Sábado, 07 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Massa no hospital: imprensa é mantida sob disciplina militar

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 28/07/2009 na edição 548


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 27 de julho de 2009


 


FELIPE MASSA
Livio Oricchio, Budapeste


Médico pessoal e imprensa são mantidos sob disciplina militar


‘O Hospital Militar de Budapeste é, como o nome diz, uma área militar, apesar da maioria no seu interior ser de civis. E o controle intenso de toda atividade na área faz com que, por exemplo, a imprensa não possa entrar. Dezenas de profissionais permanecem na rua Robert Károly, em Peste, aguardando as raras manifestações do doutor Bozlo Peter, quase monossilábicas, em húngaro, traduzidas por uma intérprete. O rio Danúbio divide a cidade em Buda e Peste.


Ontem, por exemplo, o médico emitiu seu comunicado oral por volta das 12h30. Sua marca registrada é sempre desenhar o pior quadro possível, o que fez com que o repórter da agência Associated Press o seguisse ao pé da letra e gerasse uma dura reação da direção de imprensa da Ferrari com o jornalista. Ele distribui nota dizendo que Massa corria sério risco de morte.


Mas, antes de o respeitado neurologista dizer, de novo, ontem, que Massa corre risco iminente de morte, a imprensa viu a família do piloto chegar, às 10h30, vinda de São Paulo. Rafaela parecia bastante atingida com o drama, tanto que chorava, ao passo que Luis Antonio, o pai, e Ana, mãe, tinham semblante tenso, mas mantinham-se firmes. Não conversaram com os jornalistas. Tudo o que desejavam era ver Massa.


Os médicos precisavam conhecer sua reação sob menor analgesia e o deixaram acordar. As informações são de que ele identificou todos. O seu médico particular, Dino Altman, aproveitou para compreender melhor o estado do paciente, ao promover alguns testes. O combinado para Altman poder seguir tudo de perto é que, tanto ele quanto o conceituado médico francês Gerard Saillant não digam nada, e, quando o neurologista militar Bozlo Peter se manifestar, os dois devam estar atrás dele. Tanto Altman quanto Saillant atenderam o que não é bem um pedido, mas uma ordem.


Para corresponder ao pedido dos jornalistas brasileiros, Altman solicitou que ligassem no seu celular. E a situação ficou no mínimo estranha porque a imprensa podia vê-lo através das portas de vidro do hospital enquanto respondia as perguntas, mas através do telefone. Pessoalmente estava proibido.


Mas, se a ordem é seguir a disciplina dos quartéis, em termos de hospital, os pilotos de Fórmula 1, especialmente Massa, estão bem servidos. O Hospital Militar de Budapeste ganhou elogios tanto de Altman quanto de Saillant, que o classificaram como de ‘primeira linha’.


A área ao redor do hospital é exclusivamente residencial. São edifícios baixos típicos do Leste europeu da época do comunismo, mas já permeados por construções modernas e de arquitetura que nada têm a ver com a da época totalitária. Sua concepção, sua suntuosidade e, por vezes até exagero, representam o máximo do capitalismo.’


 


 


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Jornais pelo mundo destacam o acidente


‘‘Susto’, ‘terror’ e ‘terrível’ foram algumas palavras usadas pela imprensa internacional para noticiar, ontem, o acidente sofrido por Felipe Massa durante o treino de classificação para o GP da Hungria, no sábado.


A edição impressa do jornal argentino Olé estampou a foto do piloto brasileiro ferido no alto da capa de domingo, acompanhada da palavra ‘terrível’ e da chamada ‘Grave acidente na Hungria: Massa se salvou.’ O futebol foi o destaque principal da edição, com o bom desempenho do veterano Ariel Ortega em partida pelo River Plate.


Na internet, a publicação destacou o acidente sob o título ‘Quase uma tragédia’, mais a informação de que o piloto brasileiro foi ‘golpeado por uma peça do carro de Barrichello’.


Na capa do jornal italiano Corriere dello Sport de ontem, a mesma foto veio ao lado da manchete ‘Força, Massa’. Na página 2 da edição, o título principal é ‘A morte passou a 2 centímetros’, ao lado de uma foto grande do acidente na Hungria.


A versão online do jornal italiano de esportes destacou foto e a manchete ‘Minutos de terror para Massa.’


O jornal Marca, da Espanha, deu mais destaque para a pole position conquistada por Fernando Alonso no mesmo treino durante o qual Felipe Massa sofreu o acidente. Mas não deixou de citar o brasileiro como a segunda principal notícia esportiva do dia. ‘Massa dá susto’, informou a edição impressa do jornal. O texto ressalta que o brasileiro foi levado consciente para o hospital húngaro, onde continua internado.


A página na internet do jornal português A Bola chamou a atenção para o estado de saúde de Massa ontem. O título dizia que o piloto está ‘estável, mas em estado clínico muito grave’. A publicação menciona o acidente com Massa para informar a respeito do pneu solto no carro de Alonso na corrida.


O jornal Blikk, da Hungria, dedicou a capa ao acidente e o Bors, também do país, a manchete. No Bild, da Alemanha, também com uma foto grande, o destaque foi ‘Massa, estrela da Ferrari. Acidente de horror no treino de classificação.’’


