Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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ENTRE ASPAS >

Mariana Caetano

27/07/2004 na edição 287

‘A prefeita Marta Suplicy foi condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a pagar multa de R$ 53.205 por propaganda antecipada. O TRE concluiu que o PT usou seu programa partidário para fazer campanha da prefeita, o que é proibido. O horário eleitoral gratuito só começará em 17 de agosto e a campanha nas ruas só começou legalmente em 6 de julho.

Os candidatos do PSDB, José Serra, do PP, Paulo Maluf, do PSB, Luiza Erundina. e do PDT Paulo Pereira da Silva, foram condenados semana passada pelo mesmo motivo, mas em primeira instância. Foram multados em cerca de R$ 21 mil.

O juiz José Joaquim dos Santos, da 1.ª Zona Eleitoral, tinha julgado improcedente a ação do Ministério Público Eleitoral contra Marta. O MPE recorreu ao TRE, que acabou por condenar a prefeita. O PT pode ainda entrar com recurso no Tribunal Superior Eleitoral.’



O Estado de S. Paulo

‘Deputado quer o fim da divulgação de pesquisas’, copyright O Estado de S. Paulo, 24/07/04

‘Tramita na Câmara do Deputados mais um polêmico projeto envolvendo televisão – ou melhor, a mídia, em geral – , desta vez, em relação às campanhas eleitorais. Foi apresentada pelo deputado Luiz Piauhylino (PTB-PE) uma proposta para proibir a divulgação de pesquisas eleitorais em veículos de comunicação neste ano. Para o parlamentar, a divulgação desses dados – que durante meses são os principais alvos dos noticiários de TV- em nada contribuem para o sistema democrático. Ele alega que muitas dessas pesquisas refletem só um momento das campanhas, ou, pior, são fraudulentas e criam um falso clima com o objetivo de induzir a vontade do eleitor. Segundo a proposta, os órgãos que divulgarem as pesquisas poderiam ser punidos com multa de até 400 salários mínimos (R$ 104 mil). A Câmara pretende analisar a idéia nos próximos dias.’



O Globo

‘Nilo recorre ao TRE por espaço em jornais’, copyright O Globo, 22/07/04

‘O candidato do PDT à Prefeitura do Rio, o advogado Nilo Batista (PDT), anunciou ontem que o partido está entrando com uma ação reclamatória, na Justiça Eleitoral, contra os jornais O GLOBO e ‘Jornal do Brasil’ que, segundo ele, ‘estão privilegiando alguns candidatos em detrimento de outros na cobertura das eleições cariocas’. A declaração foi feita ao fim da missa em memória do ex-governador Leonel Brizola, na Igreja de São Benedito, no centro do Rio de Janeiro.

Nilo Batista reclamou por não ter sido ouvido na reportagem publicada ontem no GLOBO sobre os projetos dos cinco candidatos mais votados nas pesquisas de opinião para o Complexo da Frei Caneca:

– Hoje, por exemplo, o jornal O GLOBO ouviu apenas cinco candidatos sobre a questão das penitenciárias cariocas. O engraçado é que sou catedrático de direito penal da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e, depois de uma longa carreira, por concurso público, professor titular e não fui ao menos consultado pelo jornal.

Ele reclamou ainda que o ‘Jornal do Brasil’ não informou sua agenda, enquanto que publicou que César Maia ‘não divulgou agenda’.

Nilo protestou ainda contra o critério adotado pela Rede Globo para o primeiro debate entre os candidatos. Segundo ele, para o primeiro debate a emissora encomendou uma pesquisa ao Ibope e os cinco primeiros colocados participariam do primeiro debate. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 a 24 de junho, enquanto que o PDT só realizou sua convenção e escolheu seu candidato depois, no dia 30 de junho.’

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PRIMEIRAS EDIçõES >

Mariana Caetano

Por lgarcia em 25/09/2002 na edição 191

ELEIÇÕES 2002

"Exposição na TV aumenta em relação a 98", copyright O Estado de S. Paulo, 22/09/02

"Os presidenciáveis retornam a partir de hoje à mais cara das vitrines da televisão brasileira – terão direito a 10 minutos, cada um, no Jornal Nacional – e consolidam um fenônemo inédito nas coberturas eleitorais. Nunca o eleitor foi às urnas, como fará dia 6, dispondo de tanta informação sobre os candidatos. A mídia impressa, e especialmente a eletrônica, ofereceram cobertura recorde em volume e imparcialidade sobre o processo eleitoral, opinam especialistas.

Na TV, que chega a 140 milhões de brasileiros, a mudança foi revolucionária para a Globo. Antes da primeira rodada de entrevistas com os presidenciáveis, no início de julho, só o jogador Ronaldo havia se sentado à bancada do Jornal Nacional para uma conversa ao vivo. A emissora fará na próxima semana seu primeiro debate presidencial em 13 anos. E ainda abriu espaço para entrevistas de 20 e 30 minutos no Jornal da Globo e no Bom Dia Brasil. O JN, que em 1998 limitava-se a divulgar pesquisas, dedica hoje 25% de seu total às eleições.

