Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ENTRE ASPAS >

Matthew Shirts

06/09/2005 na edição 345

‘Sexo ou internet? Li em algum lugar – não me lembro onde, mas a frase ficou na minha cabeça – sobre alguém que se perguntava qual seria a sua opção, se fosse obrigado a escolher entre uma atividade e outra. Ele não se referia a determinada noite ou oportunidade, mas ao resto da sua vida. O autor da questão, diga-se de passagem, não conseguia chegar a uma conclusão.

Não sei bem qual foi o impacto da mãe de todas as redes de computador sobre a sociabilidade. Certamente, no futuro, os historiadores vão se debruçar sobre as conseqüências da rede mundial para a convivência humana. Ainda me parece cedo para uma conclusão. Talvez seja possível detectar, daqui a duas ou três décadas, um vínculo inverso entre tendências demográficas e taxas de adesão à banda larga ou número de horas diante da tela do computador, por exemplo. Quanto mais internet, menos sexo. Não será um estudo difícil de se fazer.

Dizia-se que o ‘apagão’ da cidade de Nova York de 1966 resultou em um aumento de nascimentos, nove meses mais tarde, por causa, sobretudo, da repentina falta de programas de televisão. Passei a minha vida certo de que essa era uma verdade irrefutável. Mas quem pesquisar o assunto hoje, no Google, descobrirá que tal história, embora boa, não passa de um mito urbano.

Gente mais séria do que eu vê o impacto das telecomunicações, de modo geral, e da internet, especificamente, sob um outro ângulo. No seu recente livro, The World Is Flat: A Brief History of the Twenty-First Century (2005), o conhecido colunista do New York Times Thomas Friedman ensaia uma primeira avaliação do que tem sido, e será, o significado da rede mundial para a diplomacia e economia mundial.

Não vou resumir o livro todo, que é grande e interessante, mas apenas discutir uma ou outra das suas teses. Pode soar surpreendente para quem pensa a economia mundial como uma relação entre países exploradores e explorados, mas de acordo com o autor, esta relação está mudando rapidamente.

Há uma tendência no Brasil de se acreditar que a globalização interessa principalmente ao mundo desenvolvido. Friedman sustenta que não é bem assim. Sugere que pode haver, graças à internet, uma reviravolta na hierarquia econômica das nações. Quem souber tirar proveito das novas oportunidades criadas pelas telecomunicações, pela aproximação dos povos, lucrará.

É curioso notar que os americanos estão tão apreensivos com o impacto da globalização como os brasileiros. Para desespero de muitos americanos, por exemplo, seus empregos – muitos deles bons empregos de classe média, por sinal – estão sendo exportados, em especial para a Índia e a China, ao que parece.

Friedman mostra, por exemplo, que contadores indianos já preparam centenas de milhares de declarações de imposto de renda de cidadãos dos Estados Unidos. Esse é o tipo de serviço que eu imaginava impossível de se globalizar. Afinal, implica todo um conhecimento de leis e usos e costumes locais. Outra atividade que vem sendo outsourced, ou exportada, é a leitura de radiografias e outras imagens médicas. Hospitais pequenos ou de tamanho médio, nos EUA, acham mais fácil e barato enviá-las para análise na Índia, ou na Austrália, durante a madrugada, do que contratar um profissional para trabalhar à noite no próprio hospital. Até mesmo os empregos dos jornalistas estão sendo exportados, nota Friedman, com certa trepidação. A Reuters já criou um centro de informações jornalísticas na Índia que hoje faz muito do que se fazia, antes, em Londres e Nova York.

Estes são apenas alguns exemplos; há muitos outros no livro. Mais de 240 mil indianos trabalham em call centers – para citar mais um – atendendo a chamadas do mundo todo. Muitos deles adotam nomes americanos e fazem cursos para aprender a falar inglês com o sotaque típico do interior daquele país. Vão perder os vínculos com suas tradições? Estariam eles se americanizando? A globalização implicará a homogeneização da cultura mundial?

Talvez, não sei. Friedman é muitas vezes criticado por ser excessivamente otimista, globalizante e neoliberal. Segundo ele, o mundo está se nivelando e essa tendência trará tremendos benefícios para quem tiver vontade e competência suficientes para participar da festa. (Pessoalmente, acho sua perspectiva animadora e fascinante).

Seja como for, li uma notícia, dias desses, que me faz pensar que cada povo vai levar sua própria contribuição para esse encontro global. Segundo a Associated Press, um pesquisador na China descobriu que cerca de 20 mil chineses entram regularmente em discussões em salas de chat, via internet, inteiramente nus, conversando e se mostrando através de Web cams, câmeras digitais acopladas aos seus computadores.