 


 


SARNEY
O Estado de S. Paulo


Senador despista jornalistas


‘O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), conseguiu despistar os jornalistas que o aguardavam ontem na porta do Hospital Sírio-Libanês, onde sua mulher, Marly, seria operada. Os dois chegaram no início da tarde em um helicóptero, sem passar pela entrada principal. Dona Marly, de 77 anos, fraturou o ombro esquerdo na quinta-feira passada em sua casa, em São Luís (MA), após tropeçar em um tapete. Os resultados dos exames levaram os médicos David Uip, Roberto Kalil Filho e Sérgio Checchia a optarem pela realização da cirurgia ainda na noite de ontem.’


 


 


CAMPANHA
Julia Duailibi


‘É difícil ganhar uma eleição twittando’


‘Inspirados pela experiência da campanha presidencial americana de 2008, os partidos políticos que disputarão a corrida de 2010 começaram a olhar para a internet com mais atenção. Marqueteiros ligados tanto ao PSDB como ao PT estão de olho na Blue State Digital (BSD), empresa americana que criou a estratégia na rede para a campanha de Barack Obama a presidente dos Estados Unidos.


Ben Self, um americano de Kentucky, de 32 anos, é um dos jovens rostos por trás da bem-sucedida, e excessivamente elogiada, campanha online que ajudou a levar Obama à vitória. Fundador da BSD, ele ajudou a formatar a estratégia que arrecadou nada menos que US$ 500 milhões via internet. Foram obtidas cerca 6,5 milhões de doações online – uma média de US$ 80 por doação -, o que criou um novo paradigma sobre financiamento de campanha nos EUA e no mundo.


Uma das sacadas da BSD foi pulverizar as doações por várias páginas de relacionamento na internet, que tinham em comum o apoio à campanha de Obama. As pessoas entravam na rede, doavam, articulavam eventos pró-campanha e ainda participavam de grupos de discussão sobre a arrecadação. Milhões de dólares foram doados em questão de dias. ‘Nós descobrimos que as pessoas adoram fazer esse tipo de conexão, mesmo que elas não se conheçam. E elas voltam para doar 3, 4, 5 dólares’, afirmou Self, em entrevista concedida ao Estado de seu escritório nos EUA.


A empresa que Self mantém com outros três sócios, e a colaboração na equipe de Obama de outros nomes, como Chris Hughes, fundador do Facebook, lançou uma nova forma de fazer e financiar campanhas. ‘Acho que qualquer candidato que vire as costas para isso (internet) está perdendo uma oportunidade-chave e uma grande vantagem.’ Para ele, a rede não é um local de persuasão, mas de articulação. ‘É muito difícil ganhar a eleição ?twittando?. Você precisa motivar as pessoas, isso ajuda a ganhar eleição. Isso significa falar com os eleitores, amigos, doar dinheiro’, disse, em referência ao microblog de relacionamentos, que virou mania entre políticos brasileiros.


Ex-diretor de tecnologia do Partido Democrata, Self esteve em maio no Brasil. Ele se recusa a comentar qualquer negociação com partidos brasileiros. Eis a entrevista.


Como a Blue State Digital começou a trabalhar para Obama?


A BSD foi fundada em 2004, durante a campanha de Howard Dean (democrata que disputou as primárias daquele ano) para a Presidência. Desde 2004, trabalhamos para vários candidatos, partidos políticos e organizações sem fins lucrativos. Ficamos conhecidos pelo trabalho que fizemos para vários candidatos nos Estados Unidos e também pelo nosso trabalho para o Partido Democrata. Eles continuam sendo nossos clientes.


Então, quando a campanha de Obama começou, em 2007, nós éramos os mais qualificados, sob certo aspecto, para dar a eles a tecnologia de que precisavam. Eles nos ligaram, dez dias, eu acho, antes de anunciarem que iriam concorrer e disseram: ‘Ei, nós queremos fazer uma campanha de um jeito diferente e queremos usar as suas ferramentas e a sua tecnologia’.


O que vocês fizeram para o Partido Democrata?


Nós tivemos um grande papel no trabalho para Howard Dean. Ao gerenciarmos a estratégia de internet e de tecnologia, demos as nossas ferramentas e a nossa tecnologia ao partido. Eu estava intimamente envolvido porque era diretor de tecnologia lá. Então temos trabalhado muito próximos aos democratas desde 2005.


A internet foi determinante para a vitória de Barack Obama?


Não diria que a internet pode fazer ou derrubar o candidato. Obviamente, é muito importante e traz muitas vantagens, mas não foi só a internet que fez o senador Obama presidente, foi uma série de fatores conjuntos.


Mas a internet foi a grande novidade da campanha, com a arrecadação online recorde.


É difícil apontar para qualquer fator e dizer: isso fez a diferença. Havia tantas coisas maravilhosas sobre o nosso candidato, que qualquer uma poderia ser apontada como a que fez a diferença. No entanto, acho que a grande diferença na forma como a campanha de Obama usou a internet, em relação ao que os outros fizeram no passado, é que ela entendeu como usar a rede para ajudar a conectar voluntários dando a eles ações, que realmente fizeram a diferença na campanha. Então essa foi a grande mudança.


Essa percepção de que a internet faria a diferença já estava presente desde o começo da campanha?


Estava bem clara para todo mundo, no começo da campanha, a importância da internet. Todo mundo já sabia que seria uma peça-chave na campanha.


O político que não apostar na internet já está em desvantagem?


