Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Mariana Czekalski

04/01/2005 na edição 310

‘Há 50 anos o mundo acordou para as questões globais do meio ambiente. O homem, ser racional, inteligente e ‘superior’, demorou quase dois séculos desde o início da Revolução Industrial para entender que o progresso econômico precisa de limites para a sua própria sobrevivência.

A população já não pode ignorar os danos causados à natureza e, como principal vítima do sistema, sente os impactos ambientais como aquecimento global, poluição de recursos hídricos, degradação do ar e perda da biodiversidade.

Alguns especialistas acreditam que a saída para progresso pode estar num neologismo em moda, bastante explorado pela mídia: ‘desenvolvimento sustentável’. Certamente, o amigo leitor já tenha visto o termo em jornais ou na televisão, usado inclusive de forma equivocada, sugerindo a idéia de crescimento estável, constante (matéria no Jornal Nacional 13/10/2004) e apresentado como a palavra-chave para todos os problemas relacionados ao meio ambiente.

Mas o que significa esse termo na prática? A definição foi acertada na Conferência de Cúpula Rio-92, presente no documento Agenda 21. O importante é que não se refere apenas à dimensão econômica, mas principalmente social e ambiental.

Portanto, sustentável é o desenvolvimento que usa os recursos naturais de forma responsável e preserva-os para futuras gerações. Finalmente, a sociedade começa a perceber que o progresso econômico não pode passar por cima dos interesses públicos e esmagar os recursos do planeta.

Sem dúvida, o conceito representa uma grande evolução sobre educação e consciência ambiental, pois debate sobre o tema e busca as melhores opções para a manutenção da vida no planeta, o que parece pouco, mas já é uma conquista.

O preocupante é que os países desenvolvidos têm propositalmente transferido de forma gradativa as indústria (multinacionais e transnacionais) que usam recursos naturais e energéticos para países emergentes como Brasil, México, China e Índia. Segundo o Instituto Weeppertal, da Alemanha, especializado em desenvolvimento sustentável, de 1975 a 1995, os países desenvolvidos reduziram em cerca de 80% a participação dessas indústrias em suas economias.

‘Os poderosos’ se fortalecem nos setores de bens e serviços de conteúdo tecnológico, intensivos em conhecimento e que requerem um menor consumo de recursos naturais e energéticos. A tendência é chamada revolução tecnológica globalizada. No entanto, parece que o ‘1º Mundo’ esquece que os danos causados ao planeta também têm conseqüência global.

Ao Brasil, que polui rios, destrói a Amazônia e a Mata Atlântica, é sensato abandonar a dependência do atual modelo de desenvolvimento vigente e substitui-lo por outro capaz de não somente manter a vocação produtiva em agricultura e mineração, mas inovar de forma sustentável para investir em ciência, tecnologia, educação e pesquisa. Desta forma, terá uma economia mais forte, ecologicamente correta e independente, pois tem potencial para isso.

Vamos lembrar ainda que o país Estados Unidos, maior poluidor do mundo, sequer assinou o protocolo de Kyoto, documento que estabelece limites para a emissão de gases na atmosfera que causam o efeito estufa. Já a Federação Russa negocia a assinatura como barganha para ter benefícios na OMC (Organização Mundial do Comércio), ou seja, o carbono e a qualidade de vida na Terra viraram mercadoria. (*) Jornalista e escritora’



RUMOS DO JORNALISMO
Alfonso Sánchez-Tabernero

‘A serviço dos cidadãos’, copyright O Estado de S. Paulo, 3/01/05

‘Desde que surgiram as primeiras publicações periódicas no século 17, as críticas à imprensa têm constituído uma constante em todos os países do mundo. Renaudot, fundador da primeira revista da História – La Gazzette -, contou com o apoio de Richelieu para elaborar esse semanário, que se tornou o órgão oficioso do governo francês. Mas, com a morte do cardeal, ele foi acusado de usurário e condenado a não mais exercer sua profissão.

Rapidamente as ‘gazetas’ e os ‘mercúrios’ se multiplicaram pela Europa, sobretudo na França, Alemanha, Holanda, Itália e Grã-Bretanha, antes de darem o salto para o continente americano. Apesar do êxito popular dessas publicações, logo surgiram as primeiras críticas. Ben Johnson, na sua comédia The Staple of News, assegurava em 1625 que os jornalistas, ‘com o fim de criar o sensacional, não recuam diante de nenhum embuste’.

