Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > JORNAL DA IMPRENÇA

Moacir Japiassu

23/11/2004 na edição 304

‘Assistíamos ao Jornal Nacional quando nossa correligionária vascaína Fátima Bernardes anunciou:

O tamanho médio dos pés dos brasileiros está aumentando. Na década de 90, os campeões de venda eram os números 35 e 36. Hoje, os mais vendidos são os números 37 e 38.

Fiquei bastante animado, pois algum dia a nação poderá devolver os chutes na bunda que tem sofrido pelos séculos afora, porém Janistraquis, justamente mal-humorado porque, a exemplo da direção do PT, aplicou no Banco Santos as economias da vida inteira, resmungou:

‘Considerado, essa história de pés grandes me deixa preocupado é com o time do Flamengo; neste momento, os urubus avaliam as desvantagens de ter a maior torcida do Brasil e o temor procede; afinal, se despencarem pra Segundona vão levar, do Oiapoque ao Chuí, pontapés na bunda de verdadeiras e crudelíssimas multidões. E de pés cada vez maiores!’

Não quero nem pensar.

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Madonna ídiche

Diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo janelão ao estilo ‘transparência Brasil’ vê-se o governo a liberar verbas e a Câmara a retomar votações, Roldão Simas Filho envia o seguinte despacho:

Chegou-me às mãos um exemplar do número 10, ano 2, agosto-setembro 2004, da revista brasiliense Sras&Srs, com 106 páginas do melhor papel couché. Alto nível. Na capa, foto de Madonna sobre legenda `O PODER DA CABALA – Madonna cada vez mais ídiche´.

Ora, ídiche (iídiche) é o idioma falado pelos judeus europeus. Como é que Madonna pode estar cada vez mais ídiche?!?!?

Janistraquis, agitadíssimo por causa da atuação do nosso escrete ontem à noite no Equador, improvisou um megafone com as mãos em concha e soltou o vozeirão dos momentos mais debochados: ‘SENHORAS E SENHORES, O JORNALISMO DE BRASÍLIA ESTÁ CADA VEZ MAIS MAIS UTSCH!!!’.

Caí na besteira de perguntar que diabo é utsch e escutei: ‘Não tenho a menor idéia, considerado, mas o pessoal da Sras&Srs deve saber…’

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Cadáver humano

Em apenas 48 horas o hilariante site Rondoniagora.com tascou duas notícias policiais que alegraram aqueles dias do vigilante e considerado leitor André Luiz Mello:

1 – Cadáver humano é encontrado por populares na zona Leste

[POLÍCIA] [Sexta-feira, 22 de Outubro de 2004 – 07:44]

Um cadáver humano foi encontrado na manhã desta sexta-feira, no bairro São Francisco, zona Leste de Porto Velho, uma das regiões mais violentas da capital(…)

2 – Mais um cadáver é encontrado em Porto Velho

[POLÍCIA] [Sábado, 23 de Outubro de 2004 – 10:35]

Outro cadáver humano foi encontrado no início da madrugada deste sábado, na Estrada dos Periquitos no bairro Ulisses Guimarães. A ocorrência 5711 foi registrada na 8ª Delegacia de Polícia(…)

Janistraquis concorda com você, ó André; embora os dicionários registrem cadáver como todo e qualquer animal morto, imagina-se que carniça de cachorro e gato não mereçam notícia em jornal; portanto, quando se anuncia cadáver, este será, evidentemente, humano.

Meu secretário faz, porém, ligeira ressalva: ‘É claro que se o tal cadáver for de um tigre-de-bengala, isso dá até manchete, pois não é comum esses bichos serem encontrados em Rondônia, né mesmo?’

É.

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Mais causa própria

O considerado leitor Eduardo de Oliveira, professor de jornalismo em Petrópolis, envia projeto de lei do seu xará, o deputado federal Eduardo Valverde, do PT de Rondônia, que ‘institui a profissão de trabalhadores da sexualidade e dá outras providências’.Logo de cara o Congresso Nacional Decreta: Art.1º – Consideram-se trabalhadores da sexualidade toda pessoa adulta que com habitualidade e de forma livre, submete o próprio corpo para o sexo com terceiros, mediante remuneração previamente ajustada, podendo ou não laborar em favor de outrem.

E segue em frente, a arreganhar ousados preceitos que fizeram o colunista recordar uma frase lapidar e imortal do advogado paulistano Waldir Troncoso Perez: ‘A prostituição é uma profissão honrada’.

Janistraquis adorou o projeto de Valverde porém faz ligeira e pertinente ressalva: ‘Considerado, desde a gênese do Direito Romano, a República sabe que não é de boa ética o cônsul legislar em causa própria…’

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Milagre!!!