A festa global pode ser mais animada do que se imaginava.’



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Carlos Franco

‘Marcas muito valiosas também podem estar ao alcance da mão’, copyright O Estado de S. Paulo, 5/09/2005

‘O que leva marcas a terem uma força maior que os produtos a que estão atreladas? Washington Olivetto, da W/Brasil, que ajudou a construir marcas como Bombril, diz que a força delas está em duas situações diametralmente opostas: ‘Aquelas que, pelo volume, têm uma presença muito grande na vida dos consumidores e, as outras, que são sonho de consum o, realizado por poucos’, mas que habitam o universo das aspirações, a exemplo de uma Ferrari, uma Mercedes ou um Rolls-Royce. Algumas marcas costumam extrapolar, e muito, o valor dos produtos, como Gillette, a lâmina de barbear; Bombril, a lã de aço; Bic, as canetas; Maizena, o amido de milho; Havaianas, as sandálias de borracha; Hellman’s, a maionese; Sadia, o peru; Coca-Cola, o refrigerante; Levi’s, o jeans. E, nestes casos, abrem espaço para conquistar novos consumidores, mantendo fiéis aqueles para os quais são sinônimo de qualidade e referência como categoria de produto. É o caso, por exemplo, do polvilho antisséptico Granado, que chegou a ser usado pelo imperador D. Pedro II e é referência dessa categoria, mesmo anunciando pouco. A Assolan, que agora diversifica a sua linha de produtos, com o lançamento do sabão em pó Assim, não demorou a perceber que, por mais que investisse em marketing, Bombril ainda continuaria sinônimo de lã de aço – tem hoje 80% do mercado, mesmo tendo enfrentado sucessivas crises. Para Francesc Petit, da agência de publicidade DPZ, a consolidação de uma marca exige mais que elevados recursos em publicidade. ‘Requer sobretudo a qualidade do produto’. Um produto de qualidade, diz Petit, consegue fixar a imagem, ainda que sem investir em propaganda ou sem ser parte integrante da marca a ser anunciada. Ele cita o exemplo dos equipamentos para bicicletas Campangnolo, que são garantia para ciclistas profissionais de qualidade e desempenho. ‘Hoje, existem dezenas, centenas, milhares de empresas oferecendo serviço de branding, de construção de marcas, que nada entendem do negócio, nem sequer têm conhecimento de que uma marca é um produto e este produto é que precisa ter qualidade para que a marca dure, caso contrário será só mais uma marca de passagem, de estação.’ Outro exemplo de marca que extrapolou – e por largas passadas – o valor do produto são as sandálias Havaianas, que Petit acha que poderiam ser Baianas, ‘pois hoje a Bahia dá de dez a zero no Havaí, que era um sonho de consumo do período do american way of life, quando foram lançadas’. O produto, as sandálias, convencem pela sua simplicidade. Hoje, essas sandálias ingressaram com o pé direito no mundo fashion e no mercado externo. Contam, para isso, com o trabalho de fixação da marca pela agência Almap/BBDO, que tem procurado emprestar ao produto da São Paulo Alpargatas, empresa controlada pelo Grupo Camargo Corrêa, algo mais que a simplicidade: o desejo do consumidor em usar as Havaianas. Olivetto diz que, em produtos de baixo valor, como sandálias, é preciso trabalhar a marca, vendendo as suas qualidades, sem focar muito no público que vai usá-la. Ele fala do processo de desenvolvimento que tem feito para Rider, da Grendene. ‘Como as sandálias são usadas pelo consumidor de classe média alta nas piscinas e no lazer, pelos consumidores de baixa renda no dia-a-dia e para os de mais baixa renda ainda apenas nos fins de semana, em todas as ocasiões, o foco da campanha foi o compromisso da marca com tudo o que é popular, mas que faz parte do gosto de todos.’ O publicitário que comanda a W/Brasil encontrou em novas leituras de sucesso da música popular brasileira o caminho para apresentar Rider. Da banda mineira Skank, com o sucesso de Gilberto Gil Vamos fugir, ao atual Além do Horizonte, de Erasmo e Roberto Carlos, regravado por Jota Quest, Olivetto acredita ter encontrado uma solução para tornar a marca popular, sem perder nenhum dos seus nichos de consumo. Luiz Lara, da agência Lew,Lara, está convencido de que uma marca, para conseguir se fixar, precisa passar, além de qualidade e confiança, os seus valores. Responsável pelas estratégias, entre outros, da operadora de celulares TIM, Banco Real (conta que divide com a Talent) e Natura, Lara diz que fixar valores de respeito ao meio ambiente, a liberdade de movimento e o compromisso de estar sempre presente na vida de jovens e idosos ‘também se traduz em fortalecimento da marca’. Para Lara, o caso da Natura é exemplar. ‘Uma empresa de venda direta, que soube trabalhar o conceito de desenvolvimento sustentável, ganhou a simpatia do consumidor e, ao ingressar no mercado de capitais, suas ações deram sucessivos saltos’. E completa: ‘Um conceito, como o ‘Viver sem fronteiras’, da TIM, muitas vezes é o que faz com que a marca se destaque na paisagem, principalmente em cenários de forte concorrência.’ Para Olivetto e Petit, o segredo está no produto. É o caso da caneta Bic, do Rolls-Royce e da Maizena. E, principalmente, da Coca-Cola, considerada a marca mais valiosa do mundo atrelada a um produto a que todos têm acesso. ‘É isso que faz a diferença’, diz Olivetto.’



