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Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº999
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ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 4/9

Murdoch quer o NYT, diz Vanity Fair

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 04/09/2008 na edição 501

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 4 de setembro de 2008


 


IMPÉRIO
Reuters


Murdoch agora quer comprar o NYT


‘Rupert Murdoch quer comprar o jornal americano The New York Times e brincou com a possibilidade de adquirir uma ‘considerável participação minoritária’ da Bloomberg News, afirmou Michael Wolff, da Vanity Fair, em um artigo da edição de outubro da revista.


O diretor-executivo e presidente do conselho da News Corp comprou o jornal The Wall Street Journal e adora fofocar sobre as notícias e até repassa histórias ele próprio, escreveu Wolff em seu artigo.


O empresário também vê sua própria família tomada pelo tipo de conflito interno que atingiu os Bancroft, que acabaram por vender-lhe o Wall Street Journal.


‘E como evitar esse destino?’, perguntou Wolff a Murdoch. ‘Ah, é simples. Eu não posso. No máximo, consigo adiá-lo’, respondeu o empresário.


Wolff, que está escrevendo a biografia do australiano magnata dos meios de comunicação nascido na Austrália, relata que, antes de fechar o acordo de compra do Journal, Murdoch, ‘durante cerca de uma hora’, decidiu que a Merrill Lynch, atingida por problemas financeiros, estaria pronta para vender sua participação acionária de 20% na Bloomberg. E que ele compraria o lote.


Esse acordo nunca se concretizou, mas Murdoch acabou por adquirir um dos jornais mais renomados dos EUA e agora volta suas armas para outro – o New York Times.


‘Obviamente, trata-se de algo irresistível para ele. Eu o vi analisar os números, planejar uma fusão com as operações de base do Journal e fantasiar sobre funcionários se demitindo em massa assim que ele entrasse naquele templo sagrado’, escreveu Wolff. A News Corp não estava disponível para comentar o artigo.


Wolff conta também sobre um encontro, em meados deste ano, entre Murdoch, Roger Ailes (chefe do canal de TV Fox News, da News Corp), e o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama.


Obama perguntou por que deveria falar com Ailes, já que a Fox havia retratado o democrata como uma pessoa ‘suspeita, estranha e assustadora’. Ailes retrucou que o canal de notícias talvez não tivesse tratado o candidato dessa forma se Obama tivesse aparecido na Fox.


‘Uma trégua, que pode ou não ter significado histórico, foi acertada naquele momento’, escreveu Wolff.


O jornalista acrescentou que, antes das prévias democratas em Nova York, perguntou a Murdoch em quem deveria votar. O empresário respondeu: ‘Em Obama, pois ele venderá mais jornais’.


A News Corp faturou US$ 32,9 bilhões no ano fiscal encerrado em agosto. Seu lucro líquido foi de US$ 5,38 bilhões, com um crescimento de 57,2% em relação ao ano anterior.’


 


 


CAMPANHA
Silvia Amorim


Alckmin prepara ofensiva na TV contra Marta


‘Depois de investir, sem muitos resultados, no eleitorado da periferia de São Paulo, onde a adversária do PT, Marta Suplicy, é mais forte, a campanha do candidato do PSDB à prefeitura da capital, Geraldo Alckmin, entra numa nova fase e direciona os esforços neste último mês de disputa ao convencimento da classe média. A mudança de foco trará também um novo discurso, prometem alckmistas, com uma maior polarização com Marta no horário eleitoral no rádio e na TV.


Apesar de disputar com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) uma vaga para o segundo turno das eleições, os alckmistas vêem nessa nova fase a oportunidade para acentuar as diferenças entre o candidato tucano e Marta. Até para garantir que a alta rejeição que a petista tem na classe média continue.


Nesse cenário, entrarão com mais força no horário eleitoral gratuito as realizações de Alckmin no governo estadual em contraponto com empreendimentos da petista na prefeitura. Os tucanos vão comparar, por exemplo, custos de obras, o aumento de carga tributária na gestão petista com a desoneração de impostos no governo Alckmin. Terão tratamento especial os gastos da gestão Marta com os dois túneis inaugurados na cidade às vésperas da eleição de 2004 e a falta de investimento da ex-prefeita no metrô.


O objetivo é buscar na classe média, eleitorado em que o tucano já tem boa penetração, impulso para diminuir a vantagem da adversária no primeiro turno. Depois de dois meses de eleição, o comando da campanha de Alckmin já admite que não tem como tirar essa diferença nas franjas da cidade, porque a estrutura de campanha da ex-prefeita é muito superior à dos tucanos. No Grajaú, zona sul, contam alckmistas, Marta tem cerca de 100 peruas rodando diariamente no distrito. Alckmin não tem essa frota em toda a cidade.


‘Isso não significa que vamos abandonar a periferia. Vamos continuar trabalhando lá até para não deixar o PT deslanchar. A classe média você alcança mais rapidamente. Por isso começamos a investir somente agora’, disse o coordenador-geral da campanha de Alckmin, deputado Edson Aparecido.’


 


 


O Estado de S. Paulo


Juiz proíbe candidato de imitar Enéas


‘O juiz Claudio Luiz Bueno de Godoy proibiu o candidato a vereador Luciano Enéas Martinez Nantes Soares (PTN) de usar a imagem do falecido deputado Enéas Carneiro em sua propaganda eleitoral e de imitar sua fala, gestos e bordão. Em propaganda do horário eleitoral gratuito, o candidato diz que pretende prosseguir com o ‘trabalho do dr. Enéas’ e se apresenta como seu filho. O juiz entendeu que houve imitação com o objetivo de ‘infundir no eleitor a crença em um elo que não existe’.’


 


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Patrícia Campos Mello


Vice de McCain critica a mídia


‘Ao aceitar a indicação como vice-presidente na chapa do candidato republicano, John McCain, Sarah Palin atacou ontem duramente a imprensa que passou os últimos dias questionando sua experiência e investigando a vida pessoal da governadora do Alasca.


‘Como aprendi rapidamente nos últimos dias, se você não pertence à elite de Washington, por este único motivo algumas pessoas da mídia vão considerá-lo um candidato não qualificado’, disse Sarah, na terceira noite da Convenção Nacional Republicana. ‘Mas aqui vai uma dica para os repórteres e comentaristas: eu não estou indo para Washington para cair nas graças de vocês, eu estou indo para Washington para servir a este grande país’, disse Sarah, que foi recebida com cartazes que diziam ‘Palin Power’


A noite se transformou em um libelo contra a ‘mídia de esquerda’. ‘Eu queria agradecer à mídia de elite por unir o partido’, discursou ontem o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee, que disputou a primária republicana. ‘E para aqueles que falam da experiência de Sarah, eu gostaria de lembrar que ela recebeu mais votos concorrendo à prefeitura de Wasilla do que Joe Biden concorrendo à presidência dos Estados Unidos’, disse Huckabee. Biden, vice de Obama, disputou a primária democrata.