Outros escritores têm repetido essa mesma idéia por quase 400 anos. ‘A grande fragilidade do jornalismo como um quadro de nossa sociedade moderna – escreveu Chesterton em A Esfera e a Cruz – provém de ser uma pintura formada inteiramente por exceções.’ Proust explicava que ler toda manhã o Le Figaro lhe permitia ‘conhecer as desgraças e catástrofes do universo inteiro ocorridas durante as últimas 24 horas’. E Claude Vignon, um dos personagens de Ilusões Perdidas, de Balzac, afirmava que ‘todo jornal é uma loja onde se vendem ao público palavras da cor que este deseja’.

Nos últimos anos, além das críticas tradicionais, têm surgido algumas novas: orientação excessiva da imprensa para o entretenimento; maior capacidade de influência dos anunciantes; concentração, que pode silenciar a voz das minorias; deterioração da fronteira entre informação e entretenimento e entre os conteúdos editoriais e publicitários.

Outro aspecto permanente nas análises referentes à imprensa consiste em prever o seu ocaso – e até o seu desaparecimento – cada vez que surge um novo meio de comunicação. Assim aconteceu com o rádio, com a televisão e, mais recentemente, com os jornais gratuitos e com a internet. Nos próximos anos surgirão novos agourentos que vão diagnosticar a doença terminal da imprensa diante da possibilidade de receber informações nos telefones celulares.

Apesar dessas visões pessimistas, os grandes jornais de qualidade têm sabido reagir com acerto; têm-se adaptado às mudanças, ao mesmo tempo em que mantêm suas marcas de identidade; interpretam mais a atualidade, oferecem referências da História recente, explicam o que os leitores ouviram no rádio, viram na televisão e leram rapidamente na internet. Definitivamente, aprofundaram sua missão, que consiste em proporcionar aos leitores informações relevantes, úteis, interessantes e compreensíveis.

A imprensa cumpre uma função de coesão social: integra os cidadãos em suas comunidades, aumenta o interesse pelos problemas alheios, abre as mentes a novas perspectivas e acontecimentos distantes, facilita o contexto necessário para tornar mais compreensível o mundo em que vivemos.

Os jornais excelentes se propõem, ao mesmo tempo, a cumprir sua função pública e obter rentabilidade. Não vêem incompatibilidade entre esses dois objetivos, pois a solidez econômica permite fazer frente a pressões externas que poderiam deixar em segundo plano os interesses dos leitores e a orientação de servir aos cidadãos favorece o prestígio da marca e a fidelidade do público.

Obviamente, existem outras formas de competir e obter êxitos fulgurantes: a vulgaridade, o sensacionalismo, a mentira, as histórias sobre a vida particular das pessoas, as informações obtidas de modo ilícito ou não suficientemente confirmadas… Dificilmente, porém, consegue sustentar-se no tempo um projeto editorial baseado nesses conteúdos, porque são fáceis de ser imitados por outras publicações, desmotivam os profissionais e geram a desconfiança de leitores e anunciantes.

A imprensa de qualidade não se deixa deslumbrar pelo sucesso a curto prazo alcançado por rivais que atentam gravemente contra os padrões éticos e profissionais. A falta de rigor e honradez constitui uma aposta extraordinariamente arriscada, que cedo ou tarde é punida pelos leitores.

O sensacionalismo, definitivamente, pode ser o meio mais fácil – e, com freqüência, também o mais rápido – de entrar no mercado, mas em nenhum caso é o sistema mais seguro para sobreviver por muitos anos.

Em contrapartida, a imprensa de qualidade projeta a longo prazo. Os proprietários estão comprometidos com o futuro de suas publicações. Os diretores sabem que esse futuro requer a formação de equipes profissionais excelentes, compostas por jornalistas bem preparados e altamente motivados. O coração de um jornal está na sua redação, não se pode poupar nenhum esforço para assegurar que pulse no ritmo previsto. Esses cuidados incluem remuneração adequada, planos de formação e desenvolvimento profissional, informações suficientes sobre os planos da empresa, reconhecimento dos sucessos, tolerância com os erros e espaço para inovação.

Por trás de cada página, a imprensa de qualidade esconde muitas horas de trabalho, criatividade abundante e boas doses de talento, que um grupo de profissionais põe à disposição do público. Também há dúvidas, alguns equívocos e freqüentes discussões sobre como enfocar uma notícia ou quanto espaço deve ocupar, mas cada decisão é baseada no empenho em informar o público de forma honrada e veraz.

