Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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ENTRE ASPAS >

Nelson de Sá

12/05/2005 na edição 328


‘No fim, Larry Rohter viajou do Rio para Brasília e fez ontem uma reportagem sobre a cúpula, no ‘New York Times’ -com tradução e destaque na home page do UOL.


Foi logo desqualificando a reunião por unir ‘duas regiões de pouco contato, mas rancores comuns contra a dominação americana, para expressar sua lista de reclamações’.


E já nas lamentações os dois lados ‘expressaram prioridades profundamente diferentes’.


Pior, a reunião veio depois de ‘equívocos embaraçosos’ para a diplomacia brasileira, com a Argentina. Pior, ‘a presença foi menor que a expectativa inicial e tirou brilho’. Pior, Israel e os EUA não gostaram.


Em suma, Larry Rohter.


Como ele, a Associated Press fechou cobertura, ontem em texto no site do ‘Washington Post’ e outros, dizendo que a reunião acabou ‘sustentando posições avessas à política dos EUA em várias frentes’.


Por exemplo, a restrição às ‘sanções contra a Síria’.


Outro, menos lembrado mas ‘questão-chave nos EUA’:


– O texto final da reunião diz que ‘a proteção à propriedade intelectual não pode limitar o acesso à tecnologia.


Ao que a reportagem acresceu que ‘os EUA reclamam que o Brasil não tem feito o bastante para brecar a pirataria de tudo, do software aos DVDs’.


Em extensa reportagem, a também americana Bloomberg sublinhou que o Banco do Brasil anunciou ‘durante o encontro’ a criação de uma Organização Mundial de Software Livre.


Visa ‘encorajar outros países em desenvolvimento a seguir a liderança do Brasil na troca do software Microsoft por versões livres, como Linux’.


Na segunda, o ‘Washington Times’, próximo dos ‘falcões’ nos EUA, já havia dado artigo questionando o ‘tratamento de parceiro’ que o Departamento de Estado vem dedicando ao Brasil, ‘que é um antagonista da política americana’:


– Seu abandono dos direitos de propriedade intelectual são bem conhecidos, e ele precisa ser abordado por Washington como o poder global que é.


E tome a definição do Brasil como parte do ‘eixo do mal da propriedade intelectual’.


O ataque rendeu outro artigo, agora sob o título ‘Brasil resiste aos pedidos para pressionar a OEA contra Hugo Chávez’. De novo, o alvo aberto do ‘WT’ foi a secretária de Estado.


Reflexo da disputa, no mesmo dia o ‘Washington Post’ saía em defesa de Condoleezza Rice, citando sua ‘vitória silenciosa’ na região -com ‘uma agenda de restauração do pragmatismo na política externa’.


Em especial, saudaram que ela ‘reparou relações com países-chaves como o Brasil’.


De sua parte, também o Brasil sai agora pelo globo, no esforço para ‘reparar relações’.


Lula vai ao Japão no fim do mês, segundo a agência Kyodo. Sites sul-coreanos vêm citando a visita do brasileiro ao país, na mesma viagem. E um terceiro aliado dos EUA, Israel, segundo Larry Rohter, recebe o chanceler Celso Amorim ‘em breve’.


O ‘FALCÃO’


Furlan, ontem no Jornal Nacional


Néstor Kirchner e o ‘Clarín’ distribuíam elogios a Lula e o Brasil, ontem. O presidente deu entrevista a uma rádio e falou em diálogo ‘excelente’. O JN deu trecho, com tradução.


Mas na Argentina já acharam outro vilão, no Brasil. O mesmo ‘Clarín’, na versão impressa, citou empresários dizendo que o ministro Luiz Furlan é ‘duro’ e protagonizou até ‘maus tratos’. Furlan, na Folha Online e depois no JN, de óculos escuros, evitou confronto público, mas disse que não maltratou e que é ‘duro, mas leal’.


O site do ‘Clarín’ não desistiu, voltou ao personagem e chegou a tachar o ministro de ‘falcão’.


Lula, na coletiva acompanhada pelos canais de notícias e depois reproduzida nos telejornais, pareceu deixar mensagem aos ‘falcões’ de lá e de cá:


– Precisamos construir uma nova etapa, ir resolvendo coisas que se apresentam no varejo mas sem perder de vista que os dois Estados não podem ceder à pressão de um empresário de um setor apenas.