Durante o dia, a assessoria de campanha de McCain havia criticado duramente os meios de comunicação por causa das questões levantadas sobre Sarah. ‘Essa controvérsia é produto de um fabricado escândalo de mídia que se destina a destruir a primeira mulher republicana nomeada para vice nos EUA, que nunca fez parte da rede de jovens senhores que domina o establishment das comunicações do país’, dizia uma nota assinada pelo estrategista de campanha Steve Schmidt.


Em seu discurso, Sarah ridicularizou o currículo do candidato democrata, Barack Obama. ‘Antes de tornar-me governadora do grande Estado do Alasca, fui prefeita de minha cidade . E já que meus oponentes desprezam essa minha experiência, deixe-me explicar a eles do que consiste esse cargo – ser prefeita de uma cidade pequena é como ser líder comunitário, só que você tem responsabilidades reais’, disse Sarah, ironizando a experiência de Obama como líder comunitário.


Sarah teve ontem a oportunidade de reapresentar-se aos eleitores, após uma série de eventos embaraçosos – entre os quais, a gravidez de sua filha de 17 anos, Bristol, que deixou a governadora ultraconservadora e a campanha republicana na defensiva. Evangélica devota, pró-armas e opositora ferrenha do aborto e do casamento gay, Sarah trouxe euforia à base conservadora do partido, que tinha reservas sobre McCain. Mas o restante dos republicanos e independentes ainda está desconfiado com a escolha.


‘Os problemas que surgiram (a pressão para demitir, por questões pessoais, o ex-cunhado e a gravidez da filha, por exemplo) serão superados’, disse ao Estado Jerry Hagstrom, comentarista político e autor do livro Além de Reagan: O novo cenário da política americana. ‘Mas seu grande problema é a falta de experiência. Será que os eleitores acreditarão que ela pode lidar com Irã, Putin e Paquistão na ausência de McCain?’


Sarah tentou reforçar suas credenciais em política doméstica, falando sobre energia. ‘Em janeiro, em um governo McCain-Palin, nós vamos construir mais oleodutos, mais usinas nucleares, criar empregos com carvão limpo e avançar em fontes alternativas como energia solar, eólica e geotérmica.’


O marido, seus cinco filhos e o namorado de sua filha Bristol, Levi Johnston, estavam na platéia. Sarah fez questão de mencionar que seu filho mais velho é um soldado e seu filho mais novo tem problemas (ele tem síndrome de Down). McCain fez uma aparição-surpresa para saudar Sarah e depois foi nomeado oficialmente pelos delegados como o candidato do partido.’


 


 


TECNOLOGIA
Reuters


Apple vai lançar o iPhone no Brasil no fim do mês


‘A Apple vai lançar o iPhone no Brasil na última semana deste mês, segundo Roberto Lima, presidente da Vivo. Segundo o executivo, a data será a mesma para todas as empresas que tiveram acordo com a fabricante, pois é a Apple quem comanda o lançamento do aparelho em cada país.


A Vivo já disparou uma mala direta a alguns dos seus clientes para oferecer o iPhone. A estratégia é uma forma de restringir a venda do aparelho à própria base de clientes da empresa e de agradar esse público em época de portabilidade numérica, já que desde o dia 1º deixou de existir a barreira do número para que o cliente mude de operadora.


A estratégia é diferente da adotada pela Claro, que abriu inscrições em seu site para qualquer interessado no aparelho celular lançado em 11 de julho, nos Estados Unidos. A TIM também está interessada em vender o aparelho no País, mas ainda não conseguiu fechar um acordo com a Apple. A fabricante preferiu não comentar sobre a possível data de lançamento do seu aparelho no País.


Lima disse que ‘o iPhone só se justifica para quem consome dados e acessa à internet’. Ele estima, por exemplo, que da atual base de 41 milhões de clientes da Vivo, um milhão pode se interessar. ‘Nosso cliente não precisa mudar de operadora para ter o iPhone’, disse ele, durante o Congresso Nacional de Relações Empresa-Cliente (Conarec).


A idéia da Vivo de se antecipar ao usuário e enviar a mala direta foi, segundo ele, para ‘dar a possibilidade aos nossos clientes de ter o aparelho sem filas, sem transtornos’. Essa é, segundo ele, uma das estratégias da companhia para fidelizar os clientes e evitar a sua migração para qualquer uma das concorrentes.


A operadora começou a disparar uma mala direta que contém, inclusive, uma capa para o iPhone como brinde, na segunda quinzena de agosto. Os interessados que receberam a correspondência podem se manifestar no site da empresa para reservar o modelo.


A Vivo ainda não fez o lançamento de seus serviços de terceira geração (3G) no País. Os modelos do iPhone que a Apple está trazendo ao País funcionam com tecnologia 3G.


O presidente da Claro, João Cox, presente ao mesmo evento, preferiu não revelar quantos clientes já se cadastraram em seu site para comprar o iPhone. O último número divulgado havia sido de 100 mil pessoas em algo como 10 dias. Cox disse somente que ‘o número não pára de crescer’.


A companhia queria cobrar R$ 100 dos inscritos para ‘dar início ao processo’ de venda, segundo Cox, mas, diante de uma manifestação do órgão de defesa do consumidor, Procon, desistiu da idéia. O Procon de São Paulo classificou como ilegal a cobrança, porque a operadora não informava a data de lançamento e o preço do aparelho.


COMPETIÇÃO


Em Nova York, Michael Dell, presidente da Dell, afirmou que a empresa pode lançar um produto para competir com o iPhone, mas acrescentou que ele não deve chegar logo ao mercado.


‘Acredito que teremos equipamentos com telas pequenas’, disse o executivo em conferência com investidores, ao ser perguntado se a empresa estava desenvolvendo telefones inteligentes como o iPhone, que combinam funções de computador pessoal e celular.


‘Teremos aparelhos cada vez menores, que terão capacidades dos equipamentos a que você se refere. Mas não no curto prazo’, explicou Dell.’


 


 


INTERNET
Joanna Roberts


Perfil online influencia imagem profissional


‘Levantem a mão todos os que pesquisaram alguém através do Google na semana passada. Agora, levante a sua mão se você fez uma busca do seu nome. Segundo Krishna De, especialista em mídia e criação de marca pessoal, poucas pessoas se preocupam em saber o que a internet informa a seu respeito. Mas, com freqüência, é o primeiro lugar onde se investiga outras pessoas.


Atualmente, muitas relações de trabalho começam eletronicamente. Mesmo quando você encontra alguém pessoalmente, é provável que uma pesquisa online já tenha sido realizada. ‘As pessoas vão buscar informações antes de uma reunião com você, e depois também’, diz De. ‘É como checar uma referência online. Não é a única coisa importante, mas vai fazer parte da avaliação.’


A boa notícia é que é relativamente fazer uma rápida reformulação da imagem online. São abundantes as narrativas de empregadores que buscam informações no Google sobre futuros funcionários, descobrindo histórias de festas desregradas, porém isso é fácil de evitar. ‘Muitas pessoas desconhecem os controles de segurança nos sites de redes sociais’, diz De. Para separar o profissional do pessoal, use as opções de segurança. A regra é: se não quer que seu patrão ou clientes vejam alguma coisa, mantenha-a oculta.