Os jornais excelentes – como O Estado de S. Paulo, que amanhã celebra seu 130.º aniversário – são difíceis de desbancar, porque sabem que para proteger seu território devem formar uma grande equipe profissional, fortalecer sua identidade, respeitar os padrões profissionais e impulsionar a inovação. E, acima de tudo, lembrar-se continuamente de que a principal razão de sua existência é servir a seus leitores. Alfonso Sánchez-Tabernero é diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra’



Carlos Alberto Di Franco

‘Imprensa, um balanço’, copyright O Estado de S. Paulo, 3/01/05

‘A virada do calendário é sempre um convite à reflexão. Muitos leitores, aturdidos com a extensão do lodaçal que se vislumbra nos escândalos reiteradamente denunciados pela imprensa, cobram um balanço do desempenho ético da mídia. Todos são capazes de intuir que a informação tem sido a pedra de toque do processo de moralização dos nossos costumes políticos. Alguns consideram que a imprensa estaria extrapolando o seu papel e assumindo funções reservadas à polícia e ao Poder Judiciário. Outros, ao contrário, preocupados com lamentáveis precedentes de impunidade, gostariam de ver repórteres transformados em juízes ou travestidos em policiais.

Um balanço sereno, no entanto, indica um saldo favorável ao empenho investigativo dos meios de comunicação. O despertar da consciência da urgente necessidade de uma revisão profunda da legislação brasileira, responsável maior pelo clima de estelionato e banditismo nos negócios públicos, representa um serviço inestimável prestado pelo jornalismo deste país. A imprensa não tem ficado no simples registro dos delitos. De fato, vai às raízes dos problemas. Daí as consistentes denúncias contra o ex-prefeito Paulo Maluf, o desnudamento do esquema de vendas de sentenças na Justiça Federal, que, felizmente, já começa a se traduzir em algumas condenações, etc. Grande é a nossa responsabilidade. Por isso, é preciso apurar com seriedade. Caso contrário, crimes análogos reaparecerão com a mesma intermitência das febres tropicais.

A exposição da chaga, embora desagradável, é sempre um dever ético. Não se constrói um país num pântano. Impõe-se o empenho de drenagem moral. E só um jornalismo de buldogues, comprometido com a verdade, evitará que tudo acabe num esgar. Sabemos, todos, que há muito espaço vazio nas prisões do colarinho-branco. É preciso avançar, e muito, no trabalho investigativo. Os meios de comunicação existem para incomodar. Um jornalismo cor-de-rosa é socialmente irrelevante. A imprensa, sem prejuízo do permanente esforço de isenção, deve mostrar disposição para liderar. A mídia, festejada pela unanimidade nacional, necessita fazer um balanço honesto, precisa ter a coragem de promover a sua CPI interna. Alguns desvios éticos rondam as nossas coberturas: a frivolização da notícia, o vírus do engajamento e o descompromisso com a exatidão.

De algum tempo para cá, setores da grande imprensa manifestam preocupante ambigüidade ética. O que é sensacionalismo barato numa publicação popular é informação de comportamento nas respeitáveis páginas de alguns veículos da chamada grande imprensa. Biografias não autorizadas (ou difamação politicamente correta) e síndrome do boato compõem um retrato de corpo inteiro da indigência editorial. Nem mortos ilustres escapam ao esquartejamento moral. Best sellers de ocasião, apoiados no marketing da leviandade e sustentados pela repercussão da mídia, ganham status de seriedade. Nem Abraham Lincoln, transformado no mais ilustre gay da América, escapou à fúria da historiografia do escândalo. O que interessa não é a informação. O que importa é chocar. Ao tentar disputar espaço com o mundo do entretenimento, alguns setores da imprensa estão entrando num perigoso processo de autofagia. Esquecem que a frivolidade não é a melhor companheira para a viagem da qualidade. Pode até atrair num primeiro momento, mas, depois, não duvidemos, termina sofrendo arranhões irreparáveis no seu prestígio.

O leitor que confia na integridade dos jornais é o mesmo que em inúmeras pesquisas qualitativas nos envia alguns recados: quer, por exemplo, menos frivolidade e mais profundidade. Tradicionalmente fortes no tratamento da informação, alguns diários têm sucumbido às regras ditadas pelo mundo do espetáculo. Ao atribuírem à televisão a responsabilidade pela perda de leitores, partiram, num erro estratégico, para um perigoso empenho de imitação. A força da imagem, indiscutível e evidente, gerou um perverso complexo de inferioridade em algumas redações. Perdemos a capacidade de sonhar e a coragem de investir em pautas criativas. É hora de proceder às oportunas retificações de rumo. Há espaço, e muito, para o jornalismo de qualidade. Basta cuidar do conteúdo.

