Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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ENTRE ASPAS >

Marina Guimarães

08/02/2005 na edição 315

‘INOVAÇÃO: Os avanços tecnológicos na telefonia celular chegaram à ousadia da produção cinematográfica na Argentina. Um grupo de jovens produziu um filme totalmente gravado com câmeras de telefones celulares. É um curta-metragem de três minutos que conta a história de um casal e seus desencontros. O filme terminou de ser gravado no sábado, em Mar del Plata, no festival Nokia Trends. ‘Queríamos dar ao filme um efeito verdadeiro’, diz o diretor de Marketing IT da Publiquest, Mariano Barucca. A empresa faz marketing tecnológico e desenvolve programação para celulares. Com o sugestivo título Conectados, o filme conta com 4 atores e 20 integrantes da equipe. As gravações duraram cerca de 60 dias mas o período de testes com as câmeras, som e iluminação durou 3 meses. O modelo dos telefones utilizados tem tela com 65 mil cores e câmera de 1 megapixel. Os investimentos foram de aproximadamente US$ 13,6 mil.’



HACKERS NO CIBERESPAÇO
Keli Lynn Boop

‘‘Os hackers inovam a tecnologia’’, copyright O Estado de S. Paulo, 5/2/05

‘‘Em sua maioria, os hackers são pessoas pacíficas, não-políticas, que passam a noite tomando coca-cola e dormem de dia.’ A definição, aparentemente insólita, é de uma das maiores autoridades no que se refere aos efeitos da revolução digital na sociedade, o sociólogo catalão Manuel Castells, que veio ao Brasil participar de debate sobre liberdade do conhecimento, software livre, difusão cultural e os desafios para o futuro digital. Considerado o principal analista da era da informação e da sociedade de rede e apontado pela The Economist como o primeiro e mais importante filósofo do ciberespaço, Castells lamenta que os meios de comunicação divulguem os hackers como vampiros. ‘Eles inovam a tecnologia, os crackers são os que criam danos aos sistemas’, explicou Castells em entrevista depois de participar, ao lado do ministro da Cultura, Gilberto Gil, da mesa de debates Revolução Digital: software livre, liberdade de conhecimento e liberdade de expressão na sociedade da informação, promovida pela organização Projeto Software Livre Brasil e pelos idealizadores do Creative Common (CC) durante a 5.ª edição do Fórum Social Mundial que terminou dia 31, em Porto Alegre.

Defensor da ‘ética hacker’, Castells propôs à mídia que esclareça o público sobre as diferenças entre ‘hacker’ e ‘cracker’, ‘software livre’ e ‘software proprietário’ e ‘pirataria’ e ‘não-pirataria’. O autor da celebrada trilogia A Era da Informação – A Sociedade em Rede (97), O Poder da Identidade (98) e Fim de Milênio (98) diz que o princípio do movimento do software livre é que, contando que o software é livre, cada um é livre também para fazer o que quer. ‘Não é tão complicado, é como o alfabeto, que tem acesso livre de todo mundo. Você pode escrever um poema ou escrever um livro comercial. O software é a escritura da Era da Informação.’

Castells diz que o movimento do software livre não é contra ganhar dinheiro e que tem muitos exemplos de empresas que ganham muito dinheiro com ele. ‘Não é que a Microsoft, por exemplo, não possa ganhar dinheiro. A Microsoft tenta convencer as pessoas de que o movimento software livre ataca as corporações multinacionais e ataca o capitalismo. Não é certo isso, há muitas pessoas que fazem parte do movimento que são anticapitalistas, mas o software livre como tal não é anticapitalista. Pode funcionar com capitalismo ou sem capitalismo, é algo que transcende a isso.’ Castells acredita que tanto em termos técnicos, como de processo, de rentabilidade ou retorno institucional, o software livre tem uma batalha ganha. ‘Hoje há mais multinacionais da informática e da eletrônica com plataforma de software livre do que com plataforma de software exclusivamente de proprietário.’