James Reed,presidente do grupo de recrutamento Reed, recomenda ter cuidado com fotos online. ‘As fotografias podem dizer muita coisa, particularmente quando tiradas fora de contexto.’


Infelizmente para aqueles que têm fobia de tecnologias, estar fora da rede não é solução. Graham Jones, psicólogo de internet, diz que cada vez mais as pessoas esperam encontrar informações online sobre credenciais profissionais de alguém. ‘Se não acharem nada a seu respeito, podem achar que sua contribuição não é tão valiosa.’


Registrar-se em websites com boa reputação é um meio de criar uma ‘persona’ online respeitável. ‘LinkedIn e Ziggs são excelentes para criar um perfil profissional’, diz De. ‘São respeitados e não exigem muito esforço, ao contrário de um blog.’


Ela recomenda também escrever críticas de livros em sites de livrarias ou publicar artigos sobre sua área de conhecimento. Reed recomenda usar blogs e fóruns de discussão, mas essa tarefa deve ser feita ‘de maneira sóbria e não exuberante’.’


 


 


FOTOGRAFIA
Antonio Gonçalves Filho


O alemão que fotografou o apocalipse


‘A mais polêmica foto da tragédia do 11 de setembro de 2001, quando terroristas colocaram abaixo as torres gêmeas, em Nova York, não mostra o choque dos aviões contra os prédios do World Trade Center nem as vítimas do atentado. Registra uma cena idílica de verão. Nela, cinco jovens conversam tranqüilamente em algum lugar de Williamsburg, no cais do Brooklyn, em meio a ciprestes e flores, enquanto uma nuvem negra de fumaça cobre os prédios de Manhattan. Seria uma montagem forjada em fotoshop? Um comentário irônico sobre a alienação da juventude americana? Uma crítica à incapacidade do homem contemporâneo de se comover com o drama alheio? Nenhuma das anteriores. É, ou deveria apenas ser, um instantâneo do fotógrafo alemão Thomas Hoepker, ex-presidente da agência Magnum (de 2003 a 2006) que, a convite da Galeria de Babel, abre esta semana, em São Paulo, uma exposição com sua série histórica sobre Cassius Clay, feita na época (1966) em que o pugilista se converteu ao islamismo.


Hoepker, que concedeu por telefone uma entrevista exclusiva ao Estado, vai ter sua foto do 11 de setembro leiloada no sábado pela Bolsa de Arte (preço estimado entre R$ 14 e R$ 18 mil) e exibida também no 2º Circuito de Fotografia I-Contemporâneo (leia texto na página 7), a partir do dia 10, no Shopping Iguatemi. Antes, no sábado, Hoepker abre sua individual na Galeria de Babel, onde mostra a série de Muhammad Ali, nome que Cassius Clay adotou após se tornar muçulmano. É um trabalho de referência na história do fotojornalismo. Em raras ocasiões a comunhão entre fotógrafo e celebridade chegou a tal grau de intimidade, permitindo revelar aspectos da vida particular do boxeador.


Fotojornalista é como Hoepker se define, mesmo sendo valorizado como artista no circuito internacional. Entrar nesse mercado, diz, foi apenas circunstancial. Com a redução no orçamento das revistas impressas, conseqüência da concorrência da internet, fotógrafos realizam cada vez menos trabalhos por encomenda de editoras, que garantiram a Hoepker fotografar séries históricas transformadas em livros, entre eles o impressionante Return of the Maya (Dewi Lewis Publishing, 160 páginas, 1998). A publicação registra a vida dos descendentes dos maias após a longa guerra civil da Guatemala, que acabou em 1996 e deixou um rastro de 150 mil mortes nos 36 anos do conflito, encerrado com o acordo entre o presidente Arzu e guerrilheiros.


‘Esse foi um trabalho para a revista Stern, que me mandou para a Guatemala fazer uma reportagem turística sobre os costumes locais’, conta Hoepker. Ele acabou subvertendo a pauta, envolvendo-se com o sofrimento dos maias. ‘Após 500 anos de opressão cultural, pela primeira vez esse povo pôde praticar seus rituais religiosos e resgatar antigos costumes de seus ancestrais’, lembra o fotojornalista, que visitou o país quatro vezes, registrando, de 1990 a 1997, como os descendentes dos maias recuperaram os corpos de seus mortos no confronto com o governo guatemalteco e a maneira como conduziram os ritos fúnebres em cavernas, ravinas e cachoeiras.


Para a mesma Stern ele realizou, em 1975, outra impressionante série sobre a vida cotidiana em Berlim Oriental, quando a cidade alemã ainda era dividida pelo muro. Hoepker, um alemão de 72 anos nascido em Munique, atravessou a cortina de ferro como assistente técnico da revista, registrando imagens de dissidentes políticos como Wolf Bierman e Robert Havemann, além do retrato inquietante de um comerciante exibindo um ganso em plena época do Natal, uma raridade gastronômica na triste Berlim Oriental. ‘Comparando com o tempo em que lá vivi, a reunificação fez bem para os alemães do Leste, a despeito da nostalgia de alguns representantes do antigo regime, que não enxergam com bons olhos as mudanças na Alemanha’, observa.


Por essa época as fotos de Hoepker já eram distribuídas pela Magnum e seus documentários exibidos pela televisão alemã, chamando a atenção de editores americanos. Todos conheciam a série de Muhammad Ali, feita para a Stern em 1966, época em que negros eram discriminados em locais públicos nos EUA. O punho de Cassius Clay, exibido na foto desta página, era visto então como um protesto contra a opressão. ‘Foi uma leitura equivocada da foto, que é de fato ambígua, mas nem tanto como a do 11 de setembro’, esclarece Hoepker, dizendo que pretendeu apenas destacar o punho de um campeão.


No caso da foto maior desta página, a da tragédia das torres gêmeas, foi justamente seu caráter indeterminado que fez Hoepker mantê-la escondida por três anos, até que um amigo seu da Alemanha resolveu incluí-la numa retrospectiva dedicada ao fotógrafo. Quando publicada nos EUA, ele foi acusado de banalização do terror. Hoepker defendeu-se, dizendo que não pretendia, de modo algum, ser desrespeitoso com a memória dos mortos na tragédia. ‘Tanto que, ao selecionar as fotos da Magnum para um livro, retive a minha, por considerar que sua publicação poderia distorcer a realidade tal como a percebemos naquele dia.’


A imagem foi registrada por acaso. Retido em seu carro no Brooklyn, sem poder atravessar a ponte, ele viu um grupo de jovens conversando no cais de Williambsurg e tirou três fotos. ‘Não pensei em nada naquele momento, nem mesmo em fazer uma crítica à alienação dos garotos, como denunciaram posteriormente dois deles’, admite o fotógrafo. ‘De qualquer modo, acho que é da natureza humana se habituar com o horror’, diz o fotógrafo, um dos últimos da escola humanista de Cartier-Bresson e Elliott Erwitt, suas duas maiores referências.