O considerado Cleber Bernuci, lídimo representante do jornal O Liberal, de Americana (SP), passeava os olhos pelo site do UOL quando deparou com ‘algo inóspito’, como ele mesmo escreveu. Debaixo do título Cirurgiões faziam operações complexas na era medieval, dizia o texto:

Londres (da BBC) – Cirurgiões realizavam complexas operações no crânio de pacientes na era medieval, de acordo com o que mostram restos de um esqueleto encontrado em um sítio arqueológico.

O crânio de um agricultor de 40 anos, que viveu entre os anos 960 e 1100, é a evidência mais concreta da prática desse tipo de cirurgia, segundo os arqueólogos que encontraram a ossada.

Os despojos, encontrados em Yorkshire, na Inglaterra, mostram que o paciente sobreviveu a um golpe fatal na cabeça graças à cirurgia.

Cleber, jornalista moderno que dispensa ‘milagres’ científicos, deixou assomar-lhe justa perplexidade:

Como raios pode um homem sobreviver a um golpe fatal?!?! Ele renasceu?

É boa pergunta, Cléber, é boa pergunta…

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Nota dez

A análise mais instigante da semana nasceu da verve de Marinilda Carvalho, que sabe das coisas, bate com as duas e brinca nas onze. Dê uma espiadinha na amostra e leia aqui a íntegra do excelente artigo publicado no Observatório da Imprensa.

ELEIÇÕES NOS EUA

Blogs fazem jornalismo?

Analistas de imprensa aproveitaram o fiasco dos blogs de política nas eleições americanas para voltar a um velho debate (entenda-se ‘velho’ segundo os padrões de tempo das novas mídias) que parece nunca terminar: blogs fazem jornalismo? Em 2 de novembro, dia da eleição americana, definitivamente não fizeram. Então, isso é tudo? Não (…).

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Errei, sim

‘ARQUIVO MORTO-VIVO — O considerado leitor Ernesto de Moura Rodrigues, de São Paulo, pergunta: `É verdade que n´O Estado de S. Paulo arquivaram Lampião, rei do cangaço, na pasta de eletrodomésticos? Havia televisores, máquinas de todo tipo, lanternas e… Lampião?!´.

Olha, Ernesto, o arquivo do Estadão é e sempre foi um dos melhores de nossa Imprensa, por ali pesquisei anos a fio e nunca vi semelhante pasta. Eu, pessoalmente, encontrei outras barbaridades, porém alhures. No arquivo do Jornal do Brasil, aí por 1964/65, tropecei numa curiosa pasta sobre estádios; continha recortes sobre o Maracanã, o estádio de São Januário, o estádio Independência, de Belo Horizonte, e o estádio… de sítio! Juro que é verdade.

Outro leitor, que faz questão do semi-anonimato e identifica-se por meio das iniciais C.E., telefona para Janistraquis. Sugere o misterioso cidadão que o jornalista Matinas Suzuki Jr. seja candidato ao título de Operário Padrão de 1988: `O homem entrou de férias, viajou para a Europa e passou um mês inteirinho (maio) mandando artigos pro jornal todos os dias! Vai ser dedicado assim no… na… na Folha!’ (junho de 1988)

Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP) ou moacir.japiassu@bol.com.br).’



CHINA DAILY
Gilberto Scofield Jr.

‘Um jornal chinês para o mundo inteiro ver’, copyright O Globo, 21/11/04

‘PEQUIM. Na ampla mesa de trabalho de Kang Bing, de 46 anos, editor-chefe do grupo China Daily — o maior produtor de jornais de língua inglesa da China, com tiragens diárias que chegam a mais de dois milhões de exemplares — não há telefone vermelho ligado à sede do governo. Controlado pelo Estado chinês, o ‘China Daily’, carro-chefe do grupo, é hoje um dos jornais mais influentes do mundo, com 150 mil exemplares diários e mais de cinco milhões de acessos à internet por dia. E, segundo Kang, nunca foi censurado por qualquer tecnocrata em seus 22 anos de jornal.

Mas engana-se quem pensa que a cúpula do Partido Comunista da China, que mantém as rédeas do poder no país, deixa sem o devido controle a maior vitrine para o estrangeiro do que acontece hoje em território chinês.

— Não existe pressão que me obrigue a dar este ou aquele assunto bem. Mas não sejamos ingênuos. O diretor de jornalismo do ‘China Daily’ e alguns editores-chefes são indicados pelo governo central. A censura existe, mas é feita pela própria direção do jornal. Se uma notícia pode causar um mal-estar geral na população, por exemplo, simplesmente não damos — diz Kang.