TV GLOBO
Daniel Castro

‘Globo planeja lançar telenovela em DVD’, copyright Folha de S. Paulo, 05/09/2005

‘A TV Globo está desenvolvendo um projeto para lançar telenovelas em DVD. Há mais de dez anos no ar, a adolescente ‘Malhação’, que é exibida em temporadas (as tramas mudam a cada ano), pode ser a primeira novela em DVD.

Há alguns anos a Globo ambiciona vender novelas em DVD, o que traria nova fonte de receitas e atenderia aos pedidos de telespectadores mais fanáticos. Mas esbarra em dois problemas: telenovelas são muito longas e ainda não existe tecnologia que permita condensar muitas horas de imagens em poucos discos.

Atualmente, uma equipe da emissora estuda a viabilidade de transformar a nona temporada de ‘Malhação’, a de 2004, em DVD. Segundo a Globo, os profissionais estão revendo todos os capítulos da novela. Numa próxima etapa, apresentarão relatórios sugerindo o que pode ser aproveitado de tudo o que foi ao ar no ano passado sem perder o essencial e sem descaracterizar a novela.

A idéia é propor uma versão enxuta de ‘Malhação’, que caiba em poucos discos, de forma que o DVD não saia caro demais ao consumidor. Se for viável artística e economicamente, o DVD da nona temporada de ‘Malhação’ pode chegar às lojas no final do ano.

Um eventual sucesso do produto pode encorajar a Globo a lançar nessa mídia versões condensadas (apenas com a trama central, por exemplo) de novelas das oito, como já ocorre com minisséries.

OUTRO CANAL

Trânsito 1 A Globo inaugura, no final do mês, um estúdio que acaba de montar em sua ‘base avançada’ na avenida Paulista, em São Paulo. A base, que funciona há um ano, conta com equipe de reportagem que cobre assuntos locais e se desloca com maior agilidade, em emergências, nas regiões central e norte da cidade.

Trânsito 2 O estúdio servirá para driblar congestionamentos. Um empresário que estiver no centro e não tiver tempo para ir até a sede da emissora, na zona sul, poderá ser entrevistado nele. O estúdio será usado pela Globo News e pelos telejornais locais.

Retorno Depois de dez anos, a jornalista Neide Duarte (ex-Cultura) volta no dia 12 à Globo. Será repórter especial em São Paulo, com a missão de ‘olhar a cidade de um outro jeito’.

Pena O vendedor Moacir Camargo Borges, que em outubro do ano passado invadiu o ‘Jogo da Vida’, da Band, com um revólver, implorando uma reconciliação à ex-mulher, foi condenado no último dia 22, em primeira instância, a dois anos de reclusão e multa. A pena pode ser substituída por prestação de serviços comunitários.

Outro lado A Record diz que o lançamento de seu projeto de responsabilidade social, dia 31, não foi dirigido só a jornalistas, mas também a ONGs. As ONGs foram; os repórteres, não.’



JK
Daniel Castro

‘Autora se inspira em prima para fazer’, copyright Folha de S. Paulo, 4/09/2005

‘A autora Maria Adelaide Amaral foi buscar em uma prima inspiração para criar uma personagem fundamental de ‘JK’, minissérie que a Globo exibe no início de 2006 e que contará a trajetória do presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976).

Na minissérie, a fictícia Salomé (Débora Evelyn) será uma mulher batalhadora, correligionária de JK, para quem fez campanha em territórios de inimigos políticos. ‘Ela enfrentará muitas barras em sua vida. Depois de casada com Zinque [Dan Stulbach], terá um envolvimento amoroso tumultuado com Leonardo [Caco Ciocler]’, adianta Alcides Nogueira, também autor de ‘JK’.