Serviço


Thomas Hoepker. Galeria de Babel e Paparazzi Galeria. Av. Pedroso de Moraes, 100, tel. 3816-5520. Visitação: 24 h. Até 8/11. Abertura domingo, 15 h’


 


 


CINEMA
Andrei Netto


Tropa de Elite desperta polêmica na França


‘A estréia do longa-metragem Tropa de Elite, de José Padilha, em Paris, na noite de ontem, deixou um rastro de polêmicas e críticos divididos, muitos dos quais escandalizados. Destacado em extensas críticas por grandes jornais, como Le Monde, e em reportagens em alguns nos principais telejornais da França, o filme tende a surtir na Europa o mesmo efeito verificado no Brasil: controvérsia e choque diante de uma polícia que mata primeiro e só depois questiona.


Sob o título ‘Um clipe chocante de elogio à força bruta’, o crítico de cinema Jacques Mandelbaum, do Monde, não economizou Padilha em seu julgamento. Ele cita a opção do diretor pelo ponto-de-vista de um policial, explica o drama psicológico do personagem central, o capitão Roberto Nascimento, mas chama a trama de ‘verniz superficial e inconsistente’: ‘O único objetivo do filme, como seu título indica claramente, aliás, consiste em erigir o mito do Bope’. O jornalista termina seu texto sugerindo que a pouca profundidade do thriller não merece sequer que o leitor se deixe envolver pelas polêmicas sobre seu suposto viés fascista, ‘o que lhe seria atribuir honra demais’. Na mesma página, Jean-Pierre Langellier, correspondente do Monde no Rio de Janeiro, dá mais detalhes sobre o sucesso de público atingido pela fita no Brasil e pela crítica social que despertou desde antes de seu lançamento oficial, quando da venda das cópias em DVD pirata.


Tropa de Elite também foi usado como tema pela emissora de TV pública France 2 para investigar, em seu principal telejornal, a violência policial no Brasil. ‘Um filme coroado pela crítica internacional serve como revelador’, disse o apresentador, David Pujadas. A reportagem, de quase três minutos de duração, mesclou imagens da ficção com cenas reais de violência policial no país. A reportagem também ouve Padilha, que dispara: ‘A própria existência do Bope mostra que a sociedade brasileira é doente’. Sobre o filme, a crítica de France 2 é amplamente favorável: ‘Tropa de Elite não dá lições, mas mostra que um batalhão como o Bope não é só um fracasso moral; é também um impasse político, já que não resolve nada. Pelo contrário.’


O filme de José Padilha era esperado nos cinemas da França e desde o ano passado é comentado por cinéfilos em Paris, onde outro thriller brasileiro, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, marcou os espíritos e tornou-se cult. A curiosidade por Tropa de Elite era tamanha que em outubro do ano passado o jornal Libération, de Paris, enviou ao Rio uma jornalista, que descreveu a pirataria, o sucesso de público do longa e a controvérsia intelectual despertada no país na reportagem ‘Eletrochoque pirata no Rio’.’


 


 


PUBLICIDADE
Verissimo


Novos espaços


‘A publicidade vive atrás de ‘mídia’ nova, ou espaços para propaganda além dos tradicionais. Me ocorreu que neste novo momento da vida nacional, com o Ministério Público e a Polícia Federal investigando, indiciando e prendendo gente que antes ninguém poderia imaginar, abriram-se oportunidades inéditas para agências e anunciantes inovadores. Os novos acusados são notícia justamente porque são surpreendentes, e como tal atraem a atenção da imprensa e do público.


Por que não se pensar no corrupto célebre como veículo publicitário?


O momento favorece o marketchim inovador. Saímos de uma fase de impunidade total para uma de responsabilização parcial, ou experimental, da corrupção. Empresários e políticos começam a ser presos com alguma regularidade. Como raramente ficam presos, as cenas de detenção espalhafatosa e saídas depois do habeas-corpus também espalhafatosas se repetem, com grande cobertura grátis da imprensa. A polícia poderia ser convencida a colaborar, fornecendo macacões para os detidos famosos como os de pilotos da Fórmula 1, com amplos espaços para grifes.


Outra coisa: os dossiês. Pelo menos em tese, esses dossiês que há anos cruzam os ares e circulam pelas redações do País – quando não são inventados, claro – vêm em pastas, e cada pasta tem duas capas. Ou seja, quatro exemplos de mídia ainda não aproveitada. O próprio governo poderia comprar espaço nas capas e contracapas dos dossiês para anunciar seus programas e serviços, já que seu público-alvo é o dos chamados ‘formadores de opinião’. Tendo apenas o cuidado de anunciar em todos para não dar a impressão de estar favorecendo ou discriminando este ou aquele acusador ou corrupto.


Outro exemplo: a revelação de que o banqueiro extraditado Cacciola estava comendo lagosta na prisão indignou muita gente, mas poderia ter levado algum publicitário empreendedor a procurar o fornecedor da comida do Cacciola e sugerir uma campanha. ‘Torne-se cativo da nossa lagosta você também’, ou algo parecido. O próprio Cacciola poderia gravar um testemunho, ou ser convidado a fazer um programa para a TV diretamente da prisão, com recomendações de pratos para pedir na cela e os vinhos correspondentes.


Outro exemplo… Mas chega. Quem já trabalhou em publicidade sabe que uma coisa que o público não gosta é de ironia demais.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Falhas são propositais, diz diretor


‘Trânsito, caos urbano, rodízio de carros, alagamentos? Na São Paulo de A Favorita nada disso existe. Os personagens parecem praticamente se teletransportar do campo para a cidade, o que nos faz pensar: Será descuido do autor e do diretor da trama? Não, é de propósito mesmo, garante Ricardo Waddington, diretor da novela das 9 da Globo.


Ele explica que o folhetim é todo escrito em um ritmo completamente diferente do que vem sendo feito em novelas mais naturalistas, que se passam nos dias atuais.


‘O autor recuperou aquele estilo de Janete Clair, aquela coisa do olhar ficcional do autor, de distâncias ficcionais. O que importa é a trama principal’, fala o diretor. ‘Os autores atuais ficaram muito presos a essa ditadura do realismo. Mas o João (Emanuel Carneiro), não. As cenas que ele escreve chegam a ter o espaço certo para entrada do break, e ele vem retomando a forma clássica de se fazer teledramaturgia’, continua. ‘Tudo isso sem perder o ineditismo, a inovação.’


Para Waddington, outro diferencial da novela está na retratação de São Paulo, que, segundo ele, está focada em uma só área da cidade. ‘Fala-se em São Paulo, o pessoal logo pensa em captar imagens da Marginal, da Oscar Freire, da Paulista. A nossa São Paulo é o centrão, decidimos isso logo no início da novela’ conta. ‘Claro que gravamos também em restaurantes nos Jardins, mas os personagens vão circular mesmo é pelo centro antigo da cidade.’