Modernista


A revista do ‘NYT’ só sai no domingo, mas a Slate adianta o perfil de Oscar Niemeyer que é destaque no levantamento sobre arquitetura do século 20, em que a questão é se ‘o modernismo está sumindo da paisagem que ele criou’. Do brasileiro, uma frase em destaque:


– A forma segue o feminino.


Confiante e tenaz


Severino não é bobo e lá estava ele ontem na Globo:


– Senhoras e senhores, esta casa registra em sessão solene o reconhecimento devido à Rede Globo e a Roberto Marinho, cuja vida foi exemplo de tenacidade e confiança no Brasil.’



GOVERNO BUSH


Argemiro Ferreira


‘Como o governo Bush corrompe o jornalismo’, copyright Tribuna da Imprensa, 12/05/05


‘O senador Frank Lautenberg disse ontem, numa entrevista à rede C-SPAN de televisão, que vai propor, juntamente com seu colega John Kerry, uma nova lei destinada a tornar obrigatório que todo texto de jornal ou reportagem de TV originado em órgãos do governo (na verdade, propaganda) seja acompanhado de advertência: ‘Pago pelo governo dos EUA’ ou ‘Produzido pelo governo dos EUA’.


O objetivo da nova lei será pôr fim à desenfreada corrupção disseminada pelo governo Bush na mídia dos EUA. Textos e reportagens de TV são ‘plantados’ e disfarçados enganosamente como matérias jornalísticas. Esta semana um terceiro órgão do governo, o Departamento de Agricultura, foi obrigado a confessar que também pagou pessoas para produzir e publicar material desse tipo.


Assim, mais um nome foi acrescentado à crescente lista dos jornalistas sem escrúpulos que recebem às escondidas para defender publicamente o governo Bush. Desta vez é um tal Dave Smith. Ele abiscoitou US$ 9.375 em 2003 para ‘pesquisar e escrever artigos para revistas de caça e pesca, descrevendo os benefícios dos programas oficiais do NRCS (Serviço de Conservação de Recursos Naturais)’.


Leitor enganado é o último a saber


A confissão do Departamento de Agricultura, ao qual é subordinado o NRCS, não foi feita voluntariamente. Resultou de ação do jornal ‘USA Today’ com base na Lei de Liberdade de Informação (Foia), que obrigou a repartição a mostrar documentos internos sobre pagamentos ao jornalista subornado. Três artigos de Smith apareceram em 2003 nas revistas ‘Outdoor Oklahoma’ e ‘Washington-Oregon Game & Fish’.


A particularidade é que algumas vezes os veículos têm conhecimento de que o material usado é mera propaganda do governo, outras vezes o utilizam sem sequer serem avisados sobre a origem duvidosa. Smith disse ao ‘USA Today’ ter revelado previamente às revistas que fora pago pelo Departamento de Agricultura e que, por isso, não pedia pagamento às revistas pela veiculação das matérias.


Mesmo se isso tiver acontecido, bem mais importante era a informação também ser dada aos leitores. Eles ficariam sabendo que eram elogios comprados pelo governo. O editor da revista negou que o soubesse (sem excluir a hipótese de ser o fato do conhecimento de outros na empresa editora). Não fosse a iniciativa do ‘USA Today’, o pagamento (ilegal, além antiético, corrupto) ainda estaria sendo ignorado.


Também na cama com o Pentágono


A falta de ética no governo Bush é espantosa. Pilhados em flagrante, como ladrão de galinhas com o produto do roubo na mão, as autoridades sempre arranjam suas desculpas esfarrapadas. David Gagner, do NRCS, alegou que estava dando uma mãozinha às revistas, pois sempre recebe pedidos dessas publicações para ajudar na produção de matérias.


É a conduta habitual da gente de Bush em relação à mídia e ao direito do cidadão de ser informado. Não vou me estender outra vez aqui sobre as mentiras usadas para fabricar a guerra do Iraque ou sobre o projeto cínico do Pentágono de manter os jornalistas sob controle, colocando-os ‘na cama’ (a sugestiva palavra em inglês é ‘embedded’) com os militares – na certa outra ‘ajudazinha’ do governo aos veículos.


Mas há mais: 1. o esquema maroto de distribuir os VNR (video news releases) a TVs do país inteiro; neles aparece gente no papel de jornalista lendo propaganda do governo como se fosse notícia; 2. a cínica inovação bushista de botar o vigarista Jeff Gannon, seu fã, dentro da sala de imprensa da Casa Branca; o sujeito, fingindo-se jornalista, fazia perguntas, levantando a bola para Bush (ou outros) marcar o gol.