Na outra ponta do problema estão as freqüentes recaídas no anacronismo do engajamento informativo. A neutralidade não é sinal de bom jornalismo. É, freqüentemente, sintoma de covardia editorial. Mas a imparcialidade, árdua e difícil, é uma meta que deve ser perseguida. A batalha da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação, da preguiça profissional e da incompetência arrogante. A apuração de faz-de-conta é uma das maiores agressões à imprensa de qualidade. Matérias previamente decididas em guetos engajados buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não se apóia na busca da verdade, mas num artifício para transmitir um simulacro de imparcialidade. A preguiça profissional, falsamente atribuída às pressões do deadline, completa a obra: despenca-se na rotina da inexatidão. Repórteres carentes de informação especializada e de documentação apropriada acabam derrapando no escorregadio terreno do jornalismo declaratório. Na ausência da pergunta inteligente, a ditadura das aspas ocupa o lugar da apuração.

O Brasil depende, e muito, da qualidade técnica e ética da sua imprensa. Não cabem, portanto, atitudes amadorísticas. A opinião pública espera que a mídia, apoiada no crescente aprimoramento dos seus recursos humanos e nas balizas éticas, prossiga no seu ânimo investigativo.

A todos, um feliz 2005.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética da Comunicação e representante da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra no Brasil, é diretor da Di Franco – Consultoria em Estratégia de Mídia Ltda. E-mail: difranco@ceu.org.br’



BALANÇO DE 2004
Comunique-se

‘Um balanço de 2004 e expectativas para 2005’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 29/12/04

‘Quando se chega ao final do ano, é muito comum lermos análises e retrospectivas do período que passou e expectativas para o ano seguinte. O Comunique-se não fez diferente. Nossa redação conversou com profissionais de imprensa reconhecidos por suas atuações no Jornalismo brasileiro. Foram feitas duas perguntas: Como foi o ano de 2004 para o Jornalismo brasileiro e o que se espera para 2005? Uns foram mais pessimistas, enquanto outros já esperam um ano de recuperação para a profissão. Confira o que eles disseram.

Evandro Teixeira, repórter-fotográfico do Jornal do Brasil

‘O jornalismo de modo geral está em decadência, principalmente o fotojornalismo. Vejo profissionais competentes desempregados. Não vejo boas perspectivas para o ano que vem. Na minha área, a situação está cada vez mais crítica. Ainda mais agora, com o surgimento recente das câmeras digitais. Todo mundo virou fotojornalista. Pessoalmente, 2004 foi bom para mim. Não tenho do que me queixar. Fiz um livro sobre Neruda e preparo mais dois, um sobre a Feira de São Cristóvão e outro sobre o ano de 1968’.

André Muggiati, assessor da Campanha Amazônia da Ong Greepeace no Brasil

‘Houve um importante acontecimento este ano para o Jornalismo ambiental: o congresso, realizado em dezembro, em São Paulo, pelo Núcleo Paulista de Jornalistas Ambientais. Mais de 100 pessoas participaram do encontro, mostrando-se interessadas na temática e conscientes do quanto é importante esse assunto ter mais espaço na mídia. Vejo que a inserção de temas ambientais no noticiário nacional continua baixa, não houve mudança em termos de inserir a questão no cotidiano das pessoas. A grande mídia, do Sul e do Sudeste, ainda trata a questão da Amazônia, por exemplo, como exótica e não nacional. Jornais internacionais como The Independent e The Gardian têm feito uma cobertura mais completa do que nossos veículos. São matérias balanceadas, cumprindo todos os aspectos da questão. Abro exceção para a jornalista Amália Safatle, da CartaCapital, que fez este ano uma série de matérias muito interessante envolvendo a questão ambiental em amplo aspecto. A imprensa brasileira tem sido omissa, ainda não acordou para o tema’.

Juca Varella, editor assistente de Fotografia do Estado de S. Paulo

‘2004 foi cruel para o fotojornalismo e o jornalismo em geral. As empresas realizaram ajustes e, conseqüentemente, reduziram vagas. Por outro lado, vejo como positiva a autonomia do repórter fotográfico. Ele está se tornando um profissonal mais completo, individual, que resolve os problemas da redação sem estar na redação. Não é mais aquele free-lancer com quem costumávamos lidar. Ele se pauta, é pautado, funciona como uma mini-agência. Acredito que em 2005 esse profissional vai se consolidar ainda mais, auxiliado pela tecnologia digital. Também vejo mais investimentos em matérias investigativas. Este ano, exercemos um jornalismo chato, de baixa qualidade, um jornalismo de telefone.