Sempre haverá candidatos que se recusarão a abraçar a novas tecnologias. Essa é uma ferramenta importante para falar com eleitores e também para motivá-los. A campanha do Obama nos ensinou que existe uma grande vantagem em ter um relacionamento dinâmico e uma estratégia online. Então, acho que qualquer candidato que vire as costas para isso está perdendo uma oportunidade-chave e uma grande vantagem.


Mesmo em países, como o Brasil, em que a internet é menos acessível que nos Estados Unidos?


É claro que a penetração em algum nível é necessária. É um investimento de tempo.


Qual ferramenta indispensável que uma campanha online deve ter?


Um website dinâmico e interessante que traga pessoas para a campanha e permita que elas façam parte dela. E tem de ter um mailing poderoso, que contenha milhares, milhões de pessoas nele. É provavelmente a peça mais importante de qualquer campanha online. É mais importante, de certa forma, que um bom website.


E os sites de relacionamento?


Depende de como se usa e de qual sua estratégia geral. Há um papel para eles, mas não são mais importantes que o website, nem que o e-mail, de jeito nenhum. É uma ferramenta, mas é muito difícil ganhar a eleição ‘twittando’. Você precisa motivar as pessoas, isso ajuda a ganhar eleição. Isso significa falar com os eleitores, amigos, doar dinheiro. Se você tem um website que fala de você e no qual os seus apoiadores opinam, mas que não motiva seus eleitores para nenhuma ação, você não vai a lugar nenhum.


Qual o custo de uma estrutura dessas para uma campanha eleitoral?


A gente não anuncia quanto cada um dos nossos clientes paga. Mas, claro, a gente trabalha para clientes grandes e pequenos. Alguns grandes, como a campanha do Obama, e os menores, que são as organizações sem fins lucrativos. Temos uma série de ferramentas que nós autorizamos os clientes a usar. Clientes que não podem bancar os custos se beneficiam do longo caminho que a gente já traçou.


Como vocês criaram a ferramenta de arrecadação pela internet?


É só um exemplo de como a gente pegou uma ideia tradicional de arrecadação de fundos e a usou. Há uma técnica de arrecadação de fundos muito comum nos Estados Unidos. Aqui, nós a chamamos de match e geralmente é usada como mala direta. Esses pedidos funcionam assim: ‘Se você der um dólar, há um outro doador que nos dará três dólares. Então, doe agora’. A gente olhou para isso e pensou: as pessoas não acreditam nisso. Então vamos mudar essa ideia e vamos fazer ela incrivelmente transparente. O grassroots match faz isso.


Como funciona?


Você manda um e-mail para sua base de arrecadação, pessoas que te doaram antes, e diz: ‘Ei, vamos falar com todas as pessoas que são nossos apoiadores, mas que nunca doaram antes. Vamos dizer: ?Nós temos 10 mil pessoas que darão 10 dólares, se você der 10 dólares hoje. E assim que você der os seus 10 dólares, a gente vai te conectar a uma dessas pessoas e você vai trocar impressões sobre a doação?.’ Nós descobrimos que as pessoas adoram fazer esse tipo de conexão, mesmo que elas não se conheçam. E elas voltam para doar 3, 4, 5 dólares. A campanha arrecadou muito dinheiro com pequenas doações. Então, focar nisso, foi uma parte importante da campanha.


O eleitor da internet tem um perfil específico?


Não, na verdade, a gente descobriu que os perfis mais ativos usando os sites eram de pessoas que a gente não esperaria. Um dos enganos mais comuns que você costuma ouvir é que a internet é usada para convencer, persuadir as pessoas. Realmente tem, sim, alguma porcentagem de pessoas que vai ao site para aprender mais sobre o candidato. Mas ela serve, principalmente, para aumentar o entusiasmo e a paixão dos apoiadores e pedir a eles para fazer coisas, usá-los para falar com as famílias e os amigos para, aí sim, convencê-los e fazê-los mudar de ideia.


O senhor acha que a internet, ao dar transparência às doações, pode coibir casos de corrupção?


Eu acho que ser capaz de financiar uma campanha política ou partido político (pela internet) é genial. É muito mais importante ter várias pessoas por aí espalhadas, apoiando um determinado candidato e se engajando na democracia. Isso deve ser encorajado. As doações pela internet são um jeito de fazer isso. Permitem que mais gente, e de forma mais fácil, se envolva com as doações. Toda vez que puder diminuir barreiras e aumentar participação em democracia é uma boa coisa.


Aqui no Brasil estamos discutindo regulação de campanhas na rede. O sr. é a favor de regular a internet?


É muito difícil falar sobre isso, sem saber detalhes da situação.


Os partidos brasileiros estão cortejando o sr. Já fechou com alguém?


Não comentamos nada sobre isso. Me desculpe.


Quem é:


Ben Self


É ex-diretor de tecnologia do Partido Democrata dos Estados Unidos e sócio-fundador da agência Blue State Digital


Coordenou a campanha online de Barack Obama.


Ajudou a formatar a estratégia de arrecadação de doações para a campanha de Obama pela internet’


 


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Mensagens instantâneas ganham espaço no marketing


‘Com praticamente 160 milhões de usuários de celular no País, segundo os últimos dados oficiais, já não há mais dúvidas de que os anunciantes devem redobrar a atenção com o potencial desse canal de mídia. Companhias que prestam serviços para o consumidor final podem até mesmo reduzir seus custos com a manutenção de call centers, apelando, por exemplo, ao sistema de envio de mensagens instantâneas, o SMS, em substituição aos telefonemas de avisos, como os de atrasos de pagamento, por exemplo.


