Domingo, 22 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ENTRE ASPAS > JORNAL DA IMPRENÇA

Moacir Japiassu

08/03/2005 na edição 319

‘Deu na excelente coluna de Ricardo Feltrin, na Folha Online:

Após ser atacada anonimamente em uma comunidade no Orkut, por causa de sua próxima novela, ‘América’, que abordará o mundo dos rodeios, Glória Perez disse que eliminou da trama os personagens que fariam o papel de defensores dos animais. Negando estar generalizando o caso, a novelista afirmou que foi agredida (bem como a memória e a imagem de sua filha Daniella, assassinada em 28 de dezembro de 1992,) por ‘defensores dos animais’. Embora tenha dito que dá o ‘assunto por encerrado’, suas declarações jogaram mais gasolina na discussão…

Janistraquis, que detesta rodeios, todavia por outras razões, acha que Glória Perez deveria ser mais paciente com os ‘defensores de animais’:

‘Considerado, a novelista precisa entender que é por absoluto instinto de sobrevivência que esse pessoal das ONGs defende seus semelhantes!’, perorou, e em seguida relinchou em homenagem póstuma a um nosso alto companheiro, o burro Fabrício, que morreu esta semana, velho e feliz.

(Os detalhes desse arranca-rabo entre Glória e os onguistas está aqui no recém-criado Blogstraquis.)

E por falar em novelas, programas de auditório, alguns esportivos e todos os religiosos, esta coluna informa que apóia incondicionalmente a campanha nacional veiculada na Internet e cujo slogan é DESLIGUE A TV E VÁ LER UM LIVRO!

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Impressionante notícia

Nosso considerado Severino Goes, que depois da eleição do xará Cavalcanti para a presidência da Câmara ficou conhecido em Brasília como ‘Severino, o Bom’, passava os olhos pelo CorreioWeb quando deparou com esta notícia deveras impressionante:

Justiça determina derrubada de invasões

01/03/2005

18h08 – Os ‘puxadinhos’ de nove estabelecimentos localizados na 203 Sul estão na mira da Justiça. O juiz Álvaro Luis Ciarlini, da 2ª Vara da Fazenda Pública do DF, determinou a derrubada das invasões das lojas porque ferem o Código de Posturas e o tombamento de Brasília (…)

Segundo o advogado que representa os proprietários dos estabelecimentos, Raul Canal, a decisão ainda está em primeira estância e por isso cabe recurso. ‘Temos o prazo de 15 dias para recorrer e iremos fazê-lo. Essa ação existe há dez anos’, contou. Canal acrescenta que o Ministério Público entrou na Justiça em 1995 pedindo a demolição de todas as construções em área pública e o pagamento de valor relativo ao aluguel das mesmas durante os anos de uso.

Goes ficou embasbacado com a ‘primeira estância’, porém Janistraquis resolveu botar panos quentes nesse constrangimento:

‘Olhe, Severino, certamente o redator da versão digital do Correio Braziliense escreveu tal palavra depois de receber as estruções do chefe…’

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Dito popular

Aliás, por falar em coisas impressionantes, é bom reprisar aqui esta preciosidade publicada na coluna do considerado Claudio Humberto:

Cavalcanti

Na terra do novo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, há um ditado popular muito significativo: ‘Quem nasceu em Pernambuco há de ter este legado. Ou há de ser Cavalcanti, ou há de ser cavalgado’.

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Linguagem maluca

O considerado Gilberto Quincas recebeu um release que lembra aquele filme Códigos de Guerra; e a trolha é mesmo tão espetacular que vai um pedacinho aqui e o resto (resto, eis a palavra certa) está acomodado no Blogstraquis este espaço democrático criado para dar de 10 a 0 no Orkut!

(…)O LESTE e o LEG são os principais responsáveis pelo desenvolvimento da biblioteca de algoritmos de análise estatística espacial TerraStat, que integra a biblioteca de componentes geográficos de código aberto, o TerraLib. ENSP/CICT/CPqAM são responsáveis pelos testes e avaliações do aplicativo TerraView 3.0 Plus na área de saúde pública, em particular a Vigiância Epidemiológica e Epidemiologia Espacial, e o CEDEST, na área de Políticas Públicas e Estudos Urbanos.