Somado todo esse tempo à cobertura de emissoras de maior tradição no acompanhamento do processo eleitoral, como a Bandeirantes e a Record – entre outras novidades, a exemplo da rodada de entrevistas na Rede TV! e na MTV -, o eleitor teve uma oferta de informação maior do que as 16 horas disponíveis no horário eleitoral. Segundo Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band, a emissora ampliou em cerca de 20% o tempo dedicado às eleições. Fez o primeiro debate entre os concorrentes e outro com os vices.

A Record, que destina cerca de 45 minutos diários de seu jornalismo à cobertura eleitoral, já fez um debate e inicia hoje rodada de entrevistas ao vivo com o apresentador Boris Casoy. Cada candidato terá cerca de 1 hora e 20 minutos no programa, que vai ao ar às 22h20. Só Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não irá, por ?falta de agenda?.

O diretor do núcleo Jornal da Record/Passando a Limpo, Dácio Nitrini, nega, porém, qualquer novidade no rumo da cobertura. ?Mantemos a mesma linha há 5 anos.? Ele comemora a mudança na concorrência. ?O amplo noticiário e as entrevistas ao vivo são os momentos reais de esclarecimento para o eleitor.

Só há senso crítico onde há jornalismo livre. ? Mitre concorda: ?O horário eleitoral é publicitário.? A Band é pioneira na exibição de debates e ampliou o espaço dedicado a esta eleição ?porque ela é especial?, explica.

?A situação do País exigiu. As outras redes estão fazendo o que deveriam há tempos.?

Democracia – ?A Globo estabeleceu uma política de cobertura com espaços iguais e imparcialidade revolucionários diante de sua tradição?, diz o cientista político Marcos Figueiredo. ?A oferta de informação ao eleitorado, válida para a grande mídia televisiva e impressa, está maior e mais equilibrada. Abre espaço para o debate, mas não o dirige segundo suas preferências. Isso é muito salutar à democracia e importante para o eleitor.? Para Maria Tereza Rocco, professora da Escola de Comunicações e Artes da USP, a cobertura jornalística joga o candidato diante de situações inesperadas e sua reação revela uma face desconhecida do eleitorado. ?Qualquer deslize pode ser decisivo?, argumenta.

Em parte, a cientista política Vera Chaia atribui a ampla cobertura ao fato de um oposicionista liderar a disputa. Alerta, porém, para um possível efeito dúbio da superexposição às candidaturas. ?O excesso pode levar a uma certa exaustão do debate, cansar o eleitor. É bom lembrar que além do jornalismo ainda há o horário eleitoral.?

O fenômeno, com menos intensidade, se repete na mídia impressa.
Segundo o diretor de pesquisas do Instituto Brasileiro de Estudos
em Comunicação, Alexandre Martins, a oferta de notícias
sobre as eleições é de 15% a 20% maior do que
em 1998. ?O debate foi antecipado e acompanhado de perto pelos grandes
veículos.? Desde o início do ano, o Ibec faz pesquisa
sobre o espaço e a tendência da cobertura dos 12 maiores
veículos de mídia impressa do País."

 

"Jornalismo militante invade a Globo", copyright O Estado de S. Paulo, 22/09/02

"Houve uma época – felizmente bem distante – em que a propaganda eleitoral na TV era cinema mudo. Proibidos de falar, os candidatos apareciam no horário obrigatório em uma sucessão de fotos e textos narrados.

O País evoluiu para a democracia e as campanhas também. Hoje todos os partidos têm seu pedaço na TV para mostrar o que lhes convier: depoimentos, reportagens, entrevistas e as idéias dos candidatos por eles mesmos. Diferente também do passado, as emissoras abandonaram o papel de retransmissora da campanha que ocorre nas ruas para imbuirem-se da missão de ajudarem o eleitor a escolher bem.

A posição da Globo é o emblema dessa nova atitude. A série de reportagens que o Jornal Nacional apresenta sobre problemas que o próximo presidente vai ter de enfrentar termina sempre com um alerta para os telespectadores esmiuçarem o programa dos candidatos para saberem o que ele tem sobre o assunto do dia.

Esse jornalismo militante é novidade na Globo. Até há poucos anos, quando ela detinha a hegemonia da audiência, sua postura era de uma isenção irritante. Na última década, quando houve melhor distribui&ccccedil;ão da audiência (porque a concorrência se profissionalizou e conseguiu cooptar um público cativo), ela desceu do pedestal para tornar-se porta-voz do seu telespectador.

O SPTV foi o estandarte dessa nova concepção de jornalismo, chegando até a levar uma tribuna aos bairros para a ?comunidade? sinucar autoridades. O prefeito Celso Pitta era freguês contumaz e teve de explicar muitas vezes por que não fechou um determinado buraco ou não pavimentou ruas. Pitta não estava só, outros responsáveis por serviços públicos também suaram um bocado, diante das câmeras para explicar falta de água, luz, ônibus etc. A experiência deu tão certo que foi transferida para os outros noticiários e, nesta campanha, salta aos olhos. Os apresentadores/entrevistadores, então, vestiram de tal maneira a camisa do eleitor que, em algumas situações, beiram a falta de educação.