O diretor conta que a virada das personagens Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Cláudia Raia) já estava prevista no roteiro original, e que a trama foi conduzida desde o início de forma que a guinada surpreendesse mesmo ao público. ‘Foi tudo planejado. É o máximo essa ousadia do João.’’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 4 de setembro de 2008


 


GRAMPOS
Lucas Ferraz


Preocupação é que Estado não se torne ‘Grande Irmão’, diz Tarso


‘Ministro da Justiça e chefe da Polícia Federal, Tarso Genro admitiu ontem que é ‘muito mais difícil’ controlar grampo ilegal produzido por particulares do que uma eventual gravação feita por agentes do Estado.


A situação, disse, fica ainda mais complicada e fora de controle por causa da ‘tecnologia disponível’ atualmente, que permite que indivíduos, ‘criminosos ou não’, invadam a privacidade das pessoas.


‘Nossa preocupação é a de que o Estado não use esses meios, não se torne um ‘Grande Irmão’. Deve-se combater isso como se combate a criminalidade’, afirmou o ministro, referindo-se aos equipamentos eletrônicos usados para escutas que entram no país por ‘contrabando’ ou importados ‘até de forma legal’. Tarso havia dito, há algumas semanas, que ‘estamos chegando a um ponto em que temos de nos acostumar com o seguinte: falar ao telefone com a presunção de que alguém está escutando’.


Ao admitir impotência diante da profusão de grampos, o ministro separou as interceptações em três categorias: 1) grampeamento legal, com autorização judicial e acompanhamento do Ministério Público; 2) grampo ilegal feito por agente público e 3) grampo particular, considerado o mais grave e que é usado, segundo ele, para fins escusos, por escritórios de detetives e espiões. Em todos os casos, disse Tarso, deve haver fiscalização.


O governo trabalha com as duas últimas hipóteses para a interceptação da conversa telefônica entre o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A PF investiga o caso.


Como resposta à crise, o Ministério da Justiça se comprometeu a enviar até amanhã projeto de lei à Casa Civil (que o remeterá ao Congresso) com punições para quem fizer grampo ilegal. O projeto poderá tramitar separadamente ou ser juntado ao que já se encontra na Câmara e que regulamenta as escutas telefônicas.


Tarso defendeu ainda o afastamento de Paulo Lacerda da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), para a apuração de eventuais responsabilidades da agência no caso, mas disse que ‘ele não determinaria qualquer atitude ilegal’, disse.


Sobre a suspeita de que o ex-ministro José Dirceu estaria sendo espionado por policiais federais, Tarso declarou que nunca recebeu comunicado dele relativo à questão. ‘No momento em que chegar, isso será duramente investigado.’


Também refutou que o caso seja explorado por causa das divergências no PT. ‘A PF não faz ato ilegal, muito menos pode ser instrumentalizada politicamente.’ Sobre as críticas que recebeu, disse que fazem parte do ‘contencioso político’.’


 


 


CAMPANHA
Laura Mattos


Após 2 semanas, Maluf ‘estréia’ no horário eleitoral


‘Duas semanas após o início do horário eleitoral, Paulo Maluf apareceu ontem pela primeira vez para pedir votos. Antes, a propaganda mostrava apenas cenas do candidato do PP nas ruas, cumprimentando eleitores.


‘Hoje é meu aniversário’, disse Maluf, que fez 77 anos, seguido por jingle sertanejo: ‘Jogaram tanta pedra nele, e ele tá aí, cheio de energia e coragem para construir’. Acusado de corrupção, entre outros crimes, Maluf ficou preso por 40 dias em 2005. Ontem, pediu ‘mais uma oportunidade’, disse querer ‘deixar uma memória, uma história, uma imagem’. ‘Me dê este voto, que será um martelo que vou pegar um bloco de mármore bruto e transformar nele [sic] no melhor imagem do mundo: a estátua de São Paulo.’


No rádio, Kassab respondeu ao quadro de Marta Suplicy, ‘cascata do Kassab’, dizendo que ‘cascata é dizer que vai ter dinheiro do governo federal para o metrô’.’


 


 


***


Agressividade entre Marta e Kassab vai à TV


‘A agressividade entre Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM), antes restrita ao horário eleitoral do rádio, chegou ontem à TV. ‘É inacreditável o que acontece hoje em São Paulo. Há tempos que a cidade não tem um governo com uma visão tão estreita’, disparou a petista.


Pela primeira vez, Marta criticou diretamente o governador José Serra, que aparece nas propagandas de Kassab e Geraldo Alckmin (PSDB): ‘O primeiro prefeito já assumiu pensando em ser governador, fez muito barulho e saiu. O segundo já assumiu pensando em se reeleger até para se legitimar, pois não foi eleito para o cargo’.


O programa de Kassab, exibido na seqüência, também abriu com a polarização. ‘Marta ou Kassab? A prefeita das taxas ou o prefeito das AMAs?’, disse um locutor.


O prefeito emendou: ‘Você acha justo uma pessoa que ficou quatro anos na prefeitura e fez zero no metrô me criticar agora porque eu fiz?’’


 


 


Folha de S. Paulo


Juiz eleitoral proíbe propaganda contra pedofilia


‘A decisão proibiu a TV Caburaí de veicular propaganda do Ministério Público do Trabalho contra a exploração sexual de crianças após inserções eleitorais do candidato à Prefeitura de Boa Vista Luciano Castro (PR). Para o juiz, a exibição causa prejuízo eleitoral a Castro, pois ele foi citado em operação da PF sobre pedofilia.’


 


 


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Petista é proibida de exibir obras virtuais na TV


‘A Justiça Eleitoral proibiu a prefeita Luizianne Lins (PT) de mostrar em seu programa imagens computadorizadas que representam obras que não foram finalizadas ou que nem começaram, como se já estivessem prontas. As obras são duas promessas de 2004: o Hospital da Mulher e os Cucas (Centros de Arte e Cultura).’


 


 


Mônica Bergamo


Quatro graus


‘A Justiça Eleitoral proibiu a veiculação da propaganda eleitoral do candidato a vereador Enéas Filho (PTN-SP), aquele que parece, mas não é parente do ex-deputado Enéas Carneiro. Ele não poderá usar elementos que caracterizaram o líder do antigo Prona, como uma sinfonia de Beethoven como fundo musical dos comerciais. O advogado de Enéas Filho, Darci de Oliveira, diz que vai recorrer e que seu cliente ‘não está imitando ninguém. A barba é de verdade e ele usa óculos grandes porque tem quatro graus de miopia.’’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Os inocentes


‘Foi destaque por Record e até Globo, com cabeças de reportagem sublinhando ‘Os inocentes’ e legendas descrevendo ‘Inocente’, simplesmente. Mas nos sites, sobre a libertação dos inocentes torturados em São Paulo, após dois anos, quase nada


Inquérito do inquérito


Não bastasse um, depois outro habeas corpus -e ontem, nas manchetes da Folha Online e do site de ‘O Estado de S. Paulo’, entre outros: ‘CPI aprova quebra de sigilo de ações da Polícia Federal’.


