Contos de Teele: Histórias de sujeira’.


Colunista gravara entrevista com Teele e é demitido


O texto já estava disponível no site do jornal quarta-feira, dia em que Teele morreu. O subtítulo dizia: ‘Prostitutos, múltiplos amantes, dinheiro de drogas em sacolas de compras da Gucci, suborno e conspirações para extorsão. E você achou que já tinha ouvido tudo sobre Art Teele.’


Executivos dos dois jornais se disseram chocados com sua morte.


– A primeira coisa que me veio à cabeça é que era uma resposta à nossa notícia, o que me encheu de medo – disse Jim Mullin, editor do ‘Miami New Times’. – Quem pode saber? É tudo especulação.


O ‘Miami Herald’ divulgou uma declaração de condolências e mais tarde informou que DeFede fora demitido. O jornal disse que ele fizera uma entrevista com Teele sem lhe dizer que a estava gravando.’


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