A verdadeira Salomé morreu há alguns anos, com mais de 80. ‘O nome dela era Conceição Campos Coelho. Na verdade, ela era prima do meu ex-marido. Conheci-a nos anos 60, radiosa, vital, independente, o que era coisa rara na época. Era mais jovem do que JK, mas muito amiga dele. Ele a ajudou a tornar-se independente e ela virou cabo eleitoral dele em Minas’, conta Maria Adelaide.

O núcleo de Salomé, ao contrário do de JK, é ficcional. ‘Na primeira fase da minissérie, essa trama terá importância muito grande, com suas ações interagindo com a vida de JK. Na segunda fase, o núcleo de Salomé continuará muito ativo, mas outras histórias ficcionais entrarão. Essas tramas irão compor o painel do Brasil na época JK’, afirma Nogueira.

OUTRO CANAL

Antinovela O merchandising social ‘over’ não chega a prejudicar ‘América’, mas derruba a audiência da trama, ainda que discretamente. Na última segunda, quando entrou na novela o ‘programa’ ‘É Preciso Saber Viver’, sobre cegos, a Globo marcava 57,2 pontos. Quatro minutos depois, tinha 56,2.

Black TV 1 O pagodeiro e apresentador Netinho de Paula, da Record, promete lançar em 20 de novembro a primeira TV do país apresentada e voltada para negros. A emissora, que se chamará TV da Gente, terá cabeça-de-rede em Pacajus, na região metropolitana de Fortaleza, mas será produzida em São Paulo (onde não é certo ainda que será vista, pois não tem canal na cidade).

Black TV 2 Netinho já convidou o advogado Hédio Silva Jr., secretário de Justiça do Estado de São Paulo, para ter um programa na TV da Gente. E André Marinho, ex-grupo Brozz (fabricado em ‘Popstars 2’, do SBT), deve apresentar um programa para jovens.

Fila Os atores Carlos Bonow e Adriano Reys serão os próximos a fazer participações especiais em ‘A Lua me Disse’, novela das sete da Globo. Bonow, que já atuou como professor de educação física em ‘Malhação’, interpretará Rodrigo, par de Geórgia (Patricya Travassos). Reys será um taxista, Bandeira 2, novo namorado virtual de Ademilde (Arlete Salles).’

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PRIMEIRAS EDIçõES >

Matthew Shirts

Por lgarcia em 10/04/2002 na edição 167

LITERATURA & MERCADO

"Literatura e dinheiro", copyright O Estado de S. Paulo, 01/04/02

"Vira e mexe ouço ou leio alguém dizer que a cultura brasileira está falida.

Ninguém lê mais nada. Ou só se lê Paulo Coelho.

A prova cabal da deteriorização da capacidade de raciocínio e expressão do brasileiro são os números de venda de Paulo Coelho. Sempre sobra (aqui no Brasil, bem entendido) para esse simpático senhor que, anos atrás, fazia letras de música e cantava com Raul Seixas.

Enquanto era uma figura udigrúdi (adoro essa palavra), ninguém implicava com ele. Mas bastou ganhar dinheiro com literatura, que passou a ser o vilão-mor da cultura nacional. Tem-se a impressão, por vezes, que os críticos, acadêmicos ou não, acreditam de verdade que, não fosse o autor do Alquimista, o povo brasileiro passaria seu tempo lendo e discutindo Dom Casmurro, do Machado, ou Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. O que, cá entre nós, poderia ser um pouco preocupante.

Já imaginou a turma da Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, por exemplo, em volta de uma mesa a ponderar se Capitu traiu ou não Bentinho?

Acho que não. E talvez seja melhor assim.

Faz tempo já que venho ponderando a alergia que a crítica brasileira tem de dinheiro, tentando achar uma explicação plausível para isso. Não sei se você lembra, mas até poucos anos atrás, pelo menos, o grande Jorge Amado era visto com terríveis reservas na Universidade de São Paulo. Alguns amam Mário de Andrade. Outros amam Oswald. Mas quase ninguém levantava a bola do Jorge Amado.

Hoje estou convencido de que o problema da crítica é mesmo grana. Escritor que atende, de alguma foram, aos caprichos do mercado capitalista não pode ser bom. E OK, não é tudo de Jorge Amado que é esplendoroso, mas ele é o autor de quatro ou cinco clássicos da literatura brasileira, nada menos. O negócio, com perdão da palavra, é escrever difícil. Dia desse li um crítico da revista Veja desancar a geração de escritores composta por Fernanda Young, Fernando Bonassi, Tony Bellotto e outros. Disse ele que todos querem ser ?best sellers?, mas que nenhum deles tem ?estilo?!