É verdade que todas as ações de marketing embarcadas em celulares dependem da conivência do usuário da linha. Trata-se de um acordo informal entre as operadoras de telefonia e as agências de propaganda, já que não existe uma política de publicidade ou relacionamento definida para a utilização de recursos, como o básico presente em todos os aparelhos, o SMS – o popular torpedo. Ao comprar uma linha, as pessoas podem recusar, na assinatura do contrato, o recebimento desse tipo de mensagem. A maioria, porém, não o faz.


Por enquanto, a maior liberalização no uso do SMS pelas empresas se dá para o envio de mensagens classificadas como de ‘prestação de serviços’. Ou seja, o tráfego de informações como a confirmação do horário de um exame médico, do check in de um voo, ou ainda sobre a movimentação de conta bancária, ou dados sobre pagamentos de contas de luz, gás e água. Tanto é assim que cresce o número de empresas que usam a ferramenta, entre hospitais, laboratórios, farmácias, bancos, operadoras de TV paga, companhias aéreas, empresas de energia e seguradoras. Normalmente, são empresas responsáveis por tráfego de volumes significativos de informações dirigido a um público vasto.


A Spring Wireless, empresa especializada em negócios para tecnologia móvel – e que, no ano passado, administrou mais de 1 bilhão de mensagens via SMS para seus clientes -, avalia que o SMS, disponível em qualquer aparelho celular, tem mais de 100% de penetração com o público. ‘Temos soluções para operar o cruzamento de informações nesse tráfego entre empresas e seus clientes que, dependendo da complexidade dos dados, são implantados entre três e 15 dias’, explica Angelo Tonin, vice-presidente de vendas e desenvolvimento de negócios da Spring.


As próprias operadoras estimam que trafeguem em torno de 600 milhões de SMS por mês hoje em dia. A maioria das mensagens é de pessoa para pessoa, um movimento que é controlado pelas próprias operadoras de telefonia. A Spring projeta deter mais de um terço desse mercado voltado para o sistema de envio, recebimento e processamento de informações para terceiros. Um mercado onde se inclui também o chamado ‘mobile marketing’, que são as promoções via SMS e os downloads de games, wallpapers e ringtones.


‘A Spring está se expandindo para todos os países onde já tem escritórios (15 fora do Brasil), incluindo México, EUA, China e Europa’, conta Tonin, que também reconhece que o avanço de redes sociais de contato via internet, como o Twitter, pode vir a roubar público de recursos mais simples, como o torpedo, na função de canal de comunicação entre empresas e pessoas. Hoje, a barreira para isso em países como o Brasil é o preço dos celulares de última geração, que são os que comportam o programa de acesso ao Twitter. Lá fora, há profissionais dando dicas para as marcas criarem relacionamento amigável no Twitter com potenciais clientes. A rede de lojas de eletroeletrônicos Best Buy, por exemplo, pôs 500 funcionários no Twitter para tirar dúvidas sobre os produtos que vende.


EVOLUÇÃO


‘No Japão e na Coreia, países que estão pelo menos cinco anos à frente dos outros em uso de celular para múltiplas ações além de voz, o SMS já evoluiu para a troca de vídeos por celular’, diz Maurício Tortosa, sócio da Hello Interactive, agência de marketing digital do grupo ABC. ‘Fora isso, até mesmo o SMS no Brasil é caro, quando comparado ao de outros países. Nós pulamos da fase do e-mail marketing, que infestou os computadores com mensagens indesejadas, para era do SMS, que corre o risco de repetir o erro pelo excesso.’


Para Thiago Lopes, gerente de planejamento estratégico da agência Talent, o uso do SMS como plataforma de relacionamento é bem sucedido comercialmente quando consegue levar contrapartida para o consumidor. No Brasil, ele reconhece, a utilização é ainda muito concentrada em promoções para o cliente confirmar sua participação em alguma competição ou sorteio. Para ações de marketing mais elaboradas, ainda há resistência porque, como o mercado reconhece, no Brasil, as pessoas têm uma relação muito pessoal com o celular e um anúncio não autorizado é considerado invasivo.


‘Mas já há ações via SMS bem aceitas, como as que foram feitas pelas marcas do achocolatado Toddy, do desodorante Rexona, das lojas C&A e da vodca Absolut’, diz Lopes. ‘Até mesmo o governo de São Paulo usou torpedo para avisar sobre vagas de emprego a candidatos inscritos em um programa de busca por trabalho.’


Presente na mão de quase todos, os telefones móveis são cada vez mais um objeto de desejo no mundo das marcas na eterna ambição de criar vínculos com os consumidores.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Troca provoca medo


‘Em audiência, eles podem estar surpreendendo, no entanto, o mercado anunciante ainda não assimilou muito bem a dança de cadeiras na programação aos domingos na TV. Tanto o Domingo Legal, do SBT, como o Tudo É Possível, da Record, perderam anunciantes com a saída de seus respectivos apresentadores, Gugu e Eliana.