A mídia americana, vista no passado como a mais livre e competente do mundo, está definitivamente comprometida pela corrupção oficial. E autoridades do escalão mais alto ainda insistem em esconder outros fatos. Descobertos os casos Armstrong Williams, Maggie Gallagher e Michael McManus, que embolsavam grana para falar bem do governo, a mídia quis saber mais e a Casa Branca negou-se a responder.


Descrevendo o pênis presidencial


Williams, Gallagher e McManus foram pagos pelo Departamento de Educação para elogiar o fracassado programa ‘No child left behind’, e pelo Departamento de Saúde para exaltar seu ridículo programa de ‘defesa do casamento’. Williams deita falação em ‘talk shows’ no rádio e TV. Era bem conhecido, mas não se sabia que fazia aquilo em troca de suborno oficial (o total é ignorado) com dinheiro do contribuinte.


McManus, autor de uma coluna sobre ‘Ética e religião’, publicada por jornais de diferentes pontos do país, dizia-se ‘especialista em casamento’. Sua ética elástica permitiu que abiscoitasse pelo menos US$ 10 mil em troca de palavras generosas sobre como Bush ‘salva’ casamentos. Gallagher, colunista do ‘New York Post’ de Rupert Murdoch, faturou US$ 41.500 travestindo-se em casamenteira.


É sintomático esses jornalistas alegarem que só dizem o que pensam. Se é assim, por que embolsar dinheiro do contribuinte num país onde o déficit do orçamento está perto de US$ 1 trilhão? Por grana fazem qualquer papel. Em 1997, Gallagher – hoje casamenteira – até deu seu preço para escrever o livro de Paula Jones que descreveria o formato singular do pênis do presidente Bill Clinton. Tema edificante, sem dúvida.’



ARGENTINA vs. BRASIL


Janaína Figueiredo


‘Jornais portenhos não destacam volta antecipada’, copyright O Globo, 12/05/05


‘Os principais jornais argentinos deram grande destaque à Cúpula América do Sul-Países Árabes mas não dedicaram muito espaço à decisão do presidente Néstor Kirchner de antecipar seu retorno a Buenos Aires. ‘As diferenças com o Brasil foram superadas’, foi a manchete do jornal ‘Clarín’, o mais importante do país, que semana passada informara sobre as fortes divergências que nos últimos meses estremeceram o relacionamento entre os governos Lula e Kirchner.


‘O presidente acaba de encurtar, inesperadamente, sua estada. E se explicou: ‘Já sabem como é meu estilo. Restavam apenas questões protocolares’, minimizou o presidente quando teve de explicar a mudança de planos’, informou o ‘Clarín’. Acostumados com o estilo de Kirchner, os jornalistas argentinos não ficaram surpresos com a volta antecipada.


‘Kirchner e Lula, outra vez em sintonia’, noticiou o ‘La Nación’, que também minimizou o retorno antecipado. ‘Kirchner considerou satisfatória a reunião com Lula e antecipou sua volta. A Argentina não discute lideranças nem hegemonias, assegurou (o presidente argentino)’, informou o ‘Página 12’.’



PAPA NA MÍDIA


Folha de S. Paulo


‘França adverte humoristas por piada sobre papa ‘, copyright Folha de S. Paulo, 12/05/05


‘O canal de televisão francês ‘Canal Plus’ foi repreendido pelo Conselho de Mídias da França por ter feito referências ao nazismo para satirizar o papa Bento 16 em um conhecido programa humorístico do país, ‘Notícias das Marionetes’.


O programa se parece com um telejornal convencional. A diferença é que os protagonistas- jornalistas e entrevistados- são marionetes gigantes, quase idênticas às pessoas que procuram imitar. As personalidades ‘transformadas’ em marionetes concedem entrevistas nas quais são satirizadas.


A marionete de Bento 16 foi batizada de ‘Adolf 2º’, referência ao ditador nazista Adolf Hitler. Em 20 de abril, ‘Adolf 2º’ deu entrevista ao jornal e, ao se despedir, disse: ‘Que Deus os abençoe. Em nome do Pai, do Filho e do 3º Reich’.


A Igreja Católica francesa disse que o programa tripudiou sobre os valores defendidos por Bento 16, e as organizações judaicas lembraram que o papa só serviu a uma organização nazista em sua juventude porque fora forçado a fazê-lo.


De nada serviram as desculpas que o canal pediu logo após a emissão do episódio. O governo disse que, se houver próxima vez, vai aplicar uma severa multa ao ‘Canal Plus’.’


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