Quincas quedou-se não apenas perplexo mas, principalmente, indignado:

Diga, considerado, em sã consciência e com toda a honestidade, se tem cabimento enviar-se um texto desse para os colegas jornalistas! Afinal, quem vai entender essa linguagem maluca e se interessar por uma pauta ou procurar mais informações, etc. etc.?

Aliás, não acredito que a colega que enviou essa barbaridade tenha entendido o que os doutores do Inpe lhe mandaram.

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Blogstraquis

Fiz acima breve referência ao Blogstraquis, espaço que a partir de agora será parte integrante da coluna e não poderá, é claro, ser vendido separadamente.

Falando sério, o recém-criado Blog não tem o objetivo de veicular as ‘idéias exóticas’ do seu titular e nem fazer profissão de fé vascaína; sua, digamos, principal serventia, é não privar os leitores de alguns textos os quais merecem leitura além dos excertos publicados aqui. Muitas vezes, quando o colunista chama para a íntegra de um artigo/notícia, o considerado leitor se perde no emaranhado de espantosas exigências cadastrais. Assim, convido quem não conseguiu ler o inesquecível artigo intitulado Cachaça e Escravidão para clicar aqui.

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Obscurantismo

Diretor da sucursal desta coluna no Planalto, de cujo janelão foi possível acompanhar o séquito de obscurantistas a sair da Câmara depois da aprovação da pesquisa com células-tronco, Roldão Simas Filho nos enviou um excerto do Correio Braziliense que tratava de assunto espetacularmente relevante:

DEPOIS DE 30 ANOS, PRINCIPE CHARLES VAI SE CASAR COM A EX-AMANTE, dizia a primeira página do jornal da sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2005.

Mestre Roldão, que não dá muita bola para as fofocas da realeza mas está sempre ligado na saúde do idioma, comentou:

O príncipe vai se casar com a mulher de quem é amante há trinta anos. Não tem nada de ex…

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Nota dez

O texto mais revelador da semana saiu da pena talentosa e sempre pontiaguda do considerado Luciano Martins Costa no Observatório da Imprensa:

A boca grande do presidente

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fala pelos cotovelos desde o tempo em que era apenas o irmão do Chico, aquele que um dia o Partido Comunista Brasileiro sonhou transformar em quadro avançado do sindicalismo. Dizem velhos companheiros que, por tagarelar demais, espantando os peixes, Lula foi atirado para fora de uma canoa por seu pai, quando pescavam, ele ainda menino, na Baixada Santista. Foi salvo por Chico(…)

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Errei, sim!

‘PICASSO PERDOA – Do autêntico Erramos, que é o da Folha de S. Paulo: ‘No texto Ator ficou conhecido com Gandhi, a frase correta de Ben Kingsley é ‘Leonardo Da Vinci pintou a Monalisa, e todos o identificam com essa obra’ e não ‘Picasso pintou…’. Por um erro da reportagem – o ator mencionava Picasso em uma declaração anterior – o texto foi aglutinado erradamente.’

Janistraquis leu e releu; ‘…o texto foi aglutinado erradamente…aglutinado…’ Depois, exclamou, com insuspeitada ferocidade: ‘Morte ao aglutinador da Folha, considerado! Morte ao desgraçado!!!’. Pensei comigo mesmo: o deputado Amaral Netto vai adorar esse apoio.’ (novembro de 1989)

(N. da R.: Amaral Netto era o maior defensor da instituição da pena de morte no Brasil)’



LÍNGUA PORTUGUESA
Deonísio da Silva

‘Antes de entrar no elevador’, copyright Jornal do Brasil, 7/03/05

‘Faz 28 anos que a atriz Anecy Rocha morreu tragicamente no poço de um elevador. Seu irmão, o polêmico e celebérrimo cineasta Glauber Rocha, declarou na época que a irmã não caíra, tinha sido empurrada. Será que já assolava os corredores a advertência ‘antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo está parado neste andar’?