Mário Andrada, editor da Reuters para a América Latina

‘Este foi um ano bom porque aprendemos a conviver e a nos adaptar ao novo governo. Tivemos dois grandes problemas: o caso do correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter, e a ameaça do Conselho Federal de Jornalismo. Ambos tiveram um final feliz. O lado bom foi que a imprensa sentiu que seu poder não é absoluto e que consegue se renovar. Tivemos também a eleição americana e percebemos como a mídia se comporta num nível mais global. E, finalmente, o mercado mostra sinais de recuperação, embora tímidos, mas interessantes. Em 2005, o desafio da imprensa brasileira será decidir se vai ficar na oposição, na situação ou na neutralidade. Vimos oposição disfarçada de situação e vice-versa este ano. A mídia tende a se superar’.

Maria Cristina Poli, repórter da TV Globo

‘O ano de 2004 começou um pouco confuso. Houve modificações de rumo, principalmente na área da TV. Não se sabia para onde o barco estava indo. Tudo foi reflexo da economia e a mídia, claro, não fica de fora. Observei um movimento legal na imprensa escrita. O Estadão, por exemplo, se recuperou. Acho que este ano foi o da observação e de atitudes mais conservadoras em função do medo da economia do país. Acho que 2005 vai ser um período de reconstrução daqueles espaços perdidos no tempo anterior e novos espaços serão criados. Torço para que os canais de TV a cabo se firmem no mercado, para que não fiquemos tão restritos. Sou otimista por excelência’.

Marta Gleich, editora-chefe do Zero Hora (RS)

‘Para nós, do Zero Hora, e também para os outros diários do Grupo RBS, o ano de 2004 foi excepcional. Nossa circulação cresceu, enquanto o cenário, de uma forma geral, registrou queda. Temos nos concentrado numa cobertura cada vez mais direcionada a algumas linhas editoriais, como a valorização da cobertura do Rio Grande do Sul e de pessoas anônimas da nossa comunidade. Pelo menos aqui não houve demissão em massa, como aconteceu em outros veículos. Estamos otimistas em relação a 2005, apesar de acreditarmos que este será um ano puxado para os jornais em função do quadro atual de circulação e também das pessoas que lêem cada vez menos. Os desafios são fortes’.

Fernando Rodrigues, repórter e colunista da Folha de S. Paulo em Brasília

‘2004 foi um ano de muitos ajustes no mercado, com diminuição de vagas em vários veículos, em decorrência da necessidade dessas empresas reestruturarem suas dívidas e se adaptarem às mudanças econômicas do país. Tudo indica que o pior já passou. Acho possível pelo menos prever uma estabilidade e, se a economia continuar no ritmo que está, haver um crescimento do mercado de trabalho. Quanto à liberdade de imprensa, este ano foi conturbado porque houve a iniciativa dos sindicatos que, através da Fenaj e com o apoio do governo federal, tentaram a aprovação da criação do Conselho Federal de Jornalismo. Essa tentativa não está terminada. Procuro ver o lado bom da coisa. Houve muito debate e reflexão da atividade jornalística. Espero que essas discussões continuem em 2005. Mas algo tem me preocupado muito: o uso indiscrimado de expressões que deviam se limitar ao jornalismo. Alguns políticos, por exemplo, recorrem ao formato jornalístico em suas campanhas, mas tudo aquilo é propaganda. Algumas pessoas podem se confundir’.

Ique, chargista do Jornal do Brasil

‘O jornalismo tem sido expremido em todos os sentidos. Acho que este foi um ano ruim. Com a mudança no Código Civil, um dos artigos pode exterminar com a profissão de chargistas. Segundo ele, se uma pessoa se achar parecida com o que eu desenhei, por exemplo, pode me processar. O artigo trata da imagem personalíssima. Como ficam então as charges políticas? Se cada político que for retratado numa charge quiser entrar na Justiça, uma ação será movida por dia. Falo isso porque estou sendo processado. Destaco neste ano a retomada da Associação Brasileira de Imprensa. Espero que em 2005 ela continue no caminho que está traçando, já que tem peso nas decisões políticas do país e oferece proteção a todos os jornalistas. Também espero que a categoria acorde e perceba que é preciso se unir e se mobilizar sempre’.’

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