A impressão é que, desde que (segundo a lenda) Bóris Casoy derrubou a candidatura de FHC à Prefeitura de São Paulo com uma pergunta sobre sua crença em Deus e deixou Eduardo Suplicy em maus lençóis por não saber o preço do pãozinho, os entrevistadores querem deixar sua marca na história.

Acometidos por esse ?casoisismo?, recebem os candidatos em seu estúdio com armadilhas camufladas em seu arsenal de perguntas. Tanto é verdade que a pergunta do pãozinho foi reeditada no Jornal da Globo.

A sanha de ?revelar? para o telespectador as contradições dos aspirantes a cargos nestas eleições provocou um comportamento beligerante como norma. Está certo que político tem por hábito falar mais do que lhe é perguntado e a TV tem limitação de tempo, mas o que se vê cotidianamente – do Bom Dia Brasil ao Jornal da Globo – é a interrupção abrupta da resposta dos convidados com novas questões e a contestação, muitas vezes agressiva, do que o candidato está expondo.

Não dá para defender a passividade de outrora, mas perguntar
e não escutar a resposta inteira é confundir o eleitor
a que a Globo parece querer tanto esclarecer."

 

"Quando o eleitor diz não", copyright Folha de S. Paulo, 23/09/02

"Quando Ciro apanhou de Serra, viu despencar sua intenção de voto e dobrar, em menos de um mês, sua taxa de rejeição.

Agora Lula apanhou de Serra. Decorrida uma semana de maus tratos, o petista ganhou quatro pontos no Datafolha. O tucano, além de perder dois, tomou de Ciro o posto de líder em rejeição.

É cedo para decretar que o tiro de Serra saiu pela culatra. O tom usado na propaganda contra Lula, entre crítico e ostensivamente negativo, às vezes custa a surtir efeito. Como pedra que cai no lago, dizem os marqueteiros.

Confirma-se, no entanto, a previsão de que abater Lula é tarefa mais difícil do que a anterior.

Com uma semana de hostilidades, Ciro entrou em rota descendente. Como costuma ocorrer com candidatos menos conhecidos do eleitor, o ?ruim? grudou nele ainda mais rapidamente do que havia grudado o ?bom?.

Curtida ao longo de quatro campanhas, a imagem de Lula é, para o bem e para o mal, mais consolidada. Menos suscetível, portanto, a operações-desmonte.

Exceto por semear o crescimento da rejeição a Serra, a derrubada de Ciro teve custo zero. Foi feita pela boca do próprio, tanto nos episódios desenterrados do passado quanto nas novas contribuições oferecidas pelo candidato.

Contra Lula, a campanha tucana se viu obrigada a assumir um ataque de cunho preconceituoso e hierarquizante, na tentativa de caracterizar o adversário como despreparado para governar.

Ainda que pesquisas indiquem ser esse um ponto vulnerável do petista, tudo leva a crer que não foi boa idéia cobrar-lhe um diploma universitário com todas as letras no horário eleitoral gratuito.

Confiantes por dever de ofício, assessores de Serra cuidaram de espalhar que o programa levado ao ar na terça-feira passada foi ?superbem nas qualitativas?.

No máximo concederam que o quadro do diploma despertou reações negativas em eleitores das classes A e B, movidos, avalia a marquetagem, por condescendência para com o petista.

Talvez. Mas a um redator mais sutil teria ocorrido que a cobrança explícita de curso superior pode soar ofensiva a um eleitorado que majoritariamente não o tem.

Não deve ter sido à toa que Serra contradisse a própria propaganda no dia seguinte, opinando que para ser presidente é preciso ter ?preparo?, não necessariamente diploma. E que também FHC, mais titulado do que seu candidato, veio a público dizer que canudo não é fundamental.

Pedra no sapato de candidatos, a taxa de rejeição pode se modificar no decorrer de uma campanha e na sucessão de eleições.

Em 1989, a de Lula foi alimentada pelo medo da mudança brusca. Em português claro, da ?baderna?. Em 1994, baseou-se na idéia de ameaça ao Real.

Passados oito anos e o consequente desgaste da administração tucana, é possível que alguns dos fatores históricos de rejeição ao PT e a seu candidato façam menos sentido para a nova freguesia do mercado eleitoral.

Quanto a Serra, é preciso mais tempo para determinar as consequências de sua rejeição. Se ela vier apenas ou principalmente do eleitorado de Lula, significará mais polarização do que teto. Se vier de todos os lados, pode limitar seriamente as chances do tucano na hipótese de segundo turno com sua participação.

É sintomático que, após a artilharia exibida na terça e na quinta, o programa de Serra tenha sido todo ?paz e amor? na noite de sábado. Houve mão da Justiça Eleitoral, é verdade, mas, se certeza houvesse, sempre se poderia tirar outro ataque da gaveta."

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