Essa admoestação, com poucas variações de estilo, infesta nossos edifícios. Se chamassem um redator qualificado, as frases não destoariam tanto da clareza, da concisão, da coesão, enfim, do modo bonito que o brasileiro tem para se expressar.

Não foi chamado porque no Brasil, em se tratando de inscrições e avisos públicos, a língua portuguesa é sempre a primeira vítima. Aliás, também outros idiomas sofrem em nosso país desleixos semelhantes.

Outro dia um leitor lembrava que rainhas chamadas Elisabeth aparecem identificadas em placas como Elizabet, Elisabete, Elisabethe etc. Que estranha forma de reconhecimento! Nem o nome das homenageadas foi escrito corretamente!

Alguns avisos, entretanto, são escritos com objetividade e concisão, de que é exemplo o clássico ‘cuidado com o degrau’. Se fosse aplicado método semelhante, a advertência seria mais ou menos a seguinte: ‘Cuidado com o elevador!’. Ou então: ‘Antes de entrar, veja se o elevador chegou!’. Ou ainda: ‘Cuidado! Se o elevador não chegou, você corre risco de vida’.

A advertência, aliás, pode ser expressa de outra forma (risco de morte), pois se a vida está em risco, a morte ronda o usuário e, bem antes da meia-noite, como avisou outro cineasta em filme famoso, o elevador levará, não apenas sua alma, mas também sua língua.

José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, surgiu na década de 1970, quando explodiu a venda de elevadores. E recebeu diversos prêmios por À meia-noite levarei sua alma. Se a intenção é assustar a pessoa que vai tomar o elevador, invoquem o cineasta, inscrevendo advertência igualmente sinistra, mas pelo menos artística.

Há nas livrarias uma demanda crescente por livros que ensinam a escrever. Um deles já vendeu 12e edições. Seu autor é Antônio Suárez Abreu. Aposentado pela USP, atualmente é professor da Unesp. Seu livro tem apenas 168 páginas e está no catálogo da editora Ática com o título de Curso de redação.

Se os redatores desses avisos tivessem lido ao menos o capítulo dois de seu livro, não escreveriam tão mal. Ele dá uma aula muito clara entre as páginas 17 e 30, sob o título Textualidade e coesão: mecanismos de coesão textual.

A partir de exercícios simples, constituídos de duas sentenças, diz ele, ou melhor, escreve: ‘A maior parte das pessoas constrói razoavelmente a textualidade na língua oral, mas, quando se trata de escrever um texto, em geral se limitam a usar as palavras ‘mesmo’ e ‘referido’, produzindo seqüências do tipo: ‘João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Na referida cidade, o mesmo disse que a Igreja continua a favor do celibato’. O professor sugere soluções: Varsóvia pode ser substituída por ‘lá’, ‘capital da Polônia’, e João Paulo II por ‘papa’, ‘ele’ etc.

À semelhança do dito de Auguste de Saint-Hilaire – ‘ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil’ – precisamos exterminar esses erros públicos, como esses exibidos à porta dos elevadores, porque dão sinistras lições por métodos subliminares. Muitos são empurrados, caem ou se suicidam no poço da ignorância.

Qualquer profissional precisa fazer uso intenso da língua escrita nas mais diversas situações. Primeiramente o rádio, depois a televisão, e agora o celular, deram a impressão de que a escrita seria desnecessária. Deu-se o contrário. Nunca foi tão urgente saber escrever.’



TRADUÇÃO
Nelson Ascher

‘Escola de tradutores’, copyright Folha de S. Paulo, 7/03/05

‘Paulo Rónai (1907-92), o intelectual húngaro que, fugindo da morte certa na Europa Central quando esta se encontrava à beira do apocalipse, trouxe de lá para o Brasil um know-how a respeito da tradução literária que nos fazia falta, batizou uma de suas melhores coletâneas ensaísticas de ‘Escola de Tradutores’ (1952). Apesar do nome, o volume não é um manual sistemático do ofício, mas antes um conjunto de exemplos e sugestões derivados de seu exercício.