O objetivo, segundo a Agência Câmara, ‘é ter acesso à documentação das operações Satiagraha e Chacal, inclusive o conteúdo das interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça’. Chacal é a operação sobre a ‘suposta espionagem da Kroll’.


E mais, ‘CPI aprova convocação de Paulo Lacerda’, destacavam Folha Online e demais.


SOBE E AGORA DESCE


No topo das buscas de Brasil pelo Yahoo News, à tarde, o ‘New York Times’ com ‘Começa a operação de petróleo no mar’ e a Bloomberg com ‘Repsol começa a perfurar na bacia de Santos’ -e também ‘Norse tem o maior ganho por conta da descoberta no Brasil’, sobre a valorização da empresa na Noruega. Nas buscas pelo Inform.com, ‘Brasil estuda convite do Irã para Opep’.


Fim do dia, porém, e o destaque para o país já era ‘Real se enfraquece pelo terceiro dia com o declínio nos preços das commodities’, a começar do petróleo. Na avaliação da Bloomberg, a queda ‘ameaça conter o crescimento na maior economia da América Latina’.


DOIS OU TRÊS


Cristina Kirchner vem aí, diz o ‘Clarín’, destacando também que ‘o Brasil já extrai de seus achados de 2007’ (acima). A dúvida, de novo, é sobre o encontro de Lula, Cristina e Hugo Chávez, em Recife


PARA O BRASIL


Ontem na Bloomberg, do colunista de América Latina, ‘No sonho de Detroit, todos os SUVs vão para o Brasil’. É a saída para ‘manter abertas as fábricas que produzem todos aqueles utilitários esportivos monstruosos’, que decaíram com a alta da gasolina. Já por aqui ‘as famílias mais ricas estão migrando, dos sedãs para os SUVs’.


PARA OS EUA


Associated Press, Reuters, Ansa e outras ecoaram a ameaça do chanceler Celso Amorim, em entrevista aos correspondentes. Ele falou em ‘grande chance’ de entrar na Organização Mundial do Comércio contra a tarifa dos EUA sobre a importação de etanol. Foi recebido como parte da pressão geral pela retomada de Doha.


SERRA VS. HUGO CHÁVEZ


Em súbita campanha há vários dias, o governador de São Paulo surgiu ontem na manchete da Reuters Brasil, ‘Serra ataca gestão econômica do governo, mas nega ser candidato’ em 2010. Ele questionou também a política comercial, pela ligação com o Mercosul ‘em detrimento dos acordos bilaterais’. E acrescentou: ‘Se a Venezuela entrar, pelo amor de Deus…’


Celso Amorim respondeu na seqüência, também pela Reuters Brasil, dizendo que hoje ‘o Brasil é maior porque é capaz de aglutinar a América do Sul’.


UMA CIDADE CRUEL


Ontem o ‘China Daily’ publicou longa reportagem, no destaque de cultura, sobre o filme ‘Dang Kou’, cidade de plástico, que concorre pelo Leão de Ouro no festival de Veneza, que termina neste sábado. Dirigido por Yu Lik-wai, conta a história de uma gangue chinesa na Liberdade, o bairro paulistano.


Diz o cineasta que ‘o nome Brasil evocava imagens de utopia e eu queria explorar a vida dos chineses vivendo essa utopia.’ Quando visitou o país em 2004, descobriu que São Paulo lembrava Hong Kong, mas era ‘dez vezes mais complicada’. ‘É uma cidade cruel. Os imigrantes têm de lutar por sua identidade.’


CHICAGO & CANGAÇO


O ‘Chicago Sun-Times’ deu na edição de domingo o livro ‘The Seamstress’, a costureira, que foi escrito entre Chicago e Recife pela ‘natural do Brasil’ Frances de Pontes Peebles. Confronta as trajetórias de duas irmãs em Pernambuco, uma seqüestrada e incorporada ao cangaço, a outra em Recife, na metáfora de um ‘país na encruzilhada’’


 


 


GAME
Fabiano Maisonnave


Jogo eletrônico que retrata ‘tirano sedento de poder’ na Venezuela irrita Caracas


‘Um jogo eletrônico em que a Venezuela é dominada por um ditador nacionalista está atraindo a ira do governo Hugo Chávez, para quem se trata de ‘uma nova modalidade de ataque ao processo de mudanças do projeto Simón Bolívar’ por parte dos Estados Unidos.


No ‘Mercenários 2’, desenvolvido pela empresa americana Pandemic, a Venezuela de 2010 é vítima de um golpe de Estado liderado por Ramon Solano, ‘um tirano sedento de poder que utiliza o fornecimento de petróleo e converte o país numa zona de guerra’.


Na pele de uma força mercenária, o jogador pode se aliar com várias facções que também buscam o controle do petróleo. Sempre contra Solano, que inicialmente contrata os mercenários, mas não os paga e ainda tenta matá-los.


‘É hora de os venezuelanos deixarem de pagar pela cobiça dos interesses estrangeiros; faremos com que paguem pelo nosso petróleo’, diz Solano.


O Ministério das Comunicações venezuelano diz que o jogo ‘é mais uma estratégia para criar uma tendência de opinião na qual prevalece o caráter de tirano do líder da revolução bolivariana, assim como para entrar, por meio do imenso poder dos jogos de vídeo, na mente de milhões de jovens de todo o mundo’.


‘Toda a controvérsia ao redor disso é um pouco cômica’, disse o porta-voz da distribuidora Electronic Arts à agência Reuters. ‘É preciso lembrar que é apenas um jogo.’’


 


 


TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo


Vivo lança iPhone 3G na última semana do mês


‘A Vivo informou que começa a vender o iPhone 3G na última semana de setembro. A operadora não especificou o dia, mas na maioria dos países o celular foi lançado em sextas-feiras. Segundo a Vivo, a data foi estabelecida seguindo diretrizes da Apple, que fabrica o celular.


Em agosto, a Claro disse que colocaria o iPhone nas lojas em novembro.


A Vivo, que não divulgou o preço do aparelho, já enviou carta a alguns de seus clientes informando sobre o lançamento -os atuais serão priorizados, como forma de ‘agradar’ à base de usuários.’


 


 


PRESIDENTE
Luiz Carlos Duarte


Eu defendo o fumo em qualquer lugar, diz Lula


‘‘Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado.’ Essa foi a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser indagado qual a sua opinião sobre o projeto federal que proíbe o fumo em lugares fechados, a exemplo do que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB), na semana passada.


Durante a pergunta que lhe foi formulada, Lula fumava uma cigarrilha. Ele concedia entrevista coletiva a jornalistas de oito jornais populares do país, no Palácio do Planalto, ontem de manhã. Naquele momento, não havia repórteres-fotográficos na sala.


O projeto do Ministério da Saúde tramita na Casa Civil, desde fevereiro, e propõe a extinção dos fumódromos em recintos fechados, liberando o cigarro, com algumas exceções, apenas em casa ou na rua.