Segundo levantamento da Controle da Concorrência, empresa que monitora inserções comerciais para o mercado publicitário, o Tudo É Possível com Eliana registrou no dia 28 de junho 35 anunciantes e 48 inserções comerciais, números que caíram para 29 anunciantes e 43 inserções em 12 de julho, quando o programa já estava nas mãos de Ana Hickmann.


A situação do Domingo Legal foi pior. Ainda com Gugu, no dia 28 de junho, com o programa já no horário do meio-dia, o Domingo Legal registrou a passagem de 42 anunciantes, com 69 inserções comerciais. No dia 12 de julho, com o comando de Celso Portiolli, os anunciantes caíram para 31 e as inserções, para 57.


SBT e Record acreditam que a situação vá se reverter à medida que o mercado perceba que as trocas surtiram efeito positivo em ibope.’


 


 


Efe


Produtores de Lost prometem esclarecer tudo


‘Sem dar muitas pistas sobre o fim de Lost, em 2010, os produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof garantiram ontem na Comic-Con, a maior convenção de quadrinhos dos EUA, que todas as grandes incógnitas serão resolvidas na sexta e última temporada da série. ‘Tudo o que importa será respondido’, disse Lindelof. ‘Na primeira temporada, as coisas eram intensas e surpreendentes. Vamos voltar a fazer isso agora’, comentou Cuse. O produtor admitiu guardar a sete chaves o desfecho, o que demonstra que a série já estava toda planejada desde o início. Personagens que apareceram só na primeira temporada estarão de volta.’


 


 


O Estado de S. Paulo


Mãe é mãe


‘Em clima de total afinidade com o assunto, Roberta Manrezo e Mariana Kotscho começaram a gravar a série de 52 episódios do Papo de Mãe. Produzido pela Rentalcam, o programa é negócio fechado com a TV Brasil para estrear este semestre e até sua cinegrafista (no caso, Maria Cândida, mãe de uma adolescente) tem direito a interferir no debate. Parto, adoção, limites, acidentes com crianças e adolescentes e conflitos entre maternidade e carreira são os temas que inauguram o pacote.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 27 de julho de 2009


 


POLÍTICA CULTURAL
Editorial


Vale tudo


‘NUM ESPETÁCULO que nada deixou a dever a algumas de nossas mais constrangedoras produções culturais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, em São Paulo, na noite de quinta-feira passada, uma parcela significativa do meio artístico e intelectual para lançar o projeto de lei do Vale-Cultura.


Num daqueles famigerados eventos em que artistas e homens de ideias se comprazem em adular o poder, seja na expectativa de benesses, seja pela simples satisfação de figurar na corte, o presidente, acompanhado da ministra e candidata Dilma Roussef, rememorou agruras de sua cinematográfica biografia e não mentiu ao declarar-se ‘pouco letrado’.


Foi a senha para discorrer em sua conhecida retórica de palanque, recheada de tiradas duvidosas que os áulicos apressam-se em saborear como pitorescos exemplos de autenticidade. Lula abusou ao criticar o fato de a renúncia fiscal, estabelecida pela Lei Rouanet, financiar produtos como ‘livro de fotografia enorme, pesado que é uma disgrama, e que ninguém vê’.


Dando margem a dúvidas sobre a qualidade de sua assessoria, o presidente revelou-se deselegante e mal informado ao afirmar que não há ‘nenhum centavo’ do Itaú nas atividades de seu instituto cultural -quando na realidade cerca de 50% dos recursos aplicados são próprios.


Se quisesse, Lula poderia elogiar outras instituições privadas, como o Instituto Moreira Salles, que não recorre às leis de incentivos, e atacar empresas públicas, geridas pela União, que reforçam a concentração elitista de recursos no eixo Rio-São Paulo -tão criticada pelo Ministério da Cultura- e distribuem dinheiro público para projetos culturais no mínimo questionáveis.


A solenidade teve evidente motivação eleitoral. Mecanismo análogo ao do Vale-Refeição (o pão), o Vale-Cultura (o circo) parece afigurar-se aos olhos do Planalto como uma daquelas iniciativas com potencial de rapidamente se traduzir em votos-ou ao menos, como já ficou demonstrado, no estímulo à complacência de representantes do meio cultural com o lulismo.


Estima-se que a renúncia fiscal, no caso, poderá atingir R$ 2,5 bilhões ao ano, o dobro dos recursos hoje aplicados em cultura por meio da Lei Rouanet. É óbvio que a destinação de dinheiro para o consumo cultural, por menos criteriosa que possa ser, sempre terminará, de alguma forma, revertendo em acréscimo de receita para a indústria do entretenimento -e nesse sentido a inclinação do setor é considerar a ajuda positiva.


Mas não é esse o ponto. Num país em que os recursos governamentais são escassos frente às complexas demandas, é imperioso pensar em prioridades e nos efeitos estruturais dos gastos públicos.


No caso, é de perguntar se, antes de oferecer R$ 50 por mês para o lazer do trabalhador, não seria melhor destinar os recursos para a formação de estudantes. Poderia ser uma tentativa mais eficaz de ampliar a cidadania cultural no país.’


 


 


SARNEY
Marco Antonio Villa


O outono do patriarca


‘NA PRESIDÊNCIA do Senado, José Sarney conseguiu o impossível: ser pior do que alguns dos seus antecessores, como Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros, que acabaram defenestrados. Todos negaram as acusações que pesavam sobre eles. Pareciam inabaláveis, tal qual Sarney.