O ensaísta e tradutor, que devia a sobrevivência ao apetite por línguas e autores mal conhecidos em seu país, obtivera o quase impossível visto que lhe permitira vir para cá no começo dos anos 40 porque, latinista de formação, responsável por versões para seu idioma de Horácio, entre outros, e especialista também em literatura francesa (divulgava seus conterrâneos em francês e os franceses em húngaro, além de ter feito tese sobre Balzac), dedicara-se apaixonadamente a se familiarizar com as demais neolatinas, chegando enfim ao português.

Como bom centro-europeu, tão logo, com o auxílio de gramáticas e dicionários, dominou este idioma. Em vez de se interessar pelo que faziam os europeus do extremo oposto do continente, ele preferiu se aventurar em distâncias mais exóticas e, na véspera da eclosão da Segunda Guerra, verteu e publicou uma pequena antologia de poesia brasileira (‘Brazíliai Üzen Mai Brazil Költök’/ ‘Mensagem do Brasil – Poetas Brasileiros Contemporâneos’, 1939), na qual incluiu jovens ainda virtualmente desconhecidos mesmo aqui, como Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Cecília Meirelles e Carlos Drummond de Andrade. É provavelmente dele a primeira tradução para qualquer idioma do poema-escândalo drummondiano sobre a pedra no meio do caminho, texto que debateu com alunos do liceu de Budapeste onde era professor.

Buscando mais informações sobre o novo universo que lhe fora aberto, entrou em contato epistolar com o escritor santista Ribeiro Couto (1898-1963), que trabalhava como diplomata na Holanda. Pouco tempo depois, ele deu a público em seu país também uma antologia de seus versos. Foi em parte graças à tal amizade e a seus serviços em prol da divulgação da literatura brasileira na Hungria que Rónai pôde emigrar para a América do Sul quando as portas de todas as nações do mundo se fecharam para os judeus do Velho Mundo, ameaçados de extermínio pela expansão da Alemanha nazista.

Estabelecendo-se nestes trópicos, sua curiosidade não só não se arrefeceu, como se aguçou, e o magiar tornou-se um dos primeiros a estudar a sério a obra dos poetas acima e esteve igualmente entre os pioneiros que reconheceram de imediato a importância do trabalho de Guimarães Rosa. Infelizmente, o interesse que existia e existe em sua terra natal pela cultura brasileira não dispunha de uma contrapartida local, de um interesse pelo que se fazia no seu canto original do continente. Devido a isso, ele passou muito de seu tempo não apresentando ao público nacional os clássicos húngaros, mas sim ensinando latim e prosseguindo em português sua divulgação de obras francesas. Embora talvez exista hoje um mercado para aquilo que, na época, apenas ele teria podido fazer, não era este o caso outrora.

Vários tradutores brasileiros o haviam precedido no costume de aconselhar seus colegas de profissão, e um dos mais notáveis foi um tradutor oitocentista, o maranhense Manuel Odorico Mendes, que, nas notas às suas excepcionais versões de Homero e Virgílio, o fez explicando, às vezes minuciosamente, algumas de suas opções. O húngaro, porém, merece ser considerado o inaugurador no Brasil da abordagem empírica e pragmática dos problemas que quem quer que resolva transpor uma obra de um idioma estrangeiro para o nosso corre o risco de encontrar.

Pois, apesar da propensão universitária (nem sempre inútil nas humanidades) a converter conclusões derivadas do corpo-a-corpo com a palavra escrita em doutrinas rebuscadas e abstratas, a tradução literária nunca deixou de ser uma tarefa eminentemente empírica, que se nutre da experiência de seus profissionais e que se aprende e se aperfeiçoa na medida em que é posta em prática. Há, sem dúvida, até críticos que se acreditam capazes de julgá-la lançando mão de teorias aparentemente bem fundamentadas e que acenam com a infalibilidade quase teológica do juízo objetivo. No entanto, assim como em qualquer outra arte que requer criatividade e imaginação, os méritos de uma tradução só podem ser inteligentemente avaliados pela leitura sensível e informada de seus resultados. Ou, formulado de modo diferente: se funciona, é bom; se não funciona, não há instituição ou Ph.D que salve o trabalho.