Um dos poucos jornais a exigir ação do governo

Esse tipo de controle não é a única diferença que chama a atenção na imprensa chinesa. Muitos jornalistas chineses, por exemplo, começam as entrevistas agradecendo a informação dada pela fonte, geralmente do governo:

— Eles estão tentando ser educados sem perceber que são jornalistas. Isso realmente acontece e eu acho que é por conta da falta de experiência de uma imprensa que somente nos últimos anos conseguiu mais espaço — explica.

Por mais espaço entenda-se uma estreita faixa onde alguns poucos jornais chineses trafegam e inclui uma leve crítica a determinadas ações do governo. O ‘China Daily’ é um dos poucos jornais locais a exigir do governo central uma ação mais forte no combate à Aids e no esclarecimento da população sobre a doença.

— O governo sabe hoje que a mídia tem a responsabilidade de ajudá-lo a fiscalizar as ações do próprio governo — afirma o jornalista.

O que não significa que a mídia chinesa possa publicar o que bem entenda. Mas vem se esforçando para fazer um jornalismo mais atrativo e moderno, ainda que muitas reportagens distribuídas pela agência de notícias estatal Xinhua, saiam iguais em diferentes jornais.

Como um jornal de língua inglesa na China, o ‘China Daily’ pode ser considerado pequeno se comparado a gigantes do porte do ‘Beijing Youth Daily’, hoje um dos maiores diários do país em língua chinesa, com tiragem superior a cinco milhões de exemplares diários e faturamento anual de mais de um bilhão de yuans (US$ 122 milhões). Mas nenhum se compara ao poder de influência internacional do ‘China Daily’, que obtém mais da metade do faturamento anual de 100 milhões de yuans (US$ 12,2 milhões) com a assinatura das grandes redes de hotéis, empresas públicas e privadas e do universo acadêmico. A Casa Branca é assinante do jornal.

O ‘China Daily’, lançado em 1981 no processo de abertura econômica, quer mais:

— Iniciamos a impressão em Nova York e Hong Kong e vamos agora para a Costa Leste dos EUA. Em dois anos, começaremos a ser impressos na Europa e Austrália. Queremos ser um jornal de referência mundial — diz Kang.

Com um inglês perfeito, Kang faz parte da chamada nova geração de jornalistas chineses, formada logo após a abertura econômica do país iniciada em 1979 por Deng Xiaoping. Naquela época, conta Kang, havia apenas uma dúzia de universidades que formavam jornalistas na China. Duas décadas e meia depois, são 4.000 universidades e cem mil estudantes se formam em jornalismo todos os anos.

O ‘China Daily’ emprega 600 pessoas, das quais 250 jornalistas, cem na versão online, em redação que funciona à parte. Eles ganham, segundo Kang, ‘na média do mercado’, o que pode ser entendido por cerca de 4.500 yuans por mês (US$ 549). Por conta de uma relação ainda confusa entre mídia e entrevistados, muitas empresas privadas, inclusive multinacionais, anexam pequenos envelopes com dinheiro aos papéis com informações para a imprensa.

— Eu já fui a uma coletiva de uma montadora estrangeira e recebi 300 yuans em um envelope — conta um jornalista de uma gigantesca agência americana de notícias. — E a empresa não conseguia entender porque eu o recusava.

Publicidade ainda tem pequena parcela na receita

Kang diz que no ‘China Daily’ o código de ética é rigoroso e inclui a publicidade veiculada no jornal. Nada de anúncios de cigarros, bebida ou pornografia. Mas a publicidade ainda não é exatamente o forte das receitas do jornal. Publicidade e venda em bancas (e nos correios) representam 40% do faturamento do ‘China Daily’, que custa um yuan (US$ 0,12).

A rotina do jornal não difere muito da rotina dos grandes jornais: às 11h, faz-se a primeira reunião de pauta, outra às 15h e a definitiva às 18h30m. O jornal fecha às duas da madrugada do dia seguinte. Mas os jornalistas se revezam em três turnos. São 20 editores e apenas dez fotógrafos, mas o jornal é dono da maior agência de fotografia do país, a News Photo, onde trabalham centenas de fotógrafos.

Todos os jornais da China são de controle estatal e o presidente do país, Hu Jintao, já deixou claro que isso não mudará tão cedo.

— O governo abriu recentemente o setor de distribuição ao capital estrangeiro, mas não acho que isso vá acontecer agora no setor de produção — diz Kang.’



PLENARIUM
Jornal do Brasil

‘João Paulo lança hoje a revista Plenarium’, copyright Jornal do Brasil online (www.jb.terra.com.br), 22/11/04

‘BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, lança a revista Plenarium, às 19h, no Museu Paulista, em São Paulo. A publicação editada pela Câmara tem por finalidade divulgar questões sobre a atuação do Poder Legislativo na democracia contemporânea.’

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