Porém, o velho coronel do Maranhão está conseguindo se manter no cargo por mais tempo do que seus velhos amigos. Afinal, como disse o presidente Lula, ele não é igual a nós, ele tem uma história. Lula tem razão: Sarney não é igual à maioria dos brasileiros. Ainda bem. Quem é Sarney? José Ribamar Ferreira de Araújo Costa nasceu em 1930, ano da revolução que mudou o Brasil. Paradoxalmente, ele é o símbolo maior do atraso, do passado que nunca passa, da antirrevolução.


Fez a pequena política local até chegar, em 1958, ao Rio de Janeiro, como deputado federal, ainda jovem, eleito pela UDN. Participou pouco dos debates, nunca foi um bom orador. A voz soava mal, as ideias eram ultrapassadas e sem nenhuma novidade, o raciocínio era lento e era pobre sua linguagem gestual. Não tinha nada que o destacasse.


Na grave conjuntura de 1963-1964, raramente apareceu nos debates. Omitiu-se. Preferiu as sombras, aguardando hora mais tranquila. Candidatou-se ao governo do Maranhão em 1965 e venceu com o apoio dos novos donos do poder, os militares. Depois foi para o Senado -e lá ficou por quase 15 anos.


Se consultarmos os anais daquela Casa, raramente veremos Sarney participando de um debate. A sua preocupação central não eram os grandes problemas nacionais, nada disso. Seu pensamento e sua ação política estavam na província. Controlava as nomeações e os recursos orçamentários. Dessa forma, conservou sua força política local graças à influência que mantinha na capital federal.


Mas o coronel era hábil. Não queria ser um novo Vitorino Freire, o mandão que o antecedeu. Buscou dar um verniz intelectual ao poder discricionário que exercia na província. Isso pode explicar a publicação de romances e contos, a entrada para a Academia Brasileira de Letras e o estabelecimento de amplo círculo de relações sociais com intelectuais e jornalistas.


No Sul do país mostrava seu lado cosmopolita, falando de poesia e filosofia. Na província voltava ao natural, não precisava de nenhum figurino: era o senhor do baraço e do cutelo. Que digam os oposicionistas -e foram tantos- que sofreram a violência do mandão local. Lá, durante mais de 40 anos de poder, o interesse público nunca esteve separado do interesse da família Sarney e de sua parentela.


Por um acaso da história, acabou presidente da República. Durante os comícios da Aliança Democrática, em 1984, ficava escondido no palanque. Quando era anunciada a sua presença, era vaiado impiedosamente. Afinal, servira fielmente o regime militar por 20 anos.


A sua Presidência foi um desastre completo. Três planos de estabilização econômica. E todos fracassaram. Terminou o governo com a inflação próxima de uma taxa de 100% ao mês. Omitiu-se quanto aos principais problemas. No ocaso do governo foi instalada no Congresso Nacional uma CPI para apurar casos de corrupção, com graves acusações à gestão presidencial e a sua família, em especial seu genro, Jorge Murad.


O desprestígio era tão acentuado que nenhum candidato às eleições presidenciais de 1989 -e eram mais de uma dúzia- buscou seu apoio. Mas o oligarca sobreviveu. Buscou um mandato de senador no recém-criado Amapá. Precisava como nunca da imunidade parlamentar.


O tempo passou e a memória nacional foi se apagando, como sempre. O oligarca, em uma curiosa metamorfose, transformou-se em estadista. Encontraram até qualidades no seu período presidencial. Não tinha sido um indeciso. Não, nada disso. Fora um conciliador, avalista da transição para a democracia.


No governo Lula, mandou mais do que na sua Presidência. Conseguiu até depor o governador Jackson Lago, que teve a ousadia de vencer nas urnas a sua filha. A sua cunhada, presidente do TRE, anulou a eleição e, pior, obteve a chancela do TSE.


Contudo, não há farsa que perdure na história. O que foi revelado pela mídia nacional não é nenhuma novidade para os maranhenses. Lá, o rei está nu há muito tempo.


No encerramento do semestre legislativo, Sarney discursou para um plenário vazio. Não houve palmas ou apupos. Desceu e caminhou pelo corredor, silenciosamente. Nas galerias não havia um simples espectador. O velho oligarca estava só. Parou e, como se dissesse adeus, dirigiu-se para seu gabinete: a tragicomédia está chegando ao fim.


MARCO ANTONIO VILLA, 54, é professor de história da UFScar (Universidade Federal de São Carlos) e autor, entre outros livros, de ‘Jango, um Perfil’.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Conveniente e histórico


‘Na manchete do ‘Jornal da Band’ de sábado, ‘Brasil e Paraguai assinam acordo histórico sobre energia de Itaipu’. Nos enunciados da agência France Presse à BBC, sem aspas, ‘histórico’. Foi o adjetivo usado por Lula, ao anunciar o acordo ao lado do presidente do Paraguai, Fernando Lugo.


A BBC, além da notícia, produziu longa análise para entender ‘por que o Brasil abriu caminho’ ao vizinho, sublinhando que a decisão ‘marca uma mudança nas relações’ de ambos e na região. Sugere que, mais do que a ‘simpatia pessoal’ que aproxima Lula de Lugo, o acordo ‘tem a ver com a nova concepção de liderança do Brasil’, para o qual não seria mais ‘conveniente’ um vizinho tão pobre.