A raiva que a crítica brasileira – acadêmica ou não – tem do mercado do livros é mesmo um tanto quanto exótica, convenhamos. Bem entendida, essa característica cultural, sempre desconfiei, poderia jogar luz em alguns dos porões da psique nacional.

Mas não é só por isso, confesso. É que, nos Estados Unidos, de onde venho, a situação é praticamente inversa. Lá qualquer autor que vende é digno de algum respeito. E muitos são verdadeiros superstars –sem escrever para jornais ou revistas quase nunca, diga-se de passagem. Só nos livros.

A diferença diz muito sobre os dois países, creio. Nos Estados Unidos, alfabetizados primeiro, ler faz parte da tradição de entretenimento popular há pelo menos um século. Veja o caso da minha mãe, por exemplo. Ela não deve saber muito se Proust vem antes de Flaubert ou não, e talvez nem quem é Rimbaud. Mas lê uns 50 romances – alguns bem grossos, tipo tijolaço – todos os anos desde que fez uns 15 aninhos de idade. O que dá uns 2.500 livros até agora ao longo da sua vida.

Ou seja, a literatura americana passa pelo popular, não tem jeito, e na grande maioria das vezes, é popular. Tanto é que um autor de best sellers como Stephen King (Carrie, A Estranha) pode se dar ao luxo de escrever um manual para quem se interessa pelo ofício. É comovente e instrutivo e se chama On Writing: a Memoir of the Craft. Tá aí uma ótima dica para uma editora brasileira. No livro, King se diz um escritor proletário – e diferente de autores sofisticados como Don DeLillo ou John Updike. ?Mas muito de nós, proletas, também nos preocupamos com a linguagem, de maneira humilde e de forma apaixonada, com a arte de contar histórias no papel.?

King se considera um artista popular e, no livro, revela o que pode dos seus macetes.

Enquanto o povo americano lia gibis, pulp fiction, policiais e romances de todos os tipos, os brasileiros, menos escolarizados, jogavam futebol, montavam escolas de samba e tocavam música. Os escritores nacionais eram todos doutores, que poderiam escrever sobre o chamado povo, mas não eram lidos por ele. Daí, creio, um certo elitismo literário que, curiosamente, marca o jogo de futebol nos Estados Unidos – só a classe média por cima joga soccer por lá.

Mas quem sabe as duas tradições se encontram um dia. Faria bem ao futebol jogado nos Estados Unidos, ao menos. E quem sabe, à crítica brasileira também.

Quatro em cinco vezes o mercado fortalece a literatura."

 

ÉPOCA

"Diretor de publicidade de Época pede demissão", copyright Cidade Biz, 05/04/02

"Ainda sem planos imediatos, mas com ?algumas prpostas?, Antonio Carlos de Campos, conhecido no mercado como Tó, pediu demissão do cargo de diretor de publicidade da revista Época, nesta sexta-feira. No meio da tarde, a diretoria da Editora ainda estava em reunião na tentativa de achar um substituto.

Yara Grotera, que comanda a unidade, deverá anunciar novo diretor no início da semana que vem. A amigos, Tó disse que pediu para sair por não concordar com as mudanças que estavam ocorrendo sob a batuta de Juan Ocerin, novo todo-poderoso da Editora que assumiu há quase um mês."

 

MEU DINHEIRO

"Editora Abril prossegue ajuste e fecha revista Meu Dinheiro", copyright Cidade Biz, 05/04/02

"Com menos de um ano de vida, a revista Meu Dinheiro, da Editora Abril, vai à banca pela última vez na próxima quinta-feira. O fechamento da revista já vinha sendo discutido há algum tempo pela diretoria da empresa. No início da noite desta sexta, um comunicado interno dizia que a revista deixava de circular regularmente.

Recentemente o título passou da Unidade Operacional Masculinas, que foi extinta, para a Unidade Operacional Negócios, que abriga Exame, Exame SP e Você S.A. A nova unidade responsável pela revista fez as contas e viu que não poderia absorver a falta de receita da jovem revista.

Como é de praxe em comunicados desta natureza, a Abril informa que a revista será incorporada a Você S.A. e que o site Meu Dinheiro se integra ao portal Exame como seu canal de finanças pessoais.

Parte do pessoal do site pode ser reaproveitado no portal Exame, mas ainda não há decisão sobre o resto da equipe. Na nota está escrito ainda que ?o título continua pertencendo à Abril e será objeto de edições especiais do grupo?."

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