Não obstante sua comprovada utilidade, seguem sendo escassos em nosso país os tomos que dêem continuidade ao exemplo oferecido por Rónai. Haroldo e Augusto de Campos desempenharam um papel central na explicitação dos recursos que contribuem para transformar um poema inglês, digamos, ou russo, alemão, provençal, num objeto esteticamente digno em português do Brasil. Seu empenho, todavia, foi a exceção, não a regra. E, embora eu tenha certa vez dado um breve curso sobre o assunto, sinto-me meio cético acerca da utilidade de discussões grupais. Orientar-se pelo ‘caminho das pedras’ requer mais livros do que aulas. A literatura e tudo o que com ela se relaciona, incluindo sua tradução e leitura, são, afinal, afazeres solitários cuja meta última talvez seja justamente a de ampliar o espaço interior da individualidade.’



JORNALISMO CULTURAL
Ana Maria Bahiana

‘Jovem para sempre’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 4/03/05

‘Foi-se mais um Oscar, o septuagésimo sétimo. Para satisfazer apetites de colecionador, salvar jornalistas em hora de fechamento e resolver dúvidas naquelas discussões acaloradas a propósito de coisa pouca (‘Marisa Tomei ganhou um Oscar de que? Qual o profisisonal com o maior número de estatietas?’) etc há um bom livro na praça: Tudo Sobre o Oscar, do jornalista Fernando Albagli, lançado pela nova Zit Editora. É obra que não se arvora a vôos críticos, mas esgota as informações possíveis sobre quem, quando e, quase sempre, por que ganhou o que nestas quase oito décadas de sonhos, discursos e intrigas.

O Oscar como ritual de solidificação de alianças e balizamento da evolução de gostos, costumes e padrões morais é o tema de um excelente pacote de matérias da Vanity Fair de março, quase todas disponíveis gratuitamente na Internet (aqui). Uma história em particular merece atenção – a narrativa de como Perdidos na Noite (Midnight Cowboy), de John Schlesinger, passou de um livro ‘pornográfico’ ao primeiro filme de categoria ‘adulta’ (a temida classificação X) a ganhar o Oscar. Boa pauta, boa execução, exemplo de como algo acontecido há mais de 30 anos pode ter real impacto e significado agora mesmo.

Ainda livros, ainda perspectivas: quem quer saber como era jornalismo sem rede de segurança (em todos os sentidos) aqui mesmo (e não em terras de Hunter S. Thompson) deve ler pelo menos o volume 2 da dobradinha Torquatália, da editora Rocco. Organizada por Paulo Roberto Pires, a coletânea traz a produção completa de Torquato Neto na Última Hora carioca de 1971/72 – onde assinava a coluna Geléia Geral, que nem no mais agudo dos delírios tem alguma semelhança com o que hoje se considera ‘coluna’ – além de outros textos dele para o Jornal dos Sports (onde assinava uma coluna de Música Popular, para a qual vale o mesmo aviso acima….) e o legendário nanico O Sol.

O material que saiu originalmente no histórico volume Os Últimos Dias De Paupéria, (lançado em 1973 graças aos bons serviços de Waly Salomão e da viúva de Torquato, Ana Maria Duarte) é enriquecido por muita coisa inédita. Deve ser lido sem nostalgia, para que seu efeito revigorante e, espera-se, inspirador, não seja diluído por mitologias inúteis. Lembrem-se de que é um homem entre 25 e 28 anos que está escrevendo, e que jornais diários e hebdomadários nos quais o espaço era incerto e arriscado, sob a sombra férrea da censura prévia, publicavam tais textos como hoje se publicam notas a respeito de festas e viagens. Se um único leitor que seja sentir em sua veias frisson semelhante a de um red bull duplo, então a voz de Torquato terá, de fato, permanecido jovem para sempre.’

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