SEM EFEITO IMEDIATO


O ‘Jornal Nacional’ deu no final da escalada, sublinhando que, ‘mesmo tendo assinado uma declaração sem efeito imediato, os presidentes Lula e Fernando Lugo comemoraram’. E que ‘parte das concessões feitas ao Paraguai depende da aprovação do Congresso Nacional’.


MUITO BARULHO


No mesmo tom, o jornal ‘ABC Color’, de Assunção, ressaltou ontem que o acordo ‘deve ser posto a consideração do Congresso’ do Paraguai, sob a manchete ‘Muito triunfalismo e poucos resultados sobre Itaipu’.


No longo editorial, ‘Muito barulho por nada’.


O QUE DIZEM OS MILITARES


Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, e Manuel Zelaya atravessaram o fim de semana nas agências trocando acusações de imprudência e omissão, respectivamente, na novela em Honduras.


A home page do ‘Miami Herald’, que desde o princípio se postou ao lado do golpe, dizia ontem que o Departamento de Estado espera Zelaya em Washington para mais negociação, amanhã, mas o próprio presidente deposto garante nem ter sido chamado.


Avesso ao teatro político, o ‘New York Times’ destacou ontem que os ‘militares hondurenhos apoiam plano sobre Zelaya’, em comunicado afirmando que não se oporiam a um acordo para sua volta ao poder.


TODOS AOS EMERGENTES


O Valor Online postou no final da sexta-feira que os ‘fundos de emergentes captaram US$ 2,6 bilhões’, elevando o saldo acumulado no ano para US$ 32 bilhões, com destaque para os Brics.


Nas agências, também fechando a semana, o bilionário americano Sam Zell surgiu nos enunciados priorizando investir no mercado imobiliário do Brasil, ‘conforme os juros em recorde de baixa aceleram o crescimento da maior economia da América Latina’.


Também o ‘hedge fund’ Traxis Partners, de Nova York, saiu falando que prioriza o ‘poder crescente’ dos Brics.


E ontem à noite o ‘Financial Times’ adiantou no site a reportagem ‘Emergentes em corrida para o lançamento de títulos’, que já estaria no maior nível desde o início dos levantamentos, em 1962.


TODOS AO PERU


O ‘FT’ fechou a semana postando, na coluna Lex, o conselho ‘Esqueça a fervente China e o borbulhante Brasil’. Segundo o jornal, ‘a Bolsa com o melhor desempenho do mundo, na verdade, é do Peru’. Acumula alta de 104% no ano e nem a ‘intranquilidade política’ abala seu ritmo. As taxas de juros foram ‘retalhadas’ e os minérios dominam o mercado local.


EMERGENTES, NÃO


Por outro lado, a coluna O Investidor Inteligente, sábado no ‘Wall Street Journal’, abordou a ‘verdade fria’ que se esconderia atrás da ‘cortina dos emergentes’. Em suma, ‘crescimento econômico não garante altos retornos em ações’. E agora a relação vem sendo inversa, no confronto de Brics e desenvolvidos, segundo um professor da London Business School.


AQUECIMENTO GLOBAL


A capa do ‘NYT’ de sábado abriu a foto acima para alertar que o aquecimento global estaria tornando a Amazônia ‘mais seca e quente’, afetando a tribo Kamayurá, que ‘por séculos’ contou com peixes como fonte de proteína e agora passa fome, no Parque Nacional do Xingu.


LEILÃO 2010


O ‘Valor’ deu três semanas atrás que o PT havia procurado ‘a equipe de comunicação de Obama’. A ‘Veja’ informou depois que ‘a equipe do marqueteiro João Santana negocia um contrato com a Blue State Digital’, que desenhou a campanha democrata na web.


E a coluna Painel noticiou ontem na Folha que ‘fracassaram as conversas da equipe de Luiz González, marqueteiro do PSDB’, com a mesma Blue State. Assim, ‘sobra no jogo’ só a campanha petista. E a consultoria americana vem ao país no mês que vem para fechar negócio.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Criadora de ‘BBB’ faz ‘Show do Milhão’ para Justus no SBT


‘Será uma versão do ‘Show do Milhão’ o programa que o publicitário Roberto Justus apresentará no SBT a partir de setembro. A atração terá o formato de ‘1 vs 100’, game em que uma pessoa disputa com outras cem um prêmio de R$ 1 milhão. Deverá se chamar ‘Cem contra Um’ (ou ‘Um contra Cem’).


O formato pertence à Endemol, produtora de origem holandesa criadora de ‘Big Brother’, sucesso mundial.


A venda de ‘1 vs 100’ para o SBT foi a primeira grande negociação da Endemol Brasil, empresa que surgiu no ano passado após ruptura da Endemol com a Globo. Descontente com a parceira, que tinha prioridade sobre o seu catálogo, mas só produzia ‘BBB’, a Endemol reduziu a Endemol Globo (da qual detém 50%, e a Globo, outros 50%) a um departamento que só serve à Globo, e criou a Endemol Brasil, que negocia com todas as outras emissoras.


A produção de ‘Cem contra Um’ será da Casablanca, porque os estúdios do SBT não comportam o cenário, com dez metros de altura. O cenário, na definição de Roberto Justus, é um ‘gigantesco painel humano’ -nele, ficam os cem concorrentes do principal competidor. ‘É um programa líder em 34 países’, festeja Justus.