Lula não quis manifestar sua opinião sobre o mérito do projeto. ‘Eu não vou propor. A idéia do Ministério da Saúde é a proibição do fumo em todos os lugares fechados. Eu mando o projeto para o Congresso e não voto.’ Ao ser questionado sobre um decreto que proíbe o fumo no Planalto, o presidente respondeu: ‘Menos na minha sala. Eu, se for na sua sala, certamente não fumarei porque respeito o dono da sala. Mas, na minha, sou eu que mando’.


A Casa Civil afirmou que o projeto federal ‘está em análise, sem previsão de ser enviado ao Congresso’. Informou ainda que o Palácio do Planalto observa a lei 9.294, de 15 de julho de 1996, e o decreto nº 2.018, de 1996. A lei proíbe o uso de cigarro ou qualquer outro produto do gênero em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, ‘devidamente isolada ou com arejamento conveniente’. Na prática, não é cumprida no Planalto.


A assessoria do ministro José Gomes Temporão (Saúde) informou que a pasta está priorizando seus esforços na aprovação da emenda 29, que destina mais recursos à saúde. Depois, a prioridade será a lei contra o tabagismo. Segundo a economista Márcia Pinto, o fumo traz prejuízo anual de R$ 338,6 milhões ao SUS, em internações e quimioterapia.


Futebol


Após dizer que respeita Dunga e o considera um vencedor, Lula avalia que ‘Luxemburgo é o melhor técnico do Brasil na atualidade’. O presidente é corintiano, e Luxemburgo é treinador do Palmeiras, maior rival do Corinthians. Lula também elogiou Felipão, ex-técnico da seleção e hoje no Chelsea.


Para o presidente, Dunga não é a causa do mau desempenho da seleção brasileira. ‘Estamos numa entressafra difícil de jogadores’, disse. E classificou de preocupante o fato de jogadores estarem recebendo altas quantias precocemente. ‘Tem jogador ganhando muito dinheiro sem, antes, provar que é bom. Vejo titular da seleção brasileira que é segundo reserva em time da Inglaterra.’


Se fosse técnico, Lula afirmou que tentaria montar uma seleção com jogadores que estão atuando somente no Brasil, como uma forma de barrar a idéia de que jogador, para ser convocado, precisa estar atuando no exterior.


Para ele, também falta alma ao jogador brasileiro. ‘Quando vejo o Messi -na minha opinião, o melhor jogador do mundo- perder uma bola, ele sai correndo até recuperar ou fazer falta. Os nossos perdem a bola e cruzam os braços’, referindo-se ao atacante argentino.


Lula defendeu que o Corinthians utilize o estádio do Pacaembu em comodato [empréstimo sem custo], caso não consiga construir sua arena. Segundo ele, o governador Serra lhe teria dito que está disposto a oferecer o Pacaembu nessas condições. Só que o Pacaembu é administrado pela prefeitura, e não pelo Estado.


O presidente disse considerar uma vergonha que clubes de massa, como o Corinthians e o Flamengo, não possuam casa própria. ‘É mais uma vergonha não fazerem um chamamento à torcida para contribuir e construir um estádio.’


Para ele, um estádio próprio representa entre 30% e 40% do sucesso de um time.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Procuradora pede fiscalização sobre novela


‘A procuradora da República Márcia Morgado enviou ofício ao Ministério da Justiça pedindo a gravação e o monitoramento integral de todos os capítulos de ‘Mulheres Apaixonadas’, em reprise pela Globo às 14h40. Em caso de exibição de inadequações para menores de dez anos, o Ministério Público Federal (MPF) deve ser avisado, solicitou a procuradora.


Membros do MPF estão preocupados com a reprise de ‘Mulheres’ porque a novela, em 2003, foi reclassificada como imprópria para menores de 14 anos, por conter erotismo, violência e temática complexa.


Na semana passada, o Ministério da Justiça aceitou pedido da Globo para que a novela fosse reclassificada para maiores de dez anos, o que permite sua exibição em qualquer horário, mediante termo em que a emissora se compromete a adequar o conteúdo a essa faixa etária.


Ao ceder à Globo, o governo ignorou recomendação do MPF para que novelas reclassificadas no ar só fossem liberadas após a análise, por técnicos do ministério, dos capítulos reeditados. O ministério diz que segue portaria do ano passado, que prevê a reclassificação por termo de compromisso.


O problema da reclassificação para dez anos, dizem especialistas, é que crianças com idades inferiores podem ver a novela na ausência dos pais.


A Globo diz que está ‘adotando as medidas necessárias’.


BARRACO NO AR 1


Repórter da Record, Arnaldo Duran foi detido pela polícia em Paris, na semana passada. Duran se estressou com uma aeromoça na volta de Pequim, onde foi cobrir as Olimpíadas. A aeromoça prestou queixa, e o jornalista teve que dar depoimento à polícia. Perdeu o vôo de conexão para o Brasil.


BARRACO NO AR 2


Procurado por telefone, Duran não falou à Folha até a conclusão desta edição.


LIGHT


Novo programa do SBT, o ‘Olha Você’ foi concebido para ser um clone do ‘Hoje em Dia’, da Record. Mas já foi apelidado de ‘Aqui Agora Light’. Até parte do cenário foi reciclada do falecido jornalístico. Anteontem, sua audiência subiu 0,4 ponto no Ibope. Bateu a Record.


NO AR


Agora 100% fora da Sky, a MTV está com seu sinal aberto para antenas parabólicas, ainda em caráter experimental. Mas a tendência é ficar assim permanentemente.


MOTO-PERPÉTUO


O assunto do dia ontem de manhã no SBT era a notícia de que Silvio Santos planeja reprisar ‘Pantanal’ após a reprise de ‘Pantanal’. A novela seria exibida continuamente, como a emissora faz com ‘Chaves’. O pior é que, pelo histórico de Silvio Santos, isso é possível.


TOSCO CHANNEL


Telespectadores reclamam que, muitas vezes, faltam cenas de ‘Pantanal’ que explicariam algumas ações. É que trechos da novela são jogados fora, porque as fitas, deterioradas, não podem ser recuperadas.’


 


 


Audrey Furlaneto


‘Brazil’s Next…’ volta com mais do mesmo


‘A começar pela sinopse, não há muito o que se esperar de ‘Brazil’s Next Top Model’, a versão nacional de ‘America’s Next Top Model’, cuja segunda temporada estréia hoje, às 21h, na Sony. Diz o canal: ‘Candidatas de todas as regiões do país vão lutar para se tornar a próxima top model brasileira em uma disputa acirrada com provas e desafios’. Por desafio, entende-se, por exemplo, a tarefa do primeiro episódio: as 20 candidatas terão de posar com os seios à mostra, e sete delas serão eliminadas pelos jurados -a jornalista Erika Palomino, o maquiador Duda Molinos e o estilista Dudu Bertholini, comandados pela apresentadora (que também é modelo e manequim) Fernanda Motta. A idéia é criar uma campanha de prevenção do câncer de mama -pois ter uma causa social, parecem pensar os produtores, faz do reality show um programa, digamos, mais relevante. E, já na apresentação, as candidatas desfiam os dramas vazios dos descendentes do ‘Big Brother’. Exemplos: Andréia Pádua, 23, 1,77 m, não ‘tolera falsidade’; Estêfani Ruaro, 22, 1,77 m, sabe que todas ‘podem ter amizade’, mas são ‘rivais’; Raphaela Caterine, 23, 1,77 m, acha que ‘modelo tem que saber falar e ser culta acima de tudo’. Resumindo: mais do (chato) mesmo.