Menos otimista no que se refere ao conhecimento digital, o sociólogo afirma que a maioria da população conectada digitalmente é ‘analfabeta digital funcional’. ‘Um dos piores aspectos do software comercial é a separação do acesso a uma extraordinária tecnologia e a nossa capacidade pessoal, isso nos faz sentir idiotas todos os dias.’ Apesar de trabalhar com um tema que sugere profecias, Castells é avesso à futorologia e afirma que nunca faz prognósticos. Afortunadamente, comemora ele, o analfabeto funcional está chegando ao fim, por uma questão biológica. ‘Quando a geração de analfabetos digitais funcionais desaparecer haverá um progresso enorme na humanidade.’

Sobre o papel e a importância da internet hoje, Castells diz que ela é equivalente à eletricidade da Era Industrial. Embora seja fundamental nas atividades econômicas, políticas e sociais, não é uma solução. ‘É uma infra-estrutura, uma comunicação e essa comunicação envolve todos que fazem parte da sociedade.’

Indagado sobre o que reflete então a internet brasileira, Manuel Castells diz que aqui ela se divide em duas partes, ‘em ser e o não ser’. ‘Há uma comunidade pequena de 8% de internautas concentrados em Ipanema e nos Jardins, em São Paulo, culturalmente inovadora e abastada em software livre. O Brasil, em termos de criatividade no setor da comunidade de internautas, é semelhante à Califórnia.’

Dizendo-se pessimista com relação à incapacidade dos governos em abarcar a revolução cultural que a tecnologia da informação traz, o sociólogo afirma que é difícil alfabetizar cidadão, mas alfabetizar governos é bem mais. ‘Há crise de eficiência administrativa, não só no Brasil, mas em todos os governos. Crise de legitimidade democrática e de relação entre os próprio governos, pois há complexidade de relação que só se pode manejar tecnologicamente.’ Uma das soluções para o problema, ‘é que as administrações governistas tenham inovadores culturais para modernizar e alfabetizar os governos’.’



MICROSOFT
Folha de S. Paulo

‘Microsoft lança mecanismo de busca on-line’, copyright Folha de S. Paulo, 2/2/05

‘A Microsoft anunciou ontem sua entrada oficial na guerra dos sites de busca da internet, com o lançamento do seu mecanismo de pesquisa na rede, o MSN Search.

Com 18 meses investidos no desenvolvimento do produto, o projeto é um dos mais importantes da companhia de Bill Gates na tentativa de alcançar os líderes Google e Yahoo! no crescente negócio de anúncios on-line em sites de buscas.

O Google, que lidera o mercado, lucrou no último trimestre do ano passado US$ 204,1 milhões, um crescimento estrondoso de mais de sete vezes em comparação com os US$ 27,3 milhões lucrados no mesmo período de 2003.

Em comunicado no site do serviço de internet da Microsoft, o MSN (www.msn.com), Gates afirmou que pesquisar na internet atualmente é um desafio.

‘Estima-se que quase metade das buscas complexas dos usuários fique sem respostas. Para resolver isso, lançamos o MSN Search, que recebeu comentários e avaliações de milhões de usuários, para que seja o melhor programa de busca disponível’, afirmou o presidente da Microsoft.

Mark Kroese, gerente geral de serviços de informação do MSN, disse que uma série de rápidas inovações virão na seqüência do lançamento do programa. Uma das novas ferramentas possíveis é um serviço de busca de vídeos exibidos na televisão, como o Google já oferece em versão de teste (video.google.com).

Além das tradicionais pesquisas segmentadas -na web, por imagens, notícias, músicas- o serviço de busca da Microsoft utiliza informações da enciclopédia Encarta para fornecer respostas em 1,5 milhão de tópicos. Também possui a opção ‘near me’ (próximo de mim), que permite ao usuário limitar os resultados da pesquisa em termos de relevância segundo sua localização geográfica, deduzida a partir do endereço IP do computador do usuário.

‘À medida que os mecanismos de busca melhoraram, o comportamento dos usuários em sites da internet mudou para um modelo mais voltado à pesquisa’, afirmou Kroese.

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com 2.200 internautas pela Pew Internet and American Life Project mostra que 32% deles não poderiam mais viver sem ferramentas de busca. Por outro lado, 17% deles não sentiriam a menor falta desse serviço, se ele deixasse de existir.

Um estudo feito pela Keynote Systems indicou que o mercado de ferramentas de busca deve faturar US$ 8,9 bilhões em 2007, contra US$ 2,6 bilhões em 2003.’

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