É um programa de perguntas e respostas. Cada pergunta vale uma quantia e é respondida tanto pelo ‘um’ quanto pelos ‘cem’. Se a primeira vale R$ 100 mil, o principal jogador acerta e 30 opositores erram, esses 30 são eliminados e ele acumula R$ 30 mil. Se o principal competidor erra, os opositores que restarem dividem o prêmio que ele acumulou.


INTERATIVIDADE 1


Começa hoje, com o lançamento de um blog, a produção do novo programa de Denise Fraga na Globo, ‘Norma’. O blog será um canal de discussão com o público sobre os temas dos 12 episódios.


INTERATIVIDADE 2


No programa, com estreia prevista para o final de setembro, Denise será uma pesquisadora que tomará decisões após ouvir a opinião do público.


PLATAFORMA


Um dos produtores de ‘Heroes’ e responsável por transformar a série em um sucesso em multiplataformas (internet, celular), Mark Warshaw será a grande atração de evento que o Grupo de Mídia de Brasília promoverá no final de agosto.


VEM AÍ 1


Recém-contratado pelo SBT, Tiago Santiago, autor da saga dos mutantes na Record, escreverá a novela que substituirá ‘Vende-se um Véu de Noiva’.


VEM AÍ 2


Santiago tem até o final de agosto para apresentar a sinopse. Estuda fazer versões de ‘Uma Rosa com Amor’ e ‘Minha Doce Namorada’, originais de Vicente Sesso, ou da radionovela ‘A Noiva das Trevas’, de Janete Clair. ‘Também posso apresentar uma sinopse original’, diz Santiago.


IMPACTO


Ex-apresentadora do ‘Zona de Impacto’, no Sportv, Diana Bouth será repórter do ‘Happy Hour’, de Astrid Fontenelle, que retorna hoje no GNT.’


 


 


IRÃ
Leticia de Castro


‘Persépolis’ ganha nova versão na internet


‘Depois de divulgar para o mundo os relatos de milhares de jovens sobre o sangrento processo de eleição no Irã, a internet continua sendo uma aliada para os críticos do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Agora, uma história em quadrinhos ganha destaque na rede.


‘Persépolis 2.0’, disponível no site www.spreadpersepolis.com, é uma colagem de trechos do livro ‘Persépolis’, autobiografia em quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi, com novos diálogos. Nesta versão, os desenhos em preto e branco, com os traços da autora, recriam os dias de fúria no Irã após as eleições de 12 de junho.


Composta em três partes, a HQ foi criada por dois jovens, filhos de iranianos, que fotografaram trechos do livro, escreveram e colaram novos diálogos usando os programas Photoshop e Illustrator.


A dupla quis aproveitar o apelo pop da autora a fim de chamar a atenção para a situação do Irã. ‘Essa eleição deixou clara a militarização da política iraniana. Se foi ‘roubada’ ou não, não podemos dizer, mas a repressão violenta só serviu como combustível para a oposição’, diz Sina, coautor da história (com Payman), em entrevista à Folha, por e-mail.


Os dois são gerentes de marketing de 20 e poucos anos, vivem na Ásia, mas não querem divulgar onde moram nem o sobrenome ou a idade exata, com medo de represálias.


Simpatizante do líder oposicionista derrotado Mir Hossein Mousavi, Sina conta que essa foi sua primeira incursão na política e que nunca havia se interessado por militância. Mas, com a repercussão de ‘Persépolis 2.0’, a dupla já começa a planejar novas ações.


‘Somos cínicos em relação a protestos em frente à embaixada, então resolvemos aproveitar a nossa experiência multicultural para ajudar nossos amigos a entender o que se passa no Irã’, afirma Sina.


A história de ‘Persépolis 2.0’ vai de 12 a 21 de junho e mostra a euforia popular em torno da possibilidade de vitória de Mousavi, a revolta da população com o resultado oficial -que proclamou Ahmadinejad vencedor-, os levantes sociais e o uso da internet para denunciar a repressão violenta.


O quadrinho termina com a jovem Neda Agha-Soltan -que foi morta nos embates com a polícia e virou símbolo dos levantes- nos braços de Deus, com a mensagem: ‘Sua morte não foi em vão’.


Ao lado, um aviso: ‘Espalhem a mensagem. Twitter, Facebook, e-mail’. O apelo deu resultados. A HQ tem comunidade no Facebook, é comentada no Twitter e no Flickr e ganhou projeção em blogs e jornais internacionais. Sina diz que o site já foi visto por internautas de 170 países.


Revolução Islâmica


Sucesso internacional, o livro de Satrapi que inspirou a nova HQ foi adaptado para os cinemas em 2007 e indicado ao Oscar de animação. Narra a infância e a adolescência da autora no Irã pós-Revolução Islâmica, 30 anos atrás. ‘É impressionante que as imagens de 1979 retratem tão bem os eventos de 2009’, compara Sina.


Os levantes no mês passado em Teerã são considerados os mais violentos desde a revolução que transformou o país em república islâmica, em 1979.


Avessa à mídia, Satrapi não respondeu o e-mail enviado pela Folha no começo da semana. Sina diz que ‘Persépolis 2.0’ tem o consentimento da autora, mas não dá detalhes sobre o possível envolvimento da moça no projeto. ‘É um assunto delicado, mas pode dizer que nós temos permissão legal.’’


 


 


 


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