BRAZIL’S NEXT TOP MODEL


Quando: estréia hoje, às 21h


Onde: na Sony


Classificação indicativa: livre’


 


 


CINEMA
Marco Aurélio Canônico


‘É difícil se recuperar do sucesso’


‘Depois de duas horas de entrevistas coletivas com os atores de ‘Hellboy 2 – O Exército Dourado’ num hotel em Los Angeles, um consenso fica nítido: o mexicano Guillermo del Toro, diretor dos dois filmes sobre o herói demoníaco das HQs, não é mais o mesmo. ‘Guillermo está maior, ele está crescendo a cada dia’, diz Selma Blair, que interpreta a mocinha Liz, sem se dar conta da piada involuntária com o peso do volumoso diretor. Blair se refere, é claro, à mudança do status de Del Toro em Hollywood. Afinal, entre ‘Hellboy’ (2004) e sua seqüência, que estréia amanhã no Brasil, ele dirigiu ‘O Labirinto do Fauno’, sucesso de crítica, de público e de Oscars (veja abaixo). Na conversa individual com a Folha, Del Toro reconhece a mudança, mas sem nenhuma empáfia. É um sujeito falante e sorridente, que aborda as dificuldades por que passou com muito mais convicção do que fala de seu sucesso atual.


FOLHA – Há muito de ‘O Labirinto do Fauno’ em ‘Hellboy 2’, não?


GUILLERMO DEL TORO – Sim, de certo modo. Tematicamente, ambos falam da fantasia sendo esmagada pela realidade mundana. Visualmente, saíram da mesma cabeça, mas ‘Hellboy 2’ é mais pop, tem cores mais brilhantes, formas diferentes.


FOLHA – Os atores que fizeram os dois ‘Hellboy’ dizem que o sr. mudou após ‘Fauno’. O sr. concorda?


DEL TORO – Talvez eu esteja ficando um pouco obsessivo, porque o pessoal que cuidou do som e da cor acabou me odiando, de tanto tempo que gastei com detalhes. Fiz mais tomadas em ‘Hellboy 2’ do que em qualquer outro filme.


FOLHA – Mas esse perfeccionismo é um reflexo do sucesso?


DEL TORO – Sempre fui assim, mas tinha medo de ficar exigindo. Era mais prudente [risos]. Agora, digo o que quero mudar. No último dia de mixagem do som ficamos 28 horas trabalhando direto, todo mundo desmaiou de cansaço. É possível que os atores estejam certos.


FOLHA – E abriram-se muitas portas em Hollywood?


DEL TORO – Notei bastante diferença no meu trabalho como produtor, que é algo que adoro fazer. Agora as pessoas prestam mais atenção ao que eu digo. ‘O Orfanato’ [que Del Toro produziu] também ajudou bastante nisso. Com o sucesso dele, as pessoas passaram a achar que conheço a receita [para ser bem-sucedido]. O que não é verdade, não sei nada, ainda cometo os mesmos erros. Mas é bom que pensem isso, não diga que eu disse o contrário [risos].


FOLHA – O sr. acha que seu sucesso e o de colegas como Alfonso Cuarón e Alejandro González Iñárritu ajuda outros diretores latino-americanos?


DEL TORO – Não sei. Não acho que somos um modelo a ser seguido, somos uma alternativa, e é ótimo tê-las. Quando vim a Hollywood pela primeira vez, só me ofereciam filmes sobre temas mexicanos, astecas, mariachis, toureiros. Quando disse que queria fazer mais filmes de horror, se espantaram. Meu diretor de fotografia, Guillermo Navarro, me disse que em sua primeira reunião para encontrar um agente, o sujeito lhe perguntou: ‘Para que preciso de um mexicano? Já tenho jardineiro’. Naquela época, em 1993, era muito mais difícil para um latino-americano sonhar em fazer filmes como ‘Harry Potter’ [Cuarón dirigiu ‘O Prisioneiro de Azkaban’], ‘Filhos da Esperança’ [também de Cuarón], ‘Babel’ [de Iñárritu] ou ‘Hellboy’. Hoje, acho que é é algo bem-aceito, acontece cada vez mais.


FOLHA – Antes do sucesso, o sr. chegou a temer por sua carreira?


DEL TORO – Mais do que isso, cheguei a temer por minha família, por não ter como sustentá-los. ‘Cronos’ é de 1993, ‘Mimic’ é de 1997. Levei esse tempo todo para conseguir trabalhar de novo. Depois, foram mais quatro anos até ‘A Espinha do Diabo’. Olhando hoje, parece que tenho uma carreira, mas, na época, parecia que não tinha nada. Escrevi dez roteiros para Hollywood, todos ótimos, nenhum deles foi feito, o primeiro que quiseram fazer foi ‘Mimic’. Depois de terminá-lo, meu pai foi seqüestrado no México e perdi todo meu dinheiro, aos 33. Minha filha teve uma infecção nos rins quando morávamos no Texas e tive que recorrer à previdência social para poder pagar a conta do hospital.


FOLHA – Na entrevista coletiva, o sr. mencionou esses incidentes com uma visão positiva. Por quê?


DEL TORO – Acho que é preciso saber ler esses eventos. A vida é como uma seqüência de livros que você tem de aprender a ler. É horrível, mas é preciso pensar o que se aprende com cada situação, mesmo as ruins. O seqüestro nos ensinou muito. Eu precisava ficar quebrado financeiramente, precisava de tudo aquilo. Porque aí Pedro Almodóvar [produtor de ‘A Espinha do Diabo’] entrou na minha vida como um anjo, disse que queria fazer um filme comigo e tudo aconteceu.


FOLHA – Mas era realmente preciso passar por todos os problemas?


DEL TORO – Sem dúvida. A melancolia sombria que eu senti em todos aqueles anos está em ‘O Labirinto do Fauno’. Não teria escrito aquela história ou ‘A Espinha do Diabo’ sem passar pelo que passei. Sabe qual foi a coisa mais difícil da qual tive que me recuperar? O sucesso de ‘Cronos’. Foi meu primeiro filme, ganhou diversos prêmios, inclusive em Cannes, e eu fiquei paralisado, sem saber o que fazer depois. Isso é bem mais paralisante do que os problemas porque, se você é um lutador, você vai superando as dificuldades. Mas, do sucesso, é difícil se recuperar.


O jornalista MARCO AURÉLIO CANÔNICO viajou a convite da Paramount